General Lee: quando o Rock divide espaço com os ‘de bombacha’

Eu não sou gaúcho de nascença mas desde que tinha 9 anos, quando ouvi Teixeirinha pela primeira vez, no toca-fitas de um Fusca do meu padrinho, que a música regionalista não sai da vitrola.

Eu não sou gaúcho mas a costela sempre foi a minha carne favorita, seja num churrasco ou qualquer outro tipo de preparo campeiro. Como todo bom gaúcho.

Eu não sou gaúcho mas meu saudosismo foi sempre nutrido, visto que consumir música gaúcha, seja em CDs ou shows, é complicado “fora dos pagos”. Saudosismo que todo gaúcho sente quando desgarrado.

No último domingo o Guilherme convidou pra ir até o General Lee Redneck Bar, um bar de rock  que dá espaço a apresentações artísticas variadas vez por outra, e que numa democracia de dar inveja a qualquer libertário farrapo agrega em seu estabelecimento as mais variadas culturas. Neste dia tocaria o Trio Rédea Solta, trio de vozes e violões/baixo que vai do tango ao chamamé, retratando a música da América do Sul representada por serranos catarinenses, na sua herança gaúcha tropeira. Eu não sou gaúcho, mas fui lá.

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Eu não sou gaúcho, nem o Guilherme é, mas como chef que sabe fazer comida de verdade, sem frescuras e da melhor qualidade, sabe que a maioria entidade gastronômica da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, a Costela, ficaria excelente num sanduba. No cardápio este sanduíche paysano chama-se Abagualado.

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Eu não sou gaúcho mas curti demais as músicas autorais do Trio Rédea Solta enquanto experimentava uma jarra de cerveja Coruja. A Coruja é feita no sul de Santa Catarina, mas se tornou famosa em Porto Alegre. A mesma coisa com Pedro Raymundo, que não era gaúcho assim como eu, e não era gaúcho como o Trio, mas foi o primeiro artista a se apresentar pilchado numa TV, e ele nasceu em Imaruí. Se você não sabe quem foi Pedro Raymundo pergunta pra Mariana, que eu já vou embora.

Quem gostava de cantar sobre o Pedro (e o Pedro Para) era o José Mendes, um outro artista que já é outrora, cuja composição abriu a série de interpretações de outros artistas pelo Rédea Solta. Logo veio Quando o Verso Vem pras Casa, famosa do Gujo na voz do Marenco, e eles são sim são gaúchos, nascidos e criados. Uma das mais belas canções que o cancioneiro gaúcho já pode escrever, executada ali, a menos de dois metros deste que não é gaúcho.

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O Filé Mignon é carne que gaúcho gosta só panela. Se botou no espeto perde a cidadania guasca. Mas já que eu não sou gaúcho e sou amigo do chef, comi. Ela veio macia e gratinada com queijo, acolherada num paleteio de chimichurri e farofa temperada. Joguei um quinhão de Coruja pra São Sepé, esse sim gauchaço modelo.

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Os garçons eram gaúchos, os caras da portaria eram gaúchos, os proprietários são gaúchos. Todos eles, com seus sotaques, seus trejeitos e seus costumes. Gaúchos ou não, todos irmanados na comida e na música, culturas tão parecidas mas com bandeiras diferentes. Eu não sou gaúcho, mas naquela noite bem que poderia ser um baita dum gaudério com os bigodes engraxados de costela.

Gastei uns 40 reais. Digo, 40 pila. Gaúcho que é gaúcho tem moeda própria.

General Lee Rock Bar

  • Rua Cônego Bernardo, 101. Trindade. Florianópolis.
  • (48) 9173-2981
  • Aceita cartões
  • Wifi

4 ideias sobre “General Lee: quando o Rock divide espaço com os ‘de bombacha’”

  1. Mas bah!! e eu não fiquei sabendo dessa noite gaudéria, com direito a chamamé e costela. Como boa gaúcha sinto saudades do pago.
    Deve ter sido divertidíssimo!!! Parabéns pelo texto! sucesso!

    Abs

  2. Bã! Também não sou gaúcho, apenas filho, sou colorado, tomo chimarrão, pinhão sapecado e costela boa é costela assada. Ótimo posto. Devo uma visita ao chefe!

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