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Botequim du Cais: Empanadas criollas na Costa Esmeralda

Já havia comido em Bombinhas. Os restaurantes que escolhi não eram bons, acabei ficando com uma má impressão do lugar. Mas como a sina do blogueiro de gastronomia é uma atitude de perseverança atrás da outra, neste domingo resolvi aportar novamente na Costa Esmeralda pra conhecer outro pedaço deste pequeno paraíso escondido no litoral norte de Santa Catarina: Porto Belo.

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Dessa vez não fui com uma mão na frente e outra atrás, pesquisei bastante antes de escolher um lugar pra comer. Resolvi seguir a dica da minha “colega de profissão” Daniele Bruxel. Além de morar na região conhece os restaurantes de lá como a palma da sua mão, afinal defende a gastronomia local como food hunter dos Destemperados.

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E eu não poderia ter feito coisa melhor. Primeiro porque o lugar é muito simpático. Num prédio muito bonito, de frente para o píer de Porto Belo, com uma linda praia de mar que exala beleza mesmo em dias nublados com o sol aparecendo de vez em quando e comida muito boa.

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O cardápio do Botequim du Cais é bastante completo, mas não é puro “embromation”. Várias opções que atendem todos os tipos de paladares. Os proprietários são argentinos então é comum ver ingredientes locais com uma forte tendência castelhana no restaurante.

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Uma boa prova disso é que os pastéis são substituídos pelas empanadas criollas, comida típica argentina trazida pelos espanhóis. E foi por elas que comecei a experimentar o cardápio. Na mesa comemos as de Camarão (que vai queijo catupiry junto), Carne Picante, Cebola e Queijo e Calabresa. A de camarão, que foi a que comi, era muito bem servida. Recheio em cada canto do quitute, nada de mixaria quando o assunto era recheio.

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Poderia ficar meia hora falando dessas empanadas, do quanto o sabor delas é incrível, da quantidade de recheio, do tempero, do molho picante que acompanhava todas elas… mas acho que as fotos falam por si.

Mas era preciso comer algo com mais sustância, precisava passar mais tempo naquele lugar calmo (fora da temporada) e queria ficar vendo aquele marzão lindo por infinitas horas. Então fomos ao prato principal.

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Eu e a Aline comemos Peixe ao Queijo Azul, um prato principal que serve duas pessoas. O prato consiste em filé de peixe (linguado) grelhado e coberto com um delicioso molho branco com queijo gorgonzola. Acompanhava arroz, salada mista e batatas fritas, bem servidas, como guarnição.

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Já o Everton e a Samantha comeram o Peixe à Milanesa, desta vez era uma merluza. Os acompanhamentos eram os mesmos.

Os pratos não são gigantescos como estamos acostumados em alguns restaurante, mas são suficientes pra saciar estômagos mais vorazes. É recomendável começar com uma entrada, e as empanadas criollas são as recomendadas. De qualquer modo os pratos são muito baratos (levando em consideração o preço que pagamos em Florianópolis) e têm mais sofisticação e cuidado no preparo que muitos restaurantes daqui. Pra vocês terem uma idéia, o Peixe ao Queijo Azul custou módicos R$60 (e serviu duas pessoas, como já disse). O à milanesa R$45.

Não encaramos as sobremesas porque já estávamos satisfeitíssimos, mas desde o Petit Gateu até outras sobremesas que aparentam ser deliciosas, várias opções delas aparecem no cardápio, também a preços bastante interessantes.

O almoço custou em média R$85 por casal.

Obrigado pela dica, Daniele! Voltarei mais vezes!

Botequim DU Cais

  • Endereço: Rua Manoel Felipe da Silva, 18.
  • Telefone: (47) 3369-5782
  • Horário: abre de quinta à domingo, das 11h às 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

Bucaneiros: do arroz ao camarão, tudo perfeito!

Há tempos venho explorando mais a culinária do continente catarinense. Se o tempo que morei na Ilha de Santa Catarina foi suficiente para desbravar boa parte do que a gastronomia ilhoa tinha para oferecer, é em terra firme que tenho me surpreendido muito com a diferença de sabores e preços. As vezes encontramos pérolas como o Bucaneiros (ou Bucaneiro, como está na placa na entrada, o proprietário ainda não decidiu), que além de muito barato, oferece comida excelente e em boa quantidade para todos os apetites, do outro lado da baía norte.

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Costumo dizer que restaurantes precisam caprichar tanto numa lagosta quanto num simples pastel de camarão. Fazer com perfeição uma excelente carne e não deixar pra trás uma mera salada. Muita gente não liga pra isso, vai com sede ao pote no prato principal e esquece que está pagando por um almoço completo, onde tudo deve estar a contento, e a mesma grandiosidade de um principal ser refletida num mero arroz.

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O Bucaneiros tem isso. Os acompanhamentos dos principais pratos do restaurante são batatas fritas, salada, pirão de caldo de peixe e a figurinha carimbada do dia-a-dia, o arroz. Lá ele aparece em duas versões: o arroz branco simples e o arroz branco com alho. E por incrível que pareça toda vez que eu vou comer no Bucaneiro eu já começo a salivar pensando no arroz, mesmo antes de fazer a curva no Morro da Bina, antes mesmo de chegar em São Miguel.

Mas obviamente nem só de arroz se faz um restaurante, então vamos aos fatos.

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O couvert do Bucaneiros também é saboroso. Não deixe de experimentar estes pãezinhos que são servidos já na chegada, antes mesmo do pedido ser feito, acompanhados com um molho de maionese da casa. A salada é boa, também, mas domingo não é dia de salada!

O cardápio da casa é composto por uma seção de Aperitivos, onde você pode comer desde um camarão à milanesa, mariscos, lulas e peixe nos seus mais diversos preparos, além de uma seção de pratos principais à base de Camarão e Peixes. Também tem pratos com carne e frango para os que não comem ou não estejam a fim de frutos do mar, os famosos chatos de galocha que acompanham aventuras gastronômicas sem manjar dos paranauê.

Enquanto saboreava o couvert pedi uma caipirinha. Drinks não são o forte deles, ela estava ácida demais e muito forte, mesmo pra quem já está acostumado com o sabor da cachaça. Valeu pela ingestão exclusiva da cachaça que, segundo o manezinho, serve pra cortar o “veneno” dos frutos do mar.

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Como prato principal pedi o Linguado ao Molho de Camarão. Deveria ter pedido meia porção, este humilde prato serve nada menos que 4 pessoas famintas após uma prisão em uma solitária por três semanas. Peixe à milanesa bem fritinho e no ponto certo, casquinha crocante e com um delicioso e bem temperado molho de camarão por cima.

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Havia pedido também a Maionese de Camarão que embora estivesse no cardápio de saladas não agrada nutricionistas como tal, mas eu fiz a minha parte. Essa eu fui inteligente e pedi meia porção que seguramente serve duas pessoas nas mesmas condições famélicas.

Batatas cozidas na medida certa, com o mesmo molho de maionese caseira acima citado e camarões médios cozidos e crocantes, mesmo sem casca, pra manezinho nenhum botar defeito.

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Como se tudo isso ainda não bastasse pra empanzinar o vivente, um buffet com sobremesas típicas da nossa região, contendo doces e frutas era servido gratuitamente para todos os comensais. Provem o pudim de leite deles, é uma delícia!

A conta fechou por volta de R$130 e poderia ter sido bem mais em conta caso não tivéssemos pedido comida para um batalhão.

E a digestão foi feita vendo as escunas chegarem e partirem no trapiche desta praia, lotadas de pessoas que assim como nós estavam em busca de excelente comida.

Restaurante Bucaneiro

  • Endereço: Rua Brigadeiro Eduardo Gomes, s/n. Balneário de São Miguel, Biguaçu/SC.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: Sim

Roteiro Gastronômico: Ribeirão da Ilha

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O Ribeirão da Ilha é pra mim o bairro mais charmoso de Florianópolis. Está localizado no Sul da Ilha de Santa Catarina mas ainda assim, por ser tão afastado e manter ali suas raízes, parece uma cidade a parte. Ir ao Ribeirão é como sair de Floripa e ir visitar uma cidade do interior que preserva ainda seu ar bucólico e provinciano, as suas raízes na gastronomia, música, artesanato e seus costumes em geral.

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E como toda pequena cidade é na sua praça e Igreja matriz que tudo começa. Cem anos após a chegada dos 6 mil açorianos em Santa Catarina em 1650, foi trazida uma imagem de Nossa Senhora da Lapa. Sua capela foi construída pelos escravos com pedra, cal e óleo de baleia, ingrediente típico da argamassa na época, que era trazida das armações baleeiras também do Sul da Ilha.

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A arquitetura como um todo da região talvez seja a mais intacta do estado, e que mantém desde então sua formação original. As ruas muito estreitas, as casas coloridas e tipicamente da herança portuguesa e que resistem ao tempo até hoje são dignas de uma foto, cujo cartão postal não pode ficar de fora no portifólio dos turistas que buscam abrigo neste pequeno pedaço de paraíso.

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As suas águas são especiais: é uma das poucas praias de mar manso, virada para a baía entre continente e Ilha, que ainda permite o banho de mar. As condições de balneabilidade oferece ao banhista segurança na hora de se refrescar tanto na água quanto embaixo de suas centenárias árvores.

E apesar de ser ali que Santa Catarina praticamente começou a ser colonizada, o Ribeirão foi somente a terceira localidade da cidade a ganhar o status de “Vila”. Nesse título puxo o gancho do restaurante Vila Terceira, que além de um comprometimento com o resgate histórico do lugar se alinha também na gastronomia e apesar das modernas técnicas em se fazer boa comida mantém vivo um pouco da herança que os açorianos deixaram no prato do manezinho.

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Tudo começa com a cachaça produza ali mesmo no Sertão do Ribeirão, mostrando que aquela terra além de boa comida bonita arquitetura também fora palco durante muito tempo dos principais alambiques do Estado. A Anchova da Vó Guida é um excelente modo de harmonizar essa cachaça, seja numa dose única ou numa caipirinha que é pedido certo por ali, que acompanhada de uma farofa especial de camarões e molho de alcaparras transformam a simplicidade dos ingredientes ilhéus num banquete dos deuses que teria feito Sebastião Caboto transformar essa terra num domínio dos espanhóis.

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Destaque também para o Café de Ostra, um café espresso acompanhado por um doce de chocolate branco feito por uma doceira local em forma de ostra.

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O Vila Terceira tem também um polvo crocante muito delicioso que experimentei, mas pra falar de Polvo preciso citar o Santa Figueira. Com um deck maravilhoso na beira da praia do Ribeirão e com vista para toda a baía Sul, o Santa Figueira traz uma gastronomia inspirada nos mesmos ingredientes locais porém com fortes influências internacionais. É o caso do Polvo Thai, temperado à moda asiática e todo empanado, porém sequinho e crocante, além de muito macio por dentro.

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Lá também experimentei os Vol-au-vent, pequenas cestinhas de massa folhada de diversos sabores: Camarão ao Champagne, Siri ao Saquê e red curry e Funghi. Três de cada.

As Ostras são a grande vedete do lugar transformando o Ribeirão da Ilha no maior produtor brasileiro deste molusco bivalve, tão apreciado na gastronomia e com o sabor que deixa qualquer gringo na simplicidade de comê-la in natura.

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Grande especialista em Ostras, temos o Ostradamus. Jaime Barcelos é um ícone da gastronomia de Florianópolis, começou no Ribeirão fazendo cachorro-quente na noite e hoje com certeza comanda um dos melhores restaurantes que oferecem ostras na cidade. Com o exclusivo e inédito por aqui método de depuração de ostras, consegue trazer o produto mais puro e livre de qualquer risco de intoxicação ao consumidor. As ostras saem do cativeiro no mar da baía Sul e vão direto para o depurador, grosso modo um grande aquário localizado na entrada do restaurante para quem quiser conferir o processo, que faz durante 12 horas a filtragem deste molusco liberando e deixando para trás qualquer sujeira que tenha ficado durante sua vida.

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Destaque-se também o prato Arrombassi Istepô, batizado com uma expressão mais mané impossível, e que consiste numa travessa de arroz cozido com frutos do mar variados e um toque de pimenta produzida na própria casa. Outro destaque é sua vasta adega que fica no subsolo do restaurante, abaixo do nível do mar e da areia da praia.

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Do mesmo proprietário e localizado na frente da sua nave-mãe, o Café Tens Tempo traz uma diversidade para o Ribeirão: café saboroso e doces portugueses de altíssima qualidade. Funciona como um empório onde você pode adquirir alguns souvenirs do Ostradamus, com uma decoração muito robusta e linda, a perder a mirada enquanto se degusta um pastelzinho de Nata ou um pastel de Maçã, doces feitos por uma família portuguesa de São Paulo.

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Se a sobremesa do seu restaurante preferido não agradar, uma visita ao Tens Tempo é mais que certa para encerrar a sua estadia por ali.

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Outra excelente opção de gastronomia local levada a sério, com uma vista de causar suspiros nos comensais e comida saborosa a preços honestos, é a Ostreria Umas e Ostras. O nome brinca com o carro-chefe do lugar e oferece um produto tão excelente quanto sua concorrência. Ostra gorda, saborosa e numa travessa com gelo para manter seu frescor à mesa se for pedida in natura.

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Destaque-se também os seus petiscos caseiros feitos por cozinheiras que entendem tudo de manezinho e de comida, como o pastel de camarão e o pastel de berbigão, outro bivalve conhecido na cidade e figurinha carimbada no resto do país com o nome de vôngole.

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Entre um restaurante e outro você pode conhecer também um pouco do artesanato local, seja nas esculturas em barro ou qualquer peça com renda de bilro, que é herança também açoriana na nossa cidade, nas pequenas casas que comercializam estes produtos. A que mais gostei fica em frente ao Umas e Ostras, e tem lindas peças para se admirar e levar pra casa um pouco da nossa cultura, e que graças a estas pessoas ainda se fazem viva em nossa memória, resistindo o passar do tempo.

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Visitar o Ribeirão da Ilha é indispensável para quem quer conhecer Florianópolis. É mergulhar não só na gastronomia de um povo que forjou sua têmpera em quase 500 anos de história de uma colonização tipicamente portuguesa, mas também se sentir em casa, bem acolhido e confortável numa cidade pequena que a cada verão triplica seu tamanho e ganha ares de metrópole e que apesar da linda paisagem já cheira os odores da constante evolução demográfica e tecnológica.

Roteiro Gastronômico: Coqueiros

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Se a Lagoa da Conceição é o bairro mais democrático da Ilha de Santa Catarina, a região continental de Florianópolis tem o seu emérito representante: Coqueiros. Não há quem nunca tenha tomado uma cerveja ou mesmo um refrigerante olhando para a bela orla que o bairro mais nobre do lado de cá da ponte descortina ao visitante.

Se a vista é bonita, o turista se entristece ao saber que as suas praias não ofereceram balneabilidade. Mas a história desse lugar que sempre foi e continua sendo um dos roteiros mais procurados para quem quer comer, beber bem e se divertir compensa o fato de não poder entrar na água para um bom banho de mar.

Coqueiros é berço de ninguém menos que Franklin Cascaes, o folclorista florianopolitano que dedicou sua vida a forjar no mármore da história grande pedaço da nossa cultura cujo legado briga com a ânsia do esquecimento telúrico deste rincão.

Se você está visitando Florianópolis e quer conhecer as praias do continente, comece pela do Itaguaçu, além de estar recheada de opções gastronômicas, estará olhando para o mesmíssimo cenário que Franklin quando contou a história das Bruxas do Desterro.

Conta a lenda que em uma noite de Lua cheia as bruxas, que eram malvadas uma barbaridade e durante a noite roubavam as canoas dos pescadores da região, resolveram dar uma festa. Foram convidados toda a sorte de seres do mar e da terra, boitatás, sacís, lobisomem etc. Mas deixaram de fora o diabo, pois além de ser feio cheirava a enxofre. O capeta por sua vez saiu fazendo uma ronda pela região quando ouviu as gargalhadas “bruxólicas” e descobriu a festa. Como punição por não ter sido convidado, transtormou cada uma das bruxas em pedras, que até hoje vivem no bruxólico e bucólico Itaguaçu.

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Já até perguntei pro Paru se ele acredita que na frente do seu famoso restaurante, que é considerado o segundo restaurante mais estreito do mundo, medindo 30 metros de comprimento mas apenas 2m de largura, vivem as tais bruxas. Ele diz que não duvida, mas também não é garantido. Sabe-se ali naquelas redondezas que “las hay”, como diz o ditado.

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Come-se ali na Toca do Paru um dos melhores pescados que ele mesmo assa na beira da praia, com brasa. Conhecer Coqueiros e não passar pelo Paru é motivo pra você também virar uma pedra, sem querer eu te mandar algum feitiço.

Mas há também outro lugar encantador que é o Bom Abrigo. Ele fica mais afastado, é uma pequena orla que compõe o litoral de Coqueiros. A calçada, os bancos e as árvores dão uma sombra refrescante no verão.

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Conhecer o Bom Abrigo é um excelente motivo para levar sua família no Galeto da Mamma. No estilo das galeterias de gramado, oferece o melhor do galeto ao primo canto, massas e outras guloseimas que só as Serra gaúcha no estilo italiano consegue prover. Além disso, uma excelente e honesta carta de vinhos compõe o maravilhoso serviço do lugar.

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E se o programa é um passeio ao ar livre, Coqueiros também tem uma excelente opção. É neste bairro, logo na saída da ponte Pedro Ivo Campos que liga o Continente à Ilha que fica o maior parque aberto da cidade: O Parque de Coqueiros. Ali tem espaço para as mais diversas atividades: corrida, caminhada, ciclismo, campo de futebol, quadra polivalente, quiosques para um jogo de xadrez, bancos largos e confortáveis para um chimarrão ou uma pipoca dos carrinhos que ficam ao redor, ou mesmo um espaço amplo e gramado para levar seu animal de estimação para brincar e socializar com os demais.

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Nesses arredores está instalado um dos melhores restaurantes de sushi de Floripa: A Jun Temakeria. Sushis feitos com muito esmero por uma equipe já renomada na cidade, usando ingredientes de altíssima qualidade e inovando em vários quesitos. Ali experimentei, por exemplo, o sashimi de Anchova Negra defumada, uma delícia que só indo lá comer para comprovar.

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Tem também o xis do Sancler, já elencado aqui como um dos cinco melhores da cidade. Vir ao Sul do país e não comer um xis, o que temos de melhor na comida de rua, é uma heresia que nem mesmo as bruxas perdoam.

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Se a fome for de um hamburguer mais elaborado, pouco mais pra frente tem o Gourmet Burger Market. Lá experimentei um delicioso hamburguer de cordeiro com ingredientes mais elaborados do que o da receita original dos americanos. Uma delícia que mata a fome agrada ao bolso de qualquer um.

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Há também na orla principal de Coqueiros diversos bares e botecos, alguns funcionam até como casa noturna, onde você pode sim comer bem mas com um foco mais nas bebidas e na diversão. É o caso do Boteco Zé Mané que visitamos recentemente e fizemos um review sobre, oferecendo várias comidinhas. Destaque para o saboroso caldinho de feijão deles.

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Em meio a tantos restaurantes de frutos do mar o bairro também oferece a mais tradicional pizzaria da região: Chico Toicinho. O nome vem numa homenagem abrasileirada ao filósofo inglês Francis Bacon. A pizza é de alta qualidade e você tem um ambiente muito agradável para saboreá-la.

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Quer comer uma carne? Também é possível. O Maria Farinha Grill está ali na ponta de Itaguaçu para oferecer excelentes cortes de carnes nobres. Dá até para se sentir em Buenos Aires experimentando o tradicional bife de Chorizo acompanhado de legumes cozido e boas brincadeiras com a mitologia desterrense no cardápio.

Coqueiros possui uma excelente via gastronômica, e aproveitá-la carece apenas de um pouco de paciência para percorrê-la e sem muita pressa escolher onde comer. A diversão será garantida!

Sabor da Costa: passeio de barco, excelente vista e comida boa

Conhecer a Costa da Lagoa é uma experiência incrível. Senti-me como um turista da minha própria cidade, explorando um lugar desconhecido, muito distante, mas que fica a menos de 30 minutos da minha casa. A Costa da Lagoa é uma região onde o visitante só pode chegar por barco: seja saindo da Ponte da Lagoa da Conceição, seja partindo da Estr. Geral de São João do Rio Vermelho, o caminho mais curto entre um ponto e outro.

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O sol e o calor que fizeram no último sábado foram praticamente um convite da natureza a conhecer a gastronomia daquela região, onde os frutos do mar não poderiam deixar de ser as grandes vedetes. Nem mesmo o vento que batia de través fazia os rústicos barcos, denúncia de um sistema de transporte marítimo ainda precário na Ilha de Santa Catarina, largarem seus destinos.

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Dos tantos restaurantes que habitam naquele lugar, fui até o Sabor da Costa. Excelente escolha e sugestão da Aline que sabe onde comer bem. O Jajá, proprietário e assador do restaurante, nos recebeu com uma cachaça das buenas, quase que num ritual de batismo, dos que estréiam com um trago largo pra tirar a poeira da goela.

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Dica: se você pedir, o Jajá autografa e te dá o copo de barro de recordação.

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Por falar em Jajá, não só ele mas todo mundo que atende no Sabor da Costa é bem humorado e faz questão de manter o astral do ambiente pra cima. Entre brincadeiras, piadas e causos, um show à parte da gastronomia é feito ao vivo e sem cobrança de couvert artístico.

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Boa mesmo era a comida. Entramos com estes pastéis de Siri. Não preciso dizer que é frito, né? Pastel assado é coisa de quem vai na churrascaria pra comer salada. O recheio muito bem temperado e molhadinho de um siri refogado com ervas e tomate.

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O Jajá havia comentado sobre o seu “Caviar”, e antes de pedir o prato principal pedi um segundo petisco: Ovas de tainha defumadas. Este prato consiste num par de ovas de tainha defumadas e assadas na brasa, servidas com limão cravo e, pasmem, melado de cana orgânica.

Resgatei a minha infância, é coisa de manezinho colocar melado na comida salgada. E que combinação. Não precisei de muito esforço pra comer o prato inteiro que, como entrada, serve bem três pessoas.

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Para o prato principal, escolhemos o Badejo grelhado. Havia a opção da anchova, mas anchova é coisa de turista. Bom é o badejo, peixe carnudo e saboroso, vizinho da garoupa que vive entocado nas pedras.

Assim como as ovas, foram assados na hora, na nossa frente; pudemos sentir o cheiro daquele peixe assando e atiçando, ainda que com o estômago já bem forrado com as entradas, o paladar que insistia em verter muita saliva.

Acompanha o Badejo grelhado uma porção de arroz branco, pirão de caldo de peixe e batatas fritas. Tudo muito saboroso e cumprimento bem o seu papel.

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Além de boa comida e atendimento impecável, dizer que a vista do restaurante é bonita é sacanagem. Nem mesmo o mal humor do dia a dia passa incólume a um restaurante sobre um deck à beira-mar e um dia lindo de sol.

A conta fechou em R$195 para três pessoas, que comeram muito bem e beberam bastante.

Resta o convite: o verão tá chegando, já não faz tanto frio por aqui. Visitar a Costa da Lagoa torna-se obrigação turística. Escolher o Jajá pra te servir o almoço é uma decisão mais que acertada!

Sabor da Costa

  • Endereço: Rua Geral da Costa da Lagoa, s/n. Costa da Lagoa. Florianópolis.
  • Horário: diariamente para o almoço, exceto em caso de mal tempo que impeça as embarcações de chegarem.
  • Telefone: (48) 3335-3070
  • Aceita cartões: sim

Toca do Paru: comendo um peixe com as bruxas de Franklin Cascaes

Franklin Cascaes é dos meus. Nunca chamou a cidade de Florianópolis. Florianópolis quer dizer Cidade de Floriano, o Peixoto, o marechal de ferro, que degolou uns duzentos da oposição em Anhatomirim. Três eram parentes de Cascaes e, para nós, homenagear este canalha é um erro histórico gravíssimo. Pra ele era Nossa Senhora do Desterro e Ilha de Santa Catarina de Alexandria. A bem da verdade ele nasceu em São José. O bairro de Itaguaçu na época pertencia à São Jozé da Terra Firme, como boa parte da porção continentina da cidade nos idos de 1910.

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Ele não acreditava nas bruxas, “mas que hay, hay”, e por isso relatava fielmente o que lhe contavam em suas obras. Um de seus discípulos, o Peninha, conta que no Itaguaçu aconteceu o Baile das Bruxas. Era uma reunião de tudo que era coisa ruim e, encurtando a história, não convidaram o diabo por feder a enxofre e por ser antissocial. No meio da festa ele aparece e, por não ter sido convocado, transforma as bruxas, organizadoras, em pedras.

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Essas pedras são cenário deste post. Itaguaçu quer dizer Pedra Grande e neste pequeno rincão de paraíso encontramos a Toca do Paru, um restaurante já tradicional da cidade. Se você não conhece pelo apelido do proprietário, vai lembrar de alguém que já ouviu falar do restaurante mais estreito já visto por estas plagas. Isso porque o Restaurante Toca do Paru fica num rancho de pescadores que possui 30 metros de comprimento mas menos que dois metros de largura. Neste ambiente, apenas mesas para duas pessoas e na outra parede várias fotos de visitantes, ilustres e anônimos, além da decoração baseada nos costumes locais.

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Na área externa é que acontece a mágica. Nas mesinhas de plástico em cima da simpática Rua das Palmeiras, que beira a praia com o mesmo nome, a vista das pedras do Itaguaçu e o mar da baía-Sul de Florianópolis encanta quem ali almoça. O atendimento é gentil e rápido, funciona.

A culinária é toda mané. Desde os aperitivos (casquinha e torpedinho de Siri, camarões empanados, à milanesa, ao bafo, ostras e mariscos) até os pratos principais como a Moqueca de Garoupa e o Peixe Escalado na Brasa.

Fui para experimentar o Peixe assado na brasa ao molho de alcaparras (R$85), e o peixe do dia era o Paru.

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É um legítimo Paru, ou Peixe-frade (Pomacanthus paru, que você já deve ter visto em algum aquário marinho). Ele vem inteiro, recheado com uma deliciosíssima farofa de camarões e assado na brasa, com molho de alcaparras dando um toque especial. É um peixe indicado no cardápio para duas pessoas, mas se pedir um reforço nos acompanhamentos alimenta muito bem quatro indivíduos com fome normal.

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Falar em acompanhamentos, juntos com o Paru assado vem uma salada mista, pirão de caldo de peixe, um arroz branco bem temperado e um saboroso feijão preto. Tudo isso servido em panelas de barro, que mantém a temperatura dos alimentos e o seu frescor.

Ao invés de pedir um petisco qualquer de entrada, fiz que nem todo bom ilhéu: pedi uma cachaça. Dizem os incautos que “faz mal comer de barriga vazia”. Ofereci o gole do santo e saboreei a Caninha especial do Paru com Mel e Canela. Uma cachaça feita aqui mesmo na cidade, muito boa, e que com mel e canela fica saborosíssima. Recomendo experimentá-la.

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Agora o que me deixou realmente boquiaberto ontem, é que entre um gole e outro da cachaça, a Rebecca me contava, ainda sobre a lenda das bruxas e das pedras que contei no início do post, alguns fotógrafos já registraram imagens em que, dependendo do ângulo, essas pedras formariam o rosto de uma bruxa. Não achei registro disso por enquanto, complemento quando possível, e na ocasião brinquei com ela, no meu melhor estilo ateu de ser cético. Só depois de publicar uma foto da cachaça no Instagram é que notei que dentro da bebida forma-se a impressão de um rosto de uma mulher usando chapéu.

Seria uma bruxa? Franklin Cascaes tinha razão. Las hay!

Restaurante Toca do Paru

  • Endereço: Rua das Palmeiras, 136. Itaguaçu, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3249-0593
  • Horário: De quarta à sexta-feira, para o jantar. Sábado, domingo e feriado à partir das 12h.
  • Aceita cartões: Somente débito.