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Cantinho da Ostra: pra petiscar sem muita frescura

Em meio a tantos restaurantes renomados que fazem parte da via gastronômica do sol poente, com seus cardápios repletos de pratos saborosos, existe um quiosque que passa quase despercebido (e foi assim comigo durante muito tempo) das vistas de quem roda por ali em busca de um lugar diferente pra comer: O Cantinho da Ostra.

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Daria pra fazer um review rocambolesco enaltecendo a sua simplicidade que por si só encanta e nos faz ter vontade de voltar pra mais uma e outra comideria, mas o lugar é simples e o review será direto e reto: vale a pena conhecer.

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O cardápio é rasteiro, tem não mais que 16 ítens ao todo que agrupados por semelhança diferindo apenas nos seus recheios e composições não enchemos duas mãos para contar qual a variedade da casa. Tem ostras, o carro-chefe, criadas ali mesmo no mar de Santo Antônio de Lisboa e selecionadas num pequeno rancho de pescadores ao lado do restaurante; tem peixe frito em postas, que varia conforme a estação e frescor; tem mexilhões, aqui comumente chamados de mariscos; bolinho de siri e pastéis diversos.

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Lugar comum da nossa gastronomia ilhoa, pedi um pastel de camarão e algo que ainda não havia provado em outro lugar: pastel de ostra. Já havia comido até nigirizushi com este molusco mas pastel foi a primeira vez. Sabor marcante, forte, bem acompanhado de uma pimenta e gotinhas de limão.

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Depois vieram as ostras, e como eu as prefiro: naturais. Sem bafo e sem gratinar, embora o Cantinho da Ostra ofereça estas opções, somente assim, cruas, ainda vivas, dando o seu último suspiro ao receber gotas do carrasco limão e descansar na paz eterna do meu paladar. Pimenta, “si se puede”, fica bom também, mas pode roubar o sabor marcante que a natureza lhe conferiu.

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Em seguida camarões ao alho e óleo. Estavam pequenos mas muito saborosos. Prefiro estes que aqueles grandalhões molengas. Crocante, pra lambuzar os dedos e comer admirando a bela vista da baía norte.

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Fechei com uma Lula à Milanesa. Essa igualmente saborosa, só um pouco borrachuda porque foi frita demais. As vezes até culpa de alguns chatos que não gostam de comer coisas no ponto “correto” e pedem ostensivamente pra ficar mais e o restaurante acaba fazendo como padrão (vai saber!), da próxima vez pedirei pra “fritar menos”. Fica a dica pra você também.

Isso tudo e mais uns refrigerantes e água custaram R$82 e os 10%, opcionais, foram pagos porque o atendimento mereceu. Foram pagos com cheque, a casa não aceita cartões, somente dinheiro ou este humilde papelete do século passado.

Que tal ir conhecê-los?

  • Cantinho da Ostra
  • Endereço: Pç XV de Novembro, 240. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3235-2296
  • Aceita cartões: não
  • Estacionamento: sim

Roteiro Gastronômico: Ribeirão da Ilha

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O Ribeirão da Ilha é pra mim o bairro mais charmoso de Florianópolis. Está localizado no Sul da Ilha de Santa Catarina mas ainda assim, por ser tão afastado e manter ali suas raízes, parece uma cidade a parte. Ir ao Ribeirão é como sair de Floripa e ir visitar uma cidade do interior que preserva ainda seu ar bucólico e provinciano, as suas raízes na gastronomia, música, artesanato e seus costumes em geral.

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E como toda pequena cidade é na sua praça e Igreja matriz que tudo começa. Cem anos após a chegada dos 6 mil açorianos em Santa Catarina em 1650, foi trazida uma imagem de Nossa Senhora da Lapa. Sua capela foi construída pelos escravos com pedra, cal e óleo de baleia, ingrediente típico da argamassa na época, que era trazida das armações baleeiras também do Sul da Ilha.

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A arquitetura como um todo da região talvez seja a mais intacta do estado, e que mantém desde então sua formação original. As ruas muito estreitas, as casas coloridas e tipicamente da herança portuguesa e que resistem ao tempo até hoje são dignas de uma foto, cujo cartão postal não pode ficar de fora no portifólio dos turistas que buscam abrigo neste pequeno pedaço de paraíso.

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As suas águas são especiais: é uma das poucas praias de mar manso, virada para a baía entre continente e Ilha, que ainda permite o banho de mar. As condições de balneabilidade oferece ao banhista segurança na hora de se refrescar tanto na água quanto embaixo de suas centenárias árvores.

E apesar de ser ali que Santa Catarina praticamente começou a ser colonizada, o Ribeirão foi somente a terceira localidade da cidade a ganhar o status de “Vila”. Nesse título puxo o gancho do restaurante Vila Terceira, que além de um comprometimento com o resgate histórico do lugar se alinha também na gastronomia e apesar das modernas técnicas em se fazer boa comida mantém vivo um pouco da herança que os açorianos deixaram no prato do manezinho.

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Tudo começa com a cachaça produza ali mesmo no Sertão do Ribeirão, mostrando que aquela terra além de boa comida bonita arquitetura também fora palco durante muito tempo dos principais alambiques do Estado. A Anchova da Vó Guida é um excelente modo de harmonizar essa cachaça, seja numa dose única ou numa caipirinha que é pedido certo por ali, que acompanhada de uma farofa especial de camarões e molho de alcaparras transformam a simplicidade dos ingredientes ilhéus num banquete dos deuses que teria feito Sebastião Caboto transformar essa terra num domínio dos espanhóis.

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Destaque também para o Café de Ostra, um café espresso acompanhado por um doce de chocolate branco feito por uma doceira local em forma de ostra.

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O Vila Terceira tem também um polvo crocante muito delicioso que experimentei, mas pra falar de Polvo preciso citar o Santa Figueira. Com um deck maravilhoso na beira da praia do Ribeirão e com vista para toda a baía Sul, o Santa Figueira traz uma gastronomia inspirada nos mesmos ingredientes locais porém com fortes influências internacionais. É o caso do Polvo Thai, temperado à moda asiática e todo empanado, porém sequinho e crocante, além de muito macio por dentro.

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Lá também experimentei os Vol-au-vent, pequenas cestinhas de massa folhada de diversos sabores: Camarão ao Champagne, Siri ao Saquê e red curry e Funghi. Três de cada.

As Ostras são a grande vedete do lugar transformando o Ribeirão da Ilha no maior produtor brasileiro deste molusco bivalve, tão apreciado na gastronomia e com o sabor que deixa qualquer gringo na simplicidade de comê-la in natura.

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Grande especialista em Ostras, temos o Ostradamus. Jaime Barcelos é um ícone da gastronomia de Florianópolis, começou no Ribeirão fazendo cachorro-quente na noite e hoje com certeza comanda um dos melhores restaurantes que oferecem ostras na cidade. Com o exclusivo e inédito por aqui método de depuração de ostras, consegue trazer o produto mais puro e livre de qualquer risco de intoxicação ao consumidor. As ostras saem do cativeiro no mar da baía Sul e vão direto para o depurador, grosso modo um grande aquário localizado na entrada do restaurante para quem quiser conferir o processo, que faz durante 12 horas a filtragem deste molusco liberando e deixando para trás qualquer sujeira que tenha ficado durante sua vida.

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Destaque-se também o prato Arrombassi Istepô, batizado com uma expressão mais mané impossível, e que consiste numa travessa de arroz cozido com frutos do mar variados e um toque de pimenta produzida na própria casa. Outro destaque é sua vasta adega que fica no subsolo do restaurante, abaixo do nível do mar e da areia da praia.

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Do mesmo proprietário e localizado na frente da sua nave-mãe, o Café Tens Tempo traz uma diversidade para o Ribeirão: café saboroso e doces portugueses de altíssima qualidade. Funciona como um empório onde você pode adquirir alguns souvenirs do Ostradamus, com uma decoração muito robusta e linda, a perder a mirada enquanto se degusta um pastelzinho de Nata ou um pastel de Maçã, doces feitos por uma família portuguesa de São Paulo.

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Se a sobremesa do seu restaurante preferido não agradar, uma visita ao Tens Tempo é mais que certa para encerrar a sua estadia por ali.

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Outra excelente opção de gastronomia local levada a sério, com uma vista de causar suspiros nos comensais e comida saborosa a preços honestos, é a Ostreria Umas e Ostras. O nome brinca com o carro-chefe do lugar e oferece um produto tão excelente quanto sua concorrência. Ostra gorda, saborosa e numa travessa com gelo para manter seu frescor à mesa se for pedida in natura.

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Destaque-se também os seus petiscos caseiros feitos por cozinheiras que entendem tudo de manezinho e de comida, como o pastel de camarão e o pastel de berbigão, outro bivalve conhecido na cidade e figurinha carimbada no resto do país com o nome de vôngole.

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Entre um restaurante e outro você pode conhecer também um pouco do artesanato local, seja nas esculturas em barro ou qualquer peça com renda de bilro, que é herança também açoriana na nossa cidade, nas pequenas casas que comercializam estes produtos. A que mais gostei fica em frente ao Umas e Ostras, e tem lindas peças para se admirar e levar pra casa um pouco da nossa cultura, e que graças a estas pessoas ainda se fazem viva em nossa memória, resistindo o passar do tempo.

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Visitar o Ribeirão da Ilha é indispensável para quem quer conhecer Florianópolis. É mergulhar não só na gastronomia de um povo que forjou sua têmpera em quase 500 anos de história de uma colonização tipicamente portuguesa, mas também se sentir em casa, bem acolhido e confortável numa cidade pequena que a cada verão triplica seu tamanho e ganha ares de metrópole e que apesar da linda paisagem já cheira os odores da constante evolução demográfica e tecnológica.

Restaurante do Tonho, comida boa com as bênçãos da Nossa Senhora da Piedade

O município de Governador Celso Ramos é um refúgio. Poucos sabem, mas a pouco menos de 50km do centro de Florianópolis, uma pequena cidade cuja economia é movimentada pela pesca possui 23 lindas praias e quase todas elas ainda não sofreram fortes mudanças de balneabilidade após a chegada maciça de moradores e veranistas. Os roteiros geralmente mostram Florianópolis e Balneário Camboriú mas muitos desconhecem que entre estas duas figurinhas carimbadas dos mochileiros existe uma pequena extensão de paraíso separada da BR-101 por estradas de chão batido e alguns morros

Igreja de Nossa Senhora da Piedade
Igreja de Nossa Senhora da Piedade

Uma de suas praias ostenta o nome  da principal atividade do século XVIII. A armação baleeira que ali foi instalada mais a igreja de Nossa Senhora da Piedade, a igreja mais antiga de Santa Catarina e que hoje é patrimônio tombado pelo IPHAN, construída com ajuda do óleo de baleia na argamassa, batizam-na como Armação da Piedade, considerada por este que vos fala um dos lugares mais bonitos em que já visitou na vida.

Sou suspeito pra falar, frequento o município desde que me conheço por gente e quando ainda mal conseguia distinguir os sabores dos alimentos, mas morar na região da Grande Florianópolis e nunca ter ido almoçar no Roda Viva, no Golfinho (onde chegam as escunas saídas de Canasvieiras e que passam pela baía dos golfinhos) e tantos outros restaurantes que estão ali há décadas é uma heresia das mais graves.

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O Tonho tá ali há 30 anos. Tonho nasceu com uma rede na mão e desde sempre foi pescador profissional. Como todos os seus antepassados que povoaram a pequena Armação da Piedade aprendeu a tirar o sustento do que o mar repleto de belezas e riquezas provê. Tudo o que é vendido no Restaurante do Tonho ele mesmo quem pesca, você pode avistar das mesas que ficam na beira da praia as embarcações que ele usa pra pescar na baía, em alto mar ou ainda o bote que utiliza para atender os clientes que chegam de barco.

Tonho indo levar pedidos para as embarcações
Tonho indo levar pedidos para as embarcações

O Restaurante do Tonho encanta já na chegada. De um lado da rua o restaurante, com poucas mesas e a estrutura da cozinha.

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Do outro lado da estrada a orla da praia recebe as mesas e debaixo das árvores você saboreia a paisagem, antes mesmo que chegue o almoço.

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O cardápio é enxuto. Tem opção de carne e frango pra quem não come frutos do mar, mas é de peixes, camarões, ostras e mariscos que ele é composto.

Camarão médio a Milanesa, arroz, pirão de peixe e batatas fritas
Camarão médio a Milanesa, arroz, pirão de peixe e batatas fritas

Pedi um Camarão Médio a Milanesa. O nome é auto-explicativo, mas são camarões médios de verdade e o prato é bem servido para duas pessoas. É empanado e frito na hora, o que garante que a comida está sempre fresca e saborosa. Um ponto positivo é que diferente de alguns concorrentes, este camarão é crocante (sem passar do ponto). O prato não possui acompanhamentos, você pede separadamente (evita desperdícios e barateia a comida, ponto mais que positivo!). Para acompanhar o camarão a milanesa pedi uma porção de arroz (R$7), outra de pirão de peixe (R$7) e uma de batatas fritas (R$10).

Postas de Papa-terra fritas
Postas de Papa-terra fritas

Um outro prato simples mas que é muito delicioso e que sempre como por lá é o Peixe em posta (R$20). Postas de Papa-terra (Betara pra quem é do Sudeste) bem temperadas e fritas, que combinam muito bem com um limãozinho por cima. Pode também ser usado como aperitivo e acompanha sempre uma boa cerveja gelada.

O atendimento é bom, funciona e não demora. Por ser familiar, você é atendido ou pelo próprio Tonho ou por uma de suas netas. Todos os meus pedidos vieram sem qualquer problema e muito rápido. E, melhor que tudo, pode passar bons minutos conversando sobre pescarias, gastronomia, sobre a vida de uma forma geral com o seu Tonho, um senhor muito simpático, disposto, daqueles que fazem você matar a saudade de ter um avô.

Recomendo o passeio e o almoço. Não é longe de Floripa, é barato e você sai enriquecido deste lugar!

Restaurante do Tonho

  • Endereço: Av. Nossa Senhora da Piedade, 337. Governador Celso Ramos, SC.
  • Telefone: (48) 3262-9399
  • Horário: Na baixa temporada abre aos fins de semana para o almoço. Durante o verão abre diariamente.
  • Aceita cartões: Não
  • Estacionamento: Sim

Recanto dos Brunidores: polindo pedras e paladares

Fico entusiasmado quando um restaurante tem história pra contar. Não bastasse até pouco tempo o Recanto dos Brunidores ter sido liderado pelo chef Narbal Corrêa, considerado pelos seus colegas como o cozinheiro que mais conhece de frutos do mar de Florianópolis, o restaurante ostenta este nome porque está num terreno na beira do costão dos Ingleses do Rio Vermelho, ao lado de uma oficina lítica, um museu a céu aberto.

Oficina lítica
Oficina lítica

As oficinas líticas eram os locais onde os grupos pré-coloniais poliam seus objetos de pedra, geralmente utensílios. Para este polimento era utilizada a técnica de brunimento, por isso o nome do restaurante, onde utilizava-se de areia e água em atrito com a rocha (a oficina lítica propriamente dita). Em quase todo o costão sul da praia você pode notar pedras com marcas dos brunidores.

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Agora quem está no comando da cozinha do Recanto é o Nivaldo Souza. Assim como Narbal, é um exímio pescador e conhece as nuances do mar e dos pescados. Sempre que pode traz da própria pescaria os frutos do mar que serão servidos no restaurante. Esse é um detalhe muito importante do Recanto dos Brunidores: é um restaurante simples. Confortável e agradável porém sem muito luxo e requinte. A diferença está no que realmente importa, na comida. A matéria prima utilizada nos pratos é que fazem toda a diferença. Não só os frutos do mar saem da própria água dos Ingleses, como também contam com horta e aquário para a conservação dos ingredientes. Um legítimo membro do slow food no norte da Ilha de Santa Catarina.

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A visita que fiz no domingo ao Recanto dos Brunidores foi fantástica. Há tempos devia uma visita ao restaurante, não só pelo respeito que ele tem e que atiça quem gosta de comer bem, mas também por indicação de vários amigos e leitores (Oi, Ramila!). Mal rompia a aurora nos confins do firmamento, o prenúncio de um dia bonito na capital dos catarinenses me fez saltar da cama mais cedo para a visita. É fácil chegar lá: basta seguir na Estr. Dom João Becker, que dá acesso ao Sul dos Ingleses e que termina na subida para o Santinho e estacionar por ali. Entrando na praia, caminha-se por cerca de 10 minutos até o costão Sul onde está localizado o restaurante.

Mas vamos falar de comida? O cardápio é bem completo, tem praticamente uma opção para cada gosto. Oferece frutos do mar pra todos os paladares. Nas entradas, opções frias e quentes. Pedimos uma de cada.

Ostras Vivas
Ostras Vivas

Nas frias, escolhi as Ostras Vivas. Ostras in natura, sem adição de qualquer tempero, ainda vivas, servidas com pedaços de limão para temperar. Come-se na casca, como toda boa ostra. Mais frescas e saborosas impossível.

Lula à Dorê
Lula à Dorê

Nas quentes, optamos pela Lula à Dorê. Um clássico da culinária ilhoa e muito bem preparada pela cozinha do Nivaldo. Firmes porém macias e muito saborosas.

Camarões Rosa com Creme de Abóbora Seca e Gratinados
Camarões Rosa com Creme de Abóbora Seca e Gratinados

Eu estava com vontade de experimentar o camarão. Então para o prato principal fui de Camarões Rosa com Creme de Abóbora Seca e Gratinados. Este prato acompanha uma porção de arroz branco. Tudo muito simples mas muito bem preparado e temperado, do jeito que o manezinho gosta.

Garoupa e Camarão grelhado com purê de Taiá Trufado
Garoupa e Camarão grelhado com purê de Taiá Trufado

Experimentei também a Garoupa, Camarão Grelhado e Purê de Taiá Trufado. Esse é só mais um exemplo de que a grama do vizinho é mais verde, isso me ocorre com certa frequência, não desmerecendo o meu camarão rosa que estava delicioso também.

Polvo Crocante com Batatas ao Murro
Polvo Crocante com Batatas ao Murro

Deus-me-livre esquecer de citar o Polvo Crocante com Batatas ao Murro. Não comi, mas quem comeu o fez lambendo os beiços. E também manja muito de comida.

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A casa é bastante convidativa. O ambiente é arejado, tem vista para o mar e toda a praia dos Ingleses. Tem lugares muito confortáveis e recomenda-se uma reserva antes.

O atendimento foi perfeito. Trouxe tudo sempre corretamente, desde as bebidas, a atenção com os pedidos e a gentileza em servir-nos. Todos os pratos são preparados na hora e são servidos juntos. Vale a máxima que toda boa comida pode demorar um pouquinho pra ficar pronta.

O preço é equivalente ao que é servido. De primeiro momento achei um pouco salgado, mas no decorrer do serviço e, principalmente, na degustação, a dúvida foi-se junto com as ondas da linda praia que tinha como vista. As entradas, bebidas e a comida custaram cerca de R$95. A taxa de serviço é opcional.

Ademais, não há outra conclusão a não ser convidar você pra fazer este belíssimo passeio ao costão Sul dos Ingleses, conhecer as oficinas líticas e comer no Recanto dos Brunidores. É um programa que agrada toda a família e todos os paladares.

Recanto dos Brunidores

  • Endereço: Costão Sul da Praia dos Ingleses do Rio Vermelho. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 9972-2143
  • Horário: De terça à domingo, almoço à partir das 12h e jantar das 18h. Recomenda-se fazer reservas.
  • Aceita cartões: não

A Santa Figueira que dá frutos do mar

Muito manezinho nascido e criado jura de pés juntos que a figueira é a árvore-símbolo da cidade de Florianópolis. Não é. Uma rápida pesquisa nas internês, caso seu colégio tenha ignorado este detalhe importantíssimo na sua formação, nos revela que a árvore de Floripa é o garapuvú.  Mas bem que poderia ser a figueira. Não só um dos mais importantes cartões postais da cidade, a Praça XV, ostenta um exemplar centenário da espécie, como em vários pontos pode-se observar esta árvore dando sombra e imponência.

A figueira tem toda uma simbologia atrelada a ela. Em alguns religiões, inclusive, exercem importância fundamental em alguns momentos. Para os cristãos, por exemplo, é a primeira árvore a ser citada na Bíblia. Foi embaixo da sombra de uma figueira que Buda teria conseguido sua elevação espiritual. Os judeus a consideram o seu fruto, o figo, um dos alimentos sagrados.

A Figueira Santa
A Figueira Santa

Outro fato é que nem toda figueira dá frutos. Principalmente a encontrada na mata atlântica, e muito comum neste litoral, a Ficus insipida. O nome já diz tudo, os frutos que ela produz não são comestíveis por seres humanos. Não tem sabor. Mas o que a dendrologia não sabe explicar é porque no Ribeirão da Ilha existe uma espécie que dá um dos melhores frutos… do mar.

Trata-se da Santa Figueira. Uma árvore grande e majestosa, hoje cercada por decks de madeira e mesas confortabilíssimas, num espaço cujo parapeito dá de frente para o mar do Ribeirão da Ilha, com um excelente visual para uma refeição saborosa com os seus frutos do mar.

A Bárbara me convidou pra conhecer e o Ian foi junto porque provavelmente nem ele acreditou nessa história. Asseguro que era tudo verdade da chef de cozinha de uma outra Santa, mas essa você conhecerá nos próximos dias. A comida era como um maná, que a religião não ousará desmentir sob pena desta árvore tão simbólica ser alvo de heresia.

Couvert: pães caseiros com pasta de berinjela e sardela
Couvert: pães caseiros com pasta de berinjela e sardela

A Santa Figueira nos recebeu com um couvert. Pães caseiros, muito saborosos e macios, recém saídos do forno com pasta de berinjela e sardela.

Vol-au-vent de vários sabores
Vol-au-vent de vários sabores

Mas queríamos mais de entrada, então pedimos que a Santa Figueira nos surpreendesse. Como quem atende uma prece ela nos deu um Vol-au-vent (descobri que pronuncia-se “vulavan”), ou melhor, um kit destes “copinhos” de massa folhada com recheios diversos: Camarão ao Champagne, Siri ao Saquê e red curry e Funghi. Três de cada.

Ostras Gratinadas à Santa Figueira
Ostras Gratinadas à Santa Figueira

Depois fomos de Ostras Gratinadas à Figueira. Creme de champagne, queijo gruyere e gorgonzola, salpicada com parmesão. Uma dúzia de um fruto típico que as figueiras do Ribeirão dão nessa época do ano, já bem gordas e saborosas. Até porque ir no Ribeirão e não comer ostra é mais feio que bater na mãe. As ostras foram acompanhadas de molhos incríveis: chutney de manga, pesto genovês, molho de limão siciliano e ervas de provence, agridoce e geléia de pimenta.

Polvo Thai
Polvo Thay

Para os pratos principais fizemos um mix de duas opções. Com 5 pessoas na mesa era mais inteligente que pedíssemos duas opções e cada um experimentaria um pouco de cada. Só bons gordos tem essa noção. E a Santa Figueira nos deu primeiro o Polvo Thay. Ah, o Polvo Thay. Ainda que eu falasse a língua dos anjos e falasse a língua dos homens conseguiria explicar o sabor deste prato.

Muito macio, talvez o mais macio que eu já tenha experimentado por dentro e por fora empanado e crocante, bem temperado e salgado na medida, me dá vontade de orar em línguas estranhas tamanho o pentecostes gastronômico desta comida.

Linguado Grelhado
Linguado Grelhado

Depois recebemos, ainda embriagados pela paisagem e pelo sabor, e em reverência ao culto comideirístico do local, o Linguado Grelhado na manteiga aromatizada com água de rosas. Eu achei tão bonito e perfumado que quase joguei pra Iemanjá. Odoiá Odofiaba! Certeza que ela estava ali na beira da praia esperando.

Ambos pratos vinham com acompanhamentos. O Linguado veio com couscous marroquino com frutas secas além de um molho rosé. Já o Polvo Thay veio com um delicioso arroz ao leite de coco, alho e brócolis.

O atendimento da casa é fenomenal. Fomos muito bem acolhidos pela dona Márcia, uma figura ímpar, como poucas que conheci neste meio. Muito gentil deixou-nos o mais confortáveis possível e anotava atencioasmente tudo o que era pedido. O Chef Beto, outro cara incrível, vinha às mesas verificar se tudo estava perfeito. E estava.

Vista para o mar do Ribeirão da Ilha
Vista para o mar do Ribeirão da Ilha

Sempre falo do ambiente, mas desta vez deixarei a foto acima falar por ele. Dentro é tão bonito quanto por fora. Quem quiser crer, que creia.

Toda esta comida, com direito a uns 5 baldes de cerveja, caipirinhas de cachaça artesanal e água saíram por R$100 por fiel.

Se existir céu, e eu for pra lá, espero que tenha uma Santa Figueira me esperando. Eu só sou agnóstico porque acredito nesta promessa. Converta-se!

Santa Figueira Bar Restaurante e Petiscos

  • Endereço: Av. Baldicero Filomeno, 6300. Ribeirão da Ilha. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3337-0598
  • Aceita cartões

A Vila Terceira que o Ribeirão de Caboto não viu

Eu já conhecia o Ribeirão da Ilha. Já fiz passeios ao segundo distrito mais antigo de Florianópolis, e ponto de partida da colonização da Ilha de Santa Catarina, mas nunca havia parado para comer num de seus restaurantes. Shame on me, mea culpa, ou qualquer outra expressão estrangeira que me faça ser perdoado por esta heresia.

Fato é que ontem dei uma de Sebastião Caboto. Eu não atravessei o atlântico, até porque o navegador italiano a serviço dos espanhóis levou menos tempo para encontrar o Ribeirão. Mas agora eu posso dizer, finalmente, que conheço um dos lugares mais simpáticos de Florianópolis, onde desembarcou Caboto, e um dos cernes da cultura açoriana aqui impetrada no século XVIII, também gastronomicamente. O Ribeirão da Ilha foi a terceira localidade de Nossa Senhora do Desterro a ganhar o título de vila, logo após Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui. Não é coincidência que estes três sejam os pólos gastronômicos da cidade, onde a arquitetura e a gastronomia se mantém fiéis às origens, até onde a evolução pode coexistir.

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Inspirado neste registro é que há cerca de 3 anos o chef e administrador Daniel Wegner da Silva abriu o Vila Terceira Restaurante, localizado na Freguesia do Ribeirão da Ilha. Uma casa muito bonita, decorada com elementos açorianos e muito confortável. Ampla e climatizada, explora a culinária baseada nos frutos que o próprio mar do Ribeirão fornece, buscando referências fortes na culinária local e oferecendo uma comida muito saborosa tanto aos manezinhos quanto aos forasteiros que aqui vêm buscar descanso.

A Michele e o Guilhermeconheciam o restaurante, e me recomendaram que o jantar fosse por ali. O bom gosto dos dois é irrefutável, não havia o que contestar. Em pouco menos de 20 minutos após chegarmos no restaurante estávamos comendo as ostras gratinadas.

Ostras Gratinadas com Gengibre
Ostras Gratinadas com Gengibre

Aliás eu sempre gosto de começar as refeições em casas de frutos do mar com bolinhos de siri ou algo parecido, sou fã incondicional da iguaria. Mas não era justo nem com meus amigos e com meus antepassados, nem com o título do Ribeirão de maior produtor de ostras do Brasil, em deixar passar a oportunidade. Escolhemos as Ostras Gratinadas com Gengibre. Uma delícia, diga-se de passagem. Arrisquei-me nas gratinadas porque cresci comendo ostra in natura, forma que qualquer ser humano deveria começar experimentando o nobre mexilhão, então quis experimentar algo novo. Bela surpresa.

Polvo Crocante
Polvo Crocante

Como estávamos em quatro pessoas, e os pratos eram suficientemente abastado para duas, pedimos dois pratos diferentes para que pudéssemos experimentar um pouco de cada. Um deles era o Polvo Crocante, que me chamou atenção já na descrição do cardápio: “crocante por fora e suculento por dentro”. Acompanhava batatas assadas recheadas com catupiry, além dos tradicionais arroz branco e pirão de caldo de peixe.

Anchova Vó Guida
Anchova Vó Guida

O segundo prato, e confesso meu preferido, era uma anchova grelhada, que recebe lá o nome de Anchova da Vó Guida. O peixe vem grelhado, com molho de alcaparras (opcional) e uma farofa com camarões. Não dá pra explicar o que é esta farofa com palavras. Só indo lá e experimentando mesmo. É muito boa, ainda salivo litros só de lembrá-la.

Café de Ostra
Café de Ostra

A comida foi tanta, mas tanta, que não cabia sobremesa na refeição. Os pratos eram muito saborosos e bem servidos, comemos até não sobrar mais espaço pro doce. Mas o cafezinho disgetivo, lei por estas plagas, foi pedido. Pedimos um Café de Ostra. Uma brincadeira da casa com o protagonista da localidade, um doce de chocolate branco em forma de concha que acompanha o café passado na hora.

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O atendimento é excelente. Todos os pedidos foram tirados com explicações de cada prato, ingredientes e com bastante gentileza. A Jéssica, moça bastante simpática que nos atendeu, além de trazer todos os pedidos corretamente e num tempo curto, sem longas demoras típicas das praias, ainda ofereceu uma cachacinha típica da região, feito no Sertão do Ribeirão, alambique caseiro. Conheça a Jéssica, figura ímpar no restaurante, e conheça tambéma a cachaça.

O jantar com entrada, pratos, bebidas e café saiu por cerca de R$50 por pessoa, preço bastante honesto. Cada centavo foi lindamente bem investido.

E ao findar este post, tenho duas observações a fazer. A primeira é que você o visite o quanto antes. A segunda é Caboto, apesar de ter conhecido melhor o lugar e bem antes que eu, perdeu o timing e não viveu o suficiente pra comer uma ostrinha no Vila Terceira.

Vila Terceira Restaurante

  • Endereço: Av. Baldicero Filomeno, 7808. Freguesia do Ribeirão, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3337-5793
  • Horário: de terça à sábado, das 11h30 às 23h30. Domingos e feriados das 11h30 às 17h.
  • Aceita cartões: sim