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May: Floripa volta a ter um Tailandês

Poderia dizer que a abertura do May ali no Caminho dos Açores vem suprir uma lacuna que existia na gastronomia asiática. De certa forma é verdade mas resumí-lo a isso seria um desrespeito com a idéia que o May traz à Florianópolis: uma fusão das cozinhas Tailandesa, Vietnamita e Malaia, localizado no lugar mais bonito da Rota do Sol Poente, com um ambiente diferenciado e muito agradável, que aquece os olhos e o estômago com sua decoração e especiarias. Muito mais que substituir um antigo tailandês da Lagoa que deixou a cidade órfã nesta gastronomia, o May vem como pioneiro, abrindo picadas.

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Jantar no May é uma experiência diferente. Como já disse, o ambiente é muito bonito. Também pudera, quando o Fernando Daquino se junta com o Bruno Bittencourt pra idealizar um lugar, sabe-se que tudo será perfeito, e um exemplo disso é a também charmosa e confortável Fairyland Cupcakes, onde ladinos como eles se encontram.

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O restaurante conta com um ambiente fechado, luz baixa, com um clima romântico, ao lado de um bar de drinks pra lá de especiais (o próprio Fernando sentia falta de beber um bom Cosmo antes do seu restaurante abrir) e uma área externa com um deck, com vista pro mar e com um clima mais despojado, pra compartilhar amizades e boas conversas.

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O cardápio do May é enxuto, mas muito completo. Traz pratos para agradar a todos os paladares, resistentes ou não a pimenta, respeitando agradavelmtente o ritmo e os gostos de cada um.

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Comecei pelo começo, como não dá pra deixar de ser. Pedi os famosos Goi Cuon (rolinhos vietnamitas). Uma massa transparente de arroz com legumes cortados em tiras por dentro. O molho que acompanha é quem dá o sabor levemente apimentado e cítrico para este quitute.

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Agora a coisa ficou séria mesmo foi quando experimentei o Satay. Quero estar vivo pra ver o tempo em que a tecnologia permitir à Internet a transmissão de cheiros e sabores. Não dá pra explicar o quão saboroso é este espetinho de frango grelhado com este molho de amendoim. Aliás, é um desperdício com o amendoim usá-lo somente in natura ou confeitado com doces. O amendoim é um dos ingredientes mais versáteis da cozinha, vai bem com doce ou salgado, independe da preparação. Este molho é simplesmente divino, de comer rezando e reverenciando o Buda que está localizado entre o restaurante e a praia.

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Como estávamos em amigos blogueiros de gastronomia, cada um deu uma garfada no prato do outro. Em uma delas experimentei uma salada, mais precisamente a Yam Neua, salada de pepino, alface, cebola roxa, coentro e hortelã com tiras de mignon e molho agridoce. Leve pelas hortaliças e ervas, consistente com a carne e o molho, muito saborosa.

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O meu prato principal era algo que já veio definido de casa enquanto via fotos da fanpage deles sendo postadas: Pad Thai. Talvez o prato tailandês mais difundido por estas paragens, experimentei o macarrão tailandês (de arroz) com camarões, cubos de peito de frango salteados, cebolinha, gengibre, broto de feijão e molho de tamarindos. Outra delícia até então desconhecida por mim.

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E o troca-troca de pratos continuava. Experimentei agora um ítem da parte de sopas do menu, a Tom Kha Gai. Uma deliciosa e bem temperada sopa de coco e frango, com gengibre e suco de limão. Foi-se o tempo que tomar uma sopa era uma tarefa difícil para os paladares. A combinação de especiarias mais o adocicado do coco são geniais.

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Alguns pratos você pode escolher a quantidade de pimenta, separados em três níveis do mais fraco para o mais forte. Experimentei o Gang Massaman Mu, ou Curry Amarelo, composto a base de curry amarelo, abacaxi, lombo suíno cozido em leite de coco guarnecido de arroz jasmine.

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Toda essa comilança terminou numa adaptação do Brownie da Maria, que só quem visitou a Fairyland saberá a delícia que é. E agora ele está também no May em toda a sua exuberância de chocolate belga.

Todos os pratos aprovados com louvor, e o Satay eternizado como um dos melhores da vida inteira forever and ever. Aliás, quem comanda a cozinha do May é o chef João Bub, que você já deve conhecer do Bettina Bub Cozinha Artesanal.

O atendimento funciona também lindamente, a todo momento próximo e sem necessidade de aguardar horas por qualquer coisa. Sempre muito gentis seguem a linha de gentileza de todos os integrantes do serviço.

A conta fechou em torno dos R$150. Vale destacar que neste valor não incluem todos os pratos aqui exibidos, porém todos foram experimentados. Estávamos em um grupo de 6 amigos.

Pra você que diz que Florianópolis nunca tem nada diferente pra fazer, uma viagem até a Ásia com o pôr-do-sol de Santo Antônio é algo somente no May, onde os ladinos também se encontram.

May

  • Estrada Caminho dos Açores, 1689. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 9118-8881
  • Funciona de quarta à domingo, das 19h às 0h.
  • Estacionamento, aceita cartões.

Cervejaria Badenia: comida e cerveja alemã em Santo Amaro

Muita gente me pergunta como se pronuncia meu nome. Eu assino e falo Becher, assim como se escreve. Meu pai, uma geração mais próxima de entender o que realmente ocorre com meu nome, fica doido quando me vê falando assim, e bate o pé que pronuncia-se Becker e ponto final. Pouco sabemos da história desse nome, mas é sabido que em nossas veias corre um resquício de sangue alemão. A gastronomia desse lado da família foi italiana, herança da minha avó, cozinheira daquele lado. A dona Ubaldina fazia uma galinha com polenta como ninguém, e sabia muito bem agradar o velho Luiz e sua prole.

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Talvez por isso, como numa tentativa de resgate às origens, sinto tanta falta de comida alemã fora do Vale do Itajaí. Abundam-se em sushis e frutos do mar os restaurantes da capital dos catarinenses e pouco varia a gastronomia oferecida. Saindo da capital pela BR 282, o Corredor do Mercosul, logo em Santo Amaro já conseguimos comer algo germânico. Conheci recentemente a Cervejaria Badenia, uma cervejaria, como diz o nome, que alia a sua bebida com pratos oferecidos diariamente num lindo casarão à moda antiga.

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Chegando lá já quis experimentar as pratas da casa. E no lindo deck que dá para o campo aberto e com vista para os morros da região degustei uma poderosa cerveja Badische Weiss, fabricação própria, leve e refrescante. Outra, mais encorpada, a Munique Dunkel, chope escuro que também tive a oportunidade de experimentar e aprovar com aplausos.

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Para acompanhar as cervejas pedi uma Weisswurst (salsicha branca cozida) com mostarda doce e Laugenstange (um pão salgado típico da região do sul da Alemanha, segundo o cardápio). A salsicha bem saboroso combinou bem com o molho de mostarda doce, que aliás a primeira vez que experimentei, e aprovei. Já dava até pra dar por encerrado o almoço. Mas o post precisava ficar completo e fomos ao prato principal.

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Já na porta da cervejaria você sabe qual o prato do dia. Mas caso não se anime com ele, principalmente se estiver pensando comer coisas típicas alemãs e se deparar com um prato de truta, como foi o caso, tem um cardápio bem variado (sem ser cheio de frescuras e muito extenso) para atender ao seu gosto.

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Eu não escolhi o do dia, mas escolhi o da semana: Chucrute com batatas cozidas, linguiça defumada e carré suíno defumado (Kasseler). Tirando o chucrute, que não gostei muito (repolho e vinagre não são lá o melhor sabor do mundo), o prato estava dentro dos conformes. Mas não me emocionou, não me fez salivar. Talvez não seja imperícia da cozinha, eu só não gostei. Não era o meu preferido.

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Tive a oportunidade de experimentar o Peniertes Schnitzel (bife de lombo suíno à milanesa com massa caseira) e gostei muito mais. A massa caseira, ou spãtzle, já é uma das minhas favoritas desde quando a conheci no Alemão Batata, em Blumenau. O bife de lombo suíno é muito bom, por mais simples que seja, até porque não é algo que encontremos com facilidade por aqui. O Guilherme Schwinn, entusiasta da carne suína em seus projetos, que o diga.

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Caso você não queira almoçar ou jantar, a Badenia oferece um cardápio de petiscos para aproveitar o happy hour com os amigos enquanto experimenta as cervejas da casa.

Outra grande vantagem da Badenia é que, além de ter um excelente atendimento que não pecou em momento algum do serviço prestado, tem um custo bastante interessante. Cada prato custou cerca de R$20, ou seja, com R$60 comemos muito bem, contando com a entrada. As cervejas variam entre R$5 e R$7,50.

Fica a indicação pra vocês visitaram a Badenia, em Santo Amaro da Imperatriz.

Cervejaria Badenia

  • Endereço: Rua Leopoldo Broering, 3479. Santo Amaro da Imperatriz, SC.
  • Telefone: (48) 3245-8853
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Receita de Hamburguer de Costelinha Suína

Um tanto quanto cansado dos hambúrgueres convencionais fui pesquisar alguma forma diferente de fazer o prato. Recentemente havia comido um hamburguer de costela bovina e tinha gostado bastante. A costela é uma carne que muitos dizem ser dura, mas talvez seja mal preparada ou escolhida. Ela tende a ser uma carne macia se preparada com o devido cuidado e, por ser rica em gordura, é muito saborosa. Então achei no blog Sem Medida a receita de hamburguer de costelinha suína e tentei reproduzir com algumas poucas adaptações.

Hamburguer de costelinha suína
Hamburguer de costelinha suína

O Hamburguer de Costelinha Suína é fácil de fazer, só requer um pouco mais de trabalho. Enquanto a carne bovina se acha aos montes nas prateleiras dos supermercados já moída, a Vigilância Sanitária proibe que a carne de porco seja processada desta forma pois tem um risco de contaminação muito maior. Então você vai precisar comprar uma costelinha inteira, desossá-la e então limpar o excesso de gordura para depois levá-la ao processador para triturar.

Ingredientes

  • Uma costela suína de aproximadamente 1,3kg
  • 4 pães de hamburguer
  • 1 cebola grande
  • 2 colheres das de chá de manteiga sem sal
  • 1 colher das de sopa de açúcar
  • 1 bandeja de cogumelos shitake frescos (aprox. 200g)
  • 2 colheres de shoyu light
  • 4 colheres das de chá de molho inglês
  • Algumas folhas de alface roxa
  • Sal e pimenta a gosto

Como fazer o hamburguer de costelinha suína

Desossando e limpando a carne
Desossando e limpando a carne

Vamos começar pela carne que pode dar um trabalho um pouco maior. Eu não usei a carne que fica entre os ossos, por uma questão de praticidade e reaproveitamento (você entenderá no final do post), apenas separei a camada mais grossa da costela, acima das ripas, limpei os excessos de gordura e triturei no processador de alimentos. Faça bolinhas com essa carne, se tiver balança de precisão pode separar de 150 a 200g de carne, depois molde como hamburguer e com ajuda de saquinhos culinários leve à geladeira para descansar por cerca de 40 minutos.

Caramelizando as cebolas
Caramelizando as cebolas

Enquanto a carne suína descansa você pode cortar as cebolas em fatias e refogar em uma das colheres de manteiga em uma frigideira. Quando estiverem murchas e começarem a pegar uma coloração mais escura dissolva o açúcar em meio copo de água (150ml) e coloque sobre a cebola. Ela vai caramelizar e quando secar bem o líquido estará pronta. Reserve.

Também em uma frigideira refogue os shitakes em fatias (prefira os cogumelos grandes) na outra colher de manteiga sem sal e, posteriormente, finalize-os com o molho shoyu. Reserve.

O molho que usei para este hamburguer foi a típica maionese caseira verde. Nesta receita substituí o leite por um ovo. Não é tão saudável mas é bem mais saboroso. Mas você pode usar o molho de maionese da sua preferência.

Grelhando os hamburgueres de costela suína
Grelhando os hamburgueres de costela suína

A esta altura do campeonato os hamburgueres já descansaram o suficiente e podemos retirá-lo da geladeira e grelhá-los em uma frigideira bem quente, dos dois lados, com sal e pimenta a gosto e uma das colheres de molho inglês. O molho inglês ajuda a carne ter aquele aroma e sabor de defumado. Enquanto frita deixe aquecendo o forno e uma forma antiaderente, onde você irá levá-los após fritarem para terminar o cozimento. Lembre-se: carne de porco precisa ser bem cozida, não pode ficar “no ponto” da carne bovina.

Feito isso, corte os pães pela metade horizontal, passe um pouco de maionese caseira, coloque o hamburguer, as cebolas, o shitake e folhas de alface.

O hambuguer de costelinha suína é uma delícia! Faça e nos conte como ficou!

Nada se perde: costeletas de porco ao molho agridoce
Nada se perde: costeletas de porco ao molho agridoce

Ah, já ia esquecendo. Lembra que falei que aproveitaríamos as costeletas que sobraram da costela suína? Temperei com um molho a base de 6 colheres das de sopa de mostarda, duas colheres das de sopa mel, sal e pimenta a gosto e assei em forno médio por cerca de 50 minutos (primeiros 25 minutos com uma folha de papel alumínio cobrindo a forma).

Estrogonofe Suíno – Strogopork

Aos dezenove dias do mês de março do corrente ano, reunimo-nos no salão de festas do condomínio onde reside o ilustríssimo senhor Bill Ogro Faísca, vulgo Marcelo Cardoso, para uma empreitada culinária ousada: socarmos as nossas artérias e darmos um roundhouse kick no fígado.

A experiência era do amigo Leandro Neckel, um dos editores do blog Gordos em Apuros que estava de viagem marcada para a Alemanha, e a idéia era um estrogonofe de carne de porco, ou Strogopork como a confraria obesa bem definiu. O projeto piloto logrou êxito e foi aplaudido com louvores (mas sentados porque o bucho estava cheio).

Sempre prove o ponto do uisque, ele pode estar muito alcoólico!
Sempre prove o ponto do uisque, ele pode estar muito alcoólico!

Com a receita secreta nas mãos quentes e prósperas do Dr. Alexandre Silva e a supervisão de dois grandes mestres da gastronomia @tiagomx e @gastrobirra, o valioso e inestimável empenho da @sininho115 que corta 20 cabeças de alho em apenas 5 minutos, repeti a dose na Zerotrack Inteligência Digital no nosso tradicional happy hour de sexta-feira, no último encontro semana passada.

Receita saudável e de baixa caloria. Só que ao contrário.
Receita saudável e de baixa caloria. Só que ao contrário.

Repito então a receita original com pouca adaptação, que será encontrada postada pelo seu criador no blog Gordos em Apuros.

Ingredientes

  • 3kg de lombo suíno cortados em pequenos cubos
  • 500g de bacon cortados em pequenas fatias
  • 3 cebolas
  • 6 dentes de alho
  • 5 tomates sem pele e sem sementes
  • 500g de requeijão cremoso (aqueles de sachet são mais baratos)

Modo de preparo

  • Refogue o alho e a cebola picados em óleo de sua preferência
  • Acrescente o lombo suíno e deixe cozinhar.
  • Quando o lombo estiver branquinho, acrescente algumas medidas de cachaça (pode usar qualquer bebida, mas eu gostei mais com aguardente) e cozinhe por mais um tempo. Vá provando quando parecer cozido.
  • Se for necessário, remova um pouco da água que ele cria no cozimento, mas deixe sempre um pouco pro molho.
  • Acrescente os tomates. Cozinhe mais.
  • Em paralelo, dê uma refogada no bacon e deixe reservado.
  • Agora acrescente o requeijão, mexa bem. Desligue o fogo, não é bom cozinhar o requeijão e adicione o bacon.
Olhe para o seu coração e diga quem é que manda nessa porra!
Olhe para o seu coração e diga quem é que manda nessa porra!

IMPORTANTE: sempre dê uma mexida pra não grudar e coisa e tal.

Essa receita serve 12 pessoas. Sirva com arroz e batata-palha, ou com o que quiser.