Cook’s Clock – uma app do iPhone pra você não queimar sua comida

Pra quem é cozinheiro de primeira viagem como eu, contar o tempo do preparo as vezes pode ser uma tarefa difícil. Não que seja complexa, mas acabo esquecendo da vida enquanto faço uma atividade paralela pra não ficar plantado na frente do fogão (quando a receite permite) e quando vejo, temos carvão orgânico.

Pra quem tem iPhone/iPod/iPad essa tarefa ficou um pouco mais fácil. O Cook’s Clock, uma aplicação gratuita dispinível na App Store, permite que você escolha alguns pratos mais comuns indicando perfis de pratos pré-definidos, ou você mesmo pode customizar o tempo que precisa que ele cronometre.

Quando o tempo estiver esgotado, ele solta um aviso luminoso e um beep: tá pronto!

Para baixar o aplicativo para iPhone, clique aqui.

Torta de Legumes de Liquidificador

Quem gosta de assar uma boa costela não pode ser muito contra receitas demoradas. Mas eu tenho uma certa preferência por receitas rápidas quando na cozinha. Posso passar horas na frente de um fogo defumando ausências e presenças, matutando ressábios e vendo um cerne de alguma madeira queimando. Mas na cozinha eu sou meio impaciente, eu confesso.

Torta de Legumes de Liquidificador

As tortas de liquidificador são assim. Rápidas, rasteiras, simples, ingredientes que geralmente temos em casa etc. E a base da torta é meio que universal, você pode pegar ingredientes frescos, produzí-los ou mesmo aproveitar sobras. É tipo arroz de forno. A que vamos citar aqui e que eu fiz hoje é de legumes e queijo.

Ingredientes

Massa

  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 3 ovos
  • 1/2 xícara de óleo (soja)
  • 250g de queijo parmesão ralado
  • 1 colher das de sopa de fermento
  • 1 xícara de Leite

Recheio

  • 1 cebola picada
  • 1 tomate picado
  • 1 lata de milho verde
  • 2 cenouras raladas
  • 250g de vagens picadas
  • Azeitonas picadas a gosto
  • 300g de queijo mussarela
Legumes e a cor bonita na torta

Modo de preparo

  • Deixe o forno aquecendo em fogo médio.
  • Junte todos os legumes picados, adicione a azeitona, um pouco de azeite de oliva e tempere com sal. Dê uma mexida pra pegar bem o tempero. Reserve.
  • Ponha no liquidificador todos os ingredientes citados na massa, MENOS o leite. Comece a bater no liquidificador e vá adicionando o leite aos poucos até adquirir uma textura pastosa, de massa (duh!).
  • Pegue uma forma de bolo/torta pequena/média, unte com óleo e despeje 2/3 da massa. Coloque o recheio já misturado e ajeite com uma colher. Coloque o resto da massa cobrindo o recheio, ajeite novamente pra ficar coberto.
  • Ponha para assar. Tempo médio: 30 minutos.
Dê-lhe fogo!

Deixe esfriar e agora é só servir!

Vai um pedacinho aí?

Com a mesma base mas alterando o recheio, já vi se fazerem tortas como esta com restos de frango, carne moída e salsicha. A de salsicha, inclusive, é a de minha preferência. Esta de legumes eu fiz pra parecer que eu sou civilizado e me cuido um pouco. 😉

Enchendo os olhos de comida

Comida não é só paladar. Isso é sabido. Mesmo um prato feito no Bar do Zé onde você não sabe onde termina o arroz e começa o macarrão e onde diabos se meteu o bife, tem a sua arte incutida – bem ou mal. O aspecto de um prato conta muito na boa vontade para a degustação, já causa as primeiras impressões e, como também sabemos, a pré-disposição altera a percepção.

Pink Sugar

Quem nunca sentiu salivar litros ao ver uma foto de um prato “delicioso”? Aliás, como você sabe que é um prato delicioso se apenas e tão-somente o viu? Claro que o mesmo acontece com o tato e o olfato, mas… né? um prato bonito é gostoso de se ver, com o perdão do trocadalho.

Isso aconteceu quando vi esse açúcar rosa e tantas outras delícias no Tumblr OMGSexyFood. Chega a ser meio erótico. Aliás, comida é erótica. Ver algo/alguém sensual deve apertar no cérebro o mesmo botão que ativa e aguça a gula. É pecado igual.

Pra comer bem tem que ser ateu.

 

Arroz de Carreteiro – das carretas ao seu prato original e modificado

Depois do churrasco, não creio que haja outro prato tão tradicional no Rio Grande do Sul quanto o arroz de carreteiro. Ele tem esse nome porque há algumas décadas quando se faziam as carreteadas (cargas de mercadorias de uma cidade pra outra), não existiam, obviamente, recursos pra manter alimentos perecíveis por tanto tempo. O charque, carne salgada e seca à sombra e vento, era a forma que se tinha pra conservar a carne. No caminho, se conseguia arroz e algumas especiarias e essa mistura dava origem então ao prato principal dos carreteiros.

Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas,
Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado,
Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro
Te batizou de “Carreteiro”, meu velho arroz com guisado.
(Arroz de Carreteiro – Jayme Caetano Braun)

Daqui pra frente vou ensinar a simples receita do Arroz de Carreteiro, e que tal dar play numa música regionalista desse povo que inventou o prato pra entrar no clima da receita?

httpv://www.youtube.com/watch?v=Wi_ORewoMDs

Quais os ingredientes de um carreteiro?

Há divergências. Em algunas fontes, não necessariamente bibliográficas, constatamos que o carreteiro original tinha os seguintes ingredientes:

  • 1kg de Charque gordo – carne de segunda ou terceira, salgada e seca à sombra;
  • 1/2kg de Arroz;
  • 1 Cebola grande (ou pimenta);
  • 5 dentes de Alho.

O modo de preparo:

Arroz de carreteiro tomando forma - imagem do amigo @Noel_Guarany
  • Dessalgar o charque na água quente, numa panela de ferro, com duas “lavagens”
  • Reservar a primeira água do dessalgamento para o posterior cozimento
  • Picar uma cebola grande e os dentes de alho, refogar com o charque também picado na panela de ferro
  • Colocar o arroz e dar uma “chapada”, uma pequena e rápida fritada nele nesse refogado
  • Adicionar a água do dessalgamento ainda quente para o cozimento final.
Trempe - suporte para a panela

 Levando-se em consideração de que se utilizavam panelas de ferro e “trempes” aquecidas com lenha de madeira bruta, o cozimento era um tanto quando rápido e consistente, o que dava uma uniformidade no preparo do prato.

De lá pra cá, o que mudou no carreteiro?

Arroz: alguns preferem usar hoje substituir pelo arroz branco.

Charque: hoje se utiliza carnes de primeira, como o coxão mole, por exemplo, ou ainda se faz uso do frescal, que ao invés de um ciclo completo de “secagem”, fazem a famosa meia-cura. Não é tão salgado e ao invés de secar na sombra, é curado no gelo. Alguns aproveitam as sobras de churrasco (daí a entrada da linguiça no carreteiro atual). Há também aqueles que gostam de fritar a carne com cubinhos de bacon para a famosa “puxada” do arroz.

Uma outra possibilidade e que também fica gostoso, é a linguiça crua (no caso de não fazer o carreteiro com sobras de churrasco) cortada em pedacinhos. Ou dá pra tirar da tripa e colocá-la pra fritar junto com o charque na hora de refogar.

Aqui faço um parêntese para um registro histórico, cultural e importante pra entender o que o gaúcho tradicionalista achavava do uso de outras carnes no Arroz de Carreteiro. Jayme Caetano Braun, talvez um dos maiores payadores que cantaram a cultura que o Rio Grande já conheceu, dizia no mesmo poema citado no início do post:

Por isso – meu prato xucro, eu me paro acabrunhado
Ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro
Desvirtuado por dinheiro à tradição gauchesca,
Guisado de carne fresca, não é arroz de carreteiro.

Temperos: além dos tradicionais alho e cebola, há quem prefira dar uma cor e um gosto a mais com pedaços de tomates e pimentões.

Complementos: já vi também o carreteiro ser preparado com um toque final de milho verde e cheiro verde, sendo este último o mais comum de se encontrar hoje em dia.

Existe jeito certo e errado de preparo?

Não há jeito dito certo de se fazer um carreteiro. Existe o tradicional, o original, da forma que foi inventado. Mas o gosto varia de pessoa pra pessoa, quis dar estas nuances pra que conhecessem como era feito este prato e qual a importância que ele teve numa determinada classe, época e circunstância das próprias pessoas que inventaram esta iguaria campeira, rude e deliciosa. O que importa é o seu paladar.

E quem vai finalizar este post é o Jayme, da mesma forma que ele finaliza a Payada que dedicou a esta bênção gastronômica deixada pelos carreteiros:

Por isso, quando eu chegar,
nalgum fogão do além-vida,
Se lá não houver comida já pedi a Deus por consolo,
Que junto ao fogão crioulo,

Quando for escurecendo, meu mate-amargo sorvendo,
A cavalo nalgum tronco, escute, ao menos, o ronco
De um “Carreteiro” fervendo.

Bom carreteiro a todos!

Personal Hot Dog: novo conceito de cachorro-quente

No sábado, 19 de fevereiro, aproveitamos que o fim do horário brasileiro de verão nos daria uma hora a mais e fomos a Samantha, o Veber e eu até o Personal Hot Dog em São José.

Quando você faz o pedido você já começa a entender o nome da marca: no seu cadastro que é vinculado ao seu telefone, o sistema deles anota o teu nome e vincula o teu primeiro pedido. Se você simpatizou com a escolha do lanche e quiser repetí-la pedindo tanto via tele-entrega ou ir até a lanchonete novamente, basta dizer seu telefone e o nome, confirmando o último pedido. Isso é bem vantajoso para quem retira ou acrescenta ingredientes à sua comida, se livra de ter que pedir ou do atendente errar e te fazer comer aquela ervilha indesejável que você não gosta.

Atendimento e pedido personalizados

O cardápio consiste em sete hot-dogs salgados, três doces e batatas fritas. Cada lanche salgado tem uma temática, como o Gaúcho (linguiça calabresa ao invés de salsicha e molho barbecue/churrasco) e o Russo (com molho de strogonoff). Já experimentei quase todos, visto que sou cliente há algum tempo, e o que mais gostei foi o gaúcho (e juro que aqui não tem nenhum bairrismo velado, é gosto mesmo pela calabresa frita e o barbecue). Vamos à sabatina:

Ambiente – 10

Ambiente agradável, bonito e limpo.

É climatizado, as cadeiras e as mesas são confortáveis, tem telas de LCD com shows e clipes de música, chão e paredes limpos, não há um cheiro forte de comida, o balcão de atendimento é estilo rede americana de fast-food e mesmo assim conseguem manter organizado. Absolutamente nada a reclamar nas minhas visitas em relação ao environment do local.

Atendimento – 8

Os atendentes são educados, anotam corretamente os pedidos, tratam com respeito e seriedade, são corteses, atenciosos e explicam detalhadamente a diferença entre os lanches e te ajudam na escolha do pedido. Só não leva 10 porque é absurdamente difícil fazer um pedido pelo delivery, não existe uma central de atendimento para atender a demanda que é muito grande, o telefone vive ocupado e você precisa perder pelo menos uma meia hora do seu sábado onde você poderia estar curtindo com a família pra conseguir pedir a comida.

Qualidade da comida – 9

 

O recheio, as carnes, os embutidos, a batata, sempre impecáveis. Só falham as vezes no pão, ou ele tem aspecto de velho ou está muito esfarelado por conta de ter passado demais na hora de “prensar”, o que torna o gosto e a textura um pouco deficientes.

A apresentação e manutenção higiênica do lanche é muito bacana: ele vem numa caixa de papelão lacrado e só você e o chapeiro têm contato com a comida.

Preço – 10

Não é um cachorro quente barato, mas convenhamos, não é um cachorro quente convencional. Um lanche como o Gaúcho, por exemplo, custa algo em torno de R$8, de acordo com o tamanho e a qualidade, acho até bem barato.

Observações:

  • Não tem wifi, ponto negativo.
  • Aceita cartões de débito e crédito.
  • Tem estacionamento próprio para cerca de 8 carros, e estacionamento no perímetro.

Nota média: 9,25.

Dados da lanchonete

  • Endereço: Rua Emerson Ferrari, 28 – Kobrasol – São José/SC
  • Telefone contato e delivery: (48) 3259-0095
  • Funcionamento: de terça à domingo
  • Site: personalhotdog.com.br

Recomendo a visita!

Receita de Polenta de Milho Verde

Estava programada para hoje uma receita de Arroz de Carreteiro. Eu havia anunciado no Twitter no sábado sobre a publicação deste pedaço de mal caminho da gastronomia gaúcha. Mas hoje é a “segunda-feira sem carne” e em solidariedade ao Tiago e os demais amigos participantes, a publicação do Carreteiro ficará para amanhã. Não, não é hipocrisia. Eu adoro carne, não vivo sem carne ainda, mas pela primeira vez alguém falou comigo  sem proselitismos ou ataques por conta dos meus churrascos. Pelo contrário, colocou argumentos claros e limpos, verdadeiros e racionais e isso PRECISA ser incentivado e prestigiado. Então pelo planeta, pelas pessoas e pelos animais, vamos descobrir novos sabores e fazer uma Polenta de Milho Verde!

Vamos lá… vocês já comeram polenta, certo? é feita com fubá que nada mais é que milho triturado. Capice? Pois então vou lhes mostrar o que aprendi com um amigo italianão lá de Erechim, onde o fubá dá lugar ao milho verde ralado e nos brinda com um excelente e nutritivo prato.

Ingredientes

  • 10 espigas de milho grandes
  • 1 cebola grande picada
  • 2 dentes de alho picados
  • 5 colheres de azeita
  • 5 colheres de manteiga
  • 200g de queijo parmesão ralado (opcional)
  • cheiro verde a gosto (opcional)

Modo de preparo

Milho verde ralado ou triturado no liquidificador?

Primeiramente um adendo: você pode raspar o milho e triturá-lo no liquidificador (caso você seja um(a) fracote e não queira fazer do outro jeito) ou então você pode ralar as espigas num ralador onde além de ter o prato mais gostoso e consistente, você também estará fazendo um exercício físico e diminuindo o impacto calórico da receita que é bem cruel com quem está fazendo dieta.

Não pare de mexer para não queixar a polenta

Em uma panela com fogo médio coloque o azeite e 3 colheres de manteiga. Esquente-os um pouco e depois insira a cebola e o alho para refogá-los. Feito isso, acrescente o milho verde ralado para cozinhar. Respingue um gole de água na massa que vai se formando e coloque o restante da manteiga. Vá colocando água de maneira bem moderada evitando que fique muito mole mas também não deixando muito seco e duro, até porque não cozinhará e terá o aspecto e gosto de milho cru (eca).

Quando estiver quase pronto, adicione o queijo ralado pra dar um gostinho. Faça o mesmo com o cheiro verde.

Polenta de Milho Verde

Agora é só untar uma forma/travessa com um pouco de azeite, despejar a massa da polenta de milho verde e esperar esfriar um pouco. Voilá!