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Restaurante Santo Antônio: a primeira churrascaria do Brasil

Já dizia a cozinheira Carla Pernambuco: toda viagem é gastronômica. Você pode até viajar às pressas pra resolver um assunto pontual em outra cidade, estado ou país, mas das poucas certezas que temos é que você vai se alimentar, você vai conhecer algum ingrediente local e você vai julgar o que está comendo de alguma forma.

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Talvez não haja tempo nem pra comer direito e você acabe indo à uma rede de Fast food que serve mais ou menos a mesma coisa em todo o mundo civilizado, mas um ou outro ingrediente ou modo de preparo daquela comida te darão indícios de como é a alimentação naquele lugar. Se deixar a imaginação rolar e quiser complementar com bons livros de história, entenderá a razão de ser daquela matéria prima, entenderá sua gente e um pouco de seus costumes e anseios.

Uma viagem em que como mal pra mim é uma viagem frustrante. Primeiro porque gosto de comer bem, segundo porque… não precisa ter um segundo motivo.

Ao berço do churrasco mais primitivo viajei no último fim de semana e conheci o Restaurante e Churrascaria Santo Antônio. Fica em Porto Alegre — e só fiquei sabendo ao ver as inscrições no avental de uma atendente — a primeira churrascaria do Brasil. Ali começara há quase 80 anos o comércio de carnes como vemos hoje. Mas ao contrário do que possa parecer não é uma churrascaria à rodízio. Se você é florianopolitano talvez fazer uma rápida referência à Riosulense dará forma ao modelo. Os pratos são servidos à la carte, você escolhe a carne que quer comer e depois alguns complementos, se for da sua vontade.

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O cardápio é completo e puxa de várias culturas do Rio Grande do Sul o jeito de comer carne. Primeiro porque há uma vasta seleção de filés. Filé à parmeggiana, filé com queijo, filé acebolado e até algo parecido com um à Oswaldo Aranha circulava no salão enquanto aguardava meu pedido. Portoalegrense tem o hábito de comer filés, é comum achar restaurantes especializados nesta iguaria pouco bagual e bastante prática e macia, um lugar comum que os habitantes da capital apreciam.

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E pedimos um pra conhecer e matar a fome. Foi o Filé à Santo Antônio, uma grande porção de filé mignon recheada com bastante queijo e presunto. Ele sim já tinha um acompanhamento: arroz, batatas fritas e legumes.

Já no estilo fronteiriço de fazer churrasco, temos os cortes assados na brasa, aqueles mais tradicionais que o xirú campeiro come desde que aprendeu a juntar boi, sal e fogo e embora bastante comum também de achar em Porto Alegre, é na região de campanha que ele têm sua origem.

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Comemos, como não poderia deixar de sê-lo, uma linda Costela, quase que um asado de tiras do estilo uruguaio, um pouco mais grossa e alta, que veio ao ponto, sem aqueles demorados cozimentos que uma costela inteira demanda. Aliás, fica a dica aos leitores, comer uma costela ao ponto pode ser uma excelente experiência dependendo do corte da carne e da qualidade do produto. Costela sem estar muito passada nem sempre será sinônimo de carne dura.

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A ela juntamos a famosa maionese, uma salada de batatas com molho de maionese que é herança dos alemães, outra vertente da cultura local colonizada.

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Até aí temos açorianos, espanhóis, alemães… faltam os italianos! aqueles que Quando si mangia la bela polenta, la bela polenta si mangia così! Ela feio frita, crocante por fora e macia por dentro, coberta com bastante queijo colonial, daquelas de chamar os nene pra lamber os beiços.

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Das galeterias da Serra gaúcha também tivemos uma entrada: coração de galinha na brasa. Ah, povo que adora aproveitar os miúdos das suas criações…

Comer na Santo Antônio foi uma experiência bastante divertida. Seja na comida, que mostrou todas as caras do processo de formação da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul pra Terra-Cambará nenhum botar defeito, seja no atendimento onde tínhamos garçons das mais diversas culturas com seus jeitos calmos, outros rudes, outros brigões… é uma atmosfera bastante agitada, com clima mesmo de churrascaria, onde poucos se entendem mas tudo funciona e vêm perfeito à mesa.

Visitar a Santo Antônio é remontar um quebra-cabeça cultural de Jaguarão à Vacaria, de Rio Grande à Uruguaiana, comendo bem e pagando o justo, onde a conta fechou em aproximadamente 53 reais por pessoa, num grupo de três.

Restaurante e Churrascaria Santo Antônio

  • Rua Dr. Timóteo, 465. Moinhos de Vento, Porto Alegre.
  • (51) 3222-3130
  • Aceita cartões
  • Estacionamento: sim, pago.

Bar do Vadinho: não é manezinho quem nunca comeu lá

Nove em cada dez pessoas que me falam sobre o Bar do Vadinho dizem que o lugar é simples. Simples e saboroso. Não é que o restaurante seja simples. Ele só não tem a mania de sofisticação e grandeza que outras casas têm pra trazer a França, Itália e qualquer comida contemporânea para o seu cardápio. Aliás, o Vadinho não tem cardápio. Um restaurante que não tem cardápio e lota das 11 às 16h é qualquer coisa que queiramos classificá-lo, menos simples.

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Se você for visitá-lo na alta temporada(15/12 à 15/03) até vai se deparar com algum folheto plastificado mostrando algumas opções como o rodízio de lulas, camarões, alguns peixes diferentes, mas de março à dezembro, quando ele abre apenas aos sábados e domingos, o prato da casa é um só.

Pra entender o Bar do Vadinho precisa-se conhecer o próprio. Vadinho é filho de pescadores e fez desse o seu ofício a vida toda. Cresceu pescando nas águas do Sul da Ilha e aos 17 anos de idade já singrava os mares da Bahia até a Argentina em busca de pescado para a indústria. Durante 30 anos fez desse o seu ganha pão, assim como boa parte dos homens e mulheres da sua localidade. A casa onde hoje está o seu restaurante é da própria família há nada menos que 114 anos. Simples sou eu me mudei ano passado e já quero trocar de apartamento. Simples é esta minha alugada morada que é feita do pior tipo de cimento, a casa do Vadinho é feita pedra e tem como argamassa óleo de baleia, artefato comum naquela época.

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Vadinho anda, se veste e fala de forma simples. Mas não é na simplicidade que sua grandeza se traduz. Em poucos minutos e com uma fluidez de um papo muito envolvente ele linka a mesa ao lado, de um casal de mais idade, frequentadores da casa desde sempre com a nossa. “Hoje é a primeira vez deles aqui”, disse ao casal. “Acho que vão gostar e voltar”. O casal confirmou com a serenidade de quem sabe que o simples legado é maior que qualquer palavra.

Mas vamos falar de comida porque se deixar faço que nem o Vadinho: a tarde passa voando e nem notamos que aguardamos uma hora pra uma mesa, e mais algum tempo para recebermos a comida. Isso mesmo, nem notamos que esperamos quase duas horas desde que chegamos até comermos. A casa enche após ao meio-dia e até as quatro da tarde a concorrência é grande. Tudo ali é feito na hora, absolutamente na hora, não há nada pronto. A bem da verdade nem o peixe está congelado, tudo o que é servido é pescado ali por perto. “Eu tenho uma garoupa ali no freezer há quatro meses. Posso fazer, se alguém insistir. Mas prefiro que vocês comam o que eu tenho fresco, que é melhor e ainda é barato”.

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Como disse no início do post o Bar do Vadinho oferece o “prato da casa”. Esse prato custa R$27 por pessoa e pode ser repetido quantas vezes você quiser, embora eu duvide que com a fatura em que é servido alguém consiga, de fato, pedir mais. Na mesa vem: arroz branco, feijão, pirão de caldo de peixe, batata frita, salada mista, peixe frito em postas, filé de peixe à milanesa e “estopa” de arraia, que é uma arraia desfiada ensopada.

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Não sei se devo falar exatamente de cada coisa que é servida, mas poderia definir como “excelente” todos os ítens. O arroz, bem temperado e preparado; o feijão: sal, alho e só; a batata frita que é batata de verdade e não aquelas congeladas de supermercado. Gostinho de batatinha feita em casa; o pirão tem o tempero da minha avó, comfort food na veia; a tal da arraia desfiada, que há tempos não via em nenhum restaurante ilhéu, mais tradicional impossível, é de comer abraçando o Franklin Cascaes.

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O peixe frito em postas era Gordinho. Temperado com sal e bem frito, sequinho, sem excessos de gordura; à milanesa tem o filé de peixe-espada. Esse não dá tempo de agradecer, elogiar ou abraçar ninguém, é pra lamber o prato.

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Tudo, tudo feito ali é gostoso. Tudo o que o Vadinho oferece tem gosto de Florianópolis, pode-se afirmar sem qualquer dúvida que esta comida é a comida do mané, este é o retrato da nossa terra e da nossa cultura. Sem medo nenhum de errar afirmo que é a cara da cidade. Fora dos holofotes, verdade, mas nem por isso menos autêntico.

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O Vadinho também oferece o seu tradicional pastel de camarão. Assim como o restante da comida, tudo caseiro. A exemplo da batata-frita, o pastel tem gosto de feito em casa, muito bem recheado e bordado de camarão, sem mixarias.

Nada disso era simples. Pode parecer simples porque é o que fomos (eu pelo menos fui) ensinado a comer quando pequeno. Cresci chupando espinha de peixe e farinha de mandioca era ítem indispensável na despensa. Mas nenhum ítem deste prato é simples, é comida feita com a complexidade de uma cultura que levou décadas pra ser moldada. Tradição, jeito de preparar os alimentos, temperos que tomaram muito tempo nas mãos habilidosas das cozinheiras pra ficarem do jeito que estão. Simples é aquela comida pronta, aquele salmão congelado que você come num restaurante de meia pataca e que te cobra um rim. Simples é nossa mania de reduzir o que não é rebuscado.

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Já terminávamos a refeição quando o casal da mesa ao lado passou e perguntou: “o que vocês acharam? gostaram da primeira visita?” só consegui pensar que a vida é muito curta para as novas frivolidades gastronômicas. Aquele casal, assim como eu, dirigiu vários quilômetros de São José até o Pântano do Sul e faz isso com bastante frequência porque eles sabem valorizar o que é bom, simples ou não.

Ao Vadinho, essa figura lendária e folclórica do Sul da Ilha, vida longa para que dê tempo de todos vocês, meus leitores, conhecê-lo e se tornarem assíduos do que julgo uma das melhores experiências gastronômicas que já tive na vida. Simples assim.

Bar do Vadinho

  • Rua Manoel Vidal, 305. Pântano do Sul, Florianópolis.
  • (48) 3237-7305
  • Aceita cartões

Trattoria Campione: comida excelente em Jurerê sem o preço Internacional

Que bom que existe a Trattoria Campione. Lugares assim me fazem voltar abrir um sorriso de lado a lado na boca do estômago. E mesmo que o trocadilho do blogueiro seja péssimo, serve pra enfatizar o quão ele fica faceiro em achar lugares assim.

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Primeiro porque a casa é bonita. Não poderia ser diferente, fica em Jurerê Internacional. Lá até os mendigos são capa de revista de fofoca, não tem Fusca 62 rodando pelo bairro e até o lixo que raramente se encontra no chão é sacola da Louis Vuitton. Sempre que chego no bairro tomo banho, faço a barba e se for uma ocasião especial até passo Listerine.

Segundo porque o atendimento é bom. Os caras falam pra fora, não andam com um tacape debaixo da bandeja e tudo o que é pedido chega, o que é solicitado não gera necessidade extra de uma oração forte a qualquer orixá pra acontecer.

E por fim porque a comida é da melhor qualidade. E por mais que pareça que precise ter a carteira forrada como qualquer morador deste condomínio semi-fechado (ou semi-aberto, depende do seu otimismo) não precisa. Na Tratoria Campione come-se bem e paga-se o justo, a despeito de alguns lugares mais destacados de lá.

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Ah, outro ponto importante: todos os pratos bem servidos. A começar pela salada que por si só já é um sinônimo de passar fome, lá não é. É tanto verde dentro do prato que a sensação que você tem é que está comprando um terreno da Habitasul. A Instalata Caprese custou R$30 mas serviria muito bem a mesa toda com 4 pessoas.

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Também experimentei a Bruschetta Tradicional. Pão italiano tostado com alho, tomates frescos, mussarela de búfala, pesto de manjericão e lascas de parmesão. Detalhe: tudo muito fresco. Folhas, pães, temperos, molhos…

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Polentinha frita pra ir controlando a ansiedade e fome? Tem também. Muito boa.

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O cardápio principal é basicamente composto de ristos, pastas e algumas carnes e boa parte dele tem opção para 1 ou 2 pessoas. Tive vontade de experimentar o Parmeggiana de Mignon (filé mignon empanado, gratinado com mussarela e molho de tomate, acompanhado de spaghetti ao sugo). Mas também queria comer uma pasta com molho Alfredo. A casa prontamente realizou meu desejo e trocou o spaghetti ao sugo pelo meu preferido. Simples, sem gritaria, torturas, choro e ranger de dentes. Algo raríssimo hoje na ilha, uma simples conta de adição onde 1 + 1 sempre termina em guerra e pancadaria.

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Quase todos os pratos que servem duas pessoas vêm numa travessa bonita, pomposa. O nosso como se tratava de um filé parmeggiana que teria sua qualidade colocada à prova se desta forma fosse servido, veio já no prato, bem montado por sinal. Um filé robusto pra cada lado, uma generosa porção de massa pra cada um. Filé macio, saboroso, bem temperado, no ponto que eu gosto. Molho caseiro, bem feito, não empastado e não cozido demais, frescor dos ingredientes exalando por todo canto. Massa também muito saborosa, fazia tempo que não comia um bom Alfredo aqui no rincão. Prato de se aplaudir de pé e dar um beijo no cozinheiro.

Também tive a honra de comer no prato alheio (blogueiro de comida nunca se presta a Joey Tribbiani) e experimentar o Do Chef, um penne (foi substituído por fettuccine) com camarões, molho à base de manteiga, tomates cereja, creme de leite e rúcula. Prato leve, delicioso, bem generoso na quantidade também.

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A conta fechou em aproximadamente 120 reais por casal, considerando a força de comida listada neste post.

Então agora você já sabe, se estiver comprando um terreno em Jurerê à vista ou, caso seja mais extravagante, comprando um iPhone 6 em 10x, tem um lugar excelente pra se comer bem e pagando pouco. Capice?

Tratoria Campione

  • Av. das Raias, 400, Sl 11. Jurerê Internacional, Florianópolis.
  • 48 3207-4426
  • Aceita cartões.
  • Estacionamento.

Tainha, instituição mané: Tainha à moda grega

A Tainha é um peixe cuja família, os mugilídeos, já é conhecida e usada há muito tempo. Desde o Império Romano a tainha é usada na dieta mediterrânea-européia. Aliás, o nome Tainha foi dado pelos gregos que no seu lindo idioma quer dizer “Boa para frigir”. Quando comecei a pesquisar sobre a Tainha pra fazer esta série aqui no blog e li sobre a herança mediterrânea deste saboroso peixe, na hora pensei: preciso falar com a Spiri e o Aurélio.

A Chef Spiri e o Aurélio Baptista, que dispensam apresentações pra quem já está no ramo da gastronomia e acompanha o blog há mais tempo, conduzem juntos o Ilhas Gregas Restaurante, um dos melhores restaurantes de culinária grega destas paragens, um dos melhores restaurantes que já visitei até hoje. Spiri é grega, Aurélio é florianopolitano, e esse casamento que hoje é coroado pela gastronomia tinha que participar da nossa série. Com vocês, um peixe mané, com uma receita à moda grega!

Tainha à moda grega

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Ingredientes

  • 1 filé de tainha
  • 8 colheres de sopa de azeite de oliva (de preferência de origem grega)
  • 1 colher de sopa de suco de limão
  • 1 colher de café orégano (de preferência de origem grega)

Como fazer

Temperar o filé com sal e assar no forno, a 200 graus, por, aproximadamente, 30 minutos.

Molho: Bater o azeite de oliva com um fouet ou garfo, adicionando aos poucos o suco de limão até ficar ficar um pouco esbranquiçado. Por último adicionar o orégano.

Retirar o filé de tainha do forno, ajeitar em uma travessa e regar com o molho.

Enfeitar com rodelas de limão e casca de tomate.

 

Bistrô La Provence: bistrô na cara e na alma

Coisa boa você sair de casa e ir para um restaurante que, mesmo sendo um estabelecimento comercial, faz você se sentir em no seu próprio lar. Foi o que aconteceu no Bistrô La Provence, na Lagoa da Conceição, que guarda ao máximo as características de um verdadeiro bistrô. Comida simples mas bem apresentada e saborosa, atendimento personalizado, ambiente aconchegante e pequeno, como se fosse, de fato, uma casa.

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Manda muito bem o chef Renato Justo Jr. que, dentre outras bagagens, traz pra Floripa sua passagem pela Le Cordon Bleu, na França, cuja cozinha inspira todo o cardápio do bistrô.

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O cardápio é enxuto, não tem firulas. Algumas opções de entradas, pratos à base de massas, carnes, peixes e carnes exóticas, além é claro das sobremesas. Uma ou duas por categoria, não mais. Alguns podem achar ruim, eu encaro de forma positiva. Quanto menos variedades, menos chance de errar, mais elaboradas elas costumam ser e o resultado tende a ser muito melhor.

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O atendimento é outro diferencial: quem atende é a esposa do chef, Suzana, que ganha também homenagem no cardápio tendo nas sobremesas, um crepe em seu nome. Pudera, o atendimento é especial, continuando a sensação de que você está em casa, além do ambiente muito bem decorado e aconchegante.

Tartare de Salmão com torradas de pão ciabatta
Tartare de Salmão com torradas de pão ciabatta

Abrimos os trabalhos com esta maravilha. Sério, experimentem isso quando forem lá. Tartare de Salmão com torradas de pão ciabatta (R$25). O salmão muito bem preparado e temperado, fresquinho, a pimenta rosa dando um toque especial e a salsa dando aroma e sabor perfeitos ao prato. Poderia passar a noite toda só comendo isso.

Filé Dijón com Batata Rösti
Filé Dijón com Batata Rösti

Depois veio o prato principal. Eu escolhi um Filé Dijón com Batat Rösti (R$64). Outra delícia. O filé veio no ponto certo que pedi, ou seja, ao ponto. Bem suculento, macio e saboroso. O molho harmonizava muito bem com a carne, cumprindo bem o seu papel. A batata rösti bem leve e macia também, crocante por fora e muito macia por dentro.

Penne de Madame Jeanne acompanhado de camarões e aspargos frescos
Penne de Madame Jeanne acompanhado de camarões e aspargos frescos

A Aline foi numa massa, escolheu o de Penne de Madame Jeanne acompanhado de Camarões e Aspargos Frescos (R$54). Na ocasião faltavam os aspargos que foram lindamente substituídos por shitake (felicidade do chef, imaginando o sabor do aspargo realmente ficou melhor que o original) e não desabona a madame Jeanne, sua mãe, quem é a homenageada da receita.

Aparados, Villa Francioni. Cabernet Sauvignon
Aparados, Villa Francioni. Cabernet Sauvignon

O jantar foi harmonizado com um Aparados, um Cabernet Sauvignon que homenageia os Aparados da Serra, legítimo terroir de altitude da vinícola VIlla Francioni. Eu como fã dos vinhos da nossa serra sou suspeito pra falar, mas mesmo assim insisto: baita vinho! Custo benefício perfeito!

Creme Brulee
Creme Brulee

Para encerrar, dividimos um Crême Brülée (R$18). Sobremesa deliciosa pra Amelie Poulain nenhuma botar defeito!

A conta fechou em R$243 incluindo o vinho, água e serviço. Vai lá!

Bistrô La Provence

  • Endereço: Travessa Leopoldo João dos Santos, 93. Lagoa da Conceição, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3223-6762
  • Horário: de segunda à sábado das 19h30 às 23h30.
  • Aceita cartões: sim

Zena Caffè, os sabores da ligúria nos Jardins de São Paulo

Que eu sou um compartilhador de fotos de comida não é segredo pra ninguém. Mas muita gente acha que por compartilhar as fotos do que eu como, sobra pouco tempo pra desejar a comida alheia. Isso é um equívoco. As vezes estou em um restaurante comendo algo muito bom e dando uma “folheada” no Instagram e pensando “como eu queria estar comendo este prato”. Isso ocorre na vida offline também quando comemos algo que estava ali porque era mais rápido mas pensamos que “não era bem isso que eu queria comer”.

Várias vezes isso me ocorreu olhando o Twitter e o Instagram do Carlos Bertolazzi, chef paulista e especializado na cozinha italiana que conheci ano passado através do programa Homens Gourmet no canal Bem Simples. Já até cheguei a sonhar com a focaccia que vez por outra alguém compartilhava nas redes sociais, e que é uma das especialidades do Zena Caffè, um dos restaurantes assinados pelo Bertolazzi.

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Como ia estar pelos Jardins — e mesmo se não estivesse — coloquei o Zena no meu roteiro da viagem que fiz à capital paulista nas últimas semanas e num domingo por volta das 16h estive no restaurante conhecendo não só a gastronomia como a simpatia e gentileza do próprio chef, que nos deu a honra de sugerir pratos e apresentar todas as delícias que só a Ligúria pode oferecer.

E aqui o primeiro detalhe que me impressionou: desde a abertura da casa até o adentrar da madrugada o restaurante funciona com o mesmo cardápio, você pode almoçar no horário convencional, usá-lo como brunch e até mesmo jantar. Não tem hora pra chegar e a comida é sempre preparada e servida naquele momento.

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O Zena Caffè é lindo. Seja no salão interno ou no jardim externo com mesas ao ar livre e muito bem arborizado, me senti muito confortável e à vontade. Fazia um fim de semana lindo na maior capital das américas e almoçar às 4 da tarde numa mesa na área externa foi muito agradável.

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Enquanto aguardávamos uma mesa pedimos drinks. Tomamos o Aperol Spritz (Aperol, Prosecco e água com gás, R$18) e também Caipirinha de Cajú com geléia de Pimenta (R$21). O Aperol Spritz é pra quem tem paladar mais pro amargo, mas muito bom, e a caipirinha é uma das melhores que já tomei.

Devidamente acomodados, fomos às comidas! Achando que as entradas eram pequenas, pedi duas. Em absoluto que isto foi um problema, sabe-se lá quando voltarei novamente à cidade, experimentar era preciso.

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De entrada pedi um Arancini di riso con funghi (R$19), bolinhos de arroz com mix de cogumelos e queijo. Me apaixonei ali mesmo na primeira entrada pelo sabor da comida do lugar, que delícia! Bolinho macio por dentro e crocante por fora, acompanhado de um molho muito saboroso e que rendeu muitos “hummm” de quem comia. Isso que eu ainda nem havia pedido a…

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Focaccia! Ou mais precisamente a Foccacia della casa “al fomaggio” (R$29), uma massa crocante e fininha recheada com queijo stracchino. Vocês não têm noção de quanto esta foccacia é deliciosa. O queijo vem bem derretido sem soltar muita gordura e combina deliciosamente com a massa crocante.

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As entradas foram muito bem servidas, tive que esperar um pouco pra escolher o prato. Seguindo as sugestões do Cobra que acompanhava minha visita pelo Twitter e do próprio Bertolazzi que ofereceu um mix dos dois pratos sugeridos, decidi ir no Gnocchi Zena (nhoque com molho de tomates frescos, manjericão e fonduta de stracchino, R$45) e no Filetto alla milanese (milanesa de filé com farinha caseira, R$46). Detalhe para o garçom que vem na mesa ralar mais um pouco de queijo parmesão fresco pra acompanhar o nhoque.

Os dois pratos, que são separados e servem duas pessoas mas que foram combinados, estavam muito saborosos. O nhoque dispensa apresentações, a foto fala por si. O filé a milanesa bem macio e com sabor muito especial, empanado e crocante, chegou bem quentinho na mesa.

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Eu já estava em vias de ir rolando Av. Paulista acima até chegarmos no flat, mas pedir a sobremesa era preciso. Escolhi a mais leve de todas pra evitar explodir com tanta comida. Fomos na Panna cotta (delicado flan de creme de leite com calda de frutas vermelhas e cumaru, R$18).

O atendimento foi perfeito do início ao fim do serviço. Desde a recepção, a solicitação de uma mesa, a explicação das bebidas e pratos e em tudo o que precisamos fomos prontamente atendidos. Sei que escolhi dois restaurantes já conceituados pra visitar e escrever aqui no blog, mas o padrão de atendimento em São Paulo parece-me muito mais apurado e eficiente, e isso me encheu muito os olhos. No Zena não foi diferente.

Recomendo demais a visita ao Zena Caffè. Passando por São Paulo não deixe de provar as delícias do norte italiano!

Zena Caffè

  • Endereço: Rua Peixoto Gomide, 1901. Jardins, São Paulo.
  • Telefone: (11) 3081-2158
  • Horário: De segunda à quarta, das 12h à 0h. Quinta à sábado, das 12h à 1h. Domingo das 12h à 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim
  • Estacionamento: Sim (manobristas)