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Riosulense: a tradicional churrascaria do Continente tem novo endereço

Quem me acompanha pelas redes sociais sabe que um dos poucos restaurantes que visito com uma certa frequência é a Churrascaria Riosulense. Já falei dela aqui. Já tentei explicar várias vezes o meu amor por esta churrascaria em vão, palavras não conseguem traduzir este sentimento. Mais que a comida, a Riosulense é um lugar onde qualquer um pode se sentir à vontade. Tem, é claro, que buscar na história da cidade toda a trajetória dos proprietários que passaram por ali, os churrasqueiros, os garçons da velha guarda e da nova geração. É um lugar pra ser a segunda casa.

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Puderem perceber, ainda, quem segue o Comideria no Instagram, que noticiei nos últimos dias a troca de endereço da Churrascaria Riosulense.

Pra quem estava acostumado a encontrá-la na esquina da Evaldo Schaeffer com a Celso Bayma agora terá que se dirigir à Rua Castro Alves, 1102.

E no sábado, um dia após de abrir as portas novamente no bairro em que a consagrou, estive na Riosulense para um almoço querendo saber o que havia mudado.

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Me deparei com um espaço bem mais amplo, arejado, com o pé direito alto. Ao invés do tom rústico da antiga casa, agora um salão cheio de possibilidades de decoração. Isso porque pra não ficar mais que quatro dias fechada para a mudança, ainda estou adequando o visual do lugar.

No novo espaço para 300pax, as antigas mesas e cadeiras compartilham o ambiente com a nova mobília que, segundo o Seu Nilton, veterano e que carrega a estampa da Riosulense (além do Sagui, in memorian, e o Nei) serão padrão nos próximos dias. “A gente vai fazendo aos poucos pra não prejudicar o atendimento” me confessou o meu amigo que sempre me recepciona com um sorriso no rosto. Seus cabelos brancos como uma geada marcam a experiência de quem sabe as manhas e cada vontade dos seus clientes. Um incansável e atencioso maître que jamais algum restaurante francês viu.

Eu pedi uma costela, pra saber se algo na comida havia mudado.

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Antes de mais nada vieram os pãezinhos, como de costume. Parecem os mesmos.

Vieram “os frios”, como eles gritam pedindo à cozinha as saladas. Tudo igual.

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Batata frita, feijão, arroz branco e à la grega, até a melhor maionese do mundo estava igual, com a receita intacta.

E a costela? Vou admitir: eu pedi pro Nilton falar pra cozinha caprichar que “era pra foto”. Eu vou toda semana no restaurante mas nem sempre com a Canon pra aparecer aqui no blog. Também não mudou nada. A mesma maravilhosa, deliciosa e farta costela bovina de sempre. Nem mesmo mudou porque eu pedi caprichada, jamais veio sem ser no capricho mesmo.

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Então o que há de novo na Churrascaria Riosulense? Somente o endereço. Nada além disso. Tirando o ambiente maior e mais claro, a vista lindíssima para a Beiramar Continental e para a Ponte Hercílio Luz, tudo continua o mesmo. Os mesmos amigos, os mesmos sorrisos, a velha cordialidade de sempre.

Este blogueiro apenas deseja sucesso no novo endereço e que continuem sendo a melhor churrascaria de Florianópolis por mais algumas décadas.

Churrascaria Riosulense

  • Rua Castro Alves, 1102. Balneário do Estreito, Florianópolis.
  • (48) 3240-1014
  • Aceita cartões
  • Estacionamento
  • Wi-Fi

Branger, churrasco de patrão na Palhoça

Quem já teve a oportunidade de ouvir música gaúcha sabe o que quer dizer “churrasco de patrão”. Não se confunda, não é pratão, embora fizesse todo o sentido. É patrão mesmo. O churrasco de patrão é aquele onde você tem uma mesa farta, não só nos acompanhamentos mas nas variedades de carnes que estão no brasa. Desde um tipo de carne suína, dois ou três das bovinas, um galeto, linguiça ou salsichão, coração de galinha, um outro miúdo, queijo, frutas… esse é o típico churrasco domingueiro que junta as famílias aqui no Sul brasileiro.

Está cada vez mais difícil achar churrasco de patrão na grande Florianópolis. Enquanto algumas churrascarias se especializaram em carnes nobres, treinaram melhor o atendimento e deram um tom mais glamuroso ao seu restaurante, elevando também os preços, outras ficaram no à lá carte se especializando em alguns cortes, seguindo uma linha e uma lógica gastronômica.

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A Churrascaria Branger mantém essa coisa de churrascão, é um poucos pontos da região metropolitana onde se pode ainda comer um churrasco no estilo espeto corrido bem variado com um buffet de saladas e pratos quentes de forma glutona. É um lugar de comideria, encher os pandulhos de carne gastando pouco e não ligar pra outros fatores. Um deles é o atendimento.

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O atendimento funciona. Você praticamente vai pedir pro garçom apenas as bebidas, visto que além do buffet de pratos quentes e saladas as carnes vão vindo em rodízio, então as coisas vêm normalmente sem muito esforço. Aos domingos, quando ela atinge sua máxima lotação em todo o horário de funcionamento, o atendimento é bastante corrido e um pouco truculento, mas funciona. SE você se importa com isso, acha que realmente com 36 reais, o preço do espeto corrido, vai comer carne à vontade e ter um tapete vermelho te esperando, então é melhor não ir lá. Ele não serve pra você. Se ainda assim quiser fazer uma visita, vá com o espírito livre de mal humor, tranquilo, sem se importar com a cara fechada das pessoas e o barulho que habita o amplo salão do restaurante. O ambiente é climatizado pelo menos, você não vai passar calor.

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As carnes servidas são boas. Considerando bom numa escala de 1 a 5, onde existe o péssimo, o ruim, o bom, o delicioso e o excelente. Ela bem preparada para o gosto popular da carne, carnes um pouco além do ponto, tendo opções de algumas peças servidas como “mal-passadas”, que no caso é o “ponto” correto.

Você vai poder comer picanha, costela, maminha, alcatra, costelinha suína, cupim, matambre, fraldinha, filé mignon, paleta de ovelha,  linguiça campeira, coração de galinha, queijo colonial assado (que é servido com melado de cana, recomendo experimentar esta iguaria) e outros ítens sazonais que estão inclusos no espeto corrido.

Paleta de Cordeiro
Paleta de Cordeiro

Recomendo fortemente essa paleta de cordeiro, e se estiver disposto a experimentar, pegue um pouco da geléia de hortelã. Fica delicioso.

Há um buffet de saladas e pratos quentes, como disse, que é livre para servir-se à vontade. E um outro de sobremesas, também livre. Note que algumas opções do buffet vão acabando e você pode chegar por volta das 14h, como cheguei, e sentir falta de algo. Mas não se assuste, como o movimento é intenso, eles vão repondo assim que algum acaba.

O preço do rodízio é de R$36 por pessoa e não há limitação. Com refrigerantes e 10%, o almoço saiu por volta de R$45.

Churrascaria Branger

  • Endereço: Rua Jacob Weingartner, 4434. Centro. Palhoça, SC.
  • Horário: de terça à sexta-feira, das 10h40 às 15h. Sábados, domingos e feriados das 10h40 às 15h30.
  • Telefone: (48) 3033-1911
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Churrascaria Riosulense: meio século servindo assados de qualidade em Floripa

Frequento a Churrascaria Riosulense desde que me conheço por gente. Porém que incorporei esse espírito de blogueiro de gastronomia, onde uma das exigências é ir de restaurante em restaurante experimentando coisas novas e, possivelmente, fazendo reviews aqui pro blog, ter fidelidade a um restaurante tem sido algo anormal. Mas a Riosulense é um dos raros locais onde pelo menos 2 vezes no mês eu vou pra saborear um assado de excelente qualidade.

Costela da Riosulense
Costela da Riosulense

A Riosulense não foi “criada”, ela foi transformada. Isso porque em 1961 o famoso Sr. Sílvio comprou a então Churrascaria Tupã e em homenagem a sua terra natal, Rio do Sul, nascia a churrascaria mais tradicional de Florianópolis nos arredores da Praça Nossa Senhora de Fátima, no Estreito. Há cinco anos o terreno onde ficava a Riosulense foi negociado para a construção civil, Sílvio aposentou-se e dois funcionários se uniram e arrendaram a churrascaria, levando-a para o bairro Jardim Atlântico.

Galeto à Ouro Verde
Galeto à Ouro Verde

“Sagui”, um sujeito muito simpático, o garçom mais antigo do restaurante e quem comanda hoje a Riosulense, mantém a costumeira qualidade e clientela fiel adquirida ao longo destes mais de cinquenta anos. Preserva a churrascaria do jeito que sempre foi: um ambiente simples, cardápio variado mas sempre fiel às tradicionais receitas da casa e um atendimento sempre muito, muito cortês.

No cardápio, três pratos me chamam muito a atenção: a costela bovina, que é muito macia e saborosa, assada no vinho branco; a paleta de ovelha, talvez o carro-chefe do restaurante; e o lombinho suíno ao queijo.

Lombo suíno fatiado ao queijo
Lombo suíno fatiado ao queijo

O sistema é a la carte e todos os pratos acompanham uma salada mista muito bem preparada, arroz branco e arroz à grega, fritas, farofa, feijão e maionese. Destaque para este último, cujo sabor é inigualável. Há pelo menos 20 anos a melhor salada de batatas com maionese da cidade é esta, na minha opinião.

Os preços da Riosulense são honestos. A costela, por exemplo, que serve até 3 pessoas com bastante fome, sai por módicos 49 reais. O também tradicional galeto, com 6 pedaços generosos de frango assado na brasa e com crosta de queijo (opcional) sai por menos de 40 reais. É um dos poucos lugares onde comer por um preço honesto não significa não ter qualidade e sabor.

A melhor maionese de Floripa
A melhor maionese de Floripa

O atendimento é sempre muito gentil e ágil. Tentei forçar a memória enquanto escrevia este parágrafo e nesse tempo todo como cliente não me lembro de uma só vez em que fui mal atendido ou esqueceram/trocaram algum pedido meu. Quando você escolhe a mesa já é servido com pães e a salada de entrada. Escolhido o prato, raramente você espera mais de 10 minutos pra ser servido com o restante da comida.

O restaurante é climatizado, amplo, com 300 lugares confortáveis e recentemente passou por uma ampliação.

Recomendo a visita!

Churrascaria Riosulense

  • Endereço: Rua Evaldo Schaeffer s/n, esq. com a Rua Celso Bayma – Jd Atlântico – Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3240-1014
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim
  • Wifi: não
  • Site

Otimizando sua ida a Churrascaria – Parte VI

Comendo com estilo

Você já fez seu prato no buffet, escolheu sua bebida e está participando do ritual do rodízio de carnes. Você sabe comer com estilo?

Em primeiro lugar você deve comer com a mais absoluta calma. Se você está com pressa, não vá num rodízio. Vá num drive-thru e peça um BigMac com fritas e uma coca de 250ml, mas não entre numa churrascaria a rodízio. Rodízio exige além de boas escolhas uma paciência de Jó. Seu estômago não é um órgão lá muito confiável. Você precisa mastigar os pedacinhos de carne como se estivesse frente a frente com uma mulher que você ache muito gostosa, e comece a apreciá-la pela ponta da unha do dedão do pé direito. Por isso, deve pedir…

Pedaços pequenos

Nada de nacos grandes de carne. Peça sempre fatias pequenas para que você possa aproveitar ao máximo. Você come aquele pedacinho sem se preocupar, pois apesar de rodízio ter o nome de espeto corrido, ele não vai correr de você. Nem fugir do restaurante. Ele voltará, pode ter certeza.

Acontece em algumas churrascarias onde o atendimento não é lá essas coisas ou eles não se programaram para aquele domingo de movimento, e o garçom precisa se dividir em três para atender todos. Na pressa ele te joga qualquer pedaço. Peça licença, pegue a carne, jogue de volta naquele pratinho que serve de base para o espeto dele e diga:

– “Este pedaço é o seu. O meu é este aqui…” E aponte para o pedaço que você quer, pequeno, menor que o seu salário. Assim você sempre terá os…

Pedaços melhores

Os melhores pedaços de carne são aqueles que vêm acompanhado de uma pequena (ou grande) camada de graxa. É essa que você deve escolher. Eu te bateria com o espeto no meio das ventas se você fizesse isso, mas se for extremamente necessário, do tipo, o seu grau de viadice enrustida de um problema com colesterol é alto, você pode tirar um pouco da gordura no seu prato. Mas escolha o pedaço que é envolto nela; são os melhores pedaços. Mais macios, suculentos e saborosos.

Abacaxi

Volta e meia pode aparecer um garçom te oferecendo abacaxi. De primeiro momento, e isso já aconteceu comigo, você pode pensar algo como “ah, eu não vim aqui para comer abacaxi assado…”. Mas ele te ajudará. Ao chegar nos 45 minutos do primeiro tempo, você pode fazer um intervalo. Aceite um abacaxi. Ele ajuda na sua digestão. Ele é ferramenta IMPORTANTE na otimização de um espeto corrido. Coma. Coma só um pedacinho, mas coma.

Após o abacaxi descer um pouco, você embebeda o seu pobre estômago em mais algumas goladas de Coca-Cola e está preparado para o…

Segundo tempo

O processo se repete de igual forma sem tirar nem pôr. Continue comendo carne como um bicho-do-mato que nunca viu comida. Coma feito um porco. Sempre em doses pequenas, suaves, de forma calma, com parcimônia e fazendo uso dos digestivos (Coca-Cola e abacaxi, não necessariamente neste mesma ordem).

O tutorial vem chegando ao fim, pois já estamos nos…

47 minutos do segundo tempo

Estamos nos acréscimos. O juiz pode findar a partida a qualquer momento. O apito está na boca e você deve aproveitar os últimos segundos. Se estiver no prejuízo, se esforce para tentar empatar. Se estiver ganhando, o importante é fazer saldo de gols. Qualquer pedacinho extra de costela gorda conta para a tabela de classificação.

Mas ainda temos a…

Sobremesa

Churrascaria que é churrascaria tem um baita buffet de sobremesas. Desde um sagú de vinho tinto, mousse de chocolate, pavê de bolacha, mouse de limão, sorvetes de toda sorte e pudim de leite. Algumas podem até querer vir com aquela frescura de carrinho e um novo cardápio. Ignore. Vá numa churrascaria que te proporcione essas delícias de forma… digamos… FREEGrátisNa faixa.

Aproveite este momento. O nível de sal grosso ingerido no seu organismo foi grande e apesar da quantidade de refrigerante ministrada, você precisa de um docinho pra cortar o veneno.

A conta

E com a sobremesa você encerra sua participação no espeto corrido. Chega de carnes, bebidas, abacaxis, doces… aquela sensação de peso no estômago é latente, você mal vai conseguir entrar no carro e dirigir. Mas você otimizou seu churrasco. Você aproveitou cada momento, cada pedacinho, comeu o máximo que pôde, o seu dinheiro foi muito bem empregado.

Peça a conta, agradeça os garçons que te ajudaram nesta caminhada rumo à otimização e não fique com aquela sensação chata de que os que estão entrando pra comer são pessoas anormais só porque você está estufado e não consegue mais olhar comida. Isso acontece, pode crer, mas tente evitar.

Encerrando…

Não fechamos só a conta. Fechamos aqui este pequeno tutorial. Espero ter ajudado você a dirimir dúvidas sobre seu desempenho gastronômico, sobre algumas carnes, sobre a forma de comer… enfim, sobre como você deve lidar com este rito sagrado que é “churrasquear“.

Otimizando sua ida a Churrascaria – Parte V

Carnes suínas, ovinas e exóticas

Nem tudo num bom churrasco é boi. Existem também os nossos queridos porquinhos que nos fornecem também uma boa costela; as ovelhas nos dão além de uma costela, as suas magníficas paletas; tem também aquelas carnes exóticas que agora virou modismo nos estabelecimentos.

As suínas e ovinas, coma todas. Elas têm um alto grau de gostosura e nutrientes. As exóticas, principalmente, tem baixo nível de colesterol e são mais saudáveis. Mas você não deve estar preocupado com colesterol. Se você tem colesterol alto, por favor, vai num restaurante vegetariano ou seja uma bichona pra comer peixe que não requer nenhum preparo, vulgo sushi e sashimi.

Costela suína

A costela do porco é um corte muito macio e suculento. A exemplo da bovina, possui um aroma e paladar muito acentuado e agradável. Por muito tempo as carnes do porco foram evitadas pela facilidade que o porco tem em transmitir doenças e pela falta de tecnologia suficiente para consumo seguro. Hoje a coisa é diferente. Há possibilidade até de se consumir uma carne de porco mal passada, se ela for de um frigorífico confiável e com os sêlos e certificados de saúde animal devidamente em dia.

Se você nunca comeu carne suína, recomendo que comece pela costela. Depois, você pode até experimentar a…

Picanha suína

Diferentemente da bovina, a picanha suína é uma carne um pouco seca. Macia, sim. Mas seca. Não tem muita gordura nos cortes que são servidos na churrascaria. São apreciadas de igual forma. Consuma em doses homeopáticas, fingindo você ser um crítico em gastronomia. Só prá experimentar.

Costela de Ovelha

Experimente. Também é gostosa. Até Oscar Maroni, o dono do hotel Bahamas, recentemente envolvido em polêmicas por causa de facilitação à prostituição, gosta. Coma, nem que seja em memória do futuro prefeito de São Paulo. Em entrevista, ele disse que sonhou todas as noites, na prisão, com as costelinhas de ovelha.

“Vocês não sabem o que é ficar 49 dias sonhando com isso”. Então não sonhe. Coma.

Paleta de Ovelha

Maroni teria dito a mesma coisa. O sabor é muito parecido. Mas ele já tinha comido todo o estoque de costela, não leu o tutorial Otimizando sua ida a Churrascaria, então não sobrou espaço para uma linda e deliciosa paleta ovina.

Javali

A carne do Javali selvagem é muito rica em nutrientes. Possui a mesma quantidade de proteínas que a carne de boi, mas tem menos colesterol e gordura. Tem a mesma quantidade de calorias que de um frango, por exemplo. Por isso mesmo você não vai comê-la. Enche demais o bucho, é muito dura e seca. Carne sem gordura não deve ter espaço dentro de uma churrasqueira.

Avestruz

Vai encarar um bicho feio desse?

Eu não tenho implicância com carne exótica. Não mesmo. Já comi tanto javali quanto avestruz. Mas nenhuma das duas conjecturam o meu padrão aceitável e churrasqueável. A carne do avestruz é menos calórica, ainda, que a do frango e as que eu comi, não vi vestígio algum de gordura. Aqui vai uma dica MUITO importante ainda não mencionada: churrasco precisa engraxar o bigode. Se você não se lambuza de gordura, diga “Não! eu não aceito esta carne. Obrigado, amigão!” Simples assim.

Resumindo:

  • É de porco? Come!
  • É de ovelha? Come!
  • É de javali? Não come!
  • É de avestruz? Não come!
  • Colesterol tá alto? Sushi. Sem shoyo.

Otimizando sua ida a Churrascaria – Parte IV

Isso eu como em casa – Carnes bovinas

Outro subtítulo que define, para quem domina a arte de churrasquear otimizada, o restante do post. Mas é um tutorial, pressuponho que você o lê para aprender, então partilho os conhecimentos necessários para que na hora H, aquele momento em que o garçom vem todo prosa exibindo o espeto como um troféu de funcionário do mês (dependendo a carne que ele foi incumbido de servir) e chega até você.

Você tem duas opções: aceitar ou não. Por apenas uma, tão somente uma palavra proferida de sua boca você vai pegar um pedaço daquela carne ou não. E este é o momento gracioso do rodízio, pois você tem a palavra final. Você é o juíz. Você não tem mais 10 anos de idade onde sua mãe define o que você vai por boca adentro. Você está frente à frente com o metre, e ele quer saber se você quer ou não. E você precisa tomar decisões corretas. Um passo em falso e você come uma carne que não lhe apraz o paladar, enche seu estômago de algo efêmero e lá se foi o rodízio. Seja diligente. É agora. A bola está na marca do pênalti.

Picanha

Grandes merdas se a picanha custa caro. Grandes merdas se a picanha é uma carne nobre. Grandes merdas se todos a sua volta estão esperando por ela. E grandes merdas se o garçom que é responsável por este corte se acha a última Trakinas do pacote por isso. Você não vai comer o primeiro pedaço de picanha oferecido. Você está pagando por este rodízio e vai comer a picanha na hora que quiser, porque você não se rende ao luxo dos parvos, você pode muito bem esperar. A picanha é saborosa? Ô, se é! Mas existem carnes tão boas – e, na minha modesta opinião, melhores que ela. Mostre que você tem fibra e leu o “Otimizando sua ida a Churrascaria” e conhece de rodízios. Coma ela na segunda ou terceira vez que o garçom passar.

Comer a famigerada picanha na primeira passada do servidor é coisa de pobre. Pobres fazem isso. Presumo que você tenha entendido, mesmo que subjetivamente, que ir à uma churrascaria barata não é um bom negócio. Deixe a picanha pra depois. E coma uma deliciosa…

Costela

Este sim é o manjar dos deuses. Poucos conhecem o segredo, já diria Rhonda Byrne. Mas você está prestes a conhecê-lo. Assim como a Lei da Atração não era conhecida até hoje – ou pelo menos até a autora ter decidido encher o rabo de grana -, este também não. Poucos sabem apreciar um bom churrasco. Poucos gostam de costela. A costela é um corte que necessita perícia para se assar. Ela deve ficar por horas e horas no fogo curtindo aquela brasa e a fumaça que a defuma e transforma num manjar. A gordura dela é proposital, vai derretendo e deixando a carne mais tenra. Coma costela. Sem pudores, sem limites.

A Costela pode ser assada também, dependendo a churrascaria, no fogo de chão. É como os gaúchos a preparam. E é a melhor forma, claro. Em algumas churrascarias ela fica horas em aparatos providos de espetos em na diagonal, fincados no chão, e estão sempre à vista dos clientes. E fica lá, pingando a graxa (gordura) e alimentando a brasa.

Alcatra

Oriunda do músculo traseiro do boi, fica boa também no churrasco. Muito embora eu a prefira num strogonoff, bife ou qualquer outro preparo caseiro, ela tem seu sabor e apesar de não ser tão macia (é uma carne muito fibrosa) pode ser degustada moderadamente.

Se for pra escolher, escolha uma outra carne que é resultado do desmembramento da alcatra, que é a…

Maminha

Ela é muito mais macia que a anterior, apesar de também ser chamada de “Maminha da Alcatra”. Coma ela, preferivelmente, antes da Alcatra, se você realmente vai insistir em comer aquela coisa dura e cheia de nervos. Ela é uma carne tipicamente de primeira, ao contrário da alcatra, que é considerada mas não é.

Fraldinha

Não, não é o utensílio geriátrico que o boi velho usa na sua falta de cognição para realizar sua higiene. A Fraldinha é um corte tirado do abdomen do bicho, e apesar de ser fibrosa, vai bem num churrasco. Eu não como, particularmente, em churrascarias. Isso eu como em casa. Não preciso pagar trinta pilas para comer algo que costumeiramente tem no meu congelador. Mas geralmente quem a serve é um garçom novato e você pode fazer isso como a “boa ação do dia” dando ao rapaz orgulho de ostentar uma carne que já foi considerada de segunda, mas subiu para a primeira divisão no tapetão.

Filé Mignon

VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO! VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO! VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO! VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO!

Repita de novo: VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO!

Isso é bom num strogonoff daquela sua tia rica que ao invés de gastar o dinheiro resolvendo sua vida sexual atrasada, fica fazendo festinhas extravagantes toda sexta-feira pra não se sentir tão sozinha. E daí que é caro? VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO!

Cupim

Coma cupim. É outra carne que necessita MUITA perícia para ser preparada. Ninguém dá bola pra ela, mas o garçom que serve ela nunca entre em depressão por minha causa. Não deixo passar nunca, assim como a Costela. Por isso, ele sempre me consegue os melhores pedaços. Resumindo: coma cupim!

Entrecorte

O coringa. Sim, este é o coringa do rodízio. É gostoso, ninguém sabe de onde vem, nem mesmo o garçom, mas é gostosinho. É que nem xuxú: não tem aquele gosto especial mas num contexto ele faz sentido. Um pedacinho não vai te fazer mal, vai incentivar a venda e o consumo, e, de quebra, vai ajudar pesquisadores desocupados de Botswana do Norte a descobrir que diabos é essa parte do boi.

Fontes seguras dizem que o Entrecôte (como é também chamado), é o miolo do…

Contra-Filé

Sabe. Eu tenho muitas teorias que não consigo comprovar. Uma delas é com este corte. Já fiz vários churrascos em casa, para familiares e amigos, e o contra-filé, por ser uma opção econômica, é o que demonstra maior resultado na relação custo x benefício. Já assei cortes de contra-filé de fazer gente lamber os beiços. Mas não consigo gostar desta carne num rodízio. Todas me decepcionaram.

Talvez seja porque as churrascarias teimem em assá-lo por inteiro, e o ideal é que ele seja assado em fatias, tal qual a picanha. Vai saber! Coma por sua conta e risco.

Resumindo…

  • Se você comer picanha de primeira, você é um fraco capitalista. Traia o movimento, seja xingado pelo Dolabella e se pareça com o João Gordo, mas elegue a Picanha a um segundo plano.
  • Costela é sinônimo de churrasco gaúcho. Se você churrasqueia e não come costela, você, na verdade, não churrasqueia.
  • Cupim é bom. Coma cupim.
  • VOCÊ NÃO VAI COMER FILÉ MIGNON EM CHURRASCO!
  • Contra-filé somente se feito em fatias e se a cara do garçom tiver boa, para não correr o risco de pegar um pedaço ruim.

Mas você pode ainda não ter entendido. Por isso, fiz este pequeno “infográfico bovino”. Nas melhores churrascarias, você encontra um mapinha parecido, informando cada corte do boi. Aqui, eu facilito sua vida. Você imprime, recorta e leva na carteira para a próxima oportunidade. Se possível, deixe em cima da mesa. O garçom saberá o que te servir.