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Café Cultura: muito café, muito bistrô, muito gostoso!

Este é um review feito em duas visitas.

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A primeira foi num domingo à tarde na loja da Lagoa da Conceição, quando estava começando a ficar soterrado no meio de caixas de mudança e precisando respirar novos ares acompanhado de um bom café. Saí com a câmera pra aproveitar corrigir uma injustiça: o único review que o Café Cultura havia ganhado aqui era da unidade do centro, que não existe mais, e que servia um almoço épico ao lado da Praça XV. Mas de café, café mesmo, ainda não havia falado. Falha minha, afinal o café deles é um dos meus preferidos na cidade, principalmente porque é um dos poucos que não monopoliza com a velha e entediante máquina de espresso.

Até por quê, vamos combinar né moçada? Pra saber tirar um bom espresso sem sentir aquele gosto de queimado na boca tem que ralar muito, não adianta por uma boina e achar que é barista. Essa praga inclusive persegue nas padarias, qualquer um liga aquele elefante branco vaporizador. Credo!

Tá, mas tô tergiversando, vamos aos fatos: tarde, domingo, volta na Lagoa, café. Café Cultura.

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Hario? Hario! Aquele breguete branco de porcelana, em espiral, filtro especial pra Hario e um House Blend pra chamar de seu. Dos deuses, parece que ali você sente todas as propriedades e sabores do café. Não só as notas, dá pra chamar de acordes, parece uma música bem tocada quando um café é bem passado. Pra quê tirá-lo na pressão se café é calmaria?

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Pra acompanhar uma torta alemã da casa. Bah, que coisa linda de meu deus!

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Minha torta favorita, meu café predileto, e boa companhia! Boa companhia, inclusive, que tomava esse capuccino italiano, bem feitinho e dosado, sem aquela doçura do brasileiro que usa café de pretexto.

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E o capuccino foi pra acompanhar esse belíssimo panini, que é uma das especialidades gastronômicas da casa. Ele é vegetariano com abobrinha, tomate, alface, queijo… tão gostoso que nem sente-se falta de carne (olha quem fala!).

Ainda vou falar de café mas anota aí: especialidades gastronômicas da casa. Anotou?

Então, este café durou até a noite, entre idas e vindas do filtro do Hario e outros capuccinos, até fechar com estas duas belezinhas.

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Café Latte.

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A segunda etapa surgiu da lacuna entre esta visita, já rascunhada aqui no blog, da minha mudança pra Florianópolis (oi vizinhos!) e de um convite recebido pela Amplocom, das queridas Viviane e Roberta. Era pra ir até a loja da SC-401, que eu ainda não conhecia, experimentar as delícias que o Café Cultura oferece habitualmente. Só que, como acontece todo inverno, o cardápio passa não ter apenas uma, mas várias sopas e cremes, além de outras coisas boas que vou mostrar agora. Lembra que anotou as especialidades gastronômicas? Pois é, elas vão além dos paninis, sanduíches, salgados, doces, tortas… tantas comidas boas que têm por lá e já são conhecidas.

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De cara já vieram estas bruschettas muito saborosas e bem crocantes. Experimentei as de tomate, a famosa pomodori, e a de queijo brie com damascos. Quentinhas, pãozinho crocante, recheio saboroso… daquelas experiências onde a gente já poderia ficar na entrada. Mas é lógico que não. Porque tinha ainda muitas sopas bem saborosas pra comer.

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Essa foi a de mandioquinha com maracujá. Uma mistura que eu jamais teria feito em casa, que eu sequer havia pensado que ficasse boa. O sabor e a textura da mandioquinha com a acidez sutil do maracujá.

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Aipim com camarão também é uma delícia. Um creme robusto mas também delicado de mandioca, camarões grelhados e bem temperados por cima.

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Tem também a tradicional moranga com gengibre. Aquela abóbora bonita e saborosa, a kabotya, que alguns chamam de abóbora japonesa. O gengibre dá o toque oriental e ácido pra levantar ainda mais o sabor dela. Essa, aliás, minha preferida da noite e da vida. Comeria ela todo dia!

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Ainda coube espaço pra esse risoto de champignon, cogumelos muito bem puxados no azeite e um arroz italiano digno de um bom bistrô!

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Acha que faltou espaço? Espere só até ver esta Paçoca latte, um novo  “café” que pode-se ser saboreado como sobremesa. O nome já diz tudo: café com leite e paçoca. Outra delícia que ainda não conhecia.

Por fim, resta dizer que sinto-me agora pleno sabendo que já tenho um review bem completo do Café Cultura por aqui. Difícil a semana em que nenhuma das lojas passe meu cartão. Seja pra um rápido café com algum amigo, seja pra passar algumas horas papeando e filosofando as inquietudes da vida, o Café Cultura é um lugar dos que me sinto em casa, independente da loja que eu vá.

Café Cultura

Rua Manoel Severino de Oliveira, 669, loja 3

(48) 3334-0483

SC 401, Km4 – Espaço Primavera Garden

(48) 3307-9350

MARKT 705: um all in one na capital gaúcha

Era uma viagem de bate-e-volta, nenhum roteiro especial envolvendo restaurantes como já é de costume da redação deste blog. Tempo apertado, compromissos com hora marcada e agenda cheia. No máximo uma passada rápida no Food Park do Shopping Iguatemi onde os nossos amigos do Destemperados estavam servindo um delicioso Tortei (aliás, dá tempo, vai até dia 21/6!).

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Mas tão certo quanto precisamos comer é que nas horas mais inesperadas nos topamos com lugares interessantíssimos e que, mesmo na ausência da câmera que não foi na bagagem — desculpem-me pelas fotos de celular, teremos vontade de compartilhar por aqui.

Literalmente colado ao hotel em que estava hospedado, conheci o MARKT705. Não dá pra definí-lo como bistrô, café, empório gourmet, mercadinho ou padaria. Se é pra definí-lo, uso uma expressão que estou acostumado na T.I.: all in one. O MARKT 705 é tudo em um.

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Lá você pode entrar pra comer algum molho, tempero, massa ou qualquer coisa industrializada para fazer um jantar; pode apenas sentar com um amigo pra tomar um café; pode aproveitar o frio e tomar uma sopinha; se quiser uma cerveja especial/artesanal gelada pra levar ou pra consumir ali mesmo, tem; e pode até comer um baita hambúrguer.

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E foi o que comi: um burgão.

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Por R$23,90 chegou à minha mesa o MARKT, um hambúrguer de carne bovina com queijo gorgonzola, fatias crocantes de pêra e rúcula. Pode parecer uma combinação estranha mas já adianto: muito saborosa.

A carne veio no ponto, ponto positivo pro lugar! Se o Rio Grande do Sul é o lugar pra se comer uma boa carne, o cozinheiro do MARKT 705 sabe bem prepará-la. O pão veio levemente tostado e o restante do recheio combinou bem no conjunto da obra.

Ele é servido em uma tábua de madeira, é bonito (mais uma vez, perdoem as fotos do celular, a Motorola não sabe fazer câmera) e num bom tamanho pra uma fome normal.

Além disso, é acompanhado de batatas rústicas muito saborosas, temperadas e com um pouco de páprica picante que dá um toque bem interessante nelas. Maionese, é claro, pra dar aquela besuntada no lanche.

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Como estava dirigindo não pude experimentar, nem pela experiência, uma cerveja ou vinho da casa, mas conhecendo as marcas que oferecem posso concluir que a seleção é excelente!

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No meio da noite ainda bateu uma fominha e desci pra buscar mais algumas guloseimas #gordosofre.

Tenho poucas queixas quanto a atendimento em Porto Alegre, costumo ser muito bem recebido por lá e no MARKT não foi diferente. Garçons muito cordiais, atenciosos e pedidos sem qualquer tipo de erro.

Fica a dica pra quem estiver de passagem ou hospedado na região, a Coronel Bordini tem um baita lugar pra tudo em um!

MARKT 705

  • Coronel Bordini, 705. Auxiliadora, Porto Alegre.
  • (51) 3352-3173
  • Aceita cartões
  • Wifi

Bistrô d’Acampora: a boa lembrança de Zeca nas mãos de Betinho

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Ainda não conhecia o Bistrô d’Acampora. O conhecia, de nome e de fama, mas não saberei explicar quais os motivos culminaram para que minhas andanças nunca chegassem àquele canto de Santo Antônio de Lisboa. Não bastasse toda a sua competência firmada pelos reviews positivos do lugar; também não bastasse a insistência e a perseverança da Michele para que eu conhecesse logo a casa; a gota d’água foi o Prato da Boa Lembrança. Iniciei minha coleção em janeiro deste ano e tamanha foi minha surpresa ao saber que um dos raros representantes desta organização aqui em Santa Catarina era a casa criada há alguns anos pelo Zeca d’Acampora.

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O Zeca infelizmente já foi cozinhar pro Patrão Velho, não o conheci. Mas se o discípulo sempre supera o seu mestre, e isso é mais das vezes uma grande assertiva, tenho certeza que pude fazer um resgate histórico na memória gastronômica do lugar, apesar de versátil e renovada a cada ano, pelas mãos de ninguém menos que o Chef Roberto Bento, ou Betinho que o diminutivo confere qualidade apenas para sua estatura e não pela sua genialidade.

Betinho é um gênio. Não sou eu quem digo, mas todos que o conhecem e é unanimidade entre seus colegas de trabalho. Sua cozinha é simples, usa ingredientes nobres mas tem um preparo simples e nada rebuscado sai de suas mãos. A complexidade e grandiosidade de seus sabores estão no emprego dos seus temperos, suas texturas e capacidade de criação. Uma cozinha em que uma simples erva-mate, coisa que pouca gente imaginaria num prato, adornaria perfeitamente uma carne de porco. Ou o milho verde que ficaria perfeito num pudim. Ou uma releitura do ratatouille que combinaria excepcionalmente com polvo.

E foi isso que experimentei na fatídica noite da última terça-feira.

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Fomos recebidos com um delicioso couvert. Uma cesta de torradas com patês maravilhosos como o de foie, terrine de salmão e tomates confitados no azeite.

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Mas comecei o jantar pela entrada, como manda o figurino. Escolhi o “Polvo”. Isso mesmo, apenas “Polvo”. O prato vinha mais coisas, e sua descrição no cardápio está logo abaixo deste curto enunciado, mas como todo bom bistrô nada de modismos e nomes rocambolescos pra fazer referência a uma comida simples. Polvo é uma salada de polvo confitado em azeite, servido com legumes assados, farofa de ervas e azeite de coentro. Simples. Simples e saborosíssimo. Sempre digo que se um restaurante me faz adorar comer legumes e salivar por eles é porque realmente merece destaque. O polvo dispensa comentários. Macio e delicioso o definem.

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O prato principal já é sabido: O Prato da Boa Lembrança. Este ano o Bistrô d’Acampora oferece o “Tche Uai”, também criação do Chef Betinho onde ele homenageia sua parcela grande de clientes e amigos mineiros e gaúchos, e suas duas culinárias que o inspiram e que juntas neste prato trazem a costelinha suína assada lentamente no forno após horas marinando no seu tempero especial com uma crosta de erva-mate, molho roty, mousseline de aipim e couve mineira refogada.

Meu pai do céu, que vontade de CASAR com esse prato. Não tivesse eu uma linda namorada cujo pedido de casamento não tardará em acontecer, teria pedido ali mesmo, de joelhos, com anel e tudo, COSTELA CASA COMIGO!

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Falar em linda namorada, a Aline pediu de sobremesa um Petit Gateau. Agora sei com quem a Bárbara, chef do Santa Marta, aprendeu a fazer esta deliciosa iguaria. Delícia!

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Mas me surpreendi de verdade foi com o Pudim de Milho Verde, que foi servido em cima de uma gallete de côco com chocolate branco e uma calda de pimenta dedo de moça, que deu um toque todo especial à sobremesa.

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Se a gastronomia tem o poder de nos conectar às memórias do passado da nossa existência através dos sabores, aromas e texturas, acreditei piamente na serenidade de um ateu que ela pudesse de alguma forma me conectar ao passado do próprio restaurante, que ainda que sempre renovado em seu cardápio com releituras e novas criações me fizeram ter uma boa lembrança não somente no Tche Uai, mas também a do Zeca, que mesmo não tendo-o conhecido, deixou o Betinho pra firmar seu legado e ser mais que um mero coadjuvante na cozinha, mas um grande e respeitado cozinheiro.

Este juntar custou aproximadamente R$120 e cada centavo foi investido com um sorriso no rosto e no bolso.

Bistrô d’Acampora

  • Endereço: Rod. SC 401, km 1o. (logo após a praça de pedágio desativada, sentido norte da Ilha).
  • Telefone: (48) 3235-1073
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Bistrô La Provence: bistrô na cara e na alma

Coisa boa você sair de casa e ir para um restaurante que, mesmo sendo um estabelecimento comercial, faz você se sentir em no seu próprio lar. Foi o que aconteceu no Bistrô La Provence, na Lagoa da Conceição, que guarda ao máximo as características de um verdadeiro bistrô. Comida simples mas bem apresentada e saborosa, atendimento personalizado, ambiente aconchegante e pequeno, como se fosse, de fato, uma casa.

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Manda muito bem o chef Renato Justo Jr. que, dentre outras bagagens, traz pra Floripa sua passagem pela Le Cordon Bleu, na França, cuja cozinha inspira todo o cardápio do bistrô.

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O cardápio é enxuto, não tem firulas. Algumas opções de entradas, pratos à base de massas, carnes, peixes e carnes exóticas, além é claro das sobremesas. Uma ou duas por categoria, não mais. Alguns podem achar ruim, eu encaro de forma positiva. Quanto menos variedades, menos chance de errar, mais elaboradas elas costumam ser e o resultado tende a ser muito melhor.

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O atendimento é outro diferencial: quem atende é a esposa do chef, Suzana, que ganha também homenagem no cardápio tendo nas sobremesas, um crepe em seu nome. Pudera, o atendimento é especial, continuando a sensação de que você está em casa, além do ambiente muito bem decorado e aconchegante.

Tartare de Salmão com torradas de pão ciabatta
Tartare de Salmão com torradas de pão ciabatta

Abrimos os trabalhos com esta maravilha. Sério, experimentem isso quando forem lá. Tartare de Salmão com torradas de pão ciabatta (R$25). O salmão muito bem preparado e temperado, fresquinho, a pimenta rosa dando um toque especial e a salsa dando aroma e sabor perfeitos ao prato. Poderia passar a noite toda só comendo isso.

Filé Dijón com Batata Rösti
Filé Dijón com Batata Rösti

Depois veio o prato principal. Eu escolhi um Filé Dijón com Batat Rösti (R$64). Outra delícia. O filé veio no ponto certo que pedi, ou seja, ao ponto. Bem suculento, macio e saboroso. O molho harmonizava muito bem com a carne, cumprindo bem o seu papel. A batata rösti bem leve e macia também, crocante por fora e muito macia por dentro.

Penne de Madame Jeanne acompanhado de camarões e aspargos frescos
Penne de Madame Jeanne acompanhado de camarões e aspargos frescos

A Aline foi numa massa, escolheu o de Penne de Madame Jeanne acompanhado de Camarões e Aspargos Frescos (R$54). Na ocasião faltavam os aspargos que foram lindamente substituídos por shitake (felicidade do chef, imaginando o sabor do aspargo realmente ficou melhor que o original) e não desabona a madame Jeanne, sua mãe, quem é a homenageada da receita.

Aparados, Villa Francioni. Cabernet Sauvignon
Aparados, Villa Francioni. Cabernet Sauvignon

O jantar foi harmonizado com um Aparados, um Cabernet Sauvignon que homenageia os Aparados da Serra, legítimo terroir de altitude da vinícola VIlla Francioni. Eu como fã dos vinhos da nossa serra sou suspeito pra falar, mas mesmo assim insisto: baita vinho! Custo benefício perfeito!

Creme Brulee
Creme Brulee

Para encerrar, dividimos um Crême Brülée (R$18). Sobremesa deliciosa pra Amelie Poulain nenhuma botar defeito!

A conta fechou em R$243 incluindo o vinho, água e serviço. Vai lá!

Bistrô La Provence

  • Endereço: Travessa Leopoldo João dos Santos, 93. Lagoa da Conceição, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3223-6762
  • Horário: de segunda à sábado das 19h30 às 23h30.
  • Aceita cartões: sim

A culinária contemporânea do Bistrô Santa Marta

É quase impossível passar pela estrada geral do Canto da Lagoa e não perceber uma casa centenária e muito charmosa, vermelha, imponente numa das curvas da sinuosa rodovia. Edificada há pelo menos 120 anos no estilo açoriano de se construir hoje abriga um lugar muito aconchegante e confortável, o Bistrô Santa Marta.

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Soube da existência do Bistrô Santa Marta pela Bárbara Beck, a atual Chef do restaurante e amiga deste que vos escreve. Conheci a Bárbara não me lembro onde nem quando. Não somos amigos de muito tempo, embora nossas conversas sobre comida me façam sentir até no timbre de sua voz uma paixão pelo faz, como se conversássemos sobre seus pratos e sua forma de cozinhar há anos.

E o que era apenas papo materializou-se na última semana. Estive no Santa Marta pra enfim confirmar as expectativas, e posso garantir que todas elas foram lindamente superadas.

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Pra começo de conversa o lugar é muito aconchegante. Ia dizer que me senti muito em casa jantando no Santa Marta, mas acho que nem minha casa é tão confortável, tecnicamente falando, do que o Bistrô. O restaurante tem poucos lugares, mobília muito linda de se ver e de se estar, decoração que foi acumulada e feita pelo casal de proprietários Branco e Milene. De fundo, música suave e num tom agradável harmoniza o ambiente.

O atendimento é perfeito. Pudera, é feito pelo próprio Branco. Não há garçom, da forma característica como vemos. O muito simpático e gentil proprietário do Bistrô Santa Marta é quem faz as vezes de garçom e atende os clientes nas mesas. Auxilia na hora do pedido, ajuda na escolha do vinho, quem sabe uma cerveja pra harmonizar… se pedires um drink, é a Milene quem faz.

Jardim de Cogumelos
Jardim de Cogumelos

E a mágica continua dentro da cozinha. Pra abrir os trabalhos escolhemos o Jardim de Cogumelos, prato este que pela primeira vez experimentei algum toque da cozinha molecular. Trata-se de um mix de cogumelos salteados na manteiga de ervas, acompanhando um delicioso molho a base de shoyu e limão siciliano. O toque da gastronomia molecular veio com a “areia do jardim”, que são azeitonas negras desidratadas e azeite de oliva reconstruído. Ou algo assim, ainda sou muito leigo no assunto.

Carré de Cordeiro, purê de mandioquinha, alho confitado e geléia de pimenta
Carré de Cordeiro, purê de mandioquinha, alho confitado e geléia de pimenta

Para o prato principal escolhi o carré. Há tempos estava com vontade de comer um cordeiro bem preparado, coisa rara de se achar. E acertei em cheio. O Carré da Ilha, que é um carré de cordeiro marinado no vinho branco e acompanhado de purê de mandioquinha, alho confitado e geléia de pimenta é uma delícia. Como dizem os gaúchos, que entendem do riscado, “lôco de especial!”. Tive vontade de aplaudir mas estava tão bom que mal tirei as mãos dos talheres.

Polvo grelhado com lâminas de alho, ao molho dijón e risotto milanês.
Polvo grelhado com lâminas de alho, ao molho dijón e risotto milanês.

A minha querida amiga Michele pediu um Polvo da Magia. São tentáculos de polvo grelhados com lâminas de alho, ao molho dijón, acompanhado de um delicioso risotto milanês. Experimentei um pouco desse prato e não fosse o cordeiro estar muito bom, teria pedido pra ela trocar comigo.

Petit Gateau
Petit Gateau

Já estava satisfeitíssimo com a refeição quando soube pelo Branco que o Petit Gateau é fabricação própria. Hoje em dia a maioria dos restaurantes terceiriza essa parte, por uma questão de praticidade. Fui obrigado a experimentá-lo. Um macio bolinho de chocolate recheado com um saboroso creme. “Escorreu o recheio? se não escorreu não tá bom”, diz o Branco. Tá escorrendo é saliva de lembrar dessa maravilha ao escrever este post.

O preço é honesto. Todo o serviço, incluindo bebida, água, entrada, prato principal e sobremesa custou cerca de R$80.

Mas tem uma coisa que o dinheiro ainda não paga. A satistação de degustar uma excelente comida e ser muito bem atendido num lugar muito especial. Vida longa e próspera ao Santa Marta!

Bistrô Santa Marta

  • Endereço: Rua Laurindo Januário da Silveira, 1350 . Canto da Lagoa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3371-0769
  • Horário: de segunda à sábado, das 19h à 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Café Kiwi: imperdível bistrô no centro de Florianópolis

O conceito de bistrô tá sendo deturpado. Ou modernizado, coloquemos a culpa na evolução. Mas é fato que a idéia original de bistrô não é a mesma da França da Segunda Guerra. Não que eu queira aqui ser purista, gastronomia é algo vivo e que se adapta às condições em que está submetida, a determinado tempo e lugar. Mas daí a usar o nome bistrot pra dar um certo ar “cool” ao lugar ou então ter uma licença poética pra cobrar mais caro do cliente, já descamba pra sacanagem. Mas tem quem pague, não é mesmo?

Café Kiwi
Café Kiwi

Bistrô, conceitualmente, é um lugar pequeno, aconchegante; bistrô é local, atende a vizinhança, tem um ou mais pratos por dia e serve comida simples. Boa, sem sombra de dúvida, mas comida simples. Saborosas, bem apresentadas, bem elaboradas, mas ainda assim simples.

O Café Kiwi é um bistrô. Ele não se diz bistrô, não tá na placa que é bistrô, se chama “Café”, mas é um bistrô no horário do almoço. É um local aconchegante, pequeno, tem poucas opções de prato a cada dia, o atendimento tem um ar de exclusividade e faz comida simples, saborosa e com preço justo. Conceitualmente? Bistrô.

Vista das mesas externas para a Pe Miguelinho
Vista das mesas externas para a Pe Miguelinho

Já havia tentado almoçar lá outro dia, numa dessas minhas recentes andanças pelo centro da cidade, mas com o tardar da hora o prato que eu escolheria naquele menu já havia acabado (ouvi um grito de bistrô?). Numa outra oportunidade, semana passada, não deixei passar. Aguardei vagar uma mesa e fui atendido.

Desde o início até o final eu fiquei encantado. Primeiro porque fui com a cara dele mesmo sem saber o que serviam. Achei simpático, o Café Kiwi piscou pra mim. Vi aquela construção antiga entre a lateral da Catedral Metropolitana e o prédio da Previdência Social, um pedaço do centro outrora muito badalado e hoje já meio bucólico, aquela plaquinha simples e bonita, as mesinhas no calçadão da rua Padre Miguelinho cobertas com um guarda-sol verde… flertou comigo.

Café Kiwi - Interna
Café Kiwi – Interna

A moça que nos atendeu, e já peço as devidas excusas por não ter perguntado o seu nome, foi muito simpática e prestativa. Nos explicou detalhadamente o cardápio, a composição dos pratos, nos deu sugestões e nos trouxe a bebida.

Risotto de Salmão com Espinafre e Limão Siciliano
Risotto de Salmão com Espinafre e Limão Siciliano – R$24

Eu escolhi um Risotto de Salmão com Espinafre e Limão Siciliano. O Couscous Marroquino e a Lasanha de Abobrinha com Gorgozola pareciam boa pedida também, pelo que vi a vizinhança comendo. Mas risotto é risotto.

Eu viajo muito na maionese ou mais algum leitor tem aquela sensação de que o prato conversa contigo? Pois é, o risotto que comi ficou quase meia hora batendo um papo. Esqueci do tempo, das pessoas que passavam na rua apressadas pra regressar ao trabalho, do barulho dos carros da Arcipreste Paiva, da Câmara de Vereadores… A cada garfada um novo assunto. Sem brincadeira, acho que foi o melhor risotto que já comi fora de casa.

Quando faço uma resenha, procuro analisar alguns pontos importantes como o ambiente, o atendimento, a qualidade da comida e procuro fazer algum comentário sobre o preço. Se fosse pontuar com notas, a todos estes ítens um 10 com bastante louvor. Não pecou em absolutamente nada. E o preço, bah! Se todos os restaurantes de Florianópolis cobrassem o justo… Paguei módicos vinte e quatro reais pela refeição, e que eles não me escutem, teria pagado mais com um sorriso no rosto.

Torta de Pistache
Torta de Pistache

Se não pra almoçar mas talvez pra um café, uma fatia de quiche que eles mesmo fazem, e o fazem de forma extraordinária; talvez um brownie, já resenhado pela Michele; ou quem sabe a tão comentada torta de pistache, que só de mirá-la naquele balcão refrigerado dá vontade de levar pra casa; os cupcakes que estampam a vitrine; seja lá que hora você passar por ali, recomendo a visita.

Bistrô, caros colegas, não é um restaurante. E espero que, se ler, a proprietária não me ache pedante em nominar o seu próprio estabelecimento como bistrô, porque nem ela chama. Bistrô é experiência, é sentimento, são sensações. É experimentar uma comida feita por quem ama o que faz. E faz porque sabe. E que deixa você a vontade.

Poderia fechar esse texto dizendo que o Café Kiwi te faz sentir em casa, aquele baita clichezão dos blogs de gastronomia. Mas o Kiwi não é só como a sua casa, é como aquela casa que você faria caso ganhasse na megasena, embora tenha a nítida certeza de que dinheiro nenhum do mundo compra esse prazer.

Café Kiwi

  • Rua Pe. Miguelinho, 83. Centro, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3224-0155
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: não
  • Site