Toca do Paru: comendo um peixe com as bruxas de Franklin Cascaes

Franklin Cascaes é dos meus. Nunca chamou a cidade de Florianópolis. Florianópolis quer dizer Cidade de Floriano, o Peixoto, o marechal de ferro, que degolou uns duzentos da oposição em Anhatomirim. Três eram parentes de Cascaes e, para nós, homenagear este canalha é um erro histórico gravíssimo. Pra ele era Nossa Senhora do Desterro e Ilha de Santa Catarina de Alexandria. A bem da verdade ele nasceu em São José. O bairro de Itaguaçu na época pertencia à São Jozé da Terra Firme, como boa parte da porção continentina da cidade nos idos de 1910.

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Ele não acreditava nas bruxas, “mas que hay, hay”, e por isso relatava fielmente o que lhe contavam em suas obras. Um de seus discípulos, o Peninha, conta que no Itaguaçu aconteceu o Baile das Bruxas. Era uma reunião de tudo que era coisa ruim e, encurtando a história, não convidaram o diabo por feder a enxofre e por ser antissocial. No meio da festa ele aparece e, por não ter sido convocado, transforma as bruxas, organizadoras, em pedras.

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Essas pedras são cenário deste post. Itaguaçu quer dizer Pedra Grande e neste pequeno rincão de paraíso encontramos a Toca do Paru, um restaurante já tradicional da cidade. Se você não conhece pelo apelido do proprietário, vai lembrar de alguém que já ouviu falar do restaurante mais estreito já visto por estas plagas. Isso porque o Restaurante Toca do Paru fica num rancho de pescadores que possui 30 metros de comprimento mas menos que dois metros de largura. Neste ambiente, apenas mesas para duas pessoas e na outra parede várias fotos de visitantes, ilustres e anônimos, além da decoração baseada nos costumes locais.

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Na área externa é que acontece a mágica. Nas mesinhas de plástico em cima da simpática Rua das Palmeiras, que beira a praia com o mesmo nome, a vista das pedras do Itaguaçu e o mar da baía-Sul de Florianópolis encanta quem ali almoça. O atendimento é gentil e rápido, funciona.

A culinária é toda mané. Desde os aperitivos (casquinha e torpedinho de Siri, camarões empanados, à milanesa, ao bafo, ostras e mariscos) até os pratos principais como a Moqueca de Garoupa e o Peixe Escalado na Brasa.

Fui para experimentar o Peixe assado na brasa ao molho de alcaparras (R$85), e o peixe do dia era o Paru.

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É um legítimo Paru, ou Peixe-frade (Pomacanthus paru, que você já deve ter visto em algum aquário marinho). Ele vem inteiro, recheado com uma deliciosíssima farofa de camarões e assado na brasa, com molho de alcaparras dando um toque especial. É um peixe indicado no cardápio para duas pessoas, mas se pedir um reforço nos acompanhamentos alimenta muito bem quatro indivíduos com fome normal.

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Falar em acompanhamentos, juntos com o Paru assado vem uma salada mista, pirão de caldo de peixe, um arroz branco bem temperado e um saboroso feijão preto. Tudo isso servido em panelas de barro, que mantém a temperatura dos alimentos e o seu frescor.

Ao invés de pedir um petisco qualquer de entrada, fiz que nem todo bom ilhéu: pedi uma cachaça. Dizem os incautos que “faz mal comer de barriga vazia”. Ofereci o gole do santo e saboreei a Caninha especial do Paru com Mel e Canela. Uma cachaça feita aqui mesmo na cidade, muito boa, e que com mel e canela fica saborosíssima. Recomendo experimentá-la.

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Agora o que me deixou realmente boquiaberto ontem, é que entre um gole e outro da cachaça, a Rebecca me contava, ainda sobre a lenda das bruxas e das pedras que contei no início do post, alguns fotógrafos já registraram imagens em que, dependendo do ângulo, essas pedras formariam o rosto de uma bruxa. Não achei registro disso por enquanto, complemento quando possível, e na ocasião brinquei com ela, no meu melhor estilo ateu de ser cético. Só depois de publicar uma foto da cachaça no Instagram é que notei que dentro da bebida forma-se a impressão de um rosto de uma mulher usando chapéu.

Seria uma bruxa? Franklin Cascaes tinha razão. Las hay!

Restaurante Toca do Paru

  • Endereço: Rua das Palmeiras, 136. Itaguaçu, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3249-0593
  • Horário: De quarta à sexta-feira, para o jantar. Sábado, domingo e feriado à partir das 12h.
  • Aceita cartões: Somente débito.

 

 

5 ideias sobre “Toca do Paru: comendo um peixe com as bruxas de Franklin Cascaes”

  1. Adorei a dica!
    O único problema deve em dia de chuva…local apertado, rs.
    já caminhei pelo local mas nunca pensei em experimentar… tendo em vista o movimento..

    Fui no sushic, quinta (feriado), enquanto comia lembrei do seu post, e sou da mesma opinião…achei o restaurante muito agradável e com uma comida deliciosa!

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