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Risotteria Suprema: cara e cardápio novos

Já havia feito um review sobre a Risotteria Suprema onde lépido e fagueiro almocei num dia de semana. E antes que me tomem por repetitivo, preciso me explicar: 1) já não sobra muitos restaurantes cujo serviço seja bom o suficiente pra registrar aqui 2) a Risotteria Suprema está de cara e cardápio novos, e foi uma experiência nova e diferente, apesar de ser novamente exitosa.

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De cara nova porque o incansável Jordan Franzen, chef do restaurante, fez uma revolução no lugar. Trocou mesas, cadeiras, fez estofados melhores, colocou uma nova iluminação deixando o ambiente mais aconchegante e fazendo você se sentir em casa. A luz direcionada à mesa dá uma boa sensação de iluminação (você consegue enxergar as pessoas com quem está dividindo a refeição) mas também tem a sensação de estar sozinho por ali, que ninguém te vê.

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Isso sem contar o o novo bar, que agora oferece drinks especiais, retro-iluminado e muito, muito “bossa”!

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A comida continua com a mesma qualidade e novos ítens entraram no cardápio noturno. O cardápio está dividindo entre Entradas, Saladas, Pratos para crianças, Pratos Especiais, Massas, Grelhados e Risottos, sendo este último, evidentemente, o carro-chefe da casa. A mesa em que estava era bastante democrática e cada um resolveu experimentar um pouco de cada, o que deixou muito feliz este humilde blogueiro que deu algumas garfadas em cada prato para uma maior experiência e mais eficiente crítica.

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Tudo começou com o couvert. Pães do Café Françoise (sempre eles, os melhores) e uma manteiga temperada pelo próprio chef. Receita própria, que mescla ervas e dulçores, fazendo com que você queira comer até a última migalha.

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Por imposição da dieta — comer salada duas vezes ao dia, pedi a Salada Norueguesa. As folhas da estação escoltadas por salmão defumado, amêndoas em lascas, tomate seco, croutons rústicos e raspas de limão siciliano fizeram com a salada deixasse de ser um peso da dieta pra ser um delícia. E lhes garanto que tamanha grandeza de preparo não se deve apenas ao salmão defumado, iguaria esta que nenhum vivente deveria se tornar finado sem experimentar.

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Eu até queria ter pedido um Prato Especial da Risotteria. Queria ter comido sozinho este prato para dois (não é dividido por dois, é multiplicado por dois), o Cordeiro de Montpellier, que são nada menos que carrés de cordeiro bardeados com presumo de Parma e guarnecidos por risotto dijón e aspargos, decorado com fios de redução de vinho do porto. Quem os experimentou deixou que eu petiscasse vez por outra. Delicioso.

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Também gostaria de ter me deleitado ao sabor deste Tortei Basco, o famoso tortei de abóbora cabotiá ao molho de carne seca e tomates italianos.

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Mas resisti bravamente e pedi um risotto. Não qualquer risotto, mas o novo prato deste cardápio, o Risotto Praia dos Açores. Como já comentei no post anterior, os risottos da Suprema têm nomes temáticos de cada lugar de Floripa, geralmente praias (até porque se ele criasse um risotto chamado São José, ele viria frio, cheio de buracos e teria sabor de cachorro-quente). O Praia dos Açores têm camarões, palmito, tomate, salsa, cebolinha e parmesão. Simples, porém bastante saboroso. Como também já disse anteriormente, o prato da Risotteria engana. Por baixo da ponta deste iceberg de puro sabor, há um calabouço de abundância de comida. Pode comer sem medo de ser feliz e voltar com fome.

Aliás, fome é a única sensação que você não vai sentir na Risotteria. Apesar da boa decoração (muito embora o Jordan tenha esquecido a minha #hashtag no prato, imperdoável), a comida é pra todo bom brasileiro verde, toda firula é acompanhada de fartura e não se sustenta só pela beleza. Se sustenta porque sustenta.

O jantar custou cerca de R$80, com bebidas leves.

Risotteria Suprema

  • Endereço: Rod. João Paulo, 130. João Paulo, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3234-0301
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

 

Sushinami: a esperança é um prato que se come cru

Ah, este pequeno bolinho de arroz envolto de ômega 3 no estilo americano de enxergar os nipônicos, embora saibamos que isso possa ser historicamente um grande erro… Ah, iguaria tão deliciosa e tão compatível com quase todas as dietas para redução de peso… Ah, salgado shoyu que tempera este controverso quitute e nos eleva a pressão arterial… Que jamais nos cansemos de procurar novos lugares para degustá-lo, ainda que esta batalha diária seja muitas vezes frustrante e nos deixem mais longe do primeiro milhão. Que jamais desistamos frente à camarões mal cozidos, peixes velhos e atendimento vergonhoso. Que nunca esmoreçamos face a qualquer imprevisto, visto que a perseverança é um prato que se come cru.

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Só me arrisco de poeta neste post que ora começa porque sei que a risada tende a ser boa. E o review é positivo, por supuesto. Embora este seja um grande spoiler do modelo tradicional de reviews, onde a conclusão vem só lá no final, numa obrigação religiosa de ler todo o meu emaranhado de baboseiras que este postulante a crítico de gastronomia, que da Michelin a única semelhança é a forma de pneu de uma 1313 8 marchas, te poupará saber que a poesia quase orgástica acima sem qualquer redondilha na métrica inexistente já é um convite para conhecer o Sushinami.

Falando sério agora, visitei dia destes o Sushinami. Não antes sem receber pelo menos uma dúzia de recomendações dos leitores aqui do blog para conhecer esta “nova” casa. Das indicações que me recordo, a Juliana, a Sandra e a Gabriela disseram, com outras palavras mas com a mesma idéia, que a cara era excelente. Eu que não sou besta de perder, fui. E me dei bem.

No Sushinami não há rodízio, o serviço é todo à lá carte. Se por um lado alguns acham que isso encarece o serviço, posso lhes garantir que aumentam as chances de a experiência ser bem sucedida. Não há porções reduzidas, produções em massa, pré-preparos exagerados que diminuem o frescor dos alimentos, enfim… A lá carte já foi sinônimo de caro, o que neste caso não é uma verdade. No fim das contas o valor para sair de lá mais que saciado é até menor que um rodízio. Creia. Um dos pontos da casa: preços honestos. Não há vista pro mar, não há rua badalada, não tem nada de especial e irrelevante que encareça a visita.

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Comecei os trabalhos com Missoshiro. Esta singela e saborosa sopa a base de pasta de missô e com pedaços de tofú (não é qualquer tofú, é um queijo de soja mais elaborado, segundo o garçom) dá aquela rejuntada no estômado para o que virá a seguir e pra esquentar o corpo num contraponto com a chuva e o frio sulista nessa época do ano.

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A Aline não quis sopa mas pediu um Yakissoba de carne. Muito saboroso, bem proporcional nos ingredientes e molho como poucos na cidade, e bem servido. Já não seria perdida a viagem se fôssemos só para comê-lo.

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Em seguida recebemos o Dragon Rainbowl, um dos uramakis especiais do cardápio. São 8 peças de de uramaki filadélfia envoltos por salmão, atum, peixe branco e camarão. Sushis saborosos e muito bem elaborados, com as coberturas dos uramakis fazendo uma espécie de “meio-a-meio” entre os peixes citados.

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Juntamente com eles vieram os nigiris de peixe branco, com finas fatias de limão dando um toque bastante interessante, como já é comum nas casas orientais, e também os Dyo (FINALMENTE ALGUÉM ESCREVEU CERTO NO CARDÁPIO!!!! GLÓRIA ALELUIA!!) Salmão Spice. Devia estar inspirado nesta noite, quase todos os pedidos envolveram pimenta.

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Por falar em pimenta, também comi os uramakis Salmão Spice. São uramakis que além do tradicional filadélfia e cebolinha, ganham também a pimenta japonesa.

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Como não estou podendo comer frituras, a Michele experimentou e aprovou o Temaki Hot Ebi, que é um temaki tradicionalmente feito com alga e arroz, com recheio de camarões empanados e fritos com molho teriyaki e cebolinha. Diz ela que estava uma delícia, eu confio.

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O Hot Sushi Filadélfia também estava lindo uma barbaridade, pelos mesmos motivos eu não comi, mas o Guilherme o fez por mim e também largou o seu jóinha.

O atendimento também se mostrou bastante eficiente, com todos os pedidos vindo de forma tranquila e sem problemas. Gentileza e hospitalidade, num ambiente pequeno mas muito aconchegante, que tornarão certamente o Sushinami um porto-seguro de olhos puxados para se voltar mais vezes.

Sushinami

  • Rod. Antônio Amaro Vieira, 2122. Itacorubi, Florianópolis.
  • (48) 3233-6784
  • Segunda à sábado, das 19 às 23h.
  • Estacionamento, aceita cartões.

 

 

Botequim du Cais: Empanadas criollas na Costa Esmeralda

Já havia comido em Bombinhas. Os restaurantes que escolhi não eram bons, acabei ficando com uma má impressão do lugar. Mas como a sina do blogueiro de gastronomia é uma atitude de perseverança atrás da outra, neste domingo resolvi aportar novamente na Costa Esmeralda pra conhecer outro pedaço deste pequeno paraíso escondido no litoral norte de Santa Catarina: Porto Belo.

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Dessa vez não fui com uma mão na frente e outra atrás, pesquisei bastante antes de escolher um lugar pra comer. Resolvi seguir a dica da minha “colega de profissão” Daniele Bruxel. Além de morar na região conhece os restaurantes de lá como a palma da sua mão, afinal defende a gastronomia local como food hunter dos Destemperados.

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E eu não poderia ter feito coisa melhor. Primeiro porque o lugar é muito simpático. Num prédio muito bonito, de frente para o píer de Porto Belo, com uma linda praia de mar que exala beleza mesmo em dias nublados com o sol aparecendo de vez em quando e comida muito boa.

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O cardápio do Botequim du Cais é bastante completo, mas não é puro “embromation”. Várias opções que atendem todos os tipos de paladares. Os proprietários são argentinos então é comum ver ingredientes locais com uma forte tendência castelhana no restaurante.

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Uma boa prova disso é que os pastéis são substituídos pelas empanadas criollas, comida típica argentina trazida pelos espanhóis. E foi por elas que comecei a experimentar o cardápio. Na mesa comemos as de Camarão (que vai queijo catupiry junto), Carne Picante, Cebola e Queijo e Calabresa. A de camarão, que foi a que comi, era muito bem servida. Recheio em cada canto do quitute, nada de mixaria quando o assunto era recheio.

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Poderia ficar meia hora falando dessas empanadas, do quanto o sabor delas é incrível, da quantidade de recheio, do tempero, do molho picante que acompanhava todas elas… mas acho que as fotos falam por si.

Mas era preciso comer algo com mais sustância, precisava passar mais tempo naquele lugar calmo (fora da temporada) e queria ficar vendo aquele marzão lindo por infinitas horas. Então fomos ao prato principal.

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Eu e a Aline comemos Peixe ao Queijo Azul, um prato principal que serve duas pessoas. O prato consiste em filé de peixe (linguado) grelhado e coberto com um delicioso molho branco com queijo gorgonzola. Acompanhava arroz, salada mista e batatas fritas, bem servidas, como guarnição.

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Já o Everton e a Samantha comeram o Peixe à Milanesa, desta vez era uma merluza. Os acompanhamentos eram os mesmos.

Os pratos não são gigantescos como estamos acostumados em alguns restaurante, mas são suficientes pra saciar estômagos mais vorazes. É recomendável começar com uma entrada, e as empanadas criollas são as recomendadas. De qualquer modo os pratos são muito baratos (levando em consideração o preço que pagamos em Florianópolis) e têm mais sofisticação e cuidado no preparo que muitos restaurantes daqui. Pra vocês terem uma idéia, o Peixe ao Queijo Azul custou módicos R$60 (e serviu duas pessoas, como já disse). O à milanesa R$45.

Não encaramos as sobremesas porque já estávamos satisfeitíssimos, mas desde o Petit Gateu até outras sobremesas que aparentam ser deliciosas, várias opções delas aparecem no cardápio, também a preços bastante interessantes.

O almoço custou em média R$85 por casal.

Obrigado pela dica, Daniele! Voltarei mais vezes!

Botequim DU Cais

  • Endereço: Rua Manoel Felipe da Silva, 18.
  • Telefone: (47) 3369-5782
  • Horário: abre de quinta à domingo, das 11h às 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

Cantinho da Ostra: pra petiscar sem muita frescura

Em meio a tantos restaurantes renomados que fazem parte da via gastronômica do sol poente, com seus cardápios repletos de pratos saborosos, existe um quiosque que passa quase despercebido (e foi assim comigo durante muito tempo) das vistas de quem roda por ali em busca de um lugar diferente pra comer: O Cantinho da Ostra.

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Daria pra fazer um review rocambolesco enaltecendo a sua simplicidade que por si só encanta e nos faz ter vontade de voltar pra mais uma e outra comideria, mas o lugar é simples e o review será direto e reto: vale a pena conhecer.

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O cardápio é rasteiro, tem não mais que 16 ítens ao todo que agrupados por semelhança diferindo apenas nos seus recheios e composições não enchemos duas mãos para contar qual a variedade da casa. Tem ostras, o carro-chefe, criadas ali mesmo no mar de Santo Antônio de Lisboa e selecionadas num pequeno rancho de pescadores ao lado do restaurante; tem peixe frito em postas, que varia conforme a estação e frescor; tem mexilhões, aqui comumente chamados de mariscos; bolinho de siri e pastéis diversos.

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Lugar comum da nossa gastronomia ilhoa, pedi um pastel de camarão e algo que ainda não havia provado em outro lugar: pastel de ostra. Já havia comido até nigirizushi com este molusco mas pastel foi a primeira vez. Sabor marcante, forte, bem acompanhado de uma pimenta e gotinhas de limão.

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Depois vieram as ostras, e como eu as prefiro: naturais. Sem bafo e sem gratinar, embora o Cantinho da Ostra ofereça estas opções, somente assim, cruas, ainda vivas, dando o seu último suspiro ao receber gotas do carrasco limão e descansar na paz eterna do meu paladar. Pimenta, “si se puede”, fica bom também, mas pode roubar o sabor marcante que a natureza lhe conferiu.

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Em seguida camarões ao alho e óleo. Estavam pequenos mas muito saborosos. Prefiro estes que aqueles grandalhões molengas. Crocante, pra lambuzar os dedos e comer admirando a bela vista da baía norte.

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Fechei com uma Lula à Milanesa. Essa igualmente saborosa, só um pouco borrachuda porque foi frita demais. As vezes até culpa de alguns chatos que não gostam de comer coisas no ponto “correto” e pedem ostensivamente pra ficar mais e o restaurante acaba fazendo como padrão (vai saber!), da próxima vez pedirei pra “fritar menos”. Fica a dica pra você também.

Isso tudo e mais uns refrigerantes e água custaram R$82 e os 10%, opcionais, foram pagos porque o atendimento mereceu. Foram pagos com cheque, a casa não aceita cartões, somente dinheiro ou este humilde papelete do século passado.

Que tal ir conhecê-los?

  • Cantinho da Ostra
  • Endereço: Pç XV de Novembro, 240. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3235-2296
  • Aceita cartões: não
  • Estacionamento: sim

Bucaneiros: do arroz ao camarão, tudo perfeito!

Há tempos venho explorando mais a culinária do continente catarinense. Se o tempo que morei na Ilha de Santa Catarina foi suficiente para desbravar boa parte do que a gastronomia ilhoa tinha para oferecer, é em terra firme que tenho me surpreendido muito com a diferença de sabores e preços. As vezes encontramos pérolas como o Bucaneiros (ou Bucaneiro, como está na placa na entrada, o proprietário ainda não decidiu), que além de muito barato, oferece comida excelente e em boa quantidade para todos os apetites, do outro lado da baía norte.

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Costumo dizer que restaurantes precisam caprichar tanto numa lagosta quanto num simples pastel de camarão. Fazer com perfeição uma excelente carne e não deixar pra trás uma mera salada. Muita gente não liga pra isso, vai com sede ao pote no prato principal e esquece que está pagando por um almoço completo, onde tudo deve estar a contento, e a mesma grandiosidade de um principal ser refletida num mero arroz.

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O Bucaneiros tem isso. Os acompanhamentos dos principais pratos do restaurante são batatas fritas, salada, pirão de caldo de peixe e a figurinha carimbada do dia-a-dia, o arroz. Lá ele aparece em duas versões: o arroz branco simples e o arroz branco com alho. E por incrível que pareça toda vez que eu vou comer no Bucaneiro eu já começo a salivar pensando no arroz, mesmo antes de fazer a curva no Morro da Bina, antes mesmo de chegar em São Miguel.

Mas obviamente nem só de arroz se faz um restaurante, então vamos aos fatos.

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O couvert do Bucaneiros também é saboroso. Não deixe de experimentar estes pãezinhos que são servidos já na chegada, antes mesmo do pedido ser feito, acompanhados com um molho de maionese da casa. A salada é boa, também, mas domingo não é dia de salada!

O cardápio da casa é composto por uma seção de Aperitivos, onde você pode comer desde um camarão à milanesa, mariscos, lulas e peixe nos seus mais diversos preparos, além de uma seção de pratos principais à base de Camarão e Peixes. Também tem pratos com carne e frango para os que não comem ou não estejam a fim de frutos do mar, os famosos chatos de galocha que acompanham aventuras gastronômicas sem manjar dos paranauê.

Enquanto saboreava o couvert pedi uma caipirinha. Drinks não são o forte deles, ela estava ácida demais e muito forte, mesmo pra quem já está acostumado com o sabor da cachaça. Valeu pela ingestão exclusiva da cachaça que, segundo o manezinho, serve pra cortar o “veneno” dos frutos do mar.

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Como prato principal pedi o Linguado ao Molho de Camarão. Deveria ter pedido meia porção, este humilde prato serve nada menos que 4 pessoas famintas após uma prisão em uma solitária por três semanas. Peixe à milanesa bem fritinho e no ponto certo, casquinha crocante e com um delicioso e bem temperado molho de camarão por cima.

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Havia pedido também a Maionese de Camarão que embora estivesse no cardápio de saladas não agrada nutricionistas como tal, mas eu fiz a minha parte. Essa eu fui inteligente e pedi meia porção que seguramente serve duas pessoas nas mesmas condições famélicas.

Batatas cozidas na medida certa, com o mesmo molho de maionese caseira acima citado e camarões médios cozidos e crocantes, mesmo sem casca, pra manezinho nenhum botar defeito.

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Como se tudo isso ainda não bastasse pra empanzinar o vivente, um buffet com sobremesas típicas da nossa região, contendo doces e frutas era servido gratuitamente para todos os comensais. Provem o pudim de leite deles, é uma delícia!

A conta fechou por volta de R$130 e poderia ter sido bem mais em conta caso não tivéssemos pedido comida para um batalhão.

E a digestão foi feita vendo as escunas chegarem e partirem no trapiche desta praia, lotadas de pessoas que assim como nós estavam em busca de excelente comida.

Restaurante Bucaneiro

  • Endereço: Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, s/n. Balneário de São Miguel, Biguaçu/SC.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: Sim

Roteiro Gastronômico: Ribeirão da Ilha

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O Ribeirão da Ilha é pra mim o bairro mais charmoso de Florianópolis. Está localizado no Sul da Ilha de Santa Catarina mas ainda assim, por ser tão afastado e manter ali suas raízes, parece uma cidade a parte. Ir ao Ribeirão é como sair de Floripa e ir visitar uma cidade do interior que preserva ainda seu ar bucólico e provinciano, as suas raízes na gastronomia, música, artesanato e seus costumes em geral.

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E como toda pequena cidade é na sua praça e Igreja matriz que tudo começa. Cem anos após a chegada dos 6 mil açorianos em Santa Catarina em 1650, foi trazida uma imagem de Nossa Senhora da Lapa. Sua capela foi construída pelos escravos com pedra, cal e óleo de baleia, ingrediente típico da argamassa na época, que era trazida das armações baleeiras também do Sul da Ilha.

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A arquitetura como um todo da região talvez seja a mais intacta do estado, e que mantém desde então sua formação original. As ruas muito estreitas, as casas coloridas e tipicamente da herança portuguesa e que resistem ao tempo até hoje são dignas de uma foto, cujo cartão postal não pode ficar de fora no portifólio dos turistas que buscam abrigo neste pequeno pedaço de paraíso.

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As suas águas são especiais: é uma das poucas praias de mar manso, virada para a baía entre continente e Ilha, que ainda permite o banho de mar. As condições de balneabilidade oferece ao banhista segurança na hora de se refrescar tanto na água quanto embaixo de suas centenárias árvores.

E apesar de ser ali que Santa Catarina praticamente começou a ser colonizada, o Ribeirão foi somente a terceira localidade da cidade a ganhar o status de “Vila”. Nesse título puxo o gancho do restaurante Vila Terceira, que além de um comprometimento com o resgate histórico do lugar se alinha também na gastronomia e apesar das modernas técnicas em se fazer boa comida mantém vivo um pouco da herança que os açorianos deixaram no prato do manezinho.

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Tudo começa com a cachaça produza ali mesmo no Sertão do Ribeirão, mostrando que aquela terra além de boa comida bonita arquitetura também fora palco durante muito tempo dos principais alambiques do Estado. A Anchova da Vó Guida é um excelente modo de harmonizar essa cachaça, seja numa dose única ou numa caipirinha que é pedido certo por ali, que acompanhada de uma farofa especial de camarões e molho de alcaparras transformam a simplicidade dos ingredientes ilhéus num banquete dos deuses que teria feito Sebastião Caboto transformar essa terra num domínio dos espanhóis.

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Destaque também para o Café de Ostra, um café espresso acompanhado por um doce de chocolate branco feito por uma doceira local em forma de ostra.

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O Vila Terceira tem também um polvo crocante muito delicioso que experimentei, mas pra falar de Polvo preciso citar o Santa Figueira. Com um deck maravilhoso na beira da praia do Ribeirão e com vista para toda a baía Sul, o Santa Figueira traz uma gastronomia inspirada nos mesmos ingredientes locais porém com fortes influências internacionais. É o caso do Polvo Thai, temperado à moda asiática e todo empanado, porém sequinho e crocante, além de muito macio por dentro.

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Lá também experimentei os Vol-au-vent, pequenas cestinhas de massa folhada de diversos sabores: Camarão ao Champagne, Siri ao Saquê e red curry e Funghi. Três de cada.

As Ostras são a grande vedete do lugar transformando o Ribeirão da Ilha no maior produtor brasileiro deste molusco bivalve, tão apreciado na gastronomia e com o sabor que deixa qualquer gringo na simplicidade de comê-la in natura.

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Grande especialista em Ostras, temos o Ostradamus. Jaime Barcelos é um ícone da gastronomia de Florianópolis, começou no Ribeirão fazendo cachorro-quente na noite e hoje com certeza comanda um dos melhores restaurantes que oferecem ostras na cidade. Com o exclusivo e inédito por aqui método de depuração de ostras, consegue trazer o produto mais puro e livre de qualquer risco de intoxicação ao consumidor. As ostras saem do cativeiro no mar da baía Sul e vão direto para o depurador, grosso modo um grande aquário localizado na entrada do restaurante para quem quiser conferir o processo, que faz durante 12 horas a filtragem deste molusco liberando e deixando para trás qualquer sujeira que tenha ficado durante sua vida.

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Destaque-se também o prato Arrombassi Istepô, batizado com uma expressão mais mané impossível, e que consiste numa travessa de arroz cozido com frutos do mar variados e um toque de pimenta produzida na própria casa. Outro destaque é sua vasta adega que fica no subsolo do restaurante, abaixo do nível do mar e da areia da praia.

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Do mesmo proprietário e localizado na frente da sua nave-mãe, o Café Tens Tempo traz uma diversidade para o Ribeirão: café saboroso e doces portugueses de altíssima qualidade. Funciona como um empório onde você pode adquirir alguns souvenirs do Ostradamus, com uma decoração muito robusta e linda, a perder a mirada enquanto se degusta um pastelzinho de Nata ou um pastel de Maçã, doces feitos por uma família portuguesa de São Paulo.

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Se a sobremesa do seu restaurante preferido não agradar, uma visita ao Tens Tempo é mais que certa para encerrar a sua estadia por ali.

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Outra excelente opção de gastronomia local levada a sério, com uma vista de causar suspiros nos comensais e comida saborosa a preços honestos, é a Ostreria Umas e Ostras. O nome brinca com o carro-chefe do lugar e oferece um produto tão excelente quanto sua concorrência. Ostra gorda, saborosa e numa travessa com gelo para manter seu frescor à mesa se for pedida in natura.

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Destaque-se também os seus petiscos caseiros feitos por cozinheiras que entendem tudo de manezinho e de comida, como o pastel de camarão e o pastel de berbigão, outro bivalve conhecido na cidade e figurinha carimbada no resto do país com o nome de vôngole.

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Entre um restaurante e outro você pode conhecer também um pouco do artesanato local, seja nas esculturas em barro ou qualquer peça com renda de bilro, que é herança também açoriana na nossa cidade, nas pequenas casas que comercializam estes produtos. A que mais gostei fica em frente ao Umas e Ostras, e tem lindas peças para se admirar e levar pra casa um pouco da nossa cultura, e que graças a estas pessoas ainda se fazem viva em nossa memória, resistindo o passar do tempo.

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Visitar o Ribeirão da Ilha é indispensável para quem quer conhecer Florianópolis. É mergulhar não só na gastronomia de um povo que forjou sua têmpera em quase 500 anos de história de uma colonização tipicamente portuguesa, mas também se sentir em casa, bem acolhido e confortável numa cidade pequena que a cada verão triplica seu tamanho e ganha ares de metrópole e que apesar da linda paisagem já cheira os odores da constante evolução demográfica e tecnológica.