Arquivo da tag: cantina

Baggio Pizzaria e Focacceria: novos sabores em São José

Existem vários tipos de restaurantes. Um deles é o “clássico”. Clássicos você pode até não gostar, mas precisa conhecer entre uma visita e outra a uma cidade. Por exemplo, quando seu amigo forasteiro vem pra Floripa você quer que ele conheça o BOX 32 do Mercado Público, o Vadinho no Pântano do Sul, o Ostradamus no Ribeirão e tantos outros restaurantes que levam a marca da cidade mundo afora.

baggio-ambiente

Em Curitiba um dos clássicos é o Baggio Pizzaria e Focacceria. Desde 99 o Baggio oferece suas pizzas na capital dos paranaenses, começou na charmosa Água Verde e difundiu-se em filiais nos bairros vizinhos. Santa Catarina também já conhece a pizzaria e focacceria, Brusque, Blumenau, Joinville e Balneário Camboriú já têm sua filial. Agora é a vez de São José, representando toda a região da Grande Florianópolis, ter a sua unidade.

Fiz uma visita ao restaurante no último sábado e confesso que me preocupei, com tanta filial será que dariam conta de manter a mesma qualidade oferecida na sua matriz?

A resposta foi um sim bem grande.

Desde a chegada à casa até a hora de ir embora, o atendimento foi espetacular. Não houve sequer uma consideração a fazer quanto a gentileza dos garçons, o entrosamento da equipe de atendimento com a cozinha ou com o bar, nenhuma resposta ficou pela metade, tudo explicado, resolvido e atendido da maneira mais excelente possível. É ou não é algo raro de se ver por aqui?

E por falar na casa, que lugar bonito! As mesas não fogem do clichê de cantina italiana, toalhas bem coloridas em verde e vermelho, iluminação baixa, lugares aconchegantes…

A comida também é muito boa. Dá gosto de morder a pizza da Baggio e não ser aquela pizza alta, molenga, cheia de queijo de qualidade duvidosa e que só é grande e mais nada. Não que a pizza da Baggio seja pequena. A “pizza média”, por exemplo, alimenta duas pessoas muito bem.

baggio-cardapio

O cardápio da Baggio é dividido entre pizzas (tradicionais e especiais), focaccias (algo ainda novo por aqui), lasanhas, umas opções de saladas e sobremesas. Além, é claro, de bebidas e uma carta de vinhos bem completa.

baggio-pizza-calabresa-siciliana

A pizza que experimentamos foi meia Calabresa com cebola e meia Siciliana. A cebola roxa, os tomates picados, manjericão, tudo bem fresco e encantou antes no olfato que no paladar. É notável que os ingredientes são de boa qualidade, que apesar de provavelmente ter um pré-prepado, tudo é feito no dia. Massa fina, crocante, saborosa. A pizza é excelente!

baggio-focaccia-mussarella-bufala-parma-presumo

Mas o meu prato principal foi a Focaccia. É difícil comer qualquer focaccia e não ter em mente aquela massa recheada com muito queijo stracchino do Zena Caffé, do Bertolazzi, mas essa não ficou pra trás. Poderia ter um pouco mais de queijo, poderia sim. Mas mesmo assim muito saborosa a mussarella de búfala e o presunto de parma também de ótima procedência.

baggio-cerveja-weiss-trigo

Havia pedido um chope Heineken quando vi na mesa um folder sobre a cerveja da casa, feita numa cervejaria artesanal de Curitiba, cuja receita é da própria Baggio. Eles têm a Pale Ale e a Weiss. Escolhi a cerveja de trigo. Ela é “leve, equilibrada e extremamente saborosa“. Uso aspas porque endosso o que diz no rótulo. É ótima mesmo.

Parabéns, Baggio! Poucas pizzarias na minha cidade eu gostaria de voltar mais vezes pra experimentar novos sabores. A de vocês já está na minha lista de preferidas. Vida longa!

A experiência custou cerca de R$35 por pessoa (estávamos em quatro), sem calcular os 10% que são opcionais mas que sem dúvida alguma pagamos com prazer pelo excelente atendimento recebido.

Baggio Pizzaria e Focacceria

  • Av. Salvador di Bernardi, 476. Campinas, São José/SC
  • (48) 3244-8484
  • Aceita cartões

Conhecendo o Siri Mole na Cantina Sangiovese

Jorge Amado nasceu em Itabuna, na Bahia, mas aos 2 anos de idade mudou-se com a família para Ilhéus. Dentre outras coisas que o litoral baiano lhe deu, um dos maiores escritores que este país já teve ganhou neste pedaço de paraíso o amor pelo mar. E que mar! Nada além disso explica o seu apreço pela culinária litorânea e pelo tempero daquela região. Apenas e tão somente apenas explica suas menções honrosas às iguarias como a Moqueca de Siri Mole, eternizada no romance Dona Flor e Seus Dois Maridos.

httpv://www.youtube.com/watch?v=HQ8Z7bYMgJY

Moqueca de siri mole: era o prato predileto de Vadinho. Lavem os siris inteiros em água de limão. Lavem bastante para lhes tirar o sujo sem lhes tirar, porém, o gosto de maresia. Um a um coloque os siris na frigideira, devagar porque este é um prato muito delicado. Tome de quatro tomates escolhidos, um pimentão e uma cebola em rodelas coloquem para dar um toque de beleza. E só quando tudo estiver cozido, e só então, junte o leite de coco e o azeite de dendê. Sirva bem quente.

Seus dentes mordiam o siri mole, seus lábios ficavam amarelos de dendê. Nunca mais seus lábios, sua língua. Nunca mais sua ardida boca de cebola crua.

Jorge Amado fazia poesia até em receitas. Não sei se cozinhava, mas a paixão ao descrever através da boca de Dona Flor como se preparava a moqueca de Siri Mole denunciava sua inata habilidade com o paladar.

cantina-sangiovese-entrada

Outro cara que faz poesia na cozinha é o Helton Costa. Você já deve ter ouvido falar nele. Ele tem habilidade com as palavras, pois nos recebeu de forma muito simpática e com boas histórias, inclusive esta que introduz o post, mas manda bem mesmo na execução. Na última semana estive na Cantina Sangiovese, restaurante comandado pelo chef, pra comemorar o aniversário da Michele, food hunter das buenas.

Assim como não conhecia a Sangiovese, também não conhecia o Siri Mole. O siri durante sua vida troca algumas vezes de casca. Nessa troca, perdendo sua casca, o crustáceo tem apenas uma fina membrana que o envolve, sendo assim inteiramente comestível. É uma iguaria ainda pouco utilizada aqui na região, mas que já começa a ganhar notoriedade após ter sua criação feita em cativeiro, facilitando a captura exatamente nesta fase da vida.

Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole
Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole

Eu, que nem faço poesia nem executo bem estes pratos, estava lá pra degustá-lo. E foi ele que eu pedi, na verdade um Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole. O prato é uma delícia. Achei que por se tratar de um restaurante mais sofitiscado receberia uma excelente comida e em pouca quantidade. Mas aí lembrei que estava num restaurante italiano, porcoziuna, quanta comida!

Pedi o prato pra uma pessoa e ainda assim não dei conta de comer tudo (há uma exclamação subentendida nesta frase, estamos falando de alguém com o estômago do tamanho de um bagageiro de um sedan).

Bruschetta de Salmão
Bruschetta de Salmão

OK, justiça seja feita, eu havia pedido uma entrada antes. Uma Bruschetta de Salmão muito, mas muito saborosa. Pão torrado como deve ser, salmão grelhado no ponto certo e tudo muito bem temperado e regado com um excelente azeite de oliva extra-virgem.

Ossobuco com polenta e queijo
Ossobuco com polenta e queijo

Aliás, justiça continue sendo feita, ainda experimentei os pratos dos amigos. A aniversariante, a quem aproveito cumprimentá-la mais uma vez pela data que, segundo ela, é comemorada uma semana antes e outra depois (então ainda dá tempo: Parabéns, Mi!), pediu um Ossobuco com Polenta e Queijo. Interessante como se consegue fazer pratos mais simples com tanto sabor.

Raviolone recheado com gorgonzola e pêra, regado na manteiga de amêndoas e rapas de limão siciliano
Raviolone recheado com gorgonzola e pêra, regado na manteiga de amêndoas e rapas de limão siciliano

Outro, ainda, foi o Raviolone recheado com Gorgonzola e Pêra regado com manteiga de amêndoas e raspas de Limão Siciliano. Dizer que este também estava uma delícia é redundante, os ingredientes falam por si só.

Vinho Quinta da Neve Sauvignon Blanc
Vinho Quinta da Neve Sauvignon Blanc

Toda essa comideria foi harmonizada com um vinho que gostei bastante, sugestão da Renata, o Quinta da Neve Sauvignon Blanc. Um legítimo terroir, produzido na serra. Aliás a Cantina Sangiovese também é referência pela sua carta de vinhos, com um enfoque bastante valoroso pelos vinhos da terra.

Sopa de morango com sorvete de baunilha
Sopa de morango com sorvete de baunilha

Como sobremesa, comemos a Sopa de Morangos com Sorvete de Baunilha. Uma sobremesa doce mas sem ser enjoada, morangos bem selecionados e transformados em um creme muito saboroso, acompanhado de uma bola de sorvete de baunilha e um galhinho de alecrim que dá um aroma bastante especial. Ele foi acompanhado de um vinho licoroso, o Moscadello di Montalcino, toscano sim senhor!

cantina-sangiovese-ambiente

Tentar descrever com palavras o ambiente da Sangiovese é muita ousadia de qualquer escritor, blogueiro, jornalista… talvez Jorge Amado conseguisse. Uma linda casa em Santo Antônio de Lisboa, muito aconchegante, limpa e arejada, com lareira pro inverno e tudo o mais. Decoração no estilo italiano mas sem o clichê das toalhas vermelhas e verdes quadriculadas, um pátio com gramado e iluminação que dão um toque todo especial ao restaurante. Só uma visita ao lugar pode realmente comprovar a expectativa gerada.

O atendimento é impecável. Desde o garçom até o sommelier, do pedido até a entrega dos pratos, que foi bastante rápida. nenhum problema ou mal entendido. Além disso, a gentileza impera desde a chegada no estacionamento.

O preço condiz com o que foi recebido, desde o ambiente até a comida, que sim, é só um detalhe neste caso. O jantar foi um oferecimento do Chef Helton Costa, mas uma refeição completa como descrita no post custa, em média, R$130 por pessoa. Ou seja, quase de graça, visto toda a produção envolvida no jantar.

Se Jorge Amado visitasse a Cantina Sangiovese, certamente escreveria sobre o restaurante. Porque não há ser humano com o mínimo de sensibilidade que não saia de lá encantado. Mesmo que não seja no litoral da Bahia.

Cantina Sangiovese

  • Endereço: Pe. Lourenço Rodrigues de Andrade, 496. Santo Antônio de Lisboa. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3371-1200
  • Horário: De terça à sábado, das 19h às 00h30. Sábado e domingo das 12h às 16h30.
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

Cantina Santa Maria: excelente opção em Canasvieiras

Cada vez mais tenho preferido pequenos ambientes com serviço à lá carte do que os grandes restaurantes ou rodízios. Deve ser a velhice chegando e a paciência pra grandes aglomerados de gente diminuindo. No último domingo, procurando um lugar pra comer uma carne fugindo das mesmices, saí do centro de Floripa sem rumo com a Fabiana e fomos parar em Canasvieiras. Procurava pelo Churrasco Ao Vivo, uma churrascaria que pelo visto, como muitos estabelecimentos neste balneário florianopolitano dominado pelos irmãos argentinos e gaúchos, só abrem na temporada para receber os veranistas. Na esquinta seguinte reencontrei a Cantina Santa Maria onde no ano passado já havia frequentado, e resolvemos entrar.

Cantina Santa Maria
Cantina Santa Maria

Foi amor a segunda vista. Na primeira vez não lembro porque acabei tendo uma péssima impressão do local (acho que era problema com máquina de cartões ou algo de caráter administrativo), mas da segunda vez me apaixonei. É um local pequeno, aconchegante, no melhor estilo italiano (cantina, óbvio) e com um atendimento de primeira. O preço não assusta, apesar da localização, da qualidade dos pratos e o serviço excelente. Como raramente acontece nessa cidade, os 10% foram mais que merecidos.

Costela em tiras
Costela em tiras

Experimentamos Costela em Tiras, 4 pedaços bem generosos de costela bovina assada com alguns acompanhamentos (arroz, feijão, salada de batatas com maionese e fritas). Antes, porém, fomos servidos de Sopa de Ravioli (incluso no serviço) e, ao sermos advertidos pelo cardápio da espera de 30 minutos para servirem o prato, pedimos também polenta frita como antepasto. Diga-se de passagem muito deliciosa.

Recomendo a visita!

Review

Ambiente: 10

Estilo italiano, bem organizado, climatizado, sem muito barulho, mesas e cadeiras confotabilíssimas, telão com musicais em volume moderado e bem localizado.

Atendimento: 10

Sempre bem prestativo, rápido, educado e eficiente. Vale os 10%.

Cardápio e qualidade da comida: 10

Entrada - sopa de ravioli
Entrada - sopa de ravioli

Oh god, estou dando 10 em tudo, desse jeito a Cantina Santa Maria vai gabaritar. Pois bem, o cardápio é bem completo. Além de pizzas, outros tipos de massas, carnes, peixes, sobremesas e entradas bem interessantes. Me chamou muito a atenção o prato que pedi, Costela em tiras, muito saboroso e pouco aproveitado pelos restaurantes daqui.

Preço: 9

Não é um restaurante popular. Nem deve ser o objetivo da direção da casa. Portanto uma média de R$50 por pessoa pra se comer bem eu imagino que não seja lá muito exorbitante, levando-se em consideração os padrões da cantina. Então o preço também está honesto. Só vai ganhar 9 no preço porque as sobremesas não são compatíveis com o preço da refeição. Um pequeno vasilhame (é, não servem num pratinho, e sim num pote descartável) de pudim custa 8 reais.

Observações:

  • Não há estacionamento próprio, mas existem vagas nas ruas principais e laterais. Por ser tratar de um ambiente pequeno, não dá pra se exigir estacionamento próprio. Pela foto, hão de concordar comigo que até descaracterizaria o local.
  • Aceita cartões de débito e crédito (não aceita cheque sob qualquer hipótese).
  • Excelente carta de vinhos para todos os gostos e bolsos, inclusive alguns fazendo combos com os pratos principais como oferta promocional.

 Nota final: 9,75

Dados do Restaurante

  • Endereço: Rua Apóstolo Paschoal, 267. Canasvieiras – Florianópolis/SC.
  • Telefone: (48) 3266-2652
  • Site: cantinasantamaria.com.br
  • Wi-fi: não