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Sushic: o primeiro Lamen de Floripa

Eu não me recordo muito bem quando essa história começou, mas tinha a ver com o Ricardo Takeuchi postando uma foto de um lámen e eu dizendo alguma coisa exagerada, como sempre, praticamente implorando que ele trouxesse isso pra nossa querida cidade. E não é que aquela cabeça de pescador, sushizeiro e empresário já estava de tramóia?

Na semana passada ele fez a primeira exibição do prato no Sushic e este humilde blogueiro teve a honra de ser o primeiro a mergulhar aquela colher japonesa de porcelana no bowl onde seria servida a iguaria. Mas, por se tratar de algo novo ainda por aqui, vamos contextualizar.

Lámen, ou rãmen é um alimento japonês de origem chinesa(lãmiàn), composto por filamentos longos de massa alimentícia mergulhados em caldo extraído de verduras, legumes, carcaça suína, bovina, de aves (frango) ou frutos do mar, temperados com shoyu, sal ou missô e decorados comumente com carne de porco, cebolinha e broto de bambu. Fonte

Talvez seja tão tradicional quanto o sushi no Japão, embora seja uma criação chinesa por origem, mas sabe-se lá porque não caiu nas graças do americano como o rolinho de arroz e peixe e pra cá também não veio com grande força. Em São Paulo, no bairro japonês da Liberdade, encontram-se algumas casas especializadas na iguaria.

Mas São Paulo é longe e Floripa poderia muito bem ter um lugar pra comer um bom lámen. E foi isso que o Takeuchi fez: a partir desta semana ele estará servindo dois tipos de Lámen, e experimentei com exclusividade ambos, os quais mostro agora:

Shoyu Tyashu

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Comi este inteiro, completo do jeito que o chef preparou. Molho a base de shoyu, lombo de porco (tyashu) e moyashi (broto de feijão), milho, wakame (alga hidratada) e cebolinha. O caldo é simplesmente viciante embora o protagonista seja o macarrão que também estava especial. É umami desde a primeira colherada até aquela levada do bowl à boca pra sorver os últimos goles do caldo.

Missô Tyashu

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Esse eu não comi inteiro, eu só experimentei. Quem comeu foi Ariany, acompanhante da noite nesta experimentação. Ele é composto por molho a base de missô, Tyashu (lombo de porco), moyashi (broto de feijão), ovo cozido, milho, wakame (alga hidratada) e cebolinha. Nesta foto você vai notar a ausência do porco e o acréscimo de legumes (Misso Yassai), Ariany é vegetariana e o chef preparou uma versão especial pra ela. Já fica a dica pra quem aderir esta dieta, também pode se lambuzar de lámen no Sushic.

Eu ainda não fiz uma prova aos Lámen da Liberdade, mas em um áudio enviado ontem pelo José Vitor e pela Luiza Almeida, um casal de amigos muito querido que tenho por perto e que também adora as goumandises orientais visitando sempre que podem a capital da América Latina, me garantiram que nada deve aos do bairro tradicional japonês. Que o chef Takeuchi além de mostrar habilidade na pesca do seu próprio peixe branco servido na casa também demonstra total perícia e alma japonesa em fazer a iguaria, não perdendo em nenhum quesito para os demais.

Se vai emplacar no gosto dos florianopolitanos, só o tempo irá dizer. Mas já tem o aval de quem gosta do prato, de quem comeu pela primeira vez e tem a iniciativa de sempre aperfeiçoar a receita. Só resta você ir lá, conferir e prestigiar o restaurante de um cara que investe nas novidades e tenta sempre fugir do lugar comum, trazendo pra nossa cidade coisas diferentes pra se comer. É o que a gente quer, não é mesmo? Vamos fazer nossa parte. Lotemos o Sushic pedindo Lámen!

Sushic Restaurante

  • Dr. Abel Capela, 337. Coqueiros, Florianópolis.
  • (48) 3028-4576

 

Yakisoba da Ponte agora tem Sushi, Sashimi e Temaki!

É desnecessário dizer que o Carlos e sua equipe fazem no Yakisoba da Ponte uma das melhores comidas de rua que São José já viu. Com a receita sendo aprimorada há anos e com o pessoal altamente qualificado trabalhando tanto na chapa quanto na pré-produção, o Yakisoba tradicional e o especial com molho teriyaki dão um show nos quesitos sabor e qualidade.

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E só quem tem autonomia e segurança pra continuar melhorando o que já é bom se arrisca na diversidade dos pratos onde as culinárias são relacionadas de alguma forma. Ainda servindo o melhor da comida oriental, o Yakisoba da Ponte agora traz novidades no seu cardápio. Isso mesmo, há duas semanas naquele ponto informal porém aconchegante da Av. Presidente Kennedy a casa agora oferece Sushis, Sashimis e Temakis.

Estive lá na última semana pra conferir e provar os novos pratos. Enquanto Carlos foca suas atenções no Yakisoba, é o chef Jeferson Torres quem prepara os sushis, com uma excelente bagagem profissional acumulada na sua trajetória pelo ramo em Floripa.

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Experimentei todos os pratos da casa. Primeiro os sushis enrolados, como não poderia deixar de ser. Por ser um food truck e pra garantir o frescor e a qualidade, eles apenas trabalham com o salmão, que é o queridinho e unanimidade por aqui. Foram servidos os uramakis Filadélfia (salmão com cream cheese), patê de salmão e kani kama. Os hossomakis seguem os mesmos sabores: kapa maki (pepino), kani e salmão. Todos provados e aprovados.

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Depois foi a vez dos Nigiri e dos Djow (djoe, joe, dyo, cada restaurante chama de um jeito). Os nigirizushi estavam deliciosos. Se você tiver a oportunidade, peça a versão com geléia de pimenta oriental por cima. Dá um toque todo especial no sushi. Outra sugestão que eu dou é experimentar o djow maçaricado, é uma experiência interessante o sabor do peixe cru por dentro e levemente cozido por cima. Quase um tataki de salmão enrolado.

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Os temakis também estão presentes no novo cardápio do Yakisoba. O Temaki Filadélfia deles é de dar inveja! Bem recheado, sem miséria de peixe e com cream cheese, cebolinha à gosto do freguês. Pode pedir sem, é claro, mas acho que dá um toque todo especial. Há inclusive o cuidado de mandarem na mesa, além do potinho e a garrafinha de shoyu, o molho num sachet pra que você consiga temperar o seu temaki de maneira adequada.

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Se o peixe é fresco e o chef é bom, o Sashimi não teria como ser diferente. O segredo desta iguaria é o peixe não ter sido congelado e o tamae-san saber cortá-lo. Acho que a foto é autoexplicativa, mas cabe dizer que salmão cru é uma das iguarias onde a cocção não melhora o prato. Shoyu dos bons e wasabi à vontade pra temperar bem o seu peixe.

Há também uma coisa que eu acho extraordinária nos sushis: os hots. Eles são ótimos pra levar algum amigo com quem você deseja dividir uma refeição mas por algum motivo não curte o sabor do peixe cru. Hot sushi é inclusivo e agregador.

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Este até o Everton, co-autor deste blog e que não curte muito comida japonesa crua, se esbaldou.

Experimentou o hotroll filadélfia, que é o mesmo uramaki filadélfia empanado e frito. E não é hotroll se não vier acompanhado de tarê, um molho feito à base de shoyu muito delicioso e que acompanha bem as frituras.

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Outra gordice fritura que adorei foi o Hot Temaki. Mas ao invés de pegar os rolls e colocarem como recheio de um temaki normal, o chef empana e frita ele inteiro. Daria pra dizer que é uma espécie de cozinha ajaponezada de peixe. Uma delícia. Fritura é sempre boa!

O drama maior é: experimentar um pouco disso tudo sem sair rolando. Embora comida japonesa seja leve e boa pra quem briga com a balança, os sushis todos são bem servidos e vendidos em porções com 8 unidades. As fotos dão bem a dimensão da coisa toda, dá pra comer sem gastar muito e sair bem satisfeito.

Vale a visita! Comer sushi sem a necessidade dos protocolos de um restaurante comum pode ser uma experiência bastante interessante, ainda mais quando o produto é de qualidade!

* Este é um review publieditorial. Ele expressa a opinião do autor.

Yakisoba da Ponte

  • Av. Presidente Kennedy, 789. Campinas, São José/SC.
  • Aceita cartões
  • Estacionamento
  • Wifi

Sushinami: a esperança é um prato que se come cru

Ah, este pequeno bolinho de arroz envolto de ômega 3 no estilo americano de enxergar os nipônicos, embora saibamos que isso possa ser historicamente um grande erro… Ah, iguaria tão deliciosa e tão compatível com quase todas as dietas para redução de peso… Ah, salgado shoyu que tempera este controverso quitute e nos eleva a pressão arterial… Que jamais nos cansemos de procurar novos lugares para degustá-lo, ainda que esta batalha diária seja muitas vezes frustrante e nos deixem mais longe do primeiro milhão. Que jamais desistamos frente à camarões mal cozidos, peixes velhos e atendimento vergonhoso. Que nunca esmoreçamos face a qualquer imprevisto, visto que a perseverança é um prato que se come cru.

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Só me arrisco de poeta neste post que ora começa porque sei que a risada tende a ser boa. E o review é positivo, por supuesto. Embora este seja um grande spoiler do modelo tradicional de reviews, onde a conclusão vem só lá no final, numa obrigação religiosa de ler todo o meu emaranhado de baboseiras que este postulante a crítico de gastronomia, que da Michelin a única semelhança é a forma de pneu de uma 1313 8 marchas, te poupará saber que a poesia quase orgástica acima sem qualquer redondilha na métrica inexistente já é um convite para conhecer o Sushinami.

Falando sério agora, visitei dia destes o Sushinami. Não antes sem receber pelo menos uma dúzia de recomendações dos leitores aqui do blog para conhecer esta “nova” casa. Das indicações que me recordo, a Juliana, a Sandra e a Gabriela disseram, com outras palavras mas com a mesma idéia, que a cara era excelente. Eu que não sou besta de perder, fui. E me dei bem.

No Sushinami não há rodízio, o serviço é todo à lá carte. Se por um lado alguns acham que isso encarece o serviço, posso lhes garantir que aumentam as chances de a experiência ser bem sucedida. Não há porções reduzidas, produções em massa, pré-preparos exagerados que diminuem o frescor dos alimentos, enfim… A lá carte já foi sinônimo de caro, o que neste caso não é uma verdade. No fim das contas o valor para sair de lá mais que saciado é até menor que um rodízio. Creia. Um dos pontos da casa: preços honestos. Não há vista pro mar, não há rua badalada, não tem nada de especial e irrelevante que encareça a visita.

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Comecei os trabalhos com Missoshiro. Esta singela e saborosa sopa a base de pasta de missô e com pedaços de tofú (não é qualquer tofú, é um queijo de soja mais elaborado, segundo o garçom) dá aquela rejuntada no estômado para o que virá a seguir e pra esquentar o corpo num contraponto com a chuva e o frio sulista nessa época do ano.

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A Aline não quis sopa mas pediu um Yakissoba de carne. Muito saboroso, bem proporcional nos ingredientes e molho como poucos na cidade, e bem servido. Já não seria perdida a viagem se fôssemos só para comê-lo.

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Em seguida recebemos o Dragon Rainbowl, um dos uramakis especiais do cardápio. São 8 peças de de uramaki filadélfia envoltos por salmão, atum, peixe branco e camarão. Sushis saborosos e muito bem elaborados, com as coberturas dos uramakis fazendo uma espécie de “meio-a-meio” entre os peixes citados.

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Juntamente com eles vieram os nigiris de peixe branco, com finas fatias de limão dando um toque bastante interessante, como já é comum nas casas orientais, e também os Dyo (FINALMENTE ALGUÉM ESCREVEU CERTO NO CARDÁPIO!!!! GLÓRIA ALELUIA!!) Salmão Spice. Devia estar inspirado nesta noite, quase todos os pedidos envolveram pimenta.

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Por falar em pimenta, também comi os uramakis Salmão Spice. São uramakis que além do tradicional filadélfia e cebolinha, ganham também a pimenta japonesa.

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Como não estou podendo comer frituras, a Michele experimentou e aprovou o Temaki Hot Ebi, que é um temaki tradicionalmente feito com alga e arroz, com recheio de camarões empanados e fritos com molho teriyaki e cebolinha. Diz ela que estava uma delícia, eu confio.

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O Hot Sushi Filadélfia também estava lindo uma barbaridade, pelos mesmos motivos eu não comi, mas o Guilherme o fez por mim e também largou o seu jóinha.

O atendimento também se mostrou bastante eficiente, com todos os pedidos vindo de forma tranquila e sem problemas. Gentileza e hospitalidade, num ambiente pequeno mas muito aconchegante, que tornarão certamente o Sushinami um porto-seguro de olhos puxados para se voltar mais vezes.

Sushinami

  • Rod. Antônio Amaro Vieira, 2122. Itacorubi, Florianópolis.
  • (48) 3233-6784
  • Segunda à sábado, das 19 às 23h.
  • Estacionamento, aceita cartões.

 

 

Nipô Temaki: um oásis oriental na 401

Quem trafega na Rod. José Carlos Daux, a sempre polêmica e tão movimentada SC 401, que dá acesso às praias do Norte da Ilha de Santa Catarina pode até não notar, mas esconde-se numa pequena sala comercial logo após o novo prédio da RBS TV uma pequena grande casa de comida japonesa.

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Já havia visitado o Nipô em outra ocasião, por isso não me assustei quando na votação da enquete que fiz aqui neste blog recentemente sobre as casas de sushi que os nossos leitores preferiam vi que eles por vezes mantiveram a liderança da votação e tiveram um excelente destaque. Na primeira visita acabei não fazendo o review, não havia saído de casa com o espírito blogueiro aguçado, queria apenas comer e aniquilar meus instintos mais primitivos da fome. E isso é só mais uma prova de que a experiência em um restaurante depende não somente dos envolvidos na comida, mas do espírito de quem come.

Na semana passada voltei ao Nipô Temaki. Agora com meu espírito preparado para ter uma experiência gastronômica, pra escutar meu paladar, meu olfato, entender os sinais que a visão davam ao se entrelaçar com os demais sentidos a cada viagem do hashi do prato à boca.

E foi pela visão que tudo começava a fazer sentido, aquelas pessoas que votaram realmente estavam certas, o Nipô é excelente. Primeiro porque na casa não existe rodízio, festival, buffet livre ou como você prefere chamar o all you can eat. Isso por si só já diminui o barulho, o movimento de garçons, dá ao ambiente um clima gostoso. Sendo pequeno, aconchegante e agradável ainda mais. Se por fora não parece grandes coisas, é lá dentro que nem o barulho dos carros é ouvido e não interrompe a refeição.

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Comecei por este lindo par de nigirizushi Mexicano, que é um Nigiri de Salmão com uma lâmina de abacate e um toque de pimenta tailandesa. Simples, parece, mas intenso em sabor e em textura. Peixe fresco, agradável, saboroso.

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Aliás, brincar com sabores é algo bastante comum na casa, e surpreendente. Jamais teria pedido em um restaurante comum, mas como os demais integrantes da mesa se engraçaram ao ver no cardápio, também me surpreendi com o Uramaki de Amêndoas, que além de cream cheese continha mel. A neutralidade das amêndoas, o salgado e o doce combinaram muito, muito bem neste sushi.

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Também comi este Joe Salmão (tipo o famoso filadélfia com cebolinha). Delícia.

Comi o Ceviche Nipô, onde pode-se escolher entre salmão, atum ou peixe branco, com um molho especial da casa. Fui de peixe branco, claro, não sou doido.

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Hot Sushi? Sem problemas, também servem. Destaque para este prato também, tão sequinho e saboroso que nem parece que foi frito.

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Agora destaque mesmo merece a parte de sushis especiais do cardápio. Vejam a foto desse sushi de Massago (esse com recheio de salmão e filadélfia com ovas de capelin por fora), não dá vontade de comer a foto?

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Como a casa ficou conhecida por ser uma excelente temakeria, inclusive ostenta o cargo no seu nome (muito embora não resuma-se a isso em hipótese alguma) não pude deixar de sair sem comer um temaki. Troquei a sobremesa por ele e não me arrependi. Bem recheado, saboroso e ouso dizer que ele, ou dois dele, são suficientes para saciar as fomes mais rústicas.

O atendimento da casa é perfeito, tudo veio de forma tranquila, rápida e sem qualquer problema. Pessoal educado, gentil e que faz você se sentir em casa.

A conta fechou em aproximadamente R$125, sucos inclusos nessa conta onde comeram até forrar a tampa do bucho um casal faminto.

Recomendo a visita ao Nipô, forte candidato para a próxima edição do TOP 5 Sushi.

Nipô Temaki

  • Endereço: Rod. SC 401, 4230. Sl 02. Florianópolis, SC.
  • Telefone: (48) 3238-7385
  • Horário: segunda a sexta para almoço, e segunda à sábado para o jantar.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

TOP 5 Sushi Floripa, terceira edição: os melhores sushis de Floripa

Mais um ano se passa e cá estou novamente para compartilhar com vocês os meus sushis preferidos em Floripa. Quando criei esta lista, em 2011, não tinha noção do alcance que teria. A primeira versão elencou os 5 sushis que eu frequentava na época com uma certa frequência e comecei a receber uma enxurrada de sugestões de novos restaurantes a conhecer. A segunda versão, para que desse tempo de conhecer todos, e obviamente classificar as casas em “ruim”, “promissora” e “voltarei mais vezes”, levou quase dois anos pra ficar pronta. Agora em 2014 chego com a terceira versão, revisada e melhorada da última, mais sólida e com mais conhecimento de causa. E cada ano que passa tenho mais certeza e segurança de onde comer um bom sushi em Florianópolis, a cada vez que pago uma conta e volto feliz ou decepcionado pra casa.

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A grande chave para esta terceira edição foi o “a lá carte”. Experimentei sushis maravilhosos no ano que se passou no sistema de rodízio, mas foram os que servem pelo cardápio os que mais encantaram. Mesmo os sushis que oferecem os dois sistemas acabaram se mostrando mais versáteis, criativos e saborosos pedindo separadamente cada comida experimentada. O que pode parecer um terror para os que visam apenas o preço do jantar e pensam em comer o máximo possível como se gastronomia fosse uma relação custo x benefício pura e simples, surpreende positivamente quem foca numa experiência gastronômica completa e plena. Sem mais delongas, eis os meus 5 melhores sushis de Floripa, e também o melhor sushi de Florianópolis na escolha dos leitores do blog, na estreante categoria Júri Popular.

JUN TEMAKERIA

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A Jun é a grande revelação do ano. Sem dúvida alguma, aquela recomendação que sempre dou aos amigos que já desmamaram do filadélfia e se libertaram das garras desse amor gostoso do sashimi de salmão unlimited e querem uma experiência com sushi daquelas de afagar todos os sentidos. Seja no cardápio tradicional ou no recém criado Gourmet, o cuidado com os ingredientes e a apresentação dos pratos é espetacular. Combinações de ingredientes ousadas e surpreendentes além da zona de conforto dos tradicionais. A novidade pra 2014 é a chegada do King Crab, um caranguejo gigante que vive nas águas geladas do Alasca e que agora se aliam aos sushis da Jun.

SUSHI BISTROT

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O Sushi Bistrot é grandioso até na sua localização. Uma vista lindíssima para o mar da Lagoa da Conceição, nos altos do morro que dá acesso à Praia Mole, é discreto e muito bonito. Fresco no verão e aconchegante no inverno, traz o sushi já tradicional com fortes influências das andanças pelo mundo do Chef e surfista Renato Mazurek. Sushi perfeito em tamanho, qualidade e sabor, honesto no preço e com serviço sempre impecável, não importa em que dia da semana ou época do ano você frequente.

SUSHIC

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Coqueiros é o bairro que eu nunca esperava que brotassem bons sushis. Enquanto a explosão de abertura de casas de comida nipônica acontece na Ilha, é neste respeitável bairro que mais um gigante da gastronomia oriental se instala: o Sushic. Jamais imaginou-se que uma casa adaptada na Abel Capela fosse lotar todos os dias, desde a segunda até uma sexta-feira pré-balada. O Sushic agrada tanto quem procura por uma comilança no rodízio quanto pra quem quer experimentar novos sabores no a lá carte. Recentemente lançou o seu Menu Degustação provando que Vieiras, ovas, foie gras e cortes diferentes de peixe, como o salmão gordo e a barriga de atum, casam bem com enrolados e niguiris. Deixa a vista pro mar e a badalação das grandes praias pra quem é turista e foca na delícia que é sua comida.

BLACK SHEEP

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Emerson Kim saiu do Black Sheep da Lagoa e foi cuidar da cozinha do The Roof, empreendimento recém lançado nos altos do Majestic, hotel mais luxuoso da Beiramar. Não a deixou desamparada, em seu lugar uma equipe especializada e evangelizada na sua forma de fazer comida serve ainda um dos melhores quitutes da terra do sol nascente aqui em Florianópolis. Os peixes mais das vezes vêm da própria pescaria do Chef, o que garante além de uma boa e elaborada preparação, insumos frescos e mais saborosos. Não tem rodízio e é tudo preparado na hora. O cardápio é enxuto e traz algumas combinações que são os especiais do dia e que muitos jamais imaginariam ver no sushi normal.

WAMAKI

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O Wa Sushi virou Wamaki mas apesar de ter trocado um pedaço da sua identidade visual não perdeu a sua essência. É certo que muitos dos cozinheiros que começaram há poucos anos já não estão mais lá, mas a garantia de que a qualidade e o esmero em escolher sua equipe é comprovada: muitos deles estão nas casas citadas acima neste post. Se podemos dizer que existe uma escola de fazer sushi criativo e saboroso, esta é a universidade do Wamaki. Ainda é a única casa que aposta (e tem retorno muito bom) no sistema de esteiras, onde o sushi é feito e vai rolando pelas mesas cobertos com uma redoma de plástico, e você vai pegando o que quer comer. É sem dúvida o rodízio mais saboroso e elaborado da cidade, onde você não fica restrito a quantidades nem qualidades do tradicional enrolado japonês. Nem ao sabor.

Categoria Voto Popular: FIJI

Foto Institucional - Fiji Sushi Lounge
Foto Institucional – Fiji Sushi Lounge

Este ano, como anunciado, temos uma novidade: a categoria Voto Popular. Ano após ano vocês leitores me ajudam a aprimorar esta lista com indicações e sugestões para os restaurantes, então nada mais justo que tê-los participando conosco.

Em votação que aconteceu entre os dias 20 de janeiro e primeiro de fevereiro, teve a participação de mais de 2.700 votos e que pode ser conferida neste link, o vencedor do Voto Popular é o FIJI. A casa trabalha com os sistemas rodízio e a lá carte e foi o primeiro sushi da praia dos Ingleses. Abre de segunda à sábado e a partir de quinta-feira tem apresentação musical de artistas locais.

Espero que tenham gostado do TOP 5 Sushi Terceira Edição e gostem das minhas sugestões. Os comentários estão abertos pra que você continue me dando dicas!

Sushi by Cleber: uma boa lembrança de Porto Alegre

Vocês já conhecem o Prato de Boa Lembrança? Se depender da minha vontade, vocês ouvirão falar muito dele por aqui. Isso porque decidi colecioná-lo. Será difícil, pelo que sei apenas dois restaurantes em Santa Catarina fazem parte desta associação criada em 1994 pelo italiano Dânio Braga, com a intenção de reunir restaurantes que servem comida de excelente qualidade e incentivá-los a darem uma espécie de souvenir para que o cliente leve pra casa. É uma peça de louça pintada com algum tema que lembre o restaurante, a ser utilizado como uma obra de arte na decoração do seu lar. Hoje são cerca de 90 restaurantes participantes espalhados pelo Brasil.

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Prato da Boa Lembrança do Sushi By Cleber. A visita foi feita em janeiro de 2014, antes do lançamento do prato deste ano.

E por incrível que pareça o primeiro prato da coleção não foi adquirido aqui em Floripa, foi na capital dos gaúchos. Porto Alegre conta com um número maior de membros e foi no Sushi by Cleber, um simpático, aconchegante e saboroso restaurante de comida japonesa que essa vontade começou.

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O Sushi By Cleber não fica numa avenida principal ou de grande movimento, tem a característica dos bons restaurantes: tão escondido que passe despercebido pelos transeuntos. Mas que de tão bom transforma uma pacata e quase deserta rua na Zona Norte da capital dos gaúchos num grande estacionamento no horário de abertura da casa. Pra conseguir um lugar lá é preciso ser paciente e aguardar alguns poucos minutos. A cortesia desde que seu nome é colocado na lista é evidente, continua na mesa com os garçons e todos os envolvidos no atendimento que é de primeiríssima qualidade.

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O Prato da Boa Lembrança servido no Sushi By Cleber chama-se “Quem não arrisca não petisca” e custa R$79. Ele é um combinado variado e composto por 6 camarões Ebiguru, 5 fatias de sashimi de atum selado, 5 fatias de sashimi de salmão, dois nigirizushi Shake maçaricado, tartar de salmão e ceviche com calda ananako.

Só este combinado já fez muito sushi que conheço ir pro vinagre, pois além de muito criativo em seus ingredientes é saboroso, causa um verdadeiro êxtase no paladar. E, claro, ainda ganha-se este lindo mimo pra levar pra casa no final da refeição.

Mas este foi só o primeiro pedido da noite. Mesmo achando que começando tão bem o jantar e com a possibilidade de o restante dos pratos ficarem aquém das expectativas causadas pela “entrada”, continuava com vontade de desbravar o cardápio da casa.

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Na sequência pedi o Massagô (um gunkanmaki com ovas de capelin) e o Shakemeji (nigirizushi de salmão maçaricado com shimeji). A foto está um pouco escura por conta da luz ambiente (é, eu sei, vou comprar uma câmera de gente grande!), mas dá pra entender o sabor que estas pequenas e ricas duplas de sushi proporcionaram.

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Depois experimentamos um prato dos uramakis: o Shakeji. A noite foi praticamente baseada em salmão e cogumelos, e esse uramaki no estilo filadélfia com shimeji e gergelim torrado fechou com maestria a parte dos sushis.

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Ainda com espaço pra experimentar algum prato quente, mas nem tanto que permitisse um prato mais robusto pra ficar um espaço pra sobremesa, escolhi o Gyooza. Um pastelzinho cozido e depois chapeado recheado com carne bovina e nirá, uma das variações mais deliciosas desta iguaria, que de tão simples chega a ser comovente com o sabor que oferece.

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Fechou o jantar a deliciosa e lindíssima sobremesa Katauai: tempurá de sorvete com mel de engenho. A foto fala por si só e o pâncreas dá um pulo dentro do vivente.

A conta fechou em aproximadamente R$250 para duas pessoas.

Algo que notei em todos os pratos: arte. Não se faz comida por fazer, pra alimentar apenas o corpo dos que lá se sentam para uma refeição. Além do paladar e do olfato, a visão é agradada e todo momento com a montagem e apresentação dos pratos. Tudo é minuciosamente preparado para que chegue até a mesa dando um show de gastronomia.

Ao contrário do que achava, os demais pratos são de igual grandiosidade com o primeiro que oferece o Prato da Boa Lembrança. Apesar de eu fazer estrepolias começando com combinados, indo para os principais e terminando com uma entrada, estava tudo perfeito e, mais: correspondendo totalmente as expectativas. Agora sei porque consideram o Cleber um dos melhores chefs de comida japonesa de Porto Alegre.

Sushi By Cleber

  • Endereço: Rua Des. Esperidião de Lima Medeiros, 317. Três Figueiras, Porto Alegre.
  • Telefone: (51) 3328-8330
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim