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Sushitec: do céu ao inferno em 4 meses

Em setembro do ano passado estive no Sushitec. Era um restaurante que tinha um conceito novo: comida japonesa e tecnologia. Comida japonesa era baseada em sushis, sashimis, temakis e alguns pratos diferentes como o polvo frito crocante, que experimentei na ocasião e era uma delícia. Tecnologia porque os pedidos são todos feitos por tablet. Não estava no clima de fazer review e era uma pré-abertura, ou seja, a casa não estava aberta para o público. Não, não fui convidado pra ir lá comer. A notícia da sua iminente inauguração chegou até mim e eu resolvi bater na porta. Explicaram e deixaram entrar.

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O tempo passou e resolvi ir lá na incessante busca para conhecer as melhores casas de sushi da cidade. Mal sabia que estava por cometer um dos maiores erros gastronômicos desde a abertura deste blog que está às vésperas de completar seus 3 anos de idade.

O atendimento foi perfeito, os pedidos por tablet funcionaram satisfatoriamente (um ou outro erro pontual), gentileza na recepção e tudo o mais. Mas a comida é muito ruim.

A despeito das iguarias que experimentei naquele fatídico setembro primaveril recebi uma comida péssima, intragável, fortemente desconfortável como o verão que nos assola este ano.

Vou economizar palavras e no final eu concluo, e nas próximas linhas colocarei algumas fotos que os farão pensar.

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Isto é um ceviche. Ou o que eles acham que é um ceviche. Gosto ruim, ora doce ora amargo, com um molho estranho e pastoso.

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Isto é um “Espetinho de Legumes com Shitake”, ou o que eles imaginam que isso seja. Numa versão minha eu diria que é “Um espetinho de couve-flor e brócolis com duas farpas de shitake perdidas no meio, sem sal e tempero”.

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O sushi não estava tão mal apresentado mas era ruim. O arroz avinagrado, digno de quem acabou de sair de um cursinho de sushi.

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Isto é um espetinho (robata) de frango, ou o que eles acham que é um espetinho. Tempero forte, parece industrializado e mal apresentado. Parece que bateu de frente a 160km/h numa rodovia federal com uma carreta Mercedes Benz 1313 carregada com vergalhão GG 50 da Gerdau.

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Isto é um yakissoba, ou o que eles acham que é um yakisoba. Esse caldo deve ter sobrado na Wok em que foi preparado e veio parar no meu bowl, só pode. Era uma sopa com macarrão e legumes grosseiramente picados dentro, com raros pedaços de frango ou carne.

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Tentei dar uma chance à cozinha em ficar mais um pouco e, finalmente, matar a fome, pedindo um Shimeji na Chapa. E isto, segundo eles, é o Shimeji na Chapa. Estava muito além do ponto, levemente queimado, terrivelmente seco, com sal em exagero, intragável. Além de feio, muito feio.

Eu tenho duas sugestões:

1) aos leitores: não percam seu tempo nem seu dinheiro.

2) ao restaurante: por favor, fechem. Comecem de novo. Voltem àquele setembro em que comi maravilhosamente bem e não façam com que as pessoas percam R$130 (casal) à toa.\

ATUALIZAÇÃO (30/01/2014): há uma placa afixada na parede atrás do caixa onde avisa que o cliente que pedir comida e não consumir deverá pagar uma taxa por peça desperdiçada. Não me foi cobrada nenhuma taxa por ter deixado aquela comida horrível na mesa, mas registre-se que esta é uma taxa ilegal e você pode se recusar a pagá-la, caso passe por esta situação.

Sushitec

  • Endereço: Rua Fúlvio Aducci, 1229. Estreito, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3206-7882
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim

Jun Temakeria: novo cardápio e ainda mais sabor

Ao terminar a minha última visita à Jun Temakeria, após pagar a conta, me dirigi ao balcão e falei aos sushiman: vocês são foda pra caralho!

Não conheço outro advérbio de intensidade tão contundente quanto “pra caralho!” Nenhum que faça jus ao que eu comi nesta fatídica noite.

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Embora tenha dado à quinta-feira a honra de ser O Dia do Sushi na minha vida, numa precisão que irritaria Dr. Sheldon Lee Cooper, não saí de casa com intenção de comê-lo. Estava com vontade de comer peixe empanado com algum molho de acompanhamento, poderia ter comido isso a noite toda. Mas a cabeça que já não anda boa teimava em trair minhas próprias dicas aqui e só consegui lembrar um Sakana que havia comido certa feita no Jun, e fui pra lá.

Foi o primeiro pedido, é claro.

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Peixe frito na medida certa, sem passar do ponto. Cozido o suficiente mas sem ficar seco e duro. Bem temperado e com molho agridoce pra dar o retoque final, o gran finale.

Mas ir ao Jun e não aproveitar seus sushis, ainda mais agora que lançaram o menu “Gourmet”, palavra esta que, todos sabem, tenho tentado evitar mas que, controversa exceção, o Jun soube muito bem implementá-la sem se tornar mais uma obra da Vergonha Alheia Empreendimentos Gastronômicos.

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Pedi o Salmão Tataki, não tem como ir lá sem comer isso. É um bife de chorizo dos pescados, salmão maçaricado por fora e cru por dentro, com molho tataki e gergelim torrado. De comer bendizendo o chef.

Depois pedi uns sushis do cardápio gourmet, como o Uramaki Camarão Blue Cheese (Uramaki sem alga, de camarão com cream cheese, gorgonzola e flocos de arroz). Quem faz esse tipo de combinação ser deliciosa? Só chefs fodas pra caralho.

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No mesmo barco veio outro pedido, o Shima Roll (sashimi roll de ostra ao vapor, cream cheese, envolto em lâmina de salmão e molho de ostra). Quem consegue fazer você gostar de uma mistura de ostra cozida ao vapor sem meio litro de limão pra cortar aquele ranço irritante de fundo, combinar com salmão, cream cheese e o escambau? Só chefs fodas pra caralho.

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Também comi o Chimimaki Salmão (uramaki sem alga, de salmão, molho chimichurri e um toque de queijo cremoso). Quem, em são consciência, decide acordar um dia e fazer um sushi com o molho que os platinos usam nas parrillas? Só chefs fodas pra caralho.

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Fiquei empolgado com o sabor do chimichurri e pedi mais comida, o Temaki do Chef, também novo no cardápio. Atum flambado com chimichurri, arroz, nori, cream cheese e alho poró crocante como cobertura. Já sabem né? Fodas pra caralho.

Inovar na cozinha não é pecado. Mas inovar com segurança, sem aquele ego galopante que muitos chefs costumam apresentar, como se tivessem cozinhando a panacéia. Imaginar que um queijo extremamente forte substituiria majestosamente o cream cheese ou que um molho de churrasco cairia bem com um peixe de águas geladas, é coisa de quem é foda pra caralho.

Abre parênteses. O atendimento do Jun sempre foi muito bom, mas a cada visita à casa eu noto uma maturidade fenomenal na equipe. Os caras são geniais sempre, são educados sem ter aquele papo robotizado, estão a todo momento limpando as mesas e te livrando dos guardanapos infernais, informando as novidades do cardápio. O entrosamento deles com a cozinha é de tirar o chapéu. Se você é proprietário de restaurante em Florianópolis — e olha que eu conheço restaurante nessa cidade — mande-os jantar no Jun, por sua conta. Fecha parênteses.

A conta fechou em R$144 que foram pagos com a maior alegria do mundo.

Então na próxima ida a um sushi você pode comer o mais do mesmo. Ou então pode ir num restaurante foda pra caralho.

PS1: é, eu sei. Falei muitos palavrões. Mas foi necessário.
PS2: é, eu sei. Já fiz um review sobre eles, imagino que seja o primeiro caso de repetir um review, mas não estou tentando aproveitar pauta pra tapar buraco, senti necessidade do fundo da alma.
PS3: comprei um, chega essa semana. Roubei tua piadoca, Melo.

Jun Temakeria

  • Endereço: R. Engenheiro Max de Souza, 1302. Coqueiros, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3207-4933
  • Horário: de segunda à sábado, das 18h à 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim
  • Wifi: sim

 

Temakin Temakeria: desperdício brochante

Desperdício. Essa foi a grande palavra da noite da última terça-feira. Desperdicei tempo, joguei dinheiro fora e a matéria prima que foi feita a comida poderia ter sido muito melhor aproveitada.

Não costumo fazer posts totalmente negativos de restaurantes. Quando visito um lugar que não teve sequer um mérito importante ou algum prato relevante pra ser mostrado, simplesmente vai pra gaveta e toda a produção fotográfica feita no restaurante é arquivada numa pasta chamada “joguei dinheiro fora mas paciência”. Isso sempre acontece com quem abre picadas, é o ônus do bônus. Mas preciso compartilhar o que achei do Temakin, uma vez que muitos leitores me recomendaram uma visita à Pedra Branca, na Palhoça, para degustar suas iguarias, além de ter sido divulgado em um programa da TV fechada local como sendo bom.

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O local é bacana. Chamou-me atenção de primeiro momento por ter sido instalado dentro de um container, uma ainda nova forma de se construir pontos comerciais e residenciais aproveitando o material, reduzindo custos e aplicando um conceito ecologicamente mais correto (não que eu me importe, mas enfim).

Ao sermos recebidos no Temakin fomos muito bem atendidos pelo garçom, que explicou tudo sobre o cardápio e como poucos fazem, tirou nossas dúvidas de forma gentil e muito educada. Mas parou por aí. O que veio a seguir foi uma sucessão de desastres.

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A comida é intragável. Os sashimis, além do aspecto feio do peixe, estavam nitidamente passados. Peixe velho, com um sabor forte “de peixaria” de rua, como descreveu bem a Michele. Textura de quem esteve congelado, descongelado e depois congelado novamente.

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O Shitake Mushi no Alumínio estava mais pra Legumes no Alumínio, pois só tinha brócolis e couve-flor. Quase nenhum cogumelo, um leve rastro de shitake com um molho salgado uma barbaridade. Saí de lá e tomei uma dose dupla da costumeira Valsartana pra garantir a pressão arterial regular.

Os sushis chegavam a dar vontade de chorar. Como alguém pode estragar tanto uma matéria prima cara. O peixe, já mencionado, passado do ponto, longe de ser fresco; o arroz mais avinagrado impossível, erro básico de principiante, daqueles que acabaram de sair do cursinho de sushi do professor Japa-san; apresentação péssima, sushis mal cortados e disformes, mal recheados.

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Teve um outro, por exemplo, o Boston, que consiste em camarões, cream cheese e cebolinha, uma espécie de filadélfia de camarão, onde o conhecido crustáceo estava cru. A cereja do bolo é que reclamamos que o camarão estava cru e o máximo que recebemos foi um “não, ele não está cru, é assim mesmo, cozido no sal”. Isso dito, claro, para 4 pessoas que não só tem o hábito de cozinhar em casa frequentemente, mas quatro blogueiros de gastronomia que comem fora no mínimo 4 vezes por semana e, plus, um deles é gastrônomo formado e com experiência de cozinha.

Não sei se é necessário dizer, mas o camarão não deve ser servido cru, mesmo que isso pareça uma incoerência com a cozinha japonesa. O camarão precisa estar cozido, mesmo num sushi.

Um dos integrantes da mesa tentou salvar a lavoura pedindo um Yakissoba frito, pelo menos pra não jogar os R$55 do rodízio fora, já no final do serviço. Enquanto aguardávamos, os garçons começaram a limpar o restaurante e a recolher as mesas, independente de quem estava lá dentro. Não sei vocês, mas se eu sou visita na sua casa e você começa a limpá-la, é um sinal de que eu deva, urgentemente, ir embora. Desnecessário e grosseiro.

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Tentamos dar conta nos sushis que ficaram. Mas sobraram ainda 5 uramaki e uns 4 sashimi, o estômago já estava reclamando. E aí entra outro desperdício: 3 reais por peça desperdiçada. Das mais de 50 casas de sushi que já visitei pra compilar o TOP 5 Sushis de Florianópolis, NUNCA fiz um pedido além da minha fome, JAMAIS desperdicei comida e precisei pagar por uma peça que não comi, o que seria totalmente justo. Só, claro, injusto quando a comida é ruim.

Ao sermos questionados no caixa se o jantar estava bom, fomos unânimes e uníssonos: “não!” E a única resposta da atendente era que “isso nunca aconteceu antes”, “sempre fomos muito bem elogiados”.

Típica desculpa de quem brocha. E neste caso não brochou só ela, brochamos nós todos. Porque comida ruim é brochante. Duro só o meu bolso, pois fiquei R$123 mais pobre.

Jun Temakeria: separando os homens dos meninos

O sushi definitivamente caiu nas graças do consumidor. O aquecido mercado da culinária japonesa abre e fecha restaurantes com um piscar de olhos, mas o saldo da balança ainda é positivo: mais restaurantes fazem sua clientela do que restaurantes nos deixam órfãos de suas cozinhas.

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O grande segredo, talvez, seja aproximar os sabores e trazer pro Brasil não só os que os americanos entendem por sushi, mas criar em cima das infinitas combinações possíveis usando ingredientes conhecidos e exóticos, oferecendo qualidade nos produtos e garantindo, sobretudo, o sabor da comida.

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A Jun Temakeria entendeu bem o recado e apesar de carregar este nome, é uma casa de sushis completa. Precisei de pelo menos três visitas à Jun para entender isso, conhecer e explorar um pouco do cardápio e, de quebra, ainda tive oportunidade de conhecer novidades que farão parte da carta para a próxima estação. Gostei de tudo o que comi, saí todas as três vezes empolgado com o que foi servido e tende, num futuro próximo quando sair a nova edição do TOP 5 Sushi de Florianópolis, brigar por uma posição na minha seleta lista de restaurantes japas.

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Todo o serviço é à lá carte, nada de rodízio. O atendimento é bom, mesmo com a casa lotada, e funciona sem problemas. Desde a recepção para aguardar uma mesa até o final dos três jantares tudo correu na mais perfeita ordem. O ambiente é pequeno, o que não desabona. Ganha por ser aconchegante e tranquilo, principalmente o piso superior do pequeno centro comercial localizado na rua geral de Coqueiros.

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Mas vamos falar de comida que é o que interessa. Pra começo de conversa, experimentei, me apaixonei e recomendo por este Salmão Tataki (R$22). São 200g de sashimis de salmão selados, fatiados e servidos com molho tarê e gergelim. Uma delícia em textura e sabor.

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Outra iguaria que gostei muito e que foi a primeira vez que experimentei, foi o Sashimi de Anchova Negra (R$28). É muito similar àquele sashimi que há muito tempo postei por aqui, o sashimi de haddock defumado. É, porém, mais suave e na minha humilde opinião bem mais saboroso.

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Nos uramakis (sushi com alga pra fora), gostei bastante do Filadélfia Dragon Skin (R$14, 8un.), que além de creamcheese acompanha salmão cru e pele de salmão frita; o “Jow” Atum com Shimeji (R$6,50, 4un.), atum, cream cheese e cogumelos shimeji por cima. Aproveita o barquinho este camarão empanado em farinha panko e uma pasta de cream cheese e pimenta.

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E ainda tinha mais: “Jow” Caprese (R$12, 4un.), que é um dyo com cream cheese, tomate cereja, uma folha de manjericão e azeite de oliva virgem envolto em uma fatia de salmão; “Jow” de Salmão com Camarão (R$10, 4un.), um dyo normal de salmão mas coberto com três camarões cozidos; hossomakis de salmão (R$9,50, 8un.) e kani (R$8, 8un.).

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Pra fechar o carreto, conheci estes uramakis sem alga (cortesias). Isso mesmo, sushi sem alga por fora ou por dentro, recheado com camarões e cream cheese e cobertos por uma fatia de camarão e flocos de arroz. O que aparece no fundo é de salmão e molho pesto, um sabor que eu jamais imaginaria que combinasse no paladar. Ambos muito deliciosos, e que devem entrar no próximo cardápio de verão da casa.

As contas das três visitas variaram bastante, por isso coloquei os valores individuais dos pratos que paguei. O preço é bom, apesar de não ter rodízio, come-se bem e paga-se o justo pelo que é servido, e muito bem servido. Bora lá?

Jun Temakeria

  • Rua Engenheiro Max de Souza, 1302. Coqueiros, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3207-4933
  • Horário: de segunda à sábado, das 18h à 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim
  • Wifi: sim

Toro Yam: comida japonesa e atendimento em ritmo de tango

Estive anteontem visitando o Toro Yam, uma casa relativamente nova baseada na culinária japonesa instalada no centro de Florianópolis. O Toro é mais um desses lugares que juntam gastronomia e balada, tendo um piso superior onde a casa prepara-se para a diversão de quem ali resolve passar algumas horas, comendo ou não um sushizinho.

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Fui pela comida — sempre pela comida, pra conhecer a casa e degustar aquele velho peixinho cru envolto numa camada de arroz. Gostei bastante do que comi. Os sushis são bem preparados, tanto na modalidade buffet livre quanto nos pratos à lá carte. Encontra-se desde os tradicionais filadélfia até nigirizushis feito com vieiras, por exemplo, ou com surubim defumado. Enche os olhos já no cardápio.

Além de saborosos os pratos são bem servidos. Sushis grandes, pra quem gosta um prato cheio, e bem gostosos. A ordem da minha refeição deveria ter sido essa:

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Comecei por uma entrada quente: Yakitori (Robatas de frango, cogumelos e legumes ao molho satay, R$12). Espetinhos de frango grelhado com cogumelos paris e, basicamente, aspargos. Mas muito saboroso. Esse molho satay, tradicionalmente preparado com coentro, gengibre, molho shoyu, alho, limão e chilli, deu toda a graça ao prato.

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Era pra depois da entrada ter comido um par de Dyo Massagô (bolinhos de arroz envoltos em uma fatia de peixe branco cobertos com ovas de capelin, R$7). Mas não tinha ovas de capelin. Troquei então por nigirizushis Hotategai (nigiris de vieira maçaricada com flor de sal e raspas de limão siciliano, R$12). Confesso que poucas vezes comi um nigiri tão saboroso, com a flor de sal e as raspas de limão combinando muito bem com as vieiras.

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Em seguida então deveria ter vindo o combinado de sushis (calma, já explico), o Torô Kikuna (4 uramakis, 4 nigiris e 3 dyo, totalizando 11 peças, R$26). Não sei porque mas acabei recebendo 14, um um niguiri e 2 uramakis mais. Obrigado, desde já, samae-san!

E finalizaria toda a comilança com um Uramaki Torô (atum, foie gras e raspas de limão siciliano, R$25).

Mas por quê eu falei que a sequência deveria ter sido essa? Respondo falando o que achei do atendimento.

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O atendimento é dramático. É mais dramático que Gardel cantando Roberto Goyeneche, é tão asmático quanto Ruben Juarez “con su blanco bandoneón“. E digo que foi um tango pra não dizer tragédia, embora desconfie que o serviço fosse melhor na Sbornia. Vi uns passos de Kopérnico no salão bonito e aconchegante do restaurante.

O garçom foi enfático ao pedir que eu separasse os pedidos da entrada e dos pratos. Ponto positivo, pensei. Ponto positivo não fosse os 40 minutos que levei pra começar a comer. E, advinha? Não começou pela entrada, veio primeiro o combinado de sushis, que seria só o terceiro prato. A robata veio só depois, junto com o segundo prato, e ele voltou ainda duas vezes pra perguntar se era isso mesmo que eu tinha pedido. Ou seja, o pedido não chegou à cozinha.

O segundo prato não tinha, como disse anteriormente, o massagô (ovas de capelin) estava em falta. So 20 minutos depois do pedido é que avisaram, então troquei pro nigiri de vieiras. Acabou sendo o último. O último era pra ser o uramaki de Foie Gras. Não veio, não sei onde foi parar. Na mesa não estava, mas estava na conta. Também estava na conta o de massagô.

Depois de ser tão mal atendido eu quis ver a conta. E foi sorte, porque ao invés de pouco mais de 70 reais, ela passou dos R$100 brincando. Dois ítens a mais, bebida errada etc.

Deu pra perceber uma completa desorganização. Não havia um gerente, alguém que claramente comandasse a orquestra. O garçom parecia sempre perdido, vindo confirmar várias vezes os pedidos, esquecia de anotar algumas coisas, trazia Guaraná ao invés de Pepsi (nem comento sobre SÓ servir Pepsi). Conversava mal e mal com a cozinha, que andava na cadência do Tango. Com 4 mesas no restaurante, levaram quase duras horas para fazer este que deveria ser um rápido serviço.

Dei graças a algum deus que não pedi o menu degustação com 11 pratos. Estaria comendo a sobremesa só agora.

No fim das contas, a comida foi gostosa, o ambiente era bonito e o atendimento/serviço decepcionaram. Voltaria lá? Talvez. Daqui um mês ou dois, quando vissem que o serviço está tangueando demais e fornecessem treinamento para o pessoal. Será que dá tempo?

Torô Yam

  • Endereço: Av. Mauro Ramos, 1835. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 4009-3303
  • Horário: diariamente das 19h às 0h.
  • Aceita cartões: sim

Kikoni Japafood: comendo um japinha no Centro

Sempre que converso sobre restaurantes de sushi com amigos ou produzo algum review que fale sobre as casas de japafood aqui no blog, principalmente nos posts que compilei as minhas visitas e elenquei os preferidos, o Kikoni é muito bem recomendado. O mais interessante é que a casa já tem um grupo de fãs que sempre comenta por aqui, então neste review acho que cumpro de vez a minha promessa de visitá-la e comentar as impressões que tive do lugar.

Aliás, registre-se que não foi por falta de vontade que eu ainda não havia ido lá. É que sempre que tive a oportunidade de passar pelo centro ou mesmo me programar para comer um sushi no Kikoni, algo saiu dos trilhos ou então a casa estava cheia (bom sinal pra eles, ruim pra mim que sou meio claustrofóbico e evito restaurantes abarrotados). Mas nem todo dia é dia santo, diz o ditado, e numa terça-feira dessas onde o frio deu as caras do Outono, lá estive pra experimentar as suas iguarias.

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Gostei do Kikoni. Sendo bem sincero, gostei muito das coisas que comi por lá. Pra facilitar a degustação e pra experimentar o máximo de variedades possível e comentar aqui no blog acabei indo no rodízio, como sempre faço nas casas de comida japonesa. Achei o sistema bem completo, a comida bem gostosa e o preço fazia jus ao que foi oferecido (mas sempre tenho a nítida sensação de que os donos se fodem comigo, apesar de sabermos que no rodízio há sempre a compensação aritmética dos que comem pouco). Por certo entra na lista dos meus favoritos.

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Começou me ganhando pelo ambiente. Apesar de pequeno, é bem organizado e iluminado e não participa do câncer dos restaurantes que têm luz baixa. Sob pena de parecer repetitivo, já que sempre bato nesta tecla, luz baixa é bom em motel, inferninho etc. Restaurante que te dá sono é FODA.

O atendimento é bom. Fui numa terça-feira, a casa estava quase cheia e mesmo assim tudo fluiu normalmente. Os pedidos vieram sem qualquer problema e sempre que precisava tinha um garçom por perto para ajudar.

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Gostei bastante da comida, também. Pratos saborosos, com uma boa apresentação e tudo parecendo fresco, feito na hora. Comecei por um batayaki de shimeji. Temperado na medida certa e bem quentinho, preparado na hora.

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Em seguida fui para os sashimis. Primeiro um tataki de atum e de salmão. O Tataki nada mais é que o sashimi maçaricado e temperado. Comparo ele sempre ao bife de chorizo das casas japonesas, grelhado por fora e cru no miolo. Não foi um dos melhores que eu já comi, mas cumpriu bem os eu papel.

Os sashimis comuns não ficaram pra trás e também estavam gostosos, principalmente o de salmão e atum.

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Dando sequência às degustações fomos à vedete do rodízio, o sushi. O filadélfia normal, que apesar de sem-vergonha, como alguns dizem, eu gosto (me processe!), alguns Dyo (que talvez você conheçam por Djow ou Joe graças alguns proprietários analfabetos e ignorantes) e um destaque especial para o Ebiten, que é um sushi de camarão empanado em massa especial, cream cheese e molho especial à base de shoyu. Se você for lá não deixe de experimentá-lo.

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O Ebifurai também estava delicioso, um camarão empanado na massa especial do Kikoni, bem crocante.

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Senti falta da crocância da alga nos temakis. Esse é um bem tradicional de salmão em cubinhos com queijo cremoso e cebolinha. Estava saboroso mas faltou a textura pra dar o “tchan” do temaki.

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Mas me surpreendi de verdade com o hamburguer de salmão. Poderia ter chegado lá e comido isso a noite toda, pago o rodízio só pra comer uns 4 ou 5 desses, num dia de bastante fome. O hamburguer assemelha-se muito com um tartar de salmão, só que grelhado. Acompanha uma saladinha e molho especial à base de shoyu.

O rodízio custa R$62 para os homens e R$54 para as mulheres.

Voltaria, sem dúvida, para uma segunda experiência.

Kikoni Japafood

  • Endereço: Rua Dom Jaime Câmara, 272
  • Telefone: (48) 3364-9990
  • Horário: De segunda à sexta-feira, das 11h às 14h30 e das 18h às 23h. Sábados e feriados das 18h às 23h30.
  • Aceita cartões: sim