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Nona Henriqueta: comida de italianos com as bençãos de Amábile

Coisa boa quando a gente encontra comida boa numa cidade boa com pessoas boas em nossa volta!

Dia desses fui até Nova Trento pra uma passeio em família e visitar o Santuário de Santa Paulina. Pra você que não sabe quem é, Amábile Lúcia Visintainer é uma italiana de Vígolo Vattaro, no norte da Itália, e que veio para o Brasil com sua família no final do século 19. Seguiu vida religiosa e, após sua morte, foram confirmados milagres que deram à então Madre Paulina o título de beata, confirmado pelo então Papa João Paulo II em 18 de Outubro de 1991 em visita à Florianópolis. Dez anos depois ela se torna a primeira santa brasileira, sendo chamada então de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.

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Voltando pra Santa Catarina, Nova Trento é a cidade onde Amábile viveu boa parte de sua vida. E, confesso, eu viveria bastante tempo por lá também. A falta de sinal de telefonia celular não atrapalha em nada a experiência gastronômica e religiosa que você pode experimentar neste pequeno pedaço de chão. É claro que, como em qualquer cidade cujo turismo religioso é explorado, e como o próprio Jesus advertia na Bíblia (se as minhas aulas de catecismo não estão muito defasadas), os vendilhões estão em toda a parte ao redor do templo. Filtre um pequeno camelódromo instalado na frente do Santuário e um ou outro restaurante que mais parece barraca de acampamento de rodeio e você terá excelentes opções pra curtir a cidade.

Um deles chama-se Nona Henriqueta e fica no começo da Rua Madre Paulina, o acesso principal ao santuário. O escolhi porque Henriqueta é o nome da minha bisavó (esses “críticos”!) e nem Santa Paulina pode me julgar por isso. No fim das contas a escolha foi boa. Em verdade, digo-vos porquê:

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A comida era boa. O Nona Henriqueta acolhe os romeiros ou mesmo os visitantes esporádicos com um lindo buffet de saladas e sobretudo um magnífico buffet de pratos quentes, sobre chapas de fogão à lenha e panelas de ferro contendo as mais belas delícias que um imigrante de italianos poderia fazer.

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Era um buffet generoso, mas me concentrei na maionese, na carne de panela, na polenta frita e na massa caseira. Nada de massa chique ou importada, macarrão caseiro mesmo, feito pelos cozinheiros do restaurante, daquelas que as nonas fazem no fim de semana.

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Pra quem gosta, uma polenta inteira é servida todos os dias de funcionamento da casa. Na tábua, como um bom colono faz!

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E esse nhoque com molho de galinha?

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O que dizer dessa galinha caipira que nem conheço mas já considero pacas?

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Vinho é algo que não falta em Nova Trento. A região produz e comercializa todos os possíveis produtos da uva e é possível, no trajeto até a Igreja, avistar as parreiras na beira da estrada. Nas lojas de produtos coloniais você pode comprar vinhos pra levar pra casa — além de uma degustação in loco), seja pra beber, pra presentear ou mesmo tentar copiar esse delicioso sagú que serviram de sobremesa no restaurante.

O Buffet livre custa cerca de R$20 por pessoa e eu queria muito poder morar lá pra almoçar todo dia no Nona Henriqueta.

Fica a dica de passeio e restaurante pra se comer em Nova Trento!

Nona Henriqueta

  • Rua Madre Paulina, 155. Vígolo, Nova Trento/SC.
  • (48) 3267-0563
  • Estacionamento

 

Oro Giallo Polenteria: quando si mangia la bella polenta

Si mangia cosi.

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Comi bem no Oro Giallo Polenteria, talvez a primeira casa especializada em polenta que se tem notícias por estas bandas. Se eu estiver errado, por favor, me corrijam, mas por ora damos o título de Primeira Polenteria de Florianópolis ao restaurante capitaneado pelo chef calabrês Pietro Prestia.

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Oro Giallo em italiano quer dizer Ouro Amarelo e não é pra menos: desde Cristóvão Colombo que os europeus se encantaram com este grão nobre das Américas. É do século XVI e XVII, e essa história você pode acompanhar na primeira página do cardápio do Oro Giallo, o primeiro registro dos italianos transformando o milho em polenta. E, engraçado quanto seja, disseminou-se pra cá de volta com os imigrantes italianos, colonizadores do Sul brasileiro.

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Falar em cardápio, o menu do novo restaurante localizado no bairro Coqueiros, ao lado da AABB, é totalmente inspirado na polenta. Como bom italiano dá opções de massas e risottos, alguma coisa de menu kids, mas se apresenta de forma maciça no próprio ouro amarelo. E embora tivesse curiosidade de conhecer estes variados pratos, não saí da polenta nem por decreto.

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Achei interessantes as entradas, também com opções pra quem por algum motivo estiver acompanhando um fã da iguaria e não comer polenta, e escolhi a Polenta e Formaggio. Três pedaços de polenta, queijo provolone doce e geléia de damascos. Simples assim, com uma folhinha de manjericão pra decorar e um pouco de azeite. Embora tenha ingredientes doces não dá pra jogá-la pra compartilhá-la no cardápio de sobremesas. A polenta é firme porém muito macia de se comer, o toque da geléia é incrível e combina muito bem. Uma delícia de se experimentar enquanto o prato principal não fica pronto.

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Eu olhei, olhei e olhei de novo e acabei cainda na tentação do Hamburguer di Polenta. Não foi uma sugestão do garçom mas ouvi que era um prato que saía bastante (sempre tento escolher as pratas da casa, não há porque não confiar no imperativo gosto popular). Acho que errei, deveria ter ido no tradicional e deixado a invencionice de lado.

O Hamburger di Polenta tem a idéia do tradicional hamburguer, onde o pão é substituído por dois discos de polenta grelhada, lascas de filé mignon, abobrinha italiana, queijo e tomate. Não é que ele estivesse ruim, nada disso. O prato aparentemente foi executado como deveria ser. Mas não causou nenhuma surpresa, sabores de cada ingredientes meio apagados, talvez estivesse com a expectativa maior pela novidade do que qualquer coisa. Recomendo, inclusive, que algum leitor experimente e me conte o que achou, pra tirarmos uma conclusão mais elaborada. Fica em aberto por enquanto.

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O que ajudou bastante no prato foi este azeite, da Asaro, um azeite extra virgem com limão siliciano (da Sicília, claro!) que deu bastante sabor a todos os preparos de polenta que experimentei. Saboroso e aromático, dá vontade de beber no gargalo. Inclusive se alguém souber onde comprar isso por aqui (o garçom já adiantou que o Chef importa quase todos os ingredientes), me avisem!

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Depois experimentei o Polpette della Mamma, que foi a escolha da Monica Boeira, quem deu graça e “tananã” ao jantar, e que com seu diminuto estômago permitiu mais que as duas tradicionais garfadas científicas ao prato alheio, daquelas que ajudam no review. Afinal, não dá pra escrever sem experimentar e ter primeira e segunda opinião.

E se fez presente o velho ditado de que a grama do vizinho é mais verde, mais bonita. Enquanto eu tentava entender o Hamburger di Polenta, as Polpettas estavam deliciosas, muito boas mesmo, e a polenta mole de um jeito muito característico, com uma cremosidade que poucas vezes vi nos restaurantes que se arriscaram a serví-la por aqui.

O sabor do molho, o frescor dos ingredientes, o tempero e o toque do chef finalmente haviam aparecido.

Agora sim vi beleza na casa, vi graça numa lindíssima lareira instalada no salão principal que aquecia os comensais naquela noite de frio e vento-Sul, vi magia na adega que eu sequer experimentei mas que só pela beleza da organização das garrafas já se fazia bela.

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Pra quebrar um pouco o milho, de sobremesa pedimos Tiramisú. Bolacha Champagne, café, creme de queijo e cacau, como manda e mangia o figurino.

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Até poderia ter pedido uma sobremesa com polenta, existem duas: Polenta Dolce al Cioccolatto, o nome é autoexplicativo; e Amor Polenta e Gelatto, um bolo de milho com rum e sorvete de baunilha. Estas duas deixarei pra experimentar na próxima visita, onde agora farei o pedido certo e deixarei o hamburguer pros americanos, porque no Oro Giallo si mangia la bella polenta, cáspita!

Nota: A conta fechou em aproximadamente R$140, sem bebidas alcoólicas, e serviu duas pessoas.

Oro Giallo Polenteria

  • Rua Desembargador Pedro Silva, 2765. Coqueiros, Florianópolis.
  • (48) 3307-4720
  • Aceita cartões

Restaurante Santo Antônio: a primeira churrascaria do Brasil

Já dizia a cozinheira Carla Pernambuco: toda viagem é gastronômica. Você pode até viajar às pressas pra resolver um assunto pontual em outra cidade, estado ou país, mas das poucas certezas que temos é que você vai se alimentar, você vai conhecer algum ingrediente local e você vai julgar o que está comendo de alguma forma.

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Talvez não haja tempo nem pra comer direito e você acabe indo à uma rede de Fast food que serve mais ou menos a mesma coisa em todo o mundo civilizado, mas um ou outro ingrediente ou modo de preparo daquela comida te darão indícios de como é a alimentação naquele lugar. Se deixar a imaginação rolar e quiser complementar com bons livros de história, entenderá a razão de ser daquela matéria prima, entenderá sua gente e um pouco de seus costumes e anseios.

Uma viagem em que como mal pra mim é uma viagem frustrante. Primeiro porque gosto de comer bem, segundo porque… não precisa ter um segundo motivo.

Ao berço do churrasco mais primitivo viajei no último fim de semana e conheci o Restaurante e Churrascaria Santo Antônio. Fica em Porto Alegre — e só fiquei sabendo ao ver as inscrições no avental de uma atendente — a primeira churrascaria do Brasil. Ali começara há quase 80 anos o comércio de carnes como vemos hoje. Mas ao contrário do que possa parecer não é uma churrascaria à rodízio. Se você é florianopolitano talvez fazer uma rápida referência à Riosulense dará forma ao modelo. Os pratos são servidos à la carte, você escolhe a carne que quer comer e depois alguns complementos, se for da sua vontade.

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O cardápio é completo e puxa de várias culturas do Rio Grande do Sul o jeito de comer carne. Primeiro porque há uma vasta seleção de filés. Filé à parmeggiana, filé com queijo, filé acebolado e até algo parecido com um à Oswaldo Aranha circulava no salão enquanto aguardava meu pedido. Portoalegrense tem o hábito de comer filés, é comum achar restaurantes especializados nesta iguaria pouco bagual e bastante prática e macia, um lugar comum que os habitantes da capital apreciam.

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E pedimos um pra conhecer e matar a fome. Foi o Filé à Santo Antônio, uma grande porção de filé mignon recheada com bastante queijo e presunto. Ele sim já tinha um acompanhamento: arroz, batatas fritas e legumes.

Já no estilo fronteiriço de fazer churrasco, temos os cortes assados na brasa, aqueles mais tradicionais que o xirú campeiro come desde que aprendeu a juntar boi, sal e fogo e embora bastante comum também de achar em Porto Alegre, é na região de campanha que ele têm sua origem.

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Comemos, como não poderia deixar de sê-lo, uma linda Costela, quase que um asado de tiras do estilo uruguaio, um pouco mais grossa e alta, que veio ao ponto, sem aqueles demorados cozimentos que uma costela inteira demanda. Aliás, fica a dica aos leitores, comer uma costela ao ponto pode ser uma excelente experiência dependendo do corte da carne e da qualidade do produto. Costela sem estar muito passada nem sempre será sinônimo de carne dura.

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A ela juntamos a famosa maionese, uma salada de batatas com molho de maionese que é herança dos alemães, outra vertente da cultura local colonizada.

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Até aí temos açorianos, espanhóis, alemães… faltam os italianos! aqueles que Quando si mangia la bela polenta, la bela polenta si mangia così! Ela feio frita, crocante por fora e macia por dentro, coberta com bastante queijo colonial, daquelas de chamar os nene pra lamber os beiços.

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Das galeterias da Serra gaúcha também tivemos uma entrada: coração de galinha na brasa. Ah, povo que adora aproveitar os miúdos das suas criações…

Comer na Santo Antônio foi uma experiência bastante divertida. Seja na comida, que mostrou todas as caras do processo de formação da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul pra Terra-Cambará nenhum botar defeito, seja no atendimento onde tínhamos garçons das mais diversas culturas com seus jeitos calmos, outros rudes, outros brigões… é uma atmosfera bastante agitada, com clima mesmo de churrascaria, onde poucos se entendem mas tudo funciona e vêm perfeito à mesa.

Visitar a Santo Antônio é remontar um quebra-cabeça cultural de Jaguarão à Vacaria, de Rio Grande à Uruguaiana, comendo bem e pagando o justo, onde a conta fechou em aproximadamente 53 reais por pessoa, num grupo de três.

Restaurante e Churrascaria Santo Antônio

  • Rua Dr. Timóteo, 465. Moinhos de Vento, Porto Alegre.
  • (51) 3222-3130
  • Aceita cartões
  • Estacionamento: sim, pago.

Trattoria Campione: comida excelente em Jurerê sem o preço Internacional

Que bom que existe a Trattoria Campione. Lugares assim me fazem voltar abrir um sorriso de lado a lado na boca do estômago. E mesmo que o trocadilho do blogueiro seja péssimo, serve pra enfatizar o quão ele fica faceiro em achar lugares assim.

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Primeiro porque a casa é bonita. Não poderia ser diferente, fica em Jurerê Internacional. Lá até os mendigos são capa de revista de fofoca, não tem Fusca 62 rodando pelo bairro e até o lixo que raramente se encontra no chão é sacola da Louis Vuitton. Sempre que chego no bairro tomo banho, faço a barba e se for uma ocasião especial até passo Listerine.

Segundo porque o atendimento é bom. Os caras falam pra fora, não andam com um tacape debaixo da bandeja e tudo o que é pedido chega, o que é solicitado não gera necessidade extra de uma oração forte a qualquer orixá pra acontecer.

E por fim porque a comida é da melhor qualidade. E por mais que pareça que precise ter a carteira forrada como qualquer morador deste condomínio semi-fechado (ou semi-aberto, depende do seu otimismo) não precisa. Na Tratoria Campione come-se bem e paga-se o justo, a despeito de alguns lugares mais destacados de lá.

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Ah, outro ponto importante: todos os pratos bem servidos. A começar pela salada que por si só já é um sinônimo de passar fome, lá não é. É tanto verde dentro do prato que a sensação que você tem é que está comprando um terreno da Habitasul. A Instalata Caprese custou R$30 mas serviria muito bem a mesa toda com 4 pessoas.

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Também experimentei a Bruschetta Tradicional. Pão italiano tostado com alho, tomates frescos, mussarela de búfala, pesto de manjericão e lascas de parmesão. Detalhe: tudo muito fresco. Folhas, pães, temperos, molhos…

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Polentinha frita pra ir controlando a ansiedade e fome? Tem também. Muito boa.

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O cardápio principal é basicamente composto de ristos, pastas e algumas carnes e boa parte dele tem opção para 1 ou 2 pessoas. Tive vontade de experimentar o Parmeggiana de Mignon (filé mignon empanado, gratinado com mussarela e molho de tomate, acompanhado de spaghetti ao sugo). Mas também queria comer uma pasta com molho Alfredo. A casa prontamente realizou meu desejo e trocou o spaghetti ao sugo pelo meu preferido. Simples, sem gritaria, torturas, choro e ranger de dentes. Algo raríssimo hoje na ilha, uma simples conta de adição onde 1 + 1 sempre termina em guerra e pancadaria.

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Quase todos os pratos que servem duas pessoas vêm numa travessa bonita, pomposa. O nosso como se tratava de um filé parmeggiana que teria sua qualidade colocada à prova se desta forma fosse servido, veio já no prato, bem montado por sinal. Um filé robusto pra cada lado, uma generosa porção de massa pra cada um. Filé macio, saboroso, bem temperado, no ponto que eu gosto. Molho caseiro, bem feito, não empastado e não cozido demais, frescor dos ingredientes exalando por todo canto. Massa também muito saborosa, fazia tempo que não comia um bom Alfredo aqui no rincão. Prato de se aplaudir de pé e dar um beijo no cozinheiro.

Também tive a honra de comer no prato alheio (blogueiro de comida nunca se presta a Joey Tribbiani) e experimentar o Do Chef, um penne (foi substituído por fettuccine) com camarões, molho à base de manteiga, tomates cereja, creme de leite e rúcula. Prato leve, delicioso, bem generoso na quantidade também.

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A conta fechou em aproximadamente 120 reais por casal, considerando a força de comida listada neste post.

Então agora você já sabe, se estiver comprando um terreno em Jurerê à vista ou, caso seja mais extravagante, comprando um iPhone 6 em 10x, tem um lugar excelente pra se comer bem e pagando pouco. Capice?

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  • Av. das Raias, 400, Sl 11. Jurerê Internacional, Florianópolis.
  • 48 3207-4426
  • Aceita cartões.
  • Estacionamento.

Maria Farinha Grill: nem só de peixe vive a orla de Coqueiros

OK, sabemos que há muito tempo, mesmo antes dos mais famosos de frutos do mar existe ali uma pizzaria bem conhecida, um buffet de comida chinesa e coisa e tal. A Via Gastronômica de Coqueiros é talvez a mais eclética e heterogênea das vias da cidade, organizadas ou só nominais, como é o caso da Lagoa. Mas comer uma boa carne sempre foi um pré-requisito dos bairros de periferia, junto às marginais de rodovias ou então em bairros tradicionais. E comer um bom grelhado na beira de uma linda praia é muito gostoso.

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Dia destes visitei o Maria Farinha Grill, querendo num almoço de domingo comer um bom pedaço de carne sem o corre-corre dos rodízios de churrascarias e as longas esperas por uma mesa. Cheguei por volta das 13h no restaurante localizado no bairro Itaguaçu, ali onde escrevi sobre as pedras e as bruxas. Lá mesmo.

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O restaurante é muito simpático. Não só pela excelente vista que tem da praia, mesmo no primeiro andar que divide-se no salão interno e outra com mesinhas na rua e come-se ao ar livre. Bem aconchegante, te abraça com aquele clima de beira de praia e bom atendimento. Este, inclusive, um excelente ponto, uma vez que tudo foi perfeito do início ao fim, serviço impecável.

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De entrada experimentei a Poção Encantada (R$3), uma canequinha dessas de barro com um delicioso caldinho de feijão. Bom pra dar aquela forrada e esperar os 25 minutos para a confecção do prato (ponto positivo, avisam no cardápio quanto cada ítem costuma, em dias normais, demorar).

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Ignorei o fato de que no cardápio estava como “Bife de Chouriço” (R$32), postulando que chouriço é um preparo da charcutaria portuguesa, parecido como uma linguiça, e pedi o bife da parte macia do contra-filé, corte alto e mal passado no seu interior, e muito apreciado na Agentina, o “Bife de Chorizo”.

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Ele não veio exatamente como nas casas argentinas, onde come-se praticamente cru no meio, mas perfeitamente entendível que é uma adaptação ao gosto brasileiro, principalmente no que tange o ponto da carne. Estava delicioso. A carne foi guarnecida de pão marroquino e legumes variados cozidos no vapor.

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Para acompanhar pedi Molho Chimichurri (R$4), que é “unha e carne” com bife de chorizo. O chimichurri é o que chamo carinhosamente de “las yerbas del diablo”, e já escrevi aqui sobre ele.

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Também pedi uma Maionese de Batatas (R$9), pois a veia gaúcho/catarina não me deixou passar argentiníssimo em toda a refeição. Muito bem preparada, com molho caseiro, como deve ser, e batatas no ponto certo.

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A Michele foi de Galeto Primo Canto (R$22), prato típico da serra gaúcha. Guarnecido de polenta frita, maionese e salada de radiche com bacon, como manda o figurino (porco diuna!). Muito bem servido e saboroso, assegurou a nobre colega de comiderias.

Não comi sobremesa porque sou pobre.

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Fiquei com vontade de voltar lá pra destrinchar melhor o cardápio, experimentar os aperitivos e pratos que são temáticos e homenageiam todo o folclore local, bruxólico de dar inveja ao Peninha e ao Franlin Cascaes. E com certeza voltarei, aprovadíssimo!

Maria Farinha Grill

  • Endereço: Rua Euclides da Cunha, 93. Itaguaçu, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3879-0043
  • Aceita cartões: sim

 

Conhecendo o Siri Mole na Cantina Sangiovese

Jorge Amado nasceu em Itabuna, na Bahia, mas aos 2 anos de idade mudou-se com a família para Ilhéus. Dentre outras coisas que o litoral baiano lhe deu, um dos maiores escritores que este país já teve ganhou neste pedaço de paraíso o amor pelo mar. E que mar! Nada além disso explica o seu apreço pela culinária litorânea e pelo tempero daquela região. Apenas e tão somente apenas explica suas menções honrosas às iguarias como a Moqueca de Siri Mole, eternizada no romance Dona Flor e Seus Dois Maridos.

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Moqueca de siri mole: era o prato predileto de Vadinho. Lavem os siris inteiros em água de limão. Lavem bastante para lhes tirar o sujo sem lhes tirar, porém, o gosto de maresia. Um a um coloque os siris na frigideira, devagar porque este é um prato muito delicado. Tome de quatro tomates escolhidos, um pimentão e uma cebola em rodelas coloquem para dar um toque de beleza. E só quando tudo estiver cozido, e só então, junte o leite de coco e o azeite de dendê. Sirva bem quente.

Seus dentes mordiam o siri mole, seus lábios ficavam amarelos de dendê. Nunca mais seus lábios, sua língua. Nunca mais sua ardida boca de cebola crua.

Jorge Amado fazia poesia até em receitas. Não sei se cozinhava, mas a paixão ao descrever através da boca de Dona Flor como se preparava a moqueca de Siri Mole denunciava sua inata habilidade com o paladar.

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Outro cara que faz poesia na cozinha é o Helton Costa. Você já deve ter ouvido falar nele. Ele tem habilidade com as palavras, pois nos recebeu de forma muito simpática e com boas histórias, inclusive esta que introduz o post, mas manda bem mesmo na execução. Na última semana estive na Cantina Sangiovese, restaurante comandado pelo chef, pra comemorar o aniversário da Michele, food hunter das buenas.

Assim como não conhecia a Sangiovese, também não conhecia o Siri Mole. O siri durante sua vida troca algumas vezes de casca. Nessa troca, perdendo sua casca, o crustáceo tem apenas uma fina membrana que o envolve, sendo assim inteiramente comestível. É uma iguaria ainda pouco utilizada aqui na região, mas que já começa a ganhar notoriedade após ter sua criação feita em cativeiro, facilitando a captura exatamente nesta fase da vida.

Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole
Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole

Eu, que nem faço poesia nem executo bem estes pratos, estava lá pra degustá-lo. E foi ele que eu pedi, na verdade um Fettuccine de Manjericão salteado com Tomates Frescos e Siri Mole. O prato é uma delícia. Achei que por se tratar de um restaurante mais sofitiscado receberia uma excelente comida e em pouca quantidade. Mas aí lembrei que estava num restaurante italiano, porcoziuna, quanta comida!

Pedi o prato pra uma pessoa e ainda assim não dei conta de comer tudo (há uma exclamação subentendida nesta frase, estamos falando de alguém com o estômago do tamanho de um bagageiro de um sedan).

Bruschetta de Salmão
Bruschetta de Salmão

OK, justiça seja feita, eu havia pedido uma entrada antes. Uma Bruschetta de Salmão muito, mas muito saborosa. Pão torrado como deve ser, salmão grelhado no ponto certo e tudo muito bem temperado e regado com um excelente azeite de oliva extra-virgem.

Ossobuco com polenta e queijo
Ossobuco com polenta e queijo

Aliás, justiça continue sendo feita, ainda experimentei os pratos dos amigos. A aniversariante, a quem aproveito cumprimentá-la mais uma vez pela data que, segundo ela, é comemorada uma semana antes e outra depois (então ainda dá tempo: Parabéns, Mi!), pediu um Ossobuco com Polenta e Queijo. Interessante como se consegue fazer pratos mais simples com tanto sabor.

Raviolone recheado com gorgonzola e pêra, regado na manteiga de amêndoas e rapas de limão siciliano
Raviolone recheado com gorgonzola e pêra, regado na manteiga de amêndoas e rapas de limão siciliano

Outro, ainda, foi o Raviolone recheado com Gorgonzola e Pêra regado com manteiga de amêndoas e raspas de Limão Siciliano. Dizer que este também estava uma delícia é redundante, os ingredientes falam por si só.

Vinho Quinta da Neve Sauvignon Blanc
Vinho Quinta da Neve Sauvignon Blanc

Toda essa comideria foi harmonizada com um vinho que gostei bastante, sugestão da Renata, o Quinta da Neve Sauvignon Blanc. Um legítimo terroir, produzido na serra. Aliás a Cantina Sangiovese também é referência pela sua carta de vinhos, com um enfoque bastante valoroso pelos vinhos da terra.

Sopa de morango com sorvete de baunilha
Sopa de morango com sorvete de baunilha

Como sobremesa, comemos a Sopa de Morangos com Sorvete de Baunilha. Uma sobremesa doce mas sem ser enjoada, morangos bem selecionados e transformados em um creme muito saboroso, acompanhado de uma bola de sorvete de baunilha e um galhinho de alecrim que dá um aroma bastante especial. Ele foi acompanhado de um vinho licoroso, o Moscadello di Montalcino, toscano sim senhor!

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Tentar descrever com palavras o ambiente da Sangiovese é muita ousadia de qualquer escritor, blogueiro, jornalista… talvez Jorge Amado conseguisse. Uma linda casa em Santo Antônio de Lisboa, muito aconchegante, limpa e arejada, com lareira pro inverno e tudo o mais. Decoração no estilo italiano mas sem o clichê das toalhas vermelhas e verdes quadriculadas, um pátio com gramado e iluminação que dão um toque todo especial ao restaurante. Só uma visita ao lugar pode realmente comprovar a expectativa gerada.

O atendimento é impecável. Desde o garçom até o sommelier, do pedido até a entrega dos pratos, que foi bastante rápida. nenhum problema ou mal entendido. Além disso, a gentileza impera desde a chegada no estacionamento.

O preço condiz com o que foi recebido, desde o ambiente até a comida, que sim, é só um detalhe neste caso. O jantar foi um oferecimento do Chef Helton Costa, mas uma refeição completa como descrita no post custa, em média, R$130 por pessoa. Ou seja, quase de graça, visto toda a produção envolvida no jantar.

Se Jorge Amado visitasse a Cantina Sangiovese, certamente escreveria sobre o restaurante. Porque não há ser humano com o mínimo de sensibilidade que não saia de lá encantado. Mesmo que não seja no litoral da Bahia.

Cantina Sangiovese

  • Endereço: Pe. Lourenço Rodrigues de Andrade, 496. Santo Antônio de Lisboa. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3371-1200
  • Horário: De terça à sábado, das 19h às 00h30. Sábado e domingo das 12h às 16h30.
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim