Café no Sítio Pedras Rollantes

Deus do céu, como é boa essa vida de food hunter!

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A gente não ganha nada, só gasta — ou melhor, investe — mas em compensação as experiências gastronômicas que a gente vive…

A visita ao Café no Sítio Pedras Rollantes rendeu inclusive muito mais que simples comida. Entre verdes e deslumbrantes pastagens e um rio que costeia toda a propriedade, o sítio é lugar que todos deviam conhecer.

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Antes de chegarmos às vistas de fato um passeio por toda a fazenda, sem o barulho dos carros e os ruídos da cidade grande, serve pra recarregar as baterias de uma vida corrida e descontrolada. Os animais dóceis criados soltos, o galinheiro e a colheita de ovos, os pomares de Clemenules (uma espécie de tangerina que é o forte da produção da fazenda) e as águas geladas do Rio Águas Frias são cenário pra um passeio incrível no fim de semana. E é somente aos sábados e domingos que eles abrem para atendimento.

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Na quinta e na sexta Tarcísio e Lú, um casal muito hospitaleiro, acolhedor e inteligente, começam a preparar as delícias que serão servidas nos dias seguintes. E após o passeio no sítio são servidas por etapas.

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Primeiro vem o chá de clemenules, a prata da casa. Queijos e pães tostados com geléias e patês abrem os trabalhos.

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Depois o café, coado e servido na própria mesa, com água quente do fogão à lenha que pode ser visto logo na entrada deixando o ambiente interno do café com aquele cheiro característico. É transcendental.

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Depois variados pães, geléias, pastas, doces…

Por fim a sobremesa mas não sem antes uma reabastecida de café na tarde que já se finda e requer uma bebida ainda mais quente pra fazer contraponto ao frio que começa a aumentar com o pôr-do-Sol.

A comida de lá pode até abastecer o corpo mas a saciedade da alma só a experiência completa. Passeio, café e um bate papo com o casal de proprietários que você sai querendo tomar por amigos de infância.

A experiência completa ainda pode ser vista neste vídeo do Becher a Bordo:

Café no Sítio Pedras Rollantes

Águas Frias, Alfredo Wanger / SC.

(48) 9189-9982

 

Peña del Sur: pintando a aldeia, sendo universal

Liev Tolstói dizia o seguinte: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.

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A Peña del Sur é universal. Posso elencar pra justificar essa afirmativa diversos argumentos enumerados e minuciosamente explicados mas tenho que ser breve ou é possível que vocês não tenham saco pra ler meus devaneios até o final. Eduardo Rosa, o parrillero da Peña, foi nascido e criado no Rio Grande do Sul, conheceu a lida bruta do campo, sabe os vícios e as virtudes de um cavalo, tem domínio completo sobre o fogo e a pecuária. Pintando esse retrato da sua aldeia veio até Florianópolis expor a sua arte. Isso mesmo, arte, o que ele faz com um pedaço de carne e uma lenha é um retrato do Berega, já diria o Jari Terres, alguém que, conversando nessa última visita, descobri admirarmos em comum.

Tudo na Peña del Sur é muito simples e muito complexo. Gosto de restaurantes que dizem verdades, não apenas negócios cujo investimento é meramente financeiro e o resultado é única e exclusivamente o lucro. É bonito de ver uma verdade sendo preparada. Alguém que conhece do riscado, um empreendedor que também é o cozinheiro, que escolhe os ingredientes, que maneja o fogo, que gerencia o andamento do salão. Que traz no seu trabalho a sua herança cultural, traz sotaques nos sabores, ostenta a sua terra nos aromas, é a pintura da aldeia da qual Tolstói falava.

httpv://www.youtube.com/watch?v=DVZWq4zM0RE

Esse post será diferente. Ao invés de eu colocar as fotos que fiz no restaurante, até porque já fiz um post aqui sobre a Peña del Sur, trago meu último vídeo do Becher a Bordo publicado: Peña del Sur: uma parrilla flor-de-campeira. Tem uma pequena entrevista com o Eduardo, tem as comidas e música. Sobretudo, uma experiência que nem em fullHD eu consigo trazer exatamente como foi, mas que dá uma idéia de como pode ser com você.

Visite a Peña, conheça a arte de se fazer uma boa carne. Com música, boas histórias e verdades. Uma carne universal.

Peña del Sur

  • Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 568. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 3236-5145
  • Estacionamento
  • Aceita cartões

Becher a Bordo: virei YouTuber. Me segue?

E aí, pessoal! Tudo belezinha?

Eu não esqueci o Comideria, não (embora ninguém tenha perguntado). É que com o passar do tempo a gente vai conhecendo os restaurantes, visitando novos lugares e vai esgotando as possibilidades de surpreender o leitor — e arrisco dizer que vocês não perguntaram sobre isso.

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Outra coisa que vocês não me perguntaram é se eu estou trabalhando em algum projeto paralelo ao Comideria. Eu estou, OK?

E é sobre ele que eu vim falar neste post. Há cerca de duas semanas algum santo falante baixou em mim e eu ligo as câmeras e começo a falar mais que o homem da cobra. É, virei YouTuber e criei o Becher a Bordo. Minha idéia inicial não era falar sobre comida mas calhou o destino que os caminhos me levassem fortemente a este destino. Fiz dois episódios iniciais de teste em restaurantes, o primeiro no Hogs & Burger (vocês vão notar que é um vídeo muito mais amador que o normal, embora eu ache que ele tenha um conteúdo bacana) e o segundo onde estava mais motivado ainda, porém um tanto quanto ignorante pois esqueci até de desligar a impressão de hora e data no vídeo, na Fairyland falando sobre cupcakes, coxinhas e pet friendly. E o terceiro que eu esqueci da regra básica de numa câmera de ação simples não gravar contra a luz? Coitado do Caio, ficou na penumbra, mas avancei ainda mais no conteúdo.

O quarto e último vídeo publicado, agora já com uma vinheta e tal, não fala sobre comida. É sobre a Minha Casa Container, já que o objetivo não é só vocês passarem vontade e fome com o videolog.

Enfim, vim aqui humildemente mostrar meu novo trabalho paralelo ao querido, estimado e idolatrado Comideria, o Becher a Bordo pedir que vocês vejam pelo menos um dos meus vídeos e, se curtirem minha idéia, assinarem meu canal pra que eu me sinta ainda mais motivado pra produzir conteúdo neste cidade linda de meu Deus.

Valeu!

Empadas Jerke: um clássico de Joinville

Todo mundo me fala das Empadas Jerke. Todo mundo posta fotos das Empadas Jerke. Todo mundo adora as Empadas Jerke. Por quê eu ainda não conhecia? Precisava ir até Joinville para comê-las.

Até poderia ir em alguma lanchonete do Centro que revenda, poderia comprá-la nos supermercados Angeloni onde ela se encontra disponível numa caixinha de congelados pra assar em casa, mas nunca é a mesma coisa. Se você quer comer alguma coisa, vá no lugar. Sempre. Assim como delivery nunca é igual comer no próprio restaurante, você não tem o forno deles, o clima deles, coisa e tal.

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Então na segunda-feira de carnaval estava entediado, com vontade de comer a tal empada, peguei o carro e fui até Joinville pra isso. Uns me chamam de doido por isso mas o espírito foodie é assim mesmo. Uns viajam pra ver 22 caras correndo atrás de uma bola, outros pra vomitar numa montanha russa no Beto Carrero, eu viajo pra conhecer comidas e restaurantes.

Afinal se a Empadas Jerke existe desde 1922 e desde 1931 é um estabelecimento comercial na João Colin, que custava eu dirigir duas horinhas pra comê-las?

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E lá estava eu, somente eu e minha namorada Fernanda, na Empadas Jerke numa segunda-feira de carnaval. Joinville estava toda fechada, nenhum shopping abriu, nenhuma atração na cidade, somente uma meia dúzia de coisas e as empadas.

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O lugar era bastante diferente do que eu imaginava. Aliás, tudo era muito diferente do que eu imaginava. Até as empadas eram, afinal são feitas com massa folheada ao contrário de uma empada convencional que usa a famosa massa podre (que não é podre). A casa é tipo um bar, com um balcão onde alguns velhos tomavam sua cerveja ou cachacinha, comiam um rollmops e conversavam com o balconista. Ao lado, uma grande estufa com vários salgados e uma infinita quantidade das empadas. E nas mesas éramos só nós comendo as tais empadas.

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A Fernanda, fã desde sempre da iguaria, havia me recomendado a Empada especial (camarão, palmito e azeitona). Eu experimentei a dela porque queria me aventurar em outras escolhas: a de palmito, a super (camarão branco e palmito) e a de camarão.

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Errei, claro, paguei o preço de quem não escuta. A dela estava melhor e fui obrigado a levar umas pra casa pra comer mais tarde (não sei se ficou claro, mas o post que fiz anterior a este, da churrascaria, era a refeição que precedia esta, não dava pra aloprar muito nas empadas).

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As demais achei meio secas e sem gosto, mas a especial dá um banho. Só fica aquele gosto residual de manteiga que a massa folheada tem (e que particularmente eu não sou muito fã), mas é gostosa se você conseguir lidar com isso.

Então fica a dica: se for na Jerke, peça a especial e não teime com sua namorada. Ou comigo, já que está lendo este post.

Você pode gostar ou nem tanto, mas conhecer os clássicos e respeitá-los, ainda mais a prole do Sr. Guilherme e Carlota Jerke que desde o século 20 fazem isso, é primordial.

Empadas Jerke

  • Rua Dr. João Colin, 393. Centro, Joinville/SC.
  • (47) 3422-3739
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

 

 

Vieira Grill: churrascaria na Via Gastronômica de Itajaí

Há um famoso efeito em quem viaja pra fora do país e retorna maravilhado com as coisas que se vê onde quer que seja. Alguns chamam isso de complexo de vira-latas, mas é só a dura realidade mesmo: temos muito o que aprender com os gringos. O que eu nunca imaginaria é que eu iria numa viagem despretenciosa parar em Itajaí e sentir algo parecido. Itajaí tem uma pequena mas bem organizada Via Gastronômica onde num lado da avenida há uma orla com estacionamentos pagos regulamentados pela prefeitura e no outro alguns restaurantes das mais variadas cozinhas para o turista ou mesmo o nativo escolher onde comer e beber. Você estaciona com segurança, não fica na mão dos flanelinhas nem depende de caros estacionamentos pra isso.

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E foi nessa parada que conheci a Vieira Grill, uma churrascaria muito bem organizada onde por R$57 você come à vontade os mais de 20 tipos de carnes nobres, um buffet gigante de saladas, pratos quentes e sobremesas variadas. Você pode ainda optar pelo buffet livre, sem acesso aos espetos, por módicos R$35. Ainda assim seria uma grande comideria.

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Logicamente eu fui no espeto. Vocês tinham alguma dúvida disso? Ir na churrascaria pra comer buffet não orna.

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A comida dos buffets é bem honesta. Nada de super supimpa, tem saladas, pratos quentes, algumas carnes pra quem não vai no espeto, risotos, massas, feijão, arroz, farofa… pausa pra respirar… guloseimas como salgadinhos, frituras, kani, alcaparras, palmito, três tipos de queijos finos etc.

Mas volto a dizer: churrascaria é carne! E carne tinha bastante.

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Tinha costela que fica assando numa redoma de vidro na frente do restaurante que é o cartão de visitas da casa.

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Tinha maminha bem temperada e saborosa.

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Tinha picanha mal passada e ao ponto.

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Tinha linguiça campeira, linguiça de carne pura e levemente picante.

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Tinha até carré de cordeiro que já tinha passado um pouco do ponto ideal mas o sabor estava muito bom igual.

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E pra fechar o rango e a conta, sobremesas. Dos mais diversos tipos, sabores, cores e texturas. Desde o tradicional sagú, típico de churrascaria, até pavês e mousses.

Mais pra quê?

Churrascaria Vieira Grill

  • Av. Ministro Victor Konder, 1250. Fazenda, Itajaí/SC.
  • (47) 3083-2266
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Jun Temakeria apresenta novo cardápio com fusão molecular

É a terceira vez que escrevo sobre a Jun Temakeria. Isso é inédito aqui no blog. Isso porque costumo escrever apenas uma vez sobre os restaurantes que frequento. A Jun teve a primeira e a segunda, ambas fiz reviews normais. Esta terceira foi um convite do proprietário, o Bruno, o qual já agradeço por sempre ter um carinho especial pelo Comideria e que sempre nos convida pra conhecer em primeira mão os pratos novos do seu cardápio que está em constante evolução. Aliás, essa é uma qualidade da Jun: eles sempre tentam — e conseguem — melhorar ainda mais o cardápio.

Este post que escrevo foi produzido em duas visitas. Na primeira conheci os pratos quentes desenvolvidos pela chef Maria, pratos que vêm da cozinha superior do restaurante feitos pelas mãos atenciosas e habilodosas da chef.

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Entre alguns pratos que experimentei nesta primeira visita destaco o Tartar de Salmão Guacamole, que são cubos de salmão levemente selados, guacamole e acompanhado de nachos e camarões grelhados. Gostei da versatilidade deste prato que pode servir tanto como uma entrada como prato mesmo. Dizer que é saboroso, assim como os demais, é desnecessário.

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Aprofundando-se ainda mais numa fusão entre França e Japão, comi o Bisque de lagosta com vieiras. Já viu algo com lagostas e vieiras ficar ruim? Ainda mais se isso vier na forma de bisque, que é um creme de palmito com leite de coco e peas crocante.

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Outro prato que me deliciei foi o Salmão grelhado com crosta de bacon. Deus do céu, vocês precisam provar esse prato. Ele vem acompanhado de um delicioso purê de beterrabas e batatas rústicas.

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Como a Jun tem essa pegada descontraída de temakeria, o happy hour também ganha espaço. Inclusive esse aperitivo diferente e muito gostoso feito por lá mesmo, a Linguiça defumada de salmão. Ela é servida com batatas rústicas, cebolas caramelizadas e chutney de maçã.

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Sobremesa? Brulée de gengibre. Deixaria Amélie Poulain lambendo os beiços.

Já na segunda visita conheci a Jun Experience, uma novidade na casa que faz uma fusão entre o tempero asiático com a cozinha molecular. Seja desconstrução, esfera, fumaça, efeitos especiais, um jantar digno de hollywood.

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Comecei com esse Tartar de atum com espuma de manga. A espuma de manga é uma delícia e vai também gengibre, já o tartar é coberto com ovas de capelin black e cebolete.

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As ostras à tailendesa deram um visual todo especial. Após a fumaça de nitrogênio líquido se dissipar do bowl, vi que se tratavam de duas deliciosas ostras à vapor, espuma de coco ao curry e ovas de capelin.

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O Tataki da Jun é um dos meus pratos preferidos. Tanto de salmão quanto de atum, eles mandam bem nisso. Desta vez provei algo diferente: Tataki desconstruído. É um tataki de salmão selado, pasta de gergelim negro, shoga negui (gengibre e cebolete macerados) caramelo de tarê e óleo de gergelim em pó. Não espalhem por aí, vai pegar mal, mas eu queria um quilo desse “pozinho branco” pra colocar em qualquer comida. É muito bom o tal do gergelim em pó.

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Já o Saquerinha esférica eu fiquei na dúvida: é pra comer ou pra beber? Tanto faz. Uma delícia, explode na boca, sensações e mais sensações e sabores.

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Também comi o Polvo Tzatziki. Isso mesmo, este polvo tem influência mediterrânea e busca na culinária grega inspiração pra esta esfera de molho à base de iogurte, pepino e endro.

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E pra fechar com chave de ouro algo que você não pode deixar de pedir quando for à Jun: Nachos oriental. Vocês não fazem idéia do que é o sabor desse aperitivo. São nachos de alga nori com queijo fundido especial, alho laminado e camarões. Os sabores, a crocância da alga, os camarões dando um toque especial neste aperitivo que promete ser um sucesso na casa. Sério mesmo, não deixem de experimentar!

Jantar (ou almoçar, porque agora eles servem buffet no almoço) é experimentar sempre coisas diferentes, com um cardápio em constante renovação e melhorias, com sensações novas e que surpreendem a cada visita. O atendimento sempre nota 10, atencioso e eficiente. Não espere mesmice da Jun. É uma visita pra ficar na memória pra sempre e conhecer o que diferencia os homens dos meninos.

Jun Temakeria

  • Av, Engenheiro Max de Souza, 1302.
  • (48) 3207-4933
  • Aceita cartões