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Camarão à Parmeggiana da Cantina Zabot: não sabe brincar, não desce pro play

Quando eu cursei Administração, era um aficionado por entender as lideranças. Aquelas pessoas iluminadas que quando chegam num ambiente são respeitadas, ouvidas, entendidas e com uma enorme capacidade de engajar os seus. Mas ao passo que eu tentava entendê-las nos livros no melhor estilo Quem mexeu no meu queijo? mais me afastava das respostas que eu me fazia. Estas pessoas estão na padaria da esquina, num escritório num quarto andar do Fantastic Office Mega Power ou em qualquer lugar que não tem um Virando a Própria Mesa na estante, me perdoe o Ricardo.

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De uns tempos pra cá comecei a observar o Amauri Zabot, que toca o restaurante que carrega o seu sobrenome, já referência na gastronomia da região. E se eu tenho um ritual de religiosamente chegar ao seu restaurante uma vez por semana, pedir o meu executivo milanesa, uma água com gás com gelo e começar saboreando a refeição pela salada que já é um grande diferencial dos demais, o Amauri também tem o seu. Diariamente ele chega na Cantina Zabot, entra pela porta de vidro, faz o sinal da cruz, cruza o salão e vai até a cozinha até largar um sonoro “bom dia, pessoal!” e depois, de mesa em mesa, cumprimenta aqueles que pagam a sua folha de pagamento, desejando as boas vindas e perguntando se está tudo bem, não importa se você está lá pela primeira vez ou já é um velho conhecido. Feito isso, ele pode ir resolver algum problema ou mesmo tomar a posição de hostess onde na icônica porta de vidro continua a receber quem chega. Não importa se faz chuva, fazSol, é dia útil ou dia santo, ele está lá. E a cordialide junto.

E não é só isso, Zabot é um líder. Ele entende que bronca se dá escondido e elogio se faz em público. Trata bem e com carinho seus funcionários, é correspondido e admirado. Por isso a cozinha sempre funciona, o atendimento é rápido e a comida está sempre ótima. Não me recordo de um dia sequer que eu tivesse comido mal lá dentro.

E foi assim que aconteceu no domingo quando com minha mãe estive pra degustar um camarão, seu carro-chefe que bota inveja na concorrência. Eu já estava na casa quando ele chegou e cumpriu seu ritual enquanto eu cumpria o meu, começando pela salada como mencionei uns dois parágrafos atrás. Ele se benzeu, cumprimentou a casa lotada e já com fila de espera, e se preparou pra mais um dia de trabalho, servindo e liderando um time que joga redondo e dificilmente perde.

Mas vamos falar de comida? Já puxei o saco demais dele.

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Já havia falado aqui sobre meu milanesa favorito, agora falo sobre o camarão. E a primeira dica pra se comer um camarão no Zabot é: vá com fome ou com mais gente. Mesmo as menores porções servem muito bem de 3 a 4 pessoas. A maioria dos pratos vêm nos tamanhos 500, 700 e 1200g. Os 500g de Camarão à Parmeggiana que custam R$110 e, aparentemente, o número assusta, serviram nós dois, sobraram pra janta e tenho a impressão que se congelarmos as sobras almoçaremos até dezembro. É muita comida, mesmo.

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Isso porque além desse camarão ainda vêm os acompanhamentos tradicionais: salada mista, maionese, farofa, fritas, arroz e feijão. Todos os pratos são bem frescos, saborosos e exageradamente bem servidos. No Zabot é assim: não sabe brincar, não desce pro Play.

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Faltou falar o quê? Do camarão? Já disse que é o melhor, não disse? Vamos descrevê-lo: crocante, mesmo na versão parmeggiana e com molho vermelho e queijo, o que em tese murcha o milanesa. Lá não. Vem crocante, saboroso e bem apresentado. Se puxar uma colherada e não rolar o efeito chicletinho no queijo derretido, não tá certo. Pode cobrar.

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O cardápio do Zabot é grande e não dá pra “experimentar um pouquinho de cada coisa”, tática velha de guerra de blogueiro de comida. Mesmo o prato menor, como falei, é um exagero de comida. Faz jus ao lema da casa “Quantidade com qualidade”. Mas você pode ir lá, experimentar o Parmeggiana e depois explorar as mais diversas delícias do cardápio. Vai por mim. E se algo vier errado, não tem erro: O Amauri vai passar na tua mesa e resolver.

Cantina Zabot

  • Av. Leoberto Leal, 157. Barreiros, São José/SC
  • (48) 3240-0436
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Careca Petiscos: zeramos São Miguel

“Você entra na marginal da BR-101 onde começa o Balneário de São Miguel, tropeça na primeira pedra após a Casa do Peixe e chegou no lugar”.

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Foi mais ou menos assim que conheci o Careca Petiscos, um pequeno restaurante/bar na beira da única praia quase balneável de Biguaçu após receber indicação de que ali serviria boa comida. Isso porque a pequena casa no estilo residencial que abriga o restaurante tem pouca identificação de que ali serve-se comida, há uma pequena inscrição no portão na lateral oposta um aviso de buffet de sorvetes, e é somente entrando no lugar que vemos algumas mesas, e já saindo da casa pelos fundos temos um deck de madeira e, claro, como não poderia deixar de sê-lo, a própria areia da praia.

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Tudo é muito rústico, desde as mesas, cadeiras até os pratos. É fácil ver uma cadeira “pichada” com corretivo (liquid paper), sabendo que aquilo já pertenceu algumas vez alguma escola, ou mesmo um prato com o logotipo da Pizzaria Vó Luzia, falecida líder no ramo no Kobrasol.

Comecei pedindo bebidas e petiscos. Pedi uma 1/2 dúzia de ostras gratinadas e a mesma quantidade ao vinagrete. Substituímos por mariscos ao sermos informados que não teríamos ostras in natura. Ponto positivo: não tem produto fresco, não vende. Gosto de restaurantes que vendem apenas o que acreditam ser bom.

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As ostras não estavam em sua melhor forma, muito magras e perdidas num mar de molho branco sem muito sabor. Apresentação bonita mas o tempero e os ingredientes deixaram um pouco a desejar (punição pra quem, como eu naquele dia, acha que ostra precisa de alguma cobertura. Ostra boa é ostra crua).

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Já os mariscos estavam saborosos, embora a cara deles não pareçam lá essas coisas na foto, mas o vinagrete da casa é delicioso, assim como os moluscos. Prova de que quem vê cara não vê coração.

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Depois veio o prato principal, que optamos por Camarão à Milanesa. Uma robusta porção do crustáceo mais desejado e supervalorizado por estas bandas, fritos na hora e com a farinha que foi empanado bastante temperada. Isso conta bastante: camarão é uma coisa que por si só não tem muito sabor característico, dependendo da espécie usada. É no feitio que você conhece o cozinheiro e eles estavam deliciosos. Ainda vieram molho de maionese e rosê pra acompanhar e dar aquela caprichada no gosto.

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Este camarão é comumente guarnecido de arroz branco, pirão de peixe e salada. Tudo bem saboroso, caseiro, com tempero simples e gostoso, mas destaque mesmo é para o pirão de peixe. Talvez o mais próximo ao tradicional comida em casa que eu tenha experimentado até agora, feito sem tomate ou coloral pra dar cor, com caldo de peixe puro e o tom esverdeado se dá pela quantidade industrial de cheiro-verde. Uma delícia, de ficar repetindo até acabar e pedir outro.

No mais, dois pontos negativos: 1) a demora em que foi servida a comida. O restaurante estava vazio e mesmo assim esperamos mais de 1h para comer e 2) o preço. Comida simples e lugar simples, mesmo que muito saborosos e aconchegantes, pedem preço simples. Nada que justificasse os R$150 pagos pelo almoço que serviu duas pessoas.

Se por um lado a conta foi salgada, pelo outro os 10% cobrados foram mais que justos: o garoto que nos atendeu, Fernando, é um mestre em simpatia e gentileza. Já vi caras formados e pós-graduados nessa difícil tarefa de servir pessoas famintas não terem 10% da gentileza deste rapaz. A grande Florianópolis precisa de caras assim.

No fim, fica a recomendação da visita, se você estiver disposto a pagar o preço um pouquinho mais salgado que o normal. A vista, com certeza, é deslumbrante e ajuda na conta.

E, se não toparmos por nenhuma outro restaurante escondido, zeramos São Miguel. É a primeira Via gastronômica que podemos dizer que já visitamos TODAS as casas.

Careca Petiscos

  • Brigadeiro Eduardo Gomes, 2254. Balneário de São Miguel, Biguaçu/SC.
  • (48) 8428-3410
  • Estacionamento
  • Aceita cartões

Bar do Vadinho: não é manezinho quem nunca comeu lá

Nove em cada dez pessoas que me falam sobre o Bar do Vadinho dizem que o lugar é simples. Simples e saboroso. Não é que o restaurante seja simples. Ele só não tem a mania de sofisticação e grandeza que outras casas têm pra trazer a França, Itália e qualquer comida contemporânea para o seu cardápio. Aliás, o Vadinho não tem cardápio. Um restaurante que não tem cardápio e lota das 11 às 16h é qualquer coisa que queiramos classificá-lo, menos simples.

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Se você for visitá-lo na alta temporada(15/12 à 15/03) até vai se deparar com algum folheto plastificado mostrando algumas opções como o rodízio de lulas, camarões, alguns peixes diferentes, mas de março à dezembro, quando ele abre apenas aos sábados e domingos, o prato da casa é um só.

Pra entender o Bar do Vadinho precisa-se conhecer o próprio. Vadinho é filho de pescadores e fez desse o seu ofício a vida toda. Cresceu pescando nas águas do Sul da Ilha e aos 17 anos de idade já singrava os mares da Bahia até a Argentina em busca de pescado para a indústria. Durante 30 anos fez desse o seu ganha pão, assim como boa parte dos homens e mulheres da sua localidade. A casa onde hoje está o seu restaurante é da própria família há nada menos que 114 anos. Simples sou eu me mudei ano passado e já quero trocar de apartamento. Simples é esta minha alugada morada que é feita do pior tipo de cimento, a casa do Vadinho é feita pedra e tem como argamassa óleo de baleia, artefato comum naquela época.

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Vadinho anda, se veste e fala de forma simples. Mas não é na simplicidade que sua grandeza se traduz. Em poucos minutos e com uma fluidez de um papo muito envolvente ele linka a mesa ao lado, de um casal de mais idade, frequentadores da casa desde sempre com a nossa. “Hoje é a primeira vez deles aqui”, disse ao casal. “Acho que vão gostar e voltar”. O casal confirmou com a serenidade de quem sabe que o simples legado é maior que qualquer palavra.

Mas vamos falar de comida porque se deixar faço que nem o Vadinho: a tarde passa voando e nem notamos que aguardamos uma hora pra uma mesa, e mais algum tempo para recebermos a comida. Isso mesmo, nem notamos que esperamos quase duas horas desde que chegamos até comermos. A casa enche após ao meio-dia e até as quatro da tarde a concorrência é grande. Tudo ali é feito na hora, absolutamente na hora, não há nada pronto. A bem da verdade nem o peixe está congelado, tudo o que é servido é pescado ali por perto. “Eu tenho uma garoupa ali no freezer há quatro meses. Posso fazer, se alguém insistir. Mas prefiro que vocês comam o que eu tenho fresco, que é melhor e ainda é barato”.

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Como disse no início do post o Bar do Vadinho oferece o “prato da casa”. Esse prato custa R$27 por pessoa e pode ser repetido quantas vezes você quiser, embora eu duvide que com a fatura em que é servido alguém consiga, de fato, pedir mais. Na mesa vem: arroz branco, feijão, pirão de caldo de peixe, batata frita, salada mista, peixe frito em postas, filé de peixe à milanesa e “estopa” de arraia, que é uma arraia desfiada ensopada.

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Não sei se devo falar exatamente de cada coisa que é servida, mas poderia definir como “excelente” todos os ítens. O arroz, bem temperado e preparado; o feijão: sal, alho e só; a batata frita que é batata de verdade e não aquelas congeladas de supermercado. Gostinho de batatinha feita em casa; o pirão tem o tempero da minha avó, comfort food na veia; a tal da arraia desfiada, que há tempos não via em nenhum restaurante ilhéu, mais tradicional impossível, é de comer abraçando o Franklin Cascaes.

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O peixe frito em postas era Gordinho. Temperado com sal e bem frito, sequinho, sem excessos de gordura; à milanesa tem o filé de peixe-espada. Esse não dá tempo de agradecer, elogiar ou abraçar ninguém, é pra lamber o prato.

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Tudo, tudo feito ali é gostoso. Tudo o que o Vadinho oferece tem gosto de Florianópolis, pode-se afirmar sem qualquer dúvida que esta comida é a comida do mané, este é o retrato da nossa terra e da nossa cultura. Sem medo nenhum de errar afirmo que é a cara da cidade. Fora dos holofotes, verdade, mas nem por isso menos autêntico.

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O Vadinho também oferece o seu tradicional pastel de camarão. Assim como o restante da comida, tudo caseiro. A exemplo da batata-frita, o pastel tem gosto de feito em casa, muito bem recheado e bordado de camarão, sem mixarias.

Nada disso era simples. Pode parecer simples porque é o que fomos (eu pelo menos fui) ensinado a comer quando pequeno. Cresci chupando espinha de peixe e farinha de mandioca era ítem indispensável na despensa. Mas nenhum ítem deste prato é simples, é comida feita com a complexidade de uma cultura que levou décadas pra ser moldada. Tradição, jeito de preparar os alimentos, temperos que tomaram muito tempo nas mãos habilidosas das cozinheiras pra ficarem do jeito que estão. Simples é aquela comida pronta, aquele salmão congelado que você come num restaurante de meia pataca e que te cobra um rim. Simples é nossa mania de reduzir o que não é rebuscado.

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Já terminávamos a refeição quando o casal da mesa ao lado passou e perguntou: “o que vocês acharam? gostaram da primeira visita?” só consegui pensar que a vida é muito curta para as novas frivolidades gastronômicas. Aquele casal, assim como eu, dirigiu vários quilômetros de São José até o Pântano do Sul e faz isso com bastante frequência porque eles sabem valorizar o que é bom, simples ou não.

Ao Vadinho, essa figura lendária e folclórica do Sul da Ilha, vida longa para que dê tempo de todos vocês, meus leitores, conhecê-lo e se tornarem assíduos do que julgo uma das melhores experiências gastronômicas que já tive na vida. Simples assim.

Bar do Vadinho

  • Rua Manoel Vidal, 305. Pântano do Sul, Florianópolis.
  • (48) 3237-7305
  • Aceita cartões

Botequim du Cais: Empanadas criollas na Costa Esmeralda

Já havia comido em Bombinhas. Os restaurantes que escolhi não eram bons, acabei ficando com uma má impressão do lugar. Mas como a sina do blogueiro de gastronomia é uma atitude de perseverança atrás da outra, neste domingo resolvi aportar novamente na Costa Esmeralda pra conhecer outro pedaço deste pequeno paraíso escondido no litoral norte de Santa Catarina: Porto Belo.

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Dessa vez não fui com uma mão na frente e outra atrás, pesquisei bastante antes de escolher um lugar pra comer. Resolvi seguir a dica da minha “colega de profissão” Daniele Bruxel. Além de morar na região conhece os restaurantes de lá como a palma da sua mão, afinal defende a gastronomia local como food hunter dos Destemperados.

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E eu não poderia ter feito coisa melhor. Primeiro porque o lugar é muito simpático. Num prédio muito bonito, de frente para o píer de Porto Belo, com uma linda praia de mar que exala beleza mesmo em dias nublados com o sol aparecendo de vez em quando e comida muito boa.

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O cardápio do Botequim du Cais é bastante completo, mas não é puro “embromation”. Várias opções que atendem todos os tipos de paladares. Os proprietários são argentinos então é comum ver ingredientes locais com uma forte tendência castelhana no restaurante.

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Uma boa prova disso é que os pastéis são substituídos pelas empanadas criollas, comida típica argentina trazida pelos espanhóis. E foi por elas que comecei a experimentar o cardápio. Na mesa comemos as de Camarão (que vai queijo catupiry junto), Carne Picante, Cebola e Queijo e Calabresa. A de camarão, que foi a que comi, era muito bem servida. Recheio em cada canto do quitute, nada de mixaria quando o assunto era recheio.

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Poderia ficar meia hora falando dessas empanadas, do quanto o sabor delas é incrível, da quantidade de recheio, do tempero, do molho picante que acompanhava todas elas… mas acho que as fotos falam por si.

Mas era preciso comer algo com mais sustância, precisava passar mais tempo naquele lugar calmo (fora da temporada) e queria ficar vendo aquele marzão lindo por infinitas horas. Então fomos ao prato principal.

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Eu e a Aline comemos Peixe ao Queijo Azul, um prato principal que serve duas pessoas. O prato consiste em filé de peixe (linguado) grelhado e coberto com um delicioso molho branco com queijo gorgonzola. Acompanhava arroz, salada mista e batatas fritas, bem servidas, como guarnição.

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Já o Everton e a Samantha comeram o Peixe à Milanesa, desta vez era uma merluza. Os acompanhamentos eram os mesmos.

Os pratos não são gigantescos como estamos acostumados em alguns restaurante, mas são suficientes pra saciar estômagos mais vorazes. É recomendável começar com uma entrada, e as empanadas criollas são as recomendadas. De qualquer modo os pratos são muito baratos (levando em consideração o preço que pagamos em Florianópolis) e têm mais sofisticação e cuidado no preparo que muitos restaurantes daqui. Pra vocês terem uma idéia, o Peixe ao Queijo Azul custou módicos R$60 (e serviu duas pessoas, como já disse). O à milanesa R$45.

Não encaramos as sobremesas porque já estávamos satisfeitíssimos, mas desde o Petit Gateu até outras sobremesas que aparentam ser deliciosas, várias opções delas aparecem no cardápio, também a preços bastante interessantes.

O almoço custou em média R$85 por casal.

Obrigado pela dica, Daniele! Voltarei mais vezes!

Botequim DU Cais

  • Endereço: Rua Manoel Felipe da Silva, 18.
  • Telefone: (47) 3369-5782
  • Horário: abre de quinta à domingo, das 11h às 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

Cantinho da Ostra: pra petiscar sem muita frescura

Em meio a tantos restaurantes renomados que fazem parte da via gastronômica do sol poente, com seus cardápios repletos de pratos saborosos, existe um quiosque que passa quase despercebido (e foi assim comigo durante muito tempo) das vistas de quem roda por ali em busca de um lugar diferente pra comer: O Cantinho da Ostra.

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Daria pra fazer um review rocambolesco enaltecendo a sua simplicidade que por si só encanta e nos faz ter vontade de voltar pra mais uma e outra comideria, mas o lugar é simples e o review será direto e reto: vale a pena conhecer.

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O cardápio é rasteiro, tem não mais que 16 ítens ao todo que agrupados por semelhança diferindo apenas nos seus recheios e composições não enchemos duas mãos para contar qual a variedade da casa. Tem ostras, o carro-chefe, criadas ali mesmo no mar de Santo Antônio de Lisboa e selecionadas num pequeno rancho de pescadores ao lado do restaurante; tem peixe frito em postas, que varia conforme a estação e frescor; tem mexilhões, aqui comumente chamados de mariscos; bolinho de siri e pastéis diversos.

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Lugar comum da nossa gastronomia ilhoa, pedi um pastel de camarão e algo que ainda não havia provado em outro lugar: pastel de ostra. Já havia comido até nigirizushi com este molusco mas pastel foi a primeira vez. Sabor marcante, forte, bem acompanhado de uma pimenta e gotinhas de limão.

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Depois vieram as ostras, e como eu as prefiro: naturais. Sem bafo e sem gratinar, embora o Cantinho da Ostra ofereça estas opções, somente assim, cruas, ainda vivas, dando o seu último suspiro ao receber gotas do carrasco limão e descansar na paz eterna do meu paladar. Pimenta, “si se puede”, fica bom também, mas pode roubar o sabor marcante que a natureza lhe conferiu.

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Em seguida camarões ao alho e óleo. Estavam pequenos mas muito saborosos. Prefiro estes que aqueles grandalhões molengas. Crocante, pra lambuzar os dedos e comer admirando a bela vista da baía norte.

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Fechei com uma Lula à Milanesa. Essa igualmente saborosa, só um pouco borrachuda porque foi frita demais. As vezes até culpa de alguns chatos que não gostam de comer coisas no ponto “correto” e pedem ostensivamente pra ficar mais e o restaurante acaba fazendo como padrão (vai saber!), da próxima vez pedirei pra “fritar menos”. Fica a dica pra você também.

Isso tudo e mais uns refrigerantes e água custaram R$82 e os 10%, opcionais, foram pagos porque o atendimento mereceu. Foram pagos com cheque, a casa não aceita cartões, somente dinheiro ou este humilde papelete do século passado.

Que tal ir conhecê-los?

  • Cantinho da Ostra
  • Endereço: Pç XV de Novembro, 240. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3235-2296
  • Aceita cartões: não
  • Estacionamento: sim

Bucaneiros: do arroz ao camarão, tudo perfeito!

Há tempos venho explorando mais a culinária do continente catarinense. Se o tempo que morei na Ilha de Santa Catarina foi suficiente para desbravar boa parte do que a gastronomia ilhoa tinha para oferecer, é em terra firme que tenho me surpreendido muito com a diferença de sabores e preços. As vezes encontramos pérolas como o Bucaneiros (ou Bucaneiro, como está na placa na entrada, o proprietário ainda não decidiu), que além de muito barato, oferece comida excelente e em boa quantidade para todos os apetites, do outro lado da baía norte.

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Costumo dizer que restaurantes precisam caprichar tanto numa lagosta quanto num simples pastel de camarão. Fazer com perfeição uma excelente carne e não deixar pra trás uma mera salada. Muita gente não liga pra isso, vai com sede ao pote no prato principal e esquece que está pagando por um almoço completo, onde tudo deve estar a contento, e a mesma grandiosidade de um principal ser refletida num mero arroz.

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O Bucaneiros tem isso. Os acompanhamentos dos principais pratos do restaurante são batatas fritas, salada, pirão de caldo de peixe e a figurinha carimbada do dia-a-dia, o arroz. Lá ele aparece em duas versões: o arroz branco simples e o arroz branco com alho. E por incrível que pareça toda vez que eu vou comer no Bucaneiro eu já começo a salivar pensando no arroz, mesmo antes de fazer a curva no Morro da Bina, antes mesmo de chegar em São Miguel.

Mas obviamente nem só de arroz se faz um restaurante, então vamos aos fatos.

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O couvert do Bucaneiros também é saboroso. Não deixe de experimentar estes pãezinhos que são servidos já na chegada, antes mesmo do pedido ser feito, acompanhados com um molho de maionese da casa. A salada é boa, também, mas domingo não é dia de salada!

O cardápio da casa é composto por uma seção de Aperitivos, onde você pode comer desde um camarão à milanesa, mariscos, lulas e peixe nos seus mais diversos preparos, além de uma seção de pratos principais à base de Camarão e Peixes. Também tem pratos com carne e frango para os que não comem ou não estejam a fim de frutos do mar, os famosos chatos de galocha que acompanham aventuras gastronômicas sem manjar dos paranauê.

Enquanto saboreava o couvert pedi uma caipirinha. Drinks não são o forte deles, ela estava ácida demais e muito forte, mesmo pra quem já está acostumado com o sabor da cachaça. Valeu pela ingestão exclusiva da cachaça que, segundo o manezinho, serve pra cortar o “veneno” dos frutos do mar.

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Como prato principal pedi o Linguado ao Molho de Camarão. Deveria ter pedido meia porção, este humilde prato serve nada menos que 4 pessoas famintas após uma prisão em uma solitária por três semanas. Peixe à milanesa bem fritinho e no ponto certo, casquinha crocante e com um delicioso e bem temperado molho de camarão por cima.

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Havia pedido também a Maionese de Camarão que embora estivesse no cardápio de saladas não agrada nutricionistas como tal, mas eu fiz a minha parte. Essa eu fui inteligente e pedi meia porção que seguramente serve duas pessoas nas mesmas condições famélicas.

Batatas cozidas na medida certa, com o mesmo molho de maionese caseira acima citado e camarões médios cozidos e crocantes, mesmo sem casca, pra manezinho nenhum botar defeito.

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Como se tudo isso ainda não bastasse pra empanzinar o vivente, um buffet com sobremesas típicas da nossa região, contendo doces e frutas era servido gratuitamente para todos os comensais. Provem o pudim de leite deles, é uma delícia!

A conta fechou por volta de R$130 e poderia ter sido bem mais em conta caso não tivéssemos pedido comida para um batalhão.

E a digestão foi feita vendo as escunas chegarem e partirem no trapiche desta praia, lotadas de pessoas que assim como nós estavam em busca de excelente comida.

Restaurante Bucaneiro

  • Endereço: Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, s/n. Balneário de São Miguel, Biguaçu/SC.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: Sim