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Sushi by Cleber: uma boa lembrança de Porto Alegre

Vocês já conhecem o Prato de Boa Lembrança? Se depender da minha vontade, vocês ouvirão falar muito dele por aqui. Isso porque decidi colecioná-lo. Será difícil, pelo que sei apenas dois restaurantes em Santa Catarina fazem parte desta associação criada em 1994 pelo italiano Dânio Braga, com a intenção de reunir restaurantes que servem comida de excelente qualidade e incentivá-los a darem uma espécie de souvenir para que o cliente leve pra casa. É uma peça de louça pintada com algum tema que lembre o restaurante, a ser utilizado como uma obra de arte na decoração do seu lar. Hoje são cerca de 90 restaurantes participantes espalhados pelo Brasil.

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Prato da Boa Lembrança do Sushi By Cleber. A visita foi feita em janeiro de 2014, antes do lançamento do prato deste ano.

E por incrível que pareça o primeiro prato da coleção não foi adquirido aqui em Floripa, foi na capital dos gaúchos. Porto Alegre conta com um número maior de membros e foi no Sushi by Cleber, um simpático, aconchegante e saboroso restaurante de comida japonesa que essa vontade começou.

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O Sushi By Cleber não fica numa avenida principal ou de grande movimento, tem a característica dos bons restaurantes: tão escondido que passe despercebido pelos transeuntos. Mas que de tão bom transforma uma pacata e quase deserta rua na Zona Norte da capital dos gaúchos num grande estacionamento no horário de abertura da casa. Pra conseguir um lugar lá é preciso ser paciente e aguardar alguns poucos minutos. A cortesia desde que seu nome é colocado na lista é evidente, continua na mesa com os garçons e todos os envolvidos no atendimento que é de primeiríssima qualidade.

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O Prato da Boa Lembrança servido no Sushi By Cleber chama-se “Quem não arrisca não petisca” e custa R$79. Ele é um combinado variado e composto por 6 camarões Ebiguru, 5 fatias de sashimi de atum selado, 5 fatias de sashimi de salmão, dois nigirizushi Shake maçaricado, tartar de salmão e ceviche com calda ananako.

Só este combinado já fez muito sushi que conheço ir pro vinagre, pois além de muito criativo em seus ingredientes é saboroso, causa um verdadeiro êxtase no paladar. E, claro, ainda ganha-se este lindo mimo pra levar pra casa no final da refeição.

Mas este foi só o primeiro pedido da noite. Mesmo achando que começando tão bem o jantar e com a possibilidade de o restante dos pratos ficarem aquém das expectativas causadas pela “entrada”, continuava com vontade de desbravar o cardápio da casa.

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Na sequência pedi o Massagô (um gunkanmaki com ovas de capelin) e o Shakemeji (nigirizushi de salmão maçaricado com shimeji). A foto está um pouco escura por conta da luz ambiente (é, eu sei, vou comprar uma câmera de gente grande!), mas dá pra entender o sabor que estas pequenas e ricas duplas de sushi proporcionaram.

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Depois experimentamos um prato dos uramakis: o Shakeji. A noite foi praticamente baseada em salmão e cogumelos, e esse uramaki no estilo filadélfia com shimeji e gergelim torrado fechou com maestria a parte dos sushis.

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Ainda com espaço pra experimentar algum prato quente, mas nem tanto que permitisse um prato mais robusto pra ficar um espaço pra sobremesa, escolhi o Gyooza. Um pastelzinho cozido e depois chapeado recheado com carne bovina e nirá, uma das variações mais deliciosas desta iguaria, que de tão simples chega a ser comovente com o sabor que oferece.

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Fechou o jantar a deliciosa e lindíssima sobremesa Katauai: tempurá de sorvete com mel de engenho. A foto fala por si só e o pâncreas dá um pulo dentro do vivente.

A conta fechou em aproximadamente R$250 para duas pessoas.

Algo que notei em todos os pratos: arte. Não se faz comida por fazer, pra alimentar apenas o corpo dos que lá se sentam para uma refeição. Além do paladar e do olfato, a visão é agradada e todo momento com a montagem e apresentação dos pratos. Tudo é minuciosamente preparado para que chegue até a mesa dando um show de gastronomia.

Ao contrário do que achava, os demais pratos são de igual grandiosidade com o primeiro que oferece o Prato da Boa Lembrança. Apesar de eu fazer estrepolias começando com combinados, indo para os principais e terminando com uma entrada, estava tudo perfeito e, mais: correspondendo totalmente as expectativas. Agora sei porque consideram o Cleber um dos melhores chefs de comida japonesa de Porto Alegre.

Sushi By Cleber

  • Endereço: Rua Des. Esperidião de Lima Medeiros, 317. Três Figueiras, Porto Alegre.
  • Telefone: (51) 3328-8330
  • Aceita cartões: sim
  • Wifi: sim

Sushitec: do céu ao inferno em 4 meses

Em setembro do ano passado estive no Sushitec. Era um restaurante que tinha um conceito novo: comida japonesa e tecnologia. Comida japonesa era baseada em sushis, sashimis, temakis e alguns pratos diferentes como o polvo frito crocante, que experimentei na ocasião e era uma delícia. Tecnologia porque os pedidos são todos feitos por tablet. Não estava no clima de fazer review e era uma pré-abertura, ou seja, a casa não estava aberta para o público. Não, não fui convidado pra ir lá comer. A notícia da sua iminente inauguração chegou até mim e eu resolvi bater na porta. Explicaram e deixaram entrar.

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O tempo passou e resolvi ir lá na incessante busca para conhecer as melhores casas de sushi da cidade. Mal sabia que estava por cometer um dos maiores erros gastronômicos desde a abertura deste blog que está às vésperas de completar seus 3 anos de idade.

O atendimento foi perfeito, os pedidos por tablet funcionaram satisfatoriamente (um ou outro erro pontual), gentileza na recepção e tudo o mais. Mas a comida é muito ruim.

A despeito das iguarias que experimentei naquele fatídico setembro primaveril recebi uma comida péssima, intragável, fortemente desconfortável como o verão que nos assola este ano.

Vou economizar palavras e no final eu concluo, e nas próximas linhas colocarei algumas fotos que os farão pensar.

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Isto é um ceviche. Ou o que eles acham que é um ceviche. Gosto ruim, ora doce ora amargo, com um molho estranho e pastoso.

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Isto é um “Espetinho de Legumes com Shitake”, ou o que eles imaginam que isso seja. Numa versão minha eu diria que é “Um espetinho de couve-flor e brócolis com duas farpas de shitake perdidas no meio, sem sal e tempero”.

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O sushi não estava tão mal apresentado mas era ruim. O arroz avinagrado, digno de quem acabou de sair de um cursinho de sushi.

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Isto é um espetinho (robata) de frango, ou o que eles acham que é um espetinho. Tempero forte, parece industrializado e mal apresentado. Parece que bateu de frente a 160km/h numa rodovia federal com uma carreta Mercedes Benz 1313 carregada com vergalhão GG 50 da Gerdau.

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Isto é um yakissoba, ou o que eles acham que é um yakisoba. Esse caldo deve ter sobrado na Wok em que foi preparado e veio parar no meu bowl, só pode. Era uma sopa com macarrão e legumes grosseiramente picados dentro, com raros pedaços de frango ou carne.

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Tentei dar uma chance à cozinha em ficar mais um pouco e, finalmente, matar a fome, pedindo um Shimeji na Chapa. E isto, segundo eles, é o Shimeji na Chapa. Estava muito além do ponto, levemente queimado, terrivelmente seco, com sal em exagero, intragável. Além de feio, muito feio.

Eu tenho duas sugestões:

1) aos leitores: não percam seu tempo nem seu dinheiro.

2) ao restaurante: por favor, fechem. Comecem de novo. Voltem àquele setembro em que comi maravilhosamente bem e não façam com que as pessoas percam R$130 (casal) à toa.\

ATUALIZAÇÃO (30/01/2014): há uma placa afixada na parede atrás do caixa onde avisa que o cliente que pedir comida e não consumir deverá pagar uma taxa por peça desperdiçada. Não me foi cobrada nenhuma taxa por ter deixado aquela comida horrível na mesa, mas registre-se que esta é uma taxa ilegal e você pode se recusar a pagá-la, caso passe por esta situação.

Sushitec

  • Endereço: Rua Fúlvio Aducci, 1229. Estreito, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3206-7882
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim

Rigatoni ao Molho Funghi e o Dia Mundial do Macarrão

O Macarrão é um alimento mundial. Não há país no mundo em que ele ainda não tenha sido experimentado ou de alguma forma se faça presente na cultura local. Sabe-se, também, que o Brasil é o terceiro país no mundo a consumir essa massa alimentícia. Mas pouco sabe-se sobre a verdadeira origem pois é difícil precisar. A Wikipedia nos fala em seu surgimento na China no século XIII embora todos achem que ele foi originalmente criado na Itália. O que os italianos fizeram, na verdade, foi difundir o seu uso na gastronomia e criar centenas de padrões e tipos de massas. Não é a toa que os nomes das massas são em italiano: penne, spaghetti, fusili, fetuccine etc.

E hoje, 25 de outubro, é comemorado o Dia Mundial do Macarrão. Isso porque nesta mesma data no ano de 1995 aconteceu o I World Pasta Congress, o primeiro congresso mundial da massas na cidade de Roma. E para comemorar a data o Comideria e um grupo de blogueiros amigos fizemos uma receita de macarrão de nossa preferência, e que você vai acompanhar na sequência.

Rigatoni ao molho funghi
Rigatoni ao molho funghi

Escolhi o rigatoni pois é originalmente um tipo de macarrão. Embora nós já tenhamos o hábito de chamar todos os tipos de massas de macarrão, o macarrão por essência é feito nesse formato de tubos, geralmente curtos. Mas é só uma frescura minha, o que vale é fazer macarrão. E escolhi os cogumelos secos e frescos porque é o meu molho preferido. Eu sou do grupo dos gordos que prefere o molho branco. Vamos a receita!

Ingredientes

Corte os cogumelos em tiras e a cebola bem picada
Corte os cogumelos em tiras e a cebola bem picada
  • 500g de rigatoni grano duro
  • 25g de funghi secchi
  • 200g de shitake fresco
  • 100g de shimeji preto fresco
  • 1/2 cebola
  • 200g de creme de leite fresco ou nata
  • 50g de queijo pecorino (queijo de cabra)
  • 100g de manteiga
  • Sal, noz-moscada e páprica picante à gosto

Como fazer o Rigatoni ao molho funghi

Meia hora antes de começar a preparar a receita, hidrate o funghi secchi num recipiente com 1 litro de água.

Numa panela grande comece a ferver 3 litros de água com uma colher das de sopa de sal fino ou duas de sal grosso.

Enquanto isso numa frigideira derreta a manteiga e refogue a cebola bem picada. Corte os shitakes e o funghi secchi hidratado em tiras. Já o shimeji você retira aquele “bulbo” central e separe os cabinhos.

Uma frigideira grande ajuda bastante nesse processo
Uma frigideira grande ajuda bastante nesse processo

Acrescente os cogumelos frescos e deixe começar a puxar na manteiga. Quando começarem a ficar dourados, coloque um pouco de sal e experimente. Lembre-se que o funghi secchi já tem um gosto bastante forte, então não convém salgar completamente agora. Escorra bem os cogumelos secos e coloque na frigideira. Refogue mais um pouco e veja se precisa acertar o sal, coloque o quanto você goste de páprica picante e noz-moscada.

Cogumelos já refogados
Cogumelos já refogados

Nesse momento eu coloquei o macarrão na panela para cozinhar. Na caixa do produto indicava 11 minutos de cocção, então calculei que tanto o macarrão e o molho estivessem prontos na mesma hora, mas fique tranquilo, importante é não deixar o macarrão passar do ponto. Se for o caso, na sequência da receita, diminua bem o fogo do molho para que eles cheguem juntos até o final.

Molho pronto
Molho pronto

Com os cogumelos refogados, e reduzidos (você vai notar que eles murcham uma barbaridade), adicione a nata ou o creme de leite fresco. Mantenha em fogo médio para que não talhe o creme de leite e nem que fique frio/cru, controle o suficiente para cozinhá-lo um pouco. Para finalizá-lo, rale um pouquinho do queijo pecorino, algo como uma colher das de café, misture bem e está pronto.

Agora você escorre bem o macarrão que al dente está cozido e traga para a frigideira onde vai anexar o molho. Caso você não tenha uma frigideira bem grande, faça o inverso: escorra o rigatoni, volte à panela do cozimento e leve até lá o molho.

Misture bem o macarrão e o molho com fogo baixo e sirva em seguida com um pouco de queijo de cabra ralado por cima.

E aí, curtiram a receita? Bora fazer?

Aproveite e veja também as receitas desta postagem coletiva feita pelos meus colegas blogueiros:

 

Receita de Kinoko

Sou um cliente assíduo do Nigiri Sushi Bar. Pra mim, a melhor casa de culinária japonesa a preço de certa forma compatível com o que se oferece instalada em Florianópolis. E no sistema do restaurante, o “All you can eat”, uma espécie de rodízio onde você pede peças de sushi, sashimi e pratos quentes e frios por comandas, sempre fresquinhos e bem preparados, existe a opção do “Kinoko”.

Kinoko
Kinoko

Consiste num pequeno refogado de cogumelos shimeji com brócolis na manteiga, shoyu e, desconfio, um pouco de saquê (só isso explicaria o vício adquirido no prato).

Com este nome achei poucas referências pra tentar pegar a receita ou algo parecido, até porque kinoko é um nome genérico. Do japonês ??? que quer dizer cogumelos. Vago, não?

Também achei algo parecido mas em forma de risoto, que seria o Kamameshi Kinoko. Mas enfim, postulemos que a partir de agora este prato se chame Kinoko e tão-somente cogumelos em japonês. Ou ???. Nota do autor: acho que vou tatuar isso nas minhas costas.

Ingredientes

  • 1 bandeja de cogumelos Shimeji (aprox. 400g)
  • 1 bandeja de brócolis já cozidos (aprox. 400g)
  • 200g de manteiga sem sal
  • 4 colheres de molho shoyu
  • 1 martelinho de saquê, caso queira dar um gostinho a mais.
  • Sal a gosto, se preciso (no final, pra corrigir)

Modo de preparo

  • Lave bem os cogumelos e escorra a água. Coloque a manteiga numa frigideira e derreta.
  • Em seguida, separe os tufos dos cogumelos shimeji  e os coloque para cozinhar na manteiga derretida.
  • Faça o mesmo procedimento com os brócolis. Deixe cozinhar por uns 5 minutos.
  • Depois disso, coloque o shoyu e deixe cozinhar mais uns 3 minutos.
  • Pra finalizar, coloque o saquê e deixe mais uns 2 minutos para evaporar bem o álcool e pegar gosto.
  • Corrija o sal na última etapa se necessário.
  • Pronto, agora você tem um Kinoko gigante!

Custo médio da receita: R$25