Amar como Jesus amou

Dá pra discordar da divindade de Jesus Cristo. Dá pra discordar das traduções bíblicas feitas em cima de textos que na sua origem já possuem alguns erros históricos e equívocos que o passar dos séculos desde suas primeiras versões puderam cometer “semanticídio”. Pode-se, ainda, desconfiar que não há qualquer deus, força, energia ou fôlego extra-terreno que começou essa coisa louca chamada vida humana.

Mas não dá, portanto, pra discordar que Jesus pregou o amor. Não dá pra dar outro significado aos Evangelhos de Jesus que essa: amor.

Os evangelhos são cartas de amor de Jesus à quem quisesse seguir seus ensinamentos, independente de divindade ou religião. Independente de fé ou crenças. E este texto não vem te sugerir acreditar nisso. Nem eu acredito.

Lula vai ao funeral da Sra. ex-Primeira Dama Ruth Cardoso, em 24 de Junho de 2008.

A grande verdade é que se você conseguir Amar como Jesus amou, como sugere uma antiga canção do Padre Zezinho, um ícone dos meus tempos de católico, você não será um imbecil comentarista de Internet ou tio-do-pavê que comemorará o falecimento da Sra. Marisa Letícia, esposa do Luiz Inácio Lula da Silva, que teve sua morte cerebral constatada hoje. Ou que dirá que ela está pagando pelos seus pecados, sugerindo que ela na condição de Primeira Dama por 8 anos fez algo de ilícito. Ou, ainda, pagando a pena de morte por causa de Lula, cuja reputação foi manchada recentemente com escândalos de corrupção ainda em processo de investigação. Pior: diferenças políticas e ideológicas.

E isso me espanta muito porque se temos, segundo o IBGE, 166 milhões de cristãos declarados no país, o que corresponde a pouco mais de 85% dos seres vivos habitantes na terra de Vera-Cruz, uma parte dessa quase unanimidade católica e evangélica sequer entendeu a mensagem do seu mestre.

FHC visita Lula no hospital onde a ex-primeira-dama Maria Letícia tem sua morte cerebral decretada pelos médicos.

FHC visita Lula no hospital onde a ex-primeira-dama Maria Letícia tem sua morte cerebral decretada pelos médicos.

Eles lêem diariamente as escrituras sagradas deles, eles repetem frases prontas a todo momento, mas quando têm a incrível oportunidade de colocar em prática um dos ensinamentos que deveriam estar craques ao realizar, falham miseravelmente.

E sei disso porque durante muito tempo fui assim. E as vezes ainda comemoro o fracasso alheio com um tropeço. E embora não seja um religioso Cristão, tento entender que acima de qualquer diferença eu sou humano, e deveria ser inerente a minha capacidade de pensar, advento este que me diferencia de outras espécies, e que como humano eu deveria ter bom senso e entender a dor alheia.

Respeitar um semelhante é uma prova de amor e nenhuma religião é necessária pra entender isso. A gente nasce com isso. E se não temos isso em momento nenhum do nosso processo de lapidação, podemos nos considerar cerebralmente mortos também.

Vai em paz, Dona Marisa.

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