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Trattoria Campione: de volta, no Santa Mônica, com a mesma qualidade

Fala pessoal, tudo belezinha? Feliz 2017 pra vocês 🙂

Nessa segunda estava procurando um restaurante de comida italiana. A idéia era comer uma massa simples e saborosa, fugindo dos mais requintados e também dos rodízios. Algo bom, mas sem quantidades industriais nem gastando muito em plena segunda-feira.

Mas é verão e estamos em Florianópolis, não existe mais comida barata aqui faz tempo. Nem um mero xis custa menos de vinte mangos. Se passar a ponte (sim, Florianópolis não é só um pedacinho de terra perdido no mar) tem ainda a taxa beira-mar. Nós que somos daqui ou vivemos a algum tempo sabemos disso, não é mesmo?

Então topei com a Trattoria Campione. Eu já os conhecia de outros carnavais, quando ficavam lá em Jurerê Internacional e fiz até um review aqui. Me lembro do título: “Comida excelente em Jurerê sem o preço Internacional”. Mas voltando às vacas frias, ela voltou e está no Santa Mônica, pertinho do Centro Comercial Aldo Kuerten ou, pra todo bom manezinho, “prédio do Guga”.

E o preço não mudou (muito). O cardápio é praticamente o mesmo e dessa vez escolhi algo que pareceu bem interessante do ponto de vista custo x benefício. A casa tem, além de entradas, pratos e sobremesas individuais, um Menu Degustação Tradicional (tem o Gourmet, também, mas não vi grandes vantagens) por R$99 contendo o mesmo serviço à francesa.

De entrada você pode escolher uma salada Caprese ou o Couvert, composto por pedaços de massa de pizza assados e temperados acompanhados de uma pasta de pimentões, outra de berinjelas e algumas unidades de azeitonas. Uma delícia, tanto é que na hora do prato houve aquele leve arrependimento de ter comido tanto na entrada.

Na entrada, tomei um dos drinks da casa. Aperol Spritz. Não sou um grande bebedor, ainda mais de bebidas cujo amargor se evidenciam no caminho, mas curti bastante. Refrescante, alcóolica sem ser enjoativa, muito boa.

As opções de prato principal eram Spaghetti Carbonara, Risotto Maggiore, Melanzana parmegiana e gnocchi bolognesa. A idéia era uma massa no estilo macarrão, fomos na primeira opções. Certamente o chef pegou os ingredientes e disse “hoje esse gordinho vai ficar feliz”. Não deu outra. Prato além de bem servido (desconfio que o menu inteiro sirva mais que duas pessoas), o Spaghetti Carbonara é feito conforme manda o figurino. Massa al dente, molho incrível, sal na medida, um prato delicioso!

Enquanto esperava a sobremesa do Menu Degustação, que era uma Mini panna cotta de Caramelo (com direito a um simpático pé-de-moleque na cobertura), cheguei a hesitar um pouco. À mesa uma plaquinha informava as opções de sobremesas e incluía o Cannoli Siciliano. O meu mundo parou de girar por um instante, lembrei dos anos que procurei Cannolis pra comer em Floripa e nunca encontrei (até o João Lombardo ficou me avisar quando sua famosa e tradicional padaria voltasse a fazê-los), Lembrei inclusive da famosa cena de O Poderoso Chefão quando Peter Clemenza e seu capanga levaram Paulie, o genro traidor de Don Vito pra um matagal fazer justiça mas não sem antes passarem no restaurante preferido de Clemenza pra buscar uns Cannolis. Mas deixei pra uma próxima visita, Cannolis não fugirão de lá, pensei comigo. Na famosa frase de Clemenza Leave the gun, take the Cannoli eu deixei os cannoli e no caminho pra casa tive vontade de ter uma arma.

Mas enfim, a Panna cotta cumpriu bem seu papel, era uma deliciosa sobremesa pra finalizar com maestria um serviço que me impressionou bastante e me deixou satisfeito.

A conta fechou em R$139. E recomendo mais uma vez a visita!

Peña del Sur: uma parrilla for de campeira

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Já havíamos comido e todos no restaurante estavam satisfeitos acompanhando o som do músico Branco, que às sextas-feiras faz sua apresentação na casa. Entre Zé Ramalho e Chico Buarque também cantava uma que outra da Mercedes Sosa, o que já era prenúncio do que estava por vir. Então o Eduardo, proprietário e parrillero, que já havia dado o seu show nas carnes nos servindo excelentes cortes e acompanhamentos se abraçou ao violão e dedilhou uma milonga. Era Flor-de-campeira o nome da música, já conhecida na voz do Cristiano Quevedo, um dos artistas que acompanho nessa xucra música do Rio Grande do Sul. Se a comida já havia agrado, e muito, agora estava transcendendo na visita ao Peña del Sur.

Já havia notado que a casa, além de sua comida, tinha um forte apelo às tradições latinomaricanas. A própria parrillera tem as incrições “Gracias a la vida”. É uma música da chilena Violeta Parra que também imortalizou-se na voz de Mercedes Sosa.

E eu, que já havia me emocionado com uma simples frase em cima de uma churrasqueira uruguaia queimando brasa, tive que esconder uma que outra lágrima quando o chef cantou “Zamba de Mi Esperanza”. Pensei comigo: “qual é? Isso é Santo Antônio de Lisboa, um antro cultural de Florianópolis, mas ouvir La Negra sem estar em Tucumán ou Los Chalchaleros sem precisar ir até Santiago Del Estero, relativamente do lado de casa, é demais pra mim”.

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Isso tudo porque os ex-bancários Ana Paula e Eduardo deixaram sua terra natal pra investir em um gosto pessoal: a cozinha e o churrasco uruguaio. E eles não poderiam ter acertado mais. A casa é linda, bem decorada, aconchegante e te faz querer ficar horas ali comendo um queso parrillero, uma carré de cordeiro… ouvindo boa música, bebendo um vinho ou uma cerveja argentina, conversando com pessoas incríveis e acolhedoras, aproveitando cada segundo dessa experiência que envolve muito mais do que alimentar o corpo: saciar a alma.

Poderia dizer que a comida faz parte da experiência que se tem no Peña del Sur, e não é a única. Mas como aqui a intenção é falar dela, deixo essa prosa de quem muito se agradou pelo conjunto da obra e vamos falar da bóia.

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O cardápio é simples e tudo é feito na parrillera, tirando as saladas e sobremesas, evidentemente. Ele divide-se em gado, porco, linguiças, diversos e miúdos. Numa parrilla tradicional não existem acompanhamentos fixos, você pode combinar o que quiser. Eu pedi de entrada uma linguiça mignon e o pão com chimichurri. Linguiça de carne suína pura, uma delícia se assada numa dessas churrasqueiras. O pão levemente crocante e saboroso coberto pela combinação de ervas mais degustada nos nossos vizinhos fronteiriços. Todos os pratos da casa são acompanhados por farinha e salsa criolla.

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Depois comi o Queso parrillero, aquela famosa provoleta que onde é servido é sempre campeão de vendas. Um provolone delicioso, de boa procedência, com ervas garantindo seu sabor e aromas.

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Experimentei também outra figurinha carimbada das parrillas: a molleja. Molleja é o timo assado na brasa, uma glândula endócrina da rês que acompanhada de sal e limão, assim como assim, têm uma textura gordurosa e muito, mas muito saborosa.

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Meu prato principal foi o Carré de Cordeiro. Cinco generosos carrés da ovelha jovem, prato delicadamente decorado, também bastante aromático pelas ervas e pelo alecrim que o adorna. No ponto delicioso de se degustar um cordeiro, maciez e sabor.

Ainda experimentei outros pratos que meus fieis companheiros de comida e música gaudéria Everton e Samantha pediram e compartilharam. Essa é a sina do blogueiro de gastronomia, evidentemente.

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Teve Contra-filé

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Papa 3 quesos, que é uma batata cortada ao meio e assada no papel alumínio com gorgonzola, provolone e catupiry. Deliciosa!

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Teve o Assado de tiras, outro bastante conhecido de allá, um jeito diferente do nosso de comer costela bovina.

Do início ao fim, todos os pratos me agradaram e sequer têm alguma reparação a ser feita. Perfeito serviço, perfeita comida, perfeito atendimento feito por dois garçons muito gentis e competentes, que transformaram nossa visita ao Peña del Sur a mais perfeita possível.

O preço é bastante honesto, comemos bastante por algo em torno de R$90 por pessoa. Quase de graça. A casa não cobra couvert e, sou suspeito pra falar, mas dá um banho no quesito música.

Há muito um restaurante não me emocionava. Não garanto que vá te emocionar pelos mesmos motivos, se falo aqui de um gosto por uma cultura bastante específica. O que posso enfatizar é que uma experiência lá é agradável, saborosa e com preço justo. De sair lambendo os beiços e com o coração leve.

Gracias à la vida, gracias aos proprietários, gracias aos músicos e gracias aos garçons!

Peña del Sur Assados de Parrillada

  • Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 568. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 3236-5145
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Tequilaville: onde não puderes amar, não jantes

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Se você é fã da Frida Kahlo ou a admira porque ela era uma grande pintora e teve uma história de vida e superação bastante motivantes, então deve saber que a frase “Onde não puderes amar, não te demores” é atribuída à mexicana. Ela não é, infelizmente, uma frase da Frida, embora ela seja uma grande verdade pra muitas coisas na vida, inclusive pra restaurantes. A vida é curta demais pra deixarmos nosso precioso tempo e dinheiro onde não pudermos ser amados.

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Estive semana passada no novo restaurante da Rota Gastronômica de Coqueiros, cada vez mais diversificada, conhecendo o novo filho da Chef Bel Hagemann, que também é responsável pelo sucesso do Boteco Zé Mané. E tudo o que pude concluir foi que eu não conhecia AINDA a comida mexicana. Sei que tal coisa só conseguirei indo ao México, mas me aproximei demais dos temperos e sabores que a culinária que o país da América do Norte pode oferecer, pois me senti livre dos guacamoles deveras picantes, dos tequileiros e mariachis fazendo fanfarronices e de um show de estereótipos étnicos que vê-se cá por estas bandas.

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O lugar é lindo. Decorado com elementos da cultura mexicana, faz menção à personagens icônicos do México e suas tradições, suas crenças e seu jeito de viver. Não está carregado, é bem iluminado porém aconchegante e passa longe, como disse anteriormente, de estereótipos chatos. Nas vidraças de fundo ou mesmo no espaço ao ar livre é possível ver o belo mar de Coqueiros afinal ele fica na beira da praia.

O atendimento foi impecável do início ao fim. A simpatia e a competência da Sherazad, quem nos atendeu toda a noite, foi incrível. A experiência que havia começado pelo lindo quadro da Frida Kahlo e terminou com excelente comida certamente teve nas mãos e nas explicações da Sherazad que conduziu tudo de forma muito tranquila, funcional e informativa.

Mas não tem jeito: é ela, a comida, sempre a personagem principal de uma experiência gastronômica. E a cada prato, a cada molho, a cada tempero, era mais e mais amor vindo da cozinha. Tanto que nos demoramos, tanto que poderíamos ter ficado ali pra sempre, experimentando cada prato do cardápio.

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O Tequilaville tem uma idéia interessante de entrada: o Couvert. O nome assim pode remeter a pães com molhos e patês mas neste cardápio ele tem uma função que ajuda no conjunto da obra. Ele é composto de Totopos (ou nachos) e de 8 molhos diferentes. Não vou listar todos, mas vai desde salsa picante, guacamole, chipotle até o famoso pico de gallo e outros molhos deliciosos. E a idéia é que este prato seja o primeiro pois seus molhos e temperos serão úteis em todo o restante da experiência,servindo para temperar e agregar sabor em qualquer coisa que você peça na sequência.

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Outra coisa interessante é que os molhos de pimenta são feitos na casa. Habanero ou Jalapeño, tem rótulo do restaurante e em breve também será vendido para quem quiser usá-lo nas suas refeições em casa.

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O cardápio também conta com uma boa atenção nas bebidas, servindo vários estilos de Margaritas e Coqueteles. Experimentei um que eu gostei bastante e que a minha amiga Michele pediu pelo nome: Michelada. Ele é feito de Cerveja Sol, sangrita (uma espécie de sangria apimentada), suco de limão e borda de sal. Uma delícia, jamais tomei um drink com cerveja desse jeito e achei bom demais.

Parêntese fechado, vamos aos pratos experimentados, e são muitos.

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De entrada eu pedi um Molote. Um bolinho frito de feito com massa de milho, recheado com purê de batatas, linguiça defumada e queijo fresco. Uma delícia!

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Experimentei também o Ceviche de Camarones y Sandia. Camarões frescos marinados no suco de limão com pedaços de melancia. Broto de milho doce e cebola roxa também deram o seu toque ao prato, que também estava muito gostoso. Jamais havia experimentado melancia, um elemento bastante doce, num ceviche e curti muito.

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Depois fui de Taco Al Pastor. Uma deliciosa tortilha de milho recheada com carne suína em finas lascas e abacaxi grelhados. Um primor de entrada, uma delícia de quitute. Leve, saborosa, fácil de comer e agradável ao paladar, misturando doce e salgado de forma perfeita.

Nota: daqui pra frente não tínhamos mais tanta fome. Ainda tinha algum espaço pra comida, mas se saíssemos de lá estaríamos bem, tranquilos, felizes. Mas não, nós não viemos ao mundo pra brincadeiras e estômago de blogueiro de gastronomia tá aí pra isso mesmo.

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Michele pediu um sanduíche e a mim foi dada a incumbência de comer a outra metade, e ele já veio dividido da cozinha facilitando as coisas. O Cemitas é feito com pão tradicional mexicano, carne à milanesa (rês, porco ou frango e a Michele escolheu porco), queijo fresco, cebola e abacate. O sanduíche é o único do cardápio, mas muito saboroso e bem servido. Bem servido mesmo, é gigante, bem recheado, chega a ser um desafio comê-lo sozinho.

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E eu então experimentei como prato principal a Costilla em Crosta de Chicharrón. E essa, meus amigos, foi a prova final do que digo no título: onde não puderes amar, não jantes. Esta costilla, ou melhor, esta costelinha de porco que é assada lentamente com uma crosta de torresmo, tem molho de ibisco e é acompanhada de abacaxi flambado na tequila, é amor traduzido em um prato. A costela desmancha na boca, a crosta é divina, o molho dá um toque adocicado e intrigante ao prato, o abacaxi assina embaixo a perfeição de comida que é. Chego ao fim deste parágrafo salivando muito, só de lembrar deste prato.

Nota 2: a partir daqui nós já estávamos muito satisfeitos, com o estômago e alma bem alimentados, prontos pra irmos embora. Mas é óbvio que não fomos. É lógico que a sobremesa chamou a atenção, é lógico que a Sherazad nos tentou falando do Leite Frito e ali ficamos. E ali mais uma vez fomos amados e bendizemos à Frida Kahlo.

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Este é o postre que mais me chamou a atenção no cardápio, a sobremesa que há tempos queria experimentar e nunca havia encontrado por aqui. O Leche Frito com Celaya é leite cozido à milanesa acompanhado de um sorvete (na casquinha, pra dar um charme!) de chocolate com pimenta. Dizer que é delícia vai parecer repetitivo, mas culpa não tenho se tudo o que experimentei estava muito gostoso, me deu vontade de voltar e me apaixonar pela casa?

Aliás, falar no cardápio, é importante ressaltar pra quem não está familiarizado com a cozinha mexicana mais tradicional (e menos comercial): a comida tem sim pimenta mas não é ardente, não é uma comida muito quente. Você pode ir adicionando pimenta de duas formas, como já expliquei no início: nos molhos da casa, feitos ali mesmo; nos molhos que acompanham o couvert, alguns deles — principalmente o chipotle — garantem a picância que alguns gostam. Mas você pode ir lá com suas restrições à pimenta e um garçom vai te orientar que a maioria dos pratos têm apenas pimentas aromáticas, que ingrediente comum em qualquer culinária, e você não vai passar mal por isso.

A nossa conta fechou em cerca de R$80 por pessoa, o que acabou sendo mais que barato por tudo o que comemos, bebemos, rimos e aprendemos com a casa. Experiência gastronômica que saiu quase de graça, enriquecedora e, principalmente, repleta de afeto. Te demores, no Tequilaville, porque vale a pena cada prato, cada minuto, cada carinho.

Tequilaville

  • Rua Desembargador Pedro Silva, 2019. Coqueiros, Florianópolis.
  • (48) 9647-0004
  • Aceita cartões

Risotteria Suprema: cara e cardápio novos

Já havia feito um review sobre a Risotteria Suprema onde lépido e fagueiro almocei num dia de semana. E antes que me tomem por repetitivo, preciso me explicar: 1) já não sobra muitos restaurantes cujo serviço seja bom o suficiente pra registrar aqui 2) a Risotteria Suprema está de cara e cardápio novos, e foi uma experiência nova e diferente, apesar de ser novamente exitosa.

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De cara nova porque o incansável Jordan Franzen, chef do restaurante, fez uma revolução no lugar. Trocou mesas, cadeiras, fez estofados melhores, colocou uma nova iluminação deixando o ambiente mais aconchegante e fazendo você se sentir em casa. A luz direcionada à mesa dá uma boa sensação de iluminação (você consegue enxergar as pessoas com quem está dividindo a refeição) mas também tem a sensação de estar sozinho por ali, que ninguém te vê.

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Isso sem contar o o novo bar, que agora oferece drinks especiais, retro-iluminado e muito, muito “bossa”!

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A comida continua com a mesma qualidade e novos ítens entraram no cardápio noturno. O cardápio está dividindo entre Entradas, Saladas, Pratos para crianças, Pratos Especiais, Massas, Grelhados e Risottos, sendo este último, evidentemente, o carro-chefe da casa. A mesa em que estava era bastante democrática e cada um resolveu experimentar um pouco de cada, o que deixou muito feliz este humilde blogueiro que deu algumas garfadas em cada prato para uma maior experiência e mais eficiente crítica.

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Tudo começou com o couvert. Pães do Café Françoise (sempre eles, os melhores) e uma manteiga temperada pelo próprio chef. Receita própria, que mescla ervas e dulçores, fazendo com que você queira comer até a última migalha.

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Por imposição da dieta — comer salada duas vezes ao dia, pedi a Salada Norueguesa. As folhas da estação escoltadas por salmão defumado, amêndoas em lascas, tomate seco, croutons rústicos e raspas de limão siciliano fizeram com a salada deixasse de ser um peso da dieta pra ser um delícia. E lhes garanto que tamanha grandeza de preparo não se deve apenas ao salmão defumado, iguaria esta que nenhum vivente deveria se tornar finado sem experimentar.

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Eu até queria ter pedido um Prato Especial da Risotteria. Queria ter comido sozinho este prato para dois (não é dividido por dois, é multiplicado por dois), o Cordeiro de Montpellier, que são nada menos que carrés de cordeiro bardeados com presumo de Parma e guarnecidos por risotto dijón e aspargos, decorado com fios de redução de vinho do porto. Quem os experimentou deixou que eu petiscasse vez por outra. Delicioso.

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Também gostaria de ter me deleitado ao sabor deste Tortei Basco, o famoso tortei de abóbora cabotiá ao molho de carne seca e tomates italianos.

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Mas resisti bravamente e pedi um risotto. Não qualquer risotto, mas o novo prato deste cardápio, o Risotto Praia dos Açores. Como já comentei no post anterior, os risottos da Suprema têm nomes temáticos de cada lugar de Floripa, geralmente praias (até porque se ele criasse um risotto chamado São José, ele viria frio, cheio de buracos e teria sabor de cachorro-quente). O Praia dos Açores têm camarões, palmito, tomate, salsa, cebolinha e parmesão. Simples, porém bastante saboroso. Como também já disse anteriormente, o prato da Risotteria engana. Por baixo da ponta deste iceberg de puro sabor, há um calabouço de abundância de comida. Pode comer sem medo de ser feliz e voltar com fome.

Aliás, fome é a única sensação que você não vai sentir na Risotteria. Apesar da boa decoração (muito embora o Jordan tenha esquecido a minha #hashtag no prato, imperdoável), a comida é pra todo bom brasileiro verde, toda firula é acompanhada de fartura e não se sustenta só pela beleza. Se sustenta porque sustenta.

O jantar custou cerca de R$80, com bebidas leves.

Risotteria Suprema

  • Endereço: Rod. João Paulo, 130. João Paulo, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3234-0301
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

 

Das Ilhas Gregas para a Ilha de SC: obrigado Zakynthos!

Dizem que o tempo faz esquecer. É dos clichês o campeão de vendas para os clarins das horas brabas, aqueles que são incumbidos de consolar as almas desoladas e devastadas por algum contratempo da vida.

Não foi assim com Spiri. Com nove anos apenas embarcou num navio e veio para o nosso país. O Brasil ainda não sabia, talvez Aurélio ainda não soubesse e nem mesmo ela desconfiara, mas Spiri guardava com o tempo de maturar um bom vinho, um bom azeite, sua cultura no idílio — palavra não acidentalmente de origem grega aqui encaixada — de um dia demonstrá-la e preservá-la com um sentimento muito, mas muito puro e atávico.

A entrada do restaurante Ilhas Gregas tem projeção de imagens de apresentações culturais da Grécia
A entrada do restaurante Ilhas Gregas tem projeção de imagens de apresentações culturais da Grécia

Quando fiz a reserva no Restaurante Ilhas Gregas com o Sr. Aurélio, manezinho de grande vivência e cultura, casado com a Chef, recebi uma resposta “que bom, Daniel, esperamos levar você para a Grécia por algumas horas”.

Eu saí do restaurante por volta da meia noite da última sexta-feira mas a Grécia ainda não saiu de mim, Aurélio. Devo confessar-te, meu caro, que o que eu escrever daqui pra frente será um mero relato cuja experiência vivida jamais conseguirá ser demonstrada com palavras, seja no meu alfabeto ou no seu. Como dizia o Apóstolo Paulo ao povo da própria Grécia, em sua carta aos Coríntios: “As coisas do espírito se discernem espiritualmente”. Este ateu que visitou o restaurante de vocês se agarra até na Bíblia pra já pedir as devidas desculpas tanto a vocês quanto aos leitores, na certeza de que só visitando o Ilhas Gregas é que se consegue comprovar realmente o que tento dizer com tantas palavras.

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E antes que este texto se alongue e fique um tanto quanto homérico, volto à Spiri: nasceu na Grécia, na ilha grega de Zakynthos, citada por Homero tanto na Ilíada quanto na Odisséia; e essa Epopéia termina com ela, aos 50 (com cara de 30 e energia de 18), se formando em Gastronomia e abrindo seu primeiro restaurante, cuja comida provavelmente serviria para juntar Ulisses e Penélope.

O Restaurante Ilhas Gregas abre uma vez por semana às sextas, na casa dos proprietários. É necessário fazer reserva, visto que o espaço é limitado e a procura é grande. Em 7 meses de funcionamento, já recebeu cerca de 1000 pessoas para o jantar.

A comida servida é em forma de Menu Degustação. Paga-se a irrisória quantia de R$55 por pessoa e além de uma carta de vinhos excelentes, oferece agora cervejas especiais para quem é do ramo. Refrigerantes e água, claro, pra quem é dos meus.

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Mesmo não sendo consumidor de bebidas alcoólicas, entrei no clima e abri o jantar com uma dose de Ouzo, um licor de anis comum na Grécia, aquele mesmo que Emílio Santiago já eternizou em uma canção.

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O jantar começou com o Couvert. Uma cestinha de pães caseiros e outro mais no estilo francês, com gergelim, acompanhados de uma pasta de berinjela. Outra era de iogurte natural (com segredos da Chef), pepino, alho e azeite de oliva.

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As entradas me deixaram em êxtase. Principalmente a Tiropitakia, que são mini-folhados recheados com queijo branco e espinafre. Saíam bem quentinhos do forno, com recheio cremoso e saboroso, crocante em cada mordida.

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A outra entrada era a Dolmadakia, outra iguaria grega que talvez tenha sido influenciada pela sua estreita relação com os turcos, adaptada para o gosto e ingredientes locais feita de um charutinho de folhas de couve recheados com arroz temperado.

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Os pratos principais são vários. Assim sendo, são colocados aos poucos, para nem esfriar e nem perder a qualidade, em um buffet aclimatado. Vai desde a salada grega (tomates, cebolas, pepino, azeitonas pretas e queijo branco);

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passa por um delicioso Polvo à moda grega, o Paidakia (carne de cordeiro grelhada e batatas douradas ao forno), o Youvetsi (massa risoni, que é um macarrão em forma de arrozinho, com molho à base de pedaços de frango e tomate.

O meu preferido da noite, e não poderia deixar de sê-lo, foi o Moussaká. Desde que ouvi falar do restaurante através da Luciane Daux, e que vi o cardápio, já tive sonhos quase eróticos com esta lasanha de carne bovina moída, com camadas de fatias de berinjela e batatas, coberta com bechamel, enriquecida com ovos e queijo parmesão.

Todos alimentados, é hora de o garçom, o simpático, querido, inteligente e competente Eduardo tirar o pedido das sobremesas. Mas ela não vem de bate-pronto. Há uma surpresa. Meio sem entender muita coisa, vi as luzes serem apagadas e o Aurélio anunciar que a Chef Spiri, que já havia visto na cozinha no andar inferior cantarolando com as suas ajudantes, tal qual a alegria que vemos nos filmes gregos onde a cozinha é um ambiente de se fazer arte e dar boas risadas, subiria para homenagear os seus comensais com uma música.

Perdoem a qualidade da imagem, contraste máximo para a foto no escuro.
Perdoem a qualidade da imagem, contraste máximo para a foto no escuro.

Um som mecânico de violinos e uma doce orquestra tocavam de fundo mostrando que ali começara a sobremesa, enquanto Spiri subia às escadas cantando To Tango Tis Nefelis, música grega (e cantada em grego por ela) que conta uma história muito bonita da mitologia e que mesmo não entendo muito a letra, parece ser entendida só pela emoção de quem canta. É simplesmente impossível tentar descrever a emoção dessa hora, tenho o vídeo gravado aqui, mas não publicarei. Vá você mesmo comprovar o que eu digo, é um momento que vai de cada um vivenciar.

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Sentíamos o doce olfato das sobremesas ficando prontas na cozinha enquanto Aurélio passava de mesa em mesa com uma caixa contendo um prato e um martelo. A mesa elegia alguém que fosse fazer igual aos gregos, quebrar o prato para com o barulho espantar os maus espíritos e provar o desapego material neste bonito ritual de quase 4 mil anos.

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Não tinha romãs, mas tinha mel: a sobremesa que pedi era o Baklavá, um folhado com recheio de nozes, regado com calda à base de mel e canela. Lembrou-me muito um strudel, mas muito mais saboroso e crocante igual.

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Também pude experimentar a Delícia de Zakynthos, um iogurte natural com calda de morangos. O nome já diz.

Há ainda a possibilidade de você levar os congelados para casa. E nos próximos dias você também poderá provar estas delícias numa rede de supermercados bastante famosa na cidade, enquanto não chega o Sábado, dia que, sem dúvida alguma, será o Dia da Comida Grega em Santa Catarina, sendo este o primeiro especializado nestas iguarias que se tem notícia.

O sentimento que fica é inexplicável. O mais perto que posso traduzí-lo dele é “voltei com saudades da Grécia, país que jamais conheci”. E que estas longas palavras tenham sido suficiente para explicar que sim, eu recomendo fortemente uma experiência não só gastronômica, mas de vida no Ilhas Gregas.

Restaurante Ilhas Gregas

  • Endereço: Rua Celso Bayma, 634. Jardim Atlântico, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3240-8232
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Ponto G Brasa & Fogão: quem encontra uma vez, acha sempre

Encontrar o Ponto G é uma arte. Independe de cor, credo, status social, físico… Há quem defenda que para tal é preciso tempo de prática, insistência, paciência e um tanto de criatividade. O que é regra geral é que, quando encontrado, o prazer proporcionado de quem encontra é muito parecido com o prazer de quem recebe a busca.

Eu já encontrei uma vez e agora, pra dar uma variada, encontrei em outro endereço.

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Logicamente não estou falando dos feitos alemão Ernst Gräfenberg. Trocadilhos a parte, me refiro ao novo restaurante do Chef Vitor Gomes, o Ponto G Brasa & Fogão. Após uma baita de uma experiência gastronômica no seu belíssimo Ponto G nos altos de Santo Antônio de Lisboa, fui até a beira da praia conhecer o novo espaço e menu que já ganharam, em menos de 3 meses, premiações nas publicações do ramo.

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O espaço lembra bastante o outro Ponto G, reúne o requinte de móveis de excelente qualidade e decoração muito bem planejada com a simplicidade das características da Florianópolis que Vitor conheceu. A tradicional bicicleta pendurada na parede e as gaiolas vazias em outra mostram que a Itinga, localidade de Tijucas onde o chef morou, o acompanha onde quer que esteja. Identidade é a palavra de ordem.

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Com base nessas raízes o cardápio é composto. Assim como a decoração da casa, é moderno e versátil sem esquecer de onde vem. Serve tanto frutos do mar — e contempla a maioria dos peixes, crustáceos e bivalves que são culturalmente nossos — quanto carnes, pra salvar Santo Antônio de Lisboa da monotonia dos ingredientes de sempre.

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Antes de mais nada, comecei pelo couvert. Seleções de pães La Padá, manteiga de ervas, patê de linguiça defumada, caviar de sardinha e uma pasta de salmão. O pão é de querer levar pra casa pra comer todos os dias.

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Macio, saboroso, diferentemente dos que comemos por aí. As pastas, apesar de serem deliciosas, harmonizam de forma esplendorosa com um simples couvert. É incrível.

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Como prato escolhi a Paleta de Cordeiro. Achei que comeria pouco, geralmente lugares mais requintados oferecem o que eu costumo chamar de “pratos sujos de comida”, onde encontra-se mais o ego do chef mandando um “beijo me liga” do que, de fato, comida. Ledo engano.

Uma paleta de cordeiro inteira, assada lentamente no forno com um sabor impecável, glaceada ao röti. Ela estava sensacionalmente macia, deu pouco serviço aos dentes. Serviu duas pessoas mas serviria, sem brincadeira nenhuma, três ou quatro, dependendo da fome e das entradas.

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A Paleta veio acompanhada de legumes como cenouras, brócolis e batatinhas assadas. Além disso, outros acompanhamentos: arroz branco, farofa, salada de folhas verdes com tomate, vinagrete brasileira, molho chimichurri e outra sorte de legumes assados (aspargos, pimentões, berinjelas, abobrinhas etc).

Pra quem é do vinho, uma carta contendo também rótulos catarinenses, parceria de sempre e costumeira da casa. Pra quem é da cerveja, boas opções para harmonização.

A conta fechou em cerca de R$140 sem bebidas alcóolicas.

Em breve voltarei lá para conferir também os frutos do mar. Independente do pedido, encontrar o Ponto G é sempre um prazer inenarrável.

Ponto G Brasa & Fogão

  • Endereço: R. Quinze de Novembro, 18. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 8815-0608
  • Aceita cartões: sim