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Peña del Sur: uma parrilla for de campeira

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Já havíamos comido e todos no restaurante estavam satisfeitos acompanhando o som do músico Branco, que às sextas-feiras faz sua apresentação na casa. Entre Zé Ramalho e Chico Buarque também cantava uma que outra da Mercedes Sosa, o que já era prenúncio do que estava por vir. Então o Eduardo, proprietário e parrillero, que já havia dado o seu show nas carnes nos servindo excelentes cortes e acompanhamentos se abraçou ao violão e dedilhou uma milonga. Era Flor-de-campeira o nome da música, já conhecida na voz do Cristiano Quevedo, um dos artistas que acompanho nessa xucra música do Rio Grande do Sul. Se a comida já havia agrado, e muito, agora estava transcendendo na visita ao Peña del Sur.

Já havia notado que a casa, além de sua comida, tinha um forte apelo às tradições latinomaricanas. A própria parrillera tem as incrições “Gracias a la vida”. É uma música da chilena Violeta Parra que também imortalizou-se na voz de Mercedes Sosa.

E eu, que já havia me emocionado com uma simples frase em cima de uma churrasqueira uruguaia queimando brasa, tive que esconder uma que outra lágrima quando o chef cantou “Zamba de Mi Esperanza”. Pensei comigo: “qual é? Isso é Santo Antônio de Lisboa, um antro cultural de Florianópolis, mas ouvir La Negra sem estar em Tucumán ou Los Chalchaleros sem precisar ir até Santiago Del Estero, relativamente do lado de casa, é demais pra mim”.

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Isso tudo porque os ex-bancários Ana Paula e Eduardo deixaram sua terra natal pra investir em um gosto pessoal: a cozinha e o churrasco uruguaio. E eles não poderiam ter acertado mais. A casa é linda, bem decorada, aconchegante e te faz querer ficar horas ali comendo um queso parrillero, uma carré de cordeiro… ouvindo boa música, bebendo um vinho ou uma cerveja argentina, conversando com pessoas incríveis e acolhedoras, aproveitando cada segundo dessa experiência que envolve muito mais do que alimentar o corpo: saciar a alma.

Poderia dizer que a comida faz parte da experiência que se tem no Peña del Sur, e não é a única. Mas como aqui a intenção é falar dela, deixo essa prosa de quem muito se agradou pelo conjunto da obra e vamos falar da bóia.

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O cardápio é simples e tudo é feito na parrillera, tirando as saladas e sobremesas, evidentemente. Ele divide-se em gado, porco, linguiças, diversos e miúdos. Numa parrilla tradicional não existem acompanhamentos fixos, você pode combinar o que quiser. Eu pedi de entrada uma linguiça mignon e o pão com chimichurri. Linguiça de carne suína pura, uma delícia se assada numa dessas churrasqueiras. O pão levemente crocante e saboroso coberto pela combinação de ervas mais degustada nos nossos vizinhos fronteiriços. Todos os pratos da casa são acompanhados por farinha e salsa criolla.

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Depois comi o Queso parrillero, aquela famosa provoleta que onde é servido é sempre campeão de vendas. Um provolone delicioso, de boa procedência, com ervas garantindo seu sabor e aromas.

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Experimentei também outra figurinha carimbada das parrillas: a molleja. Molleja é o timo assado na brasa, uma glândula endócrina da rês que acompanhada de sal e limão, assim como assim, têm uma textura gordurosa e muito, mas muito saborosa.

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Meu prato principal foi o Carré de Cordeiro. Cinco generosos carrés da ovelha jovem, prato delicadamente decorado, também bastante aromático pelas ervas e pelo alecrim que o adorna. No ponto delicioso de se degustar um cordeiro, maciez e sabor.

Ainda experimentei outros pratos que meus fieis companheiros de comida e música gaudéria Everton e Samantha pediram e compartilharam. Essa é a sina do blogueiro de gastronomia, evidentemente.

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Teve Contra-filé

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Papa 3 quesos, que é uma batata cortada ao meio e assada no papel alumínio com gorgonzola, provolone e catupiry. Deliciosa!

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Teve o Assado de tiras, outro bastante conhecido de allá, um jeito diferente do nosso de comer costela bovina.

Do início ao fim, todos os pratos me agradaram e sequer têm alguma reparação a ser feita. Perfeito serviço, perfeita comida, perfeito atendimento feito por dois garçons muito gentis e competentes, que transformaram nossa visita ao Peña del Sur a mais perfeita possível.

O preço é bastante honesto, comemos bastante por algo em torno de R$90 por pessoa. Quase de graça. A casa não cobra couvert e, sou suspeito pra falar, mas dá um banho no quesito música.

Há muito um restaurante não me emocionava. Não garanto que vá te emocionar pelos mesmos motivos, se falo aqui de um gosto por uma cultura bastante específica. O que posso enfatizar é que uma experiência lá é agradável, saborosa e com preço justo. De sair lambendo os beiços e com o coração leve.

Gracias à la vida, gracias aos proprietários, gracias aos músicos e gracias aos garçons!

Peña del Sur Assados de Parrillada

  • Rua Padre Lourenço Rodrigues de Andrade, 568. Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis.
  • (48) 3236-5145
  • Aceita cartões
  • Estacionamento

Cantina Di Bernardi, la migliore pizza che ho mangiato

Se você me acampanha no Twitter ou aqui mesmo no blog sabe que eu pouco como pizza. Nada tenho contra ela, pelo contrário, só que como dizem lá em Biguaçú “a gente vai ficando velho, perdendo a força e ganhando em cismas”. E eu ando cismado com as pizzas que venho comendo. Uma massa ruim, bordada com um molho ácido demais e queijo vagabundo é o que mais se vê nestas cercanias. Não é a toa que pouco se vê falar aqui desta iguaria. Se eu não gostei, que sentido faz publicar um review sobre?

Mas já entro numa rage com a pizza e nem abro o novo ano com o devido carinho. Como passagem de réveillon? Comeram bem? Beberam bem? Se divertiram? Tudo nos conformes? Um feliz ano novo pra vocês, que em 2013 vocês continuem sendo felizes e, principalmente, bem alimentados!

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Pra não dizer que nunca falei das flores do manjericão abro esta nova temporada falando da pizza. Isso porque ontem estive com meus convivas na Cantina Di Bernardi, um restaurante típico italiano localizado no coração da cidade de Florianópolis, e que muito me agradou. Não só pela comida, o que em tese poderia ser suficiente, mas pelo conjunto da obra. Vamos lá: uma casa bonita, com decoração “das antigas” — odeio a palavra retrô, desculpem — e um atendimento de primeiríssima qualidade. Coisa boa você passar algumas horas degustando uma boa refeição sem ficar com a bunda quadrada, né? Ninguém fala disso, mas eu falo: amiguinhos proprietários de restaurantes, mesas e cadeiras fazem parte do serviço, obrigado por prezar pelo meu conforto!

Provoleta
Provoleta

Abrimos os trabalhos com uma entrada muito comum nos países do garrão da América Latina, a provoleta. Ele é o queijo-coalho dos uruguaios, só que bem mais gostoso. Um queijo provolone assado e bem temperado (bem temperado não é sinônimo de muito temperado, #fikdik) e com alho frito por cima. BAH! diriam os gaúchos.

Pizza à moda Vitor Gomes
Pizza à moda Vitor Gomes

Para a pizza, de 8 fatias, escolhemos dois sabores: à moda Vitor Gomes, uma pizza de queijo roquefort, rúcula, presunto parma e figos turcos idealizada pelo chef florianopilitano; e a Parma Especial, composta de mussarela de búfala, presunto parma, nozes caramelizadas e manjericão. Confesso que tive a sensação de comer uma pizza que nunca havia comido. Sou café-com-leite nesse assunto, talvez ainda existam outras melhores na cidade, mas duvido bastante que alguma se sobressaia de forma tão marcante quanto as que provei ontem.

Banana assada com sorvete de canela
Banana assada com sorvete de canela

De sobremesa segui a sugestão dos convivas: banana assada com sorvete de canela. Já havia experimentado algo parecido, uma banana assada em rodelas com sorvete de creme e canela por cima, mas essa deu um banho. Assada na própria casca (o que faz toda a diferença) com o sorvete já sabor canela. Experimentem, eu assino embaixo.

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Dizer que a casa é tradicional e o forno não ser a lenha não dá, né? Além disso a cozinha é separada do restante do restaurante por uma vidraça e você pode acompanhar o trabalho do pizzaiolo.

Uma outra característica que achei interessante é o azeite. Além da versão extra-virgem do azeite de oliva, a Cantina Di Bernardi oferece um azeite aromatizado com alho e alecrim, que agrega um sabor e aroma que fazem toda a diferença na hora de comer.

A casa ainda oferece um amplo cardápio de entradas, saladas, massas, filés, frutos do mar e pratos especiais como a paleta de cordeiro que deve ser encomendada com antecedência, e já ouvi falar muito bem.

O atendimento é muito bom, sempre rápido e atencioso. Recebemos os pedidos corretos, sem qualquer problema e com bastante gentileza.

Fica a dica: se você quer abrir 2013 com uma pizza de verdade, a Cantina Di Bernardi é uma boa pedida.

Cantina Di Bernardi

  • Endereço: Jardim Olívio Amorim, 10. Centro. Florianópolis.
  • Horário: diariamente das 18h à 1h.
  • Telefone: (48) 3223-2321
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim