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Teka Lanches: um lanche gostoso, um lugar inacreditável

Custei a acreditar que a Teka Lanches, um pequeno trailer dentro de um terreno no Balneário do Estreito cobertos por uma tenda vermelha ao lado de uma casa com uma cozinha de apoio, fosse tão grande. Não digo grande de tamanho, o lugar é pequeno até, se tanto tem 10 mesas dentro da parte coberta. Acomoda bem e confortavelmente todos que estão dentro mas vez por outra é necessário aguardar uma mesa.

Falo grande nas atitudes, nos conceitos. Por ser um xis geralmente tendemos acreditar que sentamos, pedimos, comemos e vamos embora. Mas na Teka, não. Há um conjunto de pequenos fatores, pequenas gentilezas que a casa oferece que fazem toda a diferença.

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Primeiro você é recebido com um chazinho. Nas noites frias faz toda a diferença, ainda mais um chá caseiro, feito de capim-limão cultivado no próprio terreno. Primeiro pequeno gesto de grande valor.

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Falar no frio, agora que esta invernia braba já começou a dar as caras ainda no Outono, mantas são colocadas nas mesas pra quem veio desprovido de agasalho necessário pra enfrentar algum vento-Sul que bater ali nas proximidades da praia. Segundo pequeno gesto da casa que mostra o cuidado e o carinho tanto da Teka quanto da Silvana, duas pessoas incríveis que pude conhecer lanchando ali.

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Ainda nas mesas, além do cardápio onde você escolher o que vai comer — e a casa conta com o tradicional xis, com cachorro-quente e com sopas (uma variedade em cada dia da semana) — gibis, livros, revistas e brinquedos desses de testar a sua memória. Não tem WiFi, já diz o aviso acima do chá, mas tem como entreter a criançada e até mesmo adultos (eu quebrei a cabeça pra montar um destes e nem percebi o tempo passar quanto o lanche chegou).

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O lanche também é muito gostoso. Diferentemente do xis no pão redondo ele vem no pão tradicional de cachorro-quente prensado. É o mesmo pão num formato diferente, por isso que o visual não é igual aos demais. Os ingredientes são os mesmos de sempre. Este Xis-Bacon estava muito gostoso. Faz a diferença a qualidade da maionese, leve, saborosa e não deixa aquele gosto residual pesado que comumente vemos. E, claro, é caseira, o que conta milhares de pontos.

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Além disso o lanche é bem servido, sendo até impossível pensar em comer outra coisa.

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Também experimentamos neste dia uma das sopas. Às quintas é servida a Sopa de Feijão com Macarrão. Assim como o lanche é bem servida e é guarnecida de pão tostado na chapa, o molho de maionese, molho de pimenta de uma marca famosa e boa e se você quiser ainda pode pedir mais cheiro-verde pra ir colocando.

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Ainda sobre as sopas, o carinho da Silvana é algo incompreensível. Sabe aquela pessoa que você mal conhece mas já se encanta pelo jeito, pelo fino trato? E juro que nem foi porque ela me ganhou no estômago, seja na qualidade da sopa que ela mesmo prepara, seja por este pequeno mimo que chegou até a mesa. Ela havia recebido uma encomenda de um creme de Abóbora com Carne Seca e ofereceu para alguns convivas uma prova, pra receber um feedback. Mais que aprovada, minha cara, assim como todo o restante da comida do lugar. Vocês estão de parabéns!

Fica agora só a vontade de voltar todos os dias da semana pra experimentar cada uma das sopas e o cachorro-quente que ainda não tive a oportunidade.

Vida longa à Teka Lanches. Lugares assim precisam ser eternos!

Teka Lanches

  • Rua Vereador Batista Pereira, esq. com Sérgio Gil. Balneário do Estreito, Florianópolis.
  • (48) 9929-8189
  • Estacionamento: sim

Japa Lanches: o xis do Estreito está de volta

Estamos nos entregando. Estamos perdendo a batalha. Os xis de várzea, o xis moleque, aquele que joga com os dois pontas abertos no campinho de areia está se perdendo. Disse isso aqui quando o Cabeça Lanches, um point pra se comer a iguaria, se juntou com o Espetinho de Ouro e perdeu sua essência. Mais ou menos nesta época surgiu o Cabeça II, que ficava um pouco mais a frente, liderado pelo ex-chapeiro da matriz, o famoso Japa, um dos estandartes da incrível arte de juntar salada, carne e queijo dentro do pão.

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Por algum motivo a casa não deu certo, ficou apenas a junção do xis com porções astronômicas de camarão à milanesa e, sabemos, que quem faz de tudo não faz nada.

Mas há uma luz no fim deste túnel: O Japa Lanches.

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Estive recentemente na loja recém aberta pelo Japa, na Aracy Vaz Callado, e pude reviver o sonho de comer aquele xis que outrora alimentava minhas sextas-feiras. Emocionado cheguei até pedir batata-frita, coisa que só faço no Burgão, que é de onde vem outro chapeiro do Japa. Lá ele era garçom, agora ele divide a chapa com o mestre.

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A casa é pequena e aconchegante, fica onde um recém falecido café tentou trazer a gastronomia pra uma das mais tradicionais ruas do Estreito, e agora torcemos que nela o Japa emplaque o primeiro estabelecimento de sucesso.

japa-lanches-xisNa mesa, com meus fiéis companheiros Everton e Samantha, a única primeira-dama do Comideria em exercício (#oportunidade), pedimos três xis: xis bacon, xis egg e xis mignon. É no xis burger que esta comida se revela, se o hambúrguer é bom, o queijo é de boa qualidade e o pão macio e saboroso, então temos jogo. Ademais, é milho, ervilha, tomate, alface e batata-palha, não tem erro ao seguir este script básico.

japa-lanches-batata-fritaA maioense (e sempre ela decidindo a partida aos 47′ do segundo tempo com gol de mão e impedido) é caseira, não deixa a desejar e é bastante saborosa. Leve (a quem quero enganar? meu cardiologista? nutricionista?), temperada e à vontade. Nada de copinhos e palitinhos de plástico, é na bisnaga como deve ser.

japa-lanches-cardapioOs lanches são servidos nas opções “médio” e “grande”, e seus preços variam de R$12 (xis salada médio) até R$20 (o mignon grande).

Ademais, é achar uma vaguinha na Aracy pra estacionar e aproveitar a volta de um dos melhores xis do bairro, iguaria tão raramente saborosa e que agora está de volta!

Japa Lanches

  • Rua Aracy Vaz Callado, 1093. Estreito, Florianópolis.
  • (48) 3365-1081
  • Aceita cartões

Hamburgueria São José: novo bom burger na terra do cachorro-quente

Sempre digo aqui que São José é a capital nacional do cachorro-quente. Embora seja uma piada com a cidade da região metropolitana da Florianópolis que hoje resido, ela faz sentido: a cada esquina do município existe um carrinho com a iguaria. Isso não seria um problema se eu gostasse do hot dog abrasileirado, se eu suportasse a maçaroca de ingredientes e pudesse, todavia, comê-lo deliberadamente.

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Pouco tempo atrás ainda escrevi sobre a vinda de novas casas de hambúrguer que parece ser a nova “moda” aqui na região, e que isso era bom pro mercado. Dá opção de escolha pra quem busca um lanche um pouco mais saboroso que enlatados dentro de um pão com salsicha cozida. Foi assim a descoberta do Boi Burger, é assim agora com a abertura da Hamburgueria São José.

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Dia destes fui na Feirinha da Freguesia, que acontece todo segundo domingo de cada mês na praça do Centro Histórico de São José, e além de várias atrações como artesanato, feira de antiguidades e apresentações artísticas, há algumas bancas de comida ou food trucks. O próprio Yakisoba da Ponte, outro gigante na comida de rua, participa do evento. Lá conheci um hambúrguer de costela que era feito numa churrasqueira de latão, montado com cebola, alface, queijo colonial e o pão tinha pequenas lascas de parmesão. Foi um almoço saboroso, nutritivo e preguiço de domingo.

Isso foi apenas uma amostra do que a casa fixa deles oferece no bairro Campinas. A Hamburgueria São José conta com 7 lanches no seu cardápio. Atende os mais diversos gostos: carne, frango, bacon, linguiça… nos de carne dá pra escolher entre fraldinha ou costela, por exemplo.

O preço varia entre R$15 e R$19 e serve bem uma pessoa. Cada lanche é acompanhado de uma porção de batatas fritas e molho de maionese caseira temperada, aquela verde, indispensável quando o assunto é carne e queijo dentro do pão.

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Eu fui de Costela, de novo, em time que está ganhando não se mexe. Pedi o mesmo pão com o tal queijo parmesão por cima. Pão macio, folhas de alface frescas e crocantes, cebola roxa dando a acidez que todo bom hambúrguer pede e o molho coroando a refeição. Além de maionese, barbecue, mostarda e ketchup industrializados, mas de boas marcas.

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Meu querido sócio Everton Veber foi de Linguiça Blumenau. Aliás, aqui abro um parêntese: burger continua sendo sua jurisdição. É a especialidade deste nobre rapaz, maior conhecedor deste prato não há. Porém como ele está na sua série sobre Buenos Aires e cabe a este humilde blogueiro acompanhá-lo nas descobertas, abriu a mim cancha pra deliberar sobre o assunto. Espero que ele dê seu aval nos comentários depois. Blá-blá-blá ele comeu o Hamburguer de Linguiça. Mistura de carne com linguiça blumenau, também experimentei e estava bem saboroso. Não há um sabor muito forte da linguiça, até porque ela dominaria todo o gosto do lanche. E, claro, precisa dar volume ao bife.

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Todos os bifes de hambúrgueres vieram ao ponto para bem passado, se você gosta de carne ao ponto não custa pedir ao churrasqueiro. Ah, não falei? Pois é, os hambúrgueres são assados na brasa, por isso a confecção dos mesmos pode levar alguns minutos a mais do que um feito na chapa. O tempo é irrisório e compensa no sabor que é muito melhor.

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O atendimento é perfeito. A Samanta, uma simpática atendente não só nos trouxe todos os pedidos de forma muito simpática e certeira como não deixava que esperássemos muito por eles. Até alguns joguinhos de passatempo ocupavam nossas famintas cabeças enquanto aguardávamos ou comíamos. Rara no mercado, Samanta chega a parecer proprietária da lanchonete, tamanho o seu afinco em defender o produto que vende e o serviço que presta. Atendimento nota 10.

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Por fim resta recomendar mais este hambúrguer delicioso aqui na cidade e torcer pra que cada vez mais coisas novas como esta apareçam para nooooossa alegriaaaaa.

Hamburgueria São José

  • R. Altamiro di Bernardi, 26. Campinas. São José, SC.
  • (48) 8495-9694
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Cabeça Lanches: outro ambiente, outro endereço, outra qualidade

Se você clicar no meu nome no final deste post verá que dos quase 250 posts que escrevi pra este blog existe um padrão para a publicação:

  1. A experiência foi boa, o restaurante é indicável e tem mais pontos positivos que negativos;
  2. A experiência foi desastrosa. Não foi medíocre, foi um desastre o que aconteceu durante a visita.

Digo isso porque depois de três anos escrevendo sobre experiências gastronômicas algumas situações podem mudar este padrão. A primeira são restaurantes que antes não promoviam uma boa experiência, e N fatores entram na justificativa dessa mudança, inclusive o fato de o dia da visita ter sido um péssimo momento para o cozinheiro; e a segunda é que restaurantes que antes indicavam mudam, e pra pior. Talvez ainda não sejam desastres, mas a justiça precisa ser feita, ainda mais quando é meu aval e minha palavra que estão em jogo.

Coisa de cinco meses atrás tive a oportunidade de voltar ao Cabeça Lanches. A experiência foi ruim, o lanche ficou menos saboroso, menos recheado e mais caro. Depois retornei novamente, o lanche voltou pra padrões aceitáveis e mantive a opinião em deixá-lo no TOP 5 Xis de Floripa, até porque uma segunda lista ainda levaria tempo pra ser preparada e com a deficiência de Florianópolis nessa área ele ainda elencaria os melhores na minha modesta opinião (acredite, os melhores xis hoje estão em São José).

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Ontem retornei à casa. Não era a mesma casa. Recentemente o Cabeça Lanches começou a dividir um espaço com o Espetinho de Ouro, pra quem ainda não conhece, um restaurante especializado em porções e refeições cujo protagonista é o camarão e numa concorrência acirrada com o Boka’s, há anos briga por quem serve a maior e melhor porção da cidade. A qualidade não é grande característica destes tipos.

O endereço também não é o mesmo. Apesar de ser na mesma rua, a casa agora ocupa um espaço maior, no outro lado, onde antigamente funcionava a revenda de carros Super Auto.

Cadê o hamburguer, gente?
Cadê o hamburguer, gente?

E a qualidade? Infelizmente também mudou. Não caiu a ponto de dizer “eu nunca mais volto lá”, mas pra quem viveu os tempos áureos do Cabeça, dizer que é o mesmo lanche seria incorreto de minha parte. Nota-se que o lanche continua do mesmo tamanho, tanto a versão “médio” quanto a “grande”, mas o recheio tem sua composição alterada. Enquanto antes um robusto e saboroso hamburguer era a atração principal do lanche — e não poderia deixar de sê-lo, agora um matagal de salada cresce sem nenhuma poda entre duas fatias de pão que não é mais aquele “fofinho” de priscas eras.

Me coma logo, vamos acabar com esse sofrimento!
Me coma logo, vamos acabar com esse sofrimento!

Talvez na foto do Xis Bacon e do Xis Alcatra acima você não tenha notado, mas agora vai se admirar quando reparar no interior de um Xis Burguer. Um pedaço de carne apático, pedindo pelo amor de santo Cristo pra ser consumido logo e dar fim no drama de ficar perdido no meio do pão e do queijo.

Há que se destacar mais uma vez que o Xis ainda está na frente de outras dezenas de concorrentes, mas muito provavelmente não entraria numa lista de TOP 5 aqui no blog.

Ao insatisfeito, as batatas!
Ao insatisfeito, as batatas!

A maionese caseira, outro ponto forte da casa, continua boa. Agora até menos salgada que antes, deixando os clientes hipertensos um pouco mais felizes (jesus, quem eu estou querendo enganar aqui?).

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O ambiente está mais amplo, mas a estrutura promove muito barulho. Em dias em que a casa está lotada é possível notar que ela é mais Espetinho de Ouro que aquele ambiente modesto e confortável do Cabeça antigo, do lado da Pet Shop. As mesas de plástico deram lugar às mesas de madeira, ponto positivo pra casa. Quem passa da primeira arroba de peso sabe o quão isso é importante.

O cardápio mais robusto. Agora além dos xis, e das porções de 6 unidades de pastéis, uma infinidade de pratos com camarão, carnes, peixes etc.

Ademais, resta lamentar que o gigante caiu mais uma vez, mas talvez seja questão de tempo (inclusive este post também tem esta intenção) de que a qualidade seja recobrada, e dizer que, neste momento, este blogueiro não mais indica o Cabeça Lanches como um xis moleque, de várzea, que joga com os dois pontas abertos num campo de areia.

Chopperia Cabeça Lanches e Espetinho de Ouro

  • Endereço: Rua Coronel Pedro Demoro, 1910. Estreito, Florianópolis.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Dauri Lanches: resistindo ao tempo e exportando chapeiros

Já tentei, mas não consigo ir no Dauri sem o sentimento nostálgico da primeira lanchonete onde lambuzei os beiços com maionese caseira. É impossível não lembrar da cena do meu paladar se abrindo pra esta iguaria maravilhosa que é um bom xis arte, xis moleque, de várzea. Como no Fantástico Mundo de Bob, diversas cenas, só que reais, me vêm a cabeça, como a da porção de “miudinhos”, como meu pai chamava, um sem-número de corações de galinha grelhados na chapa e dispostos sob um pequeno monte de farinha de mandioca, fatias de limão taití e folhas de alface, tudo isso comportado numa pequena travessa duralex, com cor característica da marca nos anos 90.

Em formato de drive-in, o que aqui chamamos de “drive”, era possível comer no carro ou nas mesas de madeira com bancos inteiriços para cerca de 4 pessoas, uma espécie de versão rústica dos restaurantes sessentistas americanos de fast-food, coberto com uma lona característica destes antros de perdição gastronômica. O estacionamento do supermercado Comper recebia desde famílias querendo uma refeição nada saudável, grupos indo ou vindo de alguma “night” (balada era um termo ainda não cunhado na época) e torcedores do Figueirense em passagem ao Estádio Orlando Scarpelli, o grande e majestoso vizinho, que em dias de jogo esgotava suas garrafas servindo “maracujazinho a 1 real”.

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O Dauri infelizmente faleceu por estes tempos. Antes, porém, teve que se mudar para a Praça Renato Ramos da Silva, atrás do saudoso Colégio Aderbal Ramos da Silva, onde este que vos escreve concluiu o primeiro e se formou no segundo grau. A praça que já viu este humilde blogueiro jogar seu futebol moleque nas aulas de Educação Física do professor Geraldo agora comporta um playground pra gente de todas as idades, está bem iluminada, tem um posto da Polícia Militar e no seu coração o entupidor de artérias conhecido como Dauri Lanches.

Perdeu-se um pouco do charme que antanho, embora o lugar esteja mais bonito. Perdeu a graça de estacionar o carro no amplo estacionamento do supermercado e pedir o lanche no carro, com aquelas bandejas metálicas adaptadas para os vidros do veículo. Perdeu-se grandes chapeiros que viraram lendas e até hoje mostram todo o seu potencial, como o Eduardo que hoje tem negócio próprio no Bar do Casinho, ali nas redondezas, ou o próprio Cabeça, do Cabeça Lanches que hoje já comprou até o Burgão, em São José. Foram-se garçons para algum lugar do mundo onde o Sol brilha mais fraco, mas não perdeu o orgulho nem a dignidade: ainda é um grande xis. Não é o mesmo de sempre, admito, talvez este texto lhe cause grande expectativa. Mas é digno e recusa-se cair no ostracismo das velhas lanchonetes da cidade.

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Na noite do último domingo comi um Xis Galinha com Calabresa. Pedi Xis Galinha com Bacon, o lanche que aprendi a comer com minha mãe neste mesmo lugar, mas o bacon estava em falta. OK, a dignidade se foi por um instante, mas o Dauri tem a licença poética comigo. A foto mostra um Xis Alcatra, igualmente saboroso.

Uma boa novidade é que agora além da maionese tradicional temos a versão verde. Ou seja, se maionese caseira é bom, imagina poder escolher entre maionese caseira e maionese caseira com cheiro verde. Traz uma porção de alface pra comer com maionese aí, tio!

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O restaurante em um espaço pequeno por dentro, mas no seu entorno a praça se faz um palco com mesinhas de plástico, típicas de xis, podendo saborear o seu lanche ao ar livre nas calorosas noites de verão do Balneário do Estreito.

Um pequeno pedaço de paz e tranquilidade na “pracinha do Balneário”, onde os velhos dali já elegeram para o seu diário dominó, em meio a um bairro em constante evolução, cuja erupção de prédios e gigantescas construções nada ofuscam a nostálgica sensação de comer no grande, resistente e atemporal Dauri Lanches.

Dauri Lanches

  • Endereço: Av. Santa Catarina, 1197 (Praça Renato Ramos da Silva). Balneário do Estreito, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3248-9993
  • Aceita cartões: sim

Bernino: batata da Suíça para os “Alpes” palhocenses

Fiquei bastante impressionado ao chegar no Bernino. Primeiro porque o lugar em que está instalado é muito bonito e tem um conceito bacana. O Passeio Pedra Branca é um shopping a céu aberto com um mix de variedade comercial grande, onde você pode aliar um passeio com a família, gastronomia, compras e cultura, já que o lugar tem apresentações artísticas semanais. Todas as lojas ali contidas têm um conceito arquitetônico e funcional que se encaixam com o todo, não estão ali à esmo, como um shopping comum. Empreendimentos comerciais já estabelecidos e renomados na cidade estão ali pra comprar esse alto grau de qualidade que o Passeio propõe, como o Primavera Garden, o Supermercado Hippo entre outros.

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O Bernino também segue esse grau de conceito, tem uma arquitetura inspirada na Europa e traz até na logomarca as vertentes da sua razão de existir: os montes que representam a Bolívia, de onde origina seu principal ingrediente; a Suíça, berço da rõsti; e a Pedra Branca, onde está situado. O lugar é muito aconchegante, come-se com os olhos desde a decoração e tem um atendimento muito, mas muito gentil e simpático.

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O único “porém” do lugar é que parece ter nascido de 7 meses. Prematuro em todos os quesitos, como cardápio que ainda não estava pronto e chegou modificado aos 45 do segundo tempo na hora de escolher a sobremesa, ou o fato de não termos todos os ítens do menu disponíveis para pedido. Falta ainda um entrosamento entre os garçons e a cozinha, pedidos vêm errados (a batata rõsti de camarão se transformou num risotto de camarão e bechamel), a cerveja especial Coruja Extra Viva que têm uma temperatura de serviço não foi servida com um balde de gelo para manter-se saborosa, e mesmo depois de pedir  ao garçom acabou demorando pra chegar, ficou no balcão contemplando a belíssima arquitetura do restaurante por alguns minutos. Pratos vinham à mesa sem necessidade e alguns erros pontuais de serviço como este.

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De qualquer forma há uma grande diferença entre o erro e a persistência no erro. Tenho visto muitos restaurantes errarem do primeiro ao quinto, inclusive uns ali na própria Pedra Branca que já citei aqui, e mesmo após uma reclamação do cliente agirem como se fossem pombos jogando xadrez (joga errado, caga no tabuleiro e sai de peito estufado derrubando as peças achando que tá com razão). Se o Bernino ainda tem erros a serem consertados, e eu imagino que serão num curto espaço de tempo, há um elemento muito nítido e, de certa forma, recompensador: o esforço dos envolvidos. Cada membro da equipe reconhece o ponto negativo e se esforça para resolvê-lo de forma muito gentil, educada, altiva, elegante… Não há grosserias, assim como não parecem que estão fazendo por obrigação naquele linguajar irritante (Sim Sr., Não Sr., Talvez Sr., Vamos estar providenciando Sr.  ..), são queridos por natureza.

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Se o atendimento ainda é prematuro, a cozinha nasceu de 9 meses, parto normal e passa muito bem. Apesar de não ter o cardápio todo disponível ainda, e estarmos limitados a pedir Batata Rõsti e Risottos, gostei muito do que comi.

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Eu pedi a batata, claro, queria ir direto no cerne do restaurante. Veio conforme manda o figurino. Frita na medida, sem sobrar gordura, mesmo tendo o recheio um tanto quanto gorduroso (pedi a de Bacon com Requeijão). Crocante enquanto possa ser, gostosa do início ao fim. Veio rápida a comida, não demorou mais que 15 minutos para chegarem nossos pedidos.

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Experimentei também o risotto e fiquei bastante impressionado. Ingredientes muito bem escolhidos, não colocam qualquer coisa que fique escondida sobre o monte de arroz, pelo contrário. Tanto o de cogumelos quanto o de camarão vinham com bastantes ingredientes. O arroz estava no ponto, outra coisa que também é difícil acertar nos restaurantes que servem a iguaria. Não estava duro, mas também não estava molenga. Estava no ponto ideal de um bom risotto, al dent. Saboroso, é claro.

Encerramos a refeição com uma sobremesa pra lá de interessante: Doce mais Doce. Já diria a nossa poeta dos baixinhos: “Qual é o doce mais doce que o doce de batata doce?”

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É claro que é o doce de batata doce. Sem dúvida. Bolinhas de purê de batata doce camarelizadas no açúcar. Muito doce. Para paladares como o meu, sedentos por açúcar, que não permitem que uma sobremesa seja tudo que não doce.

O preço achei honesto. Parece de primeiro momento um pouco salgado, mas leva-se em conta todo o contexto do restaurante. O conceito Passeio Pedra Branca não é barato, vejo o lado do comerciante neste caso. Sustentabilidade ainda custa caro. A batata custou R$19, a cerveja cerca de R$25 e o risotto R$30. Um ponto interessante é que o restaurante não cobra 10% de serviço. Há uma pequena maquininha no balcão onde você dá a “caixinha” do pessoal, caso queira.

No fim das contas foi uma experiência muito interessante, e certamente voltarei lá pra ver o atendimento funcionando perfeitamente um dia.

Bernino Batata Gourmet

  • Passeio Pedra Branca. Cidade Sustentável Pedra Branca, Palhoça/SC.
  • Horário: de segunda à domingo, das 11h às 23h.
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim
  • Estacionamento: sim