Arquivo da tag: alcatra

Cabeça Lanches: outro ambiente, outro endereço, outra qualidade

Se você clicar no meu nome no final deste post verá que dos quase 250 posts que escrevi pra este blog existe um padrão para a publicação:

  1. A experiência foi boa, o restaurante é indicável e tem mais pontos positivos que negativos;
  2. A experiência foi desastrosa. Não foi medíocre, foi um desastre o que aconteceu durante a visita.

Digo isso porque depois de três anos escrevendo sobre experiências gastronômicas algumas situações podem mudar este padrão. A primeira são restaurantes que antes não promoviam uma boa experiência, e N fatores entram na justificativa dessa mudança, inclusive o fato de o dia da visita ter sido um péssimo momento para o cozinheiro; e a segunda é que restaurantes que antes indicavam mudam, e pra pior. Talvez ainda não sejam desastres, mas a justiça precisa ser feita, ainda mais quando é meu aval e minha palavra que estão em jogo.

Coisa de cinco meses atrás tive a oportunidade de voltar ao Cabeça Lanches. A experiência foi ruim, o lanche ficou menos saboroso, menos recheado e mais caro. Depois retornei novamente, o lanche voltou pra padrões aceitáveis e mantive a opinião em deixá-lo no TOP 5 Xis de Floripa, até porque uma segunda lista ainda levaria tempo pra ser preparada e com a deficiência de Florianópolis nessa área ele ainda elencaria os melhores na minha modesta opinião (acredite, os melhores xis hoje estão em São José).

cabeca-espetinho-externa

Ontem retornei à casa. Não era a mesma casa. Recentemente o Cabeça Lanches começou a dividir um espaço com o Espetinho de Ouro, pra quem ainda não conhece, um restaurante especializado em porções e refeições cujo protagonista é o camarão e numa concorrência acirrada com o Boka’s, há anos briga por quem serve a maior e melhor porção da cidade. A qualidade não é grande característica destes tipos.

O endereço também não é o mesmo. Apesar de ser na mesma rua, a casa agora ocupa um espaço maior, no outro lado, onde antigamente funcionava a revenda de carros Super Auto.

Cadê o hamburguer, gente?
Cadê o hamburguer, gente?

E a qualidade? Infelizmente também mudou. Não caiu a ponto de dizer “eu nunca mais volto lá”, mas pra quem viveu os tempos áureos do Cabeça, dizer que é o mesmo lanche seria incorreto de minha parte. Nota-se que o lanche continua do mesmo tamanho, tanto a versão “médio” quanto a “grande”, mas o recheio tem sua composição alterada. Enquanto antes um robusto e saboroso hamburguer era a atração principal do lanche — e não poderia deixar de sê-lo, agora um matagal de salada cresce sem nenhuma poda entre duas fatias de pão que não é mais aquele “fofinho” de priscas eras.

Me coma logo, vamos acabar com esse sofrimento!
Me coma logo, vamos acabar com esse sofrimento!

Talvez na foto do Xis Bacon e do Xis Alcatra acima você não tenha notado, mas agora vai se admirar quando reparar no interior de um Xis Burguer. Um pedaço de carne apático, pedindo pelo amor de santo Cristo pra ser consumido logo e dar fim no drama de ficar perdido no meio do pão e do queijo.

Há que se destacar mais uma vez que o Xis ainda está na frente de outras dezenas de concorrentes, mas muito provavelmente não entraria numa lista de TOP 5 aqui no blog.

Ao insatisfeito, as batatas!
Ao insatisfeito, as batatas!

A maionese caseira, outro ponto forte da casa, continua boa. Agora até menos salgada que antes, deixando os clientes hipertensos um pouco mais felizes (jesus, quem eu estou querendo enganar aqui?).

cabeca-espetinho-cardapio

O ambiente está mais amplo, mas a estrutura promove muito barulho. Em dias em que a casa está lotada é possível notar que ela é mais Espetinho de Ouro que aquele ambiente modesto e confortável do Cabeça antigo, do lado da Pet Shop. As mesas de plástico deram lugar às mesas de madeira, ponto positivo pra casa. Quem passa da primeira arroba de peso sabe o quão isso é importante.

O cardápio mais robusto. Agora além dos xis, e das porções de 6 unidades de pastéis, uma infinidade de pratos com camarão, carnes, peixes etc.

Ademais, resta lamentar que o gigante caiu mais uma vez, mas talvez seja questão de tempo (inclusive este post também tem esta intenção) de que a qualidade seja recobrada, e dizer que, neste momento, este blogueiro não mais indica o Cabeça Lanches como um xis moleque, de várzea, que joga com os dois pontas abertos num campo de areia.

Chopperia Cabeça Lanches e Espetinho de Ouro

  • Endereço: Rua Coronel Pedro Demoro, 1910. Estreito, Florianópolis.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Dauri Lanches: resistindo ao tempo e exportando chapeiros

Já tentei, mas não consigo ir no Dauri sem o sentimento nostálgico da primeira lanchonete onde lambuzei os beiços com maionese caseira. É impossível não lembrar da cena do meu paladar se abrindo pra esta iguaria maravilhosa que é um bom xis arte, xis moleque, de várzea. Como no Fantástico Mundo de Bob, diversas cenas, só que reais, me vêm a cabeça, como a da porção de “miudinhos”, como meu pai chamava, um sem-número de corações de galinha grelhados na chapa e dispostos sob um pequeno monte de farinha de mandioca, fatias de limão taití e folhas de alface, tudo isso comportado numa pequena travessa duralex, com cor característica da marca nos anos 90.

Em formato de drive-in, o que aqui chamamos de “drive”, era possível comer no carro ou nas mesas de madeira com bancos inteiriços para cerca de 4 pessoas, uma espécie de versão rústica dos restaurantes sessentistas americanos de fast-food, coberto com uma lona característica destes antros de perdição gastronômica. O estacionamento do supermercado Comper recebia desde famílias querendo uma refeição nada saudável, grupos indo ou vindo de alguma “night” (balada era um termo ainda não cunhado na época) e torcedores do Figueirense em passagem ao Estádio Orlando Scarpelli, o grande e majestoso vizinho, que em dias de jogo esgotava suas garrafas servindo “maracujazinho a 1 real”.

dauri-lanches-entrada

O Dauri infelizmente faleceu por estes tempos. Antes, porém, teve que se mudar para a Praça Renato Ramos da Silva, atrás do saudoso Colégio Aderbal Ramos da Silva, onde este que vos escreve concluiu o primeiro e se formou no segundo grau. A praça que já viu este humilde blogueiro jogar seu futebol moleque nas aulas de Educação Física do professor Geraldo agora comporta um playground pra gente de todas as idades, está bem iluminada, tem um posto da Polícia Militar e no seu coração o entupidor de artérias conhecido como Dauri Lanches.

Perdeu-se um pouco do charme que antanho, embora o lugar esteja mais bonito. Perdeu a graça de estacionar o carro no amplo estacionamento do supermercado e pedir o lanche no carro, com aquelas bandejas metálicas adaptadas para os vidros do veículo. Perdeu-se grandes chapeiros que viraram lendas e até hoje mostram todo o seu potencial, como o Eduardo que hoje tem negócio próprio no Bar do Casinho, ali nas redondezas, ou o próprio Cabeça, do Cabeça Lanches que hoje já comprou até o Burgão, em São José. Foram-se garçons para algum lugar do mundo onde o Sol brilha mais fraco, mas não perdeu o orgulho nem a dignidade: ainda é um grande xis. Não é o mesmo de sempre, admito, talvez este texto lhe cause grande expectativa. Mas é digno e recusa-se cair no ostracismo das velhas lanchonetes da cidade.

dauri-lanches-xis-alcatra

Na noite do último domingo comi um Xis Galinha com Calabresa. Pedi Xis Galinha com Bacon, o lanche que aprendi a comer com minha mãe neste mesmo lugar, mas o bacon estava em falta. OK, a dignidade se foi por um instante, mas o Dauri tem a licença poética comigo. A foto mostra um Xis Alcatra, igualmente saboroso.

Uma boa novidade é que agora além da maionese tradicional temos a versão verde. Ou seja, se maionese caseira é bom, imagina poder escolher entre maionese caseira e maionese caseira com cheiro verde. Traz uma porção de alface pra comer com maionese aí, tio!

dauri-lanches-garçom

O restaurante em um espaço pequeno por dentro, mas no seu entorno a praça se faz um palco com mesinhas de plástico, típicas de xis, podendo saborear o seu lanche ao ar livre nas calorosas noites de verão do Balneário do Estreito.

Um pequeno pedaço de paz e tranquilidade na “pracinha do Balneário”, onde os velhos dali já elegeram para o seu diário dominó, em meio a um bairro em constante evolução, cuja erupção de prédios e gigantescas construções nada ofuscam a nostálgica sensação de comer no grande, resistente e atemporal Dauri Lanches.

Dauri Lanches

  • Endereço: Av. Santa Catarina, 1197 (Praça Renato Ramos da Silva). Balneário do Estreito, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3248-9993
  • Aceita cartões: sim

Churrascaria Egon: churrasco na Capital Catarinense da Ovelha

Campo Alegre é uma cidade com uma pequena população que passa pouco dos 10 mil habitantes. Sua colonização está intimamente relacionada com as terras da princesa Dona Francisca, irmã do Imperador Dom Pedro II, que ganhou como dote no seu casamento com o príncipe de Joinville. A Serra Dona Francisca, mais precisamente a SC-301, foi a primeira ligação que o Estado de Santa Catarina teve com o Paraná, ligando Joinville à Curitiba. Os engenheiros alemães que a construíram, ao chegar no topo da Serra, exclamaram: Froeliches feld! em alemão, a eureka dos colonizadores quer dizer “campo alegre”.

churrascaria-egon-serra-dona-francisca

E mesmo com a forte chuva que enfrentei no último domingo quando passei pela Serra Dona Francisca em viagem à cidade de Mafra, na mesma região, pude apreciar as belezas que Campo Alegre tem a oferecer. É uma cidade cujo turismo é essencialmente rural, pouco se faz lá além de hospedar-se num hotel fazenda e comer boa comida, mas é excelente para quem quer ver boas paisagens, vegetação muito bonita, e descansar o corpo e a mente das atribulações do dia-a-dia numa cidade com trânsito e estresse.

A gastronomia de Campo Alegre é muito baseada na carne ovina, visto que a cidade é considerada a Capital Catarinense da Ovelha. Mas há também excelentes paradas para os viajantes apreciarem desde deliciosos pastéis fritos na hora com um refri, até excelentes cafés especiais como os que provei no Armazém Dona Francisca, mas essa história eu contro no próximo post dessa série.

churrascaria-egon-entrada

Chegando em Campo Alegre eu conheci a Churrascaria Egon. O nome faz referência à um dos sócios, mas pode também ser conhecido pelo nome de “Espeto Corrido de Ovelha”. E embora o restaurante não ofereça mais esta modalidade de rodízio, a carne ainda é servida num espeto à mesa, típica das grandes churrascarias de 20 anos atrás, como a Riosulense.

Aliás, o ambiente da churrascaria é todo rústico. Não poderia, é claro, faltar a decoração baseada na protagonista da cidade: ovelhas de todos os tipos, cores e formatos adornam o salão e a recepção da churrascaria, toda a produção do artesanato local.

churrascaria-egon-espetos

Você pode servir-se apenas no buffet, e isso custa R$26 por pessoa, ou pode ainda pedir um espeto de carnes assadas na hora contendo três tipos de carne. Cortes de ovelha (R$45), Picanha e Alcatra (R$35) que servem até 4 pessoas famintas. Pedi um espeto misto de Ovelha e Picanha bovina para experimentar. A picanha é gostosa, não tem nada especial. É picanha, todos conhecemos. A ovelha mata a pau. Ela vem no ponto que uma carne de ovelha deve ser servida, sem ter passado demais (muita gente usa este artifício para amenizar o sabor forte desta carne). Ela é muito bem temperada com salmoura à base de vinho branco e especiarias que um dos sócios, o Marcelo, não revela nem sob tortura.

churrascaria-egon-bolinho-carne-ovelha

No Buffet há outra relíquia cuja receita é guardada a sete chaves, segundo uma das cozinheiras que passava pelo balcão: o bolinho de carne de ovelha. Poucas vezes comi um bolinho tão perfeito desde a textura até o sabor. O tempero, também excelente, diferente da carne que fora assada, e muito, muito saboroso. Digo isso porque se você estiver passando sozinho por lá e não pedir um dos espetos e for ficar apenas na modalidade buffet, também poderá experimentar a carne ovina na sua plenitude.

churrascaria-egon-buffet

Saladas, incluído a tradicionalíssima salada de batatas com maionese, pratos quentes, guloseimas e toda a sorte de comida pode ser experimentada junto ao buffet.

churrascaria-egon-sobremesas

Há também um buffet de sobremesas típicas, as quais não experimentei. Os doces ficaram para uma outra visita que fiz na região e que daqui uns dias vocês também conhecerão, completando este mini-roteiro gastronômico da cidade.

Fica o convite para conhecerem a Serra Dona Francisca, suas belezas e sua saborosa e confortável comida.

Churrascaria Egon

  • Endereço: Rodovia SC-301, KM 45 (Estrada Dona Francisca). Campo Alegre, SC.
  • Telefone: (47) 3632-2060
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim
  • Wifi: sim

Risotteria Suprema, comendo um bom risotto com preço muito justo

Desde que o jornalista e apresentador Zeca Camargo escreveu sua coluna à Folha de São Paulo falando sobre restaurantes e a arte de cobrar caro pra fazer comida simples porém rebuscada que não paro de pensar sobre o assunto. Como num efeito do sapo numa panela em temperatura ascendente, era eu com o preço dos restaurantes. Era barato, ou relativamente em conta, de repente começou a subir e nem notamos mais, mas, parafraseando o nobre comunicador, “você lembra quando percebeu que o jantar de R$ 150 virou rotina?”

É lógico que não tenho o costume de pagar isso num jantar, nem meus sofridos bolsos aguentariam, mas trazendo pra uma realidade mais próxima, você lembra quando foi que um jantar num restaurante mais elaborado começou a beirar os três dígitos? Como que num sofrenaço senti o fundo da panela queimar os pés e encerrei a leitura do texto com raiva de mim mesmo, e com uma cara de otário no semblante.

Por que comida simples, mas feita de maneira mais elaborada, precisa custar as vezes cinco vezes mais que seu custo? Qual empresa no mundo trabalha com até 500% de lucro? É uma resposta que não tenho, embora desejasse de toda forma trazê-la pra cá e debater com os nobres leitores que provavelmente ficarão com a mesma cara — se já não estão — após ler isso, já que a realidade não é somente dos paulistanos.

Risotteria Suprema

Faço diferente, pois, neste review. Indico um restaurante onde você pode comer muito bem, saindo totalmente satisfeito e com qualidade irrefutável. Falo da Risotteria Suprema, restaurante que conheci há dois dias, quando procurava um local pra almoçar nas redondezas do meu bairro que insiste em limitar aos buffets sua oferta de comida ao meio-dia.

risotteria-suprema-cardapio

O nome é auto-explicativo: o carro-chefe é o risotto. Risottos dos mais diferentes tipos e preparos, mas sempre mantendo uma característica italiana por trás, com pequenas adaptações ao paladar dos brasileiros. Pratos bem servidos e muito bem apresentados, decorados pra agradar não somente o paladar como os demais sentidos que se possa usar na gastronomia. E o melhor: sem precisar ficar pobre. Um grande trunfo à premissa de que comer bem precisa ser caro.

risotteria-suprema-salada

Para o almoço funciona da seguinte forma: todas as opções do cardápio são acompanhadas de uma entrada e uma sobremesa. Na terça-feira as entradas eram uma salada de folhas da estação, tomate, pepino, cenoura ralada e croutons ou então uma sopa de lentilhas.

risotteria-suprema-risotto-steak-alcatra

Para o prato principal, a possibilidade de escolher apenas o risotto do dia (que era de palmito com abobrinha zuchini, leite de coco e açafrão da terra), ou o risotto mais uma carne (filé de frango grelhado ou steak de alcatra). Você pode escolher somente a carne, caso deseje, acompanhada de um molho, ou ainda dois tipos de massa.

Já havia comido a salada e agora tinha um risotto muito saboroso e muito bem servido com um steak de alcatra no ponto certo de uma boa carne. Quando um gordo diz pra você que um prato é bem servido, quer dizer que pra uma pessoa com estômago normal ele será suficiente pra almoçar dois dias seguidos. Ou seja, além de muito boa, a comida é suficiente pra matar qualquer tipo de fome.

risotteria-suprema-mousse-limao

Como se não fosse o bastante, o chef Jordan Franzen, que recepciona muito bem e entrega pessoalmente os pratos a todos os clientes, nos trouxe uma mousse de limão de sobremesa. Assim como a entrada e o prato principal, comida simples e muito bem feita, indubitavelmente saborosa e bem apresentável, o que é constante em todo o serviço.

Quando vi que a comida era boa, bem apresentada, em quantidade digna pra matar a fome e tudo estava muito bem apresentado, pensei: em alguma coisa vai pecar. Seja no ambiente ou no atendimento, algo vai dar errado. Me enganei redondamente, e muito feliz ao fazer esta descoberta.

risotteria-suprema-ambiente

A casa é simples porém muito aconchegante. Decoração moderada, sem aquelas apetrechos todos na parede mas que te conferem conforto desde a chegada.

O atendimento foi perfeito. Todos os pedidos vieram corretamente, nenhum engano ou atraso, e os garçons sempre muito atenciosos e gentis explicando os pratos e fazendo o serviço ser lindamente aplaudido com louvores.

No fim das contas, o preço impressionou bastante, pelo que foi servido e apresentado: módicos 23,90 pelo almoço, sem contabilizar bebidas. Isso mesmo, menos de 25 reais por uma refeição com entrada, prato principal e sobremesa. Caso tivesse escolhido apenas o risotto do dia, ela teria saido por R$17,90.

Pode ficar tranquilo, Zeca Camargo! Nem tudo está perdido. Ainda existem restaurantes fazendo comida boa sem exageros na pompa e no preço.

Risotteria Suprema

  • Endereço: Rod. João Paulo, 130. João Paulo, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3234-0301
  • Horário: de terça à sexta das 11h30 às 14h, e das 19h às 0h. Sábados e domingos das 12h às 15h30 e das 19h às oh.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim