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May: Floripa volta a ter um Tailandês

Poderia dizer que a abertura do May ali no Caminho dos Açores vem suprir uma lacuna que existia na gastronomia asiática. De certa forma é verdade mas resumí-lo a isso seria um desrespeito com a idéia que o May traz à Florianópolis: uma fusão das cozinhas Tailandesa, Vietnamita e Malaia, localizado no lugar mais bonito da Rota do Sol Poente, com um ambiente diferenciado e muito agradável, que aquece os olhos e o estômago com sua decoração e especiarias. Muito mais que substituir um antigo tailandês da Lagoa que deixou a cidade órfã nesta gastronomia, o May vem como pioneiro, abrindo picadas.

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Jantar no May é uma experiência diferente. Como já disse, o ambiente é muito bonito. Também pudera, quando o Fernando Daquino se junta com o Bruno Bittencourt pra idealizar um lugar, sabe-se que tudo será perfeito, e um exemplo disso é a também charmosa e confortável Fairyland Cupcakes, onde ladinos como eles se encontram.

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O restaurante conta com um ambiente fechado, luz baixa, com um clima romântico, ao lado de um bar de drinks pra lá de especiais (o próprio Fernando sentia falta de beber um bom Cosmo antes do seu restaurante abrir) e uma área externa com um deck, com vista pro mar e com um clima mais despojado, pra compartilhar amizades e boas conversas.

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O cardápio do May é enxuto, mas muito completo. Traz pratos para agradar a todos os paladares, resistentes ou não a pimenta, respeitando agradavelmtente o ritmo e os gostos de cada um.

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Comecei pelo começo, como não dá pra deixar de ser. Pedi os famosos Goi Cuon (rolinhos vietnamitas). Uma massa transparente de arroz com legumes cortados em tiras por dentro. O molho que acompanha é quem dá o sabor levemente apimentado e cítrico para este quitute.

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Agora a coisa ficou séria mesmo foi quando experimentei o Satay. Quero estar vivo pra ver o tempo em que a tecnologia permitir à Internet a transmissão de cheiros e sabores. Não dá pra explicar o quão saboroso é este espetinho de frango grelhado com este molho de amendoim. Aliás, é um desperdício com o amendoim usá-lo somente in natura ou confeitado com doces. O amendoim é um dos ingredientes mais versáteis da cozinha, vai bem com doce ou salgado, independe da preparação. Este molho é simplesmente divino, de comer rezando e reverenciando o Buda que está localizado entre o restaurante e a praia.

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Como estávamos em amigos blogueiros de gastronomia, cada um deu uma garfada no prato do outro. Em uma delas experimentei uma salada, mais precisamente a Yam Neua, salada de pepino, alface, cebola roxa, coentro e hortelã com tiras de mignon e molho agridoce. Leve pelas hortaliças e ervas, consistente com a carne e o molho, muito saborosa.

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O meu prato principal era algo que já veio definido de casa enquanto via fotos da fanpage deles sendo postadas: Pad Thai. Talvez o prato tailandês mais difundido por estas paragens, experimentei o macarrão tailandês (de arroz) com camarões, cubos de peito de frango salteados, cebolinha, gengibre, broto de feijão e molho de tamarindos. Outra delícia até então desconhecida por mim.

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E o troca-troca de pratos continuava. Experimentei agora um ítem da parte de sopas do menu, a Tom Kha Gai. Uma deliciosa e bem temperada sopa de coco e frango, com gengibre e suco de limão. Foi-se o tempo que tomar uma sopa era uma tarefa difícil para os paladares. A combinação de especiarias mais o adocicado do coco são geniais.

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Alguns pratos você pode escolher a quantidade de pimenta, separados em três níveis do mais fraco para o mais forte. Experimentei o Gang Massaman Mu, ou Curry Amarelo, composto a base de curry amarelo, abacaxi, lombo suíno cozido em leite de coco guarnecido de arroz jasmine.

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Toda essa comilança terminou numa adaptação do Brownie da Maria, que só quem visitou a Fairyland saberá a delícia que é. E agora ele está também no May em toda a sua exuberância de chocolate belga.

Todos os pratos aprovados com louvor, e o Satay eternizado como um dos melhores da vida inteira forever and ever. Aliás, quem comanda a cozinha do May é o chef João Bub, que você já deve conhecer do Bettina Bub Cozinha Artesanal.

O atendimento funciona também lindamente, a todo momento próximo e sem necessidade de aguardar horas por qualquer coisa. Sempre muito gentis seguem a linha de gentileza de todos os integrantes do serviço.

A conta fechou em torno dos R$150. Vale destacar que neste valor não incluem todos os pratos aqui exibidos, porém todos foram experimentados. Estávamos em um grupo de 6 amigos.

Pra você que diz que Florianópolis nunca tem nada diferente pra fazer, uma viagem até a Ásia com o pôr-do-sol de Santo Antônio é algo somente no May, onde os ladinos também se encontram.

May

  • Estrada Caminho dos Açores, 1689. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 9118-8881
  • Funciona de quarta à domingo, das 19h às 0h.
  • Estacionamento, aceita cartões.

Bucaneiros: do arroz ao camarão, tudo perfeito!

Há tempos venho explorando mais a culinária do continente catarinense. Se o tempo que morei na Ilha de Santa Catarina foi suficiente para desbravar boa parte do que a gastronomia ilhoa tinha para oferecer, é em terra firme que tenho me surpreendido muito com a diferença de sabores e preços. As vezes encontramos pérolas como o Bucaneiros (ou Bucaneiro, como está na placa na entrada, o proprietário ainda não decidiu), que além de muito barato, oferece comida excelente e em boa quantidade para todos os apetites, do outro lado da baía norte.

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Costumo dizer que restaurantes precisam caprichar tanto numa lagosta quanto num simples pastel de camarão. Fazer com perfeição uma excelente carne e não deixar pra trás uma mera salada. Muita gente não liga pra isso, vai com sede ao pote no prato principal e esquece que está pagando por um almoço completo, onde tudo deve estar a contento, e a mesma grandiosidade de um principal ser refletida num mero arroz.

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O Bucaneiros tem isso. Os acompanhamentos dos principais pratos do restaurante são batatas fritas, salada, pirão de caldo de peixe e a figurinha carimbada do dia-a-dia, o arroz. Lá ele aparece em duas versões: o arroz branco simples e o arroz branco com alho. E por incrível que pareça toda vez que eu vou comer no Bucaneiro eu já começo a salivar pensando no arroz, mesmo antes de fazer a curva no Morro da Bina, antes mesmo de chegar em São Miguel.

Mas obviamente nem só de arroz se faz um restaurante, então vamos aos fatos.

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O couvert do Bucaneiros também é saboroso. Não deixe de experimentar estes pãezinhos que são servidos já na chegada, antes mesmo do pedido ser feito, acompanhados com um molho de maionese da casa. A salada é boa, também, mas domingo não é dia de salada!

O cardápio da casa é composto por uma seção de Aperitivos, onde você pode comer desde um camarão à milanesa, mariscos, lulas e peixe nos seus mais diversos preparos, além de uma seção de pratos principais à base de Camarão e Peixes. Também tem pratos com carne e frango para os que não comem ou não estejam a fim de frutos do mar, os famosos chatos de galocha que acompanham aventuras gastronômicas sem manjar dos paranauê.

Enquanto saboreava o couvert pedi uma caipirinha. Drinks não são o forte deles, ela estava ácida demais e muito forte, mesmo pra quem já está acostumado com o sabor da cachaça. Valeu pela ingestão exclusiva da cachaça que, segundo o manezinho, serve pra cortar o “veneno” dos frutos do mar.

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Como prato principal pedi o Linguado ao Molho de Camarão. Deveria ter pedido meia porção, este humilde prato serve nada menos que 4 pessoas famintas após uma prisão em uma solitária por três semanas. Peixe à milanesa bem fritinho e no ponto certo, casquinha crocante e com um delicioso e bem temperado molho de camarão por cima.

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Havia pedido também a Maionese de Camarão que embora estivesse no cardápio de saladas não agrada nutricionistas como tal, mas eu fiz a minha parte. Essa eu fui inteligente e pedi meia porção que seguramente serve duas pessoas nas mesmas condições famélicas.

Batatas cozidas na medida certa, com o mesmo molho de maionese caseira acima citado e camarões médios cozidos e crocantes, mesmo sem casca, pra manezinho nenhum botar defeito.

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Como se tudo isso ainda não bastasse pra empanzinar o vivente, um buffet com sobremesas típicas da nossa região, contendo doces e frutas era servido gratuitamente para todos os comensais. Provem o pudim de leite deles, é uma delícia!

A conta fechou por volta de R$130 e poderia ter sido bem mais em conta caso não tivéssemos pedido comida para um batalhão.

E a digestão foi feita vendo as escunas chegarem e partirem no trapiche desta praia, lotadas de pessoas que assim como nós estavam em busca de excelente comida.

Restaurante Bucaneiro

  • Endereço: Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, s/n. Balneário de São Miguel, Biguaçu/SC.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: Sim

Ponto G Brasa & Fogão: quem encontra uma vez, acha sempre

Encontrar o Ponto G é uma arte. Independe de cor, credo, status social, físico… Há quem defenda que para tal é preciso tempo de prática, insistência, paciência e um tanto de criatividade. O que é regra geral é que, quando encontrado, o prazer proporcionado de quem encontra é muito parecido com o prazer de quem recebe a busca.

Eu já encontrei uma vez e agora, pra dar uma variada, encontrei em outro endereço.

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Logicamente não estou falando dos feitos alemão Ernst Gräfenberg. Trocadilhos a parte, me refiro ao novo restaurante do Chef Vitor Gomes, o Ponto G Brasa & Fogão. Após uma baita de uma experiência gastronômica no seu belíssimo Ponto G nos altos de Santo Antônio de Lisboa, fui até a beira da praia conhecer o novo espaço e menu que já ganharam, em menos de 3 meses, premiações nas publicações do ramo.

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O espaço lembra bastante o outro Ponto G, reúne o requinte de móveis de excelente qualidade e decoração muito bem planejada com a simplicidade das características da Florianópolis que Vitor conheceu. A tradicional bicicleta pendurada na parede e as gaiolas vazias em outra mostram que a Itinga, localidade de Tijucas onde o chef morou, o acompanha onde quer que esteja. Identidade é a palavra de ordem.

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Com base nessas raízes o cardápio é composto. Assim como a decoração da casa, é moderno e versátil sem esquecer de onde vem. Serve tanto frutos do mar — e contempla a maioria dos peixes, crustáceos e bivalves que são culturalmente nossos — quanto carnes, pra salvar Santo Antônio de Lisboa da monotonia dos ingredientes de sempre.

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Antes de mais nada, comecei pelo couvert. Seleções de pães La Padá, manteiga de ervas, patê de linguiça defumada, caviar de sardinha e uma pasta de salmão. O pão é de querer levar pra casa pra comer todos os dias.

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Macio, saboroso, diferentemente dos que comemos por aí. As pastas, apesar de serem deliciosas, harmonizam de forma esplendorosa com um simples couvert. É incrível.

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Como prato escolhi a Paleta de Cordeiro. Achei que comeria pouco, geralmente lugares mais requintados oferecem o que eu costumo chamar de “pratos sujos de comida”, onde encontra-se mais o ego do chef mandando um “beijo me liga” do que, de fato, comida. Ledo engano.

Uma paleta de cordeiro inteira, assada lentamente no forno com um sabor impecável, glaceada ao röti. Ela estava sensacionalmente macia, deu pouco serviço aos dentes. Serviu duas pessoas mas serviria, sem brincadeira nenhuma, três ou quatro, dependendo da fome e das entradas.

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A Paleta veio acompanhada de legumes como cenouras, brócolis e batatinhas assadas. Além disso, outros acompanhamentos: arroz branco, farofa, salada de folhas verdes com tomate, vinagrete brasileira, molho chimichurri e outra sorte de legumes assados (aspargos, pimentões, berinjelas, abobrinhas etc).

Pra quem é do vinho, uma carta contendo também rótulos catarinenses, parceria de sempre e costumeira da casa. Pra quem é da cerveja, boas opções para harmonização.

A conta fechou em cerca de R$140 sem bebidas alcóolicas.

Em breve voltarei lá para conferir também os frutos do mar. Independente do pedido, encontrar o Ponto G é sempre um prazer inenarrável.

Ponto G Brasa & Fogão

  • Endereço: R. Quinze de Novembro, 18. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 8815-0608
  • Aceita cartões: sim

Sabor da Costa: passeio de barco, excelente vista e comida boa

Conhecer a Costa da Lagoa é uma experiência incrível. Senti-me como um turista da minha própria cidade, explorando um lugar desconhecido, muito distante, mas que fica a menos de 30 minutos da minha casa. A Costa da Lagoa é uma região onde o visitante só pode chegar por barco: seja saindo da Ponte da Lagoa da Conceição, seja partindo da Estr. Geral de São João do Rio Vermelho, o caminho mais curto entre um ponto e outro.

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O sol e o calor que fizeram no último sábado foram praticamente um convite da natureza a conhecer a gastronomia daquela região, onde os frutos do mar não poderiam deixar de ser as grandes vedetes. Nem mesmo o vento que batia de través fazia os rústicos barcos, denúncia de um sistema de transporte marítimo ainda precário na Ilha de Santa Catarina, largarem seus destinos.

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Dos tantos restaurantes que habitam naquele lugar, fui até o Sabor da Costa. Excelente escolha e sugestão da Aline que sabe onde comer bem. O Jajá, proprietário e assador do restaurante, nos recebeu com uma cachaça das buenas, quase que num ritual de batismo, dos que estréiam com um trago largo pra tirar a poeira da goela.

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Dica: se você pedir, o Jajá autografa e te dá o copo de barro de recordação.

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Por falar em Jajá, não só ele mas todo mundo que atende no Sabor da Costa é bem humorado e faz questão de manter o astral do ambiente pra cima. Entre brincadeiras, piadas e causos, um show à parte da gastronomia é feito ao vivo e sem cobrança de couvert artístico.

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Boa mesmo era a comida. Entramos com estes pastéis de Siri. Não preciso dizer que é frito, né? Pastel assado é coisa de quem vai na churrascaria pra comer salada. O recheio muito bem temperado e molhadinho de um siri refogado com ervas e tomate.

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O Jajá havia comentado sobre o seu “Caviar”, e antes de pedir o prato principal pedi um segundo petisco: Ovas de tainha defumadas. Este prato consiste num par de ovas de tainha defumadas e assadas na brasa, servidas com limão cravo e, pasmem, melado de cana orgânica.

Resgatei a minha infância, é coisa de manezinho colocar melado na comida salgada. E que combinação. Não precisei de muito esforço pra comer o prato inteiro que, como entrada, serve bem três pessoas.

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Para o prato principal, escolhemos o Badejo grelhado. Havia a opção da anchova, mas anchova é coisa de turista. Bom é o badejo, peixe carnudo e saboroso, vizinho da garoupa que vive entocado nas pedras.

Assim como as ovas, foram assados na hora, na nossa frente; pudemos sentir o cheiro daquele peixe assando e atiçando, ainda que com o estômago já bem forrado com as entradas, o paladar que insistia em verter muita saliva.

Acompanha o Badejo grelhado uma porção de arroz branco, pirão de caldo de peixe e batatas fritas. Tudo muito saboroso e cumprimento bem o seu papel.

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Além de boa comida e atendimento impecável, dizer que a vista do restaurante é bonita é sacanagem. Nem mesmo o mal humor do dia a dia passa incólume a um restaurante sobre um deck à beira-mar e um dia lindo de sol.

A conta fechou em R$195 para três pessoas, que comeram muito bem e beberam bastante.

Resta o convite: o verão tá chegando, já não faz tanto frio por aqui. Visitar a Costa da Lagoa torna-se obrigação turística. Escolher o Jajá pra te servir o almoço é uma decisão mais que acertada!

Sabor da Costa

  • Endereço: Rua Geral da Costa da Lagoa, s/n. Costa da Lagoa. Florianópolis.
  • Horário: diariamente para o almoço, exceto em caso de mal tempo que impeça as embarcações de chegarem.
  • Telefone: (48) 3335-3070
  • Aceita cartões: sim

Toca do Paru: comendo um peixe com as bruxas de Franklin Cascaes

Franklin Cascaes é dos meus. Nunca chamou a cidade de Florianópolis. Florianópolis quer dizer Cidade de Floriano, o Peixoto, o marechal de ferro, que degolou uns duzentos da oposição em Anhatomirim. Três eram parentes de Cascaes e, para nós, homenagear este canalha é um erro histórico gravíssimo. Pra ele era Nossa Senhora do Desterro e Ilha de Santa Catarina de Alexandria. A bem da verdade ele nasceu em São José. O bairro de Itaguaçu na época pertencia à São Jozé da Terra Firme, como boa parte da porção continentina da cidade nos idos de 1910.

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Ele não acreditava nas bruxas, “mas que hay, hay”, e por isso relatava fielmente o que lhe contavam em suas obras. Um de seus discípulos, o Peninha, conta que no Itaguaçu aconteceu o Baile das Bruxas. Era uma reunião de tudo que era coisa ruim e, encurtando a história, não convidaram o diabo por feder a enxofre e por ser antissocial. No meio da festa ele aparece e, por não ter sido convocado, transforma as bruxas, organizadoras, em pedras.

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Essas pedras são cenário deste post. Itaguaçu quer dizer Pedra Grande e neste pequeno rincão de paraíso encontramos a Toca do Paru, um restaurante já tradicional da cidade. Se você não conhece pelo apelido do proprietário, vai lembrar de alguém que já ouviu falar do restaurante mais estreito já visto por estas plagas. Isso porque o Restaurante Toca do Paru fica num rancho de pescadores que possui 30 metros de comprimento mas menos que dois metros de largura. Neste ambiente, apenas mesas para duas pessoas e na outra parede várias fotos de visitantes, ilustres e anônimos, além da decoração baseada nos costumes locais.

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Na área externa é que acontece a mágica. Nas mesinhas de plástico em cima da simpática Rua das Palmeiras, que beira a praia com o mesmo nome, a vista das pedras do Itaguaçu e o mar da baía-Sul de Florianópolis encanta quem ali almoça. O atendimento é gentil e rápido, funciona.

A culinária é toda mané. Desde os aperitivos (casquinha e torpedinho de Siri, camarões empanados, à milanesa, ao bafo, ostras e mariscos) até os pratos principais como a Moqueca de Garoupa e o Peixe Escalado na Brasa.

Fui para experimentar o Peixe assado na brasa ao molho de alcaparras (R$85), e o peixe do dia era o Paru.

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É um legítimo Paru, ou Peixe-frade (Pomacanthus paru, que você já deve ter visto em algum aquário marinho). Ele vem inteiro, recheado com uma deliciosíssima farofa de camarões e assado na brasa, com molho de alcaparras dando um toque especial. É um peixe indicado no cardápio para duas pessoas, mas se pedir um reforço nos acompanhamentos alimenta muito bem quatro indivíduos com fome normal.

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Falar em acompanhamentos, juntos com o Paru assado vem uma salada mista, pirão de caldo de peixe, um arroz branco bem temperado e um saboroso feijão preto. Tudo isso servido em panelas de barro, que mantém a temperatura dos alimentos e o seu frescor.

Ao invés de pedir um petisco qualquer de entrada, fiz que nem todo bom ilhéu: pedi uma cachaça. Dizem os incautos que “faz mal comer de barriga vazia”. Ofereci o gole do santo e saboreei a Caninha especial do Paru com Mel e Canela. Uma cachaça feita aqui mesmo na cidade, muito boa, e que com mel e canela fica saborosíssima. Recomendo experimentá-la.

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Agora o que me deixou realmente boquiaberto ontem, é que entre um gole e outro da cachaça, a Rebecca me contava, ainda sobre a lenda das bruxas e das pedras que contei no início do post, alguns fotógrafos já registraram imagens em que, dependendo do ângulo, essas pedras formariam o rosto de uma bruxa. Não achei registro disso por enquanto, complemento quando possível, e na ocasião brinquei com ela, no meu melhor estilo ateu de ser cético. Só depois de publicar uma foto da cachaça no Instagram é que notei que dentro da bebida forma-se a impressão de um rosto de uma mulher usando chapéu.

Seria uma bruxa? Franklin Cascaes tinha razão. Las hay!

Restaurante Toca do Paru

  • Endereço: Rua das Palmeiras, 136. Itaguaçu, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3249-0593
  • Horário: De quarta à sexta-feira, para o jantar. Sábado, domingo e feriado à partir das 12h.
  • Aceita cartões: Somente débito.

 

 

Restaurante do Tonho, comida boa com as bênçãos da Nossa Senhora da Piedade

O município de Governador Celso Ramos é um refúgio. Poucos sabem, mas a pouco menos de 50km do centro de Florianópolis, uma pequena cidade cuja economia é movimentada pela pesca possui 23 lindas praias e quase todas elas ainda não sofreram fortes mudanças de balneabilidade após a chegada maciça de moradores e veranistas. Os roteiros geralmente mostram Florianópolis e Balneário Camboriú mas muitos desconhecem que entre estas duas figurinhas carimbadas dos mochileiros existe uma pequena extensão de paraíso separada da BR-101 por estradas de chão batido e alguns morros

Igreja de Nossa Senhora da Piedade
Igreja de Nossa Senhora da Piedade

Uma de suas praias ostenta o nome  da principal atividade do século XVIII. A armação baleeira que ali foi instalada mais a igreja de Nossa Senhora da Piedade, a igreja mais antiga de Santa Catarina e que hoje é patrimônio tombado pelo IPHAN, construída com ajuda do óleo de baleia na argamassa, batizam-na como Armação da Piedade, considerada por este que vos fala um dos lugares mais bonitos em que já visitou na vida.

Sou suspeito pra falar, frequento o município desde que me conheço por gente e quando ainda mal conseguia distinguir os sabores dos alimentos, mas morar na região da Grande Florianópolis e nunca ter ido almoçar no Roda Viva, no Golfinho (onde chegam as escunas saídas de Canasvieiras e que passam pela baía dos golfinhos) e tantos outros restaurantes que estão ali há décadas é uma heresia das mais graves.

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O Tonho tá ali há 30 anos. Tonho nasceu com uma rede na mão e desde sempre foi pescador profissional. Como todos os seus antepassados que povoaram a pequena Armação da Piedade aprendeu a tirar o sustento do que o mar repleto de belezas e riquezas provê. Tudo o que é vendido no Restaurante do Tonho ele mesmo quem pesca, você pode avistar das mesas que ficam na beira da praia as embarcações que ele usa pra pescar na baía, em alto mar ou ainda o bote que utiliza para atender os clientes que chegam de barco.

Tonho indo levar pedidos para as embarcações
Tonho indo levar pedidos para as embarcações

O Restaurante do Tonho encanta já na chegada. De um lado da rua o restaurante, com poucas mesas e a estrutura da cozinha.

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Do outro lado da estrada a orla da praia recebe as mesas e debaixo das árvores você saboreia a paisagem, antes mesmo que chegue o almoço.

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O cardápio é enxuto. Tem opção de carne e frango pra quem não come frutos do mar, mas é de peixes, camarões, ostras e mariscos que ele é composto.

Camarão médio a Milanesa, arroz, pirão de peixe e batatas fritas
Camarão médio a Milanesa, arroz, pirão de peixe e batatas fritas

Pedi um Camarão Médio a Milanesa. O nome é auto-explicativo, mas são camarões médios de verdade e o prato é bem servido para duas pessoas. É empanado e frito na hora, o que garante que a comida está sempre fresca e saborosa. Um ponto positivo é que diferente de alguns concorrentes, este camarão é crocante (sem passar do ponto). O prato não possui acompanhamentos, você pede separadamente (evita desperdícios e barateia a comida, ponto mais que positivo!). Para acompanhar o camarão a milanesa pedi uma porção de arroz (R$7), outra de pirão de peixe (R$7) e uma de batatas fritas (R$10).

Postas de Papa-terra fritas
Postas de Papa-terra fritas

Um outro prato simples mas que é muito delicioso e que sempre como por lá é o Peixe em posta (R$20). Postas de Papa-terra (Betara pra quem é do Sudeste) bem temperadas e fritas, que combinam muito bem com um limãozinho por cima. Pode também ser usado como aperitivo e acompanha sempre uma boa cerveja gelada.

O atendimento é bom, funciona e não demora. Por ser familiar, você é atendido ou pelo próprio Tonho ou por uma de suas netas. Todos os meus pedidos vieram sem qualquer problema e muito rápido. E, melhor que tudo, pode passar bons minutos conversando sobre pescarias, gastronomia, sobre a vida de uma forma geral com o seu Tonho, um senhor muito simpático, disposto, daqueles que fazem você matar a saudade de ter um avô.

Recomendo o passeio e o almoço. Não é longe de Floripa, é barato e você sai enriquecido deste lugar!

Restaurante do Tonho

  • Endereço: Av. Nossa Senhora da Piedade, 337. Governador Celso Ramos, SC.
  • Telefone: (48) 3262-9399
  • Horário: Na baixa temporada abre aos fins de semana para o almoço. Durante o verão abre diariamente.
  • Aceita cartões: Não
  • Estacionamento: Sim