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Oro Giallo Polenteria: quando si mangia la bella polenta

Si mangia cosi.

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Comi bem no Oro Giallo Polenteria, talvez a primeira casa especializada em polenta que se tem notícias por estas bandas. Se eu estiver errado, por favor, me corrijam, mas por ora damos o título de Primeira Polenteria de Florianópolis ao restaurante capitaneado pelo chef calabrês Pietro Prestia.

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Oro Giallo em italiano quer dizer Ouro Amarelo e não é pra menos: desde Cristóvão Colombo que os europeus se encantaram com este grão nobre das Américas. É do século XVI e XVII, e essa história você pode acompanhar na primeira página do cardápio do Oro Giallo, o primeiro registro dos italianos transformando o milho em polenta. E, engraçado quanto seja, disseminou-se pra cá de volta com os imigrantes italianos, colonizadores do Sul brasileiro.

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Falar em cardápio, o menu do novo restaurante localizado no bairro Coqueiros, ao lado da AABB, é totalmente inspirado na polenta. Como bom italiano dá opções de massas e risottos, alguma coisa de menu kids, mas se apresenta de forma maciça no próprio ouro amarelo. E embora tivesse curiosidade de conhecer estes variados pratos, não saí da polenta nem por decreto.

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Achei interessantes as entradas, também com opções pra quem por algum motivo estiver acompanhando um fã da iguaria e não comer polenta, e escolhi a Polenta e Formaggio. Três pedaços de polenta, queijo provolone doce e geléia de damascos. Simples assim, com uma folhinha de manjericão pra decorar e um pouco de azeite. Embora tenha ingredientes doces não dá pra jogá-la pra compartilhá-la no cardápio de sobremesas. A polenta é firme porém muito macia de se comer, o toque da geléia é incrível e combina muito bem. Uma delícia de se experimentar enquanto o prato principal não fica pronto.

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Eu olhei, olhei e olhei de novo e acabei cainda na tentação do Hamburguer di Polenta. Não foi uma sugestão do garçom mas ouvi que era um prato que saía bastante (sempre tento escolher as pratas da casa, não há porque não confiar no imperativo gosto popular). Acho que errei, deveria ter ido no tradicional e deixado a invencionice de lado.

O Hamburger di Polenta tem a idéia do tradicional hamburguer, onde o pão é substituído por dois discos de polenta grelhada, lascas de filé mignon, abobrinha italiana, queijo e tomate. Não é que ele estivesse ruim, nada disso. O prato aparentemente foi executado como deveria ser. Mas não causou nenhuma surpresa, sabores de cada ingredientes meio apagados, talvez estivesse com a expectativa maior pela novidade do que qualquer coisa. Recomendo, inclusive, que algum leitor experimente e me conte o que achou, pra tirarmos uma conclusão mais elaborada. Fica em aberto por enquanto.

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O que ajudou bastante no prato foi este azeite, da Asaro, um azeite extra virgem com limão siliciano (da Sicília, claro!) que deu bastante sabor a todos os preparos de polenta que experimentei. Saboroso e aromático, dá vontade de beber no gargalo. Inclusive se alguém souber onde comprar isso por aqui (o garçom já adiantou que o Chef importa quase todos os ingredientes), me avisem!

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Depois experimentei o Polpette della Mamma, que foi a escolha da Monica Boeira, quem deu graça e “tananã” ao jantar, e que com seu diminuto estômago permitiu mais que as duas tradicionais garfadas científicas ao prato alheio, daquelas que ajudam no review. Afinal, não dá pra escrever sem experimentar e ter primeira e segunda opinião.

E se fez presente o velho ditado de que a grama do vizinho é mais verde, mais bonita. Enquanto eu tentava entender o Hamburger di Polenta, as Polpettas estavam deliciosas, muito boas mesmo, e a polenta mole de um jeito muito característico, com uma cremosidade que poucas vezes vi nos restaurantes que se arriscaram a serví-la por aqui.

O sabor do molho, o frescor dos ingredientes, o tempero e o toque do chef finalmente haviam aparecido.

Agora sim vi beleza na casa, vi graça numa lindíssima lareira instalada no salão principal que aquecia os comensais naquela noite de frio e vento-Sul, vi magia na adega que eu sequer experimentei mas que só pela beleza da organização das garrafas já se fazia bela.

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Pra quebrar um pouco o milho, de sobremesa pedimos Tiramisú. Bolacha Champagne, café, creme de queijo e cacau, como manda e mangia o figurino.

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Até poderia ter pedido uma sobremesa com polenta, existem duas: Polenta Dolce al Cioccolatto, o nome é autoexplicativo; e Amor Polenta e Gelatto, um bolo de milho com rum e sorvete de baunilha. Estas duas deixarei pra experimentar na próxima visita, onde agora farei o pedido certo e deixarei o hamburguer pros americanos, porque no Oro Giallo si mangia la bella polenta, cáspita!

Nota: A conta fechou em aproximadamente R$140, sem bebidas alcoólicas, e serviu duas pessoas.

Oro Giallo Polenteria

  • Rua Desembargador Pedro Silva, 2765. Coqueiros, Florianópolis.
  • (48) 3307-4720
  • Aceita cartões

MARKT 705: um all in one na capital gaúcha

Era uma viagem de bate-e-volta, nenhum roteiro especial envolvendo restaurantes como já é de costume da redação deste blog. Tempo apertado, compromissos com hora marcada e agenda cheia. No máximo uma passada rápida no Food Park do Shopping Iguatemi onde os nossos amigos do Destemperados estavam servindo um delicioso Tortei (aliás, dá tempo, vai até dia 21/6!).

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Mas tão certo quanto precisamos comer é que nas horas mais inesperadas nos topamos com lugares interessantíssimos e que, mesmo na ausência da câmera que não foi na bagagem — desculpem-me pelas fotos de celular, teremos vontade de compartilhar por aqui.

Literalmente colado ao hotel em que estava hospedado, conheci o MARKT705. Não dá pra definí-lo como bistrô, café, empório gourmet, mercadinho ou padaria. Se é pra definí-lo, uso uma expressão que estou acostumado na T.I.: all in one. O MARKT 705 é tudo em um.

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Lá você pode entrar pra comer algum molho, tempero, massa ou qualquer coisa industrializada para fazer um jantar; pode apenas sentar com um amigo pra tomar um café; pode aproveitar o frio e tomar uma sopinha; se quiser uma cerveja especial/artesanal gelada pra levar ou pra consumir ali mesmo, tem; e pode até comer um baita hambúrguer.

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E foi o que comi: um burgão.

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Por R$23,90 chegou à minha mesa o MARKT, um hambúrguer de carne bovina com queijo gorgonzola, fatias crocantes de pêra e rúcula. Pode parecer uma combinação estranha mas já adianto: muito saborosa.

A carne veio no ponto, ponto positivo pro lugar! Se o Rio Grande do Sul é o lugar pra se comer uma boa carne, o cozinheiro do MARKT 705 sabe bem prepará-la. O pão veio levemente tostado e o restante do recheio combinou bem no conjunto da obra.

Ele é servido em uma tábua de madeira, é bonito (mais uma vez, perdoem as fotos do celular, a Motorola não sabe fazer câmera) e num bom tamanho pra uma fome normal.

Além disso, é acompanhado de batatas rústicas muito saborosas, temperadas e com um pouco de páprica picante que dá um toque bem interessante nelas. Maionese, é claro, pra dar aquela besuntada no lanche.

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Como estava dirigindo não pude experimentar, nem pela experiência, uma cerveja ou vinho da casa, mas conhecendo as marcas que oferecem posso concluir que a seleção é excelente!

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No meio da noite ainda bateu uma fominha e desci pra buscar mais algumas guloseimas #gordosofre.

Tenho poucas queixas quanto a atendimento em Porto Alegre, costumo ser muito bem recebido por lá e no MARKT não foi diferente. Garçons muito cordiais, atenciosos e pedidos sem qualquer tipo de erro.

Fica a dica pra quem estiver de passagem ou hospedado na região, a Coronel Bordini tem um baita lugar pra tudo em um!

MARKT 705

  • Coronel Bordini, 705. Auxiliadora, Porto Alegre.
  • (51) 3352-3173
  • Aceita cartões
  • Wifi

Hamburgueria São José: novo bom burger na terra do cachorro-quente

Sempre digo aqui que São José é a capital nacional do cachorro-quente. Embora seja uma piada com a cidade da região metropolitana da Florianópolis que hoje resido, ela faz sentido: a cada esquina do município existe um carrinho com a iguaria. Isso não seria um problema se eu gostasse do hot dog abrasileirado, se eu suportasse a maçaroca de ingredientes e pudesse, todavia, comê-lo deliberadamente.

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Pouco tempo atrás ainda escrevi sobre a vinda de novas casas de hambúrguer que parece ser a nova “moda” aqui na região, e que isso era bom pro mercado. Dá opção de escolha pra quem busca um lanche um pouco mais saboroso que enlatados dentro de um pão com salsicha cozida. Foi assim a descoberta do Boi Burger, é assim agora com a abertura da Hamburgueria São José.

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Dia destes fui na Feirinha da Freguesia, que acontece todo segundo domingo de cada mês na praça do Centro Histórico de São José, e além de várias atrações como artesanato, feira de antiguidades e apresentações artísticas, há algumas bancas de comida ou food trucks. O próprio Yakisoba da Ponte, outro gigante na comida de rua, participa do evento. Lá conheci um hambúrguer de costela que era feito numa churrasqueira de latão, montado com cebola, alface, queijo colonial e o pão tinha pequenas lascas de parmesão. Foi um almoço saboroso, nutritivo e preguiço de domingo.

Isso foi apenas uma amostra do que a casa fixa deles oferece no bairro Campinas. A Hamburgueria São José conta com 7 lanches no seu cardápio. Atende os mais diversos gostos: carne, frango, bacon, linguiça… nos de carne dá pra escolher entre fraldinha ou costela, por exemplo.

O preço varia entre R$15 e R$19 e serve bem uma pessoa. Cada lanche é acompanhado de uma porção de batatas fritas e molho de maionese caseira temperada, aquela verde, indispensável quando o assunto é carne e queijo dentro do pão.

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Eu fui de Costela, de novo, em time que está ganhando não se mexe. Pedi o mesmo pão com o tal queijo parmesão por cima. Pão macio, folhas de alface frescas e crocantes, cebola roxa dando a acidez que todo bom hambúrguer pede e o molho coroando a refeição. Além de maionese, barbecue, mostarda e ketchup industrializados, mas de boas marcas.

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Meu querido sócio Everton Veber foi de Linguiça Blumenau. Aliás, aqui abro um parêntese: burger continua sendo sua jurisdição. É a especialidade deste nobre rapaz, maior conhecedor deste prato não há. Porém como ele está na sua série sobre Buenos Aires e cabe a este humilde blogueiro acompanhá-lo nas descobertas, abriu a mim cancha pra deliberar sobre o assunto. Espero que ele dê seu aval nos comentários depois. Blá-blá-blá ele comeu o Hamburguer de Linguiça. Mistura de carne com linguiça blumenau, também experimentei e estava bem saboroso. Não há um sabor muito forte da linguiça, até porque ela dominaria todo o gosto do lanche. E, claro, precisa dar volume ao bife.

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Todos os bifes de hambúrgueres vieram ao ponto para bem passado, se você gosta de carne ao ponto não custa pedir ao churrasqueiro. Ah, não falei? Pois é, os hambúrgueres são assados na brasa, por isso a confecção dos mesmos pode levar alguns minutos a mais do que um feito na chapa. O tempo é irrisório e compensa no sabor que é muito melhor.

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O atendimento é perfeito. A Samanta, uma simpática atendente não só nos trouxe todos os pedidos de forma muito simpática e certeira como não deixava que esperássemos muito por eles. Até alguns joguinhos de passatempo ocupavam nossas famintas cabeças enquanto aguardávamos ou comíamos. Rara no mercado, Samanta chega a parecer proprietária da lanchonete, tamanho o seu afinco em defender o produto que vende e o serviço que presta. Atendimento nota 10.

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Por fim resta recomendar mais este hambúrguer delicioso aqui na cidade e torcer pra que cada vez mais coisas novas como esta apareçam para nooooossa alegriaaaaa.

Hamburgueria São José

  • R. Altamiro di Bernardi, 26. Campinas. São José, SC.
  • (48) 8495-9694
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Boi Burger: o democrático sanduíche com carne da churrasqueira

Se é com muita dificuldade que exercemos a democracia nas urnas, agradar esquerda, centro e direita, também não é fácil agradar o público da comida. Mas se não podemos ser unânimes em quase nada, podemos promover espaços que facilitem isso. Localizado dentro de uma quadra de futebol suíço em São José está o Boi Burger, que recebe tanto quem está ali pra praticar esportes, tomar uma cerveja com a turma da pelada, quanto ao forasteiro que é cativado a sentar-se e apreciar a boa gastronomia do lugar. Assistindo ao futebol ao vivo pela TV, presenciando uma partida amadora ou mesmo congraçando com a simpática família de proprietários, tanto faz quem ganhou ou perdeu, no futebol ou na política, a vitória é sempre do estômago.

Avaí ou Figueirense, Esquerda ou Direita, pouco importa...
Avaí ou Figueirense, Esquerda ou Direita, pouco importa…

Era véspera das eleições e meu estômago clamava por comida enquanto a cabeça ainda não havia decidido em quem votar. A promessa era de comida boa então demos o voto de confiança, afinal assim como a tão ansiada Nova Política, nova gastronomia não faz mal pra ninguém. Ainda mais quando é boa.

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Uma coisa me chamou muito a atenção logo aos 10 minutos do primeiro tempo: a gentileza e a preocupação com a estada dos comensais na hamburgueria. Mal havíamos fechado a boca após fazermos os pedidos, chega na nossa mesa uma pequena porção de batatas fritas sob o pretexto de que o lanche poderia demorar um pouco, então pra dar uma aliviada na fome aquilo era uma cortesia da casa. Achei simpático, gentil, carinhoso e mudou totalmente o rumo da visita no Boi Burger.

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De ruim foi que me entreguei à batata como se não houvessem eleições amanhã e os pedidos acabaram saindo rapidamente (nos preparamos pra 45 minutos ou 1 hora que é o padrão de atraso virando comum por aqui). Logo tive um embate ideológico entre estas maravilhosas Coxinhas de Frango empanadas com o molho barbecua, feita ali mesmo, Made in Forquilhinhas.

O barbecue deles não tem aquele gosto industrializado, tampouco tem pretensões de ser muito picante. É pro gosto do manezinho, saboroso, levemente picante e adocicado. Ornou bem com o frango e ornaria bem logo mais com os hambúrgueres.

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E antes de falar nos sanduíches gostaria de fazer um registro: assim como é difícil achar quem venda refrigerantes em garrafas de 2 litros (a mesquinharia é travestida de elitização da bebida em algumas casas), missão impossível é ver uma Coca-Cola assim, na temperatura potável para uma noite quente, formando seus primeiros cristais de gelo neste iceberg de textura pra uma boa sede. Quase, muito pouco, não boto os quase 6 meses longe desta inesgotável fonte de açúcar a perder.

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E como essa pequena hipocrisia mandou lembranças, ainda encarei um hamburguer. Eu pedi o Boi Picanha. Mais pelo pão amanteigado do que necessariamente pela picanha, embora o lanche todo estivesse delicioso e a carne servida com fartura, sem pão-durice. A carne, bem generosa e com bastante sabor de churrasco, é assada numa churrasqueira bastante moderna e escolhida a dedo para a função. O lanche veio no prato, acompanhado de mais uma porção de batatas fritas, ketchup industrializado mas de excelente qualidade, mostarda temperada, maionese caseira e novamente ele, o barbecue. Tem talheres pra quem não bota a mão na massa mas sair de uma hamburgueria com a mão seca é utopia dos chatos.

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Registre-se ainda o sanduíche comido pela Samantha e mordido por mim, o Big Boi Duplo. Um cheeseburger muito saboro só que com duas carnes. Nem o concorrente multinacional quadriplicando o hamburguer ele conseguirá chegar aos pés disso.

Fecho este post com uma tristeza: ainda nem almocei, já são duas horas da tarde enquanto escrevo este texto e não poderei ir comer um agora. Se eu elegi um bom presidente eu não sei, mas a vitória da coligação entre o meu estômago e meu cérebro escolhendo um bom hamburguer é certa.

A conta fechou em cerca de 25 reais por pessoa.

Boi Burger

  • Rua Vidal Vicente de Andrade, 235. Forquilhinhas, São José/SC (anexo à quadra de futebol Suíço São José, rua do CTG Os Praianos)
  • (48) 8500 0366
  • Aceita cartões: até o momento da visita, não, aguarda instalação das máquinas.
  • Estacionamento: sim

Madero: bom de hamburger e ponto

Quando falta foco o objetivo fica mais difícil de ser alcançado. É esse o clichê que alimenta muitas bocas de palestrantes de auto-ajuda mas que pra restaurantes nunca foi tão verdade.

Essa não é uma crítica que desqualifica a casa, há que se destacar suas honras e acertos. Mas frente o oba-oba com a chegada do Madero na cidade creio que sejam necessários alguns pingos nos is, isso claro na minha opinião (como se precisasse dizer a um leitor de BLOG que BLOG é opinião, mas vai que alguém dormiu nos anos setenta e só acordou agora em 14 com a larica da brilhantina).

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Madero manda bem no hambúrguer. Ele é bem temperado, a carne escolhida vem sempre no ponto bacana de quem aprecia carne de verdade (desculpa aí, sommerliers de sola da bota, nada pessoal!), o pão deles é incrivelmente saboroso e dá vontade de tornar mais vezes à casa pra apreciá-los. Queijo, bacon, qualquer que seja o o aliado da carne na guerra do colesterol alto, comer hambúrguer no Madero é quase sempre, como dizem na Serra, “uma enxadada e uma minhoca”. Sempre um acerto em cheio.

Mas, e sempre tem um mas, confesso que os pratos me decepcionaram bastante.

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A começar pelo palmito assado. Um grande e generoso tolete de pupunha assado e temperado com algo cujo sabor mais próximo era manteiga. Mas um sabor bem efêmero, quase que inexistente. E embora informações do restaurante de que ele é temperado com manteiga caseira e flor-de-sal de uma marca famosa, o que comi não foi bem isso. Ele é bonito, bem apresentado, mas falta sabor. O palmito por si só não tem muito sabor. Se temos a flor-de-sal na receita original já significa que, no mínimo, precisa-se acentuar seu sabor. E, tendo ou não, faltou. Palmito pupunha precisa de ervas, precisa de aromas, precisa agregar sabor.

Além do mais, não é barato. Quase R$30 por esta iguaria.

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Carnes. Vamos às carnes. Eu pedi picanha. No ponto. Veio no ponto, mas é difícil acreditar que comi picanha de excelente qualidade. Afinal, no cardápio dizia que ela é SUPER PREMIUM. É mesmo? Aqueles nervos que mastiguei dolorosamente diziam o contrário.

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E embora a foto pareça grande — vamos levar em consideração que a foto é de uma lente macro — o prato chega a ser famélico. Umas folhas verdes quase sambando no prato e se esticando todas pra darem a sensação de preenchimento, dois bifes de picanha e um filhote de bife sustentando o palitinho com a bandeira do ponto.

O preço? 41 dilmas pra continuar com fome.

Justiça seja feita, o molho de chimichurri é um dos melhores que já comi. Que saboroso!

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Outro ponto forte é o jogo de pimentas que você pode pedir. Na mesa tem apenas um, a pimenta clássica da Tabasco, mas se quiser a minha preferida Chipotle, por exemplo, precisa pedir que o garçom traga na mesa.

Mas você vai saber disso em duas ocasiões: 1) lendo este post, ou 2) exumando a mãe Diná e pedindo ajuda dos astros, ninguém te fala isso antes da refeição. Aliás, um outro ponto crítico do Madero em Floripa é o atendimento. Se em Balneário Camboriú eu fui muito bem atendido, na filial do Beiramar Shopping temos mais um reflexo da péssima mão de obra para restaurantes que esta cidade quase nula em turismo provê.

Pedir uma bebida, mesmo sendo uma simples e inofensiva água mineral, que não morde os dedos de ninguém (juro!), e que custa uma fortuna, conferindo quase que 500% de lucro pra casa, ou um suco de laranja, a preços Padrão Fifa, pode ser uma tarefa um tanto quanto cansativa, quando se precisa repetir três ou quatro vezes.

Parabéns, Madero, vocês têm um dos melhores hambúrgueres da cidade. Mas os demais pratos não me agradaram.

Madero

  • Endereço: Rua Bocaiúva, 2246. Beiramar Shopping. Centro, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3039-0388
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Cabeça Lanches: outro ambiente, outro endereço, outra qualidade

Se você clicar no meu nome no final deste post verá que dos quase 250 posts que escrevi pra este blog existe um padrão para a publicação:

  1. A experiência foi boa, o restaurante é indicável e tem mais pontos positivos que negativos;
  2. A experiência foi desastrosa. Não foi medíocre, foi um desastre o que aconteceu durante a visita.

Digo isso porque depois de três anos escrevendo sobre experiências gastronômicas algumas situações podem mudar este padrão. A primeira são restaurantes que antes não promoviam uma boa experiência, e N fatores entram na justificativa dessa mudança, inclusive o fato de o dia da visita ter sido um péssimo momento para o cozinheiro; e a segunda é que restaurantes que antes indicavam mudam, e pra pior. Talvez ainda não sejam desastres, mas a justiça precisa ser feita, ainda mais quando é meu aval e minha palavra que estão em jogo.

Coisa de cinco meses atrás tive a oportunidade de voltar ao Cabeça Lanches. A experiência foi ruim, o lanche ficou menos saboroso, menos recheado e mais caro. Depois retornei novamente, o lanche voltou pra padrões aceitáveis e mantive a opinião em deixá-lo no TOP 5 Xis de Floripa, até porque uma segunda lista ainda levaria tempo pra ser preparada e com a deficiência de Florianópolis nessa área ele ainda elencaria os melhores na minha modesta opinião (acredite, os melhores xis hoje estão em São José).

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Ontem retornei à casa. Não era a mesma casa. Recentemente o Cabeça Lanches começou a dividir um espaço com o Espetinho de Ouro, pra quem ainda não conhece, um restaurante especializado em porções e refeições cujo protagonista é o camarão e numa concorrência acirrada com o Boka’s, há anos briga por quem serve a maior e melhor porção da cidade. A qualidade não é grande característica destes tipos.

O endereço também não é o mesmo. Apesar de ser na mesma rua, a casa agora ocupa um espaço maior, no outro lado, onde antigamente funcionava a revenda de carros Super Auto.

Cadê o hamburguer, gente?
Cadê o hamburguer, gente?

E a qualidade? Infelizmente também mudou. Não caiu a ponto de dizer “eu nunca mais volto lá”, mas pra quem viveu os tempos áureos do Cabeça, dizer que é o mesmo lanche seria incorreto de minha parte. Nota-se que o lanche continua do mesmo tamanho, tanto a versão “médio” quanto a “grande”, mas o recheio tem sua composição alterada. Enquanto antes um robusto e saboroso hamburguer era a atração principal do lanche — e não poderia deixar de sê-lo, agora um matagal de salada cresce sem nenhuma poda entre duas fatias de pão que não é mais aquele “fofinho” de priscas eras.

Me coma logo, vamos acabar com esse sofrimento!
Me coma logo, vamos acabar com esse sofrimento!

Talvez na foto do Xis Bacon e do Xis Alcatra acima você não tenha notado, mas agora vai se admirar quando reparar no interior de um Xis Burguer. Um pedaço de carne apático, pedindo pelo amor de santo Cristo pra ser consumido logo e dar fim no drama de ficar perdido no meio do pão e do queijo.

Há que se destacar mais uma vez que o Xis ainda está na frente de outras dezenas de concorrentes, mas muito provavelmente não entraria numa lista de TOP 5 aqui no blog.

Ao insatisfeito, as batatas!
Ao insatisfeito, as batatas!

A maionese caseira, outro ponto forte da casa, continua boa. Agora até menos salgada que antes, deixando os clientes hipertensos um pouco mais felizes (jesus, quem eu estou querendo enganar aqui?).

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O ambiente está mais amplo, mas a estrutura promove muito barulho. Em dias em que a casa está lotada é possível notar que ela é mais Espetinho de Ouro que aquele ambiente modesto e confortável do Cabeça antigo, do lado da Pet Shop. As mesas de plástico deram lugar às mesas de madeira, ponto positivo pra casa. Quem passa da primeira arroba de peso sabe o quão isso é importante.

O cardápio mais robusto. Agora além dos xis, e das porções de 6 unidades de pastéis, uma infinidade de pratos com camarão, carnes, peixes etc.

Ademais, resta lamentar que o gigante caiu mais uma vez, mas talvez seja questão de tempo (inclusive este post também tem esta intenção) de que a qualidade seja recobrada, e dizer que, neste momento, este blogueiro não mais indica o Cabeça Lanches como um xis moleque, de várzea, que joga com os dois pontas abertos num campo de areia.

Chopperia Cabeça Lanches e Espetinho de Ouro

  • Endereço: Rua Coronel Pedro Demoro, 1910. Estreito, Florianópolis.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim