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Bar do Boni: boa cerveja e petiscos na beira da Lagoa

Ia começar este post justificando a minha ausência por quase dois meses neste blog, mas é chover no molhado que além dos food trucks das mesmices e hamburguerias que usam o mesmo pão, a mesma carne e os mesmos acompanhamentos de sempre, nada de novo prosperou nesta cidade. Já temos um grande acervo de publicações dos restaurantes que acho relevantes — portanto não dá pra repisar o mesmo rastro, outros ainda preciso visitar e estão na minha lista, mas em resumo minha ausência se deve pela falta de tesão com o cenário gastronômico da cidade neste 2015 de recessão econômica.

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No último domingo, porém, fui conhecer o tão comentado Bar do Boni, cujas fotos do Instagram pipocam a cada fim de semana onde o Sol resolve mostrar as caras na Ilha de Santa Catarina.

O Bar do Boni me deixou com sentimentos confusos, mas no fim das contas uma coisa foi compensando a outra.

Por exemplo: o demorado atendimento era compensado com a rapidez que a comida vinha à mesa. Levei pelo menos 20 minutos pra conseguir pedir uma água com gás (marca Cristalina, com um gosto de plástico irritante) e os petiscos, mas assim que pedi, não demorou os 20 minutos até que começasse a comer.

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A falta de conhecimento do garçom que me atendeu no próprio cardápio, principalmente porque descobri que existia uma cervejaria parceira do bar, a Elementum, somente aos 45 do segundo tempo, quando estava pronto pra desistir da Bierbaum e ficar apenas na água. “Ah, tem uma carta de cervejas, peraí” “Tem essa? Não sei, vou ver” “Quanto custa? ah, é 18, 19… acho que 18! não, 19”. Mas quando chegou a Witbier, a trapalhada foi compensada pelo sabor dessa cervejaria de Novo Hamburgo que ainda não conhecia. Copos adequados, balde de gelo, temperatura e cerveja deliciosa.
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Tudo paga. Couvert da banda, 10% do garçom, R$10 de estacionamento… (tente estacionar na Lagoa em um domingo de Sol, eu te desafio!). A conta que era pra ficar nos dois dígitos subiu logo aos três com tanto custo agregado. De valor agregado só alguns petiscos, a cerveja já citada e a banda, que compensou na sua apresentação. Mike e a Liga tem um som gostoso, os músicos fazendo por gosto e animando a todos com hits do POP nacional e internacional.

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Até na comida havia compensação: o pastel ou era muito seco (berbigão) ou muito molhado (camarão). O pastel de Berbigão tinha que ficar brigando com a areia do pobre molusco, já o de camarão estava saboroso mas com um molho um pouco ralo, fazendo quem come se sujar todo de vermelho claro. Era bem servido, ao menos, matava a fome da espera.

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Em compensação… o camarão ao alho e óleo é um dos melhores que já comi nestas bandas. Bem temperado, dos grados, com alho de sobra pra fazer jus ao nome (parece óbvio mas não é uma regra na concorrência).

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O bolinho de siri tinha gosto pirão. Não consegui identificar o que dava aquele gosto de farinha ao recheio, mas faltava tempero e o próprio siri, que entre um fiapo e outro dava a graça no quitute.

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Já em compensação… a Lula a doré estava ótima. Poucos sabem fazê-la crocante e não borrachuda, poucos sabem fritar anéis de lula sem deixá-la seca ou gordurosa. Uma delícia quando acham o meio termo de textura, sabor e crocância. Acompanhava um molho rosê normalzinho e limões tahiti cortados em fatias, algo que não pode faltar jamais em frutos do mar.

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O certame saiu do empate com a vista privilegiada que tem a casa, à beira da Lagoa da Conceição é difícil sair triste de lá. A vista, as pessoas, o clima de descontração e a energia boa de manezinhos e turistas que frequentam o Bar do Boni deram ao domingo um pouco mais de cor e alegria.

Não acredito que eu seja um fiel cliente por conta dos custos extras que se tem pra ir até lá e encarar o Bar como uma refeição do almoço de domingo. A conta fechou em R$130 (2 cervejas, 1 água, petiscos citados (camarões e lulas eram 1/2 porção) e couvert artístico, mais R$10 por fora pro tiozinho do estacionamento. Mas pra curtir uma noite, ou mesmo uma beberagem com os amigos, já estando na Lagoa, tá valendo. Principalmente se você estiver em ótima companhia!

Bar do Boni

  • Av. das Rendeiras, 2232. Lagoa da Conceição, Florianópolis.
  • (48) 3232-1139
  • Aceita cartões
  • Estacionamento: sim

Costelaria da Serra: uma boa costela em Rancho Queimado

As temperaturas começam a cair no Estado, o outono que logo mostrou suas garras com vento-Sul é prenúncio de que o inverno deve ser brabo. Quando isso acontece não tem pra onde correr senão encará-lo de frente e aproveitar as coisas boas que as estações de frio trazem pra nós. Subir a Serra catarinense é uma experiência bastante proveitosa. Além de lindas paisagens, verdes exuberantes, coxilhas de perder de vista e um friozinho aconchegante, a comida serrana é espetacular. Desde a culinária tropeira até as trutas que estão em voga agradam quem procura os lugares altos encontrar tranquilidade e boas experiências.

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Logo no pé da serra, ainda no início da subida, temos Rancho Queimado. E assim que entramos nesta simpática cidade de clima agradável e povo ordeiro e hospitaleiro, temos a Costelaria da Serra. Já havia flertado com este restaurante uma ou duas vezes, mas por força do destino e do horário acabei não parando.

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A Costelaria é tocada pelo casal Ayrton e Astrid, duas pessoas pra lá de simpáticas e muito acolhedoras, que já na entrada da casa proporcionam uma ótima refeição recebendo os clientes com um sorriso e uma cachacinha de butiá. A Costelaria, como o nome diz, oferece vários pratos à base de costela. Tem a opção de oferecer o tradicional espeto corrido, e ali além do carro-chefe passa nas mesas carnes como contra-filé, picanha, linguicinha, até ovelha pode ser degustada.

Mas é a costela a grande vedete, foi por ela que subimos a serra no último domingo.

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No buffet pratos de comida muito caseira, mas não aquela comida normal de todo o dia. Tem sim aquela salada variada básica, uma maionese como todo bom alemão faz, mas sobra espaço nas cubas para as criações da casa como a lasanha de costela, a polenta assada com carne, uma massa caseira na manteiga de tirar o fôlego de tanto comê-la e, a que mais achei interessante, e ao mesmo tempo simples, o Bolinho de Costela.

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Daria pra passar o almoço inteiro comendo esse bolinho, mesmo sem nenhum acompanhamento, só bolinho e pimenta. Um quitute que, repito, simples, mas muito bem temperado, muito saboroso.

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A costela assada que passa nas mesas também é muito boa. Ela é macia, chega desmanchando e ouso dizer que poderíamos comê-la de colher.

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O carreteiro, que recebe uma atenção toda especial, também não fica pra trás. Tem um tempero diferente dos carreteiros que já provei, mas bem molhadinho e saboroso, é uma ótima guarnição para as carnes.

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Farofa, feijão, arroz branco e polenta frita, também tem o tradicional pra agradar todo mundo.

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É uma refeição completa que termina com doces e não poderia ser diferente. Pudins, gelatinas, sagú, cremes e mousses, uma mesa repleta de sobremesas pra fechar a refeição da melhor forma possível.

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O almoço custou com buffet + rodízio de carnes irrisórios R$29. Caso você não queira as carnes do espeto, o preço cai mais ainda: R$24. Não devo falar alto pro Ayrton não mexer no preço, mas para os padrões de hoje esta comida é entregue “de graça”.

 

A Costelaria da Serra passa longe das culinárias rocambolescas e enfeitadas, mas não devemos associar comida simples com comida sem graça. Os pratos são preparados de maneira muito afetuosa, são perfeitos todos, lembra um fim-de-semana na casa da vó. Comfort-food, como os americanos teimam em chamar. Os poucos mais de 60km de Florianópolis à Rancho Queimado valem toda a pena quando se dá a primeira mordida no bolinho de costela. É pra tirar uma selfie com o buffet e guardar como recordação de viagem.

Recomendo a visita!

Costelaria da Serra

  • Praça Leonardo Sell, 15. Centro, Rancho Queimado/SC.
  • (48) 9972-4721
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Marisqueira Sintra: portuguesa e saborosa com vista pro mar

Por ser uma cidade turística os restaurantes de Florianópolis acabam sendo disputados no tapa. Por mais que a crescente de novas casas, principalmente as que florescem no verão e secam no inverno, seja contínua, as mesas ainda são disputada a tapas.

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Para o nativo que enche o saco da muvuca acaba sobrando os dias de semana e pra quem tem horários mais flexíveis sobra a graça de conseguir sentar no deck externo da Marisqueira Sintra, por exemplo, que ainda não havia experimentado pela falta de oportunidade citracitada. E eu queria almoçar com a melhor vista pro mar, evidentemente.

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Ontem estive lá pra conhecer a comida da chef e proprietária da Marisqueira Sintra, Andreia Arruda de Paula. Confesso que a via gastronômica de Santo Antônio/Sambaqui têm me deixado com os dois pés atrás no quesito qualidade e preço. Ou paga-se demais pela boa comida ou come-se mal, isso quando as duas coisas não estão relacionadas. A Marisqueira Sintra não é um restaurante barato, mas justa foi a contrapartida do preço pago ao que foi servido.

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Comecei a refeição com bolinhos de bacalhau. Até tive interesse em outras entradas, como as Sardinhas Fritas, algo raro de se ver por aqui, ou algum prato do mexilhões e ostras, mas quis ir devagar até porque almoçava sozinho. Pedi Pastéis de Bacalhau (e aqui bastante atenção, que a descrição do prato explica do que se trata): 4 bolinhos de batata com bacalhau desfiado e temperados. São bolinhos de bacalhau, aqueles comuns que encontra-se em restaurantes portugueses. O que varia são as receitas e temperos e estes que experimentei estavam muito saborosos.

marisqueira-sintra-polvo-lagareiro-cimaComo prato principal fui de Polvo. Poderia ter escolhido um Robalo, o próprio Bacalhau ou camarões, mas estava com saudade de comer polvo. Pedi sugestão ao simpático garçom que atendia no deck externo e ele me recomendou o Polvo à Lagareiro, que é o polvo assado lentamente no azeite, sobre uma cama de batatas ao murro, regado com azeite e alho laminado. Eu particularmente adoro o sabor do alho quando assado, ele deixa de ser intenso e torna-se meio adocicado mas sem perder sua propriedade e aroma que dão um toque muito interessante nos frutos do ar.

marisqueira-sintra-polvo-a-lagareiroVisto de cima o prato parecia fichinha pra um estômago acostumado a grandes orgias gastronômicas, mas de perfil dava pra ver que não seria fácil de encarar. Ele é muito bem servido e se você quiser arriscar e se aprofundar mais nas entradas pode até dividí-lo com alguém.

marisqueira-sintra-baba-cameloPara a sobremesa tinha duas opções: Pudim de leite e Baba de camelo. Que diabos! pensei comigo. A baba de camelo é uma delícia, ainda não havia experimentado. É um dos doces “conventuais” portugueses, daqueles feitos em conventos e mosteiros, tipo os pastéis de nata (de Belém). É feito com doce de leite e batido com claras em neve e cobertos com amendoim picado. O sabor lembra o doce de leite, claro, e caramelo. É doce sem ser enjoativo, é saboroso e leve, embora não queira arriscar quantas calorias eu teria engordado numa dieta de pontos. Poderia, sem dúvida alguma, tornar-me fiel à esta sobremesa.

O atendimento da casa foi perfeito. Não sei como ela se porta com grandes públicos mas o serviço é todo sincronizado, dá gosto de ver o pessoal trabalhando e servindo, com uma destreza de dar inveja na concorrência. Isso sem salientar a educação e gentileza dos garçons, que a todo momento monitoravam as mesas.

A conta fechou em R$103 e eu já estou com vontade de voltar lá pra conferir o restante do menu. Certamente, aquelas sardinhas fritas, por mais simples que sejam, passarão por aqui qualquer hora…

Marisqueira Sintra

  • R. Quinze de Novembro, 147 – Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 3234-4219
  • Aceita cartões

Churrascaria Egon: churrasco na Capital Catarinense da Ovelha

Campo Alegre é uma cidade com uma pequena população que passa pouco dos 10 mil habitantes. Sua colonização está intimamente relacionada com as terras da princesa Dona Francisca, irmã do Imperador Dom Pedro II, que ganhou como dote no seu casamento com o príncipe de Joinville. A Serra Dona Francisca, mais precisamente a SC-301, foi a primeira ligação que o Estado de Santa Catarina teve com o Paraná, ligando Joinville à Curitiba. Os engenheiros alemães que a construíram, ao chegar no topo da Serra, exclamaram: Froeliches feld! em alemão, a eureka dos colonizadores quer dizer “campo alegre”.

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E mesmo com a forte chuva que enfrentei no último domingo quando passei pela Serra Dona Francisca em viagem à cidade de Mafra, na mesma região, pude apreciar as belezas que Campo Alegre tem a oferecer. É uma cidade cujo turismo é essencialmente rural, pouco se faz lá além de hospedar-se num hotel fazenda e comer boa comida, mas é excelente para quem quer ver boas paisagens, vegetação muito bonita, e descansar o corpo e a mente das atribulações do dia-a-dia numa cidade com trânsito e estresse.

A gastronomia de Campo Alegre é muito baseada na carne ovina, visto que a cidade é considerada a Capital Catarinense da Ovelha. Mas há também excelentes paradas para os viajantes apreciarem desde deliciosos pastéis fritos na hora com um refri, até excelentes cafés especiais como os que provei no Armazém Dona Francisca, mas essa história eu contro no próximo post dessa série.

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Chegando em Campo Alegre eu conheci a Churrascaria Egon. O nome faz referência à um dos sócios, mas pode também ser conhecido pelo nome de “Espeto Corrido de Ovelha”. E embora o restaurante não ofereça mais esta modalidade de rodízio, a carne ainda é servida num espeto à mesa, típica das grandes churrascarias de 20 anos atrás, como a Riosulense.

Aliás, o ambiente da churrascaria é todo rústico. Não poderia, é claro, faltar a decoração baseada na protagonista da cidade: ovelhas de todos os tipos, cores e formatos adornam o salão e a recepção da churrascaria, toda a produção do artesanato local.

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Você pode servir-se apenas no buffet, e isso custa R$26 por pessoa, ou pode ainda pedir um espeto de carnes assadas na hora contendo três tipos de carne. Cortes de ovelha (R$45), Picanha e Alcatra (R$35) que servem até 4 pessoas famintas. Pedi um espeto misto de Ovelha e Picanha bovina para experimentar. A picanha é gostosa, não tem nada especial. É picanha, todos conhecemos. A ovelha mata a pau. Ela vem no ponto que uma carne de ovelha deve ser servida, sem ter passado demais (muita gente usa este artifício para amenizar o sabor forte desta carne). Ela é muito bem temperada com salmoura à base de vinho branco e especiarias que um dos sócios, o Marcelo, não revela nem sob tortura.

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No Buffet há outra relíquia cuja receita é guardada a sete chaves, segundo uma das cozinheiras que passava pelo balcão: o bolinho de carne de ovelha. Poucas vezes comi um bolinho tão perfeito desde a textura até o sabor. O tempero, também excelente, diferente da carne que fora assada, e muito, muito saboroso. Digo isso porque se você estiver passando sozinho por lá e não pedir um dos espetos e for ficar apenas na modalidade buffet, também poderá experimentar a carne ovina na sua plenitude.

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Saladas, incluído a tradicionalíssima salada de batatas com maionese, pratos quentes, guloseimas e toda a sorte de comida pode ser experimentada junto ao buffet.

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Há também um buffet de sobremesas típicas, as quais não experimentei. Os doces ficaram para uma outra visita que fiz na região e que daqui uns dias vocês também conhecerão, completando este mini-roteiro gastronômico da cidade.

Fica o convite para conhecerem a Serra Dona Francisca, suas belezas e sua saborosa e confortável comida.

Churrascaria Egon

  • Endereço: Rodovia SC-301, KM 45 (Estrada Dona Francisca). Campo Alegre, SC.
  • Telefone: (47) 3632-2060
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim
  • Wifi: sim

Restaurante Tamarutaca, um achado na Fortaleza da Barra

Vir a Florianópolis e não comer frutos do mar é como ir à Itália e não comer uma pasta, ou como ir na Bahia e não degustar um acarajé. Rodeada por 42 praias e uma costa abençoada pela natureza, Floripa tem com base nos frutos do mar os seus pratos mais típicos, com forte influência dos açorianos que há três séculos aportaram por aqui.

Temos com a ostra, por exemplo, status de maior produtor de mexilhões em cativeiro do país, tecnologia que até hoje é aprimorada pela nossa universidade federal que a cada ano que passa exporta mais e mais exemplares mundo afora. Tanto é verdade que em restaurantes do país já é possível encontrar “Ostras de Florianópolis, assim como assim, no cardápio.

Tamarucata Restaurante
Tamarucata Restaurante

Mas o turista que chega nem sempre tem acesso aos melhores restaurantes, nem todos eles ficam nas famosas rotas gastronômicas da cidade, no eixo Lagoa / Sambaqui. Os de lá também tendem a ser bons, não discordo, mas quase que escondido na Fortaleza da Barra, o Tamarutaca é um dos esteios desta gastronomia e que por um preço honesto e cozinha muito bem apurada fazem os paladares mais acostumados com camarão e outras igurias daqui ficarem em polvorosa.

Aliás, registre-se que Tamarutaca também é um fruto do mar, mais precisamente um crustáceo muito similar à Lagosta que é pescado em alto mar, porém não tem um valor comercial interessante, o que o torna menos valorizado. A Tamburutaca como também é conhecida é a “mãe do camarão”, dizem os pescadores nativos.

Mas o que o Tamarutaca tem que os outros restaurantes não têm?

Ambiente bonito e aconchegante
Ambiente bonito e aconchegante

Honestidade. O Tamarutaca é honesto do início ao sim do serviço, não enfeita demais a comida apesar de ser muito bem apresentada; ela não é excessivamente maquiada com temperos e molhos, embora muito bem temperada e com bons acompanhamentos; não é caro, pelo contrário, tem um preço bastante justo e atrativo; enfim o Tamarutaca passa a ser, com esta visita de descobrimento, um dos meus restaurantes de frutos do mar favoritos.

Assim que cheguei no restaurante fui dar um checkin no Foursquare e vi muitas dicas naquela venue de amigos recomendando o bolinho de siri. Não tinha como ser diferente, pedi o tal bolinho.

Bolinho de Siri
Bolinho de Siri

O bolinho de siri é uma delícia. Diferentemente dos que costumeiramente encontramos por aí, não é massudo, pelo contrário, vem carne de siri de verdade (não deveria ser esse um detalhe, mas é). Uma fina casquinha crocante bem rechado com bastante carne de siri, que a cada mordida manifestada um “hummm” de cada membro da mesa.

Lula à Doré
Lula à Doré

Com medo de acontecer o que geralmente acontece em restaurante de frutos do mar, a comida mais elaborada vir em porções para passarinhos, pedimos também uma porção de Lula à Dorê. Desnecessário em se tratando da quantidade de comida para saciar nossa fome, visto que o prato principal foi bem servido, mas totalmente necessário para retirar mais alguns gemidos provocados pelo paladar. Poucas vezes comi anéis de lula tão bem preparados e empanados como este do Tamarutaca.

Como prato principal nós também aceitamos as sugestões do Foursquare e fomos no Camarão ao Catupiry.

Camarão ao Catupiry
Camarão ao Catupiry

Esse Camarão ao Catupiry do Tamarutaca é daqueles pratos que eu tenho vontade de me levantar da mesa e começar a aplaudir. Ou então sair que nem doido em direção à cozinha e pedir a(o) cozinheira(o) em casamento. O camarão é bem servido, ou seja, tem bastante camarão no prato. É muito bem temperado e preparado, o camarão vem no ponto e todos os ingredientes na medida certa.

Acompanha o camarão ao catupiry uma porção de arroz branco e batata palha.

Café e bolachinhas
Café e bolachinhas

No final não cabia espaço para uma sobremesa mas aceitamos o cafezinho. Inho, aliás, só no nome, porque ele é servido na mesa, em uma garrafa térmica junto com um pote de bolachinhas dessas de feira, que encontramos no largo da Alfândega alguns dias da semana.  Foi um café bem no estilo mané de ser.

O atendimento também é muito bom, não houve erros, todos os pedidos vieram corretamente, os pratos — todos preparados na hora — vieram num tempo bastante interessante e sempre fomos tratados com bastante gentileza.

O preço julguei bastante honesto. Por toda essa comida — e comida boa, diga-se de passagem — gastamos cerca de R$55 por pessoa, com direito a uma caipirinha de cachaça e o café.

Bora lá?

Restaurante Tamarutaca

  • Endereço: Rua Laurindo José de Souza, 663. Fortaleza da Barra, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3232-4035
  • Horário: de segunda a sábado, 11h30 às 15h e das 18h a 0h. Domingos das 11h às 20h.
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim

Comida simples, gostosa, caseira e desconhecida

Uma das características do crescimento de uma cidade é a profissionalização de suas economias. Na gastronomia não é diferente. Florianópolis, por exemplo, apesar de crescer a passos lentos em números de restaurantes que valem a pena uma visita, já oferece algumas culinárias que há pouco tempo era meio intangível. Em dois toques já fazemos um mapa mental onde podemos comer comida japonesa, mediterrânea, portuguesa, alemã, chinesa, tailandesa, italiana, espanhola e toda a sorte de culinárias mundo afora.

Mas pra atender essas demandas os grandes centros confundem a profissionalização com “afrescalhamento” do seu rol de possibilidades. Há uns dois meses tive vontade de comer algo que era comum na minha infância, uma humilde chuleta na chapa, e me dei conta de que todos as lanchonetes onde isso era possível, fecharam. “Deuzolivre” então procurar um lugar pra se comer um camarão com tempero caseiro, o bom e velho alho e óleo, sem ter um garçom que é ginasta russo dando triplos mortais carpados cuspindo fogo pela venta até chegar a tua mesa com quatrocentos e trinta e oito molhos picantes e suaves que ele tirava da manga após um show pirotécnico de 5 minutos.

Então nas andanças das últimas semanas achei dois restaurantes simples, com atendimento cordial porém simples e resteiro, comida de excelente qualidade, pra matar a fome e agradar o paladar, e ainda por cima poder deixar o cartão do BNDES em casa.

Em Biguaçu, a 20km de Florianópolis, conheci o Rancho do Tchesco, com o Everton.

Rancho do Tchesco
Rancho do Tchesco

Um lugar simples, com instalações rústicas porém aconchegante e receptivo. O Rancho do Thesco serve não só lanches (o famoso xis), como porções de frutos do mar e ela, o carro-chefe da casa, a Chuleta na Tábua:

Chuleta na Tábua
Chuleta na Tábua

Uma porção muito bem servida com 3 ou 4 chuletas pesando no total 1kg, polenta frita, aipim frito, esse pãozinho que é uma delícia, tostado na chapa com a gordura da carne e temperos, farofa caseira e uma deliciosa salada básica.

Salada
Salada

Comemos o Éverton e eu feito leões, mas é uma porção que tranquilamente serve bem 3 pessoas. E o preço não chega nem numa onça, módicos R$38,50 o preço desta iguaria.

O Rancho do Tchesco fica na Rua Julio Bekhauser, 254, no bairro Bom Viver em Biguaçu.

Agora se você prefere um restaurante de frutos do mar, quer comer aquele camarão e um peixinho com o tempero bem caseiro e não quer pagar o preço exorbitante que se paga nas praias de Florianópolis, não tem problema. Na beira do mar, porém na região continental da cidade, existe um restaurante chamado Camarão & Cia. Numa rua quase deserta e pouco visível esconde-se esta maravilha da culinária local, que encontrei com a Fabi Cercal.

Camarão & Cia
Camarão & Cia

Não é difícil você chegar na beira de uma praia e desembolsar 200 reais pra almoçar com seu par. O Camarão & Cia, por ter outra proposta e por não ficar numa badalada praia do litoral floripano, te oferece por bem menos uma refeição tão saborosa quanto. Entre 50 e 80 reais, depende da quantidade de pessoas e ítens na Sequência de Camarão, você come muito bem e com bastante opções na mesa.

Camarão ao bafo, alho e óleo e bolinhos de siri
Camarão ao bafo, alho e óleo e bolinhos de siri

Dois bolinhos de siri, uma porção de ao bafo e camarões ao alho e óleo é o primeiro prato logo após uma salada de entrada.

Camarão Milanesa
Camarão Milanesa
Camarão ensopado
Camarão ensopado

Camarão a milanesa e camarão ensopado também acompanham a sequência.

Filé de linguado ou pescada
Filé de linguado ou pescada

Pra quem não quer só camarão, o prato ainda oferece filé de peixe (linguado ou pescada, você escolhe no pedido) a milanesa.

Acompanhamentos: arroz, feijão e pirão de caldo de peixe
Acompanhamentos: arroz, feijão e pirão de caldo de peixe

E, como não poderia faltar, os acompanhamentos tradicionais: um arroz muito gostoso, bem temperado, feijão e pirão de caldo de peixe.

O Camarão & Cia fica na Rua Ministro Ribeiro Costa, 250 no bairro Estreito, em Florianópolis.