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Restaurante Santo Antônio: a primeira churrascaria do Brasil

Já dizia a cozinheira Carla Pernambuco: toda viagem é gastronômica. Você pode até viajar às pressas pra resolver um assunto pontual em outra cidade, estado ou país, mas das poucas certezas que temos é que você vai se alimentar, você vai conhecer algum ingrediente local e você vai julgar o que está comendo de alguma forma.

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Talvez não haja tempo nem pra comer direito e você acabe indo à uma rede de Fast food que serve mais ou menos a mesma coisa em todo o mundo civilizado, mas um ou outro ingrediente ou modo de preparo daquela comida te darão indícios de como é a alimentação naquele lugar. Se deixar a imaginação rolar e quiser complementar com bons livros de história, entenderá a razão de ser daquela matéria prima, entenderá sua gente e um pouco de seus costumes e anseios.

Uma viagem em que como mal pra mim é uma viagem frustrante. Primeiro porque gosto de comer bem, segundo porque… não precisa ter um segundo motivo.

Ao berço do churrasco mais primitivo viajei no último fim de semana e conheci o Restaurante e Churrascaria Santo Antônio. Fica em Porto Alegre — e só fiquei sabendo ao ver as inscrições no avental de uma atendente — a primeira churrascaria do Brasil. Ali começara há quase 80 anos o comércio de carnes como vemos hoje. Mas ao contrário do que possa parecer não é uma churrascaria à rodízio. Se você é florianopolitano talvez fazer uma rápida referência à Riosulense dará forma ao modelo. Os pratos são servidos à la carte, você escolhe a carne que quer comer e depois alguns complementos, se for da sua vontade.

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O cardápio é completo e puxa de várias culturas do Rio Grande do Sul o jeito de comer carne. Primeiro porque há uma vasta seleção de filés. Filé à parmeggiana, filé com queijo, filé acebolado e até algo parecido com um à Oswaldo Aranha circulava no salão enquanto aguardava meu pedido. Portoalegrense tem o hábito de comer filés, é comum achar restaurantes especializados nesta iguaria pouco bagual e bastante prática e macia, um lugar comum que os habitantes da capital apreciam.

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E pedimos um pra conhecer e matar a fome. Foi o Filé à Santo Antônio, uma grande porção de filé mignon recheada com bastante queijo e presunto. Ele sim já tinha um acompanhamento: arroz, batatas fritas e legumes.

Já no estilo fronteiriço de fazer churrasco, temos os cortes assados na brasa, aqueles mais tradicionais que o xirú campeiro come desde que aprendeu a juntar boi, sal e fogo e embora bastante comum também de achar em Porto Alegre, é na região de campanha que ele têm sua origem.

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Comemos, como não poderia deixar de sê-lo, uma linda Costela, quase que um asado de tiras do estilo uruguaio, um pouco mais grossa e alta, que veio ao ponto, sem aqueles demorados cozimentos que uma costela inteira demanda. Aliás, fica a dica aos leitores, comer uma costela ao ponto pode ser uma excelente experiência dependendo do corte da carne e da qualidade do produto. Costela sem estar muito passada nem sempre será sinônimo de carne dura.

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A ela juntamos a famosa maionese, uma salada de batatas com molho de maionese que é herança dos alemães, outra vertente da cultura local colonizada.

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Até aí temos açorianos, espanhóis, alemães… faltam os italianos! aqueles que Quando si mangia la bela polenta, la bela polenta si mangia così! Ela feio frita, crocante por fora e macia por dentro, coberta com bastante queijo colonial, daquelas de chamar os nene pra lamber os beiços.

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Das galeterias da Serra gaúcha também tivemos uma entrada: coração de galinha na brasa. Ah, povo que adora aproveitar os miúdos das suas criações…

Comer na Santo Antônio foi uma experiência bastante divertida. Seja na comida, que mostrou todas as caras do processo de formação da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul pra Terra-Cambará nenhum botar defeito, seja no atendimento onde tínhamos garçons das mais diversas culturas com seus jeitos calmos, outros rudes, outros brigões… é uma atmosfera bastante agitada, com clima mesmo de churrascaria, onde poucos se entendem mas tudo funciona e vêm perfeito à mesa.

Visitar a Santo Antônio é remontar um quebra-cabeça cultural de Jaguarão à Vacaria, de Rio Grande à Uruguaiana, comendo bem e pagando o justo, onde a conta fechou em aproximadamente 53 reais por pessoa, num grupo de três.

Restaurante e Churrascaria Santo Antônio

  • Rua Dr. Timóteo, 465. Moinhos de Vento, Porto Alegre.
  • (51) 3222-3130
  • Aceita cartões
  • Estacionamento: sim, pago.

Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial: como sua dieta influencia a PA

Eu sou hipertenso. Há quase três anos fiz uma bateria de exames e o meu cardiologista diagnosticava isso e não dá nem pra dizer que eu “estou” hipertenso, eu sou e muito provavelmente morrerei hipertenso. E há uma grande chance de eu morrer por causa ou influência da hipertensão severa.

Receber essa informação aos 25 anos não é legal. Pesando uns bons quilos e sendo um fumante contumaz eu esperava que fosse me deparar com isso somente na velhice, mas achei que até os 40 eu correria feliz e saltitante pelas coxilhas do meu rincão churrasqueando e festando sem limites.

Campanha Eu sou 12 por 8
Campanha Eu sou 12 por 8

Hoje, 26 de abril, é o Dia do Combate e Prevenção da Hipertensão Arterial no Brasil. Informações dão conta de que 1/3 da população adulta é ou está hipertensa. E a grande e esmagadora maioria não sabe ou ignora a doença. E aí foi o segundo baque que tive aos 27: ignorar a hipertensão é como ficar de costas pra um leão baio que não come há 10 dias. Sem estar levando o tratamento a sério e numa crise de stress, estava eu no Núcleo de Saúde da Unimed plugado em alguns aparelhos tomando Captopril embaixo da língua com 20×11 de PA.

Obesidade, stress, tabagismo, sedentarismo, consumo irrestrito e abusivo de sal e uma genética favorável são os principais fatores que levam alguém à hipertensão arterial. E tirando os fatores genéticos, todos estes ítens têm de alguma forma ligação com a sua alimentação. E por isso resolvi escrever este post no Comideria que, apesar de não ser um blog de saúde, pode ajudar alguém que está lendo até aqui e sentindo dor de cabeça, a visão embaçada, palpitações ou outros sintomas característicos.

Então a primeira dica que trago é: independente se tem sintomas ou não, procure seu cardiologista e faça exames de rotina. Controle sempre.

Preparando alimentos para hipertensos

O primeira dica já é conhecida dos cardíacos: diminuir ao máximo o uso de sal. Estima-se que o consumo médio diário cloreto de sódio do brasileiro é de 12g por dia, o que é nada menos que o DOBRO do indicado, 6g (equivalente a 2,4g de sódio). Muita gente acha que consome pouco sal, erroneamente. A comida brasileira usa o sal como tempero base de todos os pratos. Assim como a quantidade de sódio é elevada em molhos de tomate, comidas congeladas, fast-food, produtos industrializados enlatados ou outro tipo de conserva etc.

Se você é hipertenso, teve palpitações ao ver esta foto
Se você é hipertenso teve palpitações ao ver esta foto

Pra driblar isso, é importante:

  • Não só comer bastante legumes e hortaliças, para a ingestão de potássio, como temperá-las com azeites.
  • Diminuir a quantidade de sal como realçador nos seus pratos não quer dizer que você precise perder sabor. Não só o limão mas ervas como coentro, manjericão, orégano, hortelã e alecrim e especiarias como o cominho e noz moscada fazem essa redução do sal ser menos perceptível. E acredite: você vai aprender a cozinhar melhor e descobrirá novos sabores.
  • Colocar cereais no cardápio
  • Diminuir o consumo de carne vermelha, usando mais o peixe e o frango na dieta
  • Acostumar-se a beber água (se ainda não desenvolveu o hábito)
  • Preferir óleos vegetais como o de oliva, girassol e o de milho
  • Consumir laticínios mais adequados como o leite desnatado, os queijos minas e o cottage e a manteiga sem sal.

Existem outros alimentos que são totalmente desaconselhados ou que devem ser consumidos bem moderadamente, como:

  • Café, chás, chimarrão, refrigerantes
  • Embutidos como salsicha, salame e linguiça
  • Enlatados e conservas como sardinha, azeitonas, pepino, ovo de codorna etc
  • Molhos como ketchup, maionese e shoyu
  • Quanto menos gordura, melhor
  • No caso do shoyu, se sua dieta não for tão restritiva, e você goste muito dos sushis, assim como eu, recomendo pedir o shoyu light, com uma adição bem menor de sódio.

De qualquer forma, é extremamente necessário você consultar um cardiologista. Feito o diagnóstico, um nutricionista também pra acompanhar sua dieta. Nem toda hipertensão arterial é igual, nem todo ser humano é igual.

PS: o blog Aventuras Gastronômicas também postou sobre o assunto. Se você for falar de #hipertensao, mande-nos o link nos comentários para linkarmos no post 😉

Créditos das imagens