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Teka Lanches: um lanche gostoso, um lugar inacreditável

Custei a acreditar que a Teka Lanches, um pequeno trailer dentro de um terreno no Balneário do Estreito cobertos por uma tenda vermelha ao lado de uma casa com uma cozinha de apoio, fosse tão grande. Não digo grande de tamanho, o lugar é pequeno até, se tanto tem 10 mesas dentro da parte coberta. Acomoda bem e confortavelmente todos que estão dentro mas vez por outra é necessário aguardar uma mesa.

Falo grande nas atitudes, nos conceitos. Por ser um xis geralmente tendemos acreditar que sentamos, pedimos, comemos e vamos embora. Mas na Teka, não. Há um conjunto de pequenos fatores, pequenas gentilezas que a casa oferece que fazem toda a diferença.

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Primeiro você é recebido com um chazinho. Nas noites frias faz toda a diferença, ainda mais um chá caseiro, feito de capim-limão cultivado no próprio terreno. Primeiro pequeno gesto de grande valor.

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Falar no frio, agora que esta invernia braba já começou a dar as caras ainda no Outono, mantas são colocadas nas mesas pra quem veio desprovido de agasalho necessário pra enfrentar algum vento-Sul que bater ali nas proximidades da praia. Segundo pequeno gesto da casa que mostra o cuidado e o carinho tanto da Teka quanto da Silvana, duas pessoas incríveis que pude conhecer lanchando ali.

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Ainda nas mesas, além do cardápio onde você escolher o que vai comer — e a casa conta com o tradicional xis, com cachorro-quente e com sopas (uma variedade em cada dia da semana) — gibis, livros, revistas e brinquedos desses de testar a sua memória. Não tem WiFi, já diz o aviso acima do chá, mas tem como entreter a criançada e até mesmo adultos (eu quebrei a cabeça pra montar um destes e nem percebi o tempo passar quanto o lanche chegou).

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O lanche também é muito gostoso. Diferentemente do xis no pão redondo ele vem no pão tradicional de cachorro-quente prensado. É o mesmo pão num formato diferente, por isso que o visual não é igual aos demais. Os ingredientes são os mesmos de sempre. Este Xis-Bacon estava muito gostoso. Faz a diferença a qualidade da maionese, leve, saborosa e não deixa aquele gosto residual pesado que comumente vemos. E, claro, é caseira, o que conta milhares de pontos.

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Além disso o lanche é bem servido, sendo até impossível pensar em comer outra coisa.

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Também experimentamos neste dia uma das sopas. Às quintas é servida a Sopa de Feijão com Macarrão. Assim como o lanche é bem servida e é guarnecida de pão tostado na chapa, o molho de maionese, molho de pimenta de uma marca famosa e boa e se você quiser ainda pode pedir mais cheiro-verde pra ir colocando.

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Ainda sobre as sopas, o carinho da Silvana é algo incompreensível. Sabe aquela pessoa que você mal conhece mas já se encanta pelo jeito, pelo fino trato? E juro que nem foi porque ela me ganhou no estômago, seja na qualidade da sopa que ela mesmo prepara, seja por este pequeno mimo que chegou até a mesa. Ela havia recebido uma encomenda de um creme de Abóbora com Carne Seca e ofereceu para alguns convivas uma prova, pra receber um feedback. Mais que aprovada, minha cara, assim como todo o restante da comida do lugar. Vocês estão de parabéns!

Fica agora só a vontade de voltar todos os dias da semana pra experimentar cada uma das sopas e o cachorro-quente que ainda não tive a oportunidade.

Vida longa à Teka Lanches. Lugares assim precisam ser eternos!

Teka Lanches

  • Rua Vereador Batista Pereira, esq. com Sérgio Gil. Balneário do Estreito, Florianópolis.
  • (48) 9929-8189
  • Estacionamento: sim

Japa Lanches: o xis do Estreito está de volta

Estamos nos entregando. Estamos perdendo a batalha. Os xis de várzea, o xis moleque, aquele que joga com os dois pontas abertos no campinho de areia está se perdendo. Disse isso aqui quando o Cabeça Lanches, um point pra se comer a iguaria, se juntou com o Espetinho de Ouro e perdeu sua essência. Mais ou menos nesta época surgiu o Cabeça II, que ficava um pouco mais a frente, liderado pelo ex-chapeiro da matriz, o famoso Japa, um dos estandartes da incrível arte de juntar salada, carne e queijo dentro do pão.

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Por algum motivo a casa não deu certo, ficou apenas a junção do xis com porções astronômicas de camarão à milanesa e, sabemos, que quem faz de tudo não faz nada.

Mas há uma luz no fim deste túnel: O Japa Lanches.

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Estive recentemente na loja recém aberta pelo Japa, na Aracy Vaz Callado, e pude reviver o sonho de comer aquele xis que outrora alimentava minhas sextas-feiras. Emocionado cheguei até pedir batata-frita, coisa que só faço no Burgão, que é de onde vem outro chapeiro do Japa. Lá ele era garçom, agora ele divide a chapa com o mestre.

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A casa é pequena e aconchegante, fica onde um recém falecido café tentou trazer a gastronomia pra uma das mais tradicionais ruas do Estreito, e agora torcemos que nela o Japa emplaque o primeiro estabelecimento de sucesso.

japa-lanches-xisNa mesa, com meus fiéis companheiros Everton e Samantha, a única primeira-dama do Comideria em exercício (#oportunidade), pedimos três xis: xis bacon, xis egg e xis mignon. É no xis burger que esta comida se revela, se o hambúrguer é bom, o queijo é de boa qualidade e o pão macio e saboroso, então temos jogo. Ademais, é milho, ervilha, tomate, alface e batata-palha, não tem erro ao seguir este script básico.

japa-lanches-batata-fritaA maioense (e sempre ela decidindo a partida aos 47′ do segundo tempo com gol de mão e impedido) é caseira, não deixa a desejar e é bastante saborosa. Leve (a quem quero enganar? meu cardiologista? nutricionista?), temperada e à vontade. Nada de copinhos e palitinhos de plástico, é na bisnaga como deve ser.

japa-lanches-cardapioOs lanches são servidos nas opções “médio” e “grande”, e seus preços variam de R$12 (xis salada médio) até R$20 (o mignon grande).

Ademais, é achar uma vaguinha na Aracy pra estacionar e aproveitar a volta de um dos melhores xis do bairro, iguaria tão raramente saborosa e que agora está de volta!

Japa Lanches

  • Rua Aracy Vaz Callado, 1093. Estreito, Florianópolis.
  • (48) 3365-1081
  • Aceita cartões

Cabeça Lanches: outro ambiente, outro endereço, outra qualidade

Se você clicar no meu nome no final deste post verá que dos quase 250 posts que escrevi pra este blog existe um padrão para a publicação:

  1. A experiência foi boa, o restaurante é indicável e tem mais pontos positivos que negativos;
  2. A experiência foi desastrosa. Não foi medíocre, foi um desastre o que aconteceu durante a visita.

Digo isso porque depois de três anos escrevendo sobre experiências gastronômicas algumas situações podem mudar este padrão. A primeira são restaurantes que antes não promoviam uma boa experiência, e N fatores entram na justificativa dessa mudança, inclusive o fato de o dia da visita ter sido um péssimo momento para o cozinheiro; e a segunda é que restaurantes que antes indicavam mudam, e pra pior. Talvez ainda não sejam desastres, mas a justiça precisa ser feita, ainda mais quando é meu aval e minha palavra que estão em jogo.

Coisa de cinco meses atrás tive a oportunidade de voltar ao Cabeça Lanches. A experiência foi ruim, o lanche ficou menos saboroso, menos recheado e mais caro. Depois retornei novamente, o lanche voltou pra padrões aceitáveis e mantive a opinião em deixá-lo no TOP 5 Xis de Floripa, até porque uma segunda lista ainda levaria tempo pra ser preparada e com a deficiência de Florianópolis nessa área ele ainda elencaria os melhores na minha modesta opinião (acredite, os melhores xis hoje estão em São José).

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Ontem retornei à casa. Não era a mesma casa. Recentemente o Cabeça Lanches começou a dividir um espaço com o Espetinho de Ouro, pra quem ainda não conhece, um restaurante especializado em porções e refeições cujo protagonista é o camarão e numa concorrência acirrada com o Boka’s, há anos briga por quem serve a maior e melhor porção da cidade. A qualidade não é grande característica destes tipos.

O endereço também não é o mesmo. Apesar de ser na mesma rua, a casa agora ocupa um espaço maior, no outro lado, onde antigamente funcionava a revenda de carros Super Auto.

Cadê o hamburguer, gente?
Cadê o hamburguer, gente?

E a qualidade? Infelizmente também mudou. Não caiu a ponto de dizer “eu nunca mais volto lá”, mas pra quem viveu os tempos áureos do Cabeça, dizer que é o mesmo lanche seria incorreto de minha parte. Nota-se que o lanche continua do mesmo tamanho, tanto a versão “médio” quanto a “grande”, mas o recheio tem sua composição alterada. Enquanto antes um robusto e saboroso hamburguer era a atração principal do lanche — e não poderia deixar de sê-lo, agora um matagal de salada cresce sem nenhuma poda entre duas fatias de pão que não é mais aquele “fofinho” de priscas eras.

Me coma logo, vamos acabar com esse sofrimento!
Me coma logo, vamos acabar com esse sofrimento!

Talvez na foto do Xis Bacon e do Xis Alcatra acima você não tenha notado, mas agora vai se admirar quando reparar no interior de um Xis Burguer. Um pedaço de carne apático, pedindo pelo amor de santo Cristo pra ser consumido logo e dar fim no drama de ficar perdido no meio do pão e do queijo.

Há que se destacar mais uma vez que o Xis ainda está na frente de outras dezenas de concorrentes, mas muito provavelmente não entraria numa lista de TOP 5 aqui no blog.

Ao insatisfeito, as batatas!
Ao insatisfeito, as batatas!

A maionese caseira, outro ponto forte da casa, continua boa. Agora até menos salgada que antes, deixando os clientes hipertensos um pouco mais felizes (jesus, quem eu estou querendo enganar aqui?).

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O ambiente está mais amplo, mas a estrutura promove muito barulho. Em dias em que a casa está lotada é possível notar que ela é mais Espetinho de Ouro que aquele ambiente modesto e confortável do Cabeça antigo, do lado da Pet Shop. As mesas de plástico deram lugar às mesas de madeira, ponto positivo pra casa. Quem passa da primeira arroba de peso sabe o quão isso é importante.

O cardápio mais robusto. Agora além dos xis, e das porções de 6 unidades de pastéis, uma infinidade de pratos com camarão, carnes, peixes etc.

Ademais, resta lamentar que o gigante caiu mais uma vez, mas talvez seja questão de tempo (inclusive este post também tem esta intenção) de que a qualidade seja recobrada, e dizer que, neste momento, este blogueiro não mais indica o Cabeça Lanches como um xis moleque, de várzea, que joga com os dois pontas abertos num campo de areia.

Chopperia Cabeça Lanches e Espetinho de Ouro

  • Endereço: Rua Coronel Pedro Demoro, 1910. Estreito, Florianópolis.
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: sim

Dauri Lanches: resistindo ao tempo e exportando chapeiros

Já tentei, mas não consigo ir no Dauri sem o sentimento nostálgico da primeira lanchonete onde lambuzei os beiços com maionese caseira. É impossível não lembrar da cena do meu paladar se abrindo pra esta iguaria maravilhosa que é um bom xis arte, xis moleque, de várzea. Como no Fantástico Mundo de Bob, diversas cenas, só que reais, me vêm a cabeça, como a da porção de “miudinhos”, como meu pai chamava, um sem-número de corações de galinha grelhados na chapa e dispostos sob um pequeno monte de farinha de mandioca, fatias de limão taití e folhas de alface, tudo isso comportado numa pequena travessa duralex, com cor característica da marca nos anos 90.

Em formato de drive-in, o que aqui chamamos de “drive”, era possível comer no carro ou nas mesas de madeira com bancos inteiriços para cerca de 4 pessoas, uma espécie de versão rústica dos restaurantes sessentistas americanos de fast-food, coberto com uma lona característica destes antros de perdição gastronômica. O estacionamento do supermercado Comper recebia desde famílias querendo uma refeição nada saudável, grupos indo ou vindo de alguma “night” (balada era um termo ainda não cunhado na época) e torcedores do Figueirense em passagem ao Estádio Orlando Scarpelli, o grande e majestoso vizinho, que em dias de jogo esgotava suas garrafas servindo “maracujazinho a 1 real”.

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O Dauri infelizmente faleceu por estes tempos. Antes, porém, teve que se mudar para a Praça Renato Ramos da Silva, atrás do saudoso Colégio Aderbal Ramos da Silva, onde este que vos escreve concluiu o primeiro e se formou no segundo grau. A praça que já viu este humilde blogueiro jogar seu futebol moleque nas aulas de Educação Física do professor Geraldo agora comporta um playground pra gente de todas as idades, está bem iluminada, tem um posto da Polícia Militar e no seu coração o entupidor de artérias conhecido como Dauri Lanches.

Perdeu-se um pouco do charme que antanho, embora o lugar esteja mais bonito. Perdeu a graça de estacionar o carro no amplo estacionamento do supermercado e pedir o lanche no carro, com aquelas bandejas metálicas adaptadas para os vidros do veículo. Perdeu-se grandes chapeiros que viraram lendas e até hoje mostram todo o seu potencial, como o Eduardo que hoje tem negócio próprio no Bar do Casinho, ali nas redondezas, ou o próprio Cabeça, do Cabeça Lanches que hoje já comprou até o Burgão, em São José. Foram-se garçons para algum lugar do mundo onde o Sol brilha mais fraco, mas não perdeu o orgulho nem a dignidade: ainda é um grande xis. Não é o mesmo de sempre, admito, talvez este texto lhe cause grande expectativa. Mas é digno e recusa-se cair no ostracismo das velhas lanchonetes da cidade.

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Na noite do último domingo comi um Xis Galinha com Calabresa. Pedi Xis Galinha com Bacon, o lanche que aprendi a comer com minha mãe neste mesmo lugar, mas o bacon estava em falta. OK, a dignidade se foi por um instante, mas o Dauri tem a licença poética comigo. A foto mostra um Xis Alcatra, igualmente saboroso.

Uma boa novidade é que agora além da maionese tradicional temos a versão verde. Ou seja, se maionese caseira é bom, imagina poder escolher entre maionese caseira e maionese caseira com cheiro verde. Traz uma porção de alface pra comer com maionese aí, tio!

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O restaurante em um espaço pequeno por dentro, mas no seu entorno a praça se faz um palco com mesinhas de plástico, típicas de xis, podendo saborear o seu lanche ao ar livre nas calorosas noites de verão do Balneário do Estreito.

Um pequeno pedaço de paz e tranquilidade na “pracinha do Balneário”, onde os velhos dali já elegeram para o seu diário dominó, em meio a um bairro em constante evolução, cuja erupção de prédios e gigantescas construções nada ofuscam a nostálgica sensação de comer no grande, resistente e atemporal Dauri Lanches.

Dauri Lanches

  • Endereço: Av. Santa Catarina, 1197 (Praça Renato Ramos da Silva). Balneário do Estreito, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3248-9993
  • Aceita cartões: sim

Roteiro Gastronômico: Lagoa da Conceição

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O Verão chega e a capital catarinense quase triplica sua população. São turistas que querem passar o réveillon em Florianópolis, o Natal no litoral de Santa Catarina e alguns ficam até para o Carnaval em Floripa. Motivos não faltam para que o turista chegue até aqui em busca de sossego, boas praias e natureza exuberante. Para ajudar você turista, ou você mesmo nativo que está querendo conhecer um pouco mais a sua cidade, começamos hoje uma série de posts com pequenos roteiros turístico-gastronômicos da cidade. Vamos passar por Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui, Jurerê Internacional, Lagoa da Conceição, o Balneário de São Miguel e até Governador Celso Ramos com suas lindas e quase intocadas praias estarão no elenco desta produção.

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A Lagoa da Conceição é, sem dúvida, um dos lugares mais bonitos a se visitar em Florianópolis. Desde a sua chegada, quando o Mirante para a Lagoa dá boas vindas ao visitante, até a Costa da Lagoa, num local mais afastado e com acesso apenas por barco, tem lindas paisagens para perder algumas horas admirando.

Descendo o Morro da Lagoa, o principal acesso ao bairro, você já tem uma série de opções gastronômicas. Entrando na Rua Laurindo Januário da Silva, rua principal do Canto do Lagoa, você já tem acesso a restaurantes com frutos do mar, bistrôs e até sushis.

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É o caso do Bistrô Santa Marta, onde comemos o delicioso Polvo da Magia. A Chef Bárbara também nos preparou um Carré de Cordeiro como poucos que comi aqui na cidade, acompanhado de purê de mandioquinha, alho confitado e geléia de pimenta, que ela mesma faz.

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Do lado também podemos experimentar o sushi do Kantô. Do tataki de atum até o Burning Gunkan, o Kantô é perfeito na execução e nos sabores. Atendimento nota 10.

Voltando para a entrada da Lagoa passamos pelo “centrinho” com uma diversidade de bares e botecos quase infinita. Cerveja de todos os tipos, bares mexicanos para tomar-se um mojito ou uma margarita e cafés dos mais estilos de paladares e bolsos, do mais simples ao mais sofisticado.

A Avenida das Rendeiras é responsável pela maior parte do turismo e da gastronomia da Lagoa da Conceição. É nesta orla que existe a praia para um banho de lagoa, prática de esportes e uma infinidade de lazer a céu aberto. Em todo o comprimento das Rendeiras é possível comprar artesanato local baseada em renda de bilros, fazer aulas de kitesurf e passeios de barco e caiaque.

Para comer, recomendamos o Barracuda Restaurante & Grill, no coração da Lagoa. Oferece pratos inspirados na culinária local um pouco mais elaborados, como Camarão ao Gorgonzola, que experimentamos e aprovamos em uma visita. Em outra comemos a Sequência Barracuda.

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A sequência, pra quem não sabe, é um preparado no formato de menu degustação. Quando você não quer experimentar um único prato e quer comer um pouquinho de cada coisa, você solicita uma sequência que pode atender de 2 a 4 pessoas. Eu pedi a Sequência Lagoa da Conceição, um dos pratos de maior rotatividade da casa. Ela é composta por dois bolinhos de peixe, duas casquinhas de sirí, camarões ao bafo, camarões alho e óleo, camarões à milanesa, molho tártaro, filés de peixe ao molho de camarão e acompanha um arroz muito saboroso e temperado, batatas fritas, pirão de caldo de peixe e uma salada.

Por ter uma proposta mais elaborada o Barracuda não cabe em todos os bolsos. Caso esteja querendo experimentar frutos do mar e economizar um pouco, tem muitos restaurantes onde é oferecido um buffet honesto e também saboroso. No final das Rendeiras, por exemplo, existe o Lagoa Restaurante.

Voltando para o centrinho da Lagoa, existe a Praça Bento Silvério onde funciona o Casarão e, aos domingos, uma simpática feirinha acontece do meio-dia às 19h reunindo cerca de 125 artesãos. De bijuterias à renda de bilros são comercializados ali, inclusive alguns produtos orgânicos para gastronomia são encontrados.

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Ali perto é possível comer no Bistrô La Provence, numa cozinha inspirada nos franceses. A sugestão é experimentar o excelente filé dijón, mas não sem antes de comer o tartar de salmão que é uma delícia.

A Lagoa da Conceição é com certeza o mais democrático bairro de Florianópolis. Todas as tribos e todas as classes sociais se misturam neste pequeno pedaço de terra recheado de água salobra. Tanto é verdade que você pode experimentar da mais alta gastronomia até um simples mas saborosíssimo xis, no Calota.

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Se você der sorte de estar neste bairro numa quarta-feira à noite, é possível comer o incomparável xis costela, feito com carne assada na brasa.

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Por último e não menos importante, outro passei para se fazer estando em Floripa é conhecer a Costa da Lagoa. Este, o mais afastado, só pode ser acesso pela água. Existem linhas de embarcações que saem da Ponte da Lagoa ou então do Rio Vermelho (caso esteja de carro prefira este trajeto, é menor e mais rápido, sem contar a parte terrestre). Na Costa além de você ter a sensação de estar visitando um lugar onde pouca gente teve acesso, com natureza quase intocável e bela e nascença, várias opções de gastronomia são encontradas, onde cada restaurante se torna um ponto de desembarque de turistas.

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Nós conhecemos recentemente o Sabor da Costa e o Jajá, o proprietário do negócio que é uma figura, um show a parte. Você come no restaurante dele e ainda ganha entretenimento free, seja fazendo piada com a cultura local, seja autografando os copinhos de cachaça que são servidas gratuitamente… Vale a pena conhecer o Sabor da Costa e comer lá.

Depois de conhecer um dos mais lindos lugares de Floripa, volte aqui no post e comente o que você achou, compartilhe conosco sua experiência. Boa viagem e boas férias!

O Rancho do Tchesco e o melhor garçom do mundo

EUREKA!

Foi o que disse o matemático Arquimedes antes de sair correndo pelado pelas ruas da Sicília quando descobriu que o volume de qualquer corpo pode ser calculado pelo volume de água deslocado após ser submergido na água. Diz a lenda que o Rei queria saber se a coroa que fora encomendada para o ourives era somente de ouro ou composta com uma liga metálica menos nobre, e enquanto observava a água que caía da sua banheira quando ele tomava o seu banho após chegar da viagem à Alexandria, descobriu ali o problema matemático que a realeza o questionara. Era só mergulhar a coroa supostamente de ouro na banheira e comparar com a água deslocada com o peso nominal do mesmo metal nobre.

Observar é uma dos grandes desafios quando estou num restaurante. E há quase um ano eu gritei pra mim mesmo eureka! dentro de um lugar simples e muito simpático localizado numa rua de chão batido no interior de Biguaçu, enquanto  observava um jovem senhor muito entusiasmado com o que fazia, com o restaurante lotado e servindo graciosamente pessoas ansiosas por suas comidas.

Encontrei, pensei comigo. Encontrei é o português para eureka do Arquimedes, e me senti um descobridor dos dilemas da vida gastronômica. O Rei teria matado o ourives por mim, pensava eu enquanto via o Sr. Luís atender no Rancho do Tchesco. Mas ainda restava uma outra dúvida, um problema de uma equação que muitas vezes não fecha: o que motivava aquele cara de corpo franzino e voz  calma e gentil chegar no restaurante com o sol se pondo, atender toda aquela gente famigerada e extender seu trabalho com a limpeza do ambiente perto do romper da aurora?

Eu amo o que eu faço, é sempre a resposta do Sr. Luís. Neste ano sendo cliente assíduo do Tchesco sempre ouço isso dele. É esse cara quem devia dar palestras motivacionais, não estes engomadinhos de meia pataca com um livro entumescido de baboseiras debaixo do braço que toda faculdade de administração nos joga goela abaixo. O Sr. Luís é um desses tantos que enrguem toda uma pátria nos tentos, abnegados das vaidades e dos títulos, e que fazem com maestria o que realmente importa, que é o que necessariamente lhes dão prazer.

Sr. Luís: o melhor garçom do mundo!
Sr. Luís: o melhor garçom do mundo!

Meu querido Sr. Luís, acabo de te eleger O MELHOR GARÇOM DO MUNDO.

O Rancho do Tchesco

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Pra nao dizer que não falei das flores, vamos à comida. O Rancho do Tchesco é um restaurante simples, como dizia na introdução deste texto, e muito simpático. Uma construção em forma de rancho, como o nome enseja, com mesas rústicas e que abraçam.

Lá serve-se desde o tradicional xis até porções de diversos quitutes, inclusive a chuleta na tábua. E se você é desses que só comem comidas saudáveis e em nenhum momento podem fugir da dieta rígida, já aviso: o post terminou aqui, obrigado pela leitura e volte sempre. Mas se você se arrisca, não dá bola pras artérias e vez por outra gosta de ser feliz fazendo um cafuné nas papilar gustativas e um chamego no buchinho, eis o que tenho pra mostrar.

Chuleta: bifes de chuleta aceboladas, polenta frita, aipim frito e pão na chapa
Chuleta: bifes de chuleta aceboladas, polenta frita, aipim frito e pão na chapa

A chuleta é bem servida (R$42), e composta basicamente de três pedaços grandes de chuleta bovina grelhada e acebolada (cebola opcional), polenta frita, aipim frito (pode-se trocar por batatas fritas), fatias de pão na chapa e tem uma salada mista como entrada. Caso prefira — e foi o que fizemos para comermos bem em quatro pessoas — você pode pedir mais chuletas. Nós pedimos 3 adicionais (R$8,50 cada).

Todos os ingredientes deste prato são fritos, reforço pra você saber que precisará estar disposto a comer frituras. A carne é muito bem temperada e é servida do ponto para bem passada. Caso prefira ao ponto dê uma conversada com o Melhor Garçom do Mundo que ele resolve.

Salada de entrada, e a imperdível maionese caseira
Salada de entrada, e a imperdível maionese caseira

Considerando que você foi até Biguaçu, está disposto a comer uma comida rica em gorduras e gostosuras, já está na chuva mesmo, se molhe: a maionese caseira verde é uma delícia. Com um toque de alho, acompanha bem os petiscos, o pão na chapa e até mesmo a tal da chuleta.

O preço é bastante atrativo também. Toda essa comideria mais refrigerante saíram por menos de 20 reais por pessoa. Come-se bastante e muito barato por lá.

Vida longa ao Sr. Luís! Tenha a bondade de conhecê-lo qualquer dia destes lá no Tchesco!

UPDATE, dia 19 de novembro de 2013: O Sr. Luís, figura única que ilustra este post, infelizmente não trabalha mais no Rancho do Tchesco. Perderam o melhor garçom do mundo.

Rancho do Tchesco

  • Endereço: Julio Bekhauser, 254. Bom Viver, Biguaçu – SC.
  • Horário: de terça à domingo, das 18h30 às 0h.
  • Aceita cartões: sim