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Du Gandolfo: lindo, saboroso e honesto

E São José continua me surpreendendo. No último fim de semana abri espaço na rígida dieta que venho enfrentando (é, parece que não dá pra ser blogueiro de gastronomia gordo por muito tempo) e fui finalmente conhecer o Restaurante Du Gandolfo, que para meu espanto existe há pelo menos 18 anos (não na mesma região e no mesmo formato, mas com nomes parecidos e próximo dali), e hoje senta suas garras no charmoso Centro Histórico de São José.

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O Du Gandolfo faz uma viagem nas gastronomias portuguesa e italiana, que as vezes até se encontram como no “caneloni de bacalhau”, que não experimentamos mas certamente terá sua vez nas próximas idas a este restaurante que muito me emocionou.

Me emocionou não só na comida. Mas na comida, principalmente, e no espaço muito bonito e bem decorado. É uma casa portuguesa, com certeza. Há vários pequenos espaços com mesas confortáveis e decoração que agrada aos olhos não importa onde você os direcione.

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Outra característica que me chamou bastante a atenção é que todos os pratos servem duas pessoas, então é um convite para uma noite romântica que aproveite o ambiente calmo e aconchegante, ou encontro de casais ou ainda amigos, que possam desfrutar das mesmas iguarias e terem resultados diferentes para a mesma experiência.

Mas vamos parar de encher linguiça, vamos falar de coisa boa. E não, não é Tekpix.

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Abrimos a refeição com uma entrada. De salada eu já estava até o gogó, então pedi pão. Cesta de pães com Manteiga, Pasta de Beringela, picles de Abobrinha. Não estava no cardápio mas também recebemos neste “kit” de antepastos uns deliciosos pimentões em azeite.

Não dá pra descrever a delícia que é este pão. Não são eles que fazem, mas são feitos sob medida pra eles. Pão do jeito que todo mundo gosta: crocante por fora, bastante macio e saboroso por dentro e quentinho, saído do forno. Não fossem tão gostosos quanto os acompanhamentos desta entrada, seria uma heresia não comê-lo sozinho.

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Outra coisa importante que precisa ser bastante destacada: as bebidas. Você não vai morrer pagando uma prestação do cartão de crédito se pedir um vinho da carta ou uma jarra de suco de laranja. Esta bebida tão cara nos demais lugares, ganha aqui sua versão em jarra, totalmente natural feito com a fruta, 700ml por menos de 9 reais. O que parece até uma idiotice dizendo assim, é um grande feito se compararmos restaurantes do mesmo nível por aí.

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Eu fui na culinária portuguesa. Queria experimentar esta Cataplana com medalhões de Filé Mignon, molho vermelho com creme de leite, cogumelos e batatas. O prato é acompanhado de arroz, mas já seria suficiente degustar esta cataplana pura, assim como o pão da entrada. Aliás, este delicioso molho vermelho com creme de leite poderia ser muito bem “xuxado” por aquele pãozinho da entrada. Um #fikdik pra casa!

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O Everton e a Samantha, que faziam costado nesta refeição, foram pro lado italiano do Du Gandolfo. Eles pediram e degustaram (e eu provei um quinhão) do Filé a Quatro Formagio. Mais Filé Mignon, molho de quatro queijos, batatas e que veio acompanhado de um delicioso talharim na manteiga.

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Mais uma vantagem da casa: não importa se é prato principal ou acompanhamento, a qualidade sempre será excelente. Mesmo um simples arroz, mesmo este talharim na manteiga que me causa enxurradas de saliva até agora, são feitos sob o mais absoluto cuidado e sabor.

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Eles ainda pediram sobremesa, que não experimentei mas registrei: Petit Gateau. Se era bom, perguntem pra eles.

Não precisa dizer que recomendo uma visita nesta casa. Um dos poucos lugares onde come-se muito, muito bem e pode-se pagar menos que 100 mangos por casal. A conta fechou por volta dos 90, que a esta altura do campeonato já era quase de graça.

Restaurante Du Gandolfo

  • Endereço: Rua Homero de Miranda Gomes, 3382. Centro, São José/SC
  • Telefone: (48) 3247-4334
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim

Zena Caffè, os sabores da ligúria nos Jardins de São Paulo

Que eu sou um compartilhador de fotos de comida não é segredo pra ninguém. Mas muita gente acha que por compartilhar as fotos do que eu como, sobra pouco tempo pra desejar a comida alheia. Isso é um equívoco. As vezes estou em um restaurante comendo algo muito bom e dando uma “folheada” no Instagram e pensando “como eu queria estar comendo este prato”. Isso ocorre na vida offline também quando comemos algo que estava ali porque era mais rápido mas pensamos que “não era bem isso que eu queria comer”.

Várias vezes isso me ocorreu olhando o Twitter e o Instagram do Carlos Bertolazzi, chef paulista e especializado na cozinha italiana que conheci ano passado através do programa Homens Gourmet no canal Bem Simples. Já até cheguei a sonhar com a focaccia que vez por outra alguém compartilhava nas redes sociais, e que é uma das especialidades do Zena Caffè, um dos restaurantes assinados pelo Bertolazzi.

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Como ia estar pelos Jardins — e mesmo se não estivesse — coloquei o Zena no meu roteiro da viagem que fiz à capital paulista nas últimas semanas e num domingo por volta das 16h estive no restaurante conhecendo não só a gastronomia como a simpatia e gentileza do próprio chef, que nos deu a honra de sugerir pratos e apresentar todas as delícias que só a Ligúria pode oferecer.

E aqui o primeiro detalhe que me impressionou: desde a abertura da casa até o adentrar da madrugada o restaurante funciona com o mesmo cardápio, você pode almoçar no horário convencional, usá-lo como brunch e até mesmo jantar. Não tem hora pra chegar e a comida é sempre preparada e servida naquele momento.

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O Zena Caffè é lindo. Seja no salão interno ou no jardim externo com mesas ao ar livre e muito bem arborizado, me senti muito confortável e à vontade. Fazia um fim de semana lindo na maior capital das américas e almoçar às 4 da tarde numa mesa na área externa foi muito agradável.

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Enquanto aguardávamos uma mesa pedimos drinks. Tomamos o Aperol Spritz (Aperol, Prosecco e água com gás, R$18) e também Caipirinha de Cajú com geléia de Pimenta (R$21). O Aperol Spritz é pra quem tem paladar mais pro amargo, mas muito bom, e a caipirinha é uma das melhores que já tomei.

Devidamente acomodados, fomos às comidas! Achando que as entradas eram pequenas, pedi duas. Em absoluto que isto foi um problema, sabe-se lá quando voltarei novamente à cidade, experimentar era preciso.

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De entrada pedi um Arancini di riso con funghi (R$19), bolinhos de arroz com mix de cogumelos e queijo. Me apaixonei ali mesmo na primeira entrada pelo sabor da comida do lugar, que delícia! Bolinho macio por dentro e crocante por fora, acompanhado de um molho muito saboroso e que rendeu muitos “hummm” de quem comia. Isso que eu ainda nem havia pedido a…

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Focaccia! Ou mais precisamente a Foccacia della casa “al fomaggio” (R$29), uma massa crocante e fininha recheada com queijo stracchino. Vocês não têm noção de quanto esta foccacia é deliciosa. O queijo vem bem derretido sem soltar muita gordura e combina deliciosamente com a massa crocante.

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As entradas foram muito bem servidas, tive que esperar um pouco pra escolher o prato. Seguindo as sugestões do Cobra que acompanhava minha visita pelo Twitter e do próprio Bertolazzi que ofereceu um mix dos dois pratos sugeridos, decidi ir no Gnocchi Zena (nhoque com molho de tomates frescos, manjericão e fonduta de stracchino, R$45) e no Filetto alla milanese (milanesa de filé com farinha caseira, R$46). Detalhe para o garçom que vem na mesa ralar mais um pouco de queijo parmesão fresco pra acompanhar o nhoque.

Os dois pratos, que são separados e servem duas pessoas mas que foram combinados, estavam muito saborosos. O nhoque dispensa apresentações, a foto fala por si. O filé a milanesa bem macio e com sabor muito especial, empanado e crocante, chegou bem quentinho na mesa.

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Eu já estava em vias de ir rolando Av. Paulista acima até chegarmos no flat, mas pedir a sobremesa era preciso. Escolhi a mais leve de todas pra evitar explodir com tanta comida. Fomos na Panna cotta (delicado flan de creme de leite com calda de frutas vermelhas e cumaru, R$18).

O atendimento foi perfeito do início ao fim do serviço. Desde a recepção, a solicitação de uma mesa, a explicação das bebidas e pratos e em tudo o que precisamos fomos prontamente atendidos. Sei que escolhi dois restaurantes já conceituados pra visitar e escrever aqui no blog, mas o padrão de atendimento em São Paulo parece-me muito mais apurado e eficiente, e isso me encheu muito os olhos. No Zena não foi diferente.

Recomendo demais a visita ao Zena Caffè. Passando por São Paulo não deixe de provar as delícias do norte italiano!

Zena Caffè

  • Endereço: Rua Peixoto Gomide, 1901. Jardins, São Paulo.
  • Telefone: (11) 3081-2158
  • Horário: De segunda à quarta, das 12h à 0h. Quinta à sábado, das 12h à 1h. Domingo das 12h à 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim
  • Estacionamento: Sim (manobristas)

Galeto da Mamma, o melhor da cozinha ítalo-riograndense em Floripa

Dos tradicionais. Não costumo falar dos tradicionais. Todo mundo já os conhece. Todo mundo não, já dizia um amigo que tudo é muita coisa, mas muita gente sabe dos restaurantes que estão há 20, 30 anos com as portas abertas oferecendo comida boa. E talvez seja um erro meu pensar assim, porque nunca fiz um review do Meu Cantinho, por exemplo, churrascaria que frequentava com meus pais desde a época das vacas gordas. Não que ela tenha perdido muito peso, mas depois que inventaram o “tá ruim” nunca mais esteve bom.

Outro erro meu é pensar que sé escrevo pra florianopolitanos (perdão, eu odeio a expressão manezinho, assim como odeio o nome da cidade, mas explico isso outra hora). A cidade batizada em homenagem a um assassino (tá bom, expliquei agora) recebe anualmente muitos turistas e muitos deles voltam pra ficar, se é que vão embora após o encantamento com o lugar, e acabo esquecendo dos meus novos patrícios, imigrantes de vários rincões que aqui criam morada.

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Por falar em imigrantes, benditos sejam os italianos que povoaram a serra gaúcha. Lá acharam terra boa pra cultivar a uva vinífera e fizeram boa comida. Tão boa que emigraram pra cá também, com a Galeto da Mamma. Lugar esse que já fui duas ou três vezes mas sem fazer material pra um review, ato falho de quem acaba esquecendo dos tradicionais.

Tradicional também é o cardápio da Galeto da Mamma. Galeto, polenta frita, salada de radicci com bacon, massa, muita massa! Tudo conforme manda o figurino italo-riograndense de se servir uma boa comida italiana, do jeitão serrano de se fazer comida.

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Há um cardápio onde você pode escolher suas massas e outros pratos, mas além do à lá carte existe o rodízio, o qual recomendo fortemente você experimentar. Por 31 dinheiros brasileiros você come tudo isso que eu falei acima. Muito parecido com o sistema do Madalosso, em Curitiba. A comida é servida na mesa e conforme vai acabando eles vão substituindo.

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Então, recapitulando, a comida servida de primeira é: galeto, salada de maionese, radicci com bacon, uma das melhores polentas fritas que já comi, costelinha suína assada na farinha, coração de frango, espaguete e nhoque ao sugo, tortéi a bolonhesa, salsinha e queijo parmesão a vontade!

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Tradicional também é a entrada desta comideria: sopa de capeletti! não poderia abrir uma refeição nesses moldes sem esta sopa.

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Com toda essa comida, bebemos um vinho que conheci lá mesmo na primeira visita e me apaixonei, na Galeto da Mamma, o Naturelle. Vinho fino porém suave, feito pela Casa Valduga no Vale dos Vinhedos, acompanha bem estes partos por menos de R$40.

A casa é toda decorada no estilo de cantina, muito aconchegante e com a vista maravilhosa da praia do Bom Abrigo, local que este que vos escreve já molhou suas fraldas quando a praia ainda era balneável.

No atendimento você percebe muita cortesia e rapidez, sendo atendido sempre sem qualquer problema. No rodízio, os pratos sempre são entregues quase que na hora, frescos e quentes.

Fica o registro da minha galeteria favorita aqui na cidade, na certeza de ter corrigido esta falha que não foi ter falado e indicado uma refeição na Galeto da Mamma.

Galeto da Mamma

  • Endereço: Rua Plácido de Castro, 201. Coqueiros, Florianópolis.
  • Horário: de terça à domingo. Almoço a partir das 11h30 e jantar das 19h.
  • Telefone: (48) 3249-6028
  • Aceita cartão: sim
  • Estacionamento: sim

Risotteria Suprema, comendo um bom risotto com preço muito justo

Desde que o jornalista e apresentador Zeca Camargo escreveu sua coluna à Folha de São Paulo falando sobre restaurantes e a arte de cobrar caro pra fazer comida simples porém rebuscada que não paro de pensar sobre o assunto. Como num efeito do sapo numa panela em temperatura ascendente, era eu com o preço dos restaurantes. Era barato, ou relativamente em conta, de repente começou a subir e nem notamos mais, mas, parafraseando o nobre comunicador, “você lembra quando percebeu que o jantar de R$ 150 virou rotina?”

É lógico que não tenho o costume de pagar isso num jantar, nem meus sofridos bolsos aguentariam, mas trazendo pra uma realidade mais próxima, você lembra quando foi que um jantar num restaurante mais elaborado começou a beirar os três dígitos? Como que num sofrenaço senti o fundo da panela queimar os pés e encerrei a leitura do texto com raiva de mim mesmo, e com uma cara de otário no semblante.

Por que comida simples, mas feita de maneira mais elaborada, precisa custar as vezes cinco vezes mais que seu custo? Qual empresa no mundo trabalha com até 500% de lucro? É uma resposta que não tenho, embora desejasse de toda forma trazê-la pra cá e debater com os nobres leitores que provavelmente ficarão com a mesma cara — se já não estão — após ler isso, já que a realidade não é somente dos paulistanos.

Risotteria Suprema

Faço diferente, pois, neste review. Indico um restaurante onde você pode comer muito bem, saindo totalmente satisfeito e com qualidade irrefutável. Falo da Risotteria Suprema, restaurante que conheci há dois dias, quando procurava um local pra almoçar nas redondezas do meu bairro que insiste em limitar aos buffets sua oferta de comida ao meio-dia.

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O nome é auto-explicativo: o carro-chefe é o risotto. Risottos dos mais diferentes tipos e preparos, mas sempre mantendo uma característica italiana por trás, com pequenas adaptações ao paladar dos brasileiros. Pratos bem servidos e muito bem apresentados, decorados pra agradar não somente o paladar como os demais sentidos que se possa usar na gastronomia. E o melhor: sem precisar ficar pobre. Um grande trunfo à premissa de que comer bem precisa ser caro.

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Para o almoço funciona da seguinte forma: todas as opções do cardápio são acompanhadas de uma entrada e uma sobremesa. Na terça-feira as entradas eram uma salada de folhas da estação, tomate, pepino, cenoura ralada e croutons ou então uma sopa de lentilhas.

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Para o prato principal, a possibilidade de escolher apenas o risotto do dia (que era de palmito com abobrinha zuchini, leite de coco e açafrão da terra), ou o risotto mais uma carne (filé de frango grelhado ou steak de alcatra). Você pode escolher somente a carne, caso deseje, acompanhada de um molho, ou ainda dois tipos de massa.

Já havia comido a salada e agora tinha um risotto muito saboroso e muito bem servido com um steak de alcatra no ponto certo de uma boa carne. Quando um gordo diz pra você que um prato é bem servido, quer dizer que pra uma pessoa com estômago normal ele será suficiente pra almoçar dois dias seguidos. Ou seja, além de muito boa, a comida é suficiente pra matar qualquer tipo de fome.

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Como se não fosse o bastante, o chef Jordan Franzen, que recepciona muito bem e entrega pessoalmente os pratos a todos os clientes, nos trouxe uma mousse de limão de sobremesa. Assim como a entrada e o prato principal, comida simples e muito bem feita, indubitavelmente saborosa e bem apresentável, o que é constante em todo o serviço.

Quando vi que a comida era boa, bem apresentada, em quantidade digna pra matar a fome e tudo estava muito bem apresentado, pensei: em alguma coisa vai pecar. Seja no ambiente ou no atendimento, algo vai dar errado. Me enganei redondamente, e muito feliz ao fazer esta descoberta.

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A casa é simples porém muito aconchegante. Decoração moderada, sem aquelas apetrechos todos na parede mas que te conferem conforto desde a chegada.

O atendimento foi perfeito. Todos os pedidos vieram corretamente, nenhum engano ou atraso, e os garçons sempre muito atenciosos e gentis explicando os pratos e fazendo o serviço ser lindamente aplaudido com louvores.

No fim das contas, o preço impressionou bastante, pelo que foi servido e apresentado: módicos 23,90 pelo almoço, sem contabilizar bebidas. Isso mesmo, menos de 25 reais por uma refeição com entrada, prato principal e sobremesa. Caso tivesse escolhido apenas o risotto do dia, ela teria saido por R$17,90.

Pode ficar tranquilo, Zeca Camargo! Nem tudo está perdido. Ainda existem restaurantes fazendo comida boa sem exageros na pompa e no preço.

Risotteria Suprema

  • Endereço: Rod. João Paulo, 130. João Paulo, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3234-0301
  • Horário: de terça à sexta das 11h30 às 14h, e das 19h às 0h. Sábados e domingos das 12h às 15h30 e das 19h às oh.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Conhecendo o Siri Mole na Cantina Sangiovese

Jorge Amado nasceu em Itabuna, na Bahia, mas aos 2 anos de idade mudou-se com a família para Ilhéus. Dentre outras coisas que o litoral baiano lhe deu, um dos maiores escritores que este país já teve ganhou neste pedaço de paraíso o amor pelo mar. E que mar! Nada além disso explica o seu apreço pela culinária litorânea e pelo tempero daquela região. Apenas e tão somente apenas explica suas menções honrosas às iguarias como a Moqueca de Siri Mole, eternizada no romance Dona Flor e Seus Dois Maridos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=HQ8Z7bYMgJY

Moqueca de siri mole: era o prato predileto de Vadinho. Lavem os siris inteiros em água de limão. Lavem bastante para lhes tirar o sujo sem lhes tirar, porém, o gosto de maresia. Um a um coloque os siris na frigideira, devagar porque este é um prato muito delicado. Tome de quatro tomates escolhidos, um pimentão e uma cebola em rodelas coloquem para dar um toque de beleza. E só quando tudo estiver cozido, e só então, junte o leite de coco e o azeite de dendê. Sirva bem quente.

Seus dentes mordiam o siri mole, seus lábios ficavam amarelos de dendê. Nunca mais seus lábios, sua língua. Nunca mais sua ardida boca de cebola crua.

Jorge Amado fazia poesia até em receitas. Não sei se cozinhava, mas a paixão ao descrever através da boca de Dona Flor como se preparava a moqueca de Siri Mole denunciava sua inata habilidade com o paladar.

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Outro cara que faz poesia na cozinha é o Helton Costa. Você já deve ter ouvido falar nele. Ele tem habilidade com as palavras, pois nos recebeu de forma muito simpática e com boas histórias, inclusive esta que introduz o post, mas manda bem mesmo na execução. Na última semana estive na Cantina Sangiovese, restaurante comandado pelo chef, pra comemorar o aniversário da Michele, food hunter das buenas.

Assim como não conhecia a Sangiovese, também não conhecia o Siri Mole. O siri durante sua vida troca algumas vezes de casca. Nessa troca, perdendo sua casca, o crustáceo tem apenas uma fina membrana que o envolve, sendo assim inteiramente comestível. É uma iguaria ainda pouco utilizada aqui na região, mas que já começa a ganhar notoriedade após ter sua criação feita em cativeiro, facilitando a captura exatamente nesta fase da vida.

Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole
Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole

Eu, que nem faço poesia nem executo bem estes pratos, estava lá pra degustá-lo. E foi ele que eu pedi, na verdade um Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole. O prato é uma delícia. Achei que por se tratar de um restaurante mais sofitiscado receberia uma excelente comida e em pouca quantidade. Mas aí lembrei que estava num restaurante italiano, porcoziuna, quanta comida!

Pedi o prato pra uma pessoa e ainda assim não dei conta de comer tudo (há uma exclamação subentendida nesta frase, estamos falando de alguém com o estômago do tamanho de um bagageiro de um sedan).

Bruschetta de Salmão
Bruschetta de Salmão

OK, justiça seja feita, eu havia pedido uma entrada antes. Uma Bruschetta de Salmão muito, mas muito saborosa. Pão torrado como deve ser, salmão grelhado no ponto certo e tudo muito bem temperado e regado com um excelente azeite de oliva extra-virgem.

Ossobuco com polenta e queijo
Ossobuco com polenta e queijo

Aliás, justiça continue sendo feita, ainda experimentei os pratos dos amigos. A aniversariante, a quem aproveito cumprimentá-la mais uma vez pela data que, segundo ela, é comemorada uma semana antes e outra depois (então ainda dá tempo: Parabéns, Mi!), pediu um Ossobuco com Polenta e Queijo. Interessante como se consegue fazer pratos mais simples com tanto sabor.

Raviolone recheado com gorgonzola e pêra, regado na manteiga de amêndoas e rapas de limão siciliano
Raviolone recheado com gorgonzola e pêra, regado na manteiga de amêndoas e rapas de limão siciliano

Outro, ainda, foi o Raviolone recheado com Gorgonzola e Pêra regado com manteiga de amêndoas e raspas de Limão Siciliano. Dizer que este também estava uma delícia é redundante, os ingredientes falam por si só.

Vinho Quinta da Neve Sauvignon Blanc
Vinho Quinta da Neve Sauvignon Blanc

Toda essa comideria foi harmonizada com um vinho que gostei bastante, sugestão da Renata, o Quinta da Neve Sauvignon Blanc. Um legítimo terroir, produzido na serra. Aliás a Cantina Sangiovese também é referência pela sua carta de vinhos, com um enfoque bastante valoroso pelos vinhos da terra.

Sopa de morango com sorvete de baunilha
Sopa de morango com sorvete de baunilha

Como sobremesa, comemos a Sopa de Morangos com Sorvete de Baunilha. Uma sobremesa doce mas sem ser enjoada, morangos bem selecionados e transformados em um creme muito saboroso, acompanhado de uma bola de sorvete de baunilha e um galhinho de alecrim que dá um aroma bastante especial. Ele foi acompanhado de um vinho licoroso, o Moscadello di Montalcino, toscano sim senhor!

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Tentar descrever com palavras o ambiente da Sangiovese é muita ousadia de qualquer escritor, blogueiro, jornalista… talvez Jorge Amado conseguisse. Uma linda casa em Santo Antônio de Lisboa, muito aconchegante, limpa e arejada, com lareira pro inverno e tudo o mais. Decoração no estilo italiano mas sem o clichê das toalhas vermelhas e verdes quadriculadas, um pátio com gramado e iluminação que dão um toque todo especial ao restaurante. Só uma visita ao lugar pode realmente comprovar a expectativa gerada.

O atendimento é impecável. Desde o garçom até o sommelier, do pedido até a entrega dos pratos, que foi bastante rápida. nenhum problema ou mal entendido. Além disso, a gentileza impera desde a chegada no estacionamento.

O preço condiz com o que foi recebido, desde o ambiente até a comida, que sim, é só um detalhe neste caso. O jantar foi um oferecimento do Chef Helton Costa, mas uma refeição completa como descrita no post custa, em média, R$130 por pessoa. Ou seja, quase de graça, visto toda a produção envolvida no jantar.

Se Jorge Amado visitasse a Cantina Sangiovese, certamente escreveria sobre o restaurante. Porque não há ser humano com o mínimo de sensibilidade que não saia de lá encantado. Mesmo que não seja no litoral da Bahia.

Cantina Sangiovese

  • Endereço: Pe. Lourenço Rodrigues de Andrade, 496. Santo Antônio de Lisboa. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3371-1200
  • Horário: De terça à sábado, das 19h às 00h30. Sábado e domingo das 12h às 16h30.
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

Madalosso, o maior restaurante da América Latina

Curitiba é uma cidade simpática. Há tempos visito a cidade que é referência em gastronomia e sempre que posso me delicio com suas iguarias. Sábado tive novamente a oportunidade de ir até a capital dos paranaenses e mesmo que fazendo um bate-volta, consegui parar num restaurante que há muito tempo me indicavam: o Madalosso.

É indescritível estar naquele lugar. Achei que pelo tamanho e pelo número de carros que o estacionamento gigantesco abrigava iria ser mal atendido ou comer mal. Mas não só comi muito bem como comecei a ser bem atendido pelos inúmeros funcionários que controlam o trânsito intenso do estacionamento, já recepcionado muito bem lá fora.

Restaurante Madalosso, entrada com uma reprodução de Michelângelo
Restaurante Madalosso, entrada com uma reprodução de Michelângelo

Pra vocês terem uma idéia, trazendo pra nossa realidade aqui em Florianópolis, é como chegar num prédio com o dobro de tamanho ao prédio da Havan, no bairro Capoeiras, e poder comer em qualquer canto do lugar, seja na seção de eletrodomésticos ou nos caixas. A entrada também impressiona, com um hall cujo teto ganhou uma reprodução do afresco “A Origem de Adão” de Michelângelo, uma das ilustrações do teto da Capela Sistina.

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O Madalosso, que em 1963 oferecia 24 lugares, hoje é considerado pelo Guiness Book o maior restaurante da América Latina com quase 8 quilômetros quadrados e nada menos que 4.645 lugares. Ele é dividido em vários salões, com nomes de cidades italianas, uma referência clara ao resgate histórico de seus criadores (como se o Michelângelo não fosse já um forte indício), o que torna mais confortável. O manezinho aqui chegou lá achando que seria um salão inteiro e ensurdecedor com todas as mesas juntas. Eu almocei no salão Firenze, com capacidade pra 320 pessoas.

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A comida é boa. E farta. O sistema é o de rodízio e é baseado em massas e galetos. Assim que você faz o pedido das bebidas, é servido com os primeiros pratos que estão sempre na mesa. Uma salada de folhas verdes e cebola, risoto de frango, salada de batatas com maionese, polenta frita, frango à passarinho, asinhas de frango com alho frito e o fígado de frango.

Todos estes pratos são repostos a todo momento. Limpou a travessa onde é servido, vem outro com mais comida, fresquinha.

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Depois passam os garçons oferecendo as massas como caneloni, gnocchi, spaguetti, rondelli e lasagnas. Além delas, um frango prensado que eu salivo LITROS só de lembrar. Se for lá, experimente este frango prensado. Carne bovina grelhada também aparece neste rodízio.

Polenta frita. Delícia!
Polenta frita. Delícia!

Destaque para a polenta frita deles. Crocante por fora e macia por dentro, muito bem temperada e saborosa. Aproveite que ela é frita na hora e vem bem quente e coloque o queijo ralado por cima. Dá pra passar o almoço todo comendo só isso.

O rodízio custa R$34 por pessoa.

Outro ítem que me impressionou bastante foi o atendimento. Mesmo sendo barato, mesmo tendo uma fartura de comida, mesmo o restaurante estando muito cheio — e o cheio em se tratando de pelo menos mil pessoas ali naquele momento — fomos sempre muito bem atendidos. Não só porque tinham muitos garçons trabalhando, como pela gentileza e funcionalidade do atendimento, desde a cozinha até à mesa.

Visitando Curitiba, não deixe de ir até a Santa Felicidade visitar o Madalosso. Nem que seja pra deslumbrar com o tamanho e a beleza, nem que seja pra se deslumbrar com a comida.

Madalosso

  • Endereço: Av. Manoel Ribas, 5875. Santa Felicidade. Curitiba.
  • Telefone: (41) 3372-2121
  • Horário: segunda à sábado para almoço e jantar, e aos domingos para o almoço.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim