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Vieira Grill: churrascaria na Via Gastronômica de Itajaí

Há um famoso efeito em quem viaja pra fora do país e retorna maravilhado com as coisas que se vê onde quer que seja. Alguns chamam isso de complexo de vira-latas, mas é só a dura realidade mesmo: temos muito o que aprender com os gringos. O que eu nunca imaginaria é que eu iria numa viagem despretenciosa parar em Itajaí e sentir algo parecido. Itajaí tem uma pequena mas bem organizada Via Gastronômica onde num lado da avenida há uma orla com estacionamentos pagos regulamentados pela prefeitura e no outro alguns restaurantes das mais variadas cozinhas para o turista ou mesmo o nativo escolher onde comer e beber. Você estaciona com segurança, não fica na mão dos flanelinhas nem depende de caros estacionamentos pra isso.

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E foi nessa parada que conheci a Vieira Grill, uma churrascaria muito bem organizada onde por R$57 você come à vontade os mais de 20 tipos de carnes nobres, um buffet gigante de saladas, pratos quentes e sobremesas variadas. Você pode ainda optar pelo buffet livre, sem acesso aos espetos, por módicos R$35. Ainda assim seria uma grande comideria.

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Logicamente eu fui no espeto. Vocês tinham alguma dúvida disso? Ir na churrascaria pra comer buffet não orna.

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A comida dos buffets é bem honesta. Nada de super supimpa, tem saladas, pratos quentes, algumas carnes pra quem não vai no espeto, risotos, massas, feijão, arroz, farofa… pausa pra respirar… guloseimas como salgadinhos, frituras, kani, alcaparras, palmito, três tipos de queijos finos etc.

Mas volto a dizer: churrascaria é carne! E carne tinha bastante.

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Tinha costela que fica assando numa redoma de vidro na frente do restaurante que é o cartão de visitas da casa.

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Tinha maminha bem temperada e saborosa.

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Tinha picanha mal passada e ao ponto.

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Tinha linguiça campeira, linguiça de carne pura e levemente picante.

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Tinha até carré de cordeiro que já tinha passado um pouco do ponto ideal mas o sabor estava muito bom igual.

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E pra fechar o rango e a conta, sobremesas. Dos mais diversos tipos, sabores, cores e texturas. Desde o tradicional sagú, típico de churrascaria, até pavês e mousses.

Mais pra quê?

Churrascaria Vieira Grill

  • Av. Ministro Victor Konder, 1250. Fazenda, Itajaí/SC.
  • (47) 3083-2266
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Costelaria Ponta d’Agulha: A Pedra Branca também tem

Achei ótima a vinda da Costelaria Ponta d’Agulha para Palhoça. A qualidade deste churrasco tipicamente gaúcho é tão grande que mereceria facilitar o acesso aos moradores do continente à sua excelente comida. E se no mundo dos negócios Maomé nem sempre vai até a montanha, às vezes a montanha vai até o digno cidadão que quer gastar seu rico dinheirinho mas não quer pegar trânsito e filas.

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Outro motivo que fomenta minha felicidade é que o Passeio Pedra Branca ainda engantinha quando o assunto é comida. Mercúrio não pode estar retrógrado, a Lua precisa ser meio cheia e o saco meio vazio pra se tentar tirar leite de pedra, pra ver se você consegue comer bem em alguns dos locais que se instalaram por ali. O que eu acho triste, claro, porque sou um grande fã do empreendimento, da cidade e da idéia magnífica daquele espaço democrático e acolhedor.

Mas voltemos às vacas frias, falemos de costela que é amor.

O competente e simpático garçom Davi que nos atendeu no último domingo me garantiu que a qualidade da matriz se reflete na filial. E, tendo comido e feito review dos dois lugares, posso garantir que a qualidade acompanha e a reputação ainda a precede.

Comer na Costelaria é um resgate aos sabores mais simples de uma boa carne assada sem firulas, de acompanhamentos rústicos e caseiros com um toque especial dos cozinheiros e um serviço de primeiríssima qualidade que não restringe às fronteiras das pontes.

A refeição que fiz na Pedra Branca foi quase a mesma que na loja da SC-401, em Santo Antônio de Lisboa. A diferença é que pedi umas entradas, as mais típicas.

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Comecei no típico pão de alho. Crocante por fora, macio e úmido por dentro, saboroso ao extremo.

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A linguicinha idem. Embutido de excelente qualidade, carne de boa procedência e sabor inigualável.

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Coube à janela de costela os grandes aplausos, não só pela sua maciez mas também pelo melhor sabor possível extraído desta carne que é tão controversa dentro das churrascarias. A gordura, quase toda derretida no calor da brasa que nunca apaga, garante o toque que toda carne precisa.

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E o que falar daquela maionese? Ou, se você é de fora, a salada de batatas com molho de maionese? Não posso nem jamais trairei a maionese da Riosulense, não cometei tal heresia. Mas se tem uma maionese capaz de competir pelo primeiro lugar neste ranking tão oblíquio, esta é com certeza a da Costelaria Ponta d’Agulha.

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Pedi também a farofa, não dava pra deixá-la de lado. Quase que uma companheira fiel à maionese (alguns acham que é da carne, mas eu gosto de degustá-la sem nada), a farofinha veio um pouco tostada e bem temperada. Uma iguaria que passa despercebida pra quem não bom coração com esta instituição da culinária brasileira.

Preciso dizer alguma coisa mais? Um post rápido pra registrar a chegada da Costelaria Ponta d’agulha ao meu querido continente, a prova do crime, a confirmação da qualidade já contumaz e os votos de vida longa!

Nota: a conta fechou em aproximadamente R$100 e serviu bem duas pessoas que ainda levaram carne numa quentinha pra casa.

Costelaria Ponta d’Agulha

  • Rua da Praça, 241. Passeio Pedra Branca, Palhoça/SC.
  • (48) 3283-0164
  • Aceita cartões
  • Estacionamento
  • Wifi

Peña del Sur: uma parrilla for de campeira

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Já havíamos comido e todos no restaurante estavam satisfeitos acompanhando o som do músico Branco, que às sextas-feiras faz sua apresentação na casa. Entre Zé Ramalho e Chico Buarque também cantava uma que outra da Mercedes Sosa, o que já era prenúncio do que estava por vir. Então o Eduardo, proprietário e parrillero, que já havia dado o seu show nas carnes nos servindo excelentes cortes e acompanhamentos se abraçou ao violão e dedilhou uma milonga. Era Flor-de-campeira o nome da música, já conhecida na voz do Cristiano Quevedo, um dos artistas que acompanho nessa xucra música do Rio Grande do Sul. Se a comida já havia agrado, e muito, agora estava transcendendo na visita ao Peña del Sur.

Já havia notado que a casa, além de sua comida, tinha um forte apelo às tradições latinomaricanas. A própria parrillera tem as incrições “Gracias a la vida”. É uma música da chilena Violeta Parra que também imortalizou-se na voz de Mercedes Sosa.

E eu, que já havia me emocionado com uma simples frase em cima de uma churrasqueira uruguaia queimando brasa, tive que esconder uma que outra lágrima quando o chef cantou “Zamba de Mi Esperanza”. Pensei comigo: “qual é? Isso é Santo Antônio de Lisboa, um antro cultural de Florianópolis, mas ouvir La Negra sem estar em Tucumán ou Los Chalchaleros sem precisar ir até Santiago Del Estero, relativamente do lado de casa, é demais pra mim”.

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Isso tudo porque os ex-bancários Ana Paula e Eduardo deixaram sua terra natal pra investir em um gosto pessoal: a cozinha e o churrasco uruguaio. E eles não poderiam ter acertado mais. A casa é linda, bem decorada, aconchegante e te faz querer ficar horas ali comendo um queso parrillero, uma carré de cordeiro… ouvindo boa música, bebendo um vinho ou uma cerveja argentina, conversando com pessoas incríveis e acolhedoras, aproveitando cada segundo dessa experiência que envolve muito mais do que alimentar o corpo: saciar a alma.

Poderia dizer que a comida faz parte da experiência que se tem no Peña del Sur, e não é a única. Mas como aqui a intenção é falar dela, deixo essa prosa de quem muito se agradou pelo conjunto da obra e vamos falar da bóia.

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O cardápio é simples e tudo é feito na parrillera, tirando as saladas e sobremesas, evidentemente. Ele divide-se em gado, porco, linguiças, diversos e miúdos. Numa parrilla tradicional não existem acompanhamentos fixos, você pode combinar o que quiser. Eu pedi de entrada uma linguiça mignon e o pão com chimichurri. Linguiça de carne suína pura, uma delícia se assada numa dessas churrasqueiras. O pão levemente crocante e saboroso coberto pela combinação de ervas mais degustada nos nossos vizinhos fronteiriços. Todos os pratos da casa são acompanhados por farinha e salsa criolla.

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Depois comi o Queso parrillero, aquela famosa provoleta que onde é servido é sempre campeão de vendas. Um provolone delicioso, de boa procedência, com ervas garantindo seu sabor e aromas.

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Experimentei também outra figurinha carimbada das parrillas: a molleja. Molleja é o timo assado na brasa, uma glândula endócrina da rês que acompanhada de sal e limão, assim como assim, têm uma textura gordurosa e muito, mas muito saborosa.

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Meu prato principal foi o Carré de Cordeiro. Cinco generosos carrés da ovelha jovem, prato delicadamente decorado, também bastante aromático pelas ervas e pelo alecrim que o adorna. No ponto delicioso de se degustar um cordeiro, maciez e sabor.

Ainda experimentei outros pratos que meus fieis companheiros de comida e música gaudéria Everton e Samantha pediram e compartilharam. Essa é a sina do blogueiro de gastronomia, evidentemente.

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Teve Contra-filé

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Papa 3 quesos, que é uma batata cortada ao meio e assada no papel alumínio com gorgonzola, provolone e catupiry. Deliciosa!

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Teve o Assado de tiras, outro bastante conhecido de allá, um jeito diferente do nosso de comer costela bovina.

Do início ao fim, todos os pratos me agradaram e sequer têm alguma reparação a ser feita. Perfeito serviço, perfeita comida, perfeito atendimento feito por dois garçons muito gentis e competentes, que transformaram nossa visita ao Peña del Sur a mais perfeita possível.

O preço é bastante honesto, comemos bastante por algo em torno de R$90 por pessoa. Quase de graça. A casa não cobra couvert e, sou suspeito pra falar, mas dá um banho no quesito música.

Há muito um restaurante não me emocionava. Não garanto que vá te emocionar pelos mesmos motivos, se falo aqui de um gosto por uma cultura bastante específica. O que posso enfatizar é que uma experiência lá é agradável, saborosa e com preço justo. De sair lambendo os beiços e com o coração leve.

Gracias à la vida, gracias aos proprietários, gracias aos músicos e gracias aos garçons!

Peña del Sur Assados de Parrillada

  • Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 568. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 3236-5145
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Boteco Zé Mané: comidinha de boteco da melhor qualidade

Numa segunda-feira de dezembro o #gastromalucos reuniu-se mais uma vez na incessante busca pela boa comida e boa bebida. Dificilmente damos tiro n’água, onde essa procura resulta-se sempre em “uma enxadada, uma minhoca”. A pedida da vez era algum boteco, comer comidas de boteco, beber bem e jogar conversa fora.

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Já fui no Boteco Zé Mané umas duas ou três vezes, na primeira inclusive passei por uma situação que relatei aqui no blog de forma generalizada e a proprietária prontamente aceitou a crítica e explicou-se, fazendo o que todos os proprietários de restaurantes em Floripa deviam fazer e não fazem. Só aí ela já ganhou minha eterna admiração.

Mas o tempo passou, voltei lá algumas vezes e só agora fui com o espírito para fazer um review. Até porque estava com vontade de comer o tal Pirão d’água com Linguiça Frita, uma iguaria da nossa região e que esteve muito presente na minha infância na casa da vó.

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Pirão bem feitinho, saboroso, sabe? Poucos sabem deixar o pirão gostoso temperando-o bem. A linguiça nota-se que é de boa qualidade, e a gordura que sobra dela — lembre-se que estamos num boteco onde é permitido botar o pé na jaca e comer toda a sorte de gorduras — enriquece o caldo do pirão.

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É claro que não cheguei com os dois pés na porta comendo pirão, havia experimentado no início o Caldinho de Feijão deles. Bem gostoso, sem muito frufru mas temperadinho do jeito que deve ser. Acompanha uma torradinha, bacon frito e é coberto por cheiro verde.

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Depois pedi Meio da Asa Picante, que são o que em alguns lugares chamam de “tulipas de frango”. Mais fritura, claro, não poderia ser o contrário. Ela vem picante na medida até para quem não curte muito pimenta, ou não a suporta em demasia, mas acompanha uma geléia de pimenta, essa sim para quem gosta um pouco mais do condimento.

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A Michele pediu o Ovinho Rosa Choque, que são ovinhos de codorna cozidos e curtidos na água da beterraba para ganhar esta coloração típica dos botecos mais pés-sujos deste Brasil varonil. Um detalhe importante é que eles não usam ovos de codorna e conserva, ficando aquele gosto rançoso de vinagre. Provavelmente são cozidos ali mesmo, de véspera, e têm um gosto muito bom.

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Comi também o Queijo Coalho Grelhado, que é acompanhado e majestosamente guarnecido e besuntado com melado de cana. Campeão de audiência das churrascarias, parece-me também que virou iguaria de boteco, quem agradece são os boêmios que precisam fazer a base pra cerveja não pegar muito rápido. Gordura e glicose fazem bem este papel.

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E pra fechar com chave de ouro as comidinhas de boteco que entre um papo e outro iam sendo devoradas, experimentei o Mini Churros. Churros bem fininhos e sem recheio, o que confere aos churros a possibilidade de não ficarem tão passados. Massinha leve e saborosa, acompanha uma canequinha de metal com um saboroso doce de leite para você mesmo colocar.

O cardápio é composto por algumas entradas, quitutes para uma pessoa só, porções para mais pessoas, comidas mais elaboradas na “panelinha” como rabada, vaca atolada e o que me chamou bastante a atenção e que nunca vi por aqui, o Arroz de Puta Pobre. Há também alguns sanduíches e PFs, pra quem dizia que não existia onde comê-lo a noite na capital dos catarinas.

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Algo que me chamou bastante a atenção é que ficamos numa mesa ao lado de uma imensa adega de cachaças. Não suficiente, havia, inclusive, uma CARTA de cachaças das mais variadas, separadas por região e por qualidade. Mais de 100 rótulos para atender todos os gostos e preferências daqueles que não vão a um boteco sem experimentar a deliciosa bebida mais popular deste país.

O atendimento da casa funciona. Um pouco demorado, verdade, mas funciona sem grandes problemas. Isso foi algo que notei vezes em que visitei o Boteco. Mas nada que manche a experiência gastronômica e o prazer de estar com bons amigos falando mal da vida alheia.

A conta fechou em cerca de R$80 para duas pessoas.

Excelente dica pra quem está por Coqueiros e quer enfiar o pé na jaca!

Boteco Zé Mané

  • Endereço: R. Desembargador Pedro Silva, 2360. Coqueiros, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 9962-6258
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

Gato Mamado: um bar simpático e com atendimento VIP

Gosto de comida de boteco. Não é daquelas comidas que você sai somente para degustá-la, as vezes ela nem é suficiente pra matar a fome,  ela geralmente acompanha uma bebida, uma boa conversa ou alguns ressábios. Como diz um índio xucro da Forquilinha, é “pra salgar a palavra”.

O Chiquinho é um cara bom de prosa. Me chamou no chat do Facebook perguntando onde era a janta. Não refugo bolada, principalmente se o convite envolve boa conversa e comida, e uma hora depois largávamos nossas empresas pra conhecer o Gato Mamado, já avalizado pelo Guilherme e pela Michele.

Gato Mamado Snooker Bar
Gato Mamado Snooker Bar

O recém aberto snooker bar ainda estava vazio quando chegamos, escolhemos uma mesa e o ouvimos um bom rock enquanto aguardávamos nossas bebidas.

Chope Schornstein Weiss e Michele com sua Margarita.
Chope Schornstein Weiss e Michele com sua Margarita.

Abri uma exceção e pedi um chope. Sou homem de pouca bebida, mas unzinho pra relaxar não faz mal. Aliás dois. Weiss. Chope de trigo da Schorstein, cervejaria catarinense que bate de frente com todas as outras marcas conhecidas de cervejas especiais que o bar oferece. E não são poucas.

Mesas de sinuca, diversão garantida
Mesas de sinuca, diversão garantida

Numa das quatro mesas oficiais de sinuca provamos que precisamos  de mais sustância pra sermos considerados botequeiros de primeira categoria. Mas de comida entendemos, e pedimos alguns quitutes.

Carne de onça. Quer uma dica? experimente!
Carne de onça. Quer uma dica? experimente!

Abrimos com essa carne de onça. Iguaria que eu inclusive ainda não havia experimentado. Conheci ontem. Bah! carne bovina crua picada na faca curtida na cebola, alho, pimenta, sal e bastante azeite de oliva. Tudo isso em cima de uma fatia de torrada levemente crocante. Tem um sabor incrível, delicioso e acompanha muito bem uma cerveja.

Linguiça Blumenau Flambada
Linguiça Blumenau Flambada

A gente já estava na segunda partida de Bola 8 quando chegou o outro prato. A linguiça Blumenau tem o mesmo efeito do bacon, pra mim. Nada que vá essa linguiça pode ficar ruim. Não deu outra. A Linguiça Blumenau flambada acompanhava fatias de pão de trigo e molho de mostarda, igualmente delicioas.

O Gato Mamado é daqueles lugares pra voltar sempre. Não tem garçons, quem te atende é o dono da bodega, que é quem confecciona os pratos e serve a bebida. É de inigualável simpatia e hospitalidade. Além disso o preço é honesto.

A conta com as bebidas, comidas e a sinuca ficou em torno de R$35.

Ah, e se alguém quiser me ensinar a jogar sinuca direito, tô aceitando.

Gato Mamado Snooker Bar

  • Endereço: Rua Des. Arno Hoeschel, 81. Centro. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3225-0933
  • Horário: das 19h até a hora que sair o último vivente.
  • Aceita cartões: sim

Um delicioso carré de cordeiro no Meat Shop

Este é mais um daqueles posts difíceis de escrever. Comentava com alguns amigos dia desses que tenho lugares que visitei há quase um ano e ainda não consegui tirar do rascunho do WordPress pois é complicado transformar a experiência em palavras, existem alguns lugares que são simplesmente indescritíveis e de tanto apego que ele causa você acaba não querendo minimizar nenhum detalhe e não acha justo não ter espaço sem ficar cansativo.

Meat Shop Grill
Meat Shop Grill

Por outro lado não falar de restaurantes como o Meat Shop, onde todo o serviço é perfeito, é mais injusto ainda portanto segue o baile e eu espero que você capte a essência do lugar mesmo tendo a nítida certeza que eu não conseguirei passar tudo o que quero.

O Meat Shop é uma boutique de carnes aberta diariamente na capital dos catarinenses, localizada na rota das praias do norte da Ilha e que a noite viram um restaurante. Com a devida excusa ao meu guru churrasqueiro Marcos Bassi, é também um templo da carne. Templo, sabemos, vem do latim templum e quer dizer “local sagrado”. Perfeito, define o que é.

Pães e pastas
Pães e pastas

Não foi minha primeira visita por lá, nesta que relato experimentei um carré de cordeiro dos deuses. Mas o restaurante é especializado em cortes de carne no estilo uruguaio, substitui os espetos por grelhas, peças inteiras por cortes especiais e serve à lá carte. Na primeira vez em que lá estive, tive o prazer de comer uma mini-parrilla que, sendo você um grande fã de carnes, recomendo e atesto. Um composto de asado de tiras (costela bovina em fatias), linguiça de pernil recheada com queijo grana padano, sobrecoxas de frango desossadas e carré curto de cordeiro. Um pouquinho de cada coisa, uma espécie de menu degustação que serve bem duas pessoas e inclui acompanhamentos.

Carré de Cordeiro
Carré de Cordeiro

Nesta última vez pedi um carré de cordeiro, que é um corte tradicionalmente francês e é extraído entre o lombo e a costela da ovelha jovem, geralmente até 1 ano de idade. É uma carne macia e de pouca gordura, suculenta e muito saborosa se bem preparada.

Mas o carré pelo carré não necessariamente é uma carne deliciosa de nascença como uma picanha. É muito fácil você estragar o corte, basta deixar assar demais ou não temperá-la da forma que precisa. O Meat Shop faz isso com maestria, a carne veio no ponto certo de saboreá-la e com um tempero — juro! — tive vontade de perguntar qual era. Além disso ela é servida com um delicioso molho a base de geléia de hortelã, uma erva que combina muito bem com esta carne.

Linguiça de pernil caseira recheada com queijo grana padano
Linguiça de pernil caseira recheada com queijo grana padano

Eu sabia que ia me atrapalhar neste post, já avisei no início. E agora não vou editá-lo, mas “acavalei” a sequência. Ela foi aberta por um produto bastante conhecido da casa, aliás tem produção própria da boutique de carnes, a linguiça de pernil recheada com queijo grana padano. Uma entrada é muito bem sucedida quando você tem a nítida impressão que poderia comê-la o jantar inteiro, sem esperar o prato principal. É isso que acontece com este embutido, se for lá não deixe de experimentar. Também pedimos pães especiais que vieram acompanhados com molhos e pastinhas.

Acompanhamentos: arroz, purê de aipim, farofa e molhos
Acompanhamentos: arroz, purê de aipim, farofa e molhos

O prato principal acompanha ainda uma porção de arroz, um saborosíssimo purê de aipim e farofa da casa, além de molho chimichurri e vinagrete.

O ambiente é bastante aconchegante, todo decorado como uma antiga casa de campo, em madeira rústica e com decoração peculiar, permite uma refeição bastante tranquila, com baixa iluminação, perfeito para um jantar romântico ou uma conversa mais reservada. É um espaço pequeno, ou seja, você precisa reservar antes pra não correr o risco de ficar sem mesa. E por ser pequeno garante ainda mais a exclusividade e a tranquilidade na hora de apreciar uma boa carne.

Adega
Adega

Num segundo espaço, uma adega climatizada com rótulos selecionados por quem entende do mundo dos vinhos, e com uma mesa neste ambiente para que você os deguste ali mesmo se preferir.

Boutique de Carnes e empório
Boutique de Carnes e empório

Na boutique de carnes, que fica aberta até as 20h, os mesmos cortes que são servidos no restaurante podem ser adquiridos frescos, pra tentar reproduzir em casa a receita. Além das carnes você pode levar ainda os embutidos de produção própria que citei acima, vale a pena. No mesmo lugar também funciona um pequeno empório com especiarias, molhos, mais alguns vinhos acessórios para se preparar sua própria carne em casa.

O jantar inteiro custou cerca de R$70 por pessoa, com bebidas e entradas inclusas.

Comer no Meat Shop não é simplesmente alimentar o seu corpo com as carnes mais saborosas de Florianópolis, é transcender até a descoberta e domínio do fogo quando os hominídeos tiveram a primeira experiência com carne assada, quando suas papilas gustativas se abrem para este novo mundo de sensações. Comer no Meat Shop é transcender.

Meat Shop Grill

  • Endereço: Rod. SC 401, KM 4. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3242-9548
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim