Toro Yam: comida japonesa e atendimento em ritmo de tango

Estive anteontem visitando o Toro Yam, uma casa relativamente nova baseada na culinária japonesa instalada no centro de Florianópolis. O Toro é mais um desses lugares que juntam gastronomia e balada, tendo um piso superior onde a casa prepara-se para a diversão de quem ali resolve passar algumas horas, comendo ou não um sushizinho.

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Fui pela comida — sempre pela comida, pra conhecer a casa e degustar aquele velho peixinho cru envolto numa camada de arroz. Gostei bastante do que comi. Os sushis são bem preparados, tanto na modalidade buffet livre quanto nos pratos à lá carte. Encontra-se desde os tradicionais filadélfia até nigirizushis feito com vieiras, por exemplo, ou com surubim defumado. Enche os olhos já no cardápio.

Além de saborosos os pratos são bem servidos. Sushis grandes, pra quem gosta um prato cheio, e bem gostosos. A ordem da minha refeição deveria ter sido essa:

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Comecei por uma entrada quente: Yakitori (Robatas de frango, cogumelos e legumes ao molho satay, R$12). Espetinhos de frango grelhado com cogumelos paris e, basicamente, aspargos. Mas muito saboroso. Esse molho satay, tradicionalmente preparado com coentro, gengibre, molho shoyu, alho, limão e chilli, deu toda a graça ao prato.

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Era pra depois da entrada ter comido um par de Dyo Massagô (bolinhos de arroz envoltos em uma fatia de peixe branco cobertos com ovas de capelin, R$7). Mas não tinha ovas de capelin. Troquei então por nigirizushis Hotategai (nigiris de vieira maçaricada com flor de sal e raspas de limão siciliano, R$12). Confesso que poucas vezes comi um nigiri tão saboroso, com a flor de sal e as raspas de limão combinando muito bem com as vieiras.

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Em seguida então deveria ter vindo o combinado de sushis (calma, já explico), o Torô Kikuna (4 uramakis, 4 nigiris e 3 dyo, totalizando 11 peças, R$26). Não sei porque mas acabei recebendo 14, um um niguiri e 2 uramakis mais. Obrigado, desde já, samae-san!

E finalizaria toda a comilança com um Uramaki Torô (atum, foie gras e raspas de limão siciliano, R$25).

Mas por quê eu falei que a sequência deveria ter sido essa? Respondo falando o que achei do atendimento.

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O atendimento é dramático. É mais dramático que Gardel cantando Roberto Goyeneche, é tão asmático quanto Ruben Juarez “con su blanco bandoneón“. E digo que foi um tango pra não dizer tragédia, embora desconfie que o serviço fosse melhor na Sbornia. Vi uns passos de Kopérnico no salão bonito e aconchegante do restaurante.

O garçom foi enfático ao pedir que eu separasse os pedidos da entrada e dos pratos. Ponto positivo, pensei. Ponto positivo não fosse os 40 minutos que levei pra começar a comer. E, advinha? Não começou pela entrada, veio primeiro o combinado de sushis, que seria só o terceiro prato. A robata veio só depois, junto com o segundo prato, e ele voltou ainda duas vezes pra perguntar se era isso mesmo que eu tinha pedido. Ou seja, o pedido não chegou à cozinha.

O segundo prato não tinha, como disse anteriormente, o massagô (ovas de capelin) estava em falta. So 20 minutos depois do pedido é que avisaram, então troquei pro nigiri de vieiras. Acabou sendo o último. O último era pra ser o uramaki de Foie Gras. Não veio, não sei onde foi parar. Na mesa não estava, mas estava na conta. Também estava na conta o de massagô.

Depois de ser tão mal atendido eu quis ver a conta. E foi sorte, porque ao invés de pouco mais de 70 reais, ela passou dos R$100 brincando. Dois ítens a mais, bebida errada etc.

Deu pra perceber uma completa desorganização. Não havia um gerente, alguém que claramente comandasse a orquestra. O garçom parecia sempre perdido, vindo confirmar várias vezes os pedidos, esquecia de anotar algumas coisas, trazia Guaraná ao invés de Pepsi (nem comento sobre SÓ servir Pepsi). Conversava mal e mal com a cozinha, que andava na cadência do Tango. Com 4 mesas no restaurante, levaram quase duras horas para fazer este que deveria ser um rápido serviço.

Dei graças a algum deus que não pedi o menu degustação com 11 pratos. Estaria comendo a sobremesa só agora.

No fim das contas, a comida foi gostosa, o ambiente era bonito e o atendimento/serviço decepcionaram. Voltaria lá? Talvez. Daqui um mês ou dois, quando vissem que o serviço está tangueando demais e fornecessem treinamento para o pessoal. Será que dá tempo?

Torô Yam

  • Endereço: Av. Mauro Ramos, 1835. Florianópolis.
  • Telefone: (48) 4009-3303
  • Horário: diariamente das 19h às 0h.
  • Aceita cartões: sim

6 ideias sobre “Toro Yam: comida japonesa e atendimento em ritmo de tango”

  1. Não conheço o estabelecimento, entretanto não és o primeiro a falar do atendimento.
    Como sempre adorei a escrita do post 🙂

  2. Estive lá ontem e foi decepcionante. Para começar fiquei uns 10min parado na calçada na frente (não tem onde parar) esperando o responsável pelo Valet que não estava ali porque estava jantando(!). OK, afinal de contas fui lá sabendo que o atendimento seria ruim mas que a comida poderia compensar. Pedimos um espumante, o garçom se enrolou todo, derrubou gelo na mesa, mas OK…era nítido que estava aprendendo e alé do mais era esforçado e educado.
    Optamos por alguns sashimis e sushis por quilo e pediriamos alguns pratos diferentes a la carte, que era justamente o principal motivo de termo ido lá. Pedimos alguns sashimis de polvo e salmão para começar, além de uma entrada de vieiras. O sashimi veio e me chamou a atenção a falta de cuidado na disposição das fatias e montagem do prato além da coloração estranha do salmão. Ao invés daquele rosado característico estava meio pálido, esbranquiçado. Mas minha surpresa maior foi quando fui pegar um sashimi de salmão e o mesmo estava com todas as fatias grudadas umas na outra…parecia que a faca não estava afiada o suficiente e para conseguir pegar uma fatia vc precisava da ajuda de outra pessoa para separá-las. Mandei de volta para o sushiman que após corrigir a falha amadora mandou de volta.
    Já fazia 30min e nada da entrada de vieiras aparecer. Chamei o garçom para certificar que tinham entendido o pedido já que pedi sashimis junto e ele me disse estava tudo OK e sairia em instantes. Mais uns 5min e ele volta dizendo que deu um problema no pedido, que o sistema não tinha lançado e que agora que foram ver que não tinham as vieiras.
    Enfim, pedi a conta, não paguei os 10% e recomendo a todos: ESQUEÇAM O TORO !!!

  3. Fui uma vez e nunca mais volto! Ao contrário do que você comentou eu não gostei do sushi… Mas já conversei com pessoas que foram logo que abriram e gostaram e o atendimento realmente é pessimo!

  4. Estive ontem lá, eu e minha namorada comemos o festival.

    Os sushis estavam bons, bastante variedade, e o atendimento não achei ruim (mas tambem comi o festival, então não tem como errar no self-service), e o suco veio rápido e estava muito bom. Única coisa que eu tenho a reclamar é a demora da reposição do festival, filadelphia e nigiri de salmão não pode faltar.

    Mas eu gostei, preço bom, e sushi também estava bom.

    Mas casa de sushi é assim, nunca vi nenhuma que fosse regular nos produtos.

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