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Empadas Jerke: um clássico de Joinville

Todo mundo me fala das Empadas Jerke. Todo mundo posta fotos das Empadas Jerke. Todo mundo adora as Empadas Jerke. Por quê eu ainda não conhecia? Precisava ir até Joinville para comê-las.

Até poderia ir em alguma lanchonete do Centro que revenda, poderia comprá-la nos supermercados Angeloni onde ela se encontra disponível numa caixinha de congelados pra assar em casa, mas nunca é a mesma coisa. Se você quer comer alguma coisa, vá no lugar. Sempre. Assim como delivery nunca é igual comer no próprio restaurante, você não tem o forno deles, o clima deles, coisa e tal.

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Então na segunda-feira de carnaval estava entediado, com vontade de comer a tal empada, peguei o carro e fui até Joinville pra isso. Uns me chamam de doido por isso mas o espírito foodie é assim mesmo. Uns viajam pra ver 22 caras correndo atrás de uma bola, outros pra vomitar numa montanha russa no Beto Carrero, eu viajo pra conhecer comidas e restaurantes.

Afinal se a Empadas Jerke existe desde 1922 e desde 1931 é um estabelecimento comercial na João Colin, que custava eu dirigir duas horinhas pra comê-las?

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E lá estava eu, somente eu e minha namorada Fernanda, na Empadas Jerke numa segunda-feira de carnaval. Joinville estava toda fechada, nenhum shopping abriu, nenhuma atração na cidade, somente uma meia dúzia de coisas e as empadas.

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O lugar era bastante diferente do que eu imaginava. Aliás, tudo era muito diferente do que eu imaginava. Até as empadas eram, afinal são feitas com massa folheada ao contrário de uma empada convencional que usa a famosa massa podre (que não é podre). A casa é tipo um bar, com um balcão onde alguns velhos tomavam sua cerveja ou cachacinha, comiam um rollmops e conversavam com o balconista. Ao lado, uma grande estufa com vários salgados e uma infinita quantidade das empadas. E nas mesas éramos só nós comendo as tais empadas.

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A Fernanda, fã desde sempre da iguaria, havia me recomendado a Empada especial (camarão, palmito e azeitona). Eu experimentei a dela porque queria me aventurar em outras escolhas: a de palmito, a super (camarão branco e palmito) e a de camarão.

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Errei, claro, paguei o preço de quem não escuta. A dela estava melhor e fui obrigado a levar umas pra casa pra comer mais tarde (não sei se ficou claro, mas o post que fiz anterior a este, da churrascaria, era a refeição que precedia esta, não dava pra aloprar muito nas empadas).

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As demais achei meio secas e sem gosto, mas a especial dá um banho. Só fica aquele gosto residual de manteiga que a massa folheada tem (e que particularmente eu não sou muito fã), mas é gostosa se você conseguir lidar com isso.

Então fica a dica: se for na Jerke, peça a especial e não teime com sua namorada. Ou comigo, já que está lendo este post.

Você pode gostar ou nem tanto, mas conhecer os clássicos e respeitá-los, ainda mais a prole do Sr. Guilherme e Carlota Jerke que desde o século 20 fazem isso, é primordial.

Empadas Jerke

  • Rua Dr. João Colin, 393. Centro, Joinville/SC.
  • (47) 3422-3739
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

 

 

Madero: bom de hamburger e ponto

Quando falta foco o objetivo fica mais difícil de ser alcançado. É esse o clichê que alimenta muitas bocas de palestrantes de auto-ajuda mas que pra restaurantes nunca foi tão verdade.

Essa não é uma crítica que desqualifica a casa, há que se destacar suas honras e acertos. Mas frente o oba-oba com a chegada do Madero na cidade creio que sejam necessários alguns pingos nos is, isso claro na minha opinião (como se precisasse dizer a um leitor de BLOG que BLOG é opinião, mas vai que alguém dormiu nos anos setenta e só acordou agora em 14 com a larica da brilhantina).

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Madero manda bem no hambúrguer. Ele é bem temperado, a carne escolhida vem sempre no ponto bacana de quem aprecia carne de verdade (desculpa aí, sommerliers de sola da bota, nada pessoal!), o pão deles é incrivelmente saboroso e dá vontade de tornar mais vezes à casa pra apreciá-los. Queijo, bacon, qualquer que seja o o aliado da carne na guerra do colesterol alto, comer hambúrguer no Madero é quase sempre, como dizem na Serra, “uma enxadada e uma minhoca”. Sempre um acerto em cheio.

Mas, e sempre tem um mas, confesso que os pratos me decepcionaram bastante.

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A começar pelo palmito assado. Um grande e generoso tolete de pupunha assado e temperado com algo cujo sabor mais próximo era manteiga. Mas um sabor bem efêmero, quase que inexistente. E embora informações do restaurante de que ele é temperado com manteiga caseira e flor-de-sal de uma marca famosa, o que comi não foi bem isso. Ele é bonito, bem apresentado, mas falta sabor. O palmito por si só não tem muito sabor. Se temos a flor-de-sal na receita original já significa que, no mínimo, precisa-se acentuar seu sabor. E, tendo ou não, faltou. Palmito pupunha precisa de ervas, precisa de aromas, precisa agregar sabor.

Além do mais, não é barato. Quase R$30 por esta iguaria.

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Carnes. Vamos às carnes. Eu pedi picanha. No ponto. Veio no ponto, mas é difícil acreditar que comi picanha de excelente qualidade. Afinal, no cardápio dizia que ela é SUPER PREMIUM. É mesmo? Aqueles nervos que mastiguei dolorosamente diziam o contrário.

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E embora a foto pareça grande — vamos levar em consideração que a foto é de uma lente macro — o prato chega a ser famélico. Umas folhas verdes quase sambando no prato e se esticando todas pra darem a sensação de preenchimento, dois bifes de picanha e um filhote de bife sustentando o palitinho com a bandeira do ponto.

O preço? 41 dilmas pra continuar com fome.

Justiça seja feita, o molho de chimichurri é um dos melhores que já comi. Que saboroso!

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Outro ponto forte é o jogo de pimentas que você pode pedir. Na mesa tem apenas um, a pimenta clássica da Tabasco, mas se quiser a minha preferida Chipotle, por exemplo, precisa pedir que o garçom traga na mesa.

Mas você vai saber disso em duas ocasiões: 1) lendo este post, ou 2) exumando a mãe Diná e pedindo ajuda dos astros, ninguém te fala isso antes da refeição. Aliás, um outro ponto crítico do Madero em Floripa é o atendimento. Se em Balneário Camboriú eu fui muito bem atendido, na filial do Beiramar Shopping temos mais um reflexo da péssima mão de obra para restaurantes que esta cidade quase nula em turismo provê.

Pedir uma bebida, mesmo sendo uma simples e inofensiva água mineral, que não morde os dedos de ninguém (juro!), e que custa uma fortuna, conferindo quase que 500% de lucro pra casa, ou um suco de laranja, a preços Padrão Fifa, pode ser uma tarefa um tanto quanto cansativa, quando se precisa repetir três ou quatro vezes.

Parabéns, Madero, vocês têm um dos melhores hambúrgueres da cidade. Mas os demais pratos não me agradaram.

Madero

  • Endereço: Rua Bocaiúva, 2246. Beiramar Shopping. Centro, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3039-0388
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim