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Ponto G Brasa & Fogão: quem encontra uma vez, acha sempre

Encontrar o Ponto G é uma arte. Independe de cor, credo, status social, físico… Há quem defenda que para tal é preciso tempo de prática, insistência, paciência e um tanto de criatividade. O que é regra geral é que, quando encontrado, o prazer proporcionado de quem encontra é muito parecido com o prazer de quem recebe a busca.

Eu já encontrei uma vez e agora, pra dar uma variada, encontrei em outro endereço.

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Logicamente não estou falando dos feitos alemão Ernst Gräfenberg. Trocadilhos a parte, me refiro ao novo restaurante do Chef Vitor Gomes, o Ponto G Brasa & Fogão. Após uma baita de uma experiência gastronômica no seu belíssimo Ponto G nos altos de Santo Antônio de Lisboa, fui até a beira da praia conhecer o novo espaço e menu que já ganharam, em menos de 3 meses, premiações nas publicações do ramo.

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O espaço lembra bastante o outro Ponto G, reúne o requinte de móveis de excelente qualidade e decoração muito bem planejada com a simplicidade das características da Florianópolis que Vitor conheceu. A tradicional bicicleta pendurada na parede e as gaiolas vazias em outra mostram que a Itinga, localidade de Tijucas onde o chef morou, o acompanha onde quer que esteja. Identidade é a palavra de ordem.

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Com base nessas raízes o cardápio é composto. Assim como a decoração da casa, é moderno e versátil sem esquecer de onde vem. Serve tanto frutos do mar — e contempla a maioria dos peixes, crustáceos e bivalves que são culturalmente nossos — quanto carnes, pra salvar Santo Antônio de Lisboa da monotonia dos ingredientes de sempre.

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Antes de mais nada, comecei pelo couvert. Seleções de pães La Padá, manteiga de ervas, patê de linguiça defumada, caviar de sardinha e uma pasta de salmão. O pão é de querer levar pra casa pra comer todos os dias.

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Macio, saboroso, diferentemente dos que comemos por aí. As pastas, apesar de serem deliciosas, harmonizam de forma esplendorosa com um simples couvert. É incrível.

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Como prato escolhi a Paleta de Cordeiro. Achei que comeria pouco, geralmente lugares mais requintados oferecem o que eu costumo chamar de “pratos sujos de comida”, onde encontra-se mais o ego do chef mandando um “beijo me liga” do que, de fato, comida. Ledo engano.

Uma paleta de cordeiro inteira, assada lentamente no forno com um sabor impecável, glaceada ao röti. Ela estava sensacionalmente macia, deu pouco serviço aos dentes. Serviu duas pessoas mas serviria, sem brincadeira nenhuma, três ou quatro, dependendo da fome e das entradas.

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A Paleta veio acompanhada de legumes como cenouras, brócolis e batatinhas assadas. Além disso, outros acompanhamentos: arroz branco, farofa, salada de folhas verdes com tomate, vinagrete brasileira, molho chimichurri e outra sorte de legumes assados (aspargos, pimentões, berinjelas, abobrinhas etc).

Pra quem é do vinho, uma carta contendo também rótulos catarinenses, parceria de sempre e costumeira da casa. Pra quem é da cerveja, boas opções para harmonização.

A conta fechou em cerca de R$140 sem bebidas alcóolicas.

Em breve voltarei lá para conferir também os frutos do mar. Independente do pedido, encontrar o Ponto G é sempre um prazer inenarrável.

Ponto G Brasa & Fogão

  • Endereço: R. Quinze de Novembro, 18. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 8815-0608
  • Aceita cartões: sim

Meu Cantinho: o tradicional assado sempre melhor

Eu devia ter uns 6 ou 7 anos de idade quando fui ao Meu Cantinho pela primeira vez. Lembro-me vagamente de andar pelas ruas do Kobrasol, de mãos dadas com meus pais. Era um ritual sagrado aos domingos irmos almoçar naquela churrascaria. Naquela época as mesas eram forradas com papel liso, branco. Fazíamos o pedido, o churrasco era feito na hora, e logo vinha uma maionese e uma salada de palmito. Tudo à lá carte.

Vinte e três anos depois, ainda sou cliente do Meu Cantinho. Não tenho ido com a mesma frequência religiosa de antanho, mas procuro visitá-los sempre que posso. Há quase três já tenho esse blog e, como dizem, santo de casa não faz milagre. Sendo eu da casa, ainda não tinha feito um post sobre eles, erro que começo a corrigir hoje quando este texto vai ao ar.

O Meu Cantinho mudou bastante. Hoje está mais profissional, conta com apoio técnico de nutricionistas e chefs de cozinha que procuram, dentro da rusticidade da comida típica gaúcha, torná-la mais saudável e livre dos problemas de higiene e manipulação de alimentos costumeiros de grandes churrascarias. A maionese não é mais 100% caseira, mas continua gostosa. Não existe mais o tradicional buffet de saladas, agora tudo isso é preparado na hora e servido na mesa, pra garantir não só o sabor da comida como a sua higiene.

Alguns garçons não mudaram, estão ali há 10, 15 anos. O seu Corrêa é do tempo que o Meu Cantinho tinha uma filial na Salvador di Bernardi e era o encarregado da costela, já foi minha inspiração em alguns textos aqui. O atendimento do restaurante também não mudou, você continua se sentindo em casa quando come por lá. Não só os garçons são perfeitos no que fazem, como o Fabrício Barni, funcionário e proprietário desde sempre, gasta alguns minutos com boa prosa e alguns causos passando de mesa em mesa. O Barni é um cara é incrível, vocês precisam conhecê-lo.

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Como já adiantei acima, os pratos são todos à lá carte. Há opções de massas e aves para os chatos que acompanham os carnívoros (sempre tem), mas o quente mesmo são os assados. Oferecem os cortes normais e uma linha especializada em Angus e Hereford, gado de procedência e qualidade garantidas.

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Na última visita fui na Picanha Fatiada. Quatro fatias de picanha bovina temperadas no sal grosso e grelhadas. Pode ser servida em porção para 1, 2 ou 3 pessoas. Essa que você vê na foto é para duas pessoas, bem servida. Ela é grelhada na hora, chega na mesa macia, suculenta e muito, mas MUITO saborosa.

Para acompanhar as carnes, você pode escolher duas guarnições. Escolhi a polenta frita e a maionese, claro. Maionese é quase que uma regra nos meus almoços com churrasco. Churrasco sem maionese é crime hediondo.

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Além das guarnições escolhidas você recebe um couvert que inclui pães, manteiga, molho de ervas (chimichurri), caponata e farofa. Aliás, a farofa do Meu Cantinho continua sendo a melhor das que já provei em churrascarias.

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Escolhidos os dois acompanhamentos que estão incluídos no prato, existem outras entradas e aperitivos (ou mesmo aditivos ao pedido) no cardápio. Um deles é o famoso coraçãozinho de galinha. Outra iguaria que você pode tentar fazer em casa, nunca é igual ao deles.

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Na ocasião o Barni me apresentou uma das novas saladas que estão entrando pro cardápio. Essa é a Salada Caesar, um pouco diferente da original que vai frango, essa recebe o bacon bem picado e frito. Com um molho muito saboroso, faz qualquer carnívoro se render às folhas verdes.

O Barni é um cara que nunca fica parado, tá sempre fazendo coisa nova. Mesmo com sua clientela já fiel ao estabelecimento, molda o cardápio como um artesão. Insere novidades, tira o que não foi bem aceito e assim vai confirmando o Meu Cantinho como uma das melhores churrascarias da cidade.

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Na última terça-feira de cada mês, por exemplo, promove a Noite da Paleta de Cordeiro. Hoje, terça-feira, teremos a penúltima edição deste ano. Depois mais uma e ela volta no ano que vem. A Paleta de Cordeiro inteira é servida na mesa (requer reserva), com os molhos tradicionais da casa e aquela farofa que citei acima, além de algumas saladas.

Comer no Meu Cantinho é um misto de sensações. Lembrar dos sabores do passado quando eu ainda mal conseguia mastigar as carnes e diferenciá-las pelo sabor, e continuar amando a casa que não parou no tempo, mas revive a cada visita como uma nova e deliciosa experiência carnívora.

Meu Cantinho Churrascaria

  • Endereço: Rua José Gonzaga Regina Lima, 400. Kobrasol, São José/SC.
  • Telefone: (48) 3259.5757
  • Horário: de segunda à sábado e feriados, das 11h às 23h30. Aos domingos abre das 11h às 16h.
  • Wifi: sim
  • Aceita cartões: sim

 

Kraftwerk Restaurant: comida boa, estrela merecida!

O estado de Santa Catarina não tem muitos representantes no guia de restaurantes da Quatro Rodas de 2013. São somente sete os esteios catarinenses num dos maiores referenciais de boa comida do país. Dois em Balneário Camboriú, um em Nova Veneza, outro em Blumenau, mais um em Penha, um sexto na Praia do Rosa e finalmente o que ostenta a bandeira do meio-oeste, em Joaçaba. Nem Joinville, cidade mais populosa do nosso torrão, nem Florianópolis, a capital do estado, receberam sequer um meteoro, quem dirá uma estrela na famigerada publicação da revista automobilística.

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E no último fim de semana visitei a cidade de Herval D’Oeste, uma região que ainda não tinha conhecido. Encantando com as paisagens e o povo hospitaleiro, tive pouco tempo pra conhecer a gastronomia local, até porque a idéia não era essa. Mas no sábado a noite tive o prazer de atravessar a ponte ir até Joaçaba, município vizinho, conhecer o Kraftwerk.

O Kraftwerk Restaurant fica em cima do que há algum tempo era uma usina hidrelétrica que outrora abastecia a cidade de Joaçaba. Hoje, as águas que passam por ali movimentam o que chama-se de PCH (Pequenas centrais elétricas), e abastece o Moinho Spetch, após a aquisição da propriedade pela família Fett.

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Na cozinha, sob o comando do chef austríaco Klaus Mauko, pratos com referências germânicas e globalizadas para atender os mais diversos gostos que passarem por ali. O Javali é uma carne exótica que aparece bastante no cardápio, mas divide o espaço com o marreco, filé mignon, salmão e até camarões pra quem quiser fazer uma incursão nos frutos do mar.

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A decoração do restaurante é muito bonita e sofisticada. As enormes cristaleiras feitas com madeira rústica e de demolição recheadas com louças de cristal muito bonitas, abrilhantam o conforto das mesas muito bem forradas com tecidos finos e prataria de primeira para uma excelente refeição.

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Ao chegar no restaurante fomos recepcionados com uma pequena cortesia: Estas torradinhas com uma pasta de salmão e outra de ervas finas, com um sabor bastante destacado de pesto.

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De entrada escolhemos o Embutido Temperado de Carne Silvestre com Mostarda (R$25). A carne silvestre na verdade era uma mistura de javali e cervo, e o embutido estava uma delícia. Ele era acompanhado não só de uma mostarda muito boa, como de um molho alemão muito saboroso. Acompanhava, ainda, uma cesta de pães brancos e integrais, ainda quentinhos.

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Continuar comendo era preciso, e eu estava há dias com uma imensa vontade de comer spätzle, que é uma massa rústica alemã. Numa das raras vezes onde escolhemos a guarnição antes do principal, então na parte de “especialidades silvestres” do cardápio escolhi o Assado de Javali, Pernil e Paleta, ao Sauce Imitane (Nata) com Spätzle (R$38). Por mais que estivesse bem amparado pelas duas entradas, comi aquele prato como se fosse único na vida, como se jamais fosse voltar lá ou comer algo parecido. Talvez um dos pratos mais saborosos que já tenha comido na vida, certeza que entraria num Top 10.

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A Aline, que foi o motivo da minha visita à cidade e fiel companheira de aventuras seja lá onde for, escolheu uma massa, pra garantir seu certificado de descendência italiana: Penne ao Creme de Óleo de Tartufo com Tournedos de Filé Mignon Grelhados (R$57). Ela achou o molho um tanto quanto forte, o tartufo tem um sabor bastante marcante. Eu gostei bastante do molho, mas é preciso bastante paladar para sabores fortes pra chegar até o final. O que, claro, não desmerece o prato, somente uma questão de gosto.

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Nas sobremesas, cada qual com sua originalidade e feitas ali mesmo, o que aumentava ainda a vontade de experimentar tudo, resolvemos ir no Mix de Sobremesas para duas pessoas (R$23). Eu iria perder o Strudel, que não fazia parte deste “combo”, mas o garçom prontamente deu um jeito e nos colocou um pedaço para experimentarmos. Baita escolha! Comemos Mohr im hemd (aquele bolinho de chocolate), Pêra recheada à kraftwerk com sorvete, Eisterrine de Três Sabores Parfait (o meu preferido), Ragout de Amoras com Calda de Baunilha e, claro, o Strudel de maçã.

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O atendimento é perfeito. Perfeito mesmo, desses de sair encantado com o lugar só pelo jeito que fomos tratados. Sempre presente, rápido, eficiente e educado. Trouxe todos os pedidos corretamente e até se adiantavam, como numa hora em que comentei com a Aline, “acho que vou pedir mais uma bebida” e em menos de 2 minutos o garçom, que havia escutado, a trazia numa bandeja perguntando se eu realmente queria ela. Dá pra não amar um restaurante desses?

Estrela mais que justificada.

O jantar custou R$194 contando as bebidas (refrigerantes e água).

Kraftwerk Restaurant

  • Endereço: Rod. SC 303, Km 1. Joaçaba, SC.
  • Telefone: (49) 3521-2626
  • Horários: Terça-feira a sábado, almoço das 12h às 13h30 e no jantar das 20h ás 23h. Domingos, das 12h às 13h30.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Branger, churrasco de patrão na Palhoça

Quem já teve a oportunidade de ouvir música gaúcha sabe o que quer dizer “churrasco de patrão”. Não se confunda, não é pratão, embora fizesse todo o sentido. É patrão mesmo. O churrasco de patrão é aquele onde você tem uma mesa farta, não só nos acompanhamentos mas nas variedades de carnes que estão no brasa. Desde um tipo de carne suína, dois ou três das bovinas, um galeto, linguiça ou salsichão, coração de galinha, um outro miúdo, queijo, frutas… esse é o típico churrasco domingueiro que junta as famílias aqui no Sul brasileiro.

Está cada vez mais difícil achar churrasco de patrão na grande Florianópolis. Enquanto algumas churrascarias se especializaram em carnes nobres, treinaram melhor o atendimento e deram um tom mais glamuroso ao seu restaurante, elevando também os preços, outras ficaram no à lá carte se especializando em alguns cortes, seguindo uma linha e uma lógica gastronômica.

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A Churrascaria Branger mantém essa coisa de churrascão, é um poucos pontos da região metropolitana onde se pode ainda comer um churrasco no estilo espeto corrido bem variado com um buffet de saladas e pratos quentes de forma glutona. É um lugar de comideria, encher os pandulhos de carne gastando pouco e não ligar pra outros fatores. Um deles é o atendimento.

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O atendimento funciona. Você praticamente vai pedir pro garçom apenas as bebidas, visto que além do buffet de pratos quentes e saladas as carnes vão vindo em rodízio, então as coisas vêm normalmente sem muito esforço. Aos domingos, quando ela atinge sua máxima lotação em todo o horário de funcionamento, o atendimento é bastante corrido e um pouco truculento, mas funciona. SE você se importa com isso, acha que realmente com 36 reais, o preço do espeto corrido, vai comer carne à vontade e ter um tapete vermelho te esperando, então é melhor não ir lá. Ele não serve pra você. Se ainda assim quiser fazer uma visita, vá com o espírito livre de mal humor, tranquilo, sem se importar com a cara fechada das pessoas e o barulho que habita o amplo salão do restaurante. O ambiente é climatizado pelo menos, você não vai passar calor.

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As carnes servidas são boas. Considerando bom numa escala de 1 a 5, onde existe o péssimo, o ruim, o bom, o delicioso e o excelente. Ela bem preparada para o gosto popular da carne, carnes um pouco além do ponto, tendo opções de algumas peças servidas como “mal-passadas”, que no caso é o “ponto” correto.

Você vai poder comer picanha, costela, maminha, alcatra, costelinha suína, cupim, matambre, fraldinha, filé mignon, paleta de ovelha,  linguiça campeira, coração de galinha, queijo colonial assado (que é servido com melado de cana, recomendo experimentar esta iguaria) e outros ítens sazonais que estão inclusos no espeto corrido.

Paleta de Cordeiro
Paleta de Cordeiro

Recomendo fortemente essa paleta de cordeiro, e se estiver disposto a experimentar, pegue um pouco da geléia de hortelã. Fica delicioso.

Há um buffet de saladas e pratos quentes, como disse, que é livre para servir-se à vontade. E um outro de sobremesas, também livre. Note que algumas opções do buffet vão acabando e você pode chegar por volta das 14h, como cheguei, e sentir falta de algo. Mas não se assuste, como o movimento é intenso, eles vão repondo assim que algum acaba.

O preço do rodízio é de R$36 por pessoa e não há limitação. Com refrigerantes e 10%, o almoço saiu por volta de R$45.

Churrascaria Branger

  • Endereço: Rua Jacob Weingartner, 4434. Centro. Palhoça, SC.
  • Horário: de terça à sexta-feira, das 10h40 às 15h. Sábados, domingos e feriados das 10h40 às 15h30.
  • Telefone: (48) 3033-1911
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim