Arquivo da tag: carnes

Roteiro Gastronômico: Lagoa da Conceição

Comideria_modelo_roteiro_gastronomico

O Verão chega e a capital catarinense quase triplica sua população. São turistas que querem passar o réveillon em Florianópolis, o Natal no litoral de Santa Catarina e alguns ficam até para o Carnaval em Floripa. Motivos não faltam para que o turista chegue até aqui em busca de sossego, boas praias e natureza exuberante. Para ajudar você turista, ou você mesmo nativo que está querendo conhecer um pouco mais a sua cidade, começamos hoje uma série de posts com pequenos roteiros turístico-gastronômicos da cidade. Vamos passar por Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui, Jurerê Internacional, Lagoa da Conceição, o Balneário de São Miguel e até Governador Celso Ramos com suas lindas e quase intocadas praias estarão no elenco desta produção.

mirante-morro-da-lagoa

A Lagoa da Conceição é, sem dúvida, um dos lugares mais bonitos a se visitar em Florianópolis. Desde a sua chegada, quando o Mirante para a Lagoa dá boas vindas ao visitante, até a Costa da Lagoa, num local mais afastado e com acesso apenas por barco, tem lindas paisagens para perder algumas horas admirando.

Descendo o Morro da Lagoa, o principal acesso ao bairro, você já tem uma série de opções gastronômicas. Entrando na Rua Laurindo Januário da Silva, rua principal do Canto do Lagoa, você já tem acesso a restaurantes com frutos do mar, bistrôs e até sushis.

bistro-santa-marta-polvo-grelhado

É o caso do Bistrô Santa Marta, onde comemos o delicioso Polvo da Magia. A Chef Bárbara também nos preparou um Carré de Cordeiro como poucos que comi aqui na cidade, acompanhado de purê de mandioquinha, alho confitado e geléia de pimenta, que ela mesma faz.

kanto-combinado-salmao

Do lado também podemos experimentar o sushi do Kantô. Do tataki de atum até o Burning Gunkan, o Kantô é perfeito na execução e nos sabores. Atendimento nota 10.

Voltando para a entrada da Lagoa passamos pelo “centrinho” com uma diversidade de bares e botecos quase infinita. Cerveja de todos os tipos, bares mexicanos para tomar-se um mojito ou uma margarita e cafés dos mais estilos de paladares e bolsos, do mais simples ao mais sofisticado.

A Avenida das Rendeiras é responsável pela maior parte do turismo e da gastronomia da Lagoa da Conceição. É nesta orla que existe a praia para um banho de lagoa, prática de esportes e uma infinidade de lazer a céu aberto. Em todo o comprimento das Rendeiras é possível comprar artesanato local baseada em renda de bilros, fazer aulas de kitesurf e passeios de barco e caiaque.

Para comer, recomendamos o Barracuda Restaurante & Grill, no coração da Lagoa. Oferece pratos inspirados na culinária local um pouco mais elaborados, como Camarão ao Gorgonzola, que experimentamos e aprovamos em uma visita. Em outra comemos a Sequência Barracuda.

barracuda4

A sequência, pra quem não sabe, é um preparado no formato de menu degustação. Quando você não quer experimentar um único prato e quer comer um pouquinho de cada coisa, você solicita uma sequência que pode atender de 2 a 4 pessoas. Eu pedi a Sequência Lagoa da Conceição, um dos pratos de maior rotatividade da casa. Ela é composta por dois bolinhos de peixe, duas casquinhas de sirí, camarões ao bafo, camarões alho e óleo, camarões à milanesa, molho tártaro, filés de peixe ao molho de camarão e acompanha um arroz muito saboroso e temperado, batatas fritas, pirão de caldo de peixe e uma salada.

Por ter uma proposta mais elaborada o Barracuda não cabe em todos os bolsos. Caso esteja querendo experimentar frutos do mar e economizar um pouco, tem muitos restaurantes onde é oferecido um buffet honesto e também saboroso. No final das Rendeiras, por exemplo, existe o Lagoa Restaurante.

Voltando para o centrinho da Lagoa, existe a Praça Bento Silvério onde funciona o Casarão e, aos domingos, uma simpática feirinha acontece do meio-dia às 19h reunindo cerca de 125 artesãos. De bijuterias à renda de bilros são comercializados ali, inclusive alguns produtos orgânicos para gastronomia são encontrados.

la-provence-foto05

Ali perto é possível comer no Bistrô La Provence, numa cozinha inspirada nos franceses. A sugestão é experimentar o excelente filé dijón, mas não sem antes de comer o tartar de salmão que é uma delícia.

A Lagoa da Conceição é com certeza o mais democrático bairro de Florianópolis. Todas as tribos e todas as classes sociais se misturam neste pequeno pedaço de terra recheado de água salobra. Tanto é verdade que você pode experimentar da mais alta gastronomia até um simples mas saborosíssimo xis, no Calota.

calota-xis2

Se você der sorte de estar neste bairro numa quarta-feira à noite, é possível comer o incomparável xis costela, feito com carne assada na brasa.

sabor-da-costa-barcos

Por último e não menos importante, outro passei para se fazer estando em Floripa é conhecer a Costa da Lagoa. Este, o mais afastado, só pode ser acesso pela água. Existem linhas de embarcações que saem da Ponte da Lagoa ou então do Rio Vermelho (caso esteja de carro prefira este trajeto, é menor e mais rápido, sem contar a parte terrestre). Na Costa além de você ter a sensação de estar visitando um lugar onde pouca gente teve acesso, com natureza quase intocável e bela e nascença, várias opções de gastronomia são encontradas, onde cada restaurante se torna um ponto de desembarque de turistas.

sabor-da-costa-jaja

Nós conhecemos recentemente o Sabor da Costa e o Jajá, o proprietário do negócio que é uma figura, um show a parte. Você come no restaurante dele e ainda ganha entretenimento free, seja fazendo piada com a cultura local, seja autografando os copinhos de cachaça que são servidas gratuitamente… Vale a pena conhecer o Sabor da Costa e comer lá.

Depois de conhecer um dos mais lindos lugares de Floripa, volte aqui no post e comente o que você achou, compartilhe conosco sua experiência. Boa viagem e boas férias!

Joe e Leo’s, casual dining no Bourbon Country de Porto Alegre

Ainda não consegui entrar num Outback. Não por falta de vontade, mas porque as filas são sofríveis e, como já disse aqui, não existe marca nenhuma no mundo que me faça ficar mais de 10 minutos numa fila pra comer caso eu tenha que pagar a conta. Se for boca livre beijo, me liga!

Joe e Leo's, casual dining em Porto Alegre
Joe e Leo’s, casual dining em Porto Alegre

Em Porto Alegre achei um restaurante com uma cozinha que tem uma proposta que lembra um pouco o Outback, embora resumí-lo a isso seria uma injustiça muito grande com André Cunha Lima, o proprietário da então loja que foi inaugurada em 1993 em Itaipava com a missão de fazer “best burguers”. De lá pra cá, 19 anos se passaram e mais outras 6 lojas foram abertas. 5 no RJ, 1 em Campinas e outra em Porto Alegre.

J&L Grill
J&L Grill

E foi no único Joe e Leo’s fora da região sudeste do país que eu experimentei o que talvez seja o único “casual dining” legitimamente brasileiro, embora inspirado totalmente na culinária estrangeira. A capital dos gaúchos me recebeu muito bem gastronomicamente falando, e neste restaurante tive uma grata surpresa e embora quisesse no dia fugir dos hamburgueres, experimentei grelhados e assados de primeiríssima qualidade.

St. Louis Ribs, costela de porco com molho barbecue
St. Louis Ribs, costela de porco com molho barbecue

A Sara pediu um St. Louis Ribs, uma costela suína defumada e grelhada com molho barbecue em quatro opções de sabores (original, smoked, honey smoked e spicy). A carne é macia, vem num ponto interessante e o molho é uma delícia. Como costeletas de porco rendem menos carne, por conta dos ossos, principalmente se a carne não for tão gordurosa, o prato parece gigantesco. Dá até medo quando o garçom serve ele porque ocupa um espaço considerável da mesa. Fique tranquilo que você vai conseguir comê-la, no máximo deixar duas ou três ripas se não estiver com muita fome. Até porque os pratos têm algumas opções de acompanhamento, podendo escolher duas por prato.

St. Louis Ribs, costela de porco com molho barbecue
St. Louis Ribs, costela de porco com molho barbecue

A vantagem de ir acompanhado fazer um review é que você pode pedir pratos diferentes e experimentar o do companheiro. Ao passo que queria muito conhecer o “Ribs on a barbie”, fiquei bastante interessado pelo Rib Eye deles, um bife ancho que é um corte “inventado” pelos nossos vizinhos argentinos um pouco semelhante ao chorizo. A bem da verdade, é também de origem do que conhecemos como contra-filé, só que a outra ponta da peça. E foi esse que eu pedi, acompanhado de mashed potatoes (purê de batatas com alho picado frito de cobertura) e onion rings. Outra surpresa porque além da maciez e sabor da carne que comi, finalmente achei um restaurante de grelhados que entende exatamente o que é “ponto da carne” (talvez conversemos sobre isso num próximo post).

Rib Eye, bife ancho grelhado. Acompanhado por mashed potatoes.
Rib Eye, bife ancho grelhado. Acompanhado por mashed potatoes.

Além de a comida ser ótima, o atendimento foi impecável. Todos os pedidos vieram corretos, sempre que solicitamos fomos muito bem atendidos e entendidos, com bastante profissionalismo e gentileza.

O ambiente, apesar do restaurante estar dentro de um shopping, é bem aconchegante. O som ambiente é controlado, você pode conversar a vontade, apreciar sua comida com tranquilidade e passar um bom par de horas aproveitando o lugar.

Onion Rings, cebolas empanadas fritas.
Onion Rings, cebolas empanadas fritas.

O preço é me pareceu justo por todo o serviço e pelo que foi servido. Tanto o St. Louis Ribs quanto o Rib Eye custaram R$46,90 cada um. Os preços da seção J&L Grill do menu variam entre 41,90 até 49,90, tendência que também acompanha os burguers.

Além de grelhados e hamburgueres no restaurante você também pode pedir algumas entradas, aperitivos, massas, sanduíches, saladas, pizzas e sobremesas.

Recomendo a visita!

Joe e Leo’s

  • Endereço: Rua Túlio de Rose, 80. Loja 336 – Shopping Bourbon Country – Porto Alegre, RS.
  • Telefone: (51) 3362-6297
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim
  • Wifi: sim
  • Site

Galpão Grill – um lugar de comideria

Este estabelecimento encerrou suas atividades.

Sou da opinião de quem faz de tudo um pouco, não faz nada com excelência. Essa é uma opinião que eu tenho e imagino que ela não será retocada por um bom tempo. Mas hoje me surpreendi com um restaurante situado no bairro Agronômica aqui em Florianópolis. O local já é tradicional por sediar churrascarias, como a querida Barni’s dos mesmos proprietários da tradicional Meu Cantinho de São José.

Galpão Grill
Galpão Grill

O Galpão Grill durante o dia funciona como uma churrascaria normal oferecendo desde as carnes tradicionais até as mais exóticas. Há inclusive no cardápio um tal de costelão ao molho de gorgonzola que eu preciso de uma forma desesperada experimentar. Mas durante a noite, pra quem gosta de comer de tudo um pouco, eles têm o que eu chamo de “orgia alimentar”.

Buffet de saladas, sushis, sashimis, ostras e demais quitutes
Buffet de saladas, sushis, sashimis, ostras e demais quitutes

Rodízio de pizzas com 45 diferentes sabores, 7 tipos de carnes, buffet de saladas contendo ostras, sushis e sashimis (de peixe branco), um buffet de queijos, uma mini-tratoria onde preparam um prato de massas ao seu gosto e, pra encerrar com chave de ouro, um buffet de sobremesas bem variado. Tudo isso por módicos e promocionais R$32,90. Menos o cafezinho ou chá que te oferecem no final, eles são cobrados (não faz sentido, mas são).

Cardápio
Cardápio

Gostei do atendimento. Por conta do movimento os garçons estavam naquela habitual correria, mas sempre muito atenciosos, rápidos e eficientes.

Vá preparado, com este preço o restaurante enche. Desde a chegada até ocuparmos uma mesa levou cerca de 20 minutos. Mas você pode ficar numa sala de espera tomando seus bons drink aguardando sua vez. Tem estacionamento próprio e gratuito (ou quase, já que o manobrista deixa bem claro que gostaria de receber o do “cafezinho” na saída). #classemediasofre

Sobre o Galpão Grill e Pizza

  • Endereço: Rua Constantino Nicolau Spyrides, 3806 (paralela e marginal da Av. Beiramar Norte)
  • Telefone: 48 3224-7554 (sem traços e com DDD é a senha do wifi)
  • Site: http://www.galpaogrillepizza.com.br
  • Aceita cartão de crédito/débito
  • Estacionamento próprio
  • Ambiente climatizado

Otimizando sua ida a Churrascaria – Parte VI

Comendo com estilo

Você já fez seu prato no buffet, escolheu sua bebida e está participando do ritual do rodízio de carnes. Você sabe comer com estilo?

Em primeiro lugar você deve comer com a mais absoluta calma. Se você está com pressa, não vá num rodízio. Vá num drive-thru e peça um BigMac com fritas e uma coca de 250ml, mas não entre numa churrascaria a rodízio. Rodízio exige além de boas escolhas uma paciência de Jó. Seu estômago não é um órgão lá muito confiável. Você precisa mastigar os pedacinhos de carne como se estivesse frente a frente com uma mulher que você ache muito gostosa, e comece a apreciá-la pela ponta da unha do dedão do pé direito. Por isso, deve pedir…

Pedaços pequenos

Nada de nacos grandes de carne. Peça sempre fatias pequenas para que você possa aproveitar ao máximo. Você come aquele pedacinho sem se preocupar, pois apesar de rodízio ter o nome de espeto corrido, ele não vai correr de você. Nem fugir do restaurante. Ele voltará, pode ter certeza.

Acontece em algumas churrascarias onde o atendimento não é lá essas coisas ou eles não se programaram para aquele domingo de movimento, e o garçom precisa se dividir em três para atender todos. Na pressa ele te joga qualquer pedaço. Peça licença, pegue a carne, jogue de volta naquele pratinho que serve de base para o espeto dele e diga:

– “Este pedaço é o seu. O meu é este aqui…” E aponte para o pedaço que você quer, pequeno, menor que o seu salário. Assim você sempre terá os…

Pedaços melhores

Os melhores pedaços de carne são aqueles que vêm acompanhado de uma pequena (ou grande) camada de graxa. É essa que você deve escolher. Eu te bateria com o espeto no meio das ventas se você fizesse isso, mas se for extremamente necessário, do tipo, o seu grau de viadice enrustida de um problema com colesterol é alto, você pode tirar um pouco da gordura no seu prato. Mas escolha o pedaço que é envolto nela; são os melhores pedaços. Mais macios, suculentos e saborosos.

Abacaxi

Volta e meia pode aparecer um garçom te oferecendo abacaxi. De primeiro momento, e isso já aconteceu comigo, você pode pensar algo como “ah, eu não vim aqui para comer abacaxi assado…”. Mas ele te ajudará. Ao chegar nos 45 minutos do primeiro tempo, você pode fazer um intervalo. Aceite um abacaxi. Ele ajuda na sua digestão. Ele é ferramenta IMPORTANTE na otimização de um espeto corrido. Coma. Coma só um pedacinho, mas coma.

Após o abacaxi descer um pouco, você embebeda o seu pobre estômago em mais algumas goladas de Coca-Cola e está preparado para o…

Segundo tempo

O processo se repete de igual forma sem tirar nem pôr. Continue comendo carne como um bicho-do-mato que nunca viu comida. Coma feito um porco. Sempre em doses pequenas, suaves, de forma calma, com parcimônia e fazendo uso dos digestivos (Coca-Cola e abacaxi, não necessariamente neste mesma ordem).

O tutorial vem chegando ao fim, pois já estamos nos…

47 minutos do segundo tempo

Estamos nos acréscimos. O juiz pode findar a partida a qualquer momento. O apito está na boca e você deve aproveitar os últimos segundos. Se estiver no prejuízo, se esforce para tentar empatar. Se estiver ganhando, o importante é fazer saldo de gols. Qualquer pedacinho extra de costela gorda conta para a tabela de classificação.

Mas ainda temos a…

Sobremesa

Churrascaria que é churrascaria tem um baita buffet de sobremesas. Desde um sagú de vinho tinto, mousse de chocolate, pavê de bolacha, mouse de limão, sorvetes de toda sorte e pudim de leite. Algumas podem até querer vir com aquela frescura de carrinho e um novo cardápio. Ignore. Vá numa churrascaria que te proporcione essas delícias de forma… digamos… FREEGrátisNa faixa.

Aproveite este momento. O nível de sal grosso ingerido no seu organismo foi grande e apesar da quantidade de refrigerante ministrada, você precisa de um docinho pra cortar o veneno.

A conta

E com a sobremesa você encerra sua participação no espeto corrido. Chega de carnes, bebidas, abacaxis, doces… aquela sensação de peso no estômago é latente, você mal vai conseguir entrar no carro e dirigir. Mas você otimizou seu churrasco. Você aproveitou cada momento, cada pedacinho, comeu o máximo que pôde, o seu dinheiro foi muito bem empregado.

Peça a conta, agradeça os garçons que te ajudaram nesta caminhada rumo à otimização e não fique com aquela sensação chata de que os que estão entrando pra comer são pessoas anormais só porque você está estufado e não consegue mais olhar comida. Isso acontece, pode crer, mas tente evitar.

Encerrando…

Não fechamos só a conta. Fechamos aqui este pequeno tutorial. Espero ter ajudado você a dirimir dúvidas sobre seu desempenho gastronômico, sobre algumas carnes, sobre a forma de comer… enfim, sobre como você deve lidar com este rito sagrado que é “churrasquear“.

Otimizando sua ida a Churrascaria – Parte V

Carnes suínas, ovinas e exóticas

Nem tudo num bom churrasco é boi. Existem também os nossos queridos porquinhos que nos fornecem também uma boa costela; as ovelhas nos dão além de uma costela, as suas magníficas paletas; tem também aquelas carnes exóticas que agora virou modismo nos estabelecimentos.

As suínas e ovinas, coma todas. Elas têm um alto grau de gostosura e nutrientes. As exóticas, principalmente, tem baixo nível de colesterol e são mais saudáveis. Mas você não deve estar preocupado com colesterol. Se você tem colesterol alto, por favor, vai num restaurante vegetariano ou seja uma bichona pra comer peixe que não requer nenhum preparo, vulgo sushi e sashimi.

Costela suína

A costela do porco é um corte muito macio e suculento. A exemplo da bovina, possui um aroma e paladar muito acentuado e agradável. Por muito tempo as carnes do porco foram evitadas pela facilidade que o porco tem em transmitir doenças e pela falta de tecnologia suficiente para consumo seguro. Hoje a coisa é diferente. Há possibilidade até de se consumir uma carne de porco mal passada, se ela for de um frigorífico confiável e com os sêlos e certificados de saúde animal devidamente em dia.

Se você nunca comeu carne suína, recomendo que comece pela costela. Depois, você pode até experimentar a…

Picanha suína

Diferentemente da bovina, a picanha suína é uma carne um pouco seca. Macia, sim. Mas seca. Não tem muita gordura nos cortes que são servidos na churrascaria. São apreciadas de igual forma. Consuma em doses homeopáticas, fingindo você ser um crítico em gastronomia. Só prá experimentar.

Costela de Ovelha

Experimente. Também é gostosa. Até Oscar Maroni, o dono do hotel Bahamas, recentemente envolvido em polêmicas por causa de facilitação à prostituição, gosta. Coma, nem que seja em memória do futuro prefeito de São Paulo. Em entrevista, ele disse que sonhou todas as noites, na prisão, com as costelinhas de ovelha.

“Vocês não sabem o que é ficar 49 dias sonhando com isso”. Então não sonhe. Coma.

Paleta de Ovelha

Maroni teria dito a mesma coisa. O sabor é muito parecido. Mas ele já tinha comido todo o estoque de costela, não leu o tutorial Otimizando sua ida a Churrascaria, então não sobrou espaço para uma linda e deliciosa paleta ovina.

Javali

A carne do Javali selvagem é muito rica em nutrientes. Possui a mesma quantidade de proteínas que a carne de boi, mas tem menos colesterol e gordura. Tem a mesma quantidade de calorias que de um frango, por exemplo. Por isso mesmo você não vai comê-la. Enche demais o bucho, é muito dura e seca. Carne sem gordura não deve ter espaço dentro de uma churrasqueira.

Avestruz

Vai encarar um bicho feio desse?

Eu não tenho implicância com carne exótica. Não mesmo. Já comi tanto javali quanto avestruz. Mas nenhuma das duas conjecturam o meu padrão aceitável e churrasqueável. A carne do avestruz é menos calórica, ainda, que a do frango e as que eu comi, não vi vestígio algum de gordura. Aqui vai uma dica MUITO importante ainda não mencionada: churrasco precisa engraxar o bigode. Se você não se lambuza de gordura, diga “Não! eu não aceito esta carne. Obrigado, amigão!” Simples assim.

Resumindo:

  • É de porco? Come!
  • É de ovelha? Come!
  • É de javali? Não come!
  • É de avestruz? Não come!
  • Colesterol tá alto? Sushi. Sem shoyo.

Otimizando sua ida a Churrascaria – Parte IV

Isso eu como em casa – Carnes bovinas

Outro subtítulo que define, para quem domina a arte de churrasquear otimizada, o restante do post. Mas é um tutorial, pressuponho que você o lê para aprender, então partilho os conhecimentos necessários para que na hora H, aquele momento em que o garçom vem todo prosa exibindo o espeto como um troféu de funcionário do mês (dependendo a carne que ele foi incumbido de servir) e chega até você.

Você tem duas opções: aceitar ou não. Por apenas uma, tão somente uma palavra proferida de sua boca você vai pegar um pedaço daquela carne ou não. E este é o momento gracioso do rodízio, pois você tem a palavra final. Você é o juíz. Você não tem mais 10 anos de idade onde sua mãe define o que você vai por boca adentro. Você está frente à frente com o metre, e ele quer saber se você quer ou não. E você precisa tomar decisões corretas. Um passo em falso e você come uma carne que não lhe apraz o paladar, enche seu estômago de algo efêmero e lá se foi o rodízio. Seja diligente. É agora. A bola está na marca do pênalti.

Picanha

Grandes merdas se a picanha custa caro. Grandes merdas se a picanha é uma carne nobre. Grandes merdas se todos a sua volta estão esperando por ela. E grandes merdas se o garçom que é responsável por este corte se acha a última Trakinas do pacote por isso. Você não vai comer o primeiro pedaço de picanha oferecido. Você está pagando por este rodízio e vai comer a picanha na hora que quiser, porque você não se rende ao luxo dos parvos, você pode muito bem esperar. A picanha é saborosa? Ô, se é! Mas existem carnes tão boas – e, na minha modesta opinião, melhores que ela. Mostre que você tem fibra e leu o “Otimizando sua ida a Churrascaria” e conhece de rodízios. Coma ela na segunda ou terceira vez que o garçom passar.

Comer a famigerada picanha na primeira passada do servidor é coisa de pobre. Pobres fazem isso. Presumo que você tenha entendido, mesmo que subjetivamente, que ir à uma churrascaria barata não é um bom negócio. Deixe a picanha pra depois. E coma uma deliciosa…

Costela

Este sim é o manjar dos deuses. Poucos conhecem o segredo, já diria Rhonda Byrne. Mas você está prestes a conhecê-lo. Assim como a Lei da Atração não era conhecida até hoje – ou pelo menos até a autora ter decidido encher o rabo de grana -, este também não. Poucos sabem apreciar um bom churrasco. Poucos gostam de costela. A costela é um corte que necessita perícia para se assar. Ela deve ficar por horas e horas no fogo curtindo aquela brasa e a fumaça que a defuma e transforma num manjar. A gordura dela é proposital, vai derretendo e deixando a carne mais tenra. Coma costela. Sem pudores, sem limites.

A Costela pode ser assada também, dependendo a churrascaria, no fogo de chão. É como os gaúchos a preparam. E é a melhor forma, claro. Em algumas churrascarias ela fica horas em aparatos providos de espetos em na diagonal, fincados no chão, e estão sempre à vista dos clientes. E fica lá, pingando a graxa (gordura) e alimentando a brasa.

Alcatra

Oriunda do músculo traseiro do boi, fica boa também no churrasco. Muito embora eu a prefira num strogonoff, bife ou qualquer outro preparo caseiro, ela tem seu sabor e apesar de não ser tão macia (é uma carne muito fibrosa) pode ser degustada moderadamente.

Se for pra escolher, escolha uma outra carne que é resultado do desmembramento da alcatra, que é a…

Maminha

Ela é muito mais macia que a anterior, apesar de também ser chamada de “Maminha da Alcatra”. Coma ela, preferivelmente, antes da Alcatra, se você realmente vai insistir em comer aquela coisa dura e cheia de nervos. Ela é uma carne tipicamente de primeira, ao contrário da alcatra, que é considerada mas não é.

Fraldinha

Não, não é o utensílio geriátrico que o boi velho usa na sua falta de cognição para realizar sua higiene. A Fraldinha é um corte tirado do abdomen do bicho, e apesar de ser fibrosa, vai bem num churrasco. Eu não como, particularmente, em churrascarias. Isso eu como em casa. Não preciso pagar trinta pilas para comer algo que costumeiramente tem no meu congelador. Mas geralmente quem a serve é um garçom novato e você pode fazer isso como a “boa ação do dia” dando ao rapaz orgulho de ostentar uma carne que já foi considerada de segunda, mas subiu para a primeira divisão no tapetão.

Filé Mignon

VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO! VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO! VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO! VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO!

Repita de novo: VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO!

Isso é bom num strogonoff daquela sua tia rica que ao invés de gastar o dinheiro resolvendo sua vida sexual atrasada, fica fazendo festinhas extravagantes toda sexta-feira pra não se sentir tão sozinha. E daí que é caro? VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO!

Cupim

Coma cupim. É outra carne que necessita MUITA perícia para ser preparada. Ninguém dá bola pra ela, mas o garçom que serve ela nunca entre em depressão por minha causa. Não deixo passar nunca, assim como a Costela. Por isso, ele sempre me consegue os melhores pedaços. Resumindo: coma cupim!

Entrecorte

O coringa. Sim, este é o coringa do rodízio. É gostoso, ninguém sabe de onde vem, nem mesmo o garçom, mas é gostosinho. É que nem xuxú: não tem aquele gosto especial mas num contexto ele faz sentido. Um pedacinho não vai te fazer mal, vai incentivar a venda e o consumo, e, de quebra, vai ajudar pesquisadores desocupados de Botswana do Norte a descobrir que diabos é essa parte do boi.

Fontes seguras dizem que o Entrecôte (como é também chamado), é o miolo do…

Contra-Filé

Sabe. Eu tenho muitas teorias que não consigo comprovar. Uma delas é com este corte. Já fiz vários churrascos em casa, para familiares e amigos, e o contra-filé, por ser uma opção econômica, é o que demonstra maior resultado na relação custo x benefício. Já assei cortes de contra-filé de fazer gente lamber os beiços. Mas não consigo gostar desta carne num rodízio. Todas me decepcionaram.

Talvez seja porque as churrascarias teimem em assá-lo por inteiro, e o ideal é que ele seja assado em fatias, tal qual a picanha. Vai saber! Coma por sua conta e risco.

Resumindo…

  • Se você comer picanha de primeira, você é um fraco capitalista. Traia o movimento, seja xingado pelo Dolabella e se pareça com o João Gordo, mas elegue a Picanha a um segundo plano.
  • Costela é sinônimo de churrasco gaúcho. Se você churrasqueia e não come costela, você, na verdade, não churrasqueia.
  • Cupim é bom. Coma cupim.
  • VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO!
  • Contra-filé somente se feito em fatias e se a cara do garçom tiver boa, para não correr o risco de pegar um pedaço ruim.

Mas você pode ainda não ter entendido. Por isso, fiz este pequeno “infográfico bovino”. Nas melhores churrascarias, você encontra um mapinha parecido, informando cada corte do boi. Aqui, eu facilito sua vida. Você imprime, recorta e leva na carteira para a próxima oportunidade. Se possível, deixe em cima da mesa. O garçom saberá o que te servir.