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Jun Temakeria apresenta novo cardápio com fusão molecular

É a terceira vez que escrevo sobre a Jun Temakeria. Isso é inédito aqui no blog. Isso porque costumo escrever apenas uma vez sobre os restaurantes que frequento. A Jun teve a primeira e a segunda, ambas fiz reviews normais. Esta terceira foi um convite do proprietário, o Bruno, o qual já agradeço por sempre ter um carinho especial pelo Comideria e que sempre nos convida pra conhecer em primeira mão os pratos novos do seu cardápio que está em constante evolução. Aliás, essa é uma qualidade da Jun: eles sempre tentam — e conseguem — melhorar ainda mais o cardápio.

Este post que escrevo foi produzido em duas visitas. Na primeira conheci os pratos quentes desenvolvidos pela chef Maria, pratos que vêm da cozinha superior do restaurante feitos pelas mãos atenciosas e habilodosas da chef.

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Entre alguns pratos que experimentei nesta primeira visita destaco o Tartar de Salmão Guacamole, que são cubos de salmão levemente selados, guacamole e acompanhado de nachos e camarões grelhados. Gostei da versatilidade deste prato que pode servir tanto como uma entrada como prato mesmo. Dizer que é saboroso, assim como os demais, é desnecessário.

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Aprofundando-se ainda mais numa fusão entre França e Japão, comi o Bisque de lagosta com vieiras. Já viu algo com lagostas e vieiras ficar ruim? Ainda mais se isso vier na forma de bisque, que é um creme de palmito com leite de coco e peas crocante.

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Outro prato que me deliciei foi o Salmão grelhado com crosta de bacon. Deus do céu, vocês precisam provar esse prato. Ele vem acompanhado de um delicioso purê de beterrabas e batatas rústicas.

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Como a Jun tem essa pegada descontraída de temakeria, o happy hour também ganha espaço. Inclusive esse aperitivo diferente e muito gostoso feito por lá mesmo, a Linguiça defumada de salmão. Ela é servida com batatas rústicas, cebolas caramelizadas e chutney de maçã.

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Sobremesa? Brulée de gengibre. Deixaria Amélie Poulain lambendo os beiços.

Já na segunda visita conheci a Jun Experience, uma novidade na casa que faz uma fusão entre o tempero asiático com a cozinha molecular. Seja desconstrução, esfera, fumaça, efeitos especiais, um jantar digno de hollywood.

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Comecei com esse Tartar de atum com espuma de manga. A espuma de manga é uma delícia e vai também gengibre, já o tartar é coberto com ovas de capelin black e cebolete.

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As ostras à tailendesa deram um visual todo especial. Após a fumaça de nitrogênio líquido se dissipar do bowl, vi que se tratavam de duas deliciosas ostras à vapor, espuma de coco ao curry e ovas de capelin.

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O Tataki da Jun é um dos meus pratos preferidos. Tanto de salmão quanto de atum, eles mandam bem nisso. Desta vez provei algo diferente: Tataki desconstruído. É um tataki de salmão selado, pasta de gergelim negro, shoga negui (gengibre e cebolete macerados) caramelo de tarê e óleo de gergelim em pó. Não espalhem por aí, vai pegar mal, mas eu queria um quilo desse “pozinho branco” pra colocar em qualquer comida. É muito bom o tal do gergelim em pó.

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Já o Saquerinha esférica eu fiquei na dúvida: é pra comer ou pra beber? Tanto faz. Uma delícia, explode na boca, sensações e mais sensações e sabores.

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Também comi o Polvo Tzatziki. Isso mesmo, este polvo tem influência mediterrânea e busca na culinária grega inspiração pra esta esfera de molho à base de iogurte, pepino e endro.

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E pra fechar com chave de ouro algo que você não pode deixar de pedir quando for à Jun: Nachos oriental. Vocês não fazem idéia do que é o sabor desse aperitivo. São nachos de alga nori com queijo fundido especial, alho laminado e camarões. Os sabores, a crocância da alga, os camarões dando um toque especial neste aperitivo que promete ser um sucesso na casa. Sério mesmo, não deixem de experimentar!

Jantar (ou almoçar, porque agora eles servem buffet no almoço) é experimentar sempre coisas diferentes, com um cardápio em constante renovação e melhorias, com sensações novas e que surpreendem a cada visita. O atendimento sempre nota 10, atencioso e eficiente. Não espere mesmice da Jun. É uma visita pra ficar na memória pra sempre e conhecer o que diferencia os homens dos meninos.

Jun Temakeria

  • Av, Engenheiro Max de Souza, 1302.
  • (48) 3207-4933
  • Aceita cartões

Yakisoba da Ponte agora tem Sushi, Sashimi e Temaki!

É desnecessário dizer que o Carlos e sua equipe fazem no Yakisoba da Ponte uma das melhores comidas de rua que São José já viu. Com a receita sendo aprimorada há anos e com o pessoal altamente qualificado trabalhando tanto na chapa quanto na pré-produção, o Yakisoba tradicional e o especial com molho teriyaki dão um show nos quesitos sabor e qualidade.

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E só quem tem autonomia e segurança pra continuar melhorando o que já é bom se arrisca na diversidade dos pratos onde as culinárias são relacionadas de alguma forma. Ainda servindo o melhor da comida oriental, o Yakisoba da Ponte agora traz novidades no seu cardápio. Isso mesmo, há duas semanas naquele ponto informal porém aconchegante da Av. Presidente Kennedy a casa agora oferece Sushis, Sashimis e Temakis.

Estive lá na última semana pra conferir e provar os novos pratos. Enquanto Carlos foca suas atenções no Yakisoba, é o chef Jeferson Torres quem prepara os sushis, com uma excelente bagagem profissional acumulada na sua trajetória pelo ramo em Floripa.

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Experimentei todos os pratos da casa. Primeiro os sushis enrolados, como não poderia deixar de ser. Por ser um food truck e pra garantir o frescor e a qualidade, eles apenas trabalham com o salmão, que é o queridinho e unanimidade por aqui. Foram servidos os uramakis Filadélfia (salmão com cream cheese), patê de salmão e kani kama. Os hossomakis seguem os mesmos sabores: kapa maki (pepino), kani e salmão. Todos provados e aprovados.

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Depois foi a vez dos Nigiri e dos Djow (djoe, joe, dyo, cada restaurante chama de um jeito). Os nigirizushi estavam deliciosos. Se você tiver a oportunidade, peça a versão com geléia de pimenta oriental por cima. Dá um toque todo especial no sushi. Outra sugestão que eu dou é experimentar o djow maçaricado, é uma experiência interessante o sabor do peixe cru por dentro e levemente cozido por cima. Quase um tataki de salmão enrolado.

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Os temakis também estão presentes no novo cardápio do Yakisoba. O Temaki Filadélfia deles é de dar inveja! Bem recheado, sem miséria de peixe e com cream cheese, cebolinha à gosto do freguês. Pode pedir sem, é claro, mas acho que dá um toque todo especial. Há inclusive o cuidado de mandarem na mesa, além do potinho e a garrafinha de shoyu, o molho num sachet pra que você consiga temperar o seu temaki de maneira adequada.

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Se o peixe é fresco e o chef é bom, o Sashimi não teria como ser diferente. O segredo desta iguaria é o peixe não ter sido congelado e o tamae-san saber cortá-lo. Acho que a foto é autoexplicativa, mas cabe dizer que salmão cru é uma das iguarias onde a cocção não melhora o prato. Shoyu dos bons e wasabi à vontade pra temperar bem o seu peixe.

Há também uma coisa que eu acho extraordinária nos sushis: os hots. Eles são ótimos pra levar algum amigo com quem você deseja dividir uma refeição mas por algum motivo não curte o sabor do peixe cru. Hot sushi é inclusivo e agregador.

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Este até o Everton, co-autor deste blog e que não curte muito comida japonesa crua, se esbaldou.

Experimentou o hotroll filadélfia, que é o mesmo uramaki filadélfia empanado e frito. E não é hotroll se não vier acompanhado de tarê, um molho feito à base de shoyu muito delicioso e que acompanha bem as frituras.

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Outra gordice fritura que adorei foi o Hot Temaki. Mas ao invés de pegar os rolls e colocarem como recheio de um temaki normal, o chef empana e frita ele inteiro. Daria pra dizer que é uma espécie de cozinha ajaponezada de peixe. Uma delícia. Fritura é sempre boa!

O drama maior é: experimentar um pouco disso tudo sem sair rolando. Embora comida japonesa seja leve e boa pra quem briga com a balança, os sushis todos são bem servidos e vendidos em porções com 8 unidades. As fotos dão bem a dimensão da coisa toda, dá pra comer sem gastar muito e sair bem satisfeito.

Vale a visita! Comer sushi sem a necessidade dos protocolos de um restaurante comum pode ser uma experiência bastante interessante, ainda mais quando o produto é de qualidade!

* Este é um review publieditorial. Ele expressa a opinião do autor.

Yakisoba da Ponte

  • Av. Presidente Kennedy, 789. Campinas, São José/SC.
  • Aceita cartões
  • Estacionamento
  • Wifi

Sushinami: a esperança é um prato que se come cru

Ah, este pequeno bolinho de arroz envolto de ômega 3 no estilo americano de enxergar os nipônicos, embora saibamos que isso possa ser historicamente um grande erro… Ah, iguaria tão deliciosa e tão compatível com quase todas as dietas para redução de peso… Ah, salgado shoyu que tempera este controverso quitute e nos eleva a pressão arterial… Que jamais nos cansemos de procurar novos lugares para degustá-lo, ainda que esta batalha diária seja muitas vezes frustrante e nos deixem mais longe do primeiro milhão. Que jamais desistamos frente à camarões mal cozidos, peixes velhos e atendimento vergonhoso. Que nunca esmoreçamos face a qualquer imprevisto, visto que a perseverança é um prato que se come cru.

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Só me arrisco de poeta neste post que ora começa porque sei que a risada tende a ser boa. E o review é positivo, por supuesto. Embora este seja um grande spoiler do modelo tradicional de reviews, onde a conclusão vem só lá no final, numa obrigação religiosa de ler todo o meu emaranhado de baboseiras que este postulante a crítico de gastronomia, que da Michelin a única semelhança é a forma de pneu de uma 1313 8 marchas, te poupará saber que a poesia quase orgástica acima sem qualquer redondilha na métrica inexistente já é um convite para conhecer o Sushinami.

Falando sério agora, visitei dia destes o Sushinami. Não antes sem receber pelo menos uma dúzia de recomendações dos leitores aqui do blog para conhecer esta “nova” casa. Das indicações que me recordo, a Juliana, a Sandra e a Gabriela disseram, com outras palavras mas com a mesma idéia, que a cara era excelente. Eu que não sou besta de perder, fui. E me dei bem.

No Sushinami não há rodízio, o serviço é todo à lá carte. Se por um lado alguns acham que isso encarece o serviço, posso lhes garantir que aumentam as chances de a experiência ser bem sucedida. Não há porções reduzidas, produções em massa, pré-preparos exagerados que diminuem o frescor dos alimentos, enfim… A lá carte já foi sinônimo de caro, o que neste caso não é uma verdade. No fim das contas o valor para sair de lá mais que saciado é até menor que um rodízio. Creia. Um dos pontos da casa: preços honestos. Não há vista pro mar, não há rua badalada, não tem nada de especial e irrelevante que encareça a visita.

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Comecei os trabalhos com Missoshiro. Esta singela e saborosa sopa a base de pasta de missô e com pedaços de tofú (não é qualquer tofú, é um queijo de soja mais elaborado, segundo o garçom) dá aquela rejuntada no estômado para o que virá a seguir e pra esquentar o corpo num contraponto com a chuva e o frio sulista nessa época do ano.

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A Aline não quis sopa mas pediu um Yakissoba de carne. Muito saboroso, bem proporcional nos ingredientes e molho como poucos na cidade, e bem servido. Já não seria perdida a viagem se fôssemos só para comê-lo.

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Em seguida recebemos o Dragon Rainbowl, um dos uramakis especiais do cardápio. São 8 peças de de uramaki filadélfia envoltos por salmão, atum, peixe branco e camarão. Sushis saborosos e muito bem elaborados, com as coberturas dos uramakis fazendo uma espécie de “meio-a-meio” entre os peixes citados.

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Juntamente com eles vieram os nigiris de peixe branco, com finas fatias de limão dando um toque bastante interessante, como já é comum nas casas orientais, e também os Dyo (FINALMENTE ALGUÉM ESCREVEU CERTO NO CARDÁPIO!!!! GLÓRIA ALELUIA!!) Salmão Spice. Devia estar inspirado nesta noite, quase todos os pedidos envolveram pimenta.

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Por falar em pimenta, também comi os uramakis Salmão Spice. São uramakis que além do tradicional filadélfia e cebolinha, ganham também a pimenta japonesa.

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Como não estou podendo comer frituras, a Michele experimentou e aprovou o Temaki Hot Ebi, que é um temaki tradicionalmente feito com alga e arroz, com recheio de camarões empanados e fritos com molho teriyaki e cebolinha. Diz ela que estava uma delícia, eu confio.

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O Hot Sushi Filadélfia também estava lindo uma barbaridade, pelos mesmos motivos eu não comi, mas o Guilherme o fez por mim e também largou o seu jóinha.

O atendimento também se mostrou bastante eficiente, com todos os pedidos vindo de forma tranquila e sem problemas. Gentileza e hospitalidade, num ambiente pequeno mas muito aconchegante, que tornarão certamente o Sushinami um porto-seguro de olhos puxados para se voltar mais vezes.

Sushinami

  • Rod. Antônio Amaro Vieira, 2122. Itacorubi, Florianópolis.
  • (48) 3233-6784
  • Segunda à sábado, das 19 às 23h.
  • Estacionamento, aceita cartões.

 

 

Jun Temakeria: novo cardápio e ainda mais sabor

Ao terminar a minha última visita à Jun Temakeria, após pagar a conta, me dirigi ao balcão e falei aos sushiman: vocês são foda pra caralho!

Não conheço outro advérbio de intensidade tão contundente quanto “pra caralho!” Nenhum que faça jus ao que eu comi nesta fatídica noite.

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Embora tenha dado à quinta-feira a honra de ser O Dia do Sushi na minha vida, numa precisão que irritaria Dr. Sheldon Lee Cooper, não saí de casa com intenção de comê-lo. Estava com vontade de comer peixe empanado com algum molho de acompanhamento, poderia ter comido isso a noite toda. Mas a cabeça que já não anda boa teimava em trair minhas próprias dicas aqui e só consegui lembrar um Sakana que havia comido certa feita no Jun, e fui pra lá.

Foi o primeiro pedido, é claro.

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Peixe frito na medida certa, sem passar do ponto. Cozido o suficiente mas sem ficar seco e duro. Bem temperado e com molho agridoce pra dar o retoque final, o gran finale.

Mas ir ao Jun e não aproveitar seus sushis, ainda mais agora que lançaram o menu “Gourmet”, palavra esta que, todos sabem, tenho tentado evitar mas que, controversa exceção, o Jun soube muito bem implementá-la sem se tornar mais uma obra da Vergonha Alheia Empreendimentos Gastronômicos.

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Pedi o Salmão Tataki, não tem como ir lá sem comer isso. É um bife de chorizo dos pescados, salmão maçaricado por fora e cru por dentro, com molho tataki e gergelim torrado. De comer bendizendo o chef.

Depois pedi uns sushis do cardápio gourmet, como o Uramaki Camarão Blue Cheese (Uramaki sem alga, de camarão com cream cheese, gorgonzola e flocos de arroz). Quem faz esse tipo de combinação ser deliciosa? Só chefs fodas pra caralho.

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No mesmo barco veio outro pedido, o Shima Roll (sashimi roll de ostra ao vapor, cream cheese, envolto em lâmina de salmão e molho de ostra). Quem consegue fazer você gostar de uma mistura de ostra cozida ao vapor sem meio litro de limão pra cortar aquele ranço irritante de fundo, combinar com salmão, cream cheese e o escambau? Só chefs fodas pra caralho.

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Também comi o Chimimaki Salmão (uramaki sem alga, de salmão, molho chimichurri e um toque de queijo cremoso). Quem, em são consciência, decide acordar um dia e fazer um sushi com o molho que os platinos usam nas parrillas? Só chefs fodas pra caralho.

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Fiquei empolgado com o sabor do chimichurri e pedi mais comida, o Temaki do Chef, também novo no cardápio. Atum flambado com chimichurri, arroz, nori, cream cheese e alho poró crocante como cobertura. Já sabem né? Fodas pra caralho.

Inovar na cozinha não é pecado. Mas inovar com segurança, sem aquele ego galopante que muitos chefs costumam apresentar, como se tivessem cozinhando a panacéia. Imaginar que um queijo extremamente forte substituiria majestosamente o cream cheese ou que um molho de churrasco cairia bem com um peixe de águas geladas, é coisa de quem é foda pra caralho.

Abre parênteses. O atendimento do Jun sempre foi muito bom, mas a cada visita à casa eu noto uma maturidade fenomenal na equipe. Os caras são geniais sempre, são educados sem ter aquele papo robotizado, estão a todo momento limpando as mesas e te livrando dos guardanapos infernais, informando as novidades do cardápio. O entrosamento deles com a cozinha é de tirar o chapéu. Se você é proprietário de restaurante em Florianópolis — e olha que eu conheço restaurante nessa cidade — mande-os jantar no Jun, por sua conta. Fecha parênteses.

A conta fechou em R$144 que foram pagos com a maior alegria do mundo.

Então na próxima ida a um sushi você pode comer o mais do mesmo. Ou então pode ir num restaurante foda pra caralho.

PS1: é, eu sei. Falei muitos palavrões. Mas foi necessário.
PS2: é, eu sei. Já fiz um review sobre eles, imagino que seja o primeiro caso de repetir um review, mas não estou tentando aproveitar pauta pra tapar buraco, senti necessidade do fundo da alma.
PS3: comprei um, chega essa semana. Roubei tua piadoca, Melo.

Jun Temakeria

  • Endereço: R. Engenheiro Max de Souza, 1302. Coqueiros, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3207-4933
  • Horário: de segunda à sábado, das 18h à 0h.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim
  • Wifi: sim

 

Kraftwerk Restaurant: comida boa, estrela merecida!

O estado de Santa Catarina não tem muitos representantes no guia de restaurantes da Quatro Rodas de 2013. São somente sete os esteios catarinenses num dos maiores referenciais de boa comida do país. Dois em Balneário Camboriú, um em Nova Veneza, outro em Blumenau, mais um em Penha, um sexto na Praia do Rosa e finalmente o que ostenta a bandeira do meio-oeste, em Joaçaba. Nem Joinville, cidade mais populosa do nosso torrão, nem Florianópolis, a capital do estado, receberam sequer um meteoro, quem dirá uma estrela na famigerada publicação da revista automobilística.

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E no último fim de semana visitei a cidade de Herval D’Oeste, uma região que ainda não tinha conhecido. Encantando com as paisagens e o povo hospitaleiro, tive pouco tempo pra conhecer a gastronomia local, até porque a idéia não era essa. Mas no sábado a noite tive o prazer de atravessar a ponte ir até Joaçaba, município vizinho, conhecer o Kraftwerk.

O Kraftwerk Restaurant fica em cima do que há algum tempo era uma usina hidrelétrica que outrora abastecia a cidade de Joaçaba. Hoje, as águas que passam por ali movimentam o que chama-se de PCH (Pequenas centrais elétricas), e abastece o Moinho Spetch, após a aquisição da propriedade pela família Fett.

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Na cozinha, sob o comando do chef austríaco Klaus Mauko, pratos com referências germânicas e globalizadas para atender os mais diversos gostos que passarem por ali. O Javali é uma carne exótica que aparece bastante no cardápio, mas divide o espaço com o marreco, filé mignon, salmão e até camarões pra quem quiser fazer uma incursão nos frutos do mar.

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A decoração do restaurante é muito bonita e sofisticada. As enormes cristaleiras feitas com madeira rústica e de demolição recheadas com louças de cristal muito bonitas, abrilhantam o conforto das mesas muito bem forradas com tecidos finos e prataria de primeira para uma excelente refeição.

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Ao chegar no restaurante fomos recepcionados com uma pequena cortesia: Estas torradinhas com uma pasta de salmão e outra de ervas finas, com um sabor bastante destacado de pesto.

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De entrada escolhemos o Embutido Temperado de Carne Silvestre com Mostarda (R$25). A carne silvestre na verdade era uma mistura de javali e cervo, e o embutido estava uma delícia. Ele era acompanhado não só de uma mostarda muito boa, como de um molho alemão muito saboroso. Acompanhava, ainda, uma cesta de pães brancos e integrais, ainda quentinhos.

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Continuar comendo era preciso, e eu estava há dias com uma imensa vontade de comer spätzle, que é uma massa rústica alemã. Numa das raras vezes onde escolhemos a guarnição antes do principal, então na parte de “especialidades silvestres” do cardápio escolhi o Assado de Javali, Pernil e Paleta, ao Sauce Imitane (Nata) com Spätzle (R$38). Por mais que estivesse bem amparado pelas duas entradas, comi aquele prato como se fosse único na vida, como se jamais fosse voltar lá ou comer algo parecido. Talvez um dos pratos mais saborosos que já tenha comido na vida, certeza que entraria num Top 10.

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A Aline, que foi o motivo da minha visita à cidade e fiel companheira de aventuras seja lá onde for, escolheu uma massa, pra garantir seu certificado de descendência italiana: Penne ao Creme de Óleo de Tartufo com Tournedos de Filé Mignon Grelhados (R$57). Ela achou o molho um tanto quanto forte, o tartufo tem um sabor bastante marcante. Eu gostei bastante do molho, mas é preciso bastante paladar para sabores fortes pra chegar até o final. O que, claro, não desmerece o prato, somente uma questão de gosto.

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Nas sobremesas, cada qual com sua originalidade e feitas ali mesmo, o que aumentava ainda a vontade de experimentar tudo, resolvemos ir no Mix de Sobremesas para duas pessoas (R$23). Eu iria perder o Strudel, que não fazia parte deste “combo”, mas o garçom prontamente deu um jeito e nos colocou um pedaço para experimentarmos. Baita escolha! Comemos Mohr im hemd (aquele bolinho de chocolate), Pêra recheada à kraftwerk com sorvete, Eisterrine de Três Sabores Parfait (o meu preferido), Ragout de Amoras com Calda de Baunilha e, claro, o Strudel de maçã.

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O atendimento é perfeito. Perfeito mesmo, desses de sair encantado com o lugar só pelo jeito que fomos tratados. Sempre presente, rápido, eficiente e educado. Trouxe todos os pedidos corretamente e até se adiantavam, como numa hora em que comentei com a Aline, “acho que vou pedir mais uma bebida” e em menos de 2 minutos o garçom, que havia escutado, a trazia numa bandeja perguntando se eu realmente queria ela. Dá pra não amar um restaurante desses?

Estrela mais que justificada.

O jantar custou R$194 contando as bebidas (refrigerantes e água).

Kraftwerk Restaurant

  • Endereço: Rod. SC 303, Km 1. Joaçaba, SC.
  • Telefone: (49) 3521-2626
  • Horários: Terça-feira a sábado, almoço das 12h às 13h30 e no jantar das 20h ás 23h. Domingos, das 12h às 13h30.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Toro Yam: comida japonesa e atendimento em ritmo de tango

Estive anteontem visitando o Toro Yam, uma casa relativamente nova baseada na culinária japonesa instalada no centro de Florianópolis. O Toro é mais um desses lugares que juntam gastronomia e balada, tendo um piso superior onde a casa prepara-se para a diversão de quem ali resolve passar algumas horas, comendo ou não um sushizinho.

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Fui pela comida — sempre pela comida, pra conhecer a casa e degustar aquele velho peixinho cru envolto numa camada de arroz. Gostei bastante do que comi. Os sushis são bem preparados, tanto na modalidade buffet livre quanto nos pratos à lá carte. Encontra-se desde os tradicionais filadélfia até nigirizushis feito com vieiras, por exemplo, ou com surubim defumado. Enche os olhos já no cardápio.

Além de saborosos os pratos são bem servidos. Sushis grandes, pra quem gosta um prato cheio, e bem gostosos. A ordem da minha refeição deveria ter sido essa:

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Comecei por uma entrada quente: Yakitori (Robatas de frango, cogumelos e legumes ao molho satay, R$12). Espetinhos de frango grelhado com cogumelos paris e, basicamente, aspargos. Mas muito saboroso. Esse molho satay, tradicionalmente preparado com coentro, gengibre, molho shoyu, alho, limão e chilli, deu toda a graça ao prato.

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Era pra depois da entrada ter comido um par de Dyo Massagô (bolinhos de arroz envoltos em uma fatia de peixe branco cobertos com ovas de capelin, R$7). Mas não tinha ovas de capelin. Troquei então por nigirizushis Hotategai (nigiris de vieira maçaricada com flor de sal e raspas de limão siciliano, R$12). Confesso que poucas vezes comi um nigiri tão saboroso, com a flor de sal e as raspas de limão combinando muito bem com as vieiras.

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Em seguida então deveria ter vindo o combinado de sushis (calma, já explico), o Torô Kikuna (4 uramakis, 4 nigiris e 3 dyo, totalizando 11 peças, R$26). Não sei porque mas acabei recebendo 14, um um niguiri e 2 uramakis mais. Obrigado, desde já, samae-san!

E finalizaria toda a comilança com um Uramaki Torô (atum, foie gras e raspas de limão siciliano, R$25).

Mas por quê eu falei que a sequência deveria ter sido essa? Respondo falando o que achei do atendimento.

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O atendimento é dramático. É mais dramático que Gardel cantando Roberto Goyeneche, é tão asmático quanto Ruben Juarez “con su blanco bandoneón“. E digo que foi um tango pra não dizer tragédia, embora desconfie que o serviço fosse melhor na Sbornia. Vi uns passos de Kopérnico no salão bonito e aconchegante do restaurante.

O garçom foi enfático ao pedir que eu separasse os pedidos da entrada e dos pratos. Ponto positivo, pensei. Ponto positivo não fosse os 40 minutos que levei pra começar a comer. E, advinha? Não começou pela entrada, veio primeiro o combinado de sushis, que seria só o terceiro prato. A robata veio só depois, junto com o segundo prato, e ele voltou ainda duas vezes pra perguntar se era isso mesmo que eu tinha pedido. Ou seja, o pedido não chegou à cozinha.

O segundo prato não tinha, como disse anteriormente, o massagô (ovas de capelin) estava em falta. So 20 minutos depois do pedido é que avisaram, então troquei pro nigiri de vieiras. Acabou sendo o último. O último era pra ser o uramaki de Foie Gras. Não veio, não sei onde foi parar. Na mesa não estava, mas estava na conta. Também estava na conta o de massagô.

Depois de ser tão mal atendido eu quis ver a conta. E foi sorte, porque ao invés de pouco mais de 70 reais, ela passou dos R$100 brincando. Dois ítens a mais, bebida errada etc.

Deu pra perceber uma completa desorganização. Não havia um gerente, alguém que claramente comandasse a orquestra. O garçom parecia sempre perdido, vindo confirmar várias vezes os pedidos, esquecia de anotar algumas coisas, trazia Guaraná ao invés de Pepsi (nem comento sobre SÓ servir Pepsi). Conversava mal e mal com a cozinha, que andava na cadência do Tango. Com 4 mesas no restaurante, levaram quase duras horas para fazer este que deveria ser um rápido serviço.

Dei graças a algum deus que não pedi o menu degustação com 11 pratos. Estaria comendo a sobremesa só agora.

No fim das contas, a comida foi gostosa, o ambiente era bonito e o atendimento/serviço decepcionaram. Voltaria lá? Talvez. Daqui um mês ou dois, quando vissem que o serviço está tangueando demais e fornecessem treinamento para o pessoal. Será que dá tempo?

Torô Yam

  • Endereço: Av. Mauro Ramos, 1835. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 4009-3303
  • Horário: diariamente das 19h às 0h.
  • Aceita cartões: sim