A Vila Terceira que o Ribeirão de Caboto não viu

Eu já conhecia o Ribeirão da Ilha. Já fiz passeios ao segundo distrito mais antigo de Florianópolis, e ponto de partida da colonização da Ilha de Santa Catarina, mas nunca havia parado para comer num de seus restaurantes. Shame on me, mea culpa, ou qualquer outra expressão estrangeira que me faça ser perdoado por esta heresia.

Fato é que ontem dei uma de Sebastião Caboto. Eu não atravessei o atlântico, até porque o navegador italiano a serviço dos espanhóis levou menos tempo para encontrar o Ribeirão. Mas agora eu posso dizer, finalmente, que conheço um dos lugares mais simpáticos de Florianópolis, onde desembarcou Caboto, e um dos cernes da cultura açoriana aqui impetrada no século XVIII, também gastronomicamente. O Ribeirão da Ilha foi a terceira localidade de Nossa Senhora do Desterro a ganhar o título de vila, logo após Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui. Não é coincidência que estes três sejam os pólos gastronômicos da cidade, onde a arquitetura e a gastronomia se mantém fiéis às origens, até onde a evolução pode coexistir.

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Inspirado neste registro é que há cerca de 3 anos o chef e administrador Daniel Wegner da Silva abriu o Vila Terceira Restaurante, localizado na Freguesia do Ribeirão da Ilha. Uma casa muito bonita, decorada com elementos açorianos e muito confortável. Ampla e climatizada, explora a culinária baseada nos frutos que o próprio mar do Ribeirão fornece, buscando referências fortes na culinária local e oferecendo uma comida muito saborosa tanto aos manezinhos quanto aos forasteiros que aqui vêm buscar descanso.

A Michele e o Guilhermeconheciam o restaurante, e me recomendaram que o jantar fosse por ali. O bom gosto dos dois é irrefutável, não havia o que contestar. Em pouco menos de 20 minutos após chegarmos no restaurante estávamos comendo as ostras gratinadas.

Ostras Gratinadas com Gengibre
Ostras Gratinadas com Gengibre

Aliás eu sempre gosto de começar as refeições em casas de frutos do mar com bolinhos de siri ou algo parecido, sou fã incondicional da iguaria. Mas não era justo nem com meus amigos e com meus antepassados, nem com o título do Ribeirão de maior produtor de ostras do Brasil, em deixar passar a oportunidade. Escolhemos as Ostras Gratinadas com Gengibre. Uma delícia, diga-se de passagem. Arrisquei-me nas gratinadas porque cresci comendo ostra in natura, forma que qualquer ser humano deveria começar experimentando o nobre mexilhão, então quis experimentar algo novo. Bela surpresa.

Polvo Crocante
Polvo Crocante

Como estávamos em quatro pessoas, e os pratos eram suficientemente abastado para duas, pedimos dois pratos diferentes para que pudéssemos experimentar um pouco de cada. Um deles era o Polvo Crocante, que me chamou atenção já na descrição do cardápio: “crocante por fora e suculento por dentro”. Acompanhava batatas assadas recheadas com catupiry, além dos tradicionais arroz branco e pirão de caldo de peixe.

Anchova Vó Guida
Anchova Vó Guida

O segundo prato, e confesso meu preferido, era uma anchova grelhada, que recebe lá o nome de Anchova da Vó Guida. O peixe vem grelhado, com molho de alcaparras (opcional) e uma farofa com camarões. Não dá pra explicar o que é esta farofa com palavras. Só indo lá e experimentando mesmo. É muito boa, ainda salivo litros só de lembrá-la.

Café de Ostra
Café de Ostra

A comida foi tanta, mas tanta, que não cabia sobremesa na refeição. Os pratos eram muito saborosos e bem servidos, comemos até não sobrar mais espaço pro doce. Mas o cafezinho disgetivo, lei por estas plagas, foi pedido. Pedimos um Café de Ostra. Uma brincadeira da casa com o protagonista da localidade, um doce de chocolate branco em forma de concha que acompanha o café passado na hora.

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O atendimento é excelente. Todos os pedidos foram tirados com explicações de cada prato, ingredientes e com bastante gentileza. A Jéssica, moça bastante simpática que nos atendeu, além de trazer todos os pedidos corretamente e num tempo curto, sem longas demoras típicas das praias, ainda ofereceu uma cachacinha típica da região, feito no Sertão do Ribeirão, alambique caseiro. Conheça a Jéssica, figura ímpar no restaurante, e conheça tambéma a cachaça.

O jantar com entrada, pratos, bebidas e café saiu por cerca de R$50 por pessoa, preço bastante honesto. Cada centavo foi lindamente bem investido.

E ao findar este post, tenho duas observações a fazer. A primeira é que você o visite o quanto antes. A segunda é Caboto, apesar de ter conhecido melhor o lugar e bem antes que eu, perdeu o timing e não viveu o suficiente pra comer uma ostrinha no Vila Terceira.

Vila Terceira Restaurante

  • Endereço: Av. Baldicero Filomeno, 7808. Freguesia do Ribeirão, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3337-5793
  • Horário: de terça à sábado, das 11h30 às 23h30. Domingos e feriados das 11h30 às 17h.
  • Aceita cartões: sim

5 ideias sobre “A Vila Terceira que o Ribeirão de Caboto não viu”

  1. Daniel.. que lugar lindo!

    Essa delicadeza no café foi sensacional!!!

    Ah… sexta postaremos uma receita de farofa de camarão para rechear tainha… espero que gostes e fique gostosa como esta aí da foto!

  2. Infelizmente, vou apenas duas a três vezes por ano neste restaurante. O polvo é muito bom, mas serviam uma lagosta magnífica. Pena, serviam. Vale muito uma visita. Atenciosíssimos, sempre.

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