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Becher a Bordo: virei YouTuber. Me segue?

E aí, pessoal! Tudo belezinha?

Eu não esqueci o Comideria, não (embora ninguém tenha perguntado). É que com o passar do tempo a gente vai conhecendo os restaurantes, visitando novos lugares e vai esgotando as possibilidades de surpreender o leitor — e arrisco dizer que vocês não perguntaram sobre isso.

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Outra coisa que vocês não me perguntaram é se eu estou trabalhando em algum projeto paralelo ao Comideria. Eu estou, OK?

E é sobre ele que eu vim falar neste post. Há cerca de duas semanas algum santo falante baixou em mim e eu ligo as câmeras e começo a falar mais que o homem da cobra. É, virei YouTuber e criei o Becher a Bordo. Minha idéia inicial não era falar sobre comida mas calhou o destino que os caminhos me levassem fortemente a este destino. Fiz dois episódios iniciais de teste em restaurantes, o primeiro no Hogs & Burger (vocês vão notar que é um vídeo muito mais amador que o normal, embora eu ache que ele tenha um conteúdo bacana) e o segundo onde estava mais motivado ainda, porém um tanto quanto ignorante pois esqueci até de desligar a impressão de hora e data no vídeo, na Fairyland falando sobre cupcakes, coxinhas e pet friendly. E o terceiro que eu esqueci da regra básica de numa câmera de ação simples não gravar contra a luz? Coitado do Caio, ficou na penumbra, mas avancei ainda mais no conteúdo.

O quarto e último vídeo publicado, agora já com uma vinheta e tal, não fala sobre comida. É sobre a Minha Casa Container, já que o objetivo não é só vocês passarem vontade e fome com o videolog.

Enfim, vim aqui humildemente mostrar meu novo trabalho paralelo ao querido, estimado e idolatrado Comideria, o Becher a Bordo pedir que vocês vejam pelo menos um dos meus vídeos e, se curtirem minha idéia, assinarem meu canal pra que eu me sinta ainda mais motivado pra produzir conteúdo neste cidade linda de meu Deus.

Valeu!

Jun Temakeria apresenta novo cardápio com fusão molecular

É a terceira vez que escrevo sobre a Jun Temakeria. Isso é inédito aqui no blog. Isso porque costumo escrever apenas uma vez sobre os restaurantes que frequento. A Jun teve a primeira e a segunda, ambas fiz reviews normais. Esta terceira foi um convite do proprietário, o Bruno, o qual já agradeço por sempre ter um carinho especial pelo Comideria e que sempre nos convida pra conhecer em primeira mão os pratos novos do seu cardápio que está em constante evolução. Aliás, essa é uma qualidade da Jun: eles sempre tentam — e conseguem — melhorar ainda mais o cardápio.

Este post que escrevo foi produzido em duas visitas. Na primeira conheci os pratos quentes desenvolvidos pela chef Maria, pratos que vêm da cozinha superior do restaurante feitos pelas mãos atenciosas e habilodosas da chef.

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Entre alguns pratos que experimentei nesta primeira visita destaco o Tartar de Salmão Guacamole, que são cubos de salmão levemente selados, guacamole e acompanhado de nachos e camarões grelhados. Gostei da versatilidade deste prato que pode servir tanto como uma entrada como prato mesmo. Dizer que é saboroso, assim como os demais, é desnecessário.

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Aprofundando-se ainda mais numa fusão entre França e Japão, comi o Bisque de lagosta com vieiras. Já viu algo com lagostas e vieiras ficar ruim? Ainda mais se isso vier na forma de bisque, que é um creme de palmito com leite de coco e peas crocante.

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Outro prato que me deliciei foi o Salmão grelhado com crosta de bacon. Deus do céu, vocês precisam provar esse prato. Ele vem acompanhado de um delicioso purê de beterrabas e batatas rústicas.

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Como a Jun tem essa pegada descontraída de temakeria, o happy hour também ganha espaço. Inclusive esse aperitivo diferente e muito gostoso feito por lá mesmo, a Linguiça defumada de salmão. Ela é servida com batatas rústicas, cebolas caramelizadas e chutney de maçã.

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Sobremesa? Brulée de gengibre. Deixaria Amélie Poulain lambendo os beiços.

Já na segunda visita conheci a Jun Experience, uma novidade na casa que faz uma fusão entre o tempero asiático com a cozinha molecular. Seja desconstrução, esfera, fumaça, efeitos especiais, um jantar digno de hollywood.

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Comecei com esse Tartar de atum com espuma de manga. A espuma de manga é uma delícia e vai também gengibre, já o tartar é coberto com ovas de capelin black e cebolete.

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As ostras à tailendesa deram um visual todo especial. Após a fumaça de nitrogênio líquido se dissipar do bowl, vi que se tratavam de duas deliciosas ostras à vapor, espuma de coco ao curry e ovas de capelin.

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O Tataki da Jun é um dos meus pratos preferidos. Tanto de salmão quanto de atum, eles mandam bem nisso. Desta vez provei algo diferente: Tataki desconstruído. É um tataki de salmão selado, pasta de gergelim negro, shoga negui (gengibre e cebolete macerados) caramelo de tarê e óleo de gergelim em pó. Não espalhem por aí, vai pegar mal, mas eu queria um quilo desse “pozinho branco” pra colocar em qualquer comida. É muito bom o tal do gergelim em pó.

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Já o Saquerinha esférica eu fiquei na dúvida: é pra comer ou pra beber? Tanto faz. Uma delícia, explode na boca, sensações e mais sensações e sabores.

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Também comi o Polvo Tzatziki. Isso mesmo, este polvo tem influência mediterrânea e busca na culinária grega inspiração pra esta esfera de molho à base de iogurte, pepino e endro.

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E pra fechar com chave de ouro algo que você não pode deixar de pedir quando for à Jun: Nachos oriental. Vocês não fazem idéia do que é o sabor desse aperitivo. São nachos de alga nori com queijo fundido especial, alho laminado e camarões. Os sabores, a crocância da alga, os camarões dando um toque especial neste aperitivo que promete ser um sucesso na casa. Sério mesmo, não deixem de experimentar!

Jantar (ou almoçar, porque agora eles servem buffet no almoço) é experimentar sempre coisas diferentes, com um cardápio em constante renovação e melhorias, com sensações novas e que surpreendem a cada visita. O atendimento sempre nota 10, atencioso e eficiente. Não espere mesmice da Jun. É uma visita pra ficar na memória pra sempre e conhecer o que diferencia os homens dos meninos.

Jun Temakeria

  • Av, Engenheiro Max de Souza, 1302.
  • (48) 3207-4933
  • Aceita cartões

Brewmille: um feliz café em São José

Antes de começar este post deixa eu pegar um pano úmido e tirar a poeira. Pronto! Quase sessenta dias sem escrever sobre comida fizeram com que meus posts aqui se tornassem velhos. Tudo me parece tão distante, tudo me é tão estranho. Os restaurantes que recém tinham aberto há quase dois meses já me soam como antigos, quando penso em visitá-los. O tempo é relativo, isto posto um pequeno período pode ser grande dependendo da intensidade que se é vivido, para bem e para mal. Mas tergiverso, como sempre, falando sobre o tempo, não é pra isso que estamos aqui, não é mesmo? Já dizia Amélie Poulain que “A ansiedade sobre a passagem do tempo nos faz falar sobre o tempo”.

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Por falar na Amélie Poulain conheci um café digno de reverências e aplausos no bairro Areias, em São José. Ah, sim, um dos motivos da minha ausência no blog é que me mudei, estou ainda mais longe da região central de Florianópolis, mas pelo visto a vida tem me agraciado também com coisas boas, como o Brewmille aqui perto. Tocava a trilha de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain quando entrei no lugar e até o final o som daqueles acordeons fizeram o fundo musical perfeito pra experiência que lá vivi. É um dos meus filmes favoritos.

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O simpático Brewmille tem um ambiente muito acolhedor. De fora parece apenas mais uma das lojas padrão da Rua São Pedro, a “principal” do bairro. Por dentro, um ambiente aconchegante, com as paredes escritas em giz e móveis muito bonitos, parecendo até manufaturados.

A Brewmille começou como um distribuidor de sobremesas para restaurantes e agora recebe os clientes para provar seus deliciosos doces, sanduíches e cafés.

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Um dos produtos que me chamou atenção na divulgação deles nas redes sociais foi o Petit Gateau de laranja. Macio, saboroso, adocicado na medida e com um recheio delicioso por dentro. Quentinho, acompanha uma bola de sorvete, uma calda de chocolate belga e uma incrível praliné de pistache.

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Esta bela sobremesa (e minha visita foi em tom de sobremesa, por isso não provei os salgados) foi acompanhada de um café passado. Tenho ficado muito feliz com as cafeterias que estão incorporando o café passado nos seus cardápios, no caso da Brewmille até como exclusividade. Foi-se o tempo que café passado era sinal de café ralo e fraco e café espresso a fina flor do barismo. Tomei o House Blend, o sabor principal da casa, o começo de tudo. Passado à mesa numa prensa francesa (French Press). A prensa fica na mesa e você vai se servindo a quantidade que quiser tomar.

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Um ponto interessante da casa é que é mais uma das que servem água sem custo. Isso mesmo, água não é cobrada. Assim que chega você já é recebido com uma garrafa com água filtrada gelada, sem precisar pagar por ela.

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Ainda experimentei o Cheesecake Brownie, uma cheesecake com o recheio tradicional mas com a massa feita com brownie de chocolate. Por cima, uma deliciosa calda de amoras.

Tudo o que comi e bebi estava perfeito. Pretendo voltar ainda pra experimentar os sanduíches, cujo pão também é feito por eles. Agora sim, podemos dizer que a região tem um café de verdade.

Espero que esteja tocando a trilha de Amélie Poulain quando vocês visitarem também. Pra você se lembrar de algo que considero muito importante no filme, a predileção de Amélie pelas coisas simples da vida. Um café quentinho, bem feito, um doce gostoso e um atendimento espetacular de todas as pessoas que trabalham lá, numa gentileza de dar inveja e inspirar, é algo simples mas que pode salvar alguém das ansiedades do tempo e da vida.

A conta fechou em menos de R$50 por dois cafés e duas sobremesas.

Obrigado, Brewmille. Vida longa. Nos vemos qualquer dia destes de novo.

Brewmille

  • Rua São Pedro, 694. Areias, São José/SC.
  • (48) 3375-4275
  • Estacionamento
  • WiFi
  • Aceita cartões

 

Tequilaville: onde não puderes amar, não jantes

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Se você é fã da Frida Kahlo ou a admira porque ela era uma grande pintora e teve uma história de vida e superação bastante motivantes, então deve saber que a frase “Onde não puderes amar, não te demores” é atribuída à mexicana. Ela não é, infelizmente, uma frase da Frida, embora ela seja uma grande verdade pra muitas coisas na vida, inclusive pra restaurantes. A vida é curta demais pra deixarmos nosso precioso tempo e dinheiro onde não pudermos ser amados.

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Estive semana passada no novo restaurante da Rota Gastronômica de Coqueiros, cada vez mais diversificada, conhecendo o novo filho da Chef Bel Hagemann, que também é responsável pelo sucesso do Boteco Zé Mané. E tudo o que pude concluir foi que eu não conhecia AINDA a comida mexicana. Sei que tal coisa só conseguirei indo ao México, mas me aproximei demais dos temperos e sabores que a culinária que o país da América do Norte pode oferecer, pois me senti livre dos guacamoles deveras picantes, dos tequileiros e mariachis fazendo fanfarronices e de um show de estereótipos étnicos que vê-se cá por estas bandas.

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O lugar é lindo. Decorado com elementos da cultura mexicana, faz menção à personagens icônicos do México e suas tradições, suas crenças e seu jeito de viver. Não está carregado, é bem iluminado porém aconchegante e passa longe, como disse anteriormente, de estereótipos chatos. Nas vidraças de fundo ou mesmo no espaço ao ar livre é possível ver o belo mar de Coqueiros afinal ele fica na beira da praia.

O atendimento foi impecável do início ao fim. A simpatia e a competência da Sherazad, quem nos atendeu toda a noite, foi incrível. A experiência que havia começado pelo lindo quadro da Frida Kahlo e terminou com excelente comida certamente teve nas mãos e nas explicações da Sherazad que conduziu tudo de forma muito tranquila, funcional e informativa.

Mas não tem jeito: é ela, a comida, sempre a personagem principal de uma experiência gastronômica. E a cada prato, a cada molho, a cada tempero, era mais e mais amor vindo da cozinha. Tanto que nos demoramos, tanto que poderíamos ter ficado ali pra sempre, experimentando cada prato do cardápio.

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O Tequilaville tem uma idéia interessante de entrada: o Couvert. O nome assim pode remeter a pães com molhos e patês mas neste cardápio ele tem uma função que ajuda no conjunto da obra. Ele é composto de Totopos (ou nachos) e de 8 molhos diferentes. Não vou listar todos, mas vai desde salsa picante, guacamole, chipotle até o famoso pico de gallo e outros molhos deliciosos. E a idéia é que este prato seja o primeiro pois seus molhos e temperos serão úteis em todo o restante da experiência,servindo para temperar e agregar sabor em qualquer coisa que você peça na sequência.

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Outra coisa interessante é que os molhos de pimenta são feitos na casa. Habanero ou Jalapeño, tem rótulo do restaurante e em breve também será vendido para quem quiser usá-lo nas suas refeições em casa.

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O cardápio também conta com uma boa atenção nas bebidas, servindo vários estilos de Margaritas e Coqueteles. Experimentei um que eu gostei bastante e que a minha amiga Michele pediu pelo nome: Michelada. Ele é feito de Cerveja Sol, sangrita (uma espécie de sangria apimentada), suco de limão e borda de sal. Uma delícia, jamais tomei um drink com cerveja desse jeito e achei bom demais.

Parêntese fechado, vamos aos pratos experimentados, e são muitos.

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De entrada eu pedi um Molote. Um bolinho frito de feito com massa de milho, recheado com purê de batatas, linguiça defumada e queijo fresco. Uma delícia!

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Experimentei também o Ceviche de Camarones y Sandia. Camarões frescos marinados no suco de limão com pedaços de melancia. Broto de milho doce e cebola roxa também deram o seu toque ao prato, que também estava muito gostoso. Jamais havia experimentado melancia, um elemento bastante doce, num ceviche e curti muito.

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Depois fui de Taco Al Pastor. Uma deliciosa tortilha de milho recheada com carne suína em finas lascas e abacaxi grelhados. Um primor de entrada, uma delícia de quitute. Leve, saborosa, fácil de comer e agradável ao paladar, misturando doce e salgado de forma perfeita.

Nota: daqui pra frente não tínhamos mais tanta fome. Ainda tinha algum espaço pra comida, mas se saíssemos de lá estaríamos bem, tranquilos, felizes. Mas não, nós não viemos ao mundo pra brincadeiras e estômago de blogueiro de gastronomia tá aí pra isso mesmo.

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Michele pediu um sanduíche e a mim foi dada a incumbência de comer a outra metade, e ele já veio dividido da cozinha facilitando as coisas. O Cemitas é feito com pão tradicional mexicano, carne à milanesa (rês, porco ou frango e a Michele escolheu porco), queijo fresco, cebola e abacate. O sanduíche é o único do cardápio, mas muito saboroso e bem servido. Bem servido mesmo, é gigante, bem recheado, chega a ser um desafio comê-lo sozinho.

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E eu então experimentei como prato principal a Costilla em Crosta de Chicharrón. E essa, meus amigos, foi a prova final do que digo no título: onde não puderes amar, não jantes. Esta costilla, ou melhor, esta costelinha de porco que é assada lentamente com uma crosta de torresmo, tem molho de ibisco e é acompanhada de abacaxi flambado na tequila, é amor traduzido em um prato. A costela desmancha na boca, a crosta é divina, o molho dá um toque adocicado e intrigante ao prato, o abacaxi assina embaixo a perfeição de comida que é. Chego ao fim deste parágrafo salivando muito, só de lembrar deste prato.

Nota 2: a partir daqui nós já estávamos muito satisfeitos, com o estômago e alma bem alimentados, prontos pra irmos embora. Mas é óbvio que não fomos. É lógico que a sobremesa chamou a atenção, é lógico que a Sherazad nos tentou falando do Leite Frito e ali ficamos. E ali mais uma vez fomos amados e bendizemos à Frida Kahlo.

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Este é o postre que mais me chamou a atenção no cardápio, a sobremesa que há tempos queria experimentar e nunca havia encontrado por aqui. O Leche Frito com Celaya é leite cozido à milanesa acompanhado de um sorvete (na casquinha, pra dar um charme!) de chocolate com pimenta. Dizer que é delícia vai parecer repetitivo, mas culpa não tenho se tudo o que experimentei estava muito gostoso, me deu vontade de voltar e me apaixonar pela casa?

Aliás, falar no cardápio, é importante ressaltar pra quem não está familiarizado com a cozinha mexicana mais tradicional (e menos comercial): a comida tem sim pimenta mas não é ardente, não é uma comida muito quente. Você pode ir adicionando pimenta de duas formas, como já expliquei no início: nos molhos da casa, feitos ali mesmo; nos molhos que acompanham o couvert, alguns deles — principalmente o chipotle — garantem a picância que alguns gostam. Mas você pode ir lá com suas restrições à pimenta e um garçom vai te orientar que a maioria dos pratos têm apenas pimentas aromáticas, que ingrediente comum em qualquer culinária, e você não vai passar mal por isso.

A nossa conta fechou em cerca de R$80 por pessoa, o que acabou sendo mais que barato por tudo o que comemos, bebemos, rimos e aprendemos com a casa. Experiência gastronômica que saiu quase de graça, enriquecedora e, principalmente, repleta de afeto. Te demores, no Tequilaville, porque vale a pena cada prato, cada minuto, cada carinho.

Tequilaville

  • Rua Desembargador Pedro Silva, 2019. Coqueiros, Florianópolis.
  • (48) 9647-0004
  • Aceita cartões

Santo Doce: a Torta de Maçã que encantou o Frank

Vez por outra sinto que estou roubando meus amigos. São eles que descobrem a maior parte das coisas boas que eu como neste estadão velho de Deus. De Sombrio à Garuva, de Florianópolis à Chapecó, são meus amigos espalhados em cada canto desta unidade federativa que vão à campo e me entregam de mão beijada as delícias que aqui eu publico. É claro que vez por outra encilho o meu pingo e saio campo-fora changueando algum boteco, tenteando um restaurante mais simples ou requintad0, mas sem o norte dos meus parceiros que incentivam a continuar fazendo este trabalho eu jamais teria passado do primeiro ano.

E lá se vão mais de quatro voltas completas no Sol fazendo isso. E mesmo depois de tanto tempo ainda consigo me surpreender com a comida e com as indicações.

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O Frank Maia, por exemplo, que é um dos maiores incentivadores deste humilde site e quem me atualiza das boas novas de Santo Antônio e Sambaqui, onde é Cônsul do Comideria, me disse outro dia que abrira nos fundões daquela querência um pequeno café que fazia a melhor torta de maçã que ele já comera.

Infelizmente não pude degustar com ele esta torta, pois foi meio de surpresa que depois de um almoço turístico com amigos no Pitangueiras dei de cara com o Santo Doce.

Um lugar pequeno, agradável, com o clima praiano que este canto de Floripa tem mas com o jeitinho de roça que um bom doce com café proporciona.

E eu não poderia ter escolhido outra coisa senão a torta de maçã. Até havia naquela estufa de vidro uma boa quantidade de doces dignos de uma boa sobremesa, mas não deu pra ignorar o fato de que a receita é antiga, trazida pra cá por um suíço e é aprimorada a cada dia que passa.

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O Santo Doce oferece o Combo Torta de Maçã. Ele é composto por uma generosa fatia deste doce, acompanhado de outra generosa bola de sorvete; mais um café espresso (pode ser com leite, se pedir), com direito a um shot de água com gás e um pequeno quadradinho de brownie de chocolate ao lado da xícara.

A Torta de Maçã é realmente aquilo que ele falava. Gerou-me uma expectativa tamanha que eu até fiquei com medo de não ser aquilo tudo. Mas é a opinião do Frank, o Frank tem gosto pra comida. O Frank é quem deveria estar aqui dizendo isso pra vocês. E eu poderia ter feito um review às cegas, era realmente o que ele havia falado, era infinitamente superior a qualquer palavra que ele pudesse ter escrito.

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A maçã não veio empapada como geralmente acontece nesta torta. Era macia mas conservava um pouco de sua crocância original; a torta era doce mas não era enjoativa, não cansava o paladar; tinha canela, tinha, mas não era carregada desta especiaria, era suave e saborosa; tinha amêndoas por cima, dá um toque especial. Tinha, sobretudo, um sabor inigualável. Não dá pra dizer que comi a melhor ou uma das melhores que experimentei, não há comparação. Seria covardia compará-la.

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É importante salientar que o Santo Doce não se resume a este prato. Foi este que experimentei e já voltava de um almoço, era impossível ser mais completo neste caso. Ainda quero experimentar os salgados que eles fazem, o Santo Doce é um café completo.

E se levei tantos parágrafos para tentar descrever uma simples porém deliciosa fatia de torta de maçã, é porque sim, recomendo uma visita, caro leitor. Seja pra trocar a sobremesa dos restaurantes da região por esta, seja pra ir direto lá num fim de tarde acompanhar o belíssimo espetáculo que é o pôr-do-Sol do Sambaqui. Ou seja pra estar com pressa e levar pra casa na marmita. Vá lá. Experimente esta torta.

Mas saiba que a indicação é do Frank. Porque são os amigos que fazem meu estômago mais feliz e este site mais atualizado.

Santo Doce

  • Rua Rafael da Rocha Pires, 2886. Sambaqui, Florianópolis.
  • (48) 9111-4569
  • Aceita cartões

Kitchenlog – Arroz Carreteiro

Contar a história do Arroz Carreteiro é remontar um quebra-cabeça de um bom pedaço da culinária não só do Rio Grande do Sul, mas de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Este imenso corredor que foi aberto pelos tropeiros que levavam gado e outras feitorias para o comércio em Sorocaba cheirava a guisado de charque, que era o jeito mais eficiente de se conservar a carne naquela época, e tinha o ronco do mate e do Carreteiro fervendo numa panela como trilha sonora destas tropeadas.

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Decidimos fazer a receita deste prato o mais tradicional quanto possível. Não por simples purismo ou algum atavismo perdido nesta epopéia gauchesca, mas pra tentarmos resgatar o cerne do sabor que os carreteiros degustavam naquela época. Arroz, charque, cebola, alho, sal e pimenta. Linguiça foi de bônus mas não demorou também pra ser incorporada ao prato com a quilometragem das Carretas.

Cada um prepara do seu jeito, seja com sobras de churrasco, com carne fresca, com frescal que é, resumidamente, um “meio charque”. O nosso tem cheiro de galpão, de mangueira e da poeira dos imensos corredores pisados pelos tropeiros.

httpv://www.youtube.com/watch?v=Cgz4dLXox0M

O segundo episódio do Kitchenlog do Comideria é sobre ele: Arroz Carreteiro. Espero que gostem, curtam, compartilhem e assinem nosso canal porque 2015 está só começando!