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Marisqueira Sintra: portuguesa e saborosa com vista pro mar

Por ser uma cidade turística os restaurantes de Florianópolis acabam sendo disputados no tapa. Por mais que a crescente de novas casas, principalmente as que florescem no verão e secam no inverno, seja contínua, as mesas ainda são disputada a tapas.

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Para o nativo que enche o saco da muvuca acaba sobrando os dias de semana e pra quem tem horários mais flexíveis sobra a graça de conseguir sentar no deck externo da Marisqueira Sintra, por exemplo, que ainda não havia experimentado pela falta de oportunidade citracitada. E eu queria almoçar com a melhor vista pro mar, evidentemente.

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Ontem estive lá pra conhecer a comida da chef e proprietária da Marisqueira Sintra, Andreia Arruda de Paula. Confesso que a via gastronômica de Santo Antônio/Sambaqui têm me deixado com os dois pés atrás no quesito qualidade e preço. Ou paga-se demais pela boa comida ou come-se mal, isso quando as duas coisas não estão relacionadas. A Marisqueira Sintra não é um restaurante barato, mas justa foi a contrapartida do preço pago ao que foi servido.

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Comecei a refeição com bolinhos de bacalhau. Até tive interesse em outras entradas, como as Sardinhas Fritas, algo raro de se ver por aqui, ou algum prato do mexilhões e ostras, mas quis ir devagar até porque almoçava sozinho. Pedi Pastéis de Bacalhau (e aqui bastante atenção, que a descrição do prato explica do que se trata): 4 bolinhos de batata com bacalhau desfiado e temperados. São bolinhos de bacalhau, aqueles comuns que encontra-se em restaurantes portugueses. O que varia são as receitas e temperos e estes que experimentei estavam muito saborosos.

marisqueira-sintra-polvo-lagareiro-cimaComo prato principal fui de Polvo. Poderia ter escolhido um Robalo, o próprio Bacalhau ou camarões, mas estava com saudade de comer polvo. Pedi sugestão ao simpático garçom que atendia no deck externo e ele me recomendou o Polvo à Lagareiro, que é o polvo assado lentamente no azeite, sobre uma cama de batatas ao murro, regado com azeite e alho laminado. Eu particularmente adoro o sabor do alho quando assado, ele deixa de ser intenso e torna-se meio adocicado mas sem perder sua propriedade e aroma que dão um toque muito interessante nos frutos do ar.

marisqueira-sintra-polvo-a-lagareiroVisto de cima o prato parecia fichinha pra um estômago acostumado a grandes orgias gastronômicas, mas de perfil dava pra ver que não seria fácil de encarar. Ele é muito bem servido e se você quiser arriscar e se aprofundar mais nas entradas pode até dividí-lo com alguém.

marisqueira-sintra-baba-cameloPara a sobremesa tinha duas opções: Pudim de leite e Baba de camelo. Que diabos! pensei comigo. A baba de camelo é uma delícia, ainda não havia experimentado. É um dos doces “conventuais” portugueses, daqueles feitos em conventos e mosteiros, tipo os pastéis de nata (de Belém). É feito com doce de leite e batido com claras em neve e cobertos com amendoim picado. O sabor lembra o doce de leite, claro, e caramelo. É doce sem ser enjoativo, é saboroso e leve, embora não queira arriscar quantas calorias eu teria engordado numa dieta de pontos. Poderia, sem dúvida alguma, tornar-me fiel à esta sobremesa.

O atendimento da casa foi perfeito. Não sei como ela se porta com grandes públicos mas o serviço é todo sincronizado, dá gosto de ver o pessoal trabalhando e servindo, com uma destreza de dar inveja na concorrência. Isso sem salientar a educação e gentileza dos garçons, que a todo momento monitoravam as mesas.

A conta fechou em R$103 e eu já estou com vontade de voltar lá pra conferir o restante do menu. Certamente, aquelas sardinhas fritas, por mais simples que sejam, passarão por aqui qualquer hora…

Marisqueira Sintra

  • R. Quinze de Novembro, 147 – Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 3234-4219
  • Aceita cartões

Recanto dos Açores: O chef Nivaldo contra-ataca

Não sou dos xirús que se apegam a nomes de chefs e a sua parentela pra viver uma boa experiência gastronômica. Já foi provado estatisticamente pelo Instituto de Pesquisa Estatística Eu Mesmo que experiência boa é orelhana, não necessariamente tem marca e sinal. Quanto menor a expectativa menor será a chance de dar com os burros n’água.

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Mas existem alguns nomes que investem mais que sua capacidade de pagar um bom marqueteiro, eles colocam acima de tudo o amor pela comida que fazem e a vontade de se superar na frente de qualquer coisa. A comida deles geralmente é um pouco mais cara,  arrumemos um bom advogado e processemos o capitalismo por isso. Mas até que saia a sentença e o processo esteja tramitado em julgado, quem pode viver uma boa experiência que aproveite.

Esse é o caso do Chef Nivaldo e do seu mais novo filho Recanto dos Açores. Lá você não entra pra comer uma montanha de camarão à milanesa que alimenta a quarta geração dos Silva Souza, vive-se uma experiência gastronômica ímpar.

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Começa pelo lugar que é maravilhoso. Na beira da praia do Caminho dos Açores, ali na pacata e simpática Santo Antônio de Lisboa, a vista até onde o olhar alcança é deslumbrante. Em dias de Sol, pode-se jogar uma cachacinha pro santo da preferência e agradecer o Criador por tamanho presente.

A comida é de bater palmas. Começa que Nivaldo é pescador, não é a toa que é um excelente discípulo no Recanto dos Brunidores, que outrora fora comandado por ninguém menos que Narbal Corrêa, citado aqui no meu último post. Com produtos mais frescos impossível, capturados por quem entende do riscado, e com os temperos certos fica mais fácil fazer dar certo.

Se você não conhece a comida deste pescador cozinheiro eu recomendo partir do princípio: menu degustação. É nele que se concentra o conceito de uma casa ou de um Chef, é pelo menu degustação que se conhece a estirpe e a mão de quem produz, estando ele presente na casa ou não. Pedi o Menu Degustação da Casa (R$130 por pessoa) e o resultado vemos a seguir.

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Se você gosta das minhas indicações, guarde este mantra para quando for visitá-los: “eu vou experimentar o patê de ouriços negros. Eu vou experimentar o patê de ouriços negros. Eu vou experimentar o patê de our…” Você olha aquele bicho todo espinhento e pensa: não vai sair coisa boa dali. Mas quando chega à mesa aquele patê com os pães artesanais você quer apenas morrer na beira da praia comendo isso.

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Agora temos mais entradas frias, um carro alegórico da Acadêmicos da Boa Mesa adentrando na passarela do prazer gastronômico. Tartar de garoupa, bem temperado, coberta com caviar de tapioca; ostras e mariscos com molhos especiais do chef, alguns bem cítricos, outros mais curtidos do jeito que a natureza manda.

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Depois uma entrada quente: escondidinho de garoupa com abóbora kabotya. Vá devagar, pequeno padawan, chega bem quente na mesa, pra manter as características e o sabor, uma delícia.

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Mais uma quente: polvo crocante com dadinho de batata-doce.

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E aí vem o prato principal pra fechar com chave de ouro esta comilança desenfreada, que só de escrever este texto já me deixa saudoso do Recanto: Postas de garoupa e camarões Rosa grelhados na brasa, guarnecidos com uma mousseline de batata baroa (batata salsa, batata aipo, mandioquinha, como preferir). Prato bem servido e saboroso. O ponto do peixe é fantasticamente perfeito, é suculento, consistente, de comer rezando. A mousseline dá o toque adocicado e a cremosidade que contrapõe a crocância do camarão. Pediria pra trocar meu Natal por este prato, se pudesse.

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Tem até uma sobremesa à base de sorvete cujo nome não há escrito nem falado, mas é bem boa também.

A conta fechou em cerca de R$150, para uma pessoa, com bebidas. A recomendação é que você visite o quanto antes!

Recanto dos Açores

  • Caminho dos Açores, 1595. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 8432-0500
  • Aceita cartões

 

Das Ilhas Gregas para a Ilha de SC: obrigado Zakynthos!

Dizem que o tempo faz esquecer. É dos clichês o campeão de vendas para os clarins das horas brabas, aqueles que são incumbidos de consolar as almas desoladas e devastadas por algum contratempo da vida.

Não foi assim com Spiri. Com nove anos apenas embarcou num navio e veio para o nosso país. O Brasil ainda não sabia, talvez Aurélio ainda não soubesse e nem mesmo ela desconfiara, mas Spiri guardava com o tempo de maturar um bom vinho, um bom azeite, sua cultura no idílio — palavra não acidentalmente de origem grega aqui encaixada — de um dia demonstrá-la e preservá-la com um sentimento muito, mas muito puro e atávico.

A entrada do restaurante Ilhas Gregas tem projeção de imagens de apresentações culturais da Grécia
A entrada do restaurante Ilhas Gregas tem projeção de imagens de apresentações culturais da Grécia

Quando fiz a reserva no Restaurante Ilhas Gregas com o Sr. Aurélio, manezinho de grande vivência e cultura, casado com a Chef, recebi uma resposta “que bom, Daniel, esperamos levar você para a Grécia por algumas horas”.

Eu saí do restaurante por volta da meia noite da última sexta-feira mas a Grécia ainda não saiu de mim, Aurélio. Devo confessar-te, meu caro, que o que eu escrever daqui pra frente será um mero relato cuja experiência vivida jamais conseguirá ser demonstrada com palavras, seja no meu alfabeto ou no seu. Como dizia o Apóstolo Paulo ao povo da própria Grécia, em sua carta aos Coríntios: “As coisas do espírito se discernem espiritualmente”. Este ateu que visitou o restaurante de vocês se agarra até na Bíblia pra já pedir as devidas desculpas tanto a vocês quanto aos leitores, na certeza de que só visitando o Ilhas Gregas é que se consegue comprovar realmente o que tento dizer com tantas palavras.

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E antes que este texto se alongue e fique um tanto quanto homérico, volto à Spiri: nasceu na Grécia, na ilha grega de Zakynthos, citada por Homero tanto na Ilíada quanto na Odisséia; e essa Epopéia termina com ela, aos 50 (com cara de 30 e energia de 18), se formando em Gastronomia e abrindo seu primeiro restaurante, cuja comida provavelmente serviria para juntar Ulisses e Penélope.

O Restaurante Ilhas Gregas abre uma vez por semana às sextas, na casa dos proprietários. É necessário fazer reserva, visto que o espaço é limitado e a procura é grande. Em 7 meses de funcionamento, já recebeu cerca de 1000 pessoas para o jantar.

A comida servida é em forma de Menu Degustação. Paga-se a irrisória quantia de R$55 por pessoa e além de uma carta de vinhos excelentes, oferece agora cervejas especiais para quem é do ramo. Refrigerantes e água, claro, pra quem é dos meus.

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Mesmo não sendo consumidor de bebidas alcoólicas, entrei no clima e abri o jantar com uma dose de Ouzo, um licor de anis comum na Grécia, aquele mesmo que Emílio Santiago já eternizou em uma canção.

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O jantar começou com o Couvert. Uma cestinha de pães caseiros e outro mais no estilo francês, com gergelim, acompanhados de uma pasta de berinjela. Outra era de iogurte natural (com segredos da Chef), pepino, alho e azeite de oliva.

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As entradas me deixaram em êxtase. Principalmente a Tiropitakia, que são mini-folhados recheados com queijo branco e espinafre. Saíam bem quentinhos do forno, com recheio cremoso e saboroso, crocante em cada mordida.

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A outra entrada era a Dolmadakia, outra iguaria grega que talvez tenha sido influenciada pela sua estreita relação com os turcos, adaptada para o gosto e ingredientes locais feita de um charutinho de folhas de couve recheados com arroz temperado.

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Os pratos principais são vários. Assim sendo, são colocados aos poucos, para nem esfriar e nem perder a qualidade, em um buffet aclimatado. Vai desde a salada grega (tomates, cebolas, pepino, azeitonas pretas e queijo branco);

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passa por um delicioso Polvo à moda grega, o Paidakia (carne de cordeiro grelhada e batatas douradas ao forno), o Youvetsi (massa risoni, que é um macarrão em forma de arrozinho, com molho à base de pedaços de frango e tomate.

O meu preferido da noite, e não poderia deixar de sê-lo, foi o Moussaká. Desde que ouvi falar do restaurante através da Luciane Daux, e que vi o cardápio, já tive sonhos quase eróticos com esta lasanha de carne bovina moída, com camadas de fatias de berinjela e batatas, coberta com bechamel, enriquecida com ovos e queijo parmesão.

Todos alimentados, é hora de o garçom, o simpático, querido, inteligente e competente Eduardo tirar o pedido das sobremesas. Mas ela não vem de bate-pronto. Há uma surpresa. Meio sem entender muita coisa, vi as luzes serem apagadas e o Aurélio anunciar que a Chef Spiri, que já havia visto na cozinha no andar inferior cantarolando com as suas ajudantes, tal qual a alegria que vemos nos filmes gregos onde a cozinha é um ambiente de se fazer arte e dar boas risadas, subiria para homenagear os seus comensais com uma música.

Perdoem a qualidade da imagem, contraste máximo para a foto no escuro.
Perdoem a qualidade da imagem, contraste máximo para a foto no escuro.

Um som mecânico de violinos e uma doce orquestra tocavam de fundo mostrando que ali começara a sobremesa, enquanto Spiri subia às escadas cantando To Tango Tis Nefelis, música grega (e cantada em grego por ela) que conta uma história muito bonita da mitologia e que mesmo não entendo muito a letra, parece ser entendida só pela emoção de quem canta. É simplesmente impossível tentar descrever a emoção dessa hora, tenho o vídeo gravado aqui, mas não publicarei. Vá você mesmo comprovar o que eu digo, é um momento que vai de cada um vivenciar.

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Sentíamos o doce olfato das sobremesas ficando prontas na cozinha enquanto Aurélio passava de mesa em mesa com uma caixa contendo um prato e um martelo. A mesa elegia alguém que fosse fazer igual aos gregos, quebrar o prato para com o barulho espantar os maus espíritos e provar o desapego material neste bonito ritual de quase 4 mil anos.

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Não tinha romãs, mas tinha mel: a sobremesa que pedi era o Baklavá, um folhado com recheio de nozes, regado com calda à base de mel e canela. Lembrou-me muito um strudel, mas muito mais saboroso e crocante igual.

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Também pude experimentar a Delícia de Zakynthos, um iogurte natural com calda de morangos. O nome já diz.

Há ainda a possibilidade de você levar os congelados para casa. E nos próximos dias você também poderá provar estas delícias numa rede de supermercados bastante famosa na cidade, enquanto não chega o Sábado, dia que, sem dúvida alguma, será o Dia da Comida Grega em Santa Catarina, sendo este o primeiro especializado nestas iguarias que se tem notícia.

O sentimento que fica é inexplicável. O mais perto que posso traduzí-lo dele é “voltei com saudades da Grécia, país que jamais conheci”. E que estas longas palavras tenham sido suficiente para explicar que sim, eu recomendo fortemente uma experiência não só gastronômica, mas de vida no Ilhas Gregas.

Restaurante Ilhas Gregas

  • Endereço: Rua Celso Bayma, 634. Jardim Atlântico, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3240-8232
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Recanto dos Brunidores: polindo pedras e paladares

Fico entusiasmado quando um restaurante tem história pra contar. Não bastasse até pouco tempo o Recanto dos Brunidores ter sido liderado pelo chef Narbal Corrêa, considerado pelos seus colegas como o cozinheiro que mais conhece de frutos do mar de Florianópolis, o restaurante ostenta este nome porque está num terreno na beira do costão dos Ingleses do Rio Vermelho, ao lado de uma oficina lítica, um museu a céu aberto.

Oficina lítica
Oficina lítica

As oficinas líticas eram os locais onde os grupos pré-coloniais poliam seus objetos de pedra, geralmente utensílios. Para este polimento era utilizada a técnica de brunimento, por isso o nome do restaurante, onde utilizava-se de areia e água em atrito com a rocha (a oficina lítica propriamente dita). Em quase todo o costão sul da praia você pode notar pedras com marcas dos brunidores.

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Agora quem está no comando da cozinha do Recanto é o Nivaldo Souza. Assim como Narbal, é um exímio pescador e conhece as nuances do mar e dos pescados. Sempre que pode traz da própria pescaria os frutos do mar que serão servidos no restaurante. Esse é um detalhe muito importante do Recanto dos Brunidores: é um restaurante simples. Confortável e agradável porém sem muito luxo e requinte. A diferença está no que realmente importa, na comida. A matéria prima utilizada nos pratos é que fazem toda a diferença. Não só os frutos do mar saem da própria água dos Ingleses, como também contam com horta e aquário para a conservação dos ingredientes. Um legítimo membro do slow food no norte da Ilha de Santa Catarina.

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A visita que fiz no domingo ao Recanto dos Brunidores foi fantástica. Há tempos devia uma visita ao restaurante, não só pelo respeito que ele tem e que atiça quem gosta de comer bem, mas também por indicação de vários amigos e leitores (Oi, Ramila!). Mal rompia a aurora nos confins do firmamento, o prenúncio de um dia bonito na capital dos catarinenses me fez saltar da cama mais cedo para a visita. É fácil chegar lá: basta seguir na Estr. Dom João Becker, que dá acesso ao Sul dos Ingleses e que termina na subida para o Santinho e estacionar por ali. Entrando na praia, caminha-se por cerca de 10 minutos até o costão Sul onde está localizado o restaurante.

Mas vamos falar de comida? O cardápio é bem completo, tem praticamente uma opção para cada gosto. Oferece frutos do mar pra todos os paladares. Nas entradas, opções frias e quentes. Pedimos uma de cada.

Ostras Vivas
Ostras Vivas

Nas frias, escolhi as Ostras Vivas. Ostras in natura, sem adição de qualquer tempero, ainda vivas, servidas com pedaços de limão para temperar. Come-se na casca, como toda boa ostra. Mais frescas e saborosas impossível.

Lula à Dorê
Lula à Dorê

Nas quentes, optamos pela Lula à Dorê. Um clássico da culinária ilhoa e muito bem preparada pela cozinha do Nivaldo. Firmes porém macias e muito saborosas.

Camarões Rosa com Creme de Abóbora Seca e Gratinados
Camarões Rosa com Creme de Abóbora Seca e Gratinados

Eu estava com vontade de experimentar o camarão. Então para o prato principal fui de Camarões Rosa com Creme de Abóbora Seca e Gratinados. Este prato acompanha uma porção de arroz branco. Tudo muito simples mas muito bem preparado e temperado, do jeito que o manezinho gosta.

Garoupa e Camarão grelhado com purê de Taiá Trufado
Garoupa e Camarão grelhado com purê de Taiá Trufado

Experimentei também a Garoupa, Camarão Grelhado e Purê de Taiá Trufado. Esse é só mais um exemplo de que a grama do vizinho é mais verde, isso me ocorre com certa frequência, não desmerecendo o meu camarão rosa que estava delicioso também.

Polvo Crocante com Batatas ao Murro
Polvo Crocante com Batatas ao Murro

Deus-me-livre esquecer de citar o Polvo Crocante com Batatas ao Murro. Não comi, mas quem comeu o fez lambendo os beiços. E também manja muito de comida.

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A casa é bastante convidativa. O ambiente é arejado, tem vista para o mar e toda a praia dos Ingleses. Tem lugares muito confortáveis e recomenda-se uma reserva antes.

O atendimento foi perfeito. Trouxe tudo sempre corretamente, desde as bebidas, a atenção com os pedidos e a gentileza em servir-nos. Todos os pratos são preparados na hora e são servidos juntos. Vale a máxima que toda boa comida pode demorar um pouquinho pra ficar pronta.

O preço é equivalente ao que é servido. De primeiro momento achei um pouco salgado, mas no decorrer do serviço e, principalmente, na degustação, a dúvida foi-se junto com as ondas da linda praia que tinha como vista. As entradas, bebidas e a comida custaram cerca de R$95. A taxa de serviço é opcional.

Ademais, não há outra conclusão a não ser convidar você pra fazer este belíssimo passeio ao costão Sul dos Ingleses, conhecer as oficinas líticas e comer no Recanto dos Brunidores. É um programa que agrada toda a família e todos os paladares.

Recanto dos Brunidores

  • Endereço: Costão Sul da Praia dos Ingleses do Rio Vermelho. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 9972-2143
  • Horário: De terça à domingo, almoço à partir das 12h e jantar das 18h. Recomenda-se fazer reservas.
  • Aceita cartões: não

A culinária contemporânea do Bistrô Santa Marta

É quase impossível passar pela estrada geral do Canto da Lagoa e não perceber uma casa centenária e muito charmosa, vermelha, imponente numa das curvas da sinuosa rodovia. Edificada há pelo menos 120 anos no estilo açoriano de se construir hoje abriga um lugar muito aconchegante e confortável, o Bistrô Santa Marta.

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Soube da existência do Bistrô Santa Marta pela Bárbara Beck, a atual Chef do restaurante e amiga deste que vos escreve. Conheci a Bárbara não me lembro onde nem quando. Não somos amigos de muito tempo, embora nossas conversas sobre comida me façam sentir até no timbre de sua voz uma paixão pelo faz, como se conversássemos sobre seus pratos e sua forma de cozinhar há anos.

E o que era apenas papo materializou-se na última semana. Estive no Santa Marta pra enfim confirmar as expectativas, e posso garantir que todas elas foram lindamente superadas.

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Pra começo de conversa o lugar é muito aconchegante. Ia dizer que me senti muito em casa jantando no Santa Marta, mas acho que nem minha casa é tão confortável, tecnicamente falando, do que o Bistrô. O restaurante tem poucos lugares, mobília muito linda de se ver e de se estar, decoração que foi acumulada e feita pelo casal de proprietários Branco e Milene. De fundo, música suave e num tom agradável harmoniza o ambiente.

O atendimento é perfeito. Pudera, é feito pelo próprio Branco. Não há garçom, da forma característica como vemos. O muito simpático e gentil proprietário do Bistrô Santa Marta é quem faz as vezes de garçom e atende os clientes nas mesas. Auxilia na hora do pedido, ajuda na escolha do vinho, quem sabe uma cerveja pra harmonizar… se pedires um drink, é a Milene quem faz.

Jardim de Cogumelos
Jardim de Cogumelos

E a mágica continua dentro da cozinha. Pra abrir os trabalhos escolhemos o Jardim de Cogumelos, prato este que pela primeira vez experimentei algum toque da cozinha molecular. Trata-se de um mix de cogumelos salteados na manteiga de ervas, acompanhando um delicioso molho a base de shoyu e limão siciliano. O toque da gastronomia molecular veio com a “areia do jardim”, que são azeitonas negras desidratadas e azeite de oliva reconstruído. Ou algo assim, ainda sou muito leigo no assunto.

Carré de Cordeiro, purê de mandioquinha, alho confitado e geléia de pimenta
Carré de Cordeiro, purê de mandioquinha, alho confitado e geléia de pimenta

Para o prato principal escolhi o carré. Há tempos estava com vontade de comer um cordeiro bem preparado, coisa rara de se achar. E acertei em cheio. O Carré da Ilha, que é um carré de cordeiro marinado no vinho branco e acompanhado de purê de mandioquinha, alho confitado e geléia de pimenta é uma delícia. Como dizem os gaúchos, que entendem do riscado, “lôco de especial!”. Tive vontade de aplaudir mas estava tão bom que mal tirei as mãos dos talheres.

Polvo grelhado com lâminas de alho, ao molho dijón e risotto milanês.
Polvo grelhado com lâminas de alho, ao molho dijón e risotto milanês.

A minha querida amiga Michele pediu um Polvo da Magia. São tentáculos de polvo grelhados com lâminas de alho, ao molho dijón, acompanhado de um delicioso risotto milanês. Experimentei um pouco desse prato e não fosse o cordeiro estar muito bom, teria pedido pra ela trocar comigo.

Petit Gateau
Petit Gateau

Já estava satisfeitíssimo com a refeição quando soube pelo Branco que o Petit Gateau é fabricação própria. Hoje em dia a maioria dos restaurantes terceiriza essa parte, por uma questão de praticidade. Fui obrigado a experimentá-lo. Um macio bolinho de chocolate recheado com um saboroso creme. “Escorreu o recheio? se não escorreu não tá bom”, diz o Branco. Tá escorrendo é saliva de lembrar dessa maravilha ao escrever este post.

O preço é honesto. Todo o serviço, incluindo bebida, água, entrada, prato principal e sobremesa custou cerca de R$80.

Mas tem uma coisa que o dinheiro ainda não paga. A satistação de degustar uma excelente comida e ser muito bem atendido num lugar muito especial. Vida longa e próspera ao Santa Marta!

Bistrô Santa Marta

  • Endereço: Rua Laurindo Januário da Silveira, 1350 . Canto da Lagoa, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3371-0769
  • Horário: de segunda à sábado, das 19h à 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

A Santa Figueira que dá frutos do mar

Muito manezinho nascido e criado jura de pés juntos que a figueira é a árvore-símbolo da cidade de Florianópolis. Não é. Uma rápida pesquisa nas internês, caso seu colégio tenha ignorado este detalhe importantíssimo na sua formação, nos revela que a árvore de Floripa é o garapuvú.  Mas bem que poderia ser a figueira. Não só um dos mais importantes cartões postais da cidade, a Praça XV, ostenta um exemplar centenário da espécie, como em vários pontos pode-se observar esta árvore dando sombra e imponência.

A figueira tem toda uma simbologia atrelada a ela. Em alguns religiões, inclusive, exercem importância fundamental em alguns momentos. Para os cristãos, por exemplo, é a primeira árvore a ser citada na Bíblia. Foi embaixo da sombra de uma figueira que Buda teria conseguido sua elevação espiritual. Os judeus a consideram o seu fruto, o figo, um dos alimentos sagrados.

A Figueira Santa
A Figueira Santa

Outro fato é que nem toda figueira dá frutos. Principalmente a encontrada na mata atlântica, e muito comum neste litoral, a Ficus insipida. O nome já diz tudo, os frutos que ela produz não são comestíveis por seres humanos. Não tem sabor. Mas o que a dendrologia não sabe explicar é porque no Ribeirão da Ilha existe uma espécie que dá um dos melhores frutos… do mar.

Trata-se da Santa Figueira. Uma árvore grande e majestosa, hoje cercada por decks de madeira e mesas confortabilíssimas, num espaço cujo parapeito dá de frente para o mar do Ribeirão da Ilha, com um excelente visual para uma refeição saborosa com os seus frutos do mar.

A Bárbara me convidou pra conhecer e o Ian foi junto porque provavelmente nem ele acreditou nessa história. Asseguro que era tudo verdade da chef de cozinha de uma outra Santa, mas essa você conhecerá nos próximos dias. A comida era como um maná, que a religião não ousará desmentir sob pena desta árvore tão simbólica ser alvo de heresia.

Couvert: pães caseiros com pasta de berinjela e sardela
Couvert: pães caseiros com pasta de berinjela e sardela

A Santa Figueira nos recebeu com um couvert. Pães caseiros, muito saborosos e macios, recém saídos do forno com pasta de berinjela e sardela.

Vol-au-vent de vários sabores
Vol-au-vent de vários sabores

Mas queríamos mais de entrada, então pedimos que a Santa Figueira nos surpreendesse. Como quem atende uma prece ela nos deu um Vol-au-vent (descobri que pronuncia-se “vulavan”), ou melhor, um kit destes “copinhos” de massa folhada com recheios diversos: Camarão ao Champagne, Siri ao Saquê e red curry e Funghi. Três de cada.

Ostras Gratinadas à Santa Figueira
Ostras Gratinadas à Santa Figueira

Depois fomos de Ostras Gratinadas à Figueira. Creme de champagne, queijo gruyere e gorgonzola, salpicada com parmesão. Uma dúzia de um fruto típico que as figueiras do Ribeirão dão nessa época do ano, já bem gordas e saborosas. Até porque ir no Ribeirão e não comer ostra é mais feio que bater na mãe. As ostras foram acompanhadas de molhos incríveis: chutney de manga, pesto genovês, molho de limão siciliano e ervas de provence, agridoce e geléia de pimenta.

Polvo Thai
Polvo Thay

Para os pratos principais fizemos um mix de duas opções. Com 5 pessoas na mesa era mais inteligente que pedíssemos duas opções e cada um experimentaria um pouco de cada. Só bons gordos tem essa noção. E a Santa Figueira nos deu primeiro o Polvo Thay. Ah, o Polvo Thay. Ainda que eu falasse a língua dos anjos e falasse a língua dos homens conseguiria explicar o sabor deste prato.

Muito macio, talvez o mais macio que eu já tenha experimentado por dentro e por fora empanado e crocante, bem temperado e salgado na medida, me dá vontade de orar em línguas estranhas tamanho o pentecostes gastronômico desta comida.

Linguado Grelhado
Linguado Grelhado

Depois recebemos, ainda embriagados pela paisagem e pelo sabor, e em reverência ao culto comideirístico do local, o Linguado Grelhado na manteiga aromatizada com água de rosas. Eu achei tão bonito e perfumado que quase joguei pra Iemanjá. Odoiá Odofiaba! Certeza que ela estava ali na beira da praia esperando.

Ambos pratos vinham com acompanhamentos. O Linguado veio com couscous marroquino com frutas secas além de um molho rosé. Já o Polvo Thay veio com um delicioso arroz ao leite de coco, alho e brócolis.

O atendimento da casa é fenomenal. Fomos muito bem acolhidos pela dona Márcia, uma figura ímpar, como poucas que conheci neste meio. Muito gentil deixou-nos o mais confortáveis possível e anotava atencioasmente tudo o que era pedido. O Chef Beto, outro cara incrível, vinha às mesas verificar se tudo estava perfeito. E estava.

Vista para o mar do Ribeirão da Ilha
Vista para o mar do Ribeirão da Ilha

Sempre falo do ambiente, mas desta vez deixarei a foto acima falar por ele. Dentro é tão bonito quanto por fora. Quem quiser crer, que creia.

Toda esta comida, com direito a uns 5 baldes de cerveja, caipirinhas de cachaça artesanal e água saíram por R$100 por fiel.

Se existir céu, e eu for pra lá, espero que tenha uma Santa Figueira me esperando. Eu só sou agnóstico porque acredito nesta promessa. Converta-se!

Santa Figueira Bar Restaurante e Petiscos

  • Endereço: Av. Baldicero Filomeno, 6300. Ribeirão da Ilha. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3337-0598
  • Aceita cartões