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Café das Meninas: um excelente prato feito no Estreito

Há alguns meses parei de trabalhar apenas em home office. Mantive em casa meu escritório pra ter a opção de me focar, imergir no trabalho alguns dias do mês, mas precisava de novo da experiência de ter colegas de trabalho, um escritório fora, me arrumar e sair do ambiente em que durmo. Depois de 8 anos neste modelo tão cobiçado mas muito supervalorizado, estou novamente num ambiente corporativo.

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Uma das prerrogativas de se trabalhar no modo tradicional é almoçar fora de casa quase sempre. E com isso o velho dilema de enjoar dos buffets, das comidas que não se parecem com a sua, de escolher um lugar e preencher um cartão fidelidade onde comprando 10 almoços ganha mais um. Mais do mesmo quase sempre.

Ontem estava caminhando pela Fúlvio Aducci e relembrei do Café das Meninas. Eu nunca havia entendido muito bem do que se tratava, embora o nome seja meio óbvio. Funcionava o dia todo?  Servia o quê? Só o conhecia de passagem e geralmente estava fechado nos horários em que o via. A Michele, proprietária da casa e quem atende no caixa, tentou me explicar, mas eu só entendi mesmo como funciona agora: abre das 11h ás 14h30, somente pra almoço ou um café espresso. Simples assim.

Simples também é o cardápio: todos os dias uma opção diferente em forma de prato feito, menu executivo, ou como vocês costumam chamar um prato servido pronto. Na terça passada eles serviram Virado a Paulista, por exemplo, além de grelhados que estão sempre disponíveis (bovino e frango).

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Dia destes quando almocei com meu sócio Gilberto, também conhecido nas adjascências como Homem Planilha, o prato do dia era Bife Acebolado. E este foi o pedido. Bife Acebolado, acompanhado de batatas fritas, arroz (escolhi o integral mas dá pra pedir o arroz branco) e farofa.

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Bife macio, sabe? Grelhadinho de respeito, com a cebola no ponto certo. Como disse, simples, mas uma comida muito saborosa. O fato de a carne ser feita na hora e servida juntamente com o arroz e os demais componentes do prato fazem toda a diferença.

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Mas não é só isso. Os R$18 que você paga no almoço ainda lhe dão direito a um buffet de saladas e a uma panela de barro ostentando um feijão muito gostoso.

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O interessante é que você pode ir servir uma salada, exatamente do jeito que eu gosto de comer salada, antes do carboidrato e da proteína, enquanto seu prato é feito na hora. No dia as opções eram estas da foto. E tinha macarronese! Macarronese é tipo aquele abraço de mãe em forma de comida, sabe?

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O ambiente é muito simpático. Acolhedor. Aconchegante. Não tem aquele cheiro de comida sufocante como nos demais restaurantes de almoço da região nem tampouco te expulsa assim que você termina. Dá pra tomar um espresso se você tiver com tempo e vontade.

O atendimento é igualmente excelente. Quem nos atendeu o fazia de forma alegre, esforçada, toda a experiência foi perfeita. Pode não parecer nenhum prodígio pela simplicidade da comida, mas engana-se quem acha que um prato feito de qualidade envolve pouco esforço e esmero no preparo. Vai rodar os restaurantes por aí pra tu ver!

Mais que recomendo.

Café das Meninas

  • Rua Fulvio Aducci, 756. Estreito. Florianópolis.
  • (48) 3207-8850
  • Aceita cartões

 

 

Peña del Sur: uma parrilla for de campeira

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Já havíamos comido e todos no restaurante estavam satisfeitos acompanhando o som do músico Branco, que às sextas-feiras faz sua apresentação na casa. Entre Zé Ramalho e Chico Buarque também cantava uma que outra da Mercedes Sosa, o que já era prenúncio do que estava por vir. Então o Eduardo, proprietário e parrillero, que já havia dado o seu show nas carnes nos servindo excelentes cortes e acompanhamentos se abraçou ao violão e dedilhou uma milonga. Era Flor-de-campeira o nome da música, já conhecida na voz do Cristiano Quevedo, um dos artistas que acompanho nessa xucra música do Rio Grande do Sul. Se a comida já havia agrado, e muito, agora estava transcendendo na visita ao Peña del Sur.

Já havia notado que a casa, além de sua comida, tinha um forte apelo às tradições latinomaricanas. A própria parrillera tem as incrições “Gracias a la vida”. É uma música da chilena Violeta Parra que também imortalizou-se na voz de Mercedes Sosa.

E eu, que já havia me emocionado com uma simples frase em cima de uma churrasqueira uruguaia queimando brasa, tive que esconder uma que outra lágrima quando o chef cantou “Zamba de Mi Esperanza”. Pensei comigo: “qual é? Isso é Santo Antônio de Lisboa, um antro cultural de Florianópolis, mas ouvir La Negra sem estar em Tucumán ou Los Chalchaleros sem precisar ir até Santiago Del Estero, relativamente do lado de casa, é demais pra mim”.

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Isso tudo porque os ex-bancários Ana Paula e Eduardo deixaram sua terra natal pra investir em um gosto pessoal: a cozinha e o churrasco uruguaio. E eles não poderiam ter acertado mais. A casa é linda, bem decorada, aconchegante e te faz querer ficar horas ali comendo um queso parrillero, uma carré de cordeiro… ouvindo boa música, bebendo um vinho ou uma cerveja argentina, conversando com pessoas incríveis e acolhedoras, aproveitando cada segundo dessa experiência que envolve muito mais do que alimentar o corpo: saciar a alma.

Poderia dizer que a comida faz parte da experiência que se tem no Peña del Sur, e não é a única. Mas como aqui a intenção é falar dela, deixo essa prosa de quem muito se agradou pelo conjunto da obra e vamos falar da bóia.

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O cardápio é simples e tudo é feito na parrillera, tirando as saladas e sobremesas, evidentemente. Ele divide-se em gado, porco, linguiças, diversos e miúdos. Numa parrilla tradicional não existem acompanhamentos fixos, você pode combinar o que quiser. Eu pedi de entrada uma linguiça mignon e o pão com chimichurri. Linguiça de carne suína pura, uma delícia se assada numa dessas churrasqueiras. O pão levemente crocante e saboroso coberto pela combinação de ervas mais degustada nos nossos vizinhos fronteiriços. Todos os pratos da casa são acompanhados por farinha e salsa criolla.

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Depois comi o Queso parrillero, aquela famosa provoleta que onde é servido é sempre campeão de vendas. Um provolone delicioso, de boa procedência, com ervas garantindo seu sabor e aromas.

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Experimentei também outra figurinha carimbada das parrillas: a molleja. Molleja é o timo assado na brasa, uma glândula endócrina da rês que acompanhada de sal e limão, assim como assim, têm uma textura gordurosa e muito, mas muito saborosa.

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Meu prato principal foi o Carré de Cordeiro. Cinco generosos carrés da ovelha jovem, prato delicadamente decorado, também bastante aromático pelas ervas e pelo alecrim que o adorna. No ponto delicioso de se degustar um cordeiro, maciez e sabor.

Ainda experimentei outros pratos que meus fieis companheiros de comida e música gaudéria Everton e Samantha pediram e compartilharam. Essa é a sina do blogueiro de gastronomia, evidentemente.

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Teve Contra-filé

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Papa 3 quesos, que é uma batata cortada ao meio e assada no papel alumínio com gorgonzola, provolone e catupiry. Deliciosa!

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Teve o Assado de tiras, outro bastante conhecido de allá, um jeito diferente do nosso de comer costela bovina.

Do início ao fim, todos os pratos me agradaram e sequer têm alguma reparação a ser feita. Perfeito serviço, perfeita comida, perfeito atendimento feito por dois garçons muito gentis e competentes, que transformaram nossa visita ao Peña del Sur a mais perfeita possível.

O preço é bastante honesto, comemos bastante por algo em torno de R$90 por pessoa. Quase de graça. A casa não cobra couvert e, sou suspeito pra falar, mas dá um banho no quesito música.

Há muito um restaurante não me emocionava. Não garanto que vá te emocionar pelos mesmos motivos, se falo aqui de um gosto por uma cultura bastante específica. O que posso enfatizar é que uma experiência lá é agradável, saborosa e com preço justo. De sair lambendo os beiços e com o coração leve.

Gracias à la vida, gracias aos proprietários, gracias aos músicos e gracias aos garçons!

Peña del Sur Assados de Parrillada

  • Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 568. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 3236-5145
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Food Park Presidente Kennedy: a revolução da comida de rua

Sei que o título deste post parece um tanto quanto sensacionalista, visto tudo o que tem se falado por aí sobre os famigerados food trucks. Eu sinceramente não acho que food trucks sejam a oitava maravilha do mundo que se alimenta pelo simples fato de estarem sobre rodas. Comida boa e comida ruim pode se mostrar de qualquer jeito. Mas o Food Park recém instalado em São José, cidade que este humilde escriba hoje reside, me traz bastante entusiasmo.

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São José é conhecida como a capital da cachorro-quente. Na verdade não é, mas eu insisto em forjar este apelido porque embora tenhamos excelentes representantes de comida de rua mesmo no tradicional quitute gringo abrasileirado, em cada esquina mais do mesmo se repete. Falo de revolução da comida de rua e linko ao Food Park recém formado porque lá é possível chegar de Havaianas sem qualquer constrangimento e comer comida digna de grande chefs. Por revolução quero dizer que eles mudam conceitos, quebram paradigmas (por mais que a expressão seja batida), aproximam o seu público do seu trabalho de maneira muito intimista trazendo uma experiência gastronômica bastante rica pra quem estaciona na frente da Vox Multimarcas.

E por falar em Vox Multimarcas, aqui fica meus parabéns pra esta empresa revendedora de carros que abriu cancha pra essa turma mostrar sua arte em seu pátio. Isso, turma, food park é a reunião de food trucks num espaço em comum.

Dito isso, vamos falar de comida?

Pois é. Tudo começou com Yakisoba. Foi o macarrão chinês bordado de carne, frango e legumes com molho oriental e aqueles rolinhos fritos, os harumakis, que abriram picadas na Av. Presidente Kennedy servindo um rango dos deuses. Foi pelas mãos do Carlos Barufe e da Jaqueline Nanon que o ainda embrionário Food Park Presidente Kennedy começou.

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O Yakisoba é talvez a comida de rua mais bem servida que eu tenha visto. É possível matar a fome de outras vidas pedindo um destes pratos, seja de carne ou de frango, seja até o vegetariano e quem dirá o novo e especial com molho Teriyaki. Bem servido e saboroso, diga-se de passagem. Você come inteiro pra não perder a oportunidade e volta pra casa rolando e dando risada por ter enchido tanto a pança por tão pouco dinheiro.

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Um Harumaki de chocolate é uma boa pedida pra fechar a refeição (se você for valente ou dividir o Yakisoba com alguém). Pode levar pra viagem, se for o caso, pra quando o efeito “jibóia” passar.

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Depois se arrinconou o Black Box. Sempre tive curiosidade pra experimentá-lo, as intermináveis filas nos eventos de Food Trucks pela cidade jamais deixaram. Foi ali mesmo no Food Park que começou nosso relacionamento gastronômico. Uns dizem: “ah, mas pagar 15 reais por um cachorro-quente!” Depois de passar a vontade de dar um tapa na cara dessa pessoa, sempre explico a leitura que EU faço: “não é cachorro-quente”. O Black Box Hot Dog Premium traz um conceito parecido do Hot Dog americano (pão e salsicha, assim como assim). Neste caso, um toque de sabor com a Linguiça Blumenau, por exemplo, no caso do Satisfaction — os lanches recebem o nome de clássicos do Rock n’ Roll, do molho de mostarda e do molho vermelho, cebola crispy e queijo parmesão ralado. Lanche também muito bem servido e igualmente saboroso.

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O Food Truck é muito lindo, pra começo de conversa. Isso já funciona como um ímã que aquela caixa preta de metal atrai. A higiene do carro, o cuidado no preparo e a diversidade do cardápio dificilmente fazem você dar um passo atrás. Sem contar a gentileza do Jean do Dérek, que explicam cada detalhe da comida como se estivessem concebendo a receita na hora.

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Nesta semana chegou o tão esperado Ribs Food Truck. O Ribs é projeto antigo do Fernando Giusti que já trabalhou na cozinha mais sofisticada de São José, conheceu comida rápida em outros ares e agora junta toda a sua bagagem pra oferecer hambúrguer. O Ribs fecha essa tríade de comida salgada de maneira bastante deliciosa. Ribs é o nome do Food Truck e também batiza o carro-chefe composto de hambúrguer de costela defumada, pão especial, queijo, alface, tomate, pickles, maionese do Chef e mostarda vinda lá dos pagos do Sul.

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Olho no lance pra não perder nenhum detalhe deste sanduba.

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E já fica a dica pra que você não arrede os pés deste Food Park sem experimentar a Rabiosa. Além do Hambúrguer de Costela o Ribs oferece uma batata frita com corte especial que vem muito bem temperada à mesa (finalmente alguém temperou batata, gente!), chega a ser possível comer junto os raminhos de alecrim que dão cheiro e sabor inigualáveis. O molho de pimentas frescas desenvolvido especialmente pra esta iguaria, levemente picante (que dá bastante sabor mas não queima a boca de quem não é acostumado) também merece meus aplausos.

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Fecha o quarteto fantástico uma opção de doces. Como diz o manezinho “é bom pra tirar o travo”. O Sweet Road faz doces especiais e boa parte deles é inspirada no brasileiríssimo brigadeiro. Eu experimentei dois deles, o brigadeiro de Oreo (tudo com Oreo fica bom, anotem) e o brigadeiro de paçoca. Gostei destes pois pois eles não são só uma massa muito doce. Eles têm em sua composição ingredientes que o fazem ficar saborosos sem ser adocicados em demasia. Mas nem só de brigadeiros vive o Sweet Road: doces especiais com frutas, casquinhas de sorvetes e até brownies pintam por lá dependendo da inspiração do chef patisseur.

Vocês já se cansaram de tanta comida ou guardaram um espacinho pra Kombi mais charmosa da cidade?

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Bom, ainda tem mais. Tem as folgas da galera. E quando um folga, outro convidado de honra aparece. Aqui cito um Food Truck que não é o Chitãozinho nem o Xororó mas me deixou 60 dias apaixonado. Com o perdão do trocadilho idiota, e com o ritmo que não é o da casa, a Janis Gastronomia traz a Kombatata até o Food Park quando o Yakisoba faz sua parada de descanso às sextas-feiras. Pratos batizados com nomes de astros do Rock, temos no palco da Vox o escondidinho de frango que é feito com mandioca e queijo coalho.

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Uma delícia!

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O prato principal é sempre a Kombatata. Esta que comi foi a Hendrix, base de batata, camarão, alho poró, requeijão, farofa de limão e manjericão. Uma delícia de tirar o chapéu e pagar o ingresso renovo. Em alguns eventos de Food Trucks a Arieli Secco prepara a kombatata em forma de sanduíche pois a necessidade do lugar pede algo portátil, mas no Food Park da Presidente Kennedy tem mesinhas onde a kombatata pode ser ela mesma sem medo de ser feliz. E ser gostosa.

Muito bacana ver essa gente linda, elegante e sincera fazendo boa comida, com o brilho nos olhos e sem saber que os livros de história dedicarão no futuro páginas e mais saudosas páginas sobre a gastronomia destes tempos. Que época boa pra se viver em São José, meus queridos leitores. Que época boa pra frequentar a Av. Presidente Kennedy e descobrir novos sabores.

Food Park Presidente Kennedy

  • Av. Presidente Kennedy, 789. Kobrasol, São José/SC.
  • Estacionamento
  • Alguns aceitam cartões

Boi Burger: o democrático sanduíche com carne da churrasqueira

Se é com muita dificuldade que exercemos a democracia nas urnas, agradar esquerda, centro e direita, também não é fácil agradar o público da comida. Mas se não podemos ser unânimes em quase nada, podemos promover espaços que facilitem isso. Localizado dentro de uma quadra de futebol suíço em São José está o Boi Burger, que recebe tanto quem está ali pra praticar esportes, tomar uma cerveja com a turma da pelada, quanto ao forasteiro que é cativado a sentar-se e apreciar a boa gastronomia do lugar. Assistindo ao futebol ao vivo pela TV, presenciando uma partida amadora ou mesmo congraçando com a simpática família de proprietários, tanto faz quem ganhou ou perdeu, no futebol ou na política, a vitória é sempre do estômago.

Avaí ou Figueirense, Esquerda ou Direita, pouco importa...
Avaí ou Figueirense, Esquerda ou Direita, pouco importa…

Era véspera das eleições e meu estômago clamava por comida enquanto a cabeça ainda não havia decidido em quem votar. A promessa era de comida boa então demos o voto de confiança, afinal assim como a tão ansiada Nova Política, nova gastronomia não faz mal pra ninguém. Ainda mais quando é boa.

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Uma coisa me chamou muito a atenção logo aos 10 minutos do primeiro tempo: a gentileza e a preocupação com a estada dos comensais na hamburgueria. Mal havíamos fechado a boca após fazermos os pedidos, chega na nossa mesa uma pequena porção de batatas fritas sob o pretexto de que o lanche poderia demorar um pouco, então pra dar uma aliviada na fome aquilo era uma cortesia da casa. Achei simpático, gentil, carinhoso e mudou totalmente o rumo da visita no Boi Burger.

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De ruim foi que me entreguei à batata como se não houvessem eleições amanhã e os pedidos acabaram saindo rapidamente (nos preparamos pra 45 minutos ou 1 hora que é o padrão de atraso virando comum por aqui). Logo tive um embate ideológico entre estas maravilhosas Coxinhas de Frango empanadas com o molho barbecua, feita ali mesmo, Made in Forquilhinhas.

O barbecue deles não tem aquele gosto industrializado, tampouco tem pretensões de ser muito picante. É pro gosto do manezinho, saboroso, levemente picante e adocicado. Ornou bem com o frango e ornaria bem logo mais com os hambúrgueres.

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E antes de falar nos sanduíches gostaria de fazer um registro: assim como é difícil achar quem venda refrigerantes em garrafas de 2 litros (a mesquinharia é travestida de elitização da bebida em algumas casas), missão impossível é ver uma Coca-Cola assim, na temperatura potável para uma noite quente, formando seus primeiros cristais de gelo neste iceberg de textura pra uma boa sede. Quase, muito pouco, não boto os quase 6 meses longe desta inesgotável fonte de açúcar a perder.

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E como essa pequena hipocrisia mandou lembranças, ainda encarei um hamburguer. Eu pedi o Boi Picanha. Mais pelo pão amanteigado do que necessariamente pela picanha, embora o lanche todo estivesse delicioso e a carne servida com fartura, sem pão-durice. A carne, bem generosa e com bastante sabor de churrasco, é assada numa churrasqueira bastante moderna e escolhida a dedo para a função. O lanche veio no prato, acompanhado de mais uma porção de batatas fritas, ketchup industrializado mas de excelente qualidade, mostarda temperada, maionese caseira e novamente ele, o barbecue. Tem talheres pra quem não bota a mão na massa mas sair de uma hamburgueria com a mão seca é utopia dos chatos.

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Registre-se ainda o sanduíche comido pela Samantha e mordido por mim, o Big Boi Duplo. Um cheeseburger muito saboro só que com duas carnes. Nem o concorrente multinacional quadriplicando o hamburguer ele conseguirá chegar aos pés disso.

Fecho este post com uma tristeza: ainda nem almocei, já são duas horas da tarde enquanto escrevo este texto e não poderei ir comer um agora. Se eu elegi um bom presidente eu não sei, mas a vitória da coligação entre o meu estômago e meu cérebro escolhendo um bom hamburguer é certa.

A conta fechou em cerca de 25 reais por pessoa.

Boi Burger

  • Rua Vidal Vicente de Andrade, 235. Forquilhinhas, São José/SC (anexo à quadra de futebol Suíço São José, rua do CTG Os Praianos)
  • (48) 8500 0366
  • Aceita cartões: até o momento da visita, não, aguarda instalação das máquinas.
  • Estacionamento: sim

Du Gandolfo: lindo, saboroso e honesto

E São José continua me surpreendendo. No último fim de semana abri espaço na rígida dieta que venho enfrentando (é, parece que não dá pra ser blogueiro de gastronomia gordo por muito tempo) e fui finalmente conhecer o Restaurante Du Gandolfo, que para meu espanto existe há pelo menos 18 anos (não na mesma região e no mesmo formato, mas com nomes parecidos e próximo dali), e hoje senta suas garras no charmoso Centro Histórico de São José.

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O Du Gandolfo faz uma viagem nas gastronomias portuguesa e italiana, que as vezes até se encontram como no “caneloni de bacalhau”, que não experimentamos mas certamente terá sua vez nas próximas idas a este restaurante que muito me emocionou.

Me emocionou não só na comida. Mas na comida, principalmente, e no espaço muito bonito e bem decorado. É uma casa portuguesa, com certeza. Há vários pequenos espaços com mesas confortáveis e decoração que agrada aos olhos não importa onde você os direcione.

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Outra característica que me chamou bastante a atenção é que todos os pratos servem duas pessoas, então é um convite para uma noite romântica que aproveite o ambiente calmo e aconchegante, ou encontro de casais ou ainda amigos, que possam desfrutar das mesmas iguarias e terem resultados diferentes para a mesma experiência.

Mas vamos parar de encher linguiça, vamos falar de coisa boa. E não, não é Tekpix.

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Abrimos a refeição com uma entrada. De salada eu já estava até o gogó, então pedi pão. Cesta de pães com Manteiga, Pasta de Beringela, picles de Abobrinha. Não estava no cardápio mas também recebemos neste “kit” de antepastos uns deliciosos pimentões em azeite.

Não dá pra descrever a delícia que é este pão. Não são eles que fazem, mas são feitos sob medida pra eles. Pão do jeito que todo mundo gosta: crocante por fora, bastante macio e saboroso por dentro e quentinho, saído do forno. Não fossem tão gostosos quanto os acompanhamentos desta entrada, seria uma heresia não comê-lo sozinho.

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Outra coisa importante que precisa ser bastante destacada: as bebidas. Você não vai morrer pagando uma prestação do cartão de crédito se pedir um vinho da carta ou uma jarra de suco de laranja. Esta bebida tão cara nos demais lugares, ganha aqui sua versão em jarra, totalmente natural feito com a fruta, 700ml por menos de 9 reais. O que parece até uma idiotice dizendo assim, é um grande feito se compararmos restaurantes do mesmo nível por aí.

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Eu fui na culinária portuguesa. Queria experimentar esta Cataplana com medalhões de Filé Mignon, molho vermelho com creme de leite, cogumelos e batatas. O prato é acompanhado de arroz, mas já seria suficiente degustar esta cataplana pura, assim como o pão da entrada. Aliás, este delicioso molho vermelho com creme de leite poderia ser muito bem “xuxado” por aquele pãozinho da entrada. Um #fikdik pra casa!

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O Everton e a Samantha, que faziam costado nesta refeição, foram pro lado italiano do Du Gandolfo. Eles pediram e degustaram (e eu provei um quinhão) do Filé a Quatro Formagio. Mais Filé Mignon, molho de quatro queijos, batatas e que veio acompanhado de um delicioso talharim na manteiga.

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Mais uma vantagem da casa: não importa se é prato principal ou acompanhamento, a qualidade sempre será excelente. Mesmo um simples arroz, mesmo este talharim na manteiga que me causa enxurradas de saliva até agora, são feitos sob o mais absoluto cuidado e sabor.

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Eles ainda pediram sobremesa, que não experimentei mas registrei: Petit Gateau. Se era bom, perguntem pra eles.

Não precisa dizer que recomendo uma visita nesta casa. Um dos poucos lugares onde come-se muito, muito bem e pode-se pagar menos que 100 mangos por casal. A conta fechou por volta dos 90, que a esta altura do campeonato já era quase de graça.

Restaurante Du Gandolfo

  • Endereço: Rua Homero de Miranda Gomes, 3382. Centro, São José/SC
  • Telefone: (48) 3247-4334
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim

Bacalhau à Gomes de Sá, receita típica de Páscoa

A Internet inteira rodei pra tentar descobrir o porque se consome bacalhau na páscoa. Entendo, claro, que seja consumido na sexta-feira santa onde a grande maioria dos cristãos católicos se abstém de carnes vermelhas como penitência ao sacrifício pela paixão de Cristo. Mas no domingo de páscoa? Lá em casa sempre teve churrasco pra desforrar os dias de jejum. E a resposta foi exatamente esta: o jejum. Em priscas eras o jejum cristão católico era bem mais rigoroso que os de hoje e não era permitido comer carnes quentes em toda a quaresma. O bacalhau como é uma carne de peixe salgada e seca poderia consumir-se frio, sem necessidade de cozimento, então foi incentivado pelos comerciantes da época como substituto da carne vermelha quente. Isso, claro, falamos de Portugal e Espanha, povos que não foram os precursores deste peixe, tradicionalmente norueguês, mas sim da maneira de prepará-lo.

Já Gomes de Sá era um comerciante português do século XIX, proprietário do Restaurante Lisbonense, e que conta a história pegou os mesmos ingredientes do Bolinho de Bacalhau, iguaria típica portuguesa, e o fez em forma mais apresentável e com um certo ar de requinte, para ir à mesa dos seus clientes.

Bacalhau à Gomes de Sá
Bacalhau à Gomes de Sá

Apesar de saborosa e muito bonita é uma receita fácil. O único trabalho fica por conta de dessalgar o bacalhau, processo que pode levar até mais de um dia, dependendo da qualidade do peixe comprada. E vamos à ela!

Ingredientes para servir 8 pessoas

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  • 1kg de lombo de bacalhau com espinhos e pele
  • 1,5KG de batatas
  • 1l de leite integral
  • 5 cebolas grandes
  • 4 dentes de alho
  • 6 ovos
  • 1 ramo de salsinha
  • 1/2 garrafa de azeite de oliva
  • Pimenta e sal à gosto
  • Azeitonas pretas à gosto

Como fazer

Antes de mais nada precisamos dessalgar o bacalhau. O bacalhau é intragável sem este processo. Então de um dia para o outro você pode deixá-lo de molho na água gelada, ou melhor ainda, no leite integral. Melhor ainda se forem dois dias, além de menos salgado ficará mais macio. Isso, claro, numa geladeira. Mas é possível que ainda assim o seu Bacalhau continue salgado, por isso tenho uma boa dica para…

Dessalgar o bacalhau de forma muito rápida

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Se ainda assim seu bacalhau estiver salgado no dia seguinte, deixe os pedaços de bacalhau numa panela grande e a encha de água. Ligue o fogo alto. Quando começar a surgirem as primeiras bolhas, jogue na panela uma colher bem cheia de sal. Sim, sal, eu não escrevi errado. Não me pergunte como acontece essa mágica, mas acontece. Quando começar a ferver a água você desliga, escorre essa água e lave-o em água fria corrente. Depois leve novamente à panela, cheia de água, e repita o processo mas agora SEM o sal. Fácil, né? Parece bruxaria.

Bueno, agora é hora de cozinhar o bacalhau. Vamos novamente colocá-lo na água fria e fervê-lo um pouco, coisa de 5 ou 10 minutos dependendo de como ficou o peixe depois do dessalgue. Feito isso escorremos novamente e esperamos esfriar.

Nesse ínterim também cozinhamos as batatas, não a ponto de ficá-las em forma de fazer purê, um pouco antes pois ela terminará de cozinhar no forno. Uma boa dica é ao invés de usar sal para cozinhá-las, usar pedaços da pele do peixe, isso derá um sabor mais interessante às batatas.

Bacalhau limpo, dessalgado e desfiado
Bacalhau limpo, dessalgado e desfiado

Pegue cada pedaço do peixe e vá retirando as espinhas, pele e gorduras demasiadas e o separe em lascas pequenas.

Numa forma refratária, pegue cebolas cortadas em rodelas e faça uma camada com elas, depois camada de batatas e outra com o peixe. Tempere com pimenta, se necessário (eu não usei, mas tudo dependerá do dessalgue) sal e regue com bastante azeite de oliva. Depois vá fazendo mais camadas até cobrir o seu refratário ou acabar os ingredientes. Vá colocando também as lascas de alho.

Por fim, pique bem a salsinha e jogue por cima. Coloque também as azeitonas pretas. Pegue os seis ovos, cozidos e descasados, corte em rodelas e também disponha sobre o prato. Finalize com mais um pouco de azeite de oliva e leve ao forno a 180 graus por cerca de 40 minutos.

Bacalhau à Gomes de Sá pronto para ir ao forno
Bacalhau à Gomes de Sá pronto para ir ao forno

E esta é a receita de Bacalhau à Gomes de Sá para o seu domingo de Páscoa. Fácil, né?

Interessante: o Bacalhau à Gomes de Sá, batizado com o nome do seu criador, foi considerado uma das 7 maravilhas da gastronomia portuguesa.

Opcional: colocar tomates-cereja ou tomates-uva junto com as azeitonas na hora de levá-lo ao forno também agrega um sabor interessante ao prato.

Dica: sirva com salada verde e/ou arroz branco com alho.