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Botequim du Cais: Empanadas criollas na Costa Esmeralda

Já havia comido em Bombinhas. Os restaurantes que escolhi não eram bons, acabei ficando com uma má impressão do lugar. Mas como a sina do blogueiro de gastronomia é uma atitude de perseverança atrás da outra, neste domingo resolvi aportar novamente na Costa Esmeralda pra conhecer outro pedaço deste pequeno paraíso escondido no litoral norte de Santa Catarina: Porto Belo.

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Dessa vez não fui com uma mão na frente e outra atrás, pesquisei bastante antes de escolher um lugar pra comer. Resolvi seguir a dica da minha “colega de profissão” Daniele Bruxel. Além de morar na região conhece os restaurantes de lá como a palma da sua mão, afinal defende a gastronomia local como food hunter dos Destemperados.

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E eu não poderia ter feito coisa melhor. Primeiro porque o lugar é muito simpático. Num prédio muito bonito, de frente para o píer de Porto Belo, com uma linda praia de mar que exala beleza mesmo em dias nublados com o sol aparecendo de vez em quando e comida muito boa.

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O cardápio do Botequim du Cais é bastante completo, mas não é puro “embromation”. Várias opções que atendem todos os tipos de paladares. Os proprietários são argentinos então é comum ver ingredientes locais com uma forte tendência castelhana no restaurante.

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Uma boa prova disso é que os pastéis são substituídos pelas empanadas criollas, comida típica argentina trazida pelos espanhóis. E foi por elas que comecei a experimentar o cardápio. Na mesa comemos as de Camarão (que vai queijo catupiry junto), Carne Picante, Cebola e Queijo e Calabresa. A de camarão, que foi a que comi, era muito bem servida. Recheio em cada canto do quitute, nada de mixaria quando o assunto era recheio.

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Poderia ficar meia hora falando dessas empanadas, do quanto o sabor delas é incrível, da quantidade de recheio, do tempero, do molho picante que acompanhava todas elas… mas acho que as fotos falam por si.

Mas era preciso comer algo com mais sustância, precisava passar mais tempo naquele lugar calmo (fora da temporada) e queria ficar vendo aquele marzão lindo por infinitas horas. Então fomos ao prato principal.

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Eu e a Aline comemos Peixe ao Queijo Azul, um prato principal que serve duas pessoas. O prato consiste em filé de peixe (linguado) grelhado e coberto com um delicioso molho branco com queijo gorgonzola. Acompanhava arroz, salada mista e batatas fritas, bem servidas, como guarnição.

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Já o Everton e a Samantha comeram o Peixe à Milanesa, desta vez era uma merluza. Os acompanhamentos eram os mesmos.

Os pratos não são gigantescos como estamos acostumados em alguns restaurante, mas são suficientes pra saciar estômagos mais vorazes. É recomendável começar com uma entrada, e as empanadas criollas são as recomendadas. De qualquer modo os pratos são muito baratos (levando em consideração o preço que pagamos em Florianópolis) e têm mais sofisticação e cuidado no preparo que muitos restaurantes daqui. Pra vocês terem uma idéia, o Peixe ao Queijo Azul custou módicos R$60 (e serviu duas pessoas, como já disse). O à milanesa R$45.

Não encaramos as sobremesas porque já estávamos satisfeitíssimos, mas desde o Petit Gateu até outras sobremesas que aparentam ser deliciosas, várias opções delas aparecem no cardápio, também a preços bastante interessantes.

O almoço custou em média R$85 por casal.

Obrigado pela dica, Daniele! Voltarei mais vezes!

Botequim DU Cais

  • Endereço: Rua Manoel Felipe da Silva, 18.
  • Telefone: (47) 3369-5782
  • Horário: abre de quinta à domingo, das 11h às 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

Bucaneiros: do arroz ao camarão, tudo perfeito!

Há tempos venho explorando mais a culinária do continente catarinense. Se o tempo que morei na Ilha de Santa Catarina foi suficiente para desbravar boa parte do que a gastronomia ilhoa tinha para oferecer, é em terra firme que tenho me surpreendido muito com a diferença de sabores e preços. As vezes encontramos pérolas como o Bucaneiros (ou Bucaneiro, como está na placa na entrada, o proprietário ainda não decidiu), que além de muito barato, oferece comida excelente e em boa quantidade para todos os apetites, do outro lado da baía norte.

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Costumo dizer que restaurantes precisam caprichar tanto numa lagosta quanto num simples pastel de camarão. Fazer com perfeição uma excelente carne e não deixar pra trás uma mera salada. Muita gente não liga pra isso, vai com sede ao pote no prato principal e esquece que está pagando por um almoço completo, onde tudo deve estar a contento, e a mesma grandiosidade de um principal ser refletida num mero arroz.

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O Bucaneiros tem isso. Os acompanhamentos dos principais pratos do restaurante são batatas fritas, salada, pirão de caldo de peixe e a figurinha carimbada do dia-a-dia, o arroz. Lá ele aparece em duas versões: o arroz branco simples e o arroz branco com alho. E por incrível que pareça toda vez que eu vou comer no Bucaneiro eu já começo a salivar pensando no arroz, mesmo antes de fazer a curva no Morro da Bina, antes mesmo de chegar em São Miguel.

Mas obviamente nem só de arroz se faz um restaurante, então vamos aos fatos.

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O couvert do Bucaneiros também é saboroso. Não deixe de experimentar estes pãezinhos que são servidos já na chegada, antes mesmo do pedido ser feito, acompanhados com um molho de maionese da casa. A salada é boa, também, mas domingo não é dia de salada!

O cardápio da casa é composto por uma seção de Aperitivos, onde você pode comer desde um camarão à milanesa, mariscos, lulas e peixe nos seus mais diversos preparos, além de uma seção de pratos principais à base de Camarão e Peixes. Também tem pratos com carne e frango para os que não comem ou não estejam a fim de frutos do mar, os famosos chatos de galocha que acompanham aventuras gastronômicas sem manjar dos paranauê.

Enquanto saboreava o couvert pedi uma caipirinha. Drinks não são o forte deles, ela estava ácida demais e muito forte, mesmo pra quem já está acostumado com o sabor da cachaça. Valeu pela ingestão exclusiva da cachaça que, segundo o manezinho, serve pra cortar o “veneno” dos frutos do mar.

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Como prato principal pedi o Linguado ao Molho de Camarão. Deveria ter pedido meia porção, este humilde prato serve nada menos que 4 pessoas famintas após uma prisão em uma solitária por três semanas. Peixe à milanesa bem fritinho e no ponto certo, casquinha crocante e com um delicioso e bem temperado molho de camarão por cima.

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Havia pedido também a Maionese de Camarão que embora estivesse no cardápio de saladas não agrada nutricionistas como tal, mas eu fiz a minha parte. Essa eu fui inteligente e pedi meia porção que seguramente serve duas pessoas nas mesmas condições famélicas.

Batatas cozidas na medida certa, com o mesmo molho de maionese caseira acima citado e camarões médios cozidos e crocantes, mesmo sem casca, pra manezinho nenhum botar defeito.

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Como se tudo isso ainda não bastasse pra empanzinar o vivente, um buffet com sobremesas típicas da nossa região, contendo doces e frutas era servido gratuitamente para todos os comensais. Provem o pudim de leite deles, é uma delícia!

A conta fechou por volta de R$130 e poderia ter sido bem mais em conta caso não tivéssemos pedido comida para um batalhão.

E a digestão foi feita vendo as escunas chegarem e partirem no trapiche desta praia, lotadas de pessoas que assim como nós estavam em busca de excelente comida.

Restaurante Bucaneiro

  • Endereço: Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, s/n. Balneário de São Miguel, Biguaçu/SC.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: Sim

A Santa Figueira que dá frutos do mar

Muito manezinho nascido e criado jura de pés juntos que a figueira é a árvore-símbolo da cidade de Florianópolis. Não é. Uma rápida pesquisa nas internês, caso seu colégio tenha ignorado este detalhe importantíssimo na sua formação, nos revela que a árvore de Floripa é o garapuvú.  Mas bem que poderia ser a figueira. Não só um dos mais importantes cartões postais da cidade, a Praça XV, ostenta um exemplar centenário da espécie, como em vários pontos pode-se observar esta árvore dando sombra e imponência.

A figueira tem toda uma simbologia atrelada a ela. Em alguns religiões, inclusive, exercem importância fundamental em alguns momentos. Para os cristãos, por exemplo, é a primeira árvore a ser citada na Bíblia. Foi embaixo da sombra de uma figueira que Buda teria conseguido sua elevação espiritual. Os judeus a consideram o seu fruto, o figo, um dos alimentos sagrados.

A Figueira Santa
A Figueira Santa

Outro fato é que nem toda figueira dá frutos. Principalmente a encontrada na mata atlântica, e muito comum neste litoral, a Ficus insipida. O nome já diz tudo, os frutos que ela produz não são comestíveis por seres humanos. Não tem sabor. Mas o que a dendrologia não sabe explicar é porque no Ribeirão da Ilha existe uma espécie que dá um dos melhores frutos… do mar.

Trata-se da Santa Figueira. Uma árvore grande e majestosa, hoje cercada por decks de madeira e mesas confortabilíssimas, num espaço cujo parapeito dá de frente para o mar do Ribeirão da Ilha, com um excelente visual para uma refeição saborosa com os seus frutos do mar.

A Bárbara me convidou pra conhecer e o Ian foi junto porque provavelmente nem ele acreditou nessa história. Asseguro que era tudo verdade da chef de cozinha de uma outra Santa, mas essa você conhecerá nos próximos dias. A comida era como um maná, que a religião não ousará desmentir sob pena desta árvore tão simbólica ser alvo de heresia.

Couvert: pães caseiros com pasta de berinjela e sardela
Couvert: pães caseiros com pasta de berinjela e sardela

A Santa Figueira nos recebeu com um couvert. Pães caseiros, muito saborosos e macios, recém saídos do forno com pasta de berinjela e sardela.

Vol-au-vent de vários sabores
Vol-au-vent de vários sabores

Mas queríamos mais de entrada, então pedimos que a Santa Figueira nos surpreendesse. Como quem atende uma prece ela nos deu um Vol-au-vent (descobri que pronuncia-se “vulavan”), ou melhor, um kit destes “copinhos” de massa folhada com recheios diversos: Camarão ao Champagne, Siri ao Saquê e red curry e Funghi. Três de cada.

Ostras Gratinadas à Santa Figueira
Ostras Gratinadas à Santa Figueira

Depois fomos de Ostras Gratinadas à Figueira. Creme de champagne, queijo gruyere e gorgonzola, salpicada com parmesão. Uma dúzia de um fruto típico que as figueiras do Ribeirão dão nessa época do ano, já bem gordas e saborosas. Até porque ir no Ribeirão e não comer ostra é mais feio que bater na mãe. As ostras foram acompanhadas de molhos incríveis: chutney de manga, pesto genovês, molho de limão siciliano e ervas de provence, agridoce e geléia de pimenta.

Polvo Thai
Polvo Thay

Para os pratos principais fizemos um mix de duas opções. Com 5 pessoas na mesa era mais inteligente que pedíssemos duas opções e cada um experimentaria um pouco de cada. Só bons gordos tem essa noção. E a Santa Figueira nos deu primeiro o Polvo Thay. Ah, o Polvo Thay. Ainda que eu falasse a língua dos anjos e falasse a língua dos homens conseguiria explicar o sabor deste prato.

Muito macio, talvez o mais macio que eu já tenha experimentado por dentro e por fora empanado e crocante, bem temperado e salgado na medida, me dá vontade de orar em línguas estranhas tamanho o pentecostes gastronômico desta comida.

Linguado Grelhado
Linguado Grelhado

Depois recebemos, ainda embriagados pela paisagem e pelo sabor, e em reverência ao culto comideirístico do local, o Linguado Grelhado na manteiga aromatizada com água de rosas. Eu achei tão bonito e perfumado que quase joguei pra Iemanjá. Odoiá Odofiaba! Certeza que ela estava ali na beira da praia esperando.

Ambos pratos vinham com acompanhamentos. O Linguado veio com couscous marroquino com frutas secas além de um molho rosé. Já o Polvo Thay veio com um delicioso arroz ao leite de coco, alho e brócolis.

O atendimento da casa é fenomenal. Fomos muito bem acolhidos pela dona Márcia, uma figura ímpar, como poucas que conheci neste meio. Muito gentil deixou-nos o mais confortáveis possível e anotava atencioasmente tudo o que era pedido. O Chef Beto, outro cara incrível, vinha às mesas verificar se tudo estava perfeito. E estava.

Vista para o mar do Ribeirão da Ilha
Vista para o mar do Ribeirão da Ilha

Sempre falo do ambiente, mas desta vez deixarei a foto acima falar por ele. Dentro é tão bonito quanto por fora. Quem quiser crer, que creia.

Toda esta comida, com direito a uns 5 baldes de cerveja, caipirinhas de cachaça artesanal e água saíram por R$100 por fiel.

Se existir céu, e eu for pra lá, espero que tenha uma Santa Figueira me esperando. Eu só sou agnóstico porque acredito nesta promessa. Converta-se!

Santa Figueira Bar Restaurante e Petiscos

  • Endereço: Av. Baldicero Filomeno, 6300. Ribeirão da Ilha. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3337-0598
  • Aceita cartões

Restaurante Pitangueiras: visual e comida boa no Sambaqui

Não costumo dar segundas chances para restaurantes. Se tenho uma experiência ruim com um restaurante é muito possível que eu não volte mais lá. Pode até não virar um review falando dos pontos negativos — e se for só isso nem vira mesmo — mas dificilmente vai ter uma segunda chance.

Financeiramente também é inviável, salvo algumas exceções onde alguns restaurantes nos convidam pra um almoço ou jantar por conta da casa, como divulgação, todas as experiências que eu posto aqui no Comideria são custeadas única e exclusivamente pelo meu bolso. E retornar a um restaurante, principalmente se a conta chega fácil aos três dígitos, fica difícil dar a segunda chance. Até porque se você dá uma segunda, e ela é boa, você tem uma boa e uma ruim, a matemática nos ensina que elas se anulam e você precisaria tirar a prova real com uma terceira visita.

Pitangueiras: foto panorâmica da vista do restaurante, por Luiza Freitas
Pitangueiras: foto panorâmica da vista do restaurante, por Luiza Freitas

Mas existem casos isolados como aconteceu com o Pitangueiras. Há uns dois anos, mais ou menos, estive lá pra almoçar a convite dos meus amigos José Vitor e Luiza Freitas. Além de comer um peixe que deveria ser grelhado na brasa e veio queimado, recebemos um péssimo atendimento e uma demora absurda pra sermos servidos. E por que dou a segunda chance? Era um dia primeiro de janeiro, por volta das 17h, dia atípico do comércio. E se já temos sérios problemas nos restaurantes daqui em dias normais, imagina num feriado destes.

E sábado eu fui lá depois de muito me dizerem o que era óbvio: eu não fui num dia “normal”.

Baden Baden Weiss: R$18
Baden Baden Weiss: R$18

A primeira surpresa foi a bebida. Não sei porque diabos em nenhum restaurante/bar/lanchonete/zona de Florianópolis se acha a Baden Baden Weiss, uma das linhas da cervejaria que mais tem saída. Bebo pouco, mas o pouco que bebo, faço com as trigo. E o Pitangueiras tem. Já mereceu meu respeito.

Pastel de Berbigão (Vôngole)
Pastel de Berbigão (Vôngole). R$3,30

A minha acompanhante nunca havia experimentado um pastel de berbigão. Ela mal sabia o que era berbigão, na verdade, só ligou o nome ao bicho quando citei que era a mesma coisa que vôngole, como é mais conhecido no sudeste. De entrada pedimos dois destes pastéis e mais dois de camarão. Creio que, de toda a experiência, este tenha sido o meu único erro. Não porque era ruim, pelo contrário, os pastéis estavam deliciosos e bem recheados, mas porque a despeito de outros restaurantes de frutos do mar, este era sempre muito bem servido nos pratos principais. Se você pede um prato pra dois, tenha certeza que quatro rinoscerontes famintos podem se alimentar dele.

Linguado Gratinado com Alho Poró e Funghi Porcini
Linguado Gratinado com Alho Poró e Funghi Porcini. R$74

O prato que me chamou a atenção foi um dos que participaram do Brasil Sabor deste ano. Ele acabou sendo incorporado ao cardápio recentemente após este evento de gastronomia e tenho certeza que vai fazer bastante sucesso. É indescritível. O Linguado Gratinado com Alho Poró e Funghi Porcini é uma delícia. São postas generosas e muito macias de Linguado, com camadas de alho poró e cogumelos secos, com um molho muito saboroso.

Acompanharam o peixe uma porção generosa de arroz branco e uma farofa caseira muito boa.

O atendimento foi impecável. Desde o início os garçons, sempre muito simpáticos e atenciosos, trouxeram tudo o que foi pedido sem qualquer erro, nos ajudaram na escolha do prato, conversaram sobre ele, demonstraram total conhecimento não só do menu quanto da carta de cervejas, enfim, atendimento nota dez.

O ambiente é aconchegante. Você pode escolher ficar no salão interno, muito bem decorado com coisas da Ilha, como também pode aproveitar (se for um dia bonito de sol) a área externa e o deck de madeira pra almoçar praticamente em cima do mar e com um dos visuais mais deslumbrantes de Florianópolis.

Vale a visita!

Restaurante Pitangueiras

  • Endereço: Rod. Rafael da Rocha Pires, 2861. Sambaqui, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3335-0398
  • Horário: de quartas-feiras às segundas-feiras, das 11:30h às 0h.
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

 

Comida simples, gostosa, caseira e desconhecida

Uma das características do crescimento de uma cidade é a profissionalização de suas economias. Na gastronomia não é diferente. Florianópolis, por exemplo, apesar de crescer a passos lentos em números de restaurantes que valem a pena uma visita, já oferece algumas culinárias que há pouco tempo era meio intangível. Em dois toques já fazemos um mapa mental onde podemos comer comida japonesa, mediterrânea, portuguesa, alemã, chinesa, tailandesa, italiana, espanhola e toda a sorte de culinárias mundo afora.

Mas pra atender essas demandas os grandes centros confundem a profissionalização com “afrescalhamento” do seu rol de possibilidades. Há uns dois meses tive vontade de comer algo que era comum na minha infância, uma humilde chuleta na chapa, e me dei conta de que todos as lanchonetes onde isso era possível, fecharam. “Deuzolivre” então procurar um lugar pra se comer um camarão com tempero caseiro, o bom e velho alho e óleo, sem ter um garçom que é ginasta russo dando triplos mortais carpados cuspindo fogo pela venta até chegar a tua mesa com quatrocentos e trinta e oito molhos picantes e suaves que ele tirava da manga após um show pirotécnico de 5 minutos.

Então nas andanças das últimas semanas achei dois restaurantes simples, com atendimento cordial porém simples e resteiro, comida de excelente qualidade, pra matar a fome e agradar o paladar, e ainda por cima poder deixar o cartão do BNDES em casa.

Em Biguaçu, a 20km de Florianópolis, conheci o Rancho do Tchesco, com o Everton.

Rancho do Tchesco
Rancho do Tchesco

Um lugar simples, com instalações rústicas porém aconchegante e receptivo. O Rancho do Thesco serve não só lanches (o famoso xis), como porções de frutos do mar e ela, o carro-chefe da casa, a Chuleta na Tábua:

Chuleta na Tábua
Chuleta na Tábua

Uma porção muito bem servida com 3 ou 4 chuletas pesando no total 1kg, polenta frita, aipim frito, esse pãozinho que é uma delícia, tostado na chapa com a gordura da carne e temperos, farofa caseira e uma deliciosa salada básica.

Salada
Salada

Comemos o Éverton e eu feito leões, mas é uma porção que tranquilamente serve bem 3 pessoas. E o preço não chega nem numa onça, módicos R$38,50 o preço desta iguaria.

O Rancho do Tchesco fica na Rua Julio Bekhauser, 254, no bairro Bom Viver em Biguaçu.

Agora se você prefere um restaurante de frutos do mar, quer comer aquele camarão e um peixinho com o tempero bem caseiro e não quer pagar o preço exorbitante que se paga nas praias de Florianópolis, não tem problema. Na beira do mar, porém na região continental da cidade, existe um restaurante chamado Camarão & Cia. Numa rua quase deserta e pouco visível esconde-se esta maravilha da culinária local, que encontrei com a Fabi Cercal.

Camarão & Cia
Camarão & Cia

Não é difícil você chegar na beira de uma praia e desembolsar 200 reais pra almoçar com seu par. O Camarão & Cia, por ter outra proposta e por não ficar numa badalada praia do litoral floripano, te oferece por bem menos uma refeição tão saborosa quanto. Entre 50 e 80 reais, depende da quantidade de pessoas e ítens na Sequência de Camarão, você come muito bem e com bastante opções na mesa.

Camarão ao bafo, alho e óleo e bolinhos de siri
Camarão ao bafo, alho e óleo e bolinhos de siri

Dois bolinhos de siri, uma porção de ao bafo e camarões ao alho e óleo é o primeiro prato logo após uma salada de entrada.

Camarão Milanesa
Camarão Milanesa
Camarão ensopado
Camarão ensopado

Camarão a milanesa e camarão ensopado também acompanham a sequência.

Filé de linguado ou pescada
Filé de linguado ou pescada

Pra quem não quer só camarão, o prato ainda oferece filé de peixe (linguado ou pescada, você escolhe no pedido) a milanesa.

Acompanhamentos: arroz, feijão e pirão de caldo de peixe
Acompanhamentos: arroz, feijão e pirão de caldo de peixe

E, como não poderia faltar, os acompanhamentos tradicionais: um arroz muito gostoso, bem temperado, feijão e pirão de caldo de peixe.

O Camarão & Cia fica na Rua Ministro Ribeiro Costa, 250 no bairro Estreito, em Florianópolis.