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Riosulense: a tradicional churrascaria do Continente tem novo endereço

Quem me acompanha pelas redes sociais sabe que um dos poucos restaurantes que visito com uma certa frequência é a Churrascaria Riosulense. Já falei dela aqui. Já tentei explicar várias vezes o meu amor por esta churrascaria em vão, palavras não conseguem traduzir este sentimento. Mais que a comida, a Riosulense é um lugar onde qualquer um pode se sentir à vontade. Tem, é claro, que buscar na história da cidade toda a trajetória dos proprietários que passaram por ali, os churrasqueiros, os garçons da velha guarda e da nova geração. É um lugar pra ser a segunda casa.

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Puderem perceber, ainda, quem segue o Comideria no Instagram, que noticiei nos últimos dias a troca de endereço da Churrascaria Riosulense.

Pra quem estava acostumado a encontrá-la na esquina da Evaldo Schaeffer com a Celso Bayma agora terá que se dirigir à Rua Castro Alves, 1102.

E no sábado, um dia após de abrir as portas novamente no bairro em que a consagrou, estive na Riosulense para um almoço querendo saber o que havia mudado.

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Me deparei com um espaço bem mais amplo, arejado, com o pé direito alto. Ao invés do tom rústico da antiga casa, agora um salão cheio de possibilidades de decoração. Isso porque pra não ficar mais que quatro dias fechada para a mudança, ainda estou adequando o visual do lugar.

No novo espaço para 300pax, as antigas mesas e cadeiras compartilham o ambiente com a nova mobília que, segundo o Seu Nilton, veterano e que carrega a estampa da Riosulense (além do Sagui, in memorian, e o Nei) serão padrão nos próximos dias. “A gente vai fazendo aos poucos pra não prejudicar o atendimento” me confessou o meu amigo que sempre me recepciona com um sorriso no rosto. Seus cabelos brancos como uma geada marcam a experiência de quem sabe as manhas e cada vontade dos seus clientes. Um incansável e atencioso maître que jamais algum restaurante francês viu.

Eu pedi uma costela, pra saber se algo na comida havia mudado.

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Antes de mais nada vieram os pãezinhos, como de costume. Parecem os mesmos.

Vieram “os frios”, como eles gritam pedindo à cozinha as saladas. Tudo igual.

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Batata frita, feijão, arroz branco e à la grega, até a melhor maionese do mundo estava igual, com a receita intacta.

E a costela? Vou admitir: eu pedi pro Nilton falar pra cozinha caprichar que “era pra foto”. Eu vou toda semana no restaurante mas nem sempre com a Canon pra aparecer aqui no blog. Também não mudou nada. A mesma maravilhosa, deliciosa e farta costela bovina de sempre. Nem mesmo mudou porque eu pedi caprichada, jamais veio sem ser no capricho mesmo.

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Então o que há de novo na Churrascaria Riosulense? Somente o endereço. Nada além disso. Tirando o ambiente maior e mais claro, a vista lindíssima para a Beiramar Continental e para a Ponte Hercílio Luz, tudo continua o mesmo. Os mesmos amigos, os mesmos sorrisos, a velha cordialidade de sempre.

Este blogueiro apenas deseja sucesso no novo endereço e que continuem sendo a melhor churrascaria de Florianópolis por mais algumas décadas.

Churrascaria Riosulense

  • Rua Castro Alves, 1102. Balneário do Estreito, Florianópolis.
  • (48) 3240-1014
  • Aceita cartões
  • Estacionamento
  • Wi-Fi

Vieira Grill: churrascaria na Via Gastronômica de Itajaí

Há um famoso efeito em quem viaja pra fora do país e retorna maravilhado com as coisas que se vê onde quer que seja. Alguns chamam isso de complexo de vira-latas, mas é só a dura realidade mesmo: temos muito o que aprender com os gringos. O que eu nunca imaginaria é que eu iria numa viagem despretenciosa parar em Itajaí e sentir algo parecido. Itajaí tem uma pequena mas bem organizada Via Gastronômica onde num lado da avenida há uma orla com estacionamentos pagos regulamentados pela prefeitura e no outro alguns restaurantes das mais variadas cozinhas para o turista ou mesmo o nativo escolher onde comer e beber. Você estaciona com segurança, não fica na mão dos flanelinhas nem depende de caros estacionamentos pra isso.

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E foi nessa parada que conheci a Vieira Grill, uma churrascaria muito bem organizada onde por R$57 você come à vontade os mais de 20 tipos de carnes nobres, um buffet gigante de saladas, pratos quentes e sobremesas variadas. Você pode ainda optar pelo buffet livre, sem acesso aos espetos, por módicos R$35. Ainda assim seria uma grande comideria.

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Logicamente eu fui no espeto. Vocês tinham alguma dúvida disso? Ir na churrascaria pra comer buffet não orna.

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A comida dos buffets é bem honesta. Nada de super supimpa, tem saladas, pratos quentes, algumas carnes pra quem não vai no espeto, risotos, massas, feijão, arroz, farofa… pausa pra respirar… guloseimas como salgadinhos, frituras, kani, alcaparras, palmito, três tipos de queijos finos etc.

Mas volto a dizer: churrascaria é carne! E carne tinha bastante.

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Tinha costela que fica assando numa redoma de vidro na frente do restaurante que é o cartão de visitas da casa.

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Tinha maminha bem temperada e saborosa.

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Tinha picanha mal passada e ao ponto.

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Tinha linguiça campeira, linguiça de carne pura e levemente picante.

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Tinha até carré de cordeiro que já tinha passado um pouco do ponto ideal mas o sabor estava muito bom igual.

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E pra fechar o rango e a conta, sobremesas. Dos mais diversos tipos, sabores, cores e texturas. Desde o tradicional sagú, típico de churrascaria, até pavês e mousses.

Mais pra quê?

Churrascaria Vieira Grill

  • Av. Ministro Victor Konder, 1250. Fazenda, Itajaí/SC.
  • (47) 3083-2266
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Costelaria Ponta d’Agulha: A Pedra Branca também tem

Achei ótima a vinda da Costelaria Ponta d’Agulha para Palhoça. A qualidade deste churrasco tipicamente gaúcho é tão grande que mereceria facilitar o acesso aos moradores do continente à sua excelente comida. E se no mundo dos negócios Maomé nem sempre vai até a montanha, às vezes a montanha vai até o digno cidadão que quer gastar seu rico dinheirinho mas não quer pegar trânsito e filas.

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Outro motivo que fomenta minha felicidade é que o Passeio Pedra Branca ainda engantinha quando o assunto é comida. Mercúrio não pode estar retrógrado, a Lua precisa ser meio cheia e o saco meio vazio pra se tentar tirar leite de pedra, pra ver se você consegue comer bem em alguns dos locais que se instalaram por ali. O que eu acho triste, claro, porque sou um grande fã do empreendimento, da cidade e da idéia magnífica daquele espaço democrático e acolhedor.

Mas voltemos às vacas frias, falemos de costela que é amor.

O competente e simpático garçom Davi que nos atendeu no último domingo me garantiu que a qualidade da matriz se reflete na filial. E, tendo comido e feito review dos dois lugares, posso garantir que a qualidade acompanha e a reputação ainda a precede.

Comer na Costelaria é um resgate aos sabores mais simples de uma boa carne assada sem firulas, de acompanhamentos rústicos e caseiros com um toque especial dos cozinheiros e um serviço de primeiríssima qualidade que não restringe às fronteiras das pontes.

A refeição que fiz na Pedra Branca foi quase a mesma que na loja da SC-401, em Santo Antônio de Lisboa. A diferença é que pedi umas entradas, as mais típicas.

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Comecei no típico pão de alho. Crocante por fora, macio e úmido por dentro, saboroso ao extremo.

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A linguicinha idem. Embutido de excelente qualidade, carne de boa procedência e sabor inigualável.

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Coube à janela de costela os grandes aplausos, não só pela sua maciez mas também pelo melhor sabor possível extraído desta carne que é tão controversa dentro das churrascarias. A gordura, quase toda derretida no calor da brasa que nunca apaga, garante o toque que toda carne precisa.

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E o que falar daquela maionese? Ou, se você é de fora, a salada de batatas com molho de maionese? Não posso nem jamais trairei a maionese da Riosulense, não cometei tal heresia. Mas se tem uma maionese capaz de competir pelo primeiro lugar neste ranking tão oblíquio, esta é com certeza a da Costelaria Ponta d’Agulha.

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Pedi também a farofa, não dava pra deixá-la de lado. Quase que uma companheira fiel à maionese (alguns acham que é da carne, mas eu gosto de degustá-la sem nada), a farofinha veio um pouco tostada e bem temperada. Uma iguaria que passa despercebida pra quem não bom coração com esta instituição da culinária brasileira.

Preciso dizer alguma coisa mais? Um post rápido pra registrar a chegada da Costelaria Ponta d’agulha ao meu querido continente, a prova do crime, a confirmação da qualidade já contumaz e os votos de vida longa!

Nota: a conta fechou em aproximadamente R$100 e serviu bem duas pessoas que ainda levaram carne numa quentinha pra casa.

Costelaria Ponta d’Agulha

  • Rua da Praça, 241. Passeio Pedra Branca, Palhoça/SC.
  • (48) 3283-0164
  • Aceita cartões
  • Estacionamento
  • Wifi

Peña del Sur: uma parrilla for de campeira

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Já havíamos comido e todos no restaurante estavam satisfeitos acompanhando o som do músico Branco, que às sextas-feiras faz sua apresentação na casa. Entre Zé Ramalho e Chico Buarque também cantava uma que outra da Mercedes Sosa, o que já era prenúncio do que estava por vir. Então o Eduardo, proprietário e parrillero, que já havia dado o seu show nas carnes nos servindo excelentes cortes e acompanhamentos se abraçou ao violão e dedilhou uma milonga. Era Flor-de-campeira o nome da música, já conhecida na voz do Cristiano Quevedo, um dos artistas que acompanho nessa xucra música do Rio Grande do Sul. Se a comida já havia agrado, e muito, agora estava transcendendo na visita ao Peña del Sur.

Já havia notado que a casa, além de sua comida, tinha um forte apelo às tradições latinomaricanas. A própria parrillera tem as incrições “Gracias a la vida”. É uma música da chilena Violeta Parra que também imortalizou-se na voz de Mercedes Sosa.

E eu, que já havia me emocionado com uma simples frase em cima de uma churrasqueira uruguaia queimando brasa, tive que esconder uma que outra lágrima quando o chef cantou “Zamba de Mi Esperanza”. Pensei comigo: “qual é? Isso é Santo Antônio de Lisboa, um antro cultural de Florianópolis, mas ouvir La Negra sem estar em Tucumán ou Los Chalchaleros sem precisar ir até Santiago Del Estero, relativamente do lado de casa, é demais pra mim”.

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Isso tudo porque os ex-bancários Ana Paula e Eduardo deixaram sua terra natal pra investir em um gosto pessoal: a cozinha e o churrasco uruguaio. E eles não poderiam ter acertado mais. A casa é linda, bem decorada, aconchegante e te faz querer ficar horas ali comendo um queso parrillero, uma carré de cordeiro… ouvindo boa música, bebendo um vinho ou uma cerveja argentina, conversando com pessoas incríveis e acolhedoras, aproveitando cada segundo dessa experiência que envolve muito mais do que alimentar o corpo: saciar a alma.

Poderia dizer que a comida faz parte da experiência que se tem no Peña del Sur, e não é a única. Mas como aqui a intenção é falar dela, deixo essa prosa de quem muito se agradou pelo conjunto da obra e vamos falar da bóia.

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O cardápio é simples e tudo é feito na parrillera, tirando as saladas e sobremesas, evidentemente. Ele divide-se em gado, porco, linguiças, diversos e miúdos. Numa parrilla tradicional não existem acompanhamentos fixos, você pode combinar o que quiser. Eu pedi de entrada uma linguiça mignon e o pão com chimichurri. Linguiça de carne suína pura, uma delícia se assada numa dessas churrasqueiras. O pão levemente crocante e saboroso coberto pela combinação de ervas mais degustada nos nossos vizinhos fronteiriços. Todos os pratos da casa são acompanhados por farinha e salsa criolla.

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Depois comi o Queso parrillero, aquela famosa provoleta que onde é servido é sempre campeão de vendas. Um provolone delicioso, de boa procedência, com ervas garantindo seu sabor e aromas.

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Experimentei também outra figurinha carimbada das parrillas: a molleja. Molleja é o timo assado na brasa, uma glândula endócrina da rês que acompanhada de sal e limão, assim como assim, têm uma textura gordurosa e muito, mas muito saborosa.

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Meu prato principal foi o Carré de Cordeiro. Cinco generosos carrés da ovelha jovem, prato delicadamente decorado, também bastante aromático pelas ervas e pelo alecrim que o adorna. No ponto delicioso de se degustar um cordeiro, maciez e sabor.

Ainda experimentei outros pratos que meus fieis companheiros de comida e música gaudéria Everton e Samantha pediram e compartilharam. Essa é a sina do blogueiro de gastronomia, evidentemente.

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Teve Contra-filé

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Papa 3 quesos, que é uma batata cortada ao meio e assada no papel alumínio com gorgonzola, provolone e catupiry. Deliciosa!

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Teve o Assado de tiras, outro bastante conhecido de allá, um jeito diferente do nosso de comer costela bovina.

Do início ao fim, todos os pratos me agradaram e sequer têm alguma reparação a ser feita. Perfeito serviço, perfeita comida, perfeito atendimento feito por dois garçons muito gentis e competentes, que transformaram nossa visita ao Peña del Sur a mais perfeita possível.

O preço é bastante honesto, comemos bastante por algo em torno de R$90 por pessoa. Quase de graça. A casa não cobra couvert e, sou suspeito pra falar, mas dá um banho no quesito música.

Há muito um restaurante não me emocionava. Não garanto que vá te emocionar pelos mesmos motivos, se falo aqui de um gosto por uma cultura bastante específica. O que posso enfatizar é que uma experiência lá é agradável, saborosa e com preço justo. De sair lambendo os beiços e com o coração leve.

Gracias à la vida, gracias aos proprietários, gracias aos músicos e gracias aos garçons!

Peña del Sur Assados de Parrillada

  • Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 568. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 3236-5145
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Costelaria da Serra: uma boa costela em Rancho Queimado

As temperaturas começam a cair no Estado, o outono que logo mostrou suas garras com vento-Sul é prenúncio de que o inverno deve ser brabo. Quando isso acontece não tem pra onde correr senão encará-lo de frente e aproveitar as coisas boas que as estações de frio trazem pra nós. Subir a Serra catarinense é uma experiência bastante proveitosa. Além de lindas paisagens, verdes exuberantes, coxilhas de perder de vista e um friozinho aconchegante, a comida serrana é espetacular. Desde a culinária tropeira até as trutas que estão em voga agradam quem procura os lugares altos encontrar tranquilidade e boas experiências.

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Logo no pé da serra, ainda no início da subida, temos Rancho Queimado. E assim que entramos nesta simpática cidade de clima agradável e povo ordeiro e hospitaleiro, temos a Costelaria da Serra. Já havia flertado com este restaurante uma ou duas vezes, mas por força do destino e do horário acabei não parando.

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A Costelaria é tocada pelo casal Ayrton e Astrid, duas pessoas pra lá de simpáticas e muito acolhedoras, que já na entrada da casa proporcionam uma ótima refeição recebendo os clientes com um sorriso e uma cachacinha de butiá. A Costelaria, como o nome diz, oferece vários pratos à base de costela. Tem a opção de oferecer o tradicional espeto corrido, e ali além do carro-chefe passa nas mesas carnes como contra-filé, picanha, linguicinha, até ovelha pode ser degustada.

Mas é a costela a grande vedete, foi por ela que subimos a serra no último domingo.

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No buffet pratos de comida muito caseira, mas não aquela comida normal de todo o dia. Tem sim aquela salada variada básica, uma maionese como todo bom alemão faz, mas sobra espaço nas cubas para as criações da casa como a lasanha de costela, a polenta assada com carne, uma massa caseira na manteiga de tirar o fôlego de tanto comê-la e, a que mais achei interessante, e ao mesmo tempo simples, o Bolinho de Costela.

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Daria pra passar o almoço inteiro comendo esse bolinho, mesmo sem nenhum acompanhamento, só bolinho e pimenta. Um quitute que, repito, simples, mas muito bem temperado, muito saboroso.

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A costela assada que passa nas mesas também é muito boa. Ela é macia, chega desmanchando e ouso dizer que poderíamos comê-la de colher.

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O carreteiro, que recebe uma atenção toda especial, também não fica pra trás. Tem um tempero diferente dos carreteiros que já provei, mas bem molhadinho e saboroso, é uma ótima guarnição para as carnes.

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Farofa, feijão, arroz branco e polenta frita, também tem o tradicional pra agradar todo mundo.

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É uma refeição completa que termina com doces e não poderia ser diferente. Pudins, gelatinas, sagú, cremes e mousses, uma mesa repleta de sobremesas pra fechar a refeição da melhor forma possível.

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O almoço custou com buffet + rodízio de carnes irrisórios R$29. Caso você não queira as carnes do espeto, o preço cai mais ainda: R$24. Não devo falar alto pro Ayrton não mexer no preço, mas para os padrões de hoje esta comida é entregue “de graça”.

 

A Costelaria da Serra passa longe das culinárias rocambolescas e enfeitadas, mas não devemos associar comida simples com comida sem graça. Os pratos são preparados de maneira muito afetuosa, são perfeitos todos, lembra um fim-de-semana na casa da vó. Comfort-food, como os americanos teimam em chamar. Os poucos mais de 60km de Florianópolis à Rancho Queimado valem toda a pena quando se dá a primeira mordida no bolinho de costela. É pra tirar uma selfie com o buffet e guardar como recordação de viagem.

Recomendo a visita!

Costelaria da Serra

  • Praça Leonardo Sell, 15. Centro, Rancho Queimado/SC.
  • (48) 9972-4721
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Food Park Presidente Kennedy: a revolução da comida de rua

Sei que o título deste post parece um tanto quanto sensacionalista, visto tudo o que tem se falado por aí sobre os famigerados food trucks. Eu sinceramente não acho que food trucks sejam a oitava maravilha do mundo que se alimenta pelo simples fato de estarem sobre rodas. Comida boa e comida ruim pode se mostrar de qualquer jeito. Mas o Food Park recém instalado em São José, cidade que este humilde escriba hoje reside, me traz bastante entusiasmo.

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São José é conhecida como a capital da cachorro-quente. Na verdade não é, mas eu insisto em forjar este apelido porque embora tenhamos excelentes representantes de comida de rua mesmo no tradicional quitute gringo abrasileirado, em cada esquina mais do mesmo se repete. Falo de revolução da comida de rua e linko ao Food Park recém formado porque lá é possível chegar de Havaianas sem qualquer constrangimento e comer comida digna de grande chefs. Por revolução quero dizer que eles mudam conceitos, quebram paradigmas (por mais que a expressão seja batida), aproximam o seu público do seu trabalho de maneira muito intimista trazendo uma experiência gastronômica bastante rica pra quem estaciona na frente da Vox Multimarcas.

E por falar em Vox Multimarcas, aqui fica meus parabéns pra esta empresa revendedora de carros que abriu cancha pra essa turma mostrar sua arte em seu pátio. Isso, turma, food park é a reunião de food trucks num espaço em comum.

Dito isso, vamos falar de comida?

Pois é. Tudo começou com Yakisoba. Foi o macarrão chinês bordado de carne, frango e legumes com molho oriental e aqueles rolinhos fritos, os harumakis, que abriram picadas na Av. Presidente Kennedy servindo um rango dos deuses. Foi pelas mãos do Carlos Barufe e da Jaqueline Nanon que o ainda embrionário Food Park Presidente Kennedy começou.

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O Yakisoba é talvez a comida de rua mais bem servida que eu tenha visto. É possível matar a fome de outras vidas pedindo um destes pratos, seja de carne ou de frango, seja até o vegetariano e quem dirá o novo e especial com molho Teriyaki. Bem servido e saboroso, diga-se de passagem. Você come inteiro pra não perder a oportunidade e volta pra casa rolando e dando risada por ter enchido tanto a pança por tão pouco dinheiro.

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Um Harumaki de chocolate é uma boa pedida pra fechar a refeição (se você for valente ou dividir o Yakisoba com alguém). Pode levar pra viagem, se for o caso, pra quando o efeito “jibóia” passar.

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Depois se arrinconou o Black Box. Sempre tive curiosidade pra experimentá-lo, as intermináveis filas nos eventos de Food Trucks pela cidade jamais deixaram. Foi ali mesmo no Food Park que começou nosso relacionamento gastronômico. Uns dizem: “ah, mas pagar 15 reais por um cachorro-quente!” Depois de passar a vontade de dar um tapa na cara dessa pessoa, sempre explico a leitura que EU faço: “não é cachorro-quente”. O Black Box Hot Dog Premium traz um conceito parecido do Hot Dog americano (pão e salsicha, assim como assim). Neste caso, um toque de sabor com a Linguiça Blumenau, por exemplo, no caso do Satisfaction — os lanches recebem o nome de clássicos do Rock n’ Roll, do molho de mostarda e do molho vermelho, cebola crispy e queijo parmesão ralado. Lanche também muito bem servido e igualmente saboroso.

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O Food Truck é muito lindo, pra começo de conversa. Isso já funciona como um ímã que aquela caixa preta de metal atrai. A higiene do carro, o cuidado no preparo e a diversidade do cardápio dificilmente fazem você dar um passo atrás. Sem contar a gentileza do Jean do Dérek, que explicam cada detalhe da comida como se estivessem concebendo a receita na hora.

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Nesta semana chegou o tão esperado Ribs Food Truck. O Ribs é projeto antigo do Fernando Giusti que já trabalhou na cozinha mais sofisticada de São José, conheceu comida rápida em outros ares e agora junta toda a sua bagagem pra oferecer hambúrguer. O Ribs fecha essa tríade de comida salgada de maneira bastante deliciosa. Ribs é o nome do Food Truck e também batiza o carro-chefe composto de hambúrguer de costela defumada, pão especial, queijo, alface, tomate, pickles, maionese do Chef e mostarda vinda lá dos pagos do Sul.

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Olho no lance pra não perder nenhum detalhe deste sanduba.

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E já fica a dica pra que você não arrede os pés deste Food Park sem experimentar a Rabiosa. Além do Hambúrguer de Costela o Ribs oferece uma batata frita com corte especial que vem muito bem temperada à mesa (finalmente alguém temperou batata, gente!), chega a ser possível comer junto os raminhos de alecrim que dão cheiro e sabor inigualáveis. O molho de pimentas frescas desenvolvido especialmente pra esta iguaria, levemente picante (que dá bastante sabor mas não queima a boca de quem não é acostumado) também merece meus aplausos.

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Fecha o quarteto fantástico uma opção de doces. Como diz o manezinho “é bom pra tirar o travo”. O Sweet Road faz doces especiais e boa parte deles é inspirada no brasileiríssimo brigadeiro. Eu experimentei dois deles, o brigadeiro de Oreo (tudo com Oreo fica bom, anotem) e o brigadeiro de paçoca. Gostei destes pois pois eles não são só uma massa muito doce. Eles têm em sua composição ingredientes que o fazem ficar saborosos sem ser adocicados em demasia. Mas nem só de brigadeiros vive o Sweet Road: doces especiais com frutas, casquinhas de sorvetes e até brownies pintam por lá dependendo da inspiração do chef patisseur.

Vocês já se cansaram de tanta comida ou guardaram um espacinho pra Kombi mais charmosa da cidade?

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Bom, ainda tem mais. Tem as folgas da galera. E quando um folga, outro convidado de honra aparece. Aqui cito um Food Truck que não é o Chitãozinho nem o Xororó mas me deixou 60 dias apaixonado. Com o perdão do trocadilho idiota, e com o ritmo que não é o da casa, a Janis Gastronomia traz a Kombatata até o Food Park quando o Yakisoba faz sua parada de descanso às sextas-feiras. Pratos batizados com nomes de astros do Rock, temos no palco da Vox o escondidinho de frango que é feito com mandioca e queijo coalho.

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Uma delícia!

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O prato principal é sempre a Kombatata. Esta que comi foi a Hendrix, base de batata, camarão, alho poró, requeijão, farofa de limão e manjericão. Uma delícia de tirar o chapéu e pagar o ingresso renovo. Em alguns eventos de Food Trucks a Arieli Secco prepara a kombatata em forma de sanduíche pois a necessidade do lugar pede algo portátil, mas no Food Park da Presidente Kennedy tem mesinhas onde a kombatata pode ser ela mesma sem medo de ser feliz. E ser gostosa.

Muito bacana ver essa gente linda, elegante e sincera fazendo boa comida, com o brilho nos olhos e sem saber que os livros de história dedicarão no futuro páginas e mais saudosas páginas sobre a gastronomia destes tempos. Que época boa pra se viver em São José, meus queridos leitores. Que época boa pra frequentar a Av. Presidente Kennedy e descobrir novos sabores.

Food Park Presidente Kennedy

  • Av. Presidente Kennedy, 789. Kobrasol, São José/SC.
  • Estacionamento
  • Alguns aceitam cartões