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Spice Garden: a incessante busca pelas especiarias

As viagens marítimas de Portugal em busca das especiarias indianas acabaram dando mais resultados que simplesmente diminuir o custo e os intermediários dos produtos que buscavam abastecer o velho mundo. Como a Garmin ainda não havia sido fundada naquela época, e talvez pelo excesso do vinho do Porto consumido dentro das naus, quando deveriam apontar as embarcações rumo ao Cabo da Boa Esperança bons (ou maus) ventos os faziam atracar na América. Foi assim com Américo Vespúcio, Vasco da Gama, Cristóvão Colombo, Pedro Álvares Cabral… Esse último até conseguiu dobrar o Cabo mas o entreveiro foi tão grande deve ter se arrependido. A história esqueceu disso por um bom tempo.

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A grande magia da globalização é que hoje a Índia vem até os portugueses. Ou melhor, no nosso caso, vêm até os descendentes da colônia lusitana, numa cidade onde o tempero parece ser escasso e as especiarias completamente ignoradas.

Pra comer no Spice Garden Indian Cuisine não é necessário ser muito resistente à pimenta. Todos os pratos têm níveis de picância que são escolhidas na hora do pedido: fraca (nenhuma pimenta), média e forte. Já conhecia a casa e sabia que a intensidade média era punk pro meu paladar, pedi um meio termo entre o fraco o médio e fui atendido. E gostei muito do que experimentei.

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A experiência começa num ambiente muito bonito. Simples, sem aquela ostentação que os restaurantes de culinária do sudeste asiático geralmente apresentam. É uma casa grande, muito bonita e iluminada, aconchegante e acolhedora.

A casa não tem garçons, apenas uma maitre e a cozinha. E o atendimento flui de forma excelente, sem problemas de serviço, erros de pedidos ou qualquer transtorno pra quem lá busca um jantar tranquilo.

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Começamos o jantar com as entradas. Escolhemos o House Special Platter, que é o prato especial da casa com uma combinação de pequenas porções de todas as entradas oferecidas. Registre-se que acho maravilhoso quando uma casa oferece isso. Você vai pela primeira vez e experimenta de tudo um pouco, nas próximas você já sabe como quer iniciar o seu jantar.

Ele é composto por Vegetable Samosa e Beef Samosa (pastéis crocantes recheados com legumes e carne, temperados com as especiarias da casa, e servidos com shutney de manga; Spice Garden Mixed Vegetables, que são vegetais variados temperados e fritos; O Keema Naan, o pão tradicional indiano com carne, gengibre e coentro. Acompanha também um molho de iogurte.

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O prato é recomendado para duas pessoas e como estávamos em três, também pedimos uma porção extra de Beef Samosa. Mais pasteizinhos crocantes recheados de carne. Mais molho de manga. Mais amor.

Sempre exalto aqui a vantagem de ter amigos que adoram comideria. Não o blog, mas o ato de comer bem. Eles pedem pratos diferentes uns dos outros para que todos experimentem um pouco de cada. Foi o que aconteceu.

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A Cátia Andressa (registre-se aqui que o Comideria está bastante feliz pela presença neste review e pelo seu retorno à Ilha de Santa Catarina) é uma dessas e pediu um Tandoori Shrimp. Camarões levemente picantes e assados no forno Tandoor (o forno tradicional indiano), guarnecido com arroz e molho de iogurte. Os camarões são bem crocantes e bem temperados, sequinhos, sem aquele excesso de gordura comum dos que são fritos.

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A Michele Xavier (registre-se aqui que o Comideria está bastante feliz pela presença no review e pelo início das obras da sua casa, a famosa Minha Casa Container) pediu um Beef Curry. Tal qual o original, o Beef Curry do Spice Garden tem o molho feito com cebola, alho, gengibre, iogurte e especiarias indianas. Novamente recomendo: se você não é resistente à pimenta, peça o fraco. As especiarias já têm o dom de deixar a comida bastante saborosa e com uma leve picância do próprio gengibre, por exemplo.

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Depois de dar uma garfada no prato das gêmeas mais glamurosas da cidade, veio o meu: Tandoori Chicken. Eu sou extremamente viciado no Tandoori (um mix de temperos que é vendido no Mercado Público de São Paulo, de cor alaranjada) que uso bastante para temperar o frango antes dos preparos que vão caldos/molhos. É claro que não tenho um Tandoor em casa como lá no Spice Garden, e por isso resolvi experimentar o deles. É divino. Primeiro que o prato é feito com a coxa e a sobrecoxa da galinha. Não há nada mais frustante que comer pratos bastante temperados com o peito do animal. Nada mais seco e sem gosto. Segundo que o tempero vem na medida e acertei em aceitar a sugestão da maitre de degustá-lo na inteisdade “fraco à médio”. Nem a ausência de pimenta do fraco, nem o punk-rock do médio. Pimenta na medida, fazendo o paladar explodir em sensações.

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Uma outra dica se você é fraco pra pimenta como eu sou (ou era, pois tenho me esforçado): água, vinho, refrigerante, nada disso ajuda a dissipar aquela garfada mais generosa de ardência de pimenta. Há no cardápio um bebida chamada Lassi, que é uma batida de iogurte e leite com frutas. Há a opção salgada, mas recomendo a com frutas pra amenizar o seu paladar em caso de extrema ardência. Eu escolhi hortelã pra não ficar doce demais. A única bebida que consegue absorver a pimenta do seu paladar é o leite, então se é a sua primeira vez, peça Lassi e deixe ali pra algum enrosco.

E a aventura não parou por aqui. Ainda tem as sobremesas. Experimentei duas.

Primeiro o Kheer, o tradicional pudim de arroz indiano, que leva leite, água de rosas e cardamomo. Lembra bastante o arroz doce, embora bem mais aromático e rico em sabores. Cardamomo é vida.

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Depois o Gajar Ka Halwa. Não sei nem pronunciar isso, mas estava muito saboroso. Fiquei com um pé atrás quando soube que a sobremesa era a base de Cenoura. Cenoura, leite e cardamamo, veja só. Ela também recebe uvas passa que dá o tom adocicado. Vale muito à pena experimentar, é uma sobremesa diferente. Não espere aquelas sobremesas irritantemente doces, de travar a boca de tão açucarada.

O preço é bastante honesto. Tendo em vista o que se cobra no mercado local, digo que chega a ser muito barato. Cerca de R$60 por pessoa (fomos em três) pra sair de lá muito satisfeito com a comida e a experiência como um todo.

Se os portugueses cruzaram o violento Oceano Atlântico em busca de especiarias, você pode ir até a SC-401 fazer o mesmo.

Spice Garden Indian Cuisine

  • Rod. SC-401, 7500. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (048) 3238-2170
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Pão-por-Deus: o melhor buffet de sopas está de volta!

Das expressões culturais e artísticas que os colonizadores açorianos nos deixaram, o Pão por Deus é uma das que pouco a pouco vão sumindo do conhecimento popular do ilhéu. Aqui na cidade costumava-se fazer quadrinhas com pequenos poemas, rimados ou não, com os mais diversos intuitos: um recado, uma declaração de amor e até mesmo um desaforo era motivo de se fazer um Pão-por-Deus.

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No centro histórico de São José conheci há alguns anos o Restaurante Pão-por-Deus. Ficou famoso na região que já serviu de passagem para a corte real do Brasil nos idos do século XIX e assim como o antigo Café da Corte, está numa casa centenária no centro Histórico de São José. Nos anos passados alguns percalços na vida dos proprietários fizeram com que a casa não abrisse por um tempo até que em 2013 ela fechou as portas. Tamanha foi a minha felicidade ao saber da sua reabertura que fui ontem mesmo, no seu primeiro dia de funcionamento, reconhecer o lugar.

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O Pão-por-Deus tem o melhor buffet de sopas da cidade. Não há outro que chegue aos pés de todo o conjunto que este lugar ofereça. A refeição começa bem antes da comida, na decoração do restaurante. Como o nome enseja, é um resgate histórico da cultura dos açorianos que desembarcaram na região. Desde as quadrinhas de Pão-por-Deus na parede, até os desenhos das panelas de barro onde você se serve, tudo respira a atavismo e aconchego. Fui um dos primeiros a chegar e o último a sair, tamanho é o abraço do lugar que te faz sentir muito à vontade.

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O buffet funciona assim: você paga um valor fixo (R$28,50) e pode desfrutar de forma ilimitada de todas os 13 diferentes tipos de sopas. Mas já deixo uma dica: se você quiser experimentar mais sabores, pegue um pouquinho só de cada, as sopas são fortes, acabando com o mito de que sopa não enche o bucho.

Sopa de Capeletti
Sopa de Capeletti
Vaca Atolada
Vaca Atolada

É possível que uma vez ou outra mude-se algum dos sabores, mas basicamente os mesmos 13 ficarão até o fim do inverno. São eles: Capeletti, Caldo Verde, Canja, Cenoura com gengibre, Ervilhas, Delícia de ovos, Tomate com palmito, Minestra, Creme de alho, Chilli Apimentado e Legumes. Ainda têm dois pratos que tem bastante caldo mas que não são sopas por definição, mas que também são uma excelente pedida neste inverno: o Carreteiro e a Vaca atolada.

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Escolhida a sua sopa, no buffet ao lado vários tipos de pães, alguns temperados, e tijelas de salsinha picada, queijo parmesão ralado e ovo picado pra você incrementar a sua sopa.

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O Pão-por-Deus funcionará de segunda à sexta-feira (fecha aos finais de semana), das 19h às 23h30 e a partir da semana que vem também servirá almoço.

Fica a sugestão da visita, ótima comida, por um preço honesto, num lugar muito bonito e encantador. Uma excelente pedida neste inverno.

Restaurante Pão-por-Deus

  • Rua Xavier Câmara, 125. Centro. São José/SC.
  • (48) 3247-1101
  • Aceita cartões: no dia da visita ainda não haviam instalad o aparato para aceitá-los, mas durante as próximas semanas implantarão o sistema de cartões.

Yakissoba da Ponte: Food truck de comida oriental no Kobrasol

Nos Estados Unidos Food Truck já é comum. Em São Paulo recentemente uma lei que libera e regulamenta foi aprovada. Por aqui ainda divide opiniões mas é ansiado por muitos entusiastas, eu incluso, um debate e, tão logo possível, uma carta branca pra que pequenos caminhões, utilitários e vans sirvam comida nas ruas, de forma itinerante e que viabilize bons e frutíferos projetos.

Enquanto o conceito puro de comida de rua através dos food trucks não é possível, algumas iniciativas já começam a despontar deixando este que vos escreve bastante animado e esperançoso pra que num futuro não muito longínquo seja normal estar no caminho de casa ou do trabalho e poder comer algo além do cachorro-quente, algo mais elaborado e nutritivo do que pipoca.

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Isso porque ontem inaugurou no Kobrasol, em São José, o Yakissoba da Ponte. Como o próprio nome enseja estava instalado no bairro Ponte do Imaruím, cidade de Palhoça, e agora mudou-se pra alegrar os cidadãos josefenses e florianopolitanos que não raro visitam as opções gastronômicas das imediações da Lédio João Martins.

Com um cardápio enxuto como todo bom food truck deve ser, o Yakissoba da Ponte oferece o carro-chefe e rolinhos primavera.

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São quatro tipos de Yakissoba: de carne, de frango, misto (o clássico carne + frango) e o vegetariano. Você pode escolher o tamanho médio e o grande, exceto o misto. Os valores variam de R$9 a R$15 dependendo do ingrediente e tamanho escolhido.

Já os Harumakis, ou rolinhos primavera, podem ser salgados (carne e legumes, frango e lefumes e queijo) ou doces (chocolate e romeu e julieta). Eles podem ser vendidos em unidades, que custa uma módica quantia de R$2,50 ou vir em porção de cinco unidades, custando apenas 10 pratas.

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Experimentei os dois pra não dizer que não falei das flores e gostei bastante do que provei. O meu Yakissoba misto veio bem servidor de todos os ingredientes, carnes inclusas nesta constatação, quentinho pois é feito na hora e estava bem saboroso. Único ponto negativo foi a quantidade de sal no molho, hipertenso de carteirinha acabei estranhando, mas imagino que seja algo a ser melhorado nos dias subsequentes à inauguração.

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Os rolinhos primavera estavam demais. Experimentei o de carne com legumes e o de queijo. Casquinha crocante, bem quentes (logo o recheio de queijo estava derretido e fazendo aquele efeito elástico que tanto adoramos e muito, muito saborosos.

Ao lado do trailer onde fica a cozinha, mesas e cadeiras confortáveis de madeira protegidas da chuva e do sereno por um grande toldo garantem a tranquilidade e o conforto necessários pra se comer aproveitando o movimento da Av. Presidente Kennedy.

Vale muito a visita!

Yakissoba da Ponte

  • Av. Presidente Kenney, 789. Em frente à Vox. Kobrasol, São José / SC.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Toro Yam: comida japonesa e atendimento em ritmo de tango

Estive anteontem visitando o Toro Yam, uma casa relativamente nova baseada na culinária japonesa instalada no centro de Florianópolis. O Toro é mais um desses lugares que juntam gastronomia e balada, tendo um piso superior onde a casa prepara-se para a diversão de quem ali resolve passar algumas horas, comendo ou não um sushizinho.

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Fui pela comida — sempre pela comida, pra conhecer a casa e degustar aquele velho peixinho cru envolto numa camada de arroz. Gostei bastante do que comi. Os sushis são bem preparados, tanto na modalidade buffet livre quanto nos pratos à lá carte. Encontra-se desde os tradicionais filadélfia até nigirizushis feito com vieiras, por exemplo, ou com surubim defumado. Enche os olhos já no cardápio.

Além de saborosos os pratos são bem servidos. Sushis grandes, pra quem gosta um prato cheio, e bem gostosos. A ordem da minha refeição deveria ter sido essa:

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Comecei por uma entrada quente: Yakitori (Robatas de frango, cogumelos e legumes ao molho satay, R$12). Espetinhos de frango grelhado com cogumelos paris e, basicamente, aspargos. Mas muito saboroso. Esse molho satay, tradicionalmente preparado com coentro, gengibre, molho shoyu, alho, limão e chilli, deu toda a graça ao prato.

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Era pra depois da entrada ter comido um par de Dyo Massagô (bolinhos de arroz envoltos em uma fatia de peixe branco cobertos com ovas de capelin, R$7). Mas não tinha ovas de capelin. Troquei então por nigirizushis Hotategai (nigiris de vieira maçaricada com flor de sal e raspas de limão siciliano, R$12). Confesso que poucas vezes comi um nigiri tão saboroso, com a flor de sal e as raspas de limão combinando muito bem com as vieiras.

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Em seguida então deveria ter vindo o combinado de sushis (calma, já explico), o Torô Kikuna (4 uramakis, 4 nigiris e 3 dyo, totalizando 11 peças, R$26). Não sei porque mas acabei recebendo 14, um um niguiri e 2 uramakis mais. Obrigado, desde já, samae-san!

E finalizaria toda a comilança com um Uramaki Torô (atum, foie gras e raspas de limão siciliano, R$25).

Mas por quê eu falei que a sequência deveria ter sido essa? Respondo falando o que achei do atendimento.

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O atendimento é dramático. É mais dramático que Gardel cantando Roberto Goyeneche, é tão asmático quanto Ruben Juarez “con su blanco bandoneón“. E digo que foi um tango pra não dizer tragédia, embora desconfie que o serviço fosse melhor na Sbornia. Vi uns passos de Kopérnico no salão bonito e aconchegante do restaurante.

O garçom foi enfático ao pedir que eu separasse os pedidos da entrada e dos pratos. Ponto positivo, pensei. Ponto positivo não fosse os 40 minutos que levei pra começar a comer. E, advinha? Não começou pela entrada, veio primeiro o combinado de sushis, que seria só o terceiro prato. A robata veio só depois, junto com o segundo prato, e ele voltou ainda duas vezes pra perguntar se era isso mesmo que eu tinha pedido. Ou seja, o pedido não chegou à cozinha.

O segundo prato não tinha, como disse anteriormente, o massagô (ovas de capelin) estava em falta. So 20 minutos depois do pedido é que avisaram, então troquei pro nigiri de vieiras. Acabou sendo o último. O último era pra ser o uramaki de Foie Gras. Não veio, não sei onde foi parar. Na mesa não estava, mas estava na conta. Também estava na conta o de massagô.

Depois de ser tão mal atendido eu quis ver a conta. E foi sorte, porque ao invés de pouco mais de 70 reais, ela passou dos R$100 brincando. Dois ítens a mais, bebida errada etc.

Deu pra perceber uma completa desorganização. Não havia um gerente, alguém que claramente comandasse a orquestra. O garçom parecia sempre perdido, vindo confirmar várias vezes os pedidos, esquecia de anotar algumas coisas, trazia Guaraná ao invés de Pepsi (nem comento sobre SÓ servir Pepsi). Conversava mal e mal com a cozinha, que andava na cadência do Tango. Com 4 mesas no restaurante, levaram quase duras horas para fazer este que deveria ser um rápido serviço.

Dei graças a algum deus que não pedi o menu degustação com 11 pratos. Estaria comendo a sobremesa só agora.

No fim das contas, a comida foi gostosa, o ambiente era bonito e o atendimento/serviço decepcionaram. Voltaria lá? Talvez. Daqui um mês ou dois, quando vissem que o serviço está tangueando demais e fornecessem treinamento para o pessoal. Será que dá tempo?

Torô Yam

  • Endereço: Av. Mauro Ramos, 1835. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 4009-3303
  • Horário: diariamente das 19h às 0h.
  • Aceita cartões: sim

Galeto da Mamma, o melhor da cozinha ítalo-riograndense em Floripa

Dos tradicionais. Não costumo falar dos tradicionais. Todo mundo já os conhece. Todo mundo não, já dizia um amigo que tudo é muita coisa, mas muita gente sabe dos restaurantes que estão há 20, 30 anos com as portas abertas oferecendo comida boa. E talvez seja um erro meu pensar assim, porque nunca fiz um review do Meu Cantinho, por exemplo, churrascaria que frequentava com meus pais desde a época das vacas gordas. Não que ela tenha perdido muito peso, mas depois que inventaram o “tá ruim” nunca mais esteve bom.

Outro erro meu é pensar que sé escrevo pra florianopolitanos (perdão, eu odeio a expressão manezinho, assim como odeio o nome da cidade, mas explico isso outra hora). A cidade batizada em homenagem a um assassino (tá bom, expliquei agora) recebe anualmente muitos turistas e muitos deles voltam pra ficar, se é que vão embora após o encantamento com o lugar, e acabo esquecendo dos meus novos patrícios, imigrantes de vários rincões que aqui criam morada.

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Por falar em imigrantes, benditos sejam os italianos que povoaram a serra gaúcha. Lá acharam terra boa pra cultivar a uva vinífera e fizeram boa comida. Tão boa que emigraram pra cá também, com a Galeto da Mamma. Lugar esse que já fui duas ou três vezes mas sem fazer material pra um review, ato falho de quem acaba esquecendo dos tradicionais.

Tradicional também é o cardápio da Galeto da Mamma. Galeto, polenta frita, salada de radicci com bacon, massa, muita massa! Tudo conforme manda o figurino italo-riograndense de se servir uma boa comida italiana, do jeitão serrano de se fazer comida.

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Há um cardápio onde você pode escolher suas massas e outros pratos, mas além do à lá carte existe o rodízio, o qual recomendo fortemente você experimentar. Por 31 dinheiros brasileiros você come tudo isso que eu falei acima. Muito parecido com o sistema do Madalosso, em Curitiba. A comida é servida na mesa e conforme vai acabando eles vão substituindo.

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Então, recapitulando, a comida servida de primeira é: galeto, salada de maionese, radicci com bacon, uma das melhores polentas fritas que já comi, costelinha suína assada na farinha, coração de frango, espaguete e nhoque ao sugo, tortéi a bolonhesa, salsinha e queijo parmesão a vontade!

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Tradicional também é a entrada desta comideria: sopa de capeletti! não poderia abrir uma refeição nesses moldes sem esta sopa.

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Com toda essa comida, bebemos um vinho que conheci lá mesmo na primeira visita e me apaixonei, na Galeto da Mamma, o Naturelle. Vinho fino porém suave, feito pela Casa Valduga no Vale dos Vinhedos, acompanha bem estes partos por menos de R$40.

A casa é toda decorada no estilo de cantina, muito aconchegante e com a vista maravilhosa da praia do Bom Abrigo, local que este que vos escreve já molhou suas fraldas quando a praia ainda era balneável.

No atendimento você percebe muita cortesia e rapidez, sendo atendido sempre sem qualquer problema. No rodízio, os pratos sempre são entregues quase que na hora, frescos e quentes.

Fica o registro da minha galeteria favorita aqui na cidade, na certeza de ter corrigido esta falha que não foi ter falado e indicado uma refeição na Galeto da Mamma.

Galeto da Mamma

  • Endereço: Rua Plácido de Castro, 201. Coqueiros, Florianópolis.
  • Horário: de terça à domingo. Almoço a partir das 11h30 e jantar das 19h.
  • Telefone: (48) 3249-6028
  • Aceita cartão: sim
  • Estacionamento: sim

Madalosso, o maior restaurante da América Latina

Curitiba é uma cidade simpática. Há tempos visito a cidade que é referência em gastronomia e sempre que posso me delicio com suas iguarias. Sábado tive novamente a oportunidade de ir até a capital dos paranaenses e mesmo que fazendo um bate-volta, consegui parar num restaurante que há muito tempo me indicavam: o Madalosso.

É indescritível estar naquele lugar. Achei que pelo tamanho e pelo número de carros que o estacionamento gigantesco abrigava iria ser mal atendido ou comer mal. Mas não só comi muito bem como comecei a ser bem atendido pelos inúmeros funcionários que controlam o trânsito intenso do estacionamento, já recepcionado muito bem lá fora.

Restaurante Madalosso, entrada com uma reprodução de Michelângelo
Restaurante Madalosso, entrada com uma reprodução de Michelângelo

Pra vocês terem uma idéia, trazendo pra nossa realidade aqui em Florianópolis, é como chegar num prédio com o dobro de tamanho ao prédio da Havan, no bairro Capoeiras, e poder comer em qualquer canto do lugar, seja na seção de eletrodomésticos ou nos caixas. A entrada também impressiona, com um hall cujo teto ganhou uma reprodução do afresco “A Origem de Adão” de Michelângelo, uma das ilustrações do teto da Capela Sistina.

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O Madalosso, que em 1963 oferecia 24 lugares, hoje é considerado pelo Guiness Book o maior restaurante da América Latina com quase 8 quilômetros quadrados e nada menos que 4.645 lugares. Ele é dividido em vários salões, com nomes de cidades italianas, uma referência clara ao resgate histórico de seus criadores (como se o Michelângelo não fosse já um forte indício), o que torna mais confortável. O manezinho aqui chegou lá achando que seria um salão inteiro e ensurdecedor com todas as mesas juntas. Eu almocei no salão Firenze, com capacidade pra 320 pessoas.

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A comida é boa. E farta. O sistema é o de rodízio e é baseado em massas e galetos. Assim que você faz o pedido das bebidas, é servido com os primeiros pratos que estão sempre na mesa. Uma salada de folhas verdes e cebola, risoto de frango, salada de batatas com maionese, polenta frita, frango à passarinho, asinhas de frango com alho frito e o fígado de frango.

Todos estes pratos são repostos a todo momento. Limpou a travessa onde é servido, vem outro com mais comida, fresquinha.

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Depois passam os garçons oferecendo as massas como caneloni, gnocchi, spaguetti, rondelli e lasagnas. Além delas, um frango prensado que eu salivo LITROS só de lembrar. Se for lá, experimente este frango prensado. Carne bovina grelhada também aparece neste rodízio.

Polenta frita. Delícia!
Polenta frita. Delícia!

Destaque para a polenta frita deles. Crocante por fora e macia por dentro, muito bem temperada e saborosa. Aproveite que ela é frita na hora e vem bem quente e coloque o queijo ralado por cima. Dá pra passar o almoço todo comendo só isso.

O rodízio custa R$34 por pessoa.

Outro ítem que me impressionou bastante foi o atendimento. Mesmo sendo barato, mesmo tendo uma fartura de comida, mesmo o restaurante estando muito cheio — e o cheio em se tratando de pelo menos mil pessoas ali naquele momento — fomos sempre muito bem atendidos. Não só porque tinham muitos garçons trabalhando, como pela gentileza e funcionalidade do atendimento, desde a cozinha até à mesa.

Visitando Curitiba, não deixe de ir até a Santa Felicidade visitar o Madalosso. Nem que seja pra deslumbrar com o tamanho e a beleza, nem que seja pra se deslumbrar com a comida.

Madalosso

  • Endereço: Av. Manoel Ribas, 5875. Santa Felicidade. Curitiba.
  • Telefone: (41) 3372-2121
  • Horário: segunda à sábado para almoço e jantar, e aos domingos para o almoço.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim